Posts

Petroleiras miram potencial do Brasil para renováveis em meio a transição energética

O enorme potencial do Brasil para a geração de energia limpa tem atraído a atenção de grandes petroleiras interessadas em diversificar investimentos em preparação para uma esperada transição energética global que pode levar a uma redução da importância dos combustíveis fósseis nas próximas décadas.

Os primeiros negócios ainda são tímidos, concentrados em ativos de pequeno porte, estudos e pesquisas, mas passam por diversas tecnologias que vão da energia solar a projetos eólicos no mar e envolvem gigantes globais como a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, a norueguesa Equinor e a estatal local Petrobras.

“Todas as ‘majors’ estão fazendo movimentos similares, em três grandes grupos: tecnologias de eficiência energética, de captura e armazenamento de carbono e a aposta na transição da matriz para renováveis”, disse à Reuters o gerente executivo de Estratégia e Organização da Petrobras, Rodrigo Costa.

“As duas primeiras dimensões são mais comuns, e a terceira depende mais do perfil de cada empresa, da vantagem competitiva de cada uma”, adicionou.

A francesa Total, por exemplo, tem avançado gradualmente no segmento de geração de energia solar no Brasil por meio da compra de projetos fotovoltaicos em desenvolvimento. A empresa, que fechou o primeiro negócio local no setor no ano passado, fechou no mês passado uma nova aquisição.

A companhia tem como meta global uma participação de 20 por cento de renováveis em seu portfólio nos próximos 20 anos, além da ampliação de sua capacidade de geração de energia por renováveis para 5 gigawatts ao redor do mundo nos próximos cinco anos.

“Nesse contexto, a energia solar tem um papel importante e a Total vem investindo nesse setor desde 2011… A Total entende que a energia solar é uma alternativa com grande potencial de crescimento”, afirmou a petroleira francesa em nota.

A subsidiária da companhia para renováveis, Total Eren, conta atualmente com 140 megawatts em capacidade no Brasil, entre projetos em construção e em operação.

A norueguesa Equinor (ex-Statoil) também entrou no setor solar brasileiro, ao anunciar em outubro do ano passado a criação de uma joint venture com a também norueguesa Scatec Solar para investir em geração fotovoltaica no país. O negócio teve início com a compra de uma fatia em um complexo de 162 megawatts no Ceará.

Na época, a companhia disse que a transação era “um primeiro passo rumo à indústria de energia solar”.

Além delas, outras petroleiras também se movimentam no segmento, segundo o diretor da consultoria Greener, especializada em energia solar, Márcio Takata.

“Temos conversado com alguns ‘players’ de petróleo… Eles precisam diversificar e eles têm dinheiro, têm muito capital, então a gente vai ver aí sem dúvida uma movimentação dessas empresas de petróleo. Não só as que já estão no Brasil, como outras”, afirmou.

ESTUDOS

Além da aquisição e construção de usinas solares, as petroleiras têm avaliado outras tecnologias renováveis ainda incipientes no país.

A Shell, por exemplo, anunciou um aporte de até 34,7 milhões de reais nos próximos cinco anos em um Centro de Inovação em Novas Energias no Estado de São Paulo que focará pesquisas avançadas sobre conversão de energia solar em produtos químicos, armazenamento de energia e transformação de gás natural em combustíveis menos poluentes.

Na época, o presidente da Shell Brasil, André Araújo, disse que o investimento evidenciou a “seriedade e compromisso com pesquisas que trarão avanços em direção à transição energética”.

A Petrobras também tem investido em pesquisas relacionadas à energia limpa– a estatal já desenvolveu um projeto experimental de geração solar e atualmente realiza um levantamento sobre o potencial do litoral brasileiro para a geração eólica em alto mar, em parques conhecidos como “offshore”.

“A indústria de petróleo e gás já tem experiência em fazer obras no mar, a Petrobras conhece muito. Então partimos para fazer medições, instalamos torres anemométricas em plataformas. A intenção é continuar fazendo isso, é algo pioneiro que o Brasil ainda não explora, mas a Europa desenvolve bastