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Energia limpa: América Latina se destaca na liderança global

Confira a matéria especial da Bloomberg sobre o crescimento da energia renovável na América Latina, em especial no Brasil. O conteúdo original (em inglês) está disponível aqui.

A Costa Rica, que tem cinco milhões de habitantes e nenhum exército, não é exatamente uma potência. Nos últimos tempos, no entanto, este país da América Central, que tem as dimensões da Dinamarca, tem atraído a atenção para uma virtude menos óbvia: tem a matriz elétrica mais limpa do hemisfério. Em 2016, mais de 98% da eletricidade do país veio da fonte  hídrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica (gerada a partir de vulcões). Foi o segundo ano consecutivo em que a maior parte da energia do país veio de fontes renováveis.

Costa Rica não é exceção. Desde os ventos que varrem o deserto Atacama até o escaldante Nordeste do Brasil, a energia limpa está na agenda. Apesar do progresso lento das reformas do mercado de energia no México, a crise de crédito no Brasil e os gargalos de infraestrutura no Chile, outros países foram afetados pela falta de investimentos, que no ano passado diminuíram 30% se comparado a 2015, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Países da América Latina e do Caribe tornaram-se pioneiros da energia de baixa emissão de carbono. Mais de um quarto da energia primária na região agora vem de fontes renováveis, mais que o dobro da média global.

O aumento do uso de energias renováveis pode representar uma dupla vitória para a América Latina, trazendo um sistema elétrico mais limpo e inteligente. A energia de baixo carbono, que os governantes negligenciaram durante muito tempo em nome dos poços de petróleo e a construção de grandes hidrelétricas (que é uma fonte renovável, mas não “verde”), recebeu poucos incentivos além de possuir uma estrutura regulatória muitas vezes incompleta. Consequentemente, a energia limpa teve de competir para sobreviver a um modelo de negócio difícil, que também é uma vantagem em uma região onde o nacionalismo de recursos tornou-se vítima de nepotismo, desperdício e falta de transparência.

Basta olhar para a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira que se tornou grande vítima da corrupção generalizada. A energia limpa não é imune à corrupção: basta lembrar dos “senhores do vento” da Itália, que intervieram em licitações públicas para grandes contratos. Mas o mercado renovável na América Latina é muito aberto: não há Solarbras ou Vientomex que dificultem a concorrência. Entre 2010 e 2016, mais de 40% do investimento aberto em iniciativas locais de energia limpa vieram de fora.  O Brasil aderiu com apenas US $ 53.000 milhões em seu mercado. Isso faz com que a energia limpa na América Latina seja um dos mercados mais amigáveis do mundo para o capital internacional, segundo informou a BNEF em março.

Mas há muito para ser amigável. O sol brilha desde a Cordilheira Andes até as margens do Atlântico, enquanto a Patagônia é um parque eólico natural. Parte desse potencial já tem sido aproveitado. Desde o início dos anos 70, regimes políticos ambiciosos transformaram seus países em potências mundiais e ergueram grandes hidrelétricas que, juntos, fornecem dois terços da eletricidade na região. O Brasil foi um dos primeiros a adotar o biocombustível. Desde a década de 1970, o etanol de combustão limpa substituiu 2.400 milhões de barris de petróleo (cerca da produção anual do Brasil) e tem mantido a atmosfera livre de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono, disse o especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

Como em outras regiões, no entanto, o entusiasmo da América Latina para as energias renováveis diminuiu. Afinal, há décadas as plataformas de perfuração foram o monumento à soberania e o petróleo era o elixir de governos populistas que iam desde o mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940), que forçou seus compatriotas a penhorar jóias e gado para pagar a empresa de petróleo nacional, até o venezuelano Hugo Chávez, que transformou a empresa estatal de petróleo PDVSA  em uma caixa registradora do socialismo bolivariano. A descoberta do “pré-sal” brasileiro sob a plataforma continental – considerado um “bilhete de loteria premiado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – prolongou o reinado do petróleo.

O Brasil nunca desistiu de energia hidrelétrica, mas a dependência do petróleo, especialmente quando os preços caíram, manchou a rede elétrica do país. Em 2012, apenas 6% da eletricidade gerada era proveniente de usinas térmicas. Mas em 2014, o Brasil teve quase um quarto de sua eletricidade produzida a partir de usinas térmicas a gás, carvão ou diesel, que emitem carbono. “A rede elétrica no Brasil é carbonizada”, disse Goldemberg. Erros na política fiscal agravaram a situação. Ao limitar artificialmente os preços da gasolina no início desta década para conter a inflação, o governo brasileiro subestimou a competitividade do etanol combustível, forçando dezenas de destilarias a fechar suas portas.

Ultimamente, no entanto, os formuladores de políticas estão à procura de alternativas. A queda do petróleo fez com que países como Equador, Venezuela e México permanecessem sem exportações de produtos. Além disso, cresce o consenso de que a menos que se ponha freio às emissões de carbono que aquecem o planeta, a América Latina vai pagar caro.

A adversidade e a resistência política também ajudaram a incentivar a inovação e o investimento em energia limpa. Sob a pressão de protestos e reivindicações, os governos têm procurado reduzir a quantidade de energia gerada por hidrelétricas, cujas enormes barragens provocaram o deslocamento de populações e o aumento das emissões de carbono, advindo da decomposição de florestas inundadas. Em toda a região, outras formas de energia com baixa emissão de carbono estão ganhando força. Entre 2006 e 2015, a capacidade renovável não-hídrica mais que triplicou na América Latina, concluiu BNEF.

O desenvolvimento tecnológico também fez com que o uso do vento, das ondas e do sol deixassem de ser um sonho exorbitante e passassem a se tornar uma opção viável e competitiva. Em um momento em que caem os preços para produzir eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos, quatro países latino-americanos estavam entre os oito primeiros no índice de emissão de baixo carbono “Climate Scope” da Bloomberg, composto por 58 países.

Não que a energia renovável é livre de obstáculos. Para começar, há a inconstância inerente do vento e do sol, que tornam a fonte de energia instável e a maior preocupação dos investidores em relação ao risco. Outro grande obstáculo é a falta de linhas de transmissão, que não acompanharam o fornecimento de projetos eólicos e solares, deixando algumas novas plantas ociosas, informou a Bloomberg News. Não é um beco sem saída, mas são as dores do crescimento no que uma autoridade líder energia verde chamou de “alguns dos mercados de energia renovável mais dinâmicos do mundo.”

Entre os players vencedores figura o bilionário Mario Araripe, que construiu sua fortuna com a energia eólica. E, no entanto, enquanto investidores e alguns visionários se destacaram, os governantes estão abrindo caminho. Há uma década, nenhuma eletricidade vinda dos fortes ventos que sopram no nordeste do país alimentava o Rio Grande do Norte, um pequeno estado brasileiro do tamanho da República Dominicana. Graças a uma política inovadora, novas tecnologias, e os empréstimos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), 85% da rede elétrica do estado é agora alimentado por cerca de 1.000 turbinas eólicas, muitos deles fabricados no Brasil, disse o ex-secretário de energia do estado, Jean-Paul Prates.

Prates, que preside o CERNE – think-tank de energia renovável – disse que atualmente a energia eólica brasileira compete em leilões públicos de energia juntamente com a eletricidade gerada por carvão, nuclear, gás natural e até mesmo energia hidrelétrica em pequena escala.

Os historiadores nos dizem que o Brasil foi descoberto graças aos navegantes portugueses que fugiram da inércia das marés da África, que dirigiram para o oeste e então apanharam as correntes marítimas das Américas e encontraram essa parte do Novo Mundo “, disse Prates. Meio milênio depois, uma redescoberta nascida no vento acaba de começar.

Fonte: Bloomberg View | Mac Margolis

Indústria eólica nacional quer expandir atuação e se tornar hub exportador

A indústria nacional dedicada à energia eólica está em busca de uma nova forma de atuação, a de colocar a capacidade instalada local como um polo exportador, principalmente para a América do Sul e Caribe. Um dos motivadores para esse movimento é a dificuldade em se ter os 2 GW anuais de demanda para a manutenção da indústria local e a busca por manter-se atualizado tecnologicamente ante os equipamentos que são encontrados em outros países, resultado dos investimentos de fabricantes que investem em seu desenvolvimento.

Segundo a avaliação da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum, o Brasil apresentou um plano de nacionalização ambicioso e implementou-o com competência para cumprir as metas no tempo em que foram estabelecidos esses marcos. Mas, a questão agora que enfrenta é a volatilidade de demanda. Por isso que o setor precisa minimizar as variações e buscar novos mercados quando se pensa no fornecedor de aerogeradores.

“Do lado de quem compra essas máquinas é importante que as empresas estejam prontas para fornecer a tecnologia mais recente e uma política de nacionalização como a nossa tende a ter um bloqueio de desenvolvimento por fechar o mercado nacional”, comentou a executiva em um workshop que a Casa dos Ventos promoveu em São Paulo. A entidade, comentou, formou um grupo de trabalho no sentido de buscar alternativas para o produto nacional ganhar competitividade e nesse caminho a adoção do PPA em dólar poderia trazer benefícios importantes para a cadeia.

Hoje, continuou a representante do segmento, os fabricantes não veem mais como uma barreira a questão cambial desde que haja um processo de transição para que se adaptem. Com o PPA em dólar abre-se uma janela de oportunidade de importação de alguns componentes para serem montados localmente e com vistas a uma política de apoio à exportação. Dessa forma, continuou, poderia ser alcançada maior competitividade e o país tornar-se o hub de exportação em função de toda a cadeia que existe por aqui com as seis fabricantes que somam 4 GW de capacidade de produção anual.

Élbia lembrou que a política dolarizar passou ao largo do setor por conta desse processo de nacionalização da indústria eólica. Contudo, o BNDES não tem mais os recursos que teve no passado e que a atuação dos últimos 14 anos em termos de incentivar os investimentos não deverá se repetir. Por isso, os investidores tem que buscar no exterior esses recursos e aí vem a importância dessa ideia de ter o PPA em dólar. E ainda, da parte dos produtores, a maior competitividade vem da redução do custo Brasil. E que esse conceito de ficar fechado para a tecnologia não traz evolução nem escala para o mercado.

Esse posicionamento de abertura parcial encontra ressonância na Casa dos Ventos, que já defendeu essa alteração. Recentemente a empresa vendeu seus dois últimos projetos operacionais à britânica Actis para buscar fôlego financeiro e assim não depender do BNDES para implantar novos projetos. À época, o diretor de Negócios Lucas Araripe, afirmou que capitalizada a empresa consegue recorrer a linhas de financiamento mais baratas que a oferecido pelo banco de fomento federal uma vez que essas se encontram no exterior. E, ao mesmo tempo, trazer máquinas mais eficientes e a um valor menor que o encontrado localmente.

De acordo com o patriarca da família e fundador da Casa dos Ventos, Mário Araripe, hoje as máquinas nacionais estão em um degrau tecnológico mais abaixo do que o estado da arte que se encontra no exterior em função desse fechamento nacional, que associado à baixa demanda por equipamentos leva as fabricantes a postergarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

“Precisamos ver se vale a pena restringir o conteúdo nacional. A evolução tecnológica é grande e, cada vez mais rápido, os aerogeradores estão sendo aperfeiçoados. No Brasil as máquinas ofertadas estão em degrau tecnológico menor por não ter a escala que tínhamos alguns anos atrás. Assim, há uma janela de oportunidade de desenvolver a eólica a colocar o PPA em dólar como Chile e Argentina e ter acesso ao que está sendo produzido no mundo”, afirmou o executivo.  Araripe destacou que a companhia já analisou mais de 50 máquinas para uma mesma área e relatou que é possível obter ganhos de produtividade de até 10%, o que ajudaria a baratear a energia.

Élbia, da ABEEólica, disse que a avaliação de que adotar uma parcela do PPA atrelado ao dólar já não é mais um tema que preocupa economistas, inclusive alguns ligados ao Plano Real e que afastavam a indexação como forma de proteção da moeda nacional. Mas ainda assim, admite e necessário que se realize encontros com BNDES, Ministério da Fazenda e de Minas e Energia para mudar essa situação. Por isso, em um leilão de reserva que se espera para meados do segundo semestre não seria possível de implementar a novidade, mas que para um eventual A-5 em dezembro seria possível.

Fonte: Canal Energia

Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo

O Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo em 2016, com 876 mil empregos, ficando atrás apenas da China, com 3,6 milhões de empregos, de acordo com dados do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês). Ainda de acordo com o documento, as energias renováveis empregavam, ao todo, mais de 9,8 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016. Tirando as grandes hidrelétricas, este número é de 8,3 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a maioria dos empregos em energia renovável é encontrada nos biocombustíveis líquidos. Apesar de a produção de etanol ter aumentado cerca de 8% em 2015, os empregos no setor diminuíram 10%.  Cerca de 30 mil empregos foram perdidos na colheita de cana-de-açúcar e 15 mil postos de trabalho foram  perdidos no processamento de etanol devido à mecanização, principalmente no estado de São Paulo, o maior produtor de etanol do Brasil.

Já a produção brasileira de biodiesel caiu, segundo o relatório, indo para 3,8 bilhões de litros em 2016. A expansão da indústria eólica do Brasil também diminuiu em 2016 em relação ao ano anterior, com o número de empregos indo de 41 mil em 2015 para 32,4 mil em 2016.

No mundo

A energia solar gerou a maior parte dos empregos no mundo no ano passado, com 3,1 milhões, um crescimento de 12% em relação a 2015. O crescimento veio principalmente da China, Estados Unidos e Índia, enquanto o emprego no setor diminuiu pela primeira vez no Japão e continuou a cair na União Européia. Novas instalações de energia eólica nos Estados Unidos, Alemanha, Índia e Brasil, entretanto, contribuíram para o aumento do emprego eólico global em 7%, para chegar a 1,2 milhões de empregos.

Os biocombustíveis líquidos, com 1,7 milhões de postos de trabalho, a biomassa, com 700 mil postos e biogás, com 300 mil empregos, também foram importantes empregadores, com postos de trabalho concentrados no fornecimento de matéria-prima. Brasil, China, Estados Unidos e Índia foram considerados mercados-chave de bioenergia.

As grandes hidrelétricas empregavam 1,5 milhões de pessoas, em empregos diretos, com cerca de 60% daqueles em operação e manutenção. Os principais mercados de trabalho foram observados na China, na Índia, no Brasil, Na Rússia e no Vietnã.

Fonte: Brasil Energia | Marco Sardenberg

Futuro da energia será protagonista do All About Energy 2017

Comemorando a 10ª edição, o ​AAE recebeu o reforço trazido pelo ​CERNE ​e teve ​a estrutura temática ​reconfigurada. O foco ​agora é o futuro da geração renovável ​de energia e seu consumo sustentável​.

As fontes renováveis serão as ​grandes protagonistas do futuro da energia no mundo. Diante deste cenário, como se dará a sua utilização de forma sustentável? Quais rotinas, fontes e usos energéticos teremos no futuro?

Estas e outras questões importantes para o planejamento estratégico do setor de energia renovável serão debatidas no All About Energy – Congress & Expo 2017, o maior evento dedicado a estas fontes realizado na América Latina​. O encontro acontecerá entre os dias os dias 4 e 6 de outubro de 2017 no Terminal Marítimo de Fortaleza, Ceará.

Em sua décima edição, o evento foi re-concebido para atualizar, integrar e expandir os temas principais, em comum à geração a partir de fontes renováveis até ​o consumo de forma sustentável.

Nesta nova concepção, o All About Energy 2017 abordará, como tema principal comum, o futuro da energia.

Entre as novidades, além da interação entre segmentos da geração de energia renovável, também estão:​ a exposição de veículos elétricos, ​construções inteligentes como os ​condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e ​doutores.

​Plenárias​, debates​ e exposição versarão sobre quatro quadrantes temáticos: energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável​ (incluindo aplicações tecnológicas, veículos elétricos e eficiência energética​)​. ​

O diretor-presidente do CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, Jean-Paul Prates​, explica que a intenção é cruzar os debates pelos diversos segmentos, para fugir das discussões setoriais isoladas, já realizadas em outros eventos nacionais​. “Já estamos ​num estágio em que está confirmada ​a viabilidade e competitividade de cada uma dessas áreas​​. Por isso, a interação entre os desafios comuns, como também o enfrentamento de questões nacionais e até globais, são importantes para traçarmos novos horizontes”, ​diz Prates. 

Para Meiry Benevides, diretora da All About Eventos – responsável pela logística e comercialização do evento, a diversidade e a integração temática é um diferencial importante porque propicia oportunidade a fornecedores e prestadores de serviço de consolidarem suas posições junto a diversas cadeias produtivas e investidores multi-setoriais. “É um evento único, neste sentido. Permite associar a marca e a empresa ao futuro, à vanguarda tecnológica; e ainda atingir quatro ou mais segmentos de uma vez”, afirma.

All About Energy – Congress & Expo 2017 vai trazer as principais discussões sobre os cenários mundial, nacional e regional da energia renovável e do consumo sustentável, com sessões dedicadas à inovação e startups tecnológicas, além de simpósios​ com investidores globais ​voltados a projetos sustentáveis e a ​presença de autoridades internacionais do setor energético.

O evento te​m o CERNE e a empresa All About Eventos como co-realizadores.  Mais informações no site do evento:  www.allaboutenergy.com.br 

 

Desconto na conta de luz estimula popularização de usinas domésticas

Cresce no país o número de casas, comércios e indústrias que têm suas próprias usinas de produção de energia a partir de fontes renováveis.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), desde que a geração distribuída (feita por consumidores independentes) foi regulamentada, em 2012, saltou de 4 para 9.819 o total de usinas próprias.

Arte - Folhapress

Arte – Folhapress

A maior parte delas (99%) é construída com painéis fotovoltaicos. O 1% restante é repartido entre as demais fontes renováveis, como a eólica. “É uma geração que reduz as perdas na distribuição e alivia a rede”, diz Marco Aurélio Castro, especialista em regulação da Aneel.

As casas tem o maior número (79%) de usinas. O comércio aparece com 15%. Fazendas e órgãos públicos reúnem 4%, e a indústria, 2%. Essa produção sustentável já é capaz de abastecer o consumo residencial de uma cidade como Santos (SP), de 434 mil habitantes. Mas ainda há muito a avançar. Toda a produção a partir de painéis fotovoltaicos representa hoje 0,02% da matriz elétrica nacional, diz a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O preço dos equipamentos é um dos entraves do setor.

Para o mercado, o consumidor que procura o serviço tem consciência ambiental. “Mas também é um público que não quer ficar refém dos aumentos feitos pelas distribuidoras”, diz Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

O valor médio da conta de energia no país, incluindo todas as classes de consumo e os impostos, cresceu 6,4% em 2016 em relação ao ano anterior, segundo a Aneel.

Quem quer aderir ao sistema precisa solicitar uma autorização da concessionária, que pode levar até 60 dias. O projeto precisa ser assinado por um engenheiro eletricista, e a instalação deve ser feita por uma empresa do ramo.

Além de sair da dependência tarifária, esse tipo de geração possibilita produzir energia num lugar e consumi-la em outro. Ou ainda usar o excedente em créditos para pagar uma conta futura.

Aluguel

Se comprar uma usina ainda pesa no bolso, já é possível contratar uma assinatura mensal de energia limpa.

A start-up Renova Green, de Curitiba, fornece o serviço, no momento, apenas para quem vive na cidade. Com R$ 19,90 por mês, o cliente aluga dois painéis fotovoltaicos que serão instalados em sua casa. “A economia pode chegar a R$ 40 na conta”, diz o sócio Reinaldo Cardoso. A empresa cobra a instalação dos equipamentos (R$ 299).

O bancário Nelson Lubas, 46, optou pelo plano mínimo. Ele diz que tem economizado entre 15% e 20% na fatura. “Quero mais três placas para economizar 60%.”

O governo prevê que 2,7 milhões de consumidores devam gerar energia até 2030, equivalente a uma geração de meia usina de Itaipu. “O preço dos equipamentos está menor agora, as empresas têm isenção fiscal, e o consumidor está mais consciente”, afirma Sauaia.

Fonte: Dhiego Maia | Folha de São Paulo

Revolução da energia barata chegou e o carvão está de fora

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas na terça-feira (25) pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

EDP Renováveis aumenta produção no Brasil em 170%

A EDP Renováveis produziu no Brasil um total de 147 gigawatts hora (GWh) durante o primeiro trimestre, a partir dos seus parques eólicos, mais 170% do que no mesmo período do ano passado, segundo as informações publicadas pela empresa do grupo EDP.

O Brasil foi o mercado no qual a EDP Renováveis teve o maior crescimento de produção em termos relativos, beneficiando de um aumento do fator de utilização dos parques eólicos de 30% para 33% e também de um acréscimo da capacidade instalada.

No final de março a EDP Renováveis tinha ainda em construção 127 megawatts (MW) de nova potência, nos projetos Jau e Aventura, que se irão somar aos 203 MW que a empresa já tem em operação no mercado brasileiro.

A companhia terminou o primeiro trimestre com 10.410 MW de capacidade instalada a nível mundial, mais 702 MW do que em março do ano passado.

Globalmente a produção da EDP Renováveis subiu 2%, para 7.719 GWh. O aumento da capacidade instalada acabou por compensar a descida que o grupo registou no fator médio de utilização dos seus parques, com a empresa a lembrar que o primeiro trimestre de 2016 teve um recurso eólico especialmente elevado.

EDP Brasil aumenta número de clientes

No mercado brasileiro o grupo EDP também divulgou alguns dos seus dados operacionais, revelando que no negócio de distribuição de energia fechou o primeiro trimestre com 3,34 milhões de clientes, mais 2,3% do que no mesmo período do ano passado.

Em volume de energia distribuída a EDP Brasil teve um ligeiro aumento de 0,2%, para 6.268 GWh, informou a companhia num comunicado ao mercado.

A distribuidora EDP Espírito Santo registou um decréscimo de 1,4% no volume de energia distribuída, enquanto a EDP São Paulo teve um crescimento de 1,4% em termos homólogos.

Fonte: Portugal Digital

Linha de financiamento para renováveis vai beneficiar setor agrícola no Brasil

O Banco do Brasil lançou o BB Agro Energia, um novo programa de linhas de financiamento voltado para o uso de energia renováveis no meio rural, tanto para pessoas físicas, jurídicas e cooperativas. A estimativa é que ela libere R$ 2,5 bilhões em 2017. O programa vai possibilitar a instalação de placas fotovoltaicas, aerogeradores ou biodigestores nos terrenos de modo a reduzir os custos de produção, transformá-los em autoprodutores, transferência de tecnologia ao campo e ampliação dos negócios com o setor agropecuário.

As linhas que englobam o programa são as seguintes: FCO Rural, Inovagro, Investe Agro e Pronamp, para a agricultura empresarial; Pronaf Eco, para a agricultura familiar; e Pronaf Agroindústria e Prodecoop, para cooperativas agropecuárias. As taxas variam de 2,5% até 12,75% ao ano e o prazo médio de 10 anos. O financiamento pode ir até 100% do projeto.

De acordo com o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar e Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, o programa representa uma evolução para o financiamento da fonte, uma vez que o BB Agro Energia é completamente direcionado para o setor agrícola, além de ser uma ação coordenada. “O programa tem abrangência nacional, agora o foco é o agronegócio brasileiro. Isso é muito sinérgico”, afirma. O aspecto da sustentabilidade no campo também foi elogiado pelo presidente da associação. Ele também lembrou que A Absolar vem há dois anos debatendo com banco a implantação de linhas de crédito para o setor. A associação também atua junto ao banco para a abertura de uma linha de financiamento para consumidores na área urbana.

Áreas como suinocultura e avicultura, que tem consumo de energia bastante elevado poderão se beneficiar das linhas. Para obter o financiamento, é necessário que os projetos devam ter até 1 MW. O financiamento também poderá contemplar equipamentos que vão atuar de forma isolada em uma propriedade, não precisando estar conectado à rede.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Consumidor

Workshop internacional discute mercados sustentáveis para o setor energético

Recife sedia, entre os dias 4 e 6 de abril, o primeiro workshop internacional “Energia Renovável e Inovações Interconectadas: Mercados Sustentáveis do Século XXI”. Especialistas em energia, empresários e gestores públicos do Brasil e dos Estados Unidos tem espaço para trocar experiências visando gerar modelos de negócios e projetos comerciais entre os dois países para atender as necessidades de um setor energético em evolução.

A iniciativa é uma parceria do Governo de Pernambuco com o Consulado Geral dos Estados Unidos no Recife e com o Governo da Califórnia, estado americano considerado referência no uso de novas tecnologias para as energias renováveis.

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual  de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco,  Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Olavo Oliveira, participa do evento, que reúne empresas como a americana Tesla, conhecida mundialmente por desenvolver tecnologia de ponta para veículos elétricos.

“No primeiro dia tivemos debates com palestrantes nacionais incluindo o Rodrigo Sauaia (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e o David Hochschild e Angelina Galiteva, ambos membros do comitê de energia da Califórnia”, disse Olavo.

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Durante o workshop foi lançado o projeto “Noronha Carbono Zero”, que pretende transformar o arquipélago de Fernando de Noronha em um local que gera 100% de sua energia através de fontes renováveis e o primeiro território livre de emissão de carbono do país.

O evento segue até esta quinta-feira (06) com uma discussão sobre políticas públicas pelo Ministério de Minas e Energia, a questão da água em relação às energias renováveis e, finalizando a programação, serão formados grupos de trabalho para a elaboração de propostas para o projeto sustentável em Noronha.

Fonte: CERNE `Press

CERNE participa de elaboração do primeiro Plano Diretor do Sistema Penitenciário do RN

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) esta participando junto ao Governo do Rio Grande do Norte na elaboração de propostas para o desenvolvimento do primeiro Plano Diretor do Sistema Penitenciário do Estado. Nesta quarta-feira (05) foi realizada mais uma reunião que integra o ciclo de encontros para o desenvolvimento do plano de trabalho.

Um dos objetivos é desenvolver soluções para geração de energia renovável nas unidades prisionais do Estado, permitindo maior eficiência e redução de custos no fornecimento de energia.

Foto: CERNE

Foto: CERNE

Plano Diretor Penitenciário

A confecção do plano diretor é conduzida por uma comissão criada pelo governador Robinson Faria, a qual reúne representantes de cinco secretarias – Justiça (Sejuc), Segurança (Sesed), Assistência Social (Sethas), Infraestrutura (Sin) e Saúde (Sesap) – além de contar com a participação nas discussões de representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e sociedade civil organizada.
Fonte: CERNE Press

Brasil desponta como terceiro maior produtor de eletricidade das Américas

O Brasil é o terceiro maior gerador de eletricidade das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá, de acordo com relatório da EIA (Energy Information Administration). Em 2016, a capacidade instalada total de geração de energia elétrica atingiu 137 GW, gerando 560 bilhões de kWh.

As hidrelétricas se mantêm como principal fonte de geração da matriz elétrica brasileira, representando mais de 70% do total (87 GW), seguida pelos combustíveis fósseis (30 GW), biomassa (12 GW) e de uma pequena parte vinda das fontes eólicas e nucleares. O Brasil é o segundo maior produtor de energia hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a China.

O gás natural é o principal combustível fóssil usado no Brasil, correspondendo a mais da metade do potencial de combustíveis fósseis, sendo a outra parte ocupada pelo carvão mineral. A atual aposta do setor é o projeto da termelétrica do Porto de Sergipe, com entrega prevista para o final de 2019. A usina terá uma geração de 1,5 GW, a maior da América Latina.

Visando aumentar a parcela de fontes de energia renováveis não-hidrelétricas na matriz, o governo anunciou em 2015 o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). A ideia é ampliar e aprofundar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, estimulando, por exemplo, o uso de energia solar fotovoltaica. A estimativa é que o programa movimente cerca de R$ 100 bilhões em investimentos, até 2030.

Fonte: Brasil Energia | Amanda Magalhães

Energia renovável é alternativa estratégica para estabilidade no preço da conta de luz

O brasileiro teve que preparar o bolso ao se deparar com a notícia da cobrança da bandeira tarifária amarela na conta de luz do mês de março. O anúncio, feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), determinou a cobrança extra de R$ 2 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos no mês.

A mudança ocorreu depois que a bandeira tarifária estava verde desde dezembro, ou seja, não havia cobrança adicional na conta de energia. Segundo a Aneel, a previsão dos níveis nos reservatórios das hidrelétricas ficou abaixo do esperado para março. A situação levou ao aumento da geração termelétrica como medida para preservar os níveis de armazenamento e garantir o atendimento ao sistema elétrico.

O sistema das bandeiras é aplicado sempre que o custo de geração de energia no país sobe. Isso acontece quando é necessário acionar mais usinas termelétricas, que geram energia mais cara devido ao alto custo associado.

Para ter uma ideia, em 2013 o total de energia produzida pelas hidrelétricas foi de 560.450 MW médios, o que correspondia a 74,02% da energia gerada no país. Em 2015 esse número caiu para 484.464 MW médios (65,66%). No mesmo período, a geração termelétrica aumentou de 187.892 MW médios (24,81%) para 194.568 MW (26,37%), segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

A matriz energética brasileira hoje depende predominantemente da energia hidrelétrica, além das usinas térmicas. A adoção de fontes alternativas como a eólica e solar podem reduzir a variação no preço da energia provocada pela bandeira tarifária.

Graças ao aumento da geração de energia eólica e o crescimento da participação da fonte na matriz energética nos últimos dez anos, as energias renováveis podem ser o caminho estratégico para garantir a segurança tarifária no país.

Nesse aspecto, o Rio Grande do Norte vem se destacando notoriamente na matriz renovável como polo do setor eólico no Brasil. De acordo o CERNE, o estado é líder nacional no ranking de geração eólica com 3,3 gigawatts de capacidade em 122 parques eólicos instalados e em operação.

Sistema Interligado Nacional

Toda a energia gerada é lançada diretamente no Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável por coordenar e controlar todo o sistema de produção e transmissão de energia elétrica oriunda das diferentes fontes energéticas, possibilitando o suprimento do mercado consumidor brasileiro.

O SIN também assegura um melhor aproveitamento da água nas usinas hidrelétricas e o uso moderado de energia térmica. Esse equilíbrio, aliado a geração alternativa – eólica, solar, biomassa – influencia diretamente na cobrança das bandeiras e no reajuste do preço da conta de luz.

Tarifa

Em 2016, o aumento médio das tarifas de energia elétrica no Rio Grande do Norte foi de 7,73%. Para os clientes residenciais o reajuste chegou a 7,78% e para as indústrias, o aumento foi menor, de 7,61%. Todos os anos, as distribuidoras passam por um processo de reajuste de suas tarifas, que pode levar a aumento ou queda, dependendo do que for apurado pela Aneel.

De acordo com a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) está prevista no mês de abril uma reunião entre a distribuidora e a agência reguladora para iniciar as tratativas sobre reajuste da tarifa no Estado.

Fonte: CERNE Press

Agência internacional aponta ser possível reduzir as emissões a zero até 2060

A Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês) indicou que as emissões de CO2 podem ser reduzidas entre 70% até 2050 e 100% até 2060 com uma perspectiva econômica positiva. Essa estimativa foi lançada nesta segunda-feira, 20 de março durante o evento Berlin Energy Transition Dialogue, na Alemanha, por meio do estudo “Perspectivas para uma transição energética: as necessidades de investimentos para uma transição de baixo carbono”.

O relatório apresentou casos em que o aumento dos aportes em energia renovável e eficiência energética em países do G20 e outros podem alcançar a redução de emissões necessárias para conter a elevação da temperatura a não mais do que os 2º Celsius e evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas.

O desafio é grande, os investimentos necessários adicionalmente somam US$ 29 trilhões até 2050. Esse número, explicou a entidade, apesar de ser substancial, representa uma parcela de 0,4 do PIB global nesse período. Além disso, a análise macroeconômica da Irena aponta que esses aportes criarão um estímulo que junto a outras políticas poderão elevar o PIB global em até 0,8% em 2050, gerar novos empregos no setor renovável mais do que a perda de posições com a indústria de combustíveis fósseis, e ainda, desenvolver o bem estar humano com os benefícios ambientais causados.
Atualmente a energia renovável responde por 24% da capacidade de geração e 16% de todo o fornecimento de energia primária. Para alcançar a descarbonização serão necessários 80% de geração de energia advindas dessas fontes e 65% de todo o fornecimento primário no mundo. As renováveis precisam ainda representar a maior parte da geração de energia em 2050, tendo como base a contínua e rápida expansão de capacidade, principalmente da combinação entre a eólica e a solar para substituir as fontes convencionais.
Além disso, veículos elétricos também devem ser predominantes nesse cenário, bem como ações de eficiência energética, biocombustiveis líquidos e edificações mais eficientes devem apresentar alto crescimento, seja por meio de renovações ou novas construções.
Contudo, ressalta que são necessários esforços por meio de adoção de políticas públicas para que se possa redesenhar os mercados de energia no mundo. Sinais de preços robustos e a precificação do carbono podem ajudar a promover um grande campo quando complementado por outras medidas.
Fonte: Canal Energia

Biomassa supera gás natural como fonte mais importante na oferta interna de energia

A biomassa voltou a ser a segunda fonte de geração mais importante do Brasil na Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) – energia necessária para mover a economia – com o registro de 8,8%, em 2016, superando os 8,1% de participação do gás natural. As informações são do Boletim Mensal de Energia (referência – dezembro/2016), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

De um total de geração de 54 TWh por biomassa em 2016, o bagaço e a palha da cana contribuíram com 36 TWh, ou 67%. Compõem a biomassa o bagaço e a palha da cana, os resíduos de madeira da produção de celulose, o biogás, a casca de arroz, dentre outros pouco significativos.

O bom desempenho da bioeletricidade e de outras fontes como hidráulica e eólica continuam impulsionando o crescimento da participação de renováveis no País. Segundo o boletim, o Brasil fechou o ano de 2016 com o total de 82,7% de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia Elétrica, contra o indicador de 75,5% verificado em 2015.

Biomassa

A biomassa é uma matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada na produção de energia. Da mesma maneira que a energia hidráulica e outras fontes renováveis, a biomassa é uma forma indireta de energia solar, pois resulta da conversão da energia solar em energia química por meio da fotossíntese, base dos processos biológicos dos seres vivos.

Uma das principais vantagens da biomassa é o seu aproveitamento direto por meio da combustão da matéria orgânica em fornos ou caldeiras.

Fonte: Ministério de Minas e Energia 

Escola pública de Fortaleza vai funcionar com energia solar

A Escola de Tempo Integral Professor Alexandre Rodrigues de Albuquerque, que será inaugurada na sexta-feira (10) no Bairro Siqueira, será abastecida parcialmente por painéis solares.

A escola conta com 10 placas fotovoltaicas para produção da sua própria energia, estimada em 4.500 kWh/ano, gerando uma economia de cerca de R$ 2 mil em 12 meses. A unidade já iniciou as atividades escolares, atendendo cerca de 500 alunos, do 6º ao 9º ano, residentes nos bairros Canindezinho, Parque São Vicente e Siqueira.

As placas fotovoltaicas da escola foram doadas pela Fênix Solar, empresa cearense responsável também pela instalação desses painéis. Para o diretor de Engenharia da Fênix Solar, Carlos Kleber, a acessibilidade desses equipamentos cria uma oportunidade para que os alunos conheçam o sistema solar fotovoltaico e entendam como ele funciona.

“Inclusive, isso faz com que despertem desde cedo o importante sentimento de preservação do meio ambiente através da geração de energia utilizando fontes naturais renováveis”, comenta.

Fonte: G1 Ceará

Universidade cearense inaugura Árvore Solar para alimentar bicicletas elétricas

O campus do Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), contará a partir da terça-feira, 21 de fevereiro, com uma Árvore Solar, formada por dez painéis fotovoltaicos postos sobre as palmas de uma palmeira metálica, estilizada e branca, que carregam as baterias de uma frota de dez bicicletas elétricas. As bikes serão utilizadas pela equipe de segurança do campus da Instituição, no primeiro momento.

