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Governo não quer renovar térmicas a óleo e diesel

Contratos das usinas no Nordeste têm contratos chegando ao fim, principalmente entre 2022 e 2024, e estudo apontará o que deverá ser feito com esses ativos

As discussões acerca da contratação de usinas térmicas na região Nordeste está sob estudo do governo. Uma decisão sobre o tema não foi tomada mas a indicação é de que aquelas usinas mais antigas cujo vencimento de contratos ocorrem entre 2022 a 2024, principalmente, não deverá ser renovado, o que pode abrir espaço para novas centrais que custam menos como as movidas a gás natural, uma vez que essas antigas têm como combustível o diesel e óleo combustível, mais caras e poluentes.

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, afirmou após sua participação no Brazil Windpower 2018 que esse burburinho da contratação de mais térmicas foi apenas citado na reunião do CMSE que indicou a necessidade de estudo desse assunto ao avaliar cenários futuros.

“Existe um possível problema de qualidade e de segurança na operação do submercado Nordeste e que precisa ser endereçado. O que vamos fazer é avaliar cenários para verificar a necessidade de termos mais térmicas na operação daquela região ou se já contratamos o necessário para trazer essa segurança que a região necessita”, comentou ele.

Essas térmicas estão com vencimento a partir de 2022, concentrado até 2024. Na avaliação de Azevedo, somadas essas centrais, que possuem esse atributo de trazer segurança no abastecimento da demanda no Nordeste, formam um bloco mais relevante de capacidade instalada. Mas que, individualmente são de menor porte. Por isso, relatou ele, as usinas estão no alvo de estudos que o governo está desenvolvendo para checar o que fazer no futuro. As térmicas que serão contratadas possivelmente no A-6 deste ano não visam atender a esses encerramentos de contratos.

A resposta que o governo procura, disse o representante do governo, é verificar qual a saída para essa capacidade que será descontratada. “A melhor solução é termos mais térmicas, armazenamento ou resposta da demanda? Eu não sei a resposta, mas nossa intenção é de não renovar essas usinas, vamos pensar no que fazer e propor ao novo governo, no limite, se não tivermos a solução até lá, é possível que se possa recontratá-las, mas isso dois anos antes apenas”, destacou.

Ele finalizou ao indicar que o governo quer deixar claro um critério e metodologia de forma clara a refletir a decisão técnica e não política sobre este tema e sobre as perspectivas de leilões futuros.

 

Fonte: Mauricio Godói | Canal Energia

Para preservar hidrelétricas, térmicas vão continuar em funcionamento neste mês

O Ministério de Minas e Energia informou que vai manter as usinas térmicas mais caras em funcionamento no início de novembro, mesmo após o custo da geração de energia no país ter sofrido “acentuada redução” devido ao início do período chuvoso.

A decisão foi tomada para preservar a água nas barragens das hidrelétricas. O ministério informou que a volta das chuvas não refletiu em aumento nos níveis dos reservatórios das usinas, que operam com os menores índices dos últimos anos.

A manutenção de mais térmicas em funcionamento encarece as contas de luz no país. O custo para gerar eletricidade sobe conforme aumenta a necessidade de despachar com o parque térmico.

A maior parte do custo extra é cobrado por meio das bandeiras tarifárias. Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu aumentar a taxa extra cobrada na bandeira vermelha 2 de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 kilowatt-hora consumidos.

Quando a bandeira não consegue compensar a geração mais cara, o custo extra é colocado nos reajustes anuais das distribuidoras de energia. O próximo reajuste da Light e da Enel (ex-Ampla), por exemplo, está previsto para março de 2018.

Os reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste (região que concentra as maiores hidrelétricas) operam com 17,76% da capacidade. No Nordeste, as barragens estão com apenas 5,78% do armazenamento disponível.

As barragens fecharam o mês de outubro na pior situação desde 2000, início da série histórica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A situação está pior, inclusive, que os números registrados durante o racionamento de 2001. Desta vez, no entanto, o governo garante que não há risco de faltar energia.

A decisão desta sexta-feira foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O órgão, que reúne as principais autoridades do governo no setor, vem se reunindo semanalmente para avaliar a situação de abastecimento de energia no país. O encontro de hoje foi extraordinário e não estava previsto na agenda.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que ficou decidido manter em operação usinas térmicas com custo de até R$ 702,50 por megawatt-hora. O ministério não informou o quanto caiu o custo de geração, mas disse que o início do período das chuvas não refletiu “em ganhos significativos nos níveis de energia armazenada dos reservatórios em todos os subsistemas brasileiros até o momento”.

“O CMSE mantém-se acompanhando permanentemente o comportamento do Sistema Elétrico Brasileiro, principalmente no que se refere ao nível dos reservatórios”, concluiu o texto.

A decisão do governo reconhece, no jargão do setor elétrico, o despacho de térmicas fora da ordem de mérito. Ou seja, serão acionadas as usinas com custo acima do preço da energia no mercado à vista. Até agora, o ONS vinha ligando as térmicas baseando-se a energia gerada pelo menor custo.