Fórum Nacional Eólico: mercado offshore está próximo

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O futuro do setor eólico brasileiro está com foco no mercado offshore. Na Europa, o setor está avançando a cada ano. Já o Brasil, com cerca de 8.000 quilômetros de costa, tem um potencial considerado imenso para o mercado. Esse foi o tema do primeiro painel do 12º Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos 2020. O evento, realizado nesta segunda (03), reuniu especialistas, gestores e pesquisadores para debater o futuro da “indústria dos ventos”.

O Diretor-Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Darlan Santos, destacou que mesmo com a expansão da eólica onshore, há alguns anos a instituição acompanha esse debate. “Achamos necessário entrar com a pauta offshore, visto a necessidade de ampliar a matriz do mercado eólico nacional”, disse. O CERNE está à frente de um estudo para viabilizar um projeto de lei que regulamenta esse mercado.

A regulamentação é resultado de um longo trabalho, realizado por comissão temática criada em 2017 em evento Fortaleza e liderada pela instituição, durante esse período. Segundo Darlan, o Projeto de Lei se baseou nas experiências de regulamentações internacionais. “Procuramos aprender com os erros de outros países para preparar um marco regulatório que dê segurança jurídica para os altos investimentos que a geração offshore demanda”, explicou.

Ainda sem data para entrada no Congresso Nacional e com possibilidade de atraso por conta da pandemia, o PL será apresentado pelo Senador Jean-Paul Prates (PT-RN).

Entretanto, o setor ainda enfrenta desafios. Para Gustavo Pires, superintendente adjunto da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), são necessários o fomento de ações de enfrentamento, que vão desde melhorias nas estimativas do potencial offshore, adequação da infraestrutura portuária, reforço nos sistemas de transmissão até adequação do licenciamento ambiental.

“Isso só reforça os desafios relativos a competitividade desse mercado e querer das diversas esferas da sociedade o amadurecimento do debate. O sucesso vai depender do engajamento dos agentes envolvidos, como o governo, instituições de pesquisa e o próprio mercado”, conclui Pires.

Alguns projetos de empreendimentos eólicos já deram entrada no IBAMA para licenciamento. A coordenadora de Licenciamento Ambiental de Portos e Estruturas Marítimas do órgão, Roberta Cox, destacou que o IBAMA lançou em novembro o termo de referência para o empreendedor. “O documento vem atestar a viabilidade desse tipo de empreendimento, garantindo, assim, clareza e segurança para todo o processo”, explica.

Atualmente o órgão ambiental registra processos em licenciamento ambiental relativos a sete empreendimentos, sendo quatro localizados no litoral do Ceará, dois no litoral do Rio de Janeiro e um na costa do Rio Grande do Sul.

O gerente de recurso eólico e solar da Neoenergia, braço do grupo Iberdrola, Adriano Gouveia destacou que a companhia já tem 20GW de projetos offshore em desenvolvimento na Europa. Ele ressaltou que o mercado offshore é a que mais emprega, quando comparado ao onshore. “O offshore emprega cerca de 17 postos de trabalho para cada megawatt, enquanto a onshore emprega cerca de 15”, explicou.

Gouveia também vislumbra vantagens que esse mercado pode trazer para os centros urbanos. “Grandes centros de consumo de energia estão próximos da costa, então os parques offshore podem representar menos perdas na transmissão de energia”, salienta o especialista.

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