O reitor Jackson Sampaio presidirá a solenidade de inauguração do equipamento, às 15h, ao lado de representantes das empresas parceiras, integrantes da direção da Universidade, de servidores docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes.

O benefício é resultado da parceria da UECE, por meio do Mestrado Acadêmico em Ciências Físicas Aplicadas, com a empresa Eco Soluções em Energia, associada à Incubadora de Empresas da UECE (IncubaUECE), que conta com o apoio técnico em arquitetura da Projec. Por estar associada a incubadora pública, a Eco soluções em Energia pode contar com o apoio do Fundo de Inovação Tecnológica do Ceará (FIT/CE), por meio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), que analisou e aprovou o projeto.

Durante o dia, quando as bicicletas estiverem conectadas à árvore, os painéis carregarão as baterias. Quando as bicicletas estiverem em uso, a árvore repassará a energia para a rede pública, gerando créditos para a UECE utilizar posteriormente. A bicicleta com necessidade de carga à noite usará a energia da concessionária.

A IncubaUECE continuará participando do projeto, oferecendo assistência para a sua viabilização, pois tem como missão estimular e apoiar empreendedores no processo de geração, consolidação e crescimento de micro, pequenas e médias empresas no Ceará, visando promover o desenvolvimento regional sustentável.

Fonte: UECE

Procura por certificados de energia renovável dispara no Brasil

A preocupação das empresas e dos consumidores brasileiros em utilizar energia limpa e contribuir para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera fez disparar no ano passado a demanda por Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs (na sigla em inglês). Foram negociados 107.543 RECs em 2016, conforme levantamento feito pelo Instituto Totum, que coordena o Programa de Certificação de Energia Renovável e é o emitente local dos RECs. Para fins de comparação, em 2015 e 2014 foram transacionados 13.462 e 244 RECs, respectivamente, o que mostra o crescente interesse do mercado por esse tipo de produto. A expectativa do Totum é que até o final de 2017 o mercado movimente cerca de 1 milhão de RECs.
Os certificados de energia renovável surgiram diante da impossibilidade de o consumidor identificar a origem dos elétrons. Em qualquer parte do mundo, a matriz elétrica é composta por um mix de fontes, como termelétricas a carvão e a óleo (mais poluentes), eólicas e solares (com baixo impacto ao meio ambiente). Como nem todos os consumidores têm condições de investir em uma usina para gerar sua própria energia renovável, a saída então é receber a energia da forma tradicional e adquirir o volume de energia equivalente ao consumo por meio de certificados. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis.
Dessa forma, os consumidores estão investindo na geração da mesma quantidade consumida em energia limpa, ou seja, eles se “apropriam” somente da parte limpa que é colocada no sistema. Com os RECs as empresas e consumidores podem garantir 100% de energia renovável para seu uso sem ter de investir, elas próprias, em geração.
A oferta de energia renovável também vem sendo ampliada. Até meados do ano passado a oferta estava limitada a três empreendimentos (dois hídricos e um eólico), agora existem mais de 15 empreendimentos capazes de gerar RECs e outros dez em processo de adesão.
Apesar do crescimento significativo desse mercado em 2016, o Brasil ainda está engatinhando nessa questão de RECs. O programa tem a participação da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Fonte: Cerne Press com informações do Canal Energia

Brasil pode estar no clube dos 1GW, afirma presidente da Absolar

A energia solar está conquistando seu espaço aos poucos no Brasil e as previsões parecem ser animadoras para o setor. O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou em entrevista à Recharge que o país se unirá ao clube das nações com 1GW de capacidade este ano.

De acordo com as projeções estimadas pelo Governo Federal, a geração fotovoltaica em grande escala deve atingir 7GW em 2024, enquanto a geração distribuída poderá alcançar 4,5GW.

A publicação também afirma que o calcanhar de Aquiles da política energética no Brasil, no âmbito das renováveis, tem sido a falta de um planejamento contínuo e exemplifica tal fato citando o recente cancelamento do leilão de energia de reserva, que estava marcado para acontecer no fim do ano passado.

Diante desta situação, a Absolar tem se reunido com o governo para que novos leilões aconteçam. “A indústria solar gera emprego e pode ajudar o país a voltar ao crescimento, para o qual precisa de visibilidade de cinco a dez anos, mas hoje nosso horizonte é de apenas dois anos”, disse Sauaia.

O setor fotovoltaico, no entanto, está crescendo a uma taxa de 300%, impulsionado pela queda dos custos de instalação e aumento da tarifa de energia. Mas a falta de financiamento, de medidas de isenção fiscal e outras políticas governamentais dificultam o crescimento pleno do setor.

Mesmo com este panorama, o presidente da Absolar é otimista. A matéria destaca que alguns governos estaduais estão implementando programas solares para fomentar novos empregos, incluindo medidas para suprir edifícios públicos com energia solar.

Sauaia afirma que a Absolar, juntamente com a Agência Alemã de Desenvolvimento (GIZ), a Associação Brasileira de Geração Distribuida (ABGD) e universidades, estão pesquisando o desenvolvimento de padrões para instaladores fotovoltaicos, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está preparando um programa de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos de negócios e desenvolvimento de armazenamento.

Fonte: CERNE Press

Relatório Rethinking Energy é lançado durante assembleia geral em Abu Dhabi

A terceira edição do Rethinking Energy da Agência internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), foi lançado no último domingo, 15 de janeiro, durante a sétima assembleia geral da entidade, realizada em Abu Dhabi. Na publicação o destaque ficou para a queda de custos das fontes, movimento impulsionado pela inovação tecnológica e políticas que vêm estimulando a implantação de energias renováveis, associadas a uma miríade de benefícios sócio econômicos.

A publicação destaca como os investimentos globais em renováveis vêm crescendo constantemente por mais de uma década, passando de menos de US$ 50 bilhões em 2004 para um recorde de US$ 305 bilhões em 2015. E, apesar deste enorme crescimento, aponta a entidade os atuais níveis de aportes e implantação de projetos estão a avançar ainda mais para cumprir as metas internacionais de redução de carbono.

