RN investe R$ 5,5 bilhões em renováveis em 2025, mas ritmo é menor que em anos anteriores

Dados da SEDEC mostram peso econômico do setor e alertam para desafios estruturais da expansão

Os dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (SEDEC-RN), no Balanço do Setor Elétrico 2025, mostram que o estado encerrou o ano com uma matriz elétrica fortemente baseada em fontes renováveis, que representam mais de 98% da potência instalada em operação. A energia eólica segue como principal destaque, com mais de 10,6 GW instalados, mantendo o RN na liderança nacional do segmento, enquanto a fonte solar amplia sua participação e diversifica o perfil da expansão recente.

Apesar da posição de destaque, o balanço revela um ritmo mais moderado na implantação de novos projetos eólicos em relação a anos anteriores. Entre os fatores associados estão os gargalos na infraestrutura de transmissão, as restrições operativas (curtailment) e a desaceleração dos investimentos, em um ambiente marcado por incertezas regulatórias e limitações do sistema elétrico.

Segundo o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Darlan Santos, os números indicam que o desafio do setor deixou de ser apenas a expansão da geração. “O atual desafio é desenvolver ações estratégicas para o uso da energia no estado e não focar apenas na exportação, criando condições para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas baseadas em energias renováveis.”

Darlan Santos acrescenta que, nos últimos anos, a agenda estadual esteve concentrada principalmente na ampliação da capacidade de transmissão e na superação de seus gargalos. “Com um olhar voltado para o futuro, o governo deve elaborar projetos e ações de atração de investimentos eletrointensivos, como nas cadeias de mineração, data centers e hidrogênio verde”, afirma.

Em 2025, os investimentos em novos projetos eólicos e solares no estado somaram R$ 5,5 bilhões, valor inferior ao observado em 2024. Ainda assim, o setor manteve peso relevante na economia potiguar, com a geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos na fase de implantação dos empreendimentos.

Para Darlan Santos, a leitura dos dados aponta para a necessidade de decisões estruturantes. “Mesmo com investimentos relevantes, a análise de tendência indica que, nos próximos anos, poderá haver um menor fluxo de aportes, uma vez que os efeitos do curtailment devem ser sentidos pelos investidores por pelo menos mais dois ciclos. Caso a agência reguladora não encontre, a curto prazo, uma definição sobre o ressarcimento das empresas, esse movimento de desinvestimento pode se intensificar”, conclui.

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