Minas terá a maior planta de energia solar da América Latina

Minas Gerais terá, nos próximos três anos, a maior planta de energia solar da América Latina em Pirapora, no norte do estado. A empresa Sunew, inaugurada há menos de dois meses na capital mineira, é a única do país – e das Américas – a produzir células fotovoltaicas em material flexível em vez de placas rígidas. A célula é o dispositivo que capta a luz do sol e a transforma em energia elétrica.

A espanhola Solatio Energia é a maior investidora em energia solar do país. No último leilão de energia de reserva de 2015, realizado em novembro pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa investiu R$ 600 milhões na ampliação da capacidade do projeto da usina geradora de Pirapora. Somando esse valor ao que já investiu antes, a Solatio terá aplicado no empreendimento, que deve começar a gerar energia em 2018, mais de R$ 1,3 bilhão. A usina de Pirapora atingiu, com esse crescimento, uma capacidade de produção de 240 megawatts (MW).

Outro investimento que pode ser feito em Minas é a instalação de uma usina de energia fotovoltaica. A Cemig divulgou em agosto interesse em investir R$ 4 bilhões no projeto. “A Efficientia (empresa da Cemig) atua em projetos de geração distribuídas com fotovoltaica, como os condomínios em associação com o grupo Algar, em Uberlândia, e, na UniverCemig, a viabilização da conexão de usina solares à rede de empresas vencedoras do leilão de energia renovável”, diz o presidente da Efficientia, Alexandre Heringer.

Minas Gerais foi o primeiro Estado a criar incentivos fiscais para a cadeia produtiva da energia solar.

Imposto

Além de ser a unidade da federação com maior número de usinas de micro e minigeração distribuída do país, Minas produz, nesse segmento, mais que o dobro do segundo colocado, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Mesmo assim, o governo do Estado ainda não aderiu ao convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que mantém benefícios fiscais à cadeia produtiva da energia solar. “Minas perdeu a dianteira do incentivo para os Estados que já assinaram o convênio que garante a isenção do ICMS”, afirma o diretor executivo da Absolar, Rodrigo Lopes Sauaia.

Minas Gerais foi o primeiro Estado a criar incentivos fiscais para a cadeia produtiva da energia solar. “Hoje só garante a isenção por um período, mas os outros Estados garantem isenção pelo tempo de vida útil da usina, ou seja, 25 anos”, afirma Rodrigo Sauaia.

“Estamos lutando com o (governador) Pimentel para que seja assinado o convênio”, afirmou o deputado estadual Gil Pereira (PP), presidente da comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Vazante

Ano que vem. Em 2016 já deve começar a operar a usina solar no município de Vazante (Noroeste de Minas), segundo Gil Pereira. No ano seguinte, a usina de Pirapora também começará a operar.

Partes do Estado recebem mais luz até que o Nordeste.

A quantidade de sol recebida (insolação) em algumas regiões de Minas Gerais é maior que nos Estados do Nordeste, segundo o presidente da Efficientia, empresa de eficiência energética da Cemig, Alexandre Heringer Lisboa. “A radiação solar de Minas Gerais mostra um grande potencial para a implantação de sistemas solares fotovoltaicos”, afirma.

Segundo o deputado estadual Gil Pereira (PP), da comissão de Minas e Energia, a estrutura no entorno das usinas é fundamental. “Uma vantagem de Pirapora é que lá as linhas de transmissão já existem”, avalia. A Solatio, espanhola responsável pela usina de Pirapora, destaca a geografia, os diferenciais logísticos e a acessibilidade como fatores estratégicos na definição por investir no Estado.

Até teto de carro será gerador

A fachada de um prédio, o teto de um carro e a capa de um tablet irão se transformar em usinas geradoras de energia. Impossível? Não com a tecnologia desenvolvida pela empresa mineira Sunew. A Sunew desenvolve módulos fotovoltaicos orgânicos, um produto que, além do Brasil, só é feito na Alemanha, no Japão e na Coreia do Sul.

Flexíveis e leves, os painéis orgânicos (OPV) podem ser colocados onde as grandes e pesadas células fotovoltaicas não podem ser utilizadas. “O OPV não compete diretamente com o silício, ele é complementar”, explica o CEO da Sunew, Marcos Maciel. As aplicações do painel orgânico, porém, são mais amplas. “Uma célula de silício dura 25 anos; eu também consigo fabricar um produto com essa durabilidade, mas, dependendo do uso, não preciso. A capa de um tablet, por exemplo, não precisa de tanto tempo, e eu posso criar um material mais barato e menos durável”, explica Maciel.

Entre as vantagens também está o peso do OPV. “Enquanto uma célula de silício pesa 25 kg, o meu painel pesa 0,5 kg”, informa Maciel. “Por isso, posso desenvolver projetos, como estamos fazendo com a Fiat, para colocar painéis no teto dos carros”, conta. “Imagina deixar o carro no sol a uma temperatura de 30º. Se um ventilador ficar ligado, sendo alimentado pela energia solar, quando você voltar a temperatura dentro do carro vai estar muito mais amena”, explica.

Fonte: Terra

Ministério vai fatiar leilão de linhas de transmissão para atrair investidor

Em novembro, o ministro do MME, Eduardo Braga, chegou a declarar que seria realizado, de uma só tacada, um leilão de transmissão com investimentos estimados em R$ 14 bilhões, praticamente todo o volume de investimento que os leilões do setor conseguiram captar ao longo de 2015. O cenário econômico, no entanto, fez Braga voltar atrás.

Um grupo de trabalho do ministério se concentra agora na reestruturação desse leilão. O objetivo, basicamente, é separar aquilo que realmente é prioridade e precisa ser ofertado, daquilo que não tem tanta emergência. Paralelamente, os trechos previstos na oferta serão redimensionados para que trechos menores sejam colocados à disposição do mercado. Dessa forma, o governo quer atrair investidores menores.

No conjunto das mudanças, porém, Braga afastou a possibilidade de rever a taxa de retorno desses projetos, a qual, segundo ele, tem alcançado patamares de 17%. “A taxa de remuneração de capital está adequada para o momento do custo financeiro que estamos vivendo. Você tem uma inflação de 10% e uma remuneração de 17%, são 7% líquidos de remuneração”, comentou o ministro.

Estratégia. Inicialmente, o ministério planejava licitar mais de R$ 30 bilhões em projetos de transmissão ao longo de 2016. Braga admite que o cenário não é favorável para que isso se confirme. “Diante dessa situação, nós estamos revendo o primeiro leilão de transmissão. Ele estava muito grande para a atual situação macroeconômica. Era muita coisa, estava muito alto. Era um ponto completamente fora da curva”, disse o ministro.

Braga lembrou que o setor vinha contratando uma média de R$ 10 bilhões por ano em projetos de linhas de transmissão. Em 2015, mesmo com todas as dificuldades, foram assinados contratos no valor de R$ 15 bilhões. “A projeção de 2016 era dobrar esse volume, porque teríamos de reforçar as linhas estruturantes apoiando grandes hidrelétricas e, ao mesmo, ter capilaridade em função da geração de renováveis e energia distribuída, mas essa conta não vai fechar se for desse jeito.”

Revisão. Segundo o ministro, a revisão dos projetos deverá repassar parte dos trechos de transmissão para geradores de usinas solares e eólicas. A ideia é que, em vez dessas usinas instalarem apenas um ponto de conexão até as redes, passem a levar sua geração efetivamente até os principais pontos de entrega, ou seja, elas passariam a fazer parte desses projetos e seriam remuneradas por eles.

“Boa parte dos leilões de eólica e solar vai ter de envolver a entrega de energia onde nós temos estruturas prontas. Eles têm de entregar energia para nós em determinado lugar, vão ter de trazer essa linha. Isso está em fase de elaboração, há um grupo de trabalho debruçado sobre isso”, disse o ministro.

Fonte: ANDRÉ BORGES | O ESTADO DE S. PAULO

Governo remarca leilão A-5 para 31 de março de 2016

O Ministério de Minas e Energia publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 21 de dezembro, a Portaria nº 542 alterando a data da realização do leilão A-5 para 31 de março de 2016. Essa é a segunda vez que o governo posterga o cronograma do certame – primeiramente previsto para 29 de janeiro e depois remarcado para 5 de fevereiro.
No leilão, serão negociados contratos com início de suprimento em 1° de janeiro de 2020, com prazos de 30 anos na modalidade por quantidade, para empreendimentos a partir de fonte hidrelétrica; 25 anos na modalidade por disponibilidade, para usinas termelétricas a carvão ou biomassa; e 20 anos na modalidade por disponibilidade, para empreendimentos de geração a gás natural em ciclo combinado e para usinas a partir de fonte eólica.
De acordo com o MME, as alterações de data foram motivadas “por pedidos dos interessados de ajuste de prazos para entrega de diversos documentos relacionados ao leilão, que tiveram prazo menor devido ao período de fim de ano”. O prazo para entrega de documentação para fins de cadastramento e habilitação técnica junto à Empresa de Pesquisa Energética é até as 12 horas do dia 30 de dezembro de 2015.
Segundo a nova redação, poderão participar do leilão A-5 os empreendimentos de geração que tenham obtido outorga licitada nos termos da Lei no 10.848, de 15 de março de 2004, ou de autorização, desde que não tenham entrado em operação comercial até 31 de março de 2015. Excepcionalmente, os empreendedores que pretenderem propor a inclusão de projetos termelétricos deverão protocolar na EPE, até as 12 horas do dia 1º de fevereiro de 2016, os documentos de comprovação da disponibilidade de combustível para a operação contínua.
Também exclusivamente para este certame, a EPE poderá habilitar tecnicamente os empreendimentos hidrelétricos para os quais não sejam apresentadas a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica – DRDH, emitida pelo órgão competente; ou a Licença emitida pelo órgão ambiental competente em conformidade com a legislação ambiental. A habilitação técnica será considerada condicional e perderá a validade na hipótese de os documentos previstos não serem protocolados na EPE até as 12 horas do dia 15 de fevereiro de 2016, ou se a documentação apresentada implicar alteração dos dados e das características técnicas do projeto habilitado.
A portaria posterga os seguintes prazos:
a) Apresentação de Licença Ambiental e Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica – DRDH, para empreendimentos hidrelétricos: até o dia 15 de fevereiro de 2016;
b) Protocolo de documentos para comprovação da disponibilidade de combustível, para empreendimentos termelétricos: até o dia 1º de fevereiro de 2016.
c) Os agentes de distribuição deverão retificar ou ratificar as Declarações de Necessidades para o certame até o dia 16 de março.
Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Planejamento e Expansão

Aneel libera operação comercial de complexos eólicos no Piauí e em Pernambuco

A Agência Nacional de Energia Elétrica liberou nesta sexta-feira, 18 de dezembro, o início da operação comercial dos complexos eólicos Ventos de Santa Joana e Ventos de Santo Onofre, que ficam localizadas no Piauí. Nas EOLs Ventos de Santo Onofre I, II e III, a Aneel autorizou 15 aerogeradores em cada parque, que totalizam 90 MW.  Nas EOLs Ventos de Santa Joana II, VI, VIII e XIV o aval também foi para 15 unidades em cada parque que juntas somam 120 MW.

A Aneel também liberou a operação comercial no complexo eólico Serra das Vacas, em Pernambuco. As EOLs Serra das Vacas I, II, III e IV tiveram 53 unidades liberadas, que somam 90,7 MW. Já a PCH Cantú 2, que fica em Nova Cantú e Laranjal, no Paraná, já pode operar em teste as unidades UG1, UG2 e UG3, que tem potência de 6 MW cada uma.

Fonte: Canal Energia

“O ano foi radiante para a energia solar e 2016 será acelerado”

Entrevista – Rodrigo Sauaia
diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

Fernando Domingo
Repórter

“Até 2024, a expectativa é que o setor (de energia solar fotovoltaica) tenha 7 gigawatts de projetos em operação. E, isto representará, mais ou menos, 4% da matriz energética brasileira”, garante o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, ao ser indagado sobre a participação futura do segmento na geração de energia no Brasil. Tal estimativa, inclusive, demonstra um crescimento significativo, frente aos atuais 0,02% de potencia operando.

Em passagem por Natal esta semana, onde participou do Fórum Estadual de Energia do RN, Rodrigo Sauaia destacou, também, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o interesse do Rio Grande do Norte no setor solar fotovoltaico, com projetos em leilões de energia e a decisão do Governo Estadual em assinar o convênio ICMS 16-2015, que reduz o imposto para a energia da micro e minigeração, ainda não regulamentado. “É uma questão do Estado tomar a liderança, estabelecendo incentivos e reduzindo barreiras”, pontuou.

Ainda de acordo com ele, 2015 deve fechar como “um ano radiante” para o setor solar fotovoltaico. “A gente teve um crescimento na ordem de 300% para o segmento de micro e minigeração. E, ao mesmo tempo, nos projetos de grande porte, das usinas solares, onde tivemos um pouco mais de R$ 8 bilhões em contratações até 2018. Um investimento que vai ser concretizado e expressivo anti os R$ 4 bilhões do ano passado”, analisou.

Rodrigo Sauaia - diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). (Foto: Junior Santos)

Rodrigo Sauaia – diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). (Foto: Junior Santos)

Qual o balanço de 2015 para o setor de energia solar no Brasil?
Esse ano foi, sem sombra de dúvidas, um ano radiante para o setor solar fotovoltaico. Uma vez que a gente teve, ao longo de 2015, um crescimento da ordem de 300% para o segmento de micro e minigeração, de pequeno e médio porte instalado em residências, comércios e indústrias.  E, ao mesmo tempo, nos projetos de grande porte, das usinas solares fotovoltaicas, tivemos um pouco mais de R$ 8 bilhões em contratações até 2018. Um investimento que vai ser concretizado. Isto representa também um aumento expressivo ante os mais de R$ 4 bilhões do ano passado. De fato, foi um ano muito positivo para o setor.

O setor teve outros ganhos, além do financeiro?
A gente teve também esse ano a revisão, a atualização, da chamada resolução normativa 482, de 2012, da micro e minigeração, e que vai permitir, a partir de março de 2016, a criação de novos modelos de negócio, a participação de mais pessoas e empresas, usando energia solar fotovoltaica no seu dia a dia. Esse ano tivemos ainda, do ponto de vista global, um avanço muito importante para a fonte solar fotovoltaica que é o acordo climático da COP21, onde mais de 190 países se reuniram e pactuaram uma transição da economia mundial para uma economia de baixo carbono. Da qual a energia solar fotovoltaica certamente será parte integrante dessa solução.

O Rio Grande do Norte seguiu esta mesma linha de crescimento?
O Rio Grande do Norte começou a participar agora, e, teve projetos contratados no leilão de energia solar fotovoltaica recentemente realizado. Isso significa que até 2018 teremos aqui projetos de energia solar fotovoltaica em operação no Estado. Além disso, o Estado está entre as dez unidades federativas com maior investimento em micro e minigeração. E, o Governo Estadual já aderiu ao convênio ICMS 16-2015, reduzindo o imposto sobre a energia da micro e minigeração. Falta agora, no entanto, que o Governador assine e, digamos, formalize essa adesão, através de um decreto que precisa ser publicado em Diário Oficial. Essa é uma expectativa que o setor tem ainda para o curto prazo.

Em relação aos R$ 8 bilhões que estão contratados até 2018, não há riscos destes investimentos serem afetados pela atual conjuntura econômica do país?
Não. Os preços dos projetos que foram contratados neste ano, são considerados preços realistas. Eles já foram reajustados pela alta do dólar, então, o próprio Governo Federal tomou o cuidado de revisar o seu preço de contratação da energia e os empreendedores também estão bem conscientes do cenário atual da economia brasileira e dos cenários nos próximos anos. Eles mantiveram seus preços em patamares adequados para que estes projetos saiam do papel e sejam, de fato, construídos.

A conclusão dos projetos é exclusiva de quem contratou?
A responsabilidade é dos empreendedores. Então, não existe chance desse projeto não entrar em operação e os empreendedores terem algum benefício com isso. É o contrário. Se eles não tiverem, não cumprirem com a sua parte do contrato, eles seriam penalizados por isso.  Logo, é do melhor interesse dos empreendedores e do setor fazer com que estes projetos cheguem à conclusão. Se tornem realidade.

Apesar da situação econômica do país, com este crescimento, então, o impacto financeiro vai ser positivo?
Sim. O impacto vai ser positivo uma vez que a energia solar fotovoltaica vai entrar, substituindo energia termoelétrica a custos mais elevado, que são utilizados pelas nossas termoelétricas de apoio do sistema e que tem operado, praticamente, em período integral. Então, vamos ter um benefício econômico. Ao mesmo tempo, a gente vai ter um benefício ambiental, uma vez que o impacto e a emissão de gases e de material particulado no nosso país será reduzido. E um benefício social importante, através da geração de novos empregos e possibilidade de desenvolvimento de uma nova cadeia produtiva no Brasil, de equipamentos e produtos de energia solar fotovoltaica.

O quanto o setor já empregou até hoje? E ainda pode empregar com os novos investimentos?
Estes são números um pouco difíceis de se conseguir. Mas uma usina fotovoltaica, para cada megawatt instalado por ano, ela gera, praticamente, mil empregos diretos. Quanto a empregos indiretos eles chegam a ser 3x mais que os diretos gerados. Isso significa que é um dos setores de energia elétrica que mais emprega para cada megawatts instalado por ano.

Com o que foi contratado nos últimos leilões, quanto deve ser a geração futura de empregos?
Se vão ser, mais ou menos, dois mil megawatts instalados em 2017, que foram os projetos contratados em 2014 e 2015. E, para o último leilão agora, mais mil megawatts, a gente vai ter uma geração de empregos na ordem de 30 mil, no processo de instalação desses sistemas. Por isso mesmo, a Absolar recomenda ao Governo Federal que, no ano seguinte, faça mais um leilão. Para contratar projetos para 2018, complementando o volume contratado, que atualmente está em 1 gigawatt, para 2 gigawatts. E, faça leilões para 2019, permitindo planejar os empregos desse ano subsequente.

O retorno financeiro e a manutenção destes empregos, pela situação econômica do país, pode ser diminuído a curto prazo?
Ao mesmo tempo que tivemos no país uma alta do dólar, que impacta negativamente a competitividade da energia solar fotovoltaica, nós tivemos também um aumento muito elevado da tarifa de energia elétrica. Na média nacional, é mais ou menos 50% esse incremento. Por conta disso, o impacto acabou sendo positivo. A nossa fonte continua reduzindo preço dos equipamentos e aumentando a sua eficiência. Então, quando a gente compara 2014 e 2015, a energia solar fotovoltaica, na verdade, tornou-se mais competitiva.

Em entrevistas passadas, o Sr. Afirmou que o setor chegaria a representar 1% da matriz energética brasileira com os projetos contratados. Essa projeção continua?
Eu tenho projeções mais atualizadas e, até 2024, a nossa expectativa é que o setor tenha 7 gigawatts de projetos em operação. Já construídos e gerando energia para o país. E, isto representará, mais ou menos, 4% da matriz energética brasileira. Somado a isso, também teremos um número grande de sistemas de micro e minigeração, que vão contribuir para reduzir o consumo de energia elétrica nas cidades, através dessa geração local e em cima do ponto de consumo.

O Governo do RN adotou o convênio  ICMS 16-2015, mas, ele ainda não está em operação. Nos Estados que isto já ocorre, na prática, tem sido benéfico?
Em São Paulo, no Ceará, em Pernambuco e no Tocantins, esses convênios já foram ratificados, através de um decreto estadual.  Na prática, a população e as empresas são isentas do recolhimento de ICMS na micro e minigeração. Eles já não pagam mais imposto sobre o que eles geram em seu próprio telhado e compensam com seu consumo. E, é fundamental que o Rio Grande do Norte faça a mesma coisa, para que a população tenha acesso a este benefício.

A maior demanda potiguar de energia solar fotovoltaica ainda é de empresas. Quais os fatores para isto?
Na verdade, por volta de 70% de todos os sistemas instalados no país, de micro e minigeração, são residenciais. Em número de sistemas. Em termos de potência, as empresas ainda representam um volume importante porque tem uma demanda de energia maior, então, seus sistemas são maiores. Mas, vemos que há um interesse grande tanto da pessoa física, porque possuem a tarifa mais cara e onde compensa mais rápido gerar sua própria energia, quanto das empresas, porque buscam sempre competitividade e tem, muitas vezes, acessos a linhas de financiamentos mais adequadas. Cada uma tem o seu diferencial.

Assim como na Energia Eólica, tem se visto um alto investimento no Piauí e na Bahia, até nos próprios leilões, com o número de projetos contratados. O RN está ficando para trás?
De forma alguma. Na realidade, o Rio Grande do Norte ele entra agora, como um Estado interessado em desenvolver energia solar. Ainda é muito cedo para dizer quem é a liderança de energia solar fotovoltaica no Brasil. Na prática, todos os Estados que tiverem interesse em se tornar referência nesse segmento podem, porque esse é um recurso muito bem distribuído no país. Diferentemente de outras fontes onde o recursos é muito concentrado em determinadas regiões. Na solar, o Brasil inteiro pode desenvolver sistemas com grande potencial. Por isso, é mais uma questão do Governo Estadual tomar a liderança, estabelecendo incentivos e reduzindo bareiras para o desenvolvimento da tecnologia, como reduções tributárias, condições de financiamento adequadas, um programa estadual de fomento à geração distribuída e ainda dar o exemplo, instalando em seus prédios públicos, e ter condições de se tornar referência no setor.

No RN, a Absolar enxerga quais limitações?
Felizmente, para a energia solar fotovoltaica, os equipamentos são muito modulares e eles podem ser facilmente transportados. Isso é muito simples. Então, não existe uma complexidade logística. O que a gente ainda precisa avaliar e melhorar são algumas questões de incentivo, como já mencionei, a questão tributária, que é um gargalo,  e também um envolvimento maior dos órgãos de licenciamento ambiental, para os projetos de maior porte, para que seja realizado de uma forma profissional, mas, célere. Rápida. Para que isso não cause um aumento de custo ao empreendedores.

Para 2016, o que podemos esperar?
Esse foi um ano, de fato, muito importante para o setor, muito positivo. E, a nossa expectativa para 2016, na verdade, é que a micro e minigeração continue acelerando seu crescimento, o mesmo para a geração distribuída e na centralizada recomendamos que o Governo Federal promova dois leilões. Um para 2018 e outro para 2019. Com isso, acreditamos que seja possível contratar um volume da ordem de gigawatts.

Quem
Rodrigo Sauaia tem 31 anos  e é diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Formação
Graduação em Química pela USP, mestrado em Energias Renováveis no Reino Unido e na Suiça, e doutorado em Energias Renováveis, com foco em Engenharia de Materiais e Energia Solar Fotovoltaica, pela PUC-RS e pelo Instituto Grael Hoffen, da Alemanha.

Fórum
Sauaia também falou sobre o crescimento da energia solar no Brasil durante o  Fórum Estadual de Energia do RN, em que foram destaques, ainda, a expansão e os desafios da energia eólica em áreas como capacitação profissional e inovação tecnológica. O Fórum foi uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e das Comissões de Energia e de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RN e contou, entre outros, com o apoio do IBP, ABEEólica, Sebrae-RN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN – Seern, CTGás-ER e do Governo do Estado.

Fonte: Fernando Domingo | Tribuna do Norte

Eólica da CPFL Renováveis é enquadrada no Reidi

O Ministério de Minas e Energia aprovou o enquadramento do projeto eólico Pedra Cheirosa, de propriedade da CPFL Renováveis, no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura – Reidi. O parque no Ceará terá 13 aerogeradores de 2MW cada, totalizando 26 MW de capacidade instalada.

O sistema de transmissão de interesse restrito será constituído de uma subestação elevadora (34,5/230 kV) junto à usina, e uma linha de transmissão em 230 kV, com cerca de 130 quilômetros de extensão, circuito simples, interligando a subestação elevadora à subestação Sobral III, de propriedade da Chesf.

A informação está publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 15 de dezembro. Os investimentos sem os encargos PIS/Cofins são de R$ 123,686 milhões e as obras irão de 1º de abril de 2016 até 1º de setembro de 2017.

Fonte: Da Agência CanalEnergia, Regulação e Política

Projeto prevê investimento privado de R$ 100 bi em energia solar até 2030

O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou, nesta terça-feira (15), um plano de estímulo para atrair R$ 100 bilhões em investimentos privados para a geração de energia solar até 2030. A meta do Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD) é incentivar 2,7 milhões de casas, comércios, indústrias e unidades agrícolas a instalarem painéis solares para gerar48 milhões de megawatts/hora (MWh) por ano. Isso equivale à metade do que a usina hidrelétrica de Itaipu gera anualmente.

O investimento na estrutura necessária para cada MWh solar deve gerar de 25 a 30 empregos. “Estamos propondo um avanço importantíssimo e ousado de cobrir 1 milhão de telhados por ano com painéis fotovoltaicos”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

Iniciativa equivale à metade do que a hidrelétrica de Itaipu gera anualmente

Iniciativa equivale à metade do que a hidrelétrica de Itaipu gera anualmente

O plano prevê que, com essa iniciativa, o Brasil poderá deixar de emitir ao ano 29 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²), o principal causador do aquecimento global. Com isso, o País deve cumprir parte do objetivo de reduzir em 43% as emissões brasileiras, conforme acordo assumido na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), realizada na semana passada, em Paris.

O governo dará incentivos para atrair investimentos ao setor. Entre eles, a isenção de ICMS sobre a energia gerada em pequenas instalações solares de residências. A isenção foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e já tem adesão de seis Estados (Ceará, Goiás, Rio Grande do Norte, Tocantins, São Paulo e Pernambuco).

As residências que produzirem energia solar também vão gerar crédito para pagar a conta de luz quando houver excedente. “Acreditamos que os objetivos do plano só serão alcançados se tivermos o apoio de todas as distribuidoras e comercializadoras de energia”, observou Braga.

Está em estudo a possibilidade de a energia excedente do consumidor doméstico e de menor porte ser revendida no mercado livre, o que pode representar renda adicional para as famílias.

O governo também irá reduzir de 14% para 2% alíquota do Imposto de Importação incidente sobre bens de capital e equipamentos usados na geração solar. O objetivo é que isso estimule o desenvolvimento acelerado da indústria solar no País, como ocorre com a eólica. “Se nós estamos falando de um ano no PIB e na macroeconomia, nós estamos testemunhando o início de um novo case energético e macroeconômico, como tem sido o sucesso da geração eólica”, observou o ministro.

Braga disse que o programa lançado nesta terça-feira pode criar novas atividades econômica no País. “Se você tem uma propriedade, uma grande área, você pode atrair uma comercializadora, que pode propor um empreendimento para que ela compre energia. Ou seja, ao invés de ter um custo de geração de energia, você pode ter um ativo. Essa é uma atividade nova na economia brasileira”, afirmou.

Inovação

O ProGD prevê a instalação de painéis solares flutuantes nos reservatórios das usinas hidrelétricas de Balbina, no Amazonas, e em Sobradinho, na Bahia. Serão investidos R$ 100 milhões nesses projetos, que serão desenvolvidos pela Eletronorte e Cesf entre 2016 e 2019.

De acordo com Braga, o objetivo do projeto é calcular “impacto na medição de evaporação dos lagos das hidrelétricas”, ou seja, como a cobertura dos reservatórios pode afetar a geração de chuvas. Caso o impacto seja positivo, as hidrelétricas poderão também gerar energia solar.

Outro projeto piloto será a instalação de painéis no próprio Ministério de Minas e Energia. Para isso, será utilizado equipamento de R$ 500 mil doado pela Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). Serão 256 módulos com capacidade para gerar 56 kWp (de Watt-pico), o que deve reduzir em R$ 70 mil por ano na conta de luz do ministério.

Já o BNDES deve criar novas linhas de crédito e ampliar as já existentes para que universidades, escolas técnicas federais e hospitais adotem a tecnologia solar.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia

FEERN 2015 encerra com definição de desafios para 2016

Energias renováveis, capacitação profissional e inovação tecnológica foram os principais temas debatidos na tarde desta segunda-feira (14), durante a terceira edição do Fórum Estadual de Energia do RN. Autoridades e especialistas estiveram reunidos no auditório da Assembleia Legislativa do Estado para apresentar ao público um panorama atualizado do setor energético e as perspectivas para qualificação de mão de obra e mercado.

IMG_9114Energia Eólica
Mediado pelo Diretor presidente do CERNE e Presidente do SEERN, Jean-Paul Prates,  o debate tratou da consolidação e dos avanços necessários ao segmento para que o RN mantenha a liderança nacional.  O diretor técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Sandro Yamamoto, destacou a grande competitividade da fonte no Brasil. “A indústria dos ventos movimenta anualmente em torno de R$ 12 a R$ 18 bilhões de reais e projeta, até 2019, um crescimento de 250% , com a geração de 200 mil novos postos de trabalho”, disse Yamamoto, ressaltando ainda que a participação da fonte eólica na matriz elétrica brasileira, que hoje corresponde a 5%,  deve dobrar nos próximos cinco anos.
A infraestrutura de transmissão de energia foi o tema abordado pelo Gerente Executivo do Operador Nacional do Sistema (ONS), Saulo Cisneiros. Ele relatou as dificuldades enfrentadas pela falta de linhas de transmissão, problema vivenciado principalmente pelos parques eólicos. Cisneiros apontou alternativas como, por exemplo, a antecipação do planejamento, com a implantação de novas linhas de transmissão em áreas de alto potencial de instalação de parques eólicos, além da simplificação do processo de licenciamento ambiental.
O vice presidente do Sistema FIERN, Sergio Azevedo, falou sobre os  desafios da construção, operação e manutenção de parque eólicos no Rio Grande do Norte e destacou medidas socio ambientais como principais beneficios para a expansão do setor e o desenvolvimento econômico das comunidades que margeiam os empreendimentos.  E o coordenador de gestão de dados e estatísticas do CERNE, João Agra, mostrou o panorama eólico no Estado e apresentou dados estatísticos atualizados. Atualmente, o RN é líder no número de aerogerIMG_9116adores com 1.257 turbinas eólicas em funcionamento, sendo a maior parte, 371 (29,5%), da fabricante GE. Hoje o Estado conta com 87 parques eólicos em operação e tem 81,6% da matriz elétrica potiguar formada por energia eólica, sendo esta a maior participação em todo o país.

Capacitação e inovação
A professora da Universidade Potiguar (UnP) Ana Katarina Galvão, destacou o mercado profissional voltado para as energias renováveis e apresentou dados de uma pesquisa mostrando que as profissões envolvendo as novas engenharias terão um futuro promissor no setor energético.  Já o diretor de tecnologias do CT-Gas ER, Pedro Neto Nogueira, ressaltou o investimento do Centro em ações profissionalizantes que buscam atender à demanda das empresas, principalmente de energias renováveis, por mão de obra qualificada.  Para o reitor do IFRN, Belchior Neto, “é preciso unir forças para impulsionar a capacitação profissional e atender a esse mercado promissor”.   Representada pelo professor Graco Vianna, a UFRN trouxe para o FEERN 2015 uma apresentação sobre o  o cultivo de microalgas para a geração de combustíveis. As microalgas são consideradas uma das alternativas sustentáveis mais promissoras da atualidade.

Cosern
O convidado especial,  Diretor presidente da COSERN Luiz Antonio Ciarlini, mostrou em gráficos e tabelas o cenário da distribuição e do consumo de energia elétrica no RN.  Ciarlini também falou sobre a estrutura da empresa e explicou o panorama previsto para os próximos anos.

IMG_9117Energia solar 
Destaque para  o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR) Rodrigo Sauaia, que  mostrou o crescimento do setor fotovoltaico no país. “A instalação de sistemas fotovoltaicos cresceu 80% no primeiro semestre de 2015, passando de 350 para 650 instalações no Brasil. A expectativa do setor é que até o final do ano o segmento atinja um incremento de aproximadamente 300%”, enfatizou Sauaia.  No RN,  a maior procura é para uso no comércio e na indústria, entretanto um dos maiores desafios, segundo Sauaia, é tornar esses investimentos em mini e micro geração viáveis e atrativos. Uma das soluções apontadas são os incentivos fiscais, entre eles a desoneração do ICMS.  A atratividade da energia solar fotovoltaica em projetos residenciais e industriais também foi tema da apresentação de Josemberg Rocha Jr da Enerwind Engenharia. Rocha Jr. demonstrou com gráficos a evolução econômico-financeira de um projeto solar fotovoltaico e de que forma os créditos retornam para o consumidor.

Liberação para operação comercial prossegue nos parques da Voltalia

Fonte: CERNE Press

A Agência Nacional e Energia Elétrica (ANEEL), liberou para entrada em operação comercial nesta quinta-feira (10/12), os seguintes aerogeradores de três parques eólicos listados abaixo:

Parque eólico Caiçara I – UG1 de 3MW

Parque eólico Junco I – UG1, UG2 e UG7 = 9MW

Parque eólico Junco II – UG2 e UG6 = 6MW

Há dois dias, a ANEEL já tinha liberado 45 MW de potência eólica instalada nos seguintes parques: Caiçara I, Caiçara II, Junco I e Junco II. Todos formam o Complexo Eólico Vamcruz. Os empreendimentos são de propriedade da empresa francesa Voltalia e estão instalados no município de Serra do Mel.

Mais 45 MW entram em operação comercial no RN

Fonte: CERNE Press

Nesta quarta-feira (09) entrou em operação comercial no estado do Rio Grande do Norte as respectivas quantidades de aerogeradores de quatro parques eólicos listados abaixo:

Parque Eólico Caiçara I:  3 aerogeradores, somando 9MW

Parque Eólico Caiçara II: 5 aerogeradores, somando 15MW

Parque Eólico Junco I: 3 aerogeradores, somando 9MW

Parque Eólico Junco II: 4 aerogeradores, somando 12MW

Ao total, são 45 MW de potência eólica instalada que agora somam-se aos outros 24MW que entraram em operação no último dia 05 de dezembro. O resultado alcança um total de 69 MW, dos 93 MW que formam o complexo Eólico Vamcruz.

