CERNE e CORECON trabalharão ideias para candidatos ao Executivo do RN

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e o Conselho Regional de Economia da 19ª Região (CORECON-RN) firmaram acordo de cooperação para trabalharem conjuntamente em ideias, projetos e ações viáveis que possam servir como sugestão aos candidatos ao Executivo norte-riograndense, nas eleições deste ano.

A iniciativa está baseada no conceito comum de que o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico são compatíveis com a luta contra a desigualdade social e com a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

Os presidentes das duas entidades assinaram acordo de cooperação na última sexta-feira (27). O compromisso foi firmado durante o Ciclo de Debates Econômicos do Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço, Trabalho, Inovação e Sustentabilidade do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A partir deste acordo, as instituições formarão um conselho diretor que passará a atuar em análises do contexto estadual e na elaboração de ações propositivas, projetos e debates relacionados com o futuro socioeconômico do Rio Grande do Norte.

“Os economistas têm como dever participar ativamente dos debates sobre o desenvolvimento econômico local, ainda mais num momento de tanto acirramento e incerteza política, e as ciências econômicas constituem instrumento adequado para a compreensão e proposição de idéias para a gestão estadual”, convocou Ricardo Valério, presidente do CORECON-RN.

“Recursos naturais e energia são considerados insumos fundamentais para o desenvolvimento. São o sangue de todo e qualquer segmento da economia, mas têm que ser precificados, planejados e consumidos de forma eficiente e sustentável, sob pena de serem provocados o seu sub-aproveitamento ou escassez crítica”, pontuou o presidente do CERNE, Jean-Paul Prates.

As duas entidades deverão participar e apoiar os debates e eventos setoriais que promovam o desenvolvimento sustentável local e regional, bem como empreenderão projetos de eficientização e aprimoramento da gestão de recursos hídricos, energéticos e minerais no Estado a partir de 2019.

Também serão trabalhadas propostas quanto à situação da disposição/destinação de resíduos sólidos gerados em parques eólicos, usinas solares e outras instalações de grande porte, no RN e estados da região. Por fim, está prevista a montagem de projeto de parceria socioambiental para locações de empreendimentos energéticos na área de extrativismo vegetal sustentável  (reposição e manejo), com fomento da cadeia produtiva local relacionada.

Para mais informações sobre as entidades, acesse:
CERNE – www.cerne.org.br
CORECON – www.corecon-rn.org.br.

Fonte: CERNE Press

Parceria entre CERNE e IFRN Campus Parnamirim visa desenvolver fábrica de software

O diretor técnico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Hugo Fonseca, se reuniu com o Diretor-Geral do Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFRN) Campus Parnamirim, Ismael Coutinho,  com o objetivo de firmar uma parceria entre as duas instituições para desenvolver a ideia de montar o conceito de Fábrica de Software no Campus Parnamirim, com alunos do Técnico em Informática e do tecnólogo de Sistemas para Internet, podendo ter alunos de Mecatrônica e Redes de Computadores também.

Uma fábrica de software cria um produto sob medida para cada cliente e utiliza em suas operações indicadores de qualidade e de produtividade em cada etapa do ciclo de desenvolvimento. Alguns fatores contribuíram para o crescimento deste serviço, que surgiu para atender novas necessidades do mercado de TI.

Na reunião estiveram presentes os professores João Maria Nascimento e Valério Gutemberg e o Coordenador do Curso de Sistemas para Internet, o professor Givanaldo Rocha.

O que é o CERNE?

O CERNE é um “think tank” voltado para a concepção, discussão e implementação de estratégias públicas e privadas relativas ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais e energéticos do Nordeste Setentrional do Brasil. Sua missão é promover a articulação com as diversas instâncias institucionais, acadêmicas, científicas, empresariais e governamentais relacionadas com a exploração sócio-econômica, conservação, planejamento e desenvolvimento dos recursos naturais e fontes energéticas, de forma a assegurar sua boa utilização no presente, em benefício das gerações futuras.

Fonte: CERNE Press

“Não estamos desperdiçando energia, nem investimento”, afirma Jean-Paul Prates

O Brasil alcançou a marca de oitavo maior produtor de energia eólica do mundo. Dentro da produção nacional, o Rio Grande do Norte se destaca como o estado que mais produz o recurso renovável. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, comemora o desempenho em entrevista realizada na última quinta-feria (26) ao programa RN Acontece, da Band Natal/RN.

“Do país para o mundo. Ontem saiu o relatório desse ano do GWEC, o Global Wind Energy Council, que é a entidade maior do setor eólico mundial. O Brasil ultrapassou mais uma vez um país no ranking mundial, que era o Canadá, e passou a ser a 8ª maior nação produtora de energia eólica do mundo. O Rio Grande do Norte tem esse sucesso nessa matriz, nessa fonte, e é dentro desse contexto o líder nacional de produção de energia eólica no Brasil. Ele hoje é responsável por um terço da energia eólica gerada no Brasil. Então, desta liderança nacional, surge aí um terço da energia geral”, explicou Prates.

De acordo com Jean-Paul, o problema enfrentado no passado com a falta de linhas de transmissões no RN já foi superado. “Não estamos desperdiçando energia, nem investimento. Houve um período de atraso mais significativo, principalmente entre 2012 a 2014, isso foi recuperado com as linhas da Chesf sendo aceleradas. Tivemos aquele problema de uma empresa espanhola que faliu mundialmente, que foi a Abengoa, que deixou uma das linhas aqui carentes de continuidade. Isso também já foi resolvido. Eu diria que já foi resolvido em relação ao passivo que nós tínhamos”, comentou.

