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Projeto de ônibus elétrico perde recursos e lança campanha virtual para continuidade

Um projeto inovador de ônibus elétrico movido à energia solar está passando por situação crítica. O eBus, como é conhecido, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Agora, o Laboratório de Fotovoltaica da UFSC está lançando uma campanha virtual para manter o projeto.

“Abrimos uma campanha de financiamento coletivo pela internet para captação de recursos e patrocínios com objetivo de dar continuidade ao programa”, explicou o professor e coordenador da iniciativa, Ricardo Ruther. O prazo estabelecido de financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações terminou em junho deste ano.

O eBus foi inaugurado em dezembro de 2016, por meio de licitação vencida pelo consórcio WEG-Marcopolo-Eletra-Mercedes, que teve um prazo de 12 meses para entregar o ônibus conforme as especificações. Em março de 2017, deu-se início ao serviço regular de transporte entre o Campus Trindade e o Sapiens Parque, em Florianópolis. O veículo foi o primeiro do país 100% elétrico movido a energia solar.

Financiamento

O projeto, iniciado em 29 de dezembro de 2014 com o nome “Desenvolvimento de ônibus elétricos para transporte público por energia solar fotovoltaica”, contou com a Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Feesc) para receber e administrar os recursos do Ministério.

Criada pela Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), a Feesc é credenciada pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações como fundação de apoio à UFSC, ao Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e à Universidade para o Desenvolvimento de SC (Udesc).

O eBus recebeu recursos na ordem de R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para ser construído e avaliado durante esse período. Além de analisar a viabilidade de veículos elétricos na mobilidade urbana, o projeto estudou a produção de energia solar para esta finalidade.

“Provamos que o veículo elétrico funciona e que o espaço que ele ocupa parado, se estacionado sob uma área coberta com placas solares, é o suficiente para gerar a energia que ele precisa para se locomover”, afirma Rüther.

eBus

Toda a energia elétrica utilizada para recarregar o veículo é gerada pelo sol, em placas fotovoltaicas instaladas nos telhados do laboratório.  O ônibus faz cinco viagens por dia durante a semana, totalizando cerca de cinco mil quilômetros por mês.

O veículo dispõe de internet sem fio, monitores e duas ilhas com mesas de reunião onde os passageiros podem trabalhar durante os trinta minutos de trajeto. Diferentemente do transporte coletivo público da cidade, todos os passageiros devem viajar sentados e o acesso é facilitado devido ao piso baixo. Por ser elétrico, o veículo é silencioso e não emite gases de efeito estufa.

Campanha

A continuidade do projeto depende da contribuição das pessoas com uma campanha de financiamento coletivo, na plataforma Catarse, para viabilizar a operacionalização do eBus por mais um ano, inicialmente. Os custos cobrem a manutenção e os salários dos motoristas. Detalhes e informações sobre o projeto, bem como o sistema para doação estão disponíveis pelo endereço: catarse.me/onibuseletrico-ufsc-2019

Fonte: Daniel Turíbio | CERNE Press

Bioeconomia: uma tendência global?

Para proteger meio ambiente, países como Finlândia e Canadá apostam em modelo econômico baseado na sustentabilidade. Mas potencial da bioeconomia está longe de ser aproveitado em boa parte do mundo, inclusive no Brasil.

Com refinarias e uma alta chaminé como pano de fundo, grandes amontoados de lenha recepcionam os visitantes da fábrica de bioprodutos Äänekoski Metsä. Localizada na região central da Finlândia, ela é a maior fábrica do tipo no Hemisfério Norte.

Na verdade, ela é mais que uma fábrica, ela reúne todo um ecossistema de empresas que ganham dinheiro a partir de árvores como pinheiro, bétula e píceas, todas típicas de países com clima temperado. As toras de madeira são trazidas diariamente por caminhões e vêm de florestas do país gerenciadas de forma sustentável.

Reaberta em agosto de 2017, a fábrica de polpa de celulose do grupo Metsä já existe há 35 anos. Trata-se de uma parceria público-privada e é, de longe, o maior investimento já feito pela indústria florestal finlandesa. Ela é também um ótimo exemplo da tendência crescente de se apostar na bioeconomia, defendida tanto por legisladores quanto pela indústria como opção para reduzir a dependência do país de combustíveis fósseis.

Transformando lixo em lucro

Atualmente, a produção da fábrica não se restringe apenas à polpa de celulose, mas a uma ampla gama de produtos feitos a partir de materiais que antes eram categorizados como lixo.

A capacidade de processamento anual da fábrica é de 6,5 milhões de metros cúbicos de madeira, que são então transformados em 1,3 milhão de toneladas de polpa de celulose. A venda dessa polpa para Europa e Ásia representa aproximadamente 90% do faturamento.

Além disso, companhias parceiras da Metsä refinam subprodutos da produção de celulose, como tall oil e terebentina, e ainda produzem biocombustíveis sólidos a partir da casca dos troncos das árvores e da serragem.

“Nós introduzimos novos produtos, como o ácido sulfúrico, o biogás e um novo tipo de pellet de biocombustível e biocompósitos”, explica o vice-presidente da Metsä, Niklas von Weymarn.

À parte dos produtos já citados, a fábrica gera mais um produto final: eletricidade. A expectativa é que, assim que atingir sua capacidade máxima de produção – o que deve ocorrer ainda este ano – ela esteja gerando 1,8 terawatt de energia livre de combustíveis fósseis anualmente. Esse valor é equivalente a 2,5% da produção de energia de toda a Finlândia e seria suficiente para aquecer cerca de 100 mil casas.

O que é bioeconomia?

Não há uma definição única do que é bioeconomia, pois ela abarca uma grande variedade de setores que estão adotando usos altamente tecnológicos de processos biológicos e de materiais orgânicos.

“A bioeconomia é uma mudança de paradigma. Basicamente, é uma economia baseada na vida”, afirma Marc Palahi, diretor do Instituto Florestal Europeu.

Palahi destaca que o petróleo não é apenas usado para energia, mas também para a produção de uma variedade de produtos e materiais, desde plásticos até tecidos. Entre os exemplos de produtos da bioeconomia em que petroquímicos são substituídos por matéria orgânica estão desde tecidos produzidos a partir do leite até plásticos feitos a partir de algas ou de casca de camarão.

O termo bioeconomia também é utilizado para se referir a usos já mais tradicionais de matérias-primas naturais, como a madeira, que pode ser utilizada em construções no lugar do aço-carbono e do concreto.

“[Na bioeconomia], se utiliza biomassa ou recursos renováveis vindos da natureza para produtos e serviços, em vez de utilizar materiais não renováveis, como petróleo e carvão”, afirmou Lauri Hetemäki, diretor-assistente do Instituto Florestal Europeu, em seu discurso na Cúpula de Investimento em Bioeconomia, realizada em 2017 na cidade de Helsinque.

Quando se fala em bieconomia é muito frequente que se fale também de economia circular, visto que com a bioeconomia é possível reciclar subprodutos da agricultura e da manufatura, utilizando resíduos como matéria-prima.

A fábrica finlandesa do grupo Metsä, por exemplo, é pioneira no uso do lodo gerado na produção da polpa de celulose para fazer pellets, um tipo de biocombustível. Esses pellets produzidos podem ser convertidos em até 20 gigawatts de biogás por ano. Isso seria suficiente para abastecer cerca de 1,8 mil carros.

Além disso, a Metsä também abastece empresas em outras localidades, como uma refinaria de tall oil dos EUA que produz substâncias químicas para tintas, marcação de estradas e produtos farmacêuticos e que, sem isso, utilizariam matérias-primas obtidas de combustíveis fósseis.

Ganhando força no mundo

A União Europeia abraçou a bioeconomia com entusiasmo, tendo lançado sua primeira estratégia bioeconômica em 2012. Atualmente, no entanto, a bioeconomia já está se tornando um tema quente por todo o globo.

“Hoje nós temos mais de 50 países e regiões no mundo que possuem estratégias bioeconômicas nacionais e regionais”, afirmou à DW o ex-diretor da Comissão Europeia e conselheiro do Governo Alemão para Bioeconomia, Christian Patermann. “É um grande sucesso, que não esperávamos.”

Além da Finlândia, que estabeleceu a Estatégia Finalndesa de Bioeconomia tendo em vista uma economia sustentável, outro exemplo disso é o Canadá. Todas as províncias canadenses assinaram recentemente o Quadro Pan-Canadense sobre Crescimento Limpo e Mudança Climática, abrindo caminho para um potencial boom bioeconômico.

“O mundo inteiro está colocando em prática uma economia de baixo carbono e, definitivamente, bioprodutos são uma forma de atingir tal objetivo”, afirma Judith Bossé, diretora geral de Recursos Naturais do Canadá. “Por isso, há muito interesse [na bioeconomia] neste momento.”

Defensores afirmam que outros países, como Brasil, China e Índia ainda estão distantes de compreender todo o potencial da bioeconomia.

Um grupo industrial indiano de biotecnologia estimou o valor da bioeconomia do país em mais de 30 bilhões de euros (116 bilhões de reais) em 2015. Porém, mais da metade dessa quantia se referia ao setor biofarmacêutico, que produz drogas com materiais naturais e que, portanto, não envolve essencialmente nem redução do uso de combustíveis fósseis nem reciclagem ou economia circular.

“A Índia tem que focar mais em pesquisa e investir em [energias] renováveis”, afirmou Hemanathan Kumar, pesquisador indiano na Universidade Jyväskylä na Finlândia com pós-doutorado em bioeconomia.

Kumar vê com bons olhos um novo projeto em bioeconomia planejado pela Corporação Indiana de Petróleo e pela empresa de reciclagem de carbono LanzaTech. Juntas elas pretendem construir a primeira usina de conversão de gás em bioetanol do mundo. O plano é utilizar enzimas para converter as emissões de resíduos de gás das refinarias tanto em eletricidade quanto em combustíveis. E, com isso, reduzir a emissão de carbono.

O futuro da bioeconomia

De acordo com Weyman, a fábrica Metsä é “carbono-negativa”, isso porque ela utiliza madeira de florestas sustentáveis em seu processo produtivo. A cada árvore derrubada para ser usada na fábrica, outras três são plantadas.

Ainda assim, a fábrica finlandesa é independente de combustíveis fósseis apenas em suas premissas, já que, para chegar até lá, a matéria-prima da fábrica, a madeira, é transportada em caminhões movidos a diesel. Essa é uma realidade que o grupo Metsä pretende mudar.

“Para melhorar essa situação, nós discutimos com as montadoras de caminhões sobre [desenvolver] veículos movidos a biogás e, então, começaremos a produzir biogás na fábrica”, disse Weyman. “Dessa forma, no futuro, uma parte significativa do transporte também poderia ser baseada em biocombustíveis.”

Porém, segundo Hetemäki do Instituto Florestal Europeu, para de fato se distinguir como uma pioneira da bioeconomia, pelo menos 50% do faturamento da fábrica deve corresponder a bioprodutos gerados a partir de resíduos em vez de vir da polpa de celulose em si. Atualmente, contudo, esse valor está na marca dos 10%.

“Você deveria repetir essas perguntas daqui a dez anos, para verificar se essa pretensão de gerar bioprodutos inovadores em redes a partir de resíduos, se concretizou”, conclui ele.

Fonte: Deutsche Welle

Por que fontes de energias ‘limpas’, mesmo mais caras, compensam

Por Rafael Iandoli | Nexo Jornal

O dinheiro economizado com saúde pública e políticas paliativas de meio ambiente compensa o custo mais caro de produção de energia por meios não poluentes. A conclusão é de um estudo de oito anos da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, que mediu o impacto da redução na emissão de gases poluentes em outras áreas.

 Clique aqui para ver matéria na íntegra no site do Nexo Jornal.

Painéis solares substituem diesel e levam eletricidade a indígenas

Posto de saúde, escolas e casas agora têm energia 24 horas por dia

Os indígenas da comunidade Darora já não dependem mais do óleo diesel para ter garantido o seu suprimento de energia elétrica.

Localizada a cerca de 80 km ao norte do centro de Boa Vista, na porção sul da reserva indígena São Marcos, a comunidade foi escolhida para ser o projeto-piloto de um programa que vai levar energia limpa e sustentável a várias áreas remotas da região.

Os quatro enormes painéis foram instalados em meados do ano passado e começaram a funcionar parcialmente em setembro. Em março deste ano, já operando com força total, foram inaugurados oficialmente.

Com eles, o posto de saúde, as duas escolas (uma estadual e uma municipal) e várias casas têm energia 24 horas por dia. Antes, a eletricidade vinha de um gerador, que funcionava apenas algumas horas por dia e consumia 1.500 litros de diesel por mês.

AUMENTO DA DEMANDA
O projeto-piloto foi tão bem-sucedido que precisará ser ampliado em breve para responder ao aumento da demanda. Com a garantia de energia constante, os indígenas passaram a utilizar mais eletrodomésticos.

“O dimensionamento das placas solares foi feito para atender à demanda de energia que havia àquela época na comunidade. Mas, com o sucesso do projeto, a demanda energética foi crescendo, porque a comunidade viu que estava funcionando. Agora precisaremos instalar mais painéis para aumentar a oferta de energia”, explica Marlon Buss, secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas de Boa Vista.

A primeira tuxaua (líder local) de Darora, Beni, se mostra entusiasmada com o projeto implantado pela Prefeitura de Boa Vista em sua comunidade.

“Está dando muito certo. Agora temos energia a qualquer hora. Os alunos podem, por exemplo, usar os computadores das escolas o dia todo”, afirma.

Nas duas escolas da reserva indígena, além das aulas tradicionais, as crianças também aprendem o macuxi, língua falada por seus ancestrais.

Em Darora, nome de uma árvore da região, vivem 276 pessoas, divididas em 47 famílias.

Fonte: Folha de São Paulo

Workshop internacional discute mercados sustentáveis para o setor energético

Recife sedia, entre os dias 4 e 6 de abril, o primeiro workshop internacional “Energia Renovável e Inovações Interconectadas: Mercados Sustentáveis do Século XXI”. Especialistas em energia, empresários e gestores públicos do Brasil e dos Estados Unidos tem espaço para trocar experiências visando gerar modelos de negócios e projetos comerciais entre os dois países para atender as necessidades de um setor energético em evolução.

A iniciativa é uma parceria do Governo de Pernambuco com o Consulado Geral dos Estados Unidos no Recife e com o Governo da Califórnia, estado americano considerado referência no uso de novas tecnologias para as energias renováveis.

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual  de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco,  Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Olavo Oliveira, participa do evento, que reúne empresas como a americana Tesla, conhecida mundialmente por desenvolver tecnologia de ponta para veículos elétricos.

“No primeiro dia tivemos debates com palestrantes nacionais incluindo o Rodrigo Sauaia (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e o David Hochschild e Angelina Galiteva, ambos membros do comitê de energia da Califórnia”, disse Olavo.

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Durante o workshop foi lançado o projeto “Noronha Carbono Zero”, que pretende transformar o arquipélago de Fernando de Noronha em um local que gera 100% de sua energia através de fontes renováveis e o primeiro território livre de emissão de carbono do país.

O evento segue até esta quinta-feira (06) com uma discussão sobre políticas públicas pelo Ministério de Minas e Energia, a questão da água em relação às energias renováveis e, finalizando a programação, serão formados grupos de trabalho para a elaboração de propostas para o projeto sustentável em Noronha.

Fonte: CERNE `Press

Escola pública de Fortaleza vai funcionar com energia solar

A Escola de Tempo Integral Professor Alexandre Rodrigues de Albuquerque, que será inaugurada na sexta-feira (10) no Bairro Siqueira, será abastecida parcialmente por painéis solares.

A escola conta com 10 placas fotovoltaicas para produção da sua própria energia, estimada em 4.500 kWh/ano, gerando uma economia de cerca de R$ 2 mil em 12 meses. A unidade já iniciou as atividades escolares, atendendo cerca de 500 alunos, do 6º ao 9º ano, residentes nos bairros Canindezinho, Parque São Vicente e Siqueira.

As placas fotovoltaicas da escola foram doadas pela Fênix Solar, empresa cearense responsável também pela instalação desses painéis. Para o diretor de Engenharia da Fênix Solar, Carlos Kleber, a acessibilidade desses equipamentos cria uma oportunidade para que os alunos conheçam o sistema solar fotovoltaico e entendam como ele funciona.

“Inclusive, isso faz com que despertem desde cedo o importante sentimento de preservação do meio ambiente através da geração de energia utilizando fontes naturais renováveis”, comenta.

Fonte: G1 Ceará

Universidade cearense inaugura Árvore Solar para alimentar bicicletas elétricas

O campus do Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), contará a partir da terça-feira, 21 de fevereiro, com uma Árvore Solar, formada por dez painéis fotovoltaicos postos sobre as palmas de uma palmeira metálica, estilizada e branca, que carregam as baterias de uma frota de dez bicicletas elétricas. As bikes serão utilizadas pela equipe de segurança do campus da Instituição, no primeiro momento.

O reitor Jackson Sampaio presidirá a solenidade de inauguração do equipamento, às 15h, ao lado de representantes das empresas parceiras, integrantes da direção da Universidade, de servidores docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes.

O benefício é resultado da parceria da UECE, por meio do Mestrado Acadêmico em Ciências Físicas Aplicadas, com a empresa Eco Soluções em Energia, associada à Incubadora de Empresas da UECE (IncubaUECE), que conta com o apoio técnico em arquitetura da Projec. Por estar associada a incubadora pública, a Eco soluções em Energia pode contar com o apoio do Fundo de Inovação Tecnológica do Ceará (FIT/CE), por meio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), que analisou e aprovou o projeto.

Durante o dia, quando as bicicletas estiverem conectadas à árvore, os painéis carregarão as baterias. Quando as bicicletas estiverem em uso, a árvore repassará a energia para a rede pública, gerando créditos para a UECE utilizar posteriormente. A bicicleta com necessidade de carga à noite usará a energia da concessionária.