O empreendimento é composto pelos parques Caiçara I, Caiçara II, Junco I e Junco II. Os parques estão situados no município de Serra do Mel e são de propriedade da francesa Voltalia.

Potência eólica instalada aumenta 24MW no RN

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia
A Voltalia, em parceria com a Chesf e o grupo Encalso, colocou em funcionamento os primeiros aerogeradores no Complexo Eólico Vamcruz, no município de Serra do Mel (RN). Eles estão ligados ao sistema interligado nacional por meio de uma linha de transmissão de 62 km que se conecta na Subestação de Mossoró II. A entrada em operação comercial se deu na  sexta feira (05/12). Ao todo,  24 MW de potência eólica foram instalados.
Confira a configuração dessa nova entrada em operação:
  • Parque Eólico Caiçara I :  4 aerogeradores, somando  12 MW
  • Parque Eólico Junco I: 2 aerogeradores, somando 6 MW
  • Parque Eólico Junco II: 2 aerogeradores, somando 6 MW
A Voltalia já possui um complexo em Areia Branca (RN), com 90 MW de capacidade instalada, em operação comercial desde novembro de 2014; e outro complexo em São Miguel do Gostoso (RN), em parceria com a Copel, com capacidade instalada de 108 MW.

Dependente de hidrelétricas, Brasil quer mais energias renováveis

Fonte: Isabela Vieira | Agência Brasil

Para a conferência que discute o futuro do planeta, em Paris, a COP21, o Brasil leva a meta de aumentar de 28% para 33% até 2030 as fontes renováveis de energia, como eólica, solar, biomassa, entre elas o etanol, na matriz energética. A meta desconsidera as hidrelétricas que, embora sejam renováveis, causam impacto ambiental e social por causa das barragens.

A proposta tem o objetivo de reduzir o uso do carvão e de combustíveis derivados do petróleo, como o diesel, a gasolina e o querosene. Utilizados em aviões, caminhões, carros e nas usinas termelétricas – para geração de eletricidade –, são considerados vilões do efeito estufa, por liberar gás carbônico na atmosfera. Na 21ª Conferência das Parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai até 11 de dezembro, é esperado um acordo para diminuir os incentivos governamentais a esses combustíveis, os chamados subsídios.

De acordo com a organização não governamental (ONG) Greenpeace, a meta do Brasil de ampliar a oferta de energias renováveis, desconsiderando as hidrelétricas, é acertada, mas pouco ambiciosa. Para a ONG, o ritmo natural de crescimento dessas energias no país já é maior do que a meta do governo. “É uma lógica parecida com o compromisso pela redução do desmatamento, apresentam uma meta mais fácil de cumprir para depois dizer que superou”, diz o coordenador da Campanha Clima e Energia, Ricardo Baitelo.

Para o ativista, o governo considera que haverá um aumento da demanda de energia e, dentro desse aumento, se prepara para oferecer fontes renováveis, por exemplo. “Esse número do governo [de 28% para 33%] significa que o Brasil terá 3 mil megawatts por ano a mais em novas [energias] renováveis e acreditamos que o Brasil poderia ter 4 mil”, destacou.

Hoje o Brasil tem produzido energia elétrica de fato, principalmente por meio de usinas hidrelétricas. Junto com as fontes fósseis, as usinas são responsáveis por 83% do total da eletricidade gerada no país, bem mais que os 16% gerados pelas novas renováveis. Com a meta anunciada pelo governo, a previsão é que as fontes limpas em 2024 gerem 28% da eletricidade, sendo 3% solar, também chamada fotovoltaica, e 12% de energia eólica.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a eletricidade produzida pelo sol e pelos ventos era insignificante em 2004. Dez anos depois, por meio de financiamento estatal aliado à queda de preços dos equipamentos, a energia eólica chegou a 5% do total da eletricidade gerada em 2014, embora a energia fotovoltaica ainda estivesse engatinhando (0,02%).

Energia eólica

De acordo com a presidenta executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, por ser uma fonte não poluente, a produção dessa energia é uma tendência mundial. No Brasil, com as condições naturais favoráveis, a vantagem é ainda maior.

“Segundo fabricantes de equipamentos, o Brasil tem o melhor vento do mundo para a produção de energia eólica”, afirmou Elbia. A produtividade por máquina no país, acrescentou, também está acima da média europeia e americana, o que favorece a redução de custos. Ela acredita que o país já tem experiência para ampliar a produção no setor.

Renováveis dependem de financiamento

Como a COP21 em Paris está no começo, o Greenpeace acha que é cedo para delinear acordos na área de energia. A entidade, que acompanha as negociações, conta que países têm discutido como aumentar a oferta, mas sem uma solução global. “Estamos vendo, pelo discurso dos chefes de Estado, que essa é uma preocupação acima da média, com a Índia liderando. A raiz do problema é como trazer investimentos para fazer a transição [para energia limpa]”, disse Baitelo.

Foto: Agência Brasil/Arquivo