No entanto, o especialista em energia adverte para que o Estado continue melhorando sua infraestrutura. “É uma preocupação constante. Tem que estar o tempo todo acompanhando esse processo porque isso é uma questão federal. Tem que ficar demandando, fazendo pleitos, para que as linhas sejam concedidas. O Rio Grande do Sul fez pressão e hoje ele tem aí quatro ou cinco gigawatts de linhas, tendo muito mais folga do que a gente e com muito menos potencial”, comparou.

Fonte: CERNE Press com informações da Band Natal

ABEEólica se prepara para as mudanças no setor elétrico

Renato Volponi foi eleito presidente do Conselho de Administração

Os filiados da Associação Brasileira de Energia Eólica elegeram na última quarta-feira, 25 de abril, os membros dos conselhos de administração e fiscal para o exercício do triênio 2018-2020. A principal meta será preparar a ABEEólica para encarar as mudanças pelas quais está passando o setor elétrico brasileiro, contou Renato Volponi, eleito presidente do conselho de administração, em entrevista à Agência CanalEnergia.

Ele disse que as mudanças ocorrerão em todas as áreas como a forma de comercializar a energia renovável. Por isso, ele acredita que uma das primeiras tarefas seja aprimorar o conhecimento para tomar melhores decisões estratégicas para o desenvolvimento eólico. “Vamos criar massa crítica para ter sugestões de valor para poder levar ao governo, à agência reguladora, para que a energia eólica ocupe seu lugar”, ponderou.

Durante seu mandato, ele quer melhorar o alinhamento entre conselho e diretoria, reforçando o trabalho em conjunto, ao mesmo tempo que se coloque mais claro o papel de cada instância. “Uma questão é ter o conselho mais coeso e profissional e mais próximo da diretoria. Vamos reforçar essa parceria, pois temos uma diretoria muito valiosa”, observou Volponi.

O executivo vê com otimismo o futuro da fonte eólica no Brasil, mas reconhece que o seu crescimento depende da retomada da economia, e como consequência, do consumo de energia. “O timing de exploração desse enorme potencial que temos depende do crescimento do país”, frisou. Volponi vê também no desenvolvimento tecnológico outra base para o crescimento da fonte, principalmente, de sistemas de armazenamento. Isso pode permitir um desenvolvimento da matriz energética mais calcado nas fontes renováveis, sem a necessidade de outras fontes flexíveis para a base.

No horizonte próximo da ABEEólica está o leilão A-6, previsto para o dia 31 de agosto. O leilão que pode trazer boas perspectivas de contratação e preço, também traz insegurança ao segmento, pois introduz uma mudança na forma de contratação das eólicas, agora com contratos de quantidade, e não por disponibilidade, como foi feito até agora. Para Volponi, essa mudança agora aumenta os riscos do negócio, já que os empreendedores não conhecem os termos do novo contrato e terão pouco tempo para analisar os impactos.

“Temos muito pouco tempo para trabalhar essas informações”, apontou o executivo, acrescentando que ainda não se sabe como será contada a energia se de forma acumulada ou horária, por exemplo. Ele aponta ainda a adoção do preço-horário, ano que vem, como outra incógnita no impacto sobre a forma de contratação. “Não somos contra [a adoção da contratação por quantidade], mas precisamos saber como se dará, para podermos precificar isso. Risco é preço. E tempos pouco tempo”, reforçou.

Ele aposta que o leilão terá uma contratação melhor, mas o preço dependerá da estratégia dos empreendedores, que vêm adotando o mix de contratos para maximizar o valor de seus empreendimentos, com venda de energia, não só em um leilão apenas, mas também no mercado livre e para autoprodução. Veja abaixo a composição dos conselhos de administração e fiscal para o triênio 2018-2020:

Conselho de Administração
Renato Volponi (EDP Renováveis) – Presidente do Conselho de Administração
Adelson Ferraz (Brennand)
Afonso Carlos Aguilar (Alubar)
Alexandre Sarnes Negrão (Aeris)
Anna Paula Pacheco (Enel Green Power)
Carlos Longo Cardoso Dias (AES Tietê)
Edgard Corrochano (Echoenergia)
Edson Silva (Engie)
Eric Rodrigues Gomes (Vestas)
Fernando Elias Silva Sé (Casa dos Ventos)
Fernando Mano (CPFL Renováveis)
João Paulo Gualberto da Silva (WEG)
Laura Porto (Neoenergia)
Marcos Ferreira Meirelles (Rio Energy)
Mauro Bittencourt (Siemens-Gamesa)
Robert Klein (Voltalia)
Roberto Lobo Miranda (T.E.N Torres Eólicas do Nordeste)
Rosana Rodrigues dos Santos (GE)
Sergio Azevedo (Dois A Engenharia)

Conselho Fiscal
Renobrax Energias Renováveis Ltda.
Pedro Schuch Mallmann (titular)
Otávio Marshall (suplente)

Serveng
Rafael Coimbra Moreira (titular)
Alfredo Chaguri Neto (suplente)

Kintech
Alejandro Blanco Garcia (titular)
Karlheinz Huscher Cirne (suplente)

Fonte: ALEXANDRE CANAZIO, DA AGÊNCIA CANALENERGIA

Eólica: mais de 50 GW foram instalados no mundo em 2017

Relatório do Conselho Global de Energia Eólica destaca competitividade da eólica em vários mercados e afirma que projetos híbridos, gerenciamento mais sofisticado de rede e opções de armazenamento mais acessíveis começam a mostrar como deve ser o futuro da energia totalmente livre de combustíveis fósseis.

O Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council – GWEC) divulgou nesta quarta-feira, 25 de abril, seu Relatório Anual Global de Energia Eólica. Mais de 52 GW de energia eólica limpa e livre de emissões foram adicionadas em 2017, levando o total de instalações a 539 GW globalmente. Veja, abaixo, os gráficos que mostram dados mundiais das novas quantidades de capacidade instalada de energia eólica ano a ano (gráfico vermelho) e a evolução da capacidade total instalada ao longo do tempo (gráfico azul).

Com novos recordes estabelecidos na Europa, na Índia e no setor offshore, os mercados retomarão um crescimento rápido após 2018, analisa o GWEC, em seu release distribuído para a imprensa nesta quarta. “A energia eólica está liderando a mudança na transição para longe dos combustíveis fósseis e continua a impressionar em competitividade, desempenho e confiabiliade. Tanto em projetos onshore quanto offshore, a energia eólica é a chave para definir um futuro energético sustentável”, avalia Steve Sawyer, Secretário Geral do GWEC.

O relatório também mostra a instalação de nova capacidade de energia eólica, divididas por região e por ano. Sobre a região “América Latina e Caribe”, que registrou uma nova capacidade de 2,57 GW em 2017, o relatório destaca o papel do Brasil: “O Brasil mais uma vez dominou o mercado, com seus 2,02 GW representando mais de três quartos das instalações no região”. Veja, abaixo, os dados por região de nova capacidade instalada:

O Brasil atingiu, em fevereiro deste ano, a marca de 13 GWs de capacidade instalada de energia eólica e já temos mais de 520 parques eólicos e mais de 6.600 aerogeradores operando. No ano passado, o montante gerado pelas eólicas foi equivalente ao consumo médio de cerca de 22 milhões de residências por mês. Nesse contexto, o estado do Rio Grande do Norte tem desempenhado um papel de grande destaque, como afirma o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates: “Somos o líder nacional de geração eólica. Para se ter uma ideia, o estado é responsável por um terço da geração eólica de todo o país. Hoje, o RN exporta cerca de dois terços de toda energia gerada no estado, considerando sua matriz elétrica.”

O relatório anual do GWEC, além de apresentar dados consolidados de 2017, também traz análises de cenário, informações específicas por país e previsões para os próximos anos. Para ler o material completo do GWEC, faça o download aqui.

 

Fonte: CERNE Press

 

Paraíba tem enorme potencial para gerar “energia dos ventos”

Quarenta e oito municípios de sete regiões da Paraíba foram identificados como os que detêm os maiores potenciais de geração de energia eólica no Estado. Estima-se que, juntos, eles teriam capacidade para produzir 9,88 gigawatts (GW) de energia eólica, caso todo o potencial possa ser utilizado. Isso seria suficiente para gerar energia elétrica para quase 30 milhões de habitantes – o equivalente às populações da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas juntas.

O potencial do Estado, que já tem 157 megawatts (MW) de capacidade instalada, foi identificado e publicado no Atlas Eólico da Paraíba. Para especialistas e estudiosos da área, o mapeamento do potencial eólico por meio de um atlas é essencial para a definição de políticas públicas e de atração de investimentos para alavancar o setor. Isso porque o levantamento é capaz de apresentar detalhadamente os regimes de vento e respectivos potenciais de geração de energia na Paraíba.

De acordo com o atlas, o Estado importa em torno de 60% da energia que consome, além de ter aproximadamente 90% da capacidade de geração atrelada a fontes térmicas. Por isso, o estudo é importante por comprovar que possui excelentes condições geográficas para instalação de parques eólicos. Além disso, o momento mostra que a geração eólica cresce em larga escala no país, com a existência de inúmeros projetos em estudo, implantação e em operação.

Na Paraíba, comparativamente a outros estados da região, a energia eólica ainda pode ser considerada em estágio inicial de desenvolvimento, com gigantesco potencial a ser explorado. Empresas já perceberam a potencialidade e, no último leilão de energias renováveis realizado pelo Governo Federal, por meio do Ministério das Minas e Energia, 12 projetos para implantação de parques eólicos foram contratados. Atualmente, a Paraíba possui 15 parques de geração desse tipo de energia, 2 localizados em Mataraca e três no Complexo Santa Luzia.

Quando os 12 novos parques começarem a operar comercialmente – o que deverá acontecer entre 2019 e 2023 – a capacidade de geração de energia eólica na Paraíba poderá atingir os 371,4 MW.

Projetos em Santa Luzia

O grupo Neoenergia/Iberdrola, desde 2017, possui três parques eólicos na Paraíba, cada um com 15 aerogeradores, totalizando 45. As usinas Lagoa I e II e Canoas, que formam o Complexo Santa Luzia, conseguem gerar 94 megawatts de energia elétrica. “A quantidade atende facilmente uma população correspondente a três cidades como Patos. Toda a energia gerada é distribuída para a população de Santa Luzia e cidades circunvizinhas, incluindo Patos”, explicou o porta-voz da Neoenergia na Paraíba, Jussiê Dantas.

A região de Santa Luzia é uma das identificadas pelo atlas eólico como geradora de energia em potencial. Ao lado de mais sete municípios, a região, que fica no Seridó Ocidental da Paraíba, têm capacidade para gerar uma energia estimada em 1.452 megawatts. “A região foi escolhida pela Neoenergia devido ao posicionamento geográfico. Hoje, estamos localizados num corredor de vento que cruza todo o Sertão paraibano e propicia ventos de qualidade e que viabilizam negócios eólicos no local”, frisou o porta-voz da empresa.