A IncubaUECE continuará participando do projeto, oferecendo assistência para a sua viabilização, pois tem como missão estimular e apoiar empreendedores no processo de geração, consolidação e crescimento de micro, pequenas e médias empresas no Ceará, visando promover o desenvolvimento regional sustentável.

Fonte: UECE

Procura por certificados de energia renovável dispara no Brasil

A preocupação das empresas e dos consumidores brasileiros em utilizar energia limpa e contribuir para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera fez disparar no ano passado a demanda por Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs (na sigla em inglês). Foram negociados 107.543 RECs em 2016, conforme levantamento feito pelo Instituto Totum, que coordena o Programa de Certificação de Energia Renovável e é o emitente local dos RECs. Para fins de comparação, em 2015 e 2014 foram transacionados 13.462 e 244 RECs, respectivamente, o que mostra o crescente interesse do mercado por esse tipo de produto. A expectativa do Totum é que até o final de 2017 o mercado movimente cerca de 1 milhão de RECs.
Os certificados de energia renovável surgiram diante da impossibilidade de o consumidor identificar a origem dos elétrons. Em qualquer parte do mundo, a matriz elétrica é composta por um mix de fontes, como termelétricas a carvão e a óleo (mais poluentes), eólicas e solares (com baixo impacto ao meio ambiente). Como nem todos os consumidores têm condições de investir em uma usina para gerar sua própria energia renovável, a saída então é receber a energia da forma tradicional e adquirir o volume de energia equivalente ao consumo por meio de certificados. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis.
Dessa forma, os consumidores estão investindo na geração da mesma quantidade consumida em energia limpa, ou seja, eles se “apropriam” somente da parte limpa que é colocada no sistema. Com os RECs as empresas e consumidores podem garantir 100% de energia renovável para seu uso sem ter de investir, elas próprias, em geração.
A oferta de energia renovável também vem sendo ampliada. Até meados do ano passado a oferta estava limitada a três empreendimentos (dois hídricos e um eólico), agora existem mais de 15 empreendimentos capazes de gerar RECs e outros dez em processo de adesão.
Apesar do crescimento significativo desse mercado em 2016, o Brasil ainda está engatinhando nessa questão de RECs. O programa tem a participação da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Fonte: Cerne Press com informações do Canal Energia

Governo Federal apresenta programa para expandir a produção de biocombustíveis no país

O governo divulgou na quarta-feira (15) as principais diretrizes do programa RenovaBio, que tem como objetivo aumentar a produção de biocombustíveis no país. Lançado pelo Ministério de Minas e Energia em dezembro do ano passado, o programa foi apresentado a representantes do setor, e vai passar por consulta pública para receber aperfeiçoamentos até o dia 25 de abril.

As ações do RenovaBio deverão buscar competitividade na produção, comercialização e no uso de biocombustíveis, com estímulo à concorrência entre os próprios biocombustíveis e em relação aos combustíveis de origem fóssil, com ênfase na segurança do abastecimento, no combate a práticas anticompetitivas e na proteção dos interesses dos consumidores quanto a preço, qualidade e oferta.

As ações de curto, médio e longo prazos previstas no RenovaBio estão baseadas em quatro eixos estratégicos: equilíbrio econômico e financeiro, regras de comercialização, novos biocombustíveis e papel dos biocombustíveis na matriz energética. “Entendemos que esse é um espaço extremamente importante de reconhecimento da importância dos biocombustíveis tanto na atividade econômica, quanto nos benefícios sociais e ambientais para o país”, disse o diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, que participou da reunião.

Segundo ele, uma das demandas do setor é a antecipação do aumento do percentual de biodiesel na mistura com o diesel. Atualmente, esse percentual está em 7% (biodiesel B7) e deverá passar para 8% (B8) em março deste ano, e para 9% (B9) em março do ano que vem. A Ubrabio quer antecipar a entrada do B9 no mercado para julho deste ano.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o programa RenovaBio também vai ajudar no processo de redução de 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, conforme metas firmadas na Conferência do Clima de Paris.

Fonte: Agência Brasil | Sabrina Craide

Brasil já testa carros abastecidos com biometano; conheça a tecnologia

No segundo filme da franquia “De Volta para o Futuro” (1989), Doutor Brown abastece o DeLorean usado para viajar no tempo com lixo doméstico (casca de banana, cerveja e a lata em si…), por meio de um dispositivo instalado no próprio veículo, chamado de “Senhor Fusão”. Na trama, o cientista havia trazido o equipamento para converter dejetos em combustível diretamente do futuro: naquele caso, de 2015.

Pois a ficção antecipou a realidade: agora, em 2017, ainda não dá para colocar uma casca de banana no tanque e sair rodando, mas já existe tecnologia no Brasil para gerar combustível automotivo de gases de esgoto, do lixo, de restos de alimentos, resíduos da agricultura e até de titica de galinha.

Trata-se do biometano, versão refinada do biogás, que é extraído de matéria orgânica em decomposição por meio de equipamentos chamados de biodigestores.

O biometano pode abastecer qualquer veículo com kit de GNV, que você já conhece. Mas, diferentemente do gás natural veicular, que tem origem fóssil como a gasolina e o diesel, o biometano é 100% renovável.

De acordo com o CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis/Biogás), o biometano pode reduzir em até 90% as emissões de poluentes na comparação com a gasolina. Seu uso previne ainda o lançamento de metano na atmosfera, um dos vilões do aquecimento global (o outro é o CO2).

Biodigestores extraem gás de esgoto, lixo, restos de alimentos, resíduos da agricultura e até de titica de galinha. (Imagem: Rubens Fraulini/Divulgação)

Biodigestores extraem gás de esgoto, lixo, restos de alimentos, resíduos da agricultura e até de titica de galinha. (Imagem: Rubens Fraulini/Divulgação)

Cadê?

O abastecimento do biometano em automóveis já tem uma regulamentação geral elaborada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) desde fevereiro de 2015. Mesmo assim, ainda não é oferecido nos postos de combustível no país.

Por enquanto, apenas o biogás — utilizado para geração de energia térmica e elétrica — já é uma realidade, mas que também tem muito a crescer no Brasil.

Esse combustível sustentável já está em testes em indústrias e empresas e vai chegar ao mercado em breve. A Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul), por exemplo, anunciou em janeiro que lançará, durante os próximos meses, uma chamada pública para aquisição de até 200 mil metros cúbicos por dia de biometano, que será comercializado.

Enquanto isso, algumas empresas do Brasil já trabalham para produzir biometano e abastecer parte dos seus automóveis. Uma delas é a Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo), e outra, o complexo hidrelétrico Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR).

Em Franca (SP), Sabesp já tem 20 carros prontos para uso do biometano.  (imagem: Alessandro Reis/UOL)

Em Franca (SP), Sabesp já tem 20 carros prontos para uso do biometano. (imagem: Alessandro Reis/UOL)

Esgoto combustível

A Sabesp será a primeira do país a produzir biometano exclusivamente a partir do lodo que resulta do tratamento de esgoto, na unidade de Franca, no interior paulista.

A produção começa em meados deste ano e conta com parceria do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, que cedeu o equipamento necessário para converter o biogás resultante do esgoto em biometano. Essa tecnologia remove impurezas do biogás para aumentar a concentração do metano para acima de 96%, atendendo às especificações da ANP para uso veicular.

A estimativa é produzir todos os dias biometano suficiente para substituir 1,7 mil litros de gasolina e abastecer cerca de 50 automóveis adaptados com kits GNV — aproximadamente 20 desses veículos já estão prontos para receber o biometano.

Quando começar a ser produzido, o combustível sustentável passará por uma fase de testes com acompanhamento dos órgãos reguladores, como a ANP, para garantir o atendimento às especificações. A ANP informou que já “está trabalhando” na regulamentação especifica para biometano oriundo de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto.

“A utilização do gás gerado no tratamento de esgotos como combustível veicular resulta em ganhos econômicos e benefícios para a sociedade e o meio ambiente. Isso significa uma redução do consumo de combustíveis fósseis e da emissão de gases de efeito estufa”, avalia Cristina Zuffo, superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento da Sabesp.

Cocô de galinha move carros no PR

A Usina de Itaipu, por sua vez, já conta com uma frota de 59 veículos movidos a biometano, de um total de 249 unidades da empresa. Até o fim do semestre, serão mais 14 que serão abastecidos com o biocombustível, substituindo modelos convencionais. Também há 55 veículos elétricos.

O biometano utilizado em Itaipu provém, literalmente, de titica de galinha. Em parceria com o CIbiogás, instituição tecnológica e científica sem fins lucrativos, ele é gerado na granja Haacke, localizada no município de Santa Helena (PR), próximo a Itaipu. Desde de 2013, são processados na granja  cerca de 100 m³ por dia de efluentes líquidos, provenientes do excremento das aves, produzindo diariamente 1.000 m³ de biogás. Esse biogás depois é refinado para se transformar em biometano, destinado para abastecer os automóveis e também para gerar energia elétrica, utilizada na própria granja.