Segundo avaliação do diretor geral da Irena, Adnam Amim, as renováveis estão ganhando terreno em qualquer tipo de comparação e que acelerar o ritmo dessa transição energética, bem como expandir seu alcance para além do setor de energia não só reduzirá as emissões de carbono, bem como melhorará a vida das pessoas, criará empregos, atingirá as metas de desenvolvimento e assegurará um futuro mais limpo.

Mas alertou ainda que à medida que avança em direção a um novo paradigma de energia, o mundo precisa continuar a acelerar os esforços de descarbonização. E nesse sentido, políticas públicas continuam a ser cruciais para este fim. E apontou que os segmentos de aquecimento, refrigeração e o potencial das renováveis para o transporte são áreas onde os esforços futuros são necessários.

O relatório lançado pela entidade traz a perspectiva de que a fonte solar fotovoltaica crescerá rapidamente em capacidade instalada e geração e que as novas formas de armazenamento representarão uma aliada importante para o crescimento das fontes intermitentes. “A Irena estima que o armazenamento poderá crescer do atual status de menos de 1 GW para 250 GW até 2030”, indicou.

Além disso, as renováveis que não estão conectadas à rede proveem energia para cerca de 90 milhões de pessoas. O relatório da entidade aponta como essa tecnologia pode proporcionar o acesso de energia moderna a centenas de milhões de pessoas e assim levá-las a alcançar os objetivos de desenvolvimento.

O relatório, em inglês, lançado pela associação está disponível para download e pode ser acessado ao clicar aqui.

Fonte: Agência CanalEnergia, Investimentos e Finanças

 

Piauí fornecerá minérios e produzirá energia limpa com Ceará

O secretário Estadual de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis, Luís Coelho, esteve presente em audiência com o secretário de Relações Internacionais do Governo do Estado do Ceará, Antônio Balmahm, e o Presidente da Zona de Processamento e Exportação (ZPE) do Ceará Mário Lima. O objetivo do encontro entre gestores interestaduais, realizado no Palácio do Governo do Ceará, visa o intercâmbio entre os dois estados para o fortalecimento institucional e o melhor aproveitamento das energias renováveis e minerais entre os territórios vizinhos.

“Queremos mostrar para a ZPE e para o governo do Ceará o que nós temos e o que podemos fornecer para o estado”, explicou o secretário do Piauí.

Entre os principais pontos acordados na audiência estiveram a produção de energia eólica na Serra da Ibiapaba, a logística de câmbio de mercadorias com a TransNordestina – que ligará o Piauí ao porto cearense de Pecém -, e o fornecimento, por parte do Piauí, de matérias primas para indústrias siderúrgicas e de materiais químicos.

“Trata-se de um contato para se abrir fronteiras, abrir diálogos e negócios casados com os interesses empresariais. Eu acho de grande valia porque estamos num momento de muitos acontecimentos. No Piauí já estamos no nível de Plano de Avaliação Econômica (PAE). Já sabemos os minérios que temos e como extraí-los, agora vamos abrir as portas para saber quais serão os objetivos da nossa produção interna. Estamos mostrando e buscando nos empresários e Estados vizinhos o que necessitam para que forneçamos minérios e outras matérias”, destaca Luiz Coelho.

Com o PAE foi possível concluir que o Piauí possui duas grandes reservas de minério de ferro que abrigam uma faixa de um bilhão de toneladas cada. O Ceará possui indústrias de siderurgia, mas não possui reservas de ferro. O objetivo é abrir um leque de conversar entre o estados e fazer do Piauí um fornecedor próximo de matérias primas. Municípios piauienses como Curral Novo, Simões e outras na região de São Raimundo Nonato, como Fartura, São Lourenço e Dirceu Arcoverde podem fornecer ferro e atrair empresas siderúrgicas para o estado.

Outro ponto estratégico entre os dois estados é a ferrovia que vai ligar o Sul do Piauí ao Porto de Pecém, a Transnordestina.  A obra, com mai de 1.700 km de ferrovia liga o município de Eliseu Martins, no cerrado piauiense, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, no Pernambuco.

“Essa foi só uma prévia e no final deste mês, início de fevereiro, outra conversa está agendada. Nela serão apresentadas as necessidades empresariais específicas do Estado do Ceará com o calcário, fosfato, minério de ferro e outros minerais que eles assim desejam. Não se trata só de minério de ferro, outras empresas que estão na ZPE cearense tem interesses em adquirir matérias primas que estejam mais próximas da zona de processamento. Estamos abrindo um leque de conversas no sentido de unir interesses, para saber o que pode ser feito para alinhar as classes empresariais dos dois estados”, relatou o secretário de mineração.

A energia renovável também se configura como uma importante área de convergência de interesses. O Piauí, que já é uma fronteira de produção de energia eólica pode estender sua produção com a potência da região da Serra da Ibiapaba, que faz fronteira com o estado do Ceará. Para o governo do Piauí, a serra tem potência para se tornar uma grande fonte de produção de energia eólica e um divisor das águas nas energias renováveis dos dois estados.

“No lado de cá do nosso estado nós temos um trabalho de pesquisa em fase terminal que apontam para a possibilidade de implantação de mais de 2 mil torres, algo em torno de 4 Gigas. É uma previsão para a Serra da Ibiapaba que envolve os municípios de São Miguel do Tapuio, Assunção, Buriti dos Montes e outros municípios da divisa com o Ceará”, adiantou Coelho.

Ainda de acordo com o secretário de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Piauí, 2017 continua com boas notícias na área de energia eólica e solar. “Acredito que este ano será de grande avanços nesses dois setores renováveis. As empresas estão determinadas para investir no estado. Outro ponto é que estamos vendo no início do ano uma aumento na taxa de energia elétrica para o consumidor, com ao aumento das temperaturas e diminuição das chuvas. A opção é fazer que as energias renováveis sejam fundamentais para a geração de energia elétrica. Por isso devemos investir cada vez mais em energias limpas como a eólica e a solar”, concluiu o secretário.

A audiência interestadual deve ser proposta também para conciliar interesses econômicos com os estados do Maranhão e da Bahia.

Fonte: Valmir Macêdo | Governo do Piauí