Durante o processo de construção do parque, mais de 500 empregos, entre diretos e indiretos, foram gerados. Além disso, mais de R$ 600 milhões foram injetados na economia local.

“Dezenas de proprietários estão sendo beneficiados pela geração de energia eólica por meio das indenizações motivadas pelo arrendamento das propriedades. Atualmente, temos 50 empregos diretos e indiretos gerados”, frisou Dantas.

Investimento de R$ 2 bi

A empresa arrematou nove parques para a região de Santa Luzia, o que significa um investimento de mais de R$ 2 bilhões que serão injetados no estado.  Em dezembro do ano passado, a Neoenergia participou do leilão A-6 promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para contratar energia elétrica proveniente de diversas fontes, incluindo eólica, com início de suprimento em 1º de janeiro de 2023.

O porta-voz da Neoenergia afirmou que serão construídas mais de 144 máquinas nos nove parques eólicos, com capacidade para gerar até 281 megawatts – o que equivale ao atendimento de toda a população de João Pessoa. “Além de Santa Luzia, os novos parques vão abranger as cidades de São Mamede, São José de Sabugi e Baraúnas”, explicou Jussiê Dantas.

Capacidade eólica global aumentará em mais da metade nos próximos cinco anos, diz GWEC

O Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) divulgou hoje (25) o seu Relatório Anual Global de Energia Eólica. O documento traz dados globais sobre o setor eólico e revela que já são 539 GW de energia eólica pelo mundo.

Até 2022, o GWEC estima que teremos cerca de 840 GW eólicos  instalados em todo o mundo, um aumento de 56%. O relatório também mostra a instalação de nova capacidade de energia eólica por região.

A América Latina e Caribe registrou uma nova capacidade de 2,57 GW em 2017. O relatório destaca o papel do Brasil: “O país mais uma vez dominou o mercado, com seus 2,02 GW representando mais de três quartos das instalações na região”.

Além de apresentar dados consolidados de 2017, o Relatório do GWEC também traz análises do cenário global do setor, informações específicas por país e previsões para os próximos anos. Faça o download do material em https://goo.gl/WKxj2k

Fonte: CERNE Press

Energia eólica já pode abastecer 22 milhões de casas no Brasil

No país, a água é o principal recurso de geração de eletricidade, mas os ventos já têm capacidade de produção semelhante à usina de Itaipu

A energia gerada pelos ventos tem ganhado força no Brasil. Considerada complementar na matriz de produção elétrica nacional, que conta principalmente com a hidroeletricidade, a geração a partir da fonte eólica já é suficiente para abastecer cerca de 22 milhões de casas por mês no país.

O dado é da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), que também informou um fato inédito ocorrido em fevereiro deste ano: o segmento atingiu potência instalada (capacidade máxima de produção de uma fábrica) de 13 gigawatts (GW), volume quase igual ao produzido pela usina de Itaipu (14 GW), a maior hidrelétrica em território nacional.

No Brasil, a água é o principal recurso utilizado para produzir a eletricidade fornecida para residências, comércios e setor industrial. Toda essa energia gerada por recursos hídricos, assim como por outras fontes (eólica, solar, biomassa, gás natural etc.), é transmitida de norte a sul do país por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo a ABEEólica, o crescimento da geração elétrica por meio dos ventos conseguiu abastecer 11% de todo o território nacional no mês de setembro de 2017. Esse resultado tem como base a força de trabalho desempenhada por 518 parques eólicos e mais de 6.600 aerogeradores em operação.

“Além disso, abastecemos mais de 60% do Nordeste em vários momentos, na época que chamamos de ‘safra dos ventos’, que vai mais ou menos de junho a novembro”, explicou, em nota, Elbia Gannoum, presidente executiva da Abeeólica.

De acordo com dados do PDE 2026, publicação do Ministério de Minas e Energia (MME), a potência instalada do segmento eólico no Brasil chegará a 25,8 gigawatts (GW) em 2026 e terá participação de 12,5% na matriz total. Atualmente, o percentual é de 7,6%. Considerado detentor das condições mais favoráveis para esse tipo de produção, o litoral da Região Nordeste deverá registrar 90% da capacidade eólica total, estima a pasta.

Na avaliação do professor aposentado do curso de agronomia da Universidade de Brasília (UnB) Juan Verdésio, especialista em energias renováveis, as fontes eólica e fotovoltaica podem proporcionar segurança energética de forma complementar ao país, principalmente ao Nordeste, que atualmente sofre com déficit na geração de energia hidrelétrica, pois depende dos recursos hídricos do Rio São Francisco.

“O Nordeste é deficitário. Só tem usina no Rio São Francisco e, daqui a algum tempo, não será possível extrair água de lá para gerar energia. Ocorre, atualmente, o encaminhamento da eletricidade da Amazônia e da Região Sul para o Nordeste. Então, a produção eólica ajuda nesse sentido de dar segurança energética”, explicou.

O especialista também disse que a superfície terrestre é mais utilizada para a implantação de sistemas eólicos, mas o mar apresenta potencial considerável. “Há mais investimentos no litoral, em terra. Poderíamos ter usinas no mar, a turbulência do vento nesse ambiente é maior e acontece de forma mais uniforme. No exterior, existem muitas infraestruturas do tipo, mas requerem mais aplicação de recursos”, concluiu Juan Verdésio.

Ranking eólico nacional
Os líderes na produção de energia gerada pelos ventos em território nacional são: Rio Grande do Norte, primeiro colocado, com potência instalada de 3,7 gigawatts (GW); Bahia, na segunda posição, com 2,5 GW; e Ceará, em terceiro, com 1,9 GW.

Segundo o ranking mundial, divulgado em 15 de fevereiro deste ano pelo Global World Energy Council (GWEC), o Brasil ocupa o oitavo lugar. Em 2012, o país estava na 15ª posição.

Fonte: Jornal Metrópoles | Ingred Suhet

Baterias eliminarão combustíveis fósseis, é questão de tempo

A algumas semanas atrás, um órgão do governo dos EUA enviou o sinal mais claro até o momento de que os combustíveis fósseis estão com os dias contados.

É verdade que, do ponto de vista econômico, a queima de carbono já foi declarada em seu leito de morte inúmeras vezes. Mas desta vez o alerta é dado pelo cronograma relacionado à assassina: as baterias.

A Comissão Federal Reguladora de Energia Elétrica dos EUA (Ferc, na sigla em inglês) decidiu que as chamadas empresas de armazenagem de energia, como Tesla e AES, podem competir com usinas de energia tradicionais nos mercados atacadistas dos EUA até o fim de 2020.

“Isso é um divisor de águas”, disse Joel Eisen, professor de legislação de energia da Universidade de Richmond, não muito diferente do momento em que os órgãos reguladores abriram o mercado de telecomunicações na década de 1970 com decisões que inauguraram a era digital, dando aos computadores acesso justo a linhas telefônicas.

As baterias, antes relegadas a alimentar pequenos dispositivos, como controles remotos e relógios, agora estão prestes a abastecer coisas mais importantes para a vida cotidiana, como smartphones, carros e casas e escritórios inteiros.

E as petroleiras perceberam isso. Na programação da CERAWeek by IHS Markit — conferência anual que levou alguns dos nomes mais importantes do mundo dos combustíveis fósseis a Houston, EUA, nesta semana –, foram programados não um, mas dois debates sobre baterias.

“Não se pergunta mais se as baterias mudarão o setor de energia”, escreveu a IHS na descrição de uma das discussões, “e sim quanto e em que velocidade”. (Um indicativo do sentimento do setor a respeito é que a primeira sessão foi realizada em um restaurante em frente ao local da conferência, na quarta-feira. Lotou).

A seguir descrevemos três forças motrizes por trás das baterias que os executivos deveriam conhecer.

Carros elétricos
Discute-se há tempos que a ascensão das baterias de íons de lítio — duráveis, com alta densidade de energia e fáceis de recarregar — marcaria o início do fim da era dos combustíveis fósseis.

Os carros elétricos fabricados pela Tesla, General Motors e BYD, esta apoiada por Warren Buffett, substituíram os tanques de gasolina em mais de 3 milhões de carros que rodam pelo mundo afora.

A previsão é de que o número de carros elétricos movidos a baterias ultrapassará o número dos que rodam a gasolina em vendas até 2040. Segundo estimativa da Bloomberg New Energy Finance, isto eliminará 8,5 milhões de barris de demanda de combustíveis para transporte por dia.

Gás é pressionado
O avanço das baterias nos mercados de energia ameaça o reinado do gás natural, que atualmente gera cerca de um terço da eletricidade dos EUA. Nos estados americanos Califórnia e Arizona, empresas de serviços públicos como PG&E e Pinnacle West Capital estão abandonando as usinas de gás em favor de projetos de energia renovável.

Esses parques solares e eólicos agora são capazes de usar sistemas de armazenamento para conservar energia e liberá-la quando necessitam dela.

Queda dos preços
A revolução do armazenamento em baterias não é para já. Os custos dos conjuntos de íons de lítio precisam cair pela metade em relação aos níveis atuais para que os carros elétricos possam realmente competir com os modelos movidos a gasolina, disse Albert Cheung, diretor de análise da Bloomberg New Energy Finance.

O ritmo de fabricação precisa ser acelerado, e também a produção das matérias-primas necessárias para as baterias. Além disso, a tecnologia ainda depende de vontade política e de incentivos na maioria dos mercados

Fonte: Bloomberg

Chesf contrata chinesa Goldwind em tentativa de retomar parque eólico

A estatal Chesf, subsidiária da Eletrobras na região Nordeste, contratou a fabricante chinesa Goldwind para tentar retomar as obras de seu complexo de usinas eólicas Casa Nova I, na Bahia, que estão paralisadas há anos devido à crise financeira do que seria seu principal fornecedor, a argentina Impsa.

Uma das maiores produtoras de equipamentos eólicos do mundo, a Goldwind é atualmente a única empresa licenciada no Brasil para utilizar tecnologia da alemã Vensys, adotada pelos equipamentos da Impsa, disse à Reuters o gerente-geral da Goldwind para a América do Sul, Xuan Liang.

“A Goldwind… está em conversas com a Chesf para realizar uma ‘due dilligence’ no projeto Casa Nova I e entender melhor as condições técnicas desse projeto”, explicou o executivo, em nota.

A Chesf obteve autorização para construir o complexo Casa Nova I, que terá 180 megawatts em capacidade, em um leilão de energia para novos projetos realizado pelo governo brasileiro em 2010.

Mas a crise da Impsa atrapalhou o andamento do empreendimento, que originalmente precisaria iniciar operações em 2013.