Até o fim do semestre, a CIbiogás e a Itaipu Binacional vão inaugurar uma unidade de produção de biometano dentro da própria usina, complementar à existente em Santa Helena. Essa planta vai usar como matéria-prima grama, esgoto e restos de alimentos recolhidos em restaurantes da região.

Uso de ônibus a biometano faria com que cidades cumprissem metas a custo menor. (imagem: Divulgação)

Uso de ônibus a biometano faria com que cidades cumprissem metas a custo menor. (imagem: Divulgação)

Ônibus verde

Enquanto a cadeia de produção, distribuição e comércio de biometano ainda engatinha no Brasil, ela já está consolidada na Europa. De acordo com Silvio Munhoz, diretor de vendas de ônibus da Scania no país, cerca de 40% dos ônibus que hoje rodam na Suécia (onde fica a matriz da marca) já são abastecidos com biometano.

Vendo potencial no mercado brasileiro, a Scania trouxe em 2014 um ônibus da marca abastecido tanto com GNV quanto com biometano. Importado da Suécia, esse ônibus rodou em testes em diferentes locais, projetos  e feiras envolvendo  biogás e biometano no país e foi substituído por outro, já montado no Brasil, que também está circulando pelo país.

De acordo com a Scania, a média de consumo do biometano é ligeiramente inferior à do diesel (2,02 km/m³ contra 2,2 km/l), mas tem custo aproximadamente 30% menor. “Em relação ao preço por quilometragem, o custo do biometano é menor ante um veículo similar a diesel. A partir de um problema das cidades, que é a gestão de resíduos, é economicamente viável para qualquer centro urbano de nosso país”, afirma Munhoz.

Além do ônibus da  Scania, recentemente a New Holland apresentou, em Itaipu, um trator movido a biometano, que também passa por testes e avaliação de produtores agrícolas potencialmente interessados em gerar biometano nas fazendas e, com ele, abastecer  seus tratores e outros veículos.

Alto potencial

De acordo com números fornecidos pela ABiogás (Associação Brasileira de Biogás e de Biometano), o potencial de crescimento desses combustíveis no mercado brasileiro é gigantesco. Segundo a entidade, o Brasil poderia produzir 52 bilhões de metros cúbicos de biogás a cada ano, volume suficiente para abastecer cerca de 25% da frota nacional de veículos — além de 12% de toda a demanda por energia elétrica no país.

“Chegamos ao ápice do sistema de combustíveis líquidos, especialmente diesel e gasolina. Vivemos em um mundo de recursos energéticos finitos, precisamos extrair petróleo e gás a quilômetros de profundidade no oceano, a um custo elevado. As novas saídas não terão um combustível quase hegemônico como hoje e, sim um conjunto de alternativas”, avalia Cícero Bley Jr, presidente da associação.

Bley Jr espera que o RenovaBio, plano do Ministério de Minas e Energia para ampliar a participação de biocombustíveis na matriz energética do país até 2030, bem como atender as metas de emissões estabelecidas na COP21 (cúpula do clima de Paris), contemple também incentivos e uma política definida para o biogás. “Está mais que na hora de haver uma política de governo definida para o biogás e o biometano. O Brasil já dispõe de tecnologia para isso”.

Consultado, o Ministério de Minas e Energia informou que “entre os biocombustíveis que serão atendidos no programa, estão o etanol de segunda geração, o biodiesel de óleo vegetal hidrotratado, o bioquerosene, o diesel de cana, o biogás/biometano e o bioquerosene”. Ainda de acordo com o órgão do Governo Federal, “está prevista a realização de reunião no dia 15 de março, no Ministério de Minas e Energia, para que todos interessados possam conhecer as diretrizes que embasarão o RenovaBio. O resultado de todo processo deverá ser consolidado e disponibilizado para consulta pública até o final do primeiro trimestre de 2017”.

Agora é acompanhar a trama política e torcer para o biometano não fica só como peça de ficção científica.

Fonte: UOL | Alessandro Reis

Primeira cidade inteligente para população de baixa renda está sendo construída no Ceará

Em Croatá, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, está sendo construída a primeira smart city social do país, uma cidade inteligente que atenderá área com forte déficit habitacional e de outros serviços. Será o primeiro protótipo real de uma cidade inteligente para população de baixa renda. O empreendimento terá 330 hectares. As moradias possuem preços similares aos da faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), entre R$ 99 mil e R$ 145 mil, e tamanhos entre 45 m² a 65 m², dependendo de um dos cinco modelos oferecidos. Os lotes estão à venda por R$ 23,4 mil e podem ser pagos em até 120 meses.

A nova cidade se chama Croatá Laguna Ecopark e é uma iniciativa conjunta de duas organizações italianas, Planeta Idea e SocialFare – Centro para Inovação Social, com a StarTAU, Centro de Empreendedorismo da Universidade de Tel Aviv.

O habitante estará imerso num sistema social integrado, com sinal wi-fi liberado, aplicativos específicos para serviços de transporte alternativo, compartilhamento de bicicletas e motos, pagamentos via smartphone, além de reaproveitamento das águas residuais, controle computadorizado da iluminação pública e praças dotadas de equipamentos esportivos que geram energia. A tecnologia também oferecerá ajuda para desenvolver programas sociais, como cursos de prevenção médica, nutrição, alfabetização digital e hortas compartilhadas. O projeto deve ficar pronto no final de 2017, segundo os idealizadores.

Smart City

A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços.

O conceito de smart city social é sustentado por seis pilares que são: planejamento urbano e organização, arquitetura além das regras tradicionais da habitação social, tecnologia dedicada, mobilidade inteligente, vida comunitária e energia limpa.

Veja vídeo sobre o projeto.

Fonte: CERNE Press com informações do jornal O Povo e Confederação Israelita do Brasil

Óleo de palma no Brasil e suas potencialidades para as indústrias

Os especialistas já não usam mais o nome dendezeiro para designar a Elaeis guineensis Jacq, ou simplesmente: palma. Ela é uma das dezenas de espécies de palmeira existentes nas regiões tropicais do planeta e que ganha cada vez mais destaque no cenário mundial devido à sua utilização na indústria de alimentos, cosméticos, higiene e limpeza, agroenergia e biocombustíveis.

Palma de óleo é o termo usado no meio técnico e o mais aceito mundialmente quando se quer falar da palmeira que encontrou no solo e no clima tropical, condições ideais para seu desenvolvimento. A expressão dendezeiro está, portanto, restrita ao uso popular, que integrou a palavra ao vocabulário brasileiro e enriqueceu ainda mais o nosso idioma.

Originária provavelmente do golfo da Guiné, na África, a palma atravessou o Atlântico trazida pelos escravos. A palmeira logo se aclimatou por aqui. As primeiras populações da nova espécie foram registradas no Rio de Janeiro e na Bahia.

Atualmente é na Amazônia que a palma de óleo tem sua maior produção, sendo desenvolvida em larga escala, sobretudo em áreas já desmatadas ou em alto grau de degradação. A combinação de clima e solo faz da região amazônica uma área preferencial para a produção da palma.

Óleo da palma no dia a dia

Por ser um óleo comestível, extraído da polpa dos frutos que crescem nos cachos das palmeiras, é hoje o principal óleo vegetal em produção e comercialização no mundo.

Atualmente, cerca de 80% dessa produção vai para a indústria alimentícia, para servir de matéria prima para produtos de largo consumo, como margarinas e cremes, sorvetes, biscoitos, chocolates, recheios, substitutos de manteiga de cacau e óleo de cozinha.

É excelente para frituras, pois é um dos poucos óleos que mantêm suas propriedades mesmo em altas temperaturas. E, além disso, é um produto com textura macia e de grande aplicação culinária, pois não possui odores que interferem no sabor dos alimentos. O óleo, obtido por meio da prensagem dos frutos, contém conservantes naturais que aumentam a vida útil dos produtos, apresenta maior rendimento se comparado aos demais óleos e o mais importante é que ele não apresenta gorduras “Trans”, nem tampouco organismos geneticamente modificados.

O óleo da palma também serve para a fabricação de produtos de higiene e limpeza, cosméticos, fármacos, lubrificantes, sem contar seu emprego em biocombustíveis e bioenergia.

O palmiste

Outro subproduto da palma de grande aplicação industrial é o palmiste, um óleo vegetal derivado da amêndoa da palma. O palmiste é um óleo que se mantém semissólido em temperatura ambiente, sendo mais saturado do que o óleo de Palma e bastante semelhante ao óleo de coco.

O óleo de palmiste bruto possui características muito diferentes daquelas encontradas no óleo de palma. Por possuir principalmente ácidos graxos de cadeia curta (C12:0, C14:0), ele apresenta particularidades físicas específicas de grande interesse para a indústria de cosméticos que utiliza essa matéria-prima na fabricação de sabonetes ou como substituto da manteiga de cacau. Por apresentar baixo grau de insaturação em seus ácidos graxos, o palmiste tem alta estabilidade oxidativa.

Assim como outros óleos vegetais, o insumo também pode ser usado na produção de biodiesel para motores de combustão interna.