A fabricante argentina entrou com um pedido de recuperação judicial no ano seguinte, e desde então a Chesf não conseguiu retomar a construção da usina, que ficou quase pela metade.

Segundo documentos da Chesf, a estatal já investiu mais de 600 milhões de reais no empreendimento, cujas obras tinham um avanço físico de 40 por cento quando foram paralisadas.

O presidente da Chesf, Sinval Gama, disse à Reuters que a Goldwind está avaliando quanto será necessário para concluir a implantação do empreendimento.

“O trabalho é para avaliar as máquinas montadas e apresentar relatório de custos para finalizar a montagem”, explicou.

Se ao final a Goldwind for contratada para a conclusão do empreendimento da Chesf, será mais um avanço da fabricante chinesa no Brasil, onde ela já fechou seu primeiro acordo de fornecimento, conforme publicado pela Reuters em meados de março.

Os esforços da Chesf para levar adiante o complexo de Casa Nova I vêm em meio a um trabalho da Eletrobras para acelerar obras e entregar uma série de projetos atrasados de suas subsidiárias.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, tem dito que a estatal pretende terminar até o final deste ano todas as obras em andamento nas subsidiárias do grupo, à exceção da usina nuclear de Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte.

Fonte: Rodrigo Viga Gaier | Reuters

Renováveis irão compor 85% da matriz energética global até 2050, aponta Irena

Relatório internacional afirmou que será preciso aumentar em pelo menos seis vezes a agilidade na adoção das fontes limpas para reduzir emissões e evitar a escalada de ativos ociosos. Crescimento será de 60%, com destaque para geração solar e eólica

Em sua fala durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, nesta terça-feira, 17 de abril, a Agência Internacional de Energia Renovável – Irena, apresentou o estudo Transformação Energética Global: Um Roteiro para 2050, no qual aborda possíveis rumos de evolução do mercado energético global para os próximos 32 anos. Nele são avaliadas algumas soluções para o setor com vistas à diminuição das emissões de carbono previstas pelo Acordo de Paris, que devem limitar o aumento da temperatura global em dois graus.

De acordo com o relatório, será necessário aumentar a velocidade de adoção das energias renováveis em escala mundial em pelo menos seis vezes, através da eletrificação dos transportes e dos sistemas de aquecimento, além da utilização mais direto das fontes limpas. Estes dois fatores são os principais impulsionadores descritos no levantamento, podendo atuar em mais de 90% das reduções necessárias de emissão de CO2 relacionadas à energia.

Assim, a análise da Irena delineia um cenário no qual as renováveis ​​respondam por dois terços do consumo final total de energia, com um crescimento de participação deste tipo de energia no setor – de 25%, em 2017, para 85%, até 2050, principalmente através do maior desenvolvimento da geração de energia solar e eólica.

“A energia renovável e a eficiência energética formam a base da solução mundial para as emissões de CO2 relacionadas à energia e podem fornecer mais de 90% das reduções de emissão de CO2 relacionadas à energia necessária para manter o aumento da temperatura global em dois graus”, destacou o Diretor Geral da Irena, Adnan Z. Amin, que ainda acrescentou: “Se quisermos descarbonizar a energia global com rapidez suficiente para evitar os impactos mais severos da mudança climática, as energias renováveis ​​devem representar pelo menos dois terços da energia total até 2050. A transformação não apenas apoiará objetivos climáticos, como também resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tirando milhões da pobreza energética, aumentando a independência energética e estimulando o crescimento sustentável do emprego”.

O estudo também concluiu que 30% a mais de investimentos em energia limpa e eficiência energética até 2050 podem criar mais de 19 milhões de empregos na área, número que superaria as perdas no segmento de combustíveis fósseis, que teriam 7,4 milhões de vagas suprimidas com a transformação. Assim, haveria um saldo positivo de 11,6 milhões de novos empregos em energia renovável, eficiência energética e melhoria da rede e flexibilidade energética.

A ação imediata também reduzirá a escala e o valor dos ativos ociosos relacionados à energia no futuro. O relatório prevê até US$ 11 trilhões de ativos de energia ociosos até 2050 – um valor que pode dobrar se a ação sofrer mais atrasos.

“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar ainda na nossa geração o paradigma de desenvolvimento global – passando de escassez, desigualdade e competição para a prosperidade compartilhada. Essa é uma oportunidade que devemos aproveitar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”, avaliou o Diretor.

O fato é que os planos atuais dos governos ficam muito aquém das necessidades de redução das emissões. Segundo a pesquisa, na atual conjuntura o mundo exauriria seu “orçamento de carbono” relacionado à energia para 2ºC em menos de 20 anos, apesar do contínuo e forte crescimento nas adições de capacidade renovável. No final do ano passado, por exemplo, a capacidade de geração renovável mundial aumentou em 167 GW e atingiu 2.179 GW em todo o mundo – um crescimento anual de 8,3%. No entanto, sem um aumento significativo de escala, os combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão continuarão a dominar a matriz energética global até 2050.

O alento é que essas transformações, pertinentes ao compromisso ambiental e sustentável, são técnica e economicamente viáveis, pois dependem de tecnologias seguras, confiáveis, acessíveis e amplamente disponíveis.  Ou seja, alternativas não faltam. Para mais informações, basta acessar o relatório no site da IRENA.

Fonte: Agência Canal Energia

Sandoval Feitosa Neto é indicado para diretoria da Aneel

 O presidente da República, Michel Temer, encaminhou para aprovação do Senado o nome de Sandoval Feitosa Neto para a vaga de diretor na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Sandoval responde atualmente pela superintendência de fiscalização dos serviços de eletricidade da autarquia.