Palma e sustentabilidade

O histórico da produção da palma, principalmente na Indonésia e Malásia, que respondem por 85% da produção mundial, tem sido relacionado a problemas de desmatamento e degradação da biodiversidade. Além de substituírem florestas primárias, as lavouras de palma em alguns países também foram plantadas sobre terrenos de turfa, provocando significativas emissões de gases de efeito estufa.

Para buscar um caminho sustentável, o Brasil está seguindo um caminho inverso ao do resto do mundo. A produção de palma no país está cercada de vários cuidados para que esse cultivo não seja um vetor de degradação e desmatamento. Parte do setor tem o interesse em agregar valor ao óleo produzido no Brasil e, com isso, ganhar competitividade no mercado internacional.

A produção da palma no território brasileiro deve seguir à risca o que determina o Zoneamento Agroecológico, Produção e Manejo para a Cultura da Palma de Óleo na Amazônia – ZAE da Palma. Entre as várias recomendações do documento orientador, estão a que os produtores devem respeitar o limite de 50% da área total tal como Reserva Legal nas áreas aptas e a proibição implícita do desmatamento de novas áreas.

Do ponto de vista social, os produtores também devem cumprir exigências como a norma regulamentadora – a NR 31, que dispõe da segurança e saúde do trabalho. O respeito às questões sociais e ambientais coloca o país em uma situação de vanguarda em relação às outras nações produtoras.

A somatória dessas ações ambientais e sociais cria um ambiente único no mundo para a produção do óleo de palma no Brasil, destacando-se o balanço negativo na emissão de carbono, a liberdade sindical dos trabalhadores e o desenvolvimento de vetores sociais que melhoram a qualidade de vida dos trabalhadores e das comunidades vizinhas.

Protocolo Socioambiental

O governo do estado do Pará oficializou em setembro de 2014 o Protocolo de Intenções Socioambientais da Palma de Óleo. A iniciativa une o poder público e a iniciativa privada em busca de ações conjuntas voltadas ao desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do óleo de palma.

O protocolo é resultado de um esforço de um trabalho executado em 3 anos com a intenção de colaborar para que a expansão da atividade ocorra de forma sustentável, em áreas já antropizadas, ou seja, que já foram desmatadas e podem ser utilizadas para o plantio.

O documento marca o compromisso do setor com a sustentabilidade e foi assinado por representantes das Secretarias de Estado do Pará (Agricultura; Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção; Meio Ambiente), Instituto de Terras do Pará, Programa Municípios Verdes, Federação de Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; Emater, Banco da Amazônia, Banco do Esado do Pará, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e Associação Brasileira dos Produtores de Palma (Abrapalma).

Balanço de carbono

O óleo de palma é um recurso para a produção de combustível renovável com potencial de se tornar 100% carbono neutro. Ao contrário dos combustíveis fósseis, a queima de biocombustível feito a partir do óleo de palma não eleva o nível de dióxido de carbono na atmosfera. É que existe um balanço positivo entre o que se emite com o uso desse combustível e o dióxido de carbono capturado no processo de fotossíntese, sem contar a liberação de oxigênio na atmosfera, que é bem maior do que em cultivos como a canola, por exemplo.

A partir do Zoneamento da Palma no Brasil, as novas plantações podem ocorrer apenas em terras degradadas, cuja reabilitação favorece o sequestro de carbono significativo durante a fotossíntese para formar sua biomassa.

A produção de óleo de palma pode contribuir para acelerar ou reduzir o ritmo das mudanças climáticas, dependendo de como as operações agrícolas e industriais forem planejadas, implantadas e realizadas.

Enquanto as plantações de palma podem sequestrar de 6 a 10 toneladas de CO2eq/há/ano, a mudança do uso da terra para o estabelecimento das mudas e o tratamento dos efluentes industriais são as principais fontes de emissões de GEE e podem superar o carbono sequestrado pelas plantações. Queima de combustíveis fósseis e aplicação de fertilizantes também contribuem para aumentar as emissões de gases de efeito estufa.

Para que a produção de óleo de palma contribua para mitigar as mudanças climáticas, a primeira atitude a ser adotada pelas empresas é o estabelecimento de novas plantações somente em áreas previamente desmatadas no passado e que possuam baixo conteúdo de carbono na vegetação remanescente. O estabelecimento de sistemas de tratamento de efluentes que não geram metano e a racionalização do uso de fertilizantes e combustíveis também devem ser considerados nas estratégias de redução das emissões.

Agricultura familiar

A legislação brasileira que define o conceito de agricultor familiar respalda-se na Constituição brasileira e na Lei nº 11.326/2006. Considera-se agricultor familiar aquele que desenvolve atividades econômicas no meio rural e atende a requisitos básicos, tais como não possuir propriedade rural maior que 4 módulos fiscais, sendo esta uma definição que muda conforme a região em que ela está localizada, pois o módulo fiscal varia de 5 a 100 hectares, conforme o município.

Agricultura familiar

A agricultura familiar utiliza, sobretudo, mão de obra da própria família nas atividades econômicas e possui a maior parte da renda familiar proveniente das atividades agropecuárias desenvolvidas nesse estabelecimento rural.

No ano de 2006, o IBGE realizou o Censo Agropecuário Brasileiro. Nele, verificou-se a força e a importância da agricultura familiar para a produção de alimentos no país. De acordo com os dados oficiais, aproximadamente 85% dos estabelecimentos agropecuários do país são da agricultura familiar. São cerca de 4,36 milhões de estabelecimentos agropecuários que se encaixam na definição da lei.

O principal programa de incentivo à agricultura familiar é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf, que financia projetos ao pequeno produtor rural, com baixas taxas de juros.

Por meio do Pronaf, o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA dispõe de uma linha específica de crédito para a palma, com condições e juros diferenciados. Isso serve de incentivo e apoio ao pequeno produtor.

O Pronaf Eco Dendê transfere os recursos aos agricultores familiares por intermédio dos Bancos do Brasil e Banco da Amazônia – Basa, que assinam juntamente com a Abrapalma e outros parceiros o Protocolo Socioambiental da Palma.

Agricultura familiar e a palma

Em todo o mundo, a plantação da palma de óleo envolve aproximadamente 5 milhões de famílias de agricultores em 44 países nas Américas Central e do Sul, África, Ásia e Oceania, gerando a redução do êxodo rural, alternativas econômicas, novos arranjos produtivos locais e incremento da renda no campo.

No estado do Pará, onde se concentra a maior parte da produção brasileira de óleo de palma, 1070 famílias de agricultores estão incorporadas ao processo produtivo dessa, entre pequenos e médios produtores. Essas famílias estão distribuídas em 27.526 de hectares.

A palma no Brasil e no mundo

Mundialmente, a cultura ocupa 8% das terras alocadas para o cultivo de oleaginosas. A palma fornece quase um terço da produção global de óleos vegetais.

A Malásia e a Indonésia são responsáveis por 85% da produção mundial. Nigéria, Tailândia, Colômbia, Equador e Papua Nova Guiné representam juntas 6,6% da produção. O saldo de 8,4% divide-se entre outros 36 países, incluindo o Brasil – que está longe de ser considerado um grande produtor do óleo de palma.

Maiores produtores de óleo de palma no mundo

O Brasil produz cerca de 300 mil toneladas de óleo de palma. A maior parte provém do território paraense. No entanto, a produção nacional não consegue suprir a demanda interna que hoje é de, aproximadamente, 500 mil toneladas por ano, ou seja, o país importa o produto em vez de produzi-lo em áreas degradadas, o que ajudaria a melhorar o balanço de emissões de gases de efeito estufa na agricultura amazônica.

Além disso, a palma é a oleaginosa de valor econômico mais produtiva que se tem conhecimento. Sua produtividade média de 4 toneladas de óleo por hectare/ano, dez vezes mais que o óleo de soja, por exemplo. Ou seja, ele é mais competitivo no mercado mundial do que os produtos similares.

Vantagens da palma

Produz até 10 vezes mais do que outras oleaginosas;

Bem orientada, seguindo os critérios sociais e ambientais exigidos pela legislação brasileira e pelos modernos critérios internacionais de sustentabilidade, a cultura do óleo de palma pode ter importante papel na redução da pobreza das regiões produtoras;

No Brasil, só pode ser plantada em áreas degradadas, que não teriam outra utilização;

Pode ajudar no sequestro de carbono, contribuindo para mitigar os problemas relacionados às mudanças climáticas.

 

Fonte: Canal da Bioenergia | Com informações da ABRAPALMA

 

COP 21: Compromisso pode trazer R$ 125 bi em investimentos para solar no Brasil

Os compromissos assumidos pelo Brasil na COP21 podem trazer R$ 125 bilhões em investimentos para o setor solar no Brasil até 2030, calculou a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A projeção teve como base os resultados de estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para definir as metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, que entrou em vigor em novembro de 2016.

Segundo a nota técnica da EPE, intitulada “O Compromisso do Brasil no Combate às Mudanças Climáticas: Produção e Uso de Energia”, o país precisaria inserir na matriz energética 25 GW de energia solar fotovoltaica, sendo 17 GW de geração centralizada e 8,2 GW de geração distribuída. O estudo considerou um crescimento médio do PIB de 3,7% a.a. entre 2016 e 2030. Esse é o primeiro estudo que inclui a energia solar no planejamento energético brasileiro.

De acordo com presidente-executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, o planejamento do governo para cumprir os compromissos do Acordo de Paris apontam para 10% da matriz elétrica abastecida por energia solar fotovoltaica em 2030. Para ele, as projeções divulgadas pela EPE são positivas, na medida em que sinalizam um esforço concreto de diversificar a matriz elétrica nacional por meio do aumento da participação de fontes renováveis com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Para Sauaia, o grande destaque no estudo da EPE vai para a fonte solar fotovoltaica, cuja participação na matriz elétrica brasileira será fortemente ampliada de 0,01% em 2015 para mais de 10% em 2030, um crescimento de mil vezes em um horizonte de 15 anos, maior crescimento relativo do período. “Apesar de representar um avanço considerável frente às projeções anteriores, a Absolar recomenda uma meta nacional de 30 GW em energia solar fotovoltaica até 2030, levando em consideração o envolvimento tanto do governo federal, quanto de governos estaduais e municipais”, disse Sauaia.

De acordo com dados da Absolar, o segmento de micro e minigeração distribuída solar fotovoltaica, que registrou crescimento de 320% em 2015, conta atualmente com mais de 6 mil sistemas em todo o país, representando mais de 42 MW em potência instalada, o equivalente a mais de R$ 375 milhões em investimentos privados. Já no segmento de geração centralizada, o país conta atualmente com 3,3 GW em projetos da fonte solar fotovoltaica contratados via leilões de energia, o que deverá movimentar mais de R$ 13,5 bilhões até 2018. Para ler a nota técnica da EPE, clique aqui.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de Salvador (BA)*, Investimentos e Finanças

Eólicas: aspectos socioambientais e legislação são debatidos em Salvador

A cidade de Salvador, Bahia, sediou nesta segunda-feira, 05 de dezembro, o Seminário Socioambiental Eólico. O evento tem como proposta reunir empresários, órgãos ambientais, representantes governamentais e especialistas em torno de um debate para encontrar os caminhos da confluência dos interesses energéticos, ambientais, sociais, históricos e econômicos que envolvem o mercado eólico no Brasil.

Foto: CERNE /Divulgação

Foto: CERNE /Divulgação

O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), Jean-Paul Prates, participou do seminário como mediador da sessão executiva sobre pendências legislativas ambientais para o desenvolvimento do setor elétrico.

No período da tarde, foi debatido o contexto do cenário político e as discussões que permeiam a legislação dos órgãos ambientais brasileiros na esfera estadual e federal. A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Proposta MMA), PEC 65/2012 e PL 654/2015 e propostas de resoluções do CONAMA também foram discutidas, além das impressões e expectativas do setor produtivo, dos especialistas e órgãos ambientais envolvidos.

Foto; CERNE/Divulgação

Foto; CERNE/Divulgação

Participaram da sessão executiva representantes do Ministério de Minas e Energia, Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Bahia, Renova Energia e escritórios de advocacia especializados na área ambiental e de energia.

O seminário é uma realização da Viex Américas e conta com o apoio do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

Fonte: CERNE Press

 

 

Fortaleza debate a energia como matriz do futuro

O Power Future Symposium terá como mote principal o futuro da energia, desde a sua geração a partir de fontes renováveis até seu consumo de forma sustentável.

Até 2050, a demanda de energia elétrica deverá triplicar no Brasil, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia. Atendê-la de modo eficiente, sustentável e acessível aos consumidores é o grande desafio para os próximos anos.

Essas e outras questões que nortearão o destino do setor energético serão debatidas no Power Future Symposium – 1º Simpósio Brasileiro Sobre o Futuro da Energia, que será realizado no dia 24 de outubro, no auditório principal do Centro de Negócios do SEBRAE-CE em Fortaleza, Ceará. O evento apresentará uma visão do futuro da energia no Brasil e no mundo, tanto do ponto de vista da oferta quanto em relação ao seu consumo de forma sustentável.

A realização do Power Future Symposium incorpora em sua programação quatro quadrantes temáticos: energia eólica, energia solar, bioenergia, e consumo sustentável. Autoridades irão debater a oferta e consumo de energia em plena era tecnológica e apresentarão as perspectivas sobre eficiência energética, construções ecológicas e mobilidade elétrica para o futuro.

Em sua primeira edição, o simpósio contará com a presença do especialista em energia e membro da Comissão Energética da Califórnia, Andrew MacAllister, que fará palestra especial sobre a energia e o mundo em 2030.

A programação do simpósio contará ainda com a participação dos debatedores:

– Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica)
– Presidente Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR)
– Coordenadora da Campanha Clima e Energia – Greenpeace Brasil
– Diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Fiat-Chrysler América Latina, Jean-Paul Prates – Presidente do CERNE
– Diretor de Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD Brasil

O Power Future Symposium tem o objetivo de preparar as diretrizes e temas da próxima edição bienal do All About Energy, o maior evento de energia renovável e consumo sustentável da América Latina, que será realizado no segundo semestre de 2017.

O evento é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e da empresa All About Eventos e conta com o apoio do SEBRAE-CE e do BNB. Podem participar profissionais técnicos e investidores da área energética, proprietários de ativos com potencial energético, gestores públicos, fornecedores, acadêmicos, estudantes e colaboradores da área de energia e ambiental. As inscrições podem ser feitas no site: http://powerfuturebrazil.com/.

Fonte: CERNE Press

Alemanha vai proibir carro à combustão

Governo marcou 2030 como fim da produção e a partir de 2050 carro a combustão será proibido de rodar no país 

Os carros com motor à combustão têm os dias contados na Alemanha. Literalmente: eles vão sobreviver exatamente 4.820 dias a partir desta quinta-feira, 13 de outubro de 2016.

O Conselho Federal do país aprovou uma resolução que proíbe a venda de veículos a diesel e a gasolina a partir de 2030 (lá eles não usam o álcool como combustível), conforme informação da revista Der Spiegel.

A ousada decisão foi tomada com a concordância dos representantes dos 16 Estados que compõem o Conselho Federal, para atender a decisão de reduzir as emissões de poluentes determinadas pelo Pacto Mundial sobre o Clima da Conferência de Paris, em dezembro do ano passado.

O governo alemão investiu US$ 1,3 bilhão para subsidiar a compra de carros elétricos até 2019, para incentivar o processo de substituição dos carros à combustão, com subsídios de US$ 4,4 mil para a compra de um carro elétrico e de US$ 3,3 mil para um híbrido.

A decisão proíbe a venda de veículos com motor a combustão a partir de 2030, mas a frota com esse combustível poderá rodar até 2050, portanto por mais vinte anos, quando, então, será proibido rodar com qualquer veículo a gasolina e diesel.

A decisão vai provocar mudanças profundas na sociedade alemã, pois inúmeras atividades e profissões serão simplesmente aniquiladas, enquanto outras surgirão. O compromisso do governo alemão é reduzir entre 80% e 95% a emissão de dióxido de carbono (CO2) até 2050.

Não por acaso, as grandes marcas alemãs se preparam para esse novo mundo: a BMW já tem inclusive no Brasil o modelo I8 e o I3, ambos elétricos. A Volkswagen acabou de lançar no Salão de Paris um carro totalmente elétrico para 2020, o I.D. Concept e a Audi tem a família E-tron, hoje formada apenas por híbridos, mas que serão de emissão zero num futuro breve.

Fonte: João Leite | Uol

Enzimas promovem produção mais limpa de biodiesel

A Embrapa Agroenergia constituiu um banco de microrganismos produtores de lipases, enzimas que podem ser utilizadas na produção de biodiesel, tornando o processo mais limpo. Atualmente, as usinas utilizam um catalisador químico – geralmente, metilato de sódio – para acelerar a reação química entre óleo e álcool que dá origem ao biocombustível, além de gerar glicerina. As enzimas justamente substituiriam esse catalisador.

Líder dos trabalhos nessa área, a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Thaís Salum explica que a adoção das lipases seria vantajosa principalmente quando o biodiesel fosse produzido com óleos ácidos, como o de dendê. Essa característica da acidez associada à presença do catalisador químico faz com que seja formado sabão durante a produção do biocombustível, dificultando inclusive a separação deste e da glicerina. Isso gera muitos problemas e reduz a rentabilidade do processo.

As indústrias que utilizam óleos não ácidos, como o de soja, também encontrariam benefícios no uso das enzimas. Elas facilitam a separação do biodiesel e geram uma glicerina de melhor qualidade, conta Thaís. Além disso, são biodegradáveis.

A condução das pesquisas na Embrapa Agroenergia prevê ainda outra vantagem: o reaproveitamento das lipases. Por isso, os cientistas estão buscando produzir essas enzimas cultivando os microrganismos em substratos sólidos, como fibras e tortas residuais da extração de óleos. As lipases, assim, ficam “presas” às partículas desses materiais, que podem ser adicionadas aos reatores de produção de biodiesel. Ao final do processo, elas podem ser retiradas por métodos simples como filtração e utilizadas em uma nova batelada de produção.

Com a recuperação das enzimas, consegue-se reduzir o custo do processo, um dos principais empecilhos atualmente para adoção desse insumo. Além disso, evitam-se as várias lavagens pelas quais o biodiesel hoje passa para remover o catalisador químico, o que gera toneladas de efluentes a serem tratados antes do descarte.

O trabalho de pesquisa com lipases na Embrapa Agroenergia já passou por uma extensa etapa de busca e seleção de fungos e bactérias que fossem bons produtores desse tipo de enzimas para produção de biodiesel. Foram avaliados dezenas de microrganismos, isolados dos frutos e do ambiente associado ao cultivo de dendê, das fibras de prensagem desse fruto, além de raízes e folhas de cana-de-açúcar e da torta de pinhão-manso.

Após análises qualitativas e quantitativas, os cientistas chegaram a três cepas de fungos e uma de bactéria com grande potencial. Agora, estão trabalhando na otimização do processo de produção de lipases a partir desses microrganismos. Nessa etapa, eles testam diferentes condições de pH, temperatura, umidade e meio de cultivo, com o objetivo de chegar à combinação de parâmetros que permite obter o máximo rendimento com o menor custo.

Numa etapa seguinte, serão avaliadas também as melhores condições de produção do biodiesel utilizando as enzimas obtidas. “As espécies de microrganismos com as quais estamos trabalhando agora estão mostrando boa atividade enzimática e, por isso, estamos com grandes expectativas de chegar a bons resultados”.

A linha de pesquisa conta com recursos financeiros da própria Embrapa e da Agência Brasileira de Inovação (Finep). Colaboram nas ações pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Instrumentação e Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Embrapa | Canal Bioenergia

8 tendências que podem mudar o tabuleiro energético mundial

Dentro de 20 anos, as energias renováveis ultrapassarão fontes fósseis como o carvão e gás natural na geração global de energia, pavimentando o caminho para uma nova era de geração mais limpa e de menor impacto ambiental.

É o que indica a edição 2016 do estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). A pesquisa prevê um investimento vultoso de US$ 7,8 trilhões de dólares em fontes como eólica, solar e biomassa até 2040, superior aos investimentos nas energias fósseis.

Apesar da altas cifras, o estudo calcula que seria preciso investir muito mais em tecnologias verdes para reduzir as emissões de gases efeito estufa na atmosfera e evitar mudanças climáticas perigosas na Terra.

Ainda assim, muitas tedências prometem sacudir o tabuleiro energético mundial nos próximos anos. Veja abaixo as tendências principais mudanças previstas pelo estudo da BNEF.

1. Custos de energia eólica e solar despencam

Os custos nivelados — que representam o atual valor líquido de todos os custos, capital e operacional, de uma unidade geradora de eletricidade por todo seu ciclo de vida, dividido pelo número de MWh de eletricidade prevista que ela irá fornecer — para a energia eólica onshore vão sofrer queda de 41% até 2040, e para energia solar fotovoltaica, em 60%, fazendo com que essas duas tecnologias sejam as mais baratas para produção de eletricidade em muitos países durante a década de 2020 e na maior parte do mundo na década de 2030.

Foto: ThinkStock

2. Renováveis vão atrair mais investimento que fontes fósseis

A BNEF reduziu suas previsões de longo prazo para os preços do carvão e do gás em 33% e 30%, respectivamente, refletindo um excesso de oferta projetado para ambas as commodities, associado especialmente à exploração do xisto nos EUA. Mas o investimento na geração a carvão e gás continuará, predominantemente, nas economias emergentes. Cerca de US$ 1,2 trilhão serão colocados em nova capacidade de queima de carvão e US$ 892 bilhões para novas usinas a gás.

Apesar disso, o mundo viverá uma rápida transição para energia limpa ao longo dos próximos 25 anos, segundo a pesquisa.

Cerca de US$7,8 trilhões serão investidos em energia renovável, com eólica onshore e offshore atraindo US$ 3,1 trilhões, energia solar de grande escala (gerações de 10 MW ou mais), de telhado (rooftop) ou em pequena escala atrairão US$ 3,4 trilhões e US$ 911 bilhões serão destinados para hidroelétrica.

3. Investimento ainda não é suficiente para atingir meta climática de 2⁰C

Além dos US$ 7,8 trilhões, o mundo precisaria investir mais US$ 5,3 trilhões em energia com zero emissão de carbono até 2040 para reduzir as emissões de CO2 e evitar um aumento superior aos 2ºC (em relação aos níveis pré-industriais) na temperatura global, limite considerado “seguro” pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

4. Boom dos carros elétricos vai aumentar demanda por eletricidade

Os veículos elétricos vão adicionar 2,701 terawatt-hora (TWh), ou 8%, à demanda global por eletricidade em 2040. A estimativa reflete a previsão da BNEF de que, em 25 anos, os elétricos vão representar 35% das vendas de veículos novos leves em todo o mundo, o equivalente a 41 milhões de carros, cerca de 90 vezes o total de 2015.

Fonte: Sean Gallup/Getty Images

Fonte: Sean Gallup/Getty Images

5. Armazenamento de bateria em pequena escala, um mercado de US$ 250 bilhões

Ainda segundo a pesquisa, os veículos elétricos vão reduzir o custo de baterias de íon de lítio, aumentando cada vez mais a sua implantação em sistemas solares residenciais e comerciais. O total de armazenamento irá aumentar dramaticamente dos atuais 400MWh para quase 760GWh em 2040.

6. Geração a carvão na China vai reduzir o passo

As mudanças na economia chinesa e um maior direcionamento para energias renováveis afetarão a geração a carvão na China, que, em 10 anos, será de 1000TWh, ou 21% abaixo do número previsto pela BNEF, no relatório do ano passado.

7. Isso aumenta a importância da Índia na tendência das emissões globais

Exploração de carvão na Índia: matriz do país é dominada por fontes fósseis. (Foto: Getty Imagens)

Exploração de carvão na Índia: matriz do país é dominada por fontes fósseis. (Foto: Getty Imagens)

A demanda indiana por eletricidade deverá crescer 3,8 vezes entre 2016 e 2040. Apesar do investimento de US$ 611 bilhões em energias renováveis nos próximos 24 anos, e US$ 115 bilhões em energia nuclear, a Índia continuará a depender fortemente das centrais elétricas a carvão para atender à crescente demanda. A previsão é que isso triplique as emissões anuais pelo setor de energia do país até 2040.

8. Energias renováveis vão dominar na Europa e vão ultrapassar gás nos EUA

Eólica, solar, hídrica e outras energias renováveis vão gerar 70% da energia da Europa em 2040, um aumento em relação aos 32% em 2015. Nos EUA, sua participação vai saltar de 14% em 2015 para 44% em 2040, ao passo que o gás deverá cair de 33% para 31%.

Fonte: Vanessa Barbosa | Exame.com

Bons ventos impulsionam eólicas no RN

Energia eólica atrai investidores ao Rio Grande do Norte, como a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que pretende concluir a construção de cinco complexos até 2019. Ao todo, o setor já gerou cerca de 40 mil empregos no estado

Por Chirlei Kohls

De Curitiba (PR)

Era tarde de sábado. O céu estava azul com algumas nuvens no município potiguar de São Bento do Norte. De voz suave carregada por um sotaque potiguar misturado a vivências fora do Rio Grande do Norte, Milton Duarte de Araújo, 52 anos, contou como viu sua história e a do estado onde cresceu mudar com o despontamento da energia eólica a partir de 2009.

“É loucura!”, exclamou. Lá fora, o barulho da força dos ventos que fazia funcionar os sete aerogeradores de um dos parques eólicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) lembrava Araújo de que era tudo real. A Copel começou a operação de parques eólicos próprios no RN em fevereiro do ano passado e até 2019 pretende alcançar 663,6 MW de capacidade eólica em cinco complexos. A quantidade é suficiente para abastecer uma cidade com cerca de dois milhões de habitantes, o equivalente a cerca de duas vezes a população de Natal somada aos residentes de Mossoró.

foto 01Araújo é proprietário de terras arrendadas em território potiguar para construção de parques eólicos – sendo três áreas para a Copel – e é projetista no setor desde 2008. No caso de arrendamento de terras, o proprietário recebe royalties durante a vida útil do projeto pela concessão para exploração de energia eólica. Além disso, é advogado e sócio-diretor da MDA Serviços, empresa do ramo de energia com sede em Natal (RN) que atua desde a captação e identificação de áreas para possível instalação de parques eólicos até a contratação da área, por exemplo. A empresa é projetista de seis parques da companhia paranaense e presta serviços para empresas do ramo de energia com atuação em todo o Brasil e com sede nas regiões Sul-Sudeste.

Tão logo, Araújo descreveu o desenvolvimento das cidades potiguares que têm parques eólicos em operação ou construção. “Você vê casas sendo reformadas, mais pessoas comprando na região, aquisição de bens, uma economia movimentada. É uma situação visível. A mudança é substancial. Urbanização e higienização também são mais adequadas”.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, ressalta que o desenvolvimento em energia eólica no RN é interiorizado e considera a injeção de capital na economia um ciclo virtuoso. “Normalmente eram cidades esquecidas pelo mundo, que viviam basicamente da agricultura familiar e do programa Bolsa Família. Aí chega a energia eólica e transforma a economia local. As cidades se beneficiam diretamente com o investimento de capital. É serviço de hospedagem, mecânicos, oficinas, alimentação”.

foto 03Para ele, o segundo maior ganho é a capacitação de pessoas. Ao recordar a visita que fez ao município de João Câmara em 2008, comenta que a cidade estava no limbo, no nada e hoje tem um Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e cursos especializados em eólica. “A transformação é absurda”, enfatiza Prates.

Natural do município de Santo Antônio, interior do Rio Grande do Norte, Araújo deixou o estado aos 26 anos em busca de oportunidades na região Sul-Sudeste do país. Durante os cerca de 20 anos em que esteve fora do local de origem, se formou em Direito e trabalhou em empresas de geração de energia hidráulica e térmica. Voltou ao estado em que construiu a maior parte de sua história com o desafio de desenvolver a energia eólica. “Meus filhos me questionavam se eu não estava ficando maluco com a história de vender vento. Hoje vemos que a dimensão que a energia eólica tomou aqui é muito grande. Não consigo entender como em tão pouco tempo trouxe tudo isso”, diz Araújo.

Potencial

foto 02Ele conta que a implantação da maioria dos parques começou em 2010. No RN, 26 municípios têm participação eólica, sendo que 16 já possuem parques operando comercialmente, um total de 97, e dez possuem parques em construção ou já contratados. De acordo com dados do Cerne, até 2020 projeta-se a operação comercial de 412 parques eólicos. Um parque que em média tem 30 MW de capacidade instalada pode abastecer cerca de 69.500 residências.

Ainda segundo o Cerne, o RN é o estado que mais produz energia proveniente da fonte eólica, em média um pouco mais de 1.000 MW de energia por mês. A previsão é que até 2020 tenha aproximadamente cinco GW de capacidade instalada, sendo possível gerar em torno de 2.250 MW médios de energia elétrica por mês. Hoje é exportador de energia, pois o que é produzido por fonte eólica já abastece as necessidades do território potiguar. O restante de energia escorre na rede elétrica pelas linhas de transmissão e é distribuído para municípios de outros estados.

Prates explica que a partir de 2009, quando ocorreu o primeiro leilão federal de compra de energia eólica, esta energia foi considerada competitiva por si só. “As tecnologias de fontes renováveis evoluíram e as tornaram competitivas.

Houve uma redução significativa no custo de equipamentos. A dinâmica de leilões em energia no Brasil é referência no mundo. Subsídios governamentais em outros países estão sendo revistos com base no modelo brasileiro de leilões reversos”, explicou.

Os investimentos feitos para parques eólicos são feitos via leilões reversos de energia (Ambiente de Contratação Regulada – ACR) e mercado livre (Ambiente de Contratação Livre – ACL), quando a empresa produtora de energia negocia diretamente com a empresa que comparará a energia e o contrato entre ambas é registrado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCCEE). “O ACL permite que você contrate energia direto. Mas isso é minoria e ocorre com contratadores de relevância, como shoppings, redes de supermercado etc. A regra é fazer o leilão”, explica Prates. Nos leilões, o projeto apresentado normalmente já tem locação definida, com indicação de onde o parque funcionará. “É uma competição de projetos” complementa.

O vento não para

A força dos ventos do Rio Grande do Norte já trouxe investimentos de cerca de 10 bilhões de reais, segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com aproximadamente 1/3 desse valor disseminado em compras diretas nas cidades potiguares com parques eólicos. As características favoráveis já atraíram investimentos de grupos estrangeiros, como Voltalia (França), Gestamp (Espanha), Força Eólica (Grupo Neoenergia – Espanha), e grupos brasileiros, como Companhia Paranaense de Energia (Copel – Sociedade de Economia Mista) e os paulistas Serveng, CPFL Renováveis e Renova.

O diretor-presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, acredita que o sucesso do estado com a energia eólica não se deve apenas a condições ambientais favoráveis dos ventos. “Criou-se condições para os leilões. Houve um trabalho do governo do Estado com uma atenção especial aos projetos de eólicas, como licenciamento ambiental de projetos complexos, preocupação com infraestrutura, planejamento de linhas de transmissão, entre outros”.

Até o final do ano passado, a Copel instalou no estado 330,5 MW de potência em 15 parques de três diferentes complexos. Os cinco complexos que a companhia paranaense pretende operar no RN até 2019 abrigarão 28 parques eólicos em seis cidades: São Bento do Norte, São Miguel do Gostoso, Touros, Parazinho, João Câmara, Pedra Grande. No total, o investimento é de R$ 3,5 bilhões.

foto 04Diretor da Copel Renováveis, Ricardo Dosso afirma que a escolha do RN para sede dos complexos da Copel considerou o potencial de geração de energia da região, aferido por análise de dados como frequência, intensidade e direção dos ventos, além do perfil do terreno – quanto mais plano e aberto, melhor. “Importante lembrar que a regularidade dos ventos no Brasil, especialmente no Nordeste, proporciona ao país o melhor fator de capacidade (FC) para geração com esta fonte no planeta”. Ele aponta que as dificuldades mais comuns são logística para transporte de grandes peças, demora de licenciamento ambiental e pouca qualificação profissional. “Mas a parceria com o governo estadual tem permitido superar estes desafios, principalmente com a melhoria da rodovia RN-120”, reforça Dosso.

Projetista no setor, Milton Duarte de Araújo acredita que há um contexto evolutivo e contínuo no Estado até 2025. “Hoje o maior investidor em energia eólica no RN é a Copel. E isso não é gratuito. O RN tem os ventos mais cobiçados do mundo. São os chamados ventos alísios, que em 95% do tempo têm uma única direção, são constantes e não estão sujeitos a rajadas”, explica Araújo.

Força de oportunidades

Além das mudanças visíveis no desenvolvimento das cidades que sediam parques eólicos, outro benefício do despontamento desse tipo energético é a geração de empregos proporcionada com os arrendamentos de terra. Segundo a presidenta da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, o aumento de 46% da capacidade instalada de energia eólica no Brasil, em 2015, representa acréscimo de 2,75 GW de novas instalações – número recorde.

Com isso, o país passou a ter 8,27 GW de capacidade instalada, o que representa um investimento total acumulado superior a R$ 52 bilhões, geração de 130 mil empregos em toda a cadeia produtiva e cerca 16 milhões de toneladas de CO2 evitadas.

Estima-se que para cada MW instalado 15 postos de trabalho (diretos e indiretos) sejam gerados ao longo da cadeia produtiva. A presidente da Abeeólica explica que isso ocorre porque independente de onde a usina está localizada, a estimativa de empregos se dá considerando todas as fases do projeto, desde o desenho do empreendimento até a sua instalação, incluindo a fabricação das peças e componentes, que podem estar, por exemplo, no sudeste brasileiro. “Dessa forma, poderíamos dizer que o total de capacidade instalada no RN (2,92 GW) foi responsável por gerar mais de 40 mil postos de trabalho, os quais não necessariamente foram no Estado”, afirma Gannoum.

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Ainda segundo dados da Abeeólica, o potencial eólico brasileiro atual é mais de três vezes a necessidade de energia do país. Somando todas as fontes de energia (nuclear, hídrica, térmica, eólica e outras), a capacidade instalada do Brasil é da ordem de 150 GW e somente de potencial eólico são estimados cerca de 400 GW. Em termos de capacidade instalada acumulada atualmente o Rio Grande do Norte lidera o setor.

Milton de Araújo comenta que as terras que sediam parques eólicos no RN normalmente não são propícias para agricultura. Ele explica que em 300 hectares de terra nem 10% é cultivado. “O arrendamento é uma renda considerável que antes não era possível porque as condições são adversas. Eu diria que das oportunidades com a energia eólica é a redenção. É uma renda vitalícia. Um rio de vento”, comemora o potiguar.

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A MDA Serviços tem contratos de pelo menos 50 áreas arrendadas no Estado. Araújo comenta que é gratificante ver que todos os proprietários de terras estão bastante felizes. “É uma renda que outrora não existia. A terra não gerava nada. E certamente os contratos serão renovados. É um royalty por toda vida”. Ele comenta que normalmente na fase de estudos da área para instalação de um parque eólico o proprietário recebe um salário mínimo e depois este valor aumenta.

A capacitação de pessoas para atuar na energia eólica é feita nos institutos federais, Senai, Sebrae, universidades federais etc. Ricardo Dosso aponta outros benefícios como reforço do sistema elétrico local e melhoria da qualidade de energia disponível (atração de empresas de médio e grande porte), legado para os moradores com a construção de vias e educação ambiental, feita pela Copel com as comunidades locais.

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Fonte: Revista Bzzz