Sandoval, cuja indicação foi publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial da União (DOU), é o segundo nome sugerido pelo Planalto para a diretoria da agência elétrica. O outro nome é o de Rodrigo Limp Nascimento, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, que já havia sido indicado no fim do ano passado.

O Senado ainda precisa sabatinar os dois indicados para depois votar a indicação no plenário da casa.

Hoje, a diretoria da Aneel está com apenas três das cinco vagas efetivamente ocupadas. Compõem a diretoria do órgão atualmente Romeu Rufino (diretor-geral), André Pepitone e Tiago Correia. Os três têm mandatos previstos para vencer em agosto de 2014. No caso de Tiago, cabe recondução.

Fonte: Rodrigo Polito | Valor

Vestas assume manutenção de parques eólicos da Queiroz Galvão

Empresa fechou contrato de serviços para operação e manutenção por 10 anos dos projetos com turbinas Suzlon

A fabricante dinamarquesa de equipamentos eólicos Vestas fechou um contrato para fornecer serviços de operação e manutenção a parques da Queiroz Galvão Energia no Brasil, disse nesta terça-feira o presidente da fornecedora no país, Rogério Zampronha.

O negócio vem após a saída do país da produtora indiana de máquinas Suzlon, que havia fornecido os equipamentos utilizados nas usinas eólicas da Queiroz Galvão. A empresa encerrou as atividades no Brasil em meados do ano passado.

“A Vestas fechou um contrato de serviços ‘full scope’ de 10 anos de duração para operação e manutenção dos projetos com turbinas Suzlon, da Queiroz Galvão Energia”, escreveu Zampronha em sua página no Linkedin.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Ceará é o primeiro estado a ter biogás injetado nos gasodutos da distribuidora estadual

Com a instalação da primeira estação de Gás Natural Renovável (GNR) em Fortaleza, o Ceará vai ampliar em 20% a oferta do produto pela Companhia de Gás do Ceará (Cegás) no Estado. A meta é expandir a capacidade da planta em 50%, em até dois anos, que hoje é de 100 mil m³/dia. O objetivo é que a produção diária chegue a 150 mil m³, tornando-se a maior estação do tipo no País. A usina GNR Fortaleza foi inaugurada ontem no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc).

O empreendimento é o primeiro do gênero no Norte Nordeste e é fruto de uma parceria entre o governo do Ceará, prefeitura de Fortaleza, Cegás e a GNR Fortaleza. A Cegás será a primeira distribuidora brasileira a injetar gás natural renovável na rede de gasodutos que fornece o produto para clientes industriais, comerciais, residenciais e veiculares.

A Cegás investiu R$ 22 milhões na construção de uma estação de transferência e de um gasoduto de 23 km que transporta o gás natural produzido no ASMOC (Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia), que diariamente recebe cerca de 3 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares. O projeto se adequa à Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada e sancionada em 2010.

O biogás é purificado e convertido em gás natural renovável pela GNR Fortaleza. Serão produzidos aproximadamente 84 mil m³ de biometano por dia, e, futuramente, a planta será ampliada para produzir até 150 mil m³ de gás diariamente, tornando-se, assim, a maior do país, até o momento, em volume de GNR especificado segundo as regras da Agencia Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP).

O gasoduto funciona desde dezembro passado e alimenta prioritariamente a Cerbrás, que foi homenageada na solenidade pela Cegás por ser a primeira indústria brasileira a usar gás natural renovável canalizado em seu processo produtivo. “Estamos muito orgulhosos dessa parceria e de usar um combustível limpo e eficaz”, disse Ana Mota, presidente da Cerbrás.

O governador Camilo Santana destacou o aspecto inovador da iniciativa. “Nós já somos, a partir de agora, a primeira unidade distribuidora. Esta é a única do Brasil que está entregando gás. A Cegás investiu mais de R$ 22 milhões para fazer o gás chegar até as empresas. Essa é a parceria, a ousadia e a inovação entre poder público e iniciativa privada. Ganha o meio ambiente, ganha a população e ganha também o setor produtivo”, afirmou.

O presidente da Cegás, Hugo Figueirêdo, ressaltou o impacto econômico do empreendimento. “É mais competitividade para o Ceará, mais benefício para as indústrias e uma grande redução de danos ao meio ambiente, seja através da redução das emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta, como também pelo estímulo ao uso de aterros de resíduos sólidos controlados, onde você evita a contaminação dos mananciais hídricos do Estado”, disse Hugo Figueirêdo.

Fonte: Divulgação/Governo do Ceará

‘Estudamos oportunidades de aquisição no Brasil’, diz presidente da Iberdrola

José Ignacio Galán afirma que está de olho na privatização da Eletrobras, mesmo com incerteza eleitoral

Controladora da Neoenergia, maior distribuidora de energia do Brasil (abastecendo 40 milhões de pessoas), a Iberdrola estuda oportunidades de negócios no país, como as que podem surgir no processo de privatização da Eletrobras, mesmo com o cenário incerto das eleições. É o que diz o presidente mundial do grupo espanhol, José Ignacio Galán, que pretende investir R$ 24 bilhões até 2022 no Brasil. A Neonergia é a maior empresa do setor no Brasil em número de clientes, são 13,6 milhões – abastecendo 40 milhões de pessoas. A empresa vai investir € 6 bilhões (R$ 24 bilhões) até 2022 no país. É uma parcela significativa dos € 32 bilhões que a empresa tem para o seu plano de investimentos global até 2022. Na sexta-feira, a empresa reuniu em Bilbao, ao Norte da Espanha, cerca de 1 mil pessoas em sua assembleia geral de acionistas.

Está em discussão no Brasil uma reforma do setor elétrico. Na sua opinião, o que deveria mudar?

Falar agora, a cinco meses das eleições… Vamos esperar o novo presidente. A reguladora (a Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica) tem regras claras, e as respeitamos. As revisões tarifárias são feitas num clima de diálogo. De forma transparente. A prioridade do Brasil agora não é mudar o modelo. Há outras coisas mais importantes no Brasil.

O resultado das eleições pode mudar planos de investimentos no Brasil?

Reitero que nosso compromisso é com os brasileiros, não com o governo. Quem elege o presidente são vocês. Nosso compromisso é manter as pessoas conectadas. O Brasil passou pela maior crise de sua história. Mas, nesta manhã (quinta-feira), reunido com meu Conselho, fiquei muito contente porque as agências ratificaram o rating do Brasil (nesta semana, uma das agências melhorou a perspectiva da nota). Apesar do ano eleitoral, as agências de rating acreditam no Brasil. Nós negociaremos com qualquer governo que for eleito. Nosso compromisso com o país está intacto.

Nosso ministro de Minas e Energia acabou de mudar (Moreira Franco assumiu a pasta)…

Do Brasil, conheci sete, oito ministros de Minas e Energia e diferentes presidentes (da República). Dilma (Rousseff) esteve na Espanha quando ministra de Minas antes de ser presidente. Tenho uma boa relacão com ela. O ex- presidente Lula esteve aqui, tive uma boa relação com Cardoso (Fernando Henrique). Faz parte do nosso mundo. Cremos e respeitamos em quem os cidadãos elegem.

Há intenção de fazer novas aquisições no país?

Estudaremos as oportunidades e sempre estamos abertos. Em 2017, houve leilões para linhas de transmissão e renováveis, e ganhamos vários projetos. Seguiremos nessa linha. Vai haver uma série de oportunidades com a privatização da Eletrobras, e, por certo, as estudaremos. Não somos especuladores financeiros. Estamos há 120 anos nos dedicando a produzir, distribuir e vender energia. Sabemos que passamos momentos bons e e ruins, que mudam os governos e as políticas, passamos por guerras civis (em outros países), mundiais, ditaduras e revoluções e nosso compromisso é seguir mantendo as pessoas conectadas.

O risco de um crescimento global menor pode prejudicar o plano de investimento global de € 32 bilhões até 2022?

Ano passado o PIB global teve crescimento na ordem dos 3%. A economia de 180 países cresceu. As previsões apontam para crescimento nos próximos anos em todas as regiões geográficas. Europa, EUA e Espanha têm crescimentos importantes, a América Latina segue crescendo. O México e o Brasil crescem. O horizonte é esse. Todos os aspectos relacionados ao meio ambiente estão causando uma maior eletrificacão da economia. Isso significa, de acordo com as cifras da Agência Internacional de Energia, 60% de incremento de demanda por energia elétrica nos próximos 20 anos por essa maior eletrificacação. O que vai demandar investimentos na ordem de US$ 20 trilhões em todo o mundo em redes, geração e transfomarção da geração atual por nova geração, sustentável. Um horizonte brilhante de demanda mundial de energia elétrica que demanda uma transformacão das fontes de geração em fontes sustentáveis, e mais linhas de transmissão de energia para poder chegar a todos os usuários. Milhões ainda não têm acesso à energia. Estamos num bom setor e num bom momento de demanda de energia no mundo.

Quanto desse investimento será no Brasil?

No Brasil ficarão 18% desse montante. Algo como € 6 bilhões. Fundamentalmente em distribuição, linhas novas de distribuição e de transmissão e algo pequeno de renovável, alguns novos parques eólicos que já estão em andamento. Também vamos colocar energia renovável no mercado livre. No Brasil temos 17 parques eólicos, sete centrais hidrelétricas e 580 mil quilômetros de linhas elétricas.

Investimento em energia solar, fotovoltaica, está muito longe no Brasil?

Não estamos por essa ou aquela tecnologia. Mas por aquela que é mais eficiente naquele momento. No México, por exemplo, há regiões com ventos constantes (boas para a eólica) e outras magníficas de sol (para a solar). O Brasil tem mais vento do que sol. Para energia solar, o Brasil é muito plano e chuvoso.

Foto: Daiane Costa | O Globo

 

Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

Além disso, o desenvolvimento do mercado de baterias de armazenamento tem aumentado a capacidade das fontes renováveis responderem às solicitações de rede para aumentar ou diminuir a geração de eletricidade a qualquer hora do dia, flexibilidade outrora garantida por usinas de carvão e gás.

Segundo a BNEF, as baterias independentes estão cada vez mais rentáveis ​​e começando a competir em preço com outras tecnologias. Desde 2010, os custos das baterias de íons de lítio para armazenamento caíram 79% desde 2010. Dados da consultoria indicam uma queda no preço de US$ 1.000 por kWh em 2010 para US$ 209 por kWh em 2017.

Segundo os analistas da BNEF, algumas usinas a carvão e gás existentes ainda exercerão um papel importante por muitos anos na matriz energética mundial, mas o “argumento econômico” para a construção de novas capacidades de carvão e gás está, claramente, perdendo espaço.

Fonte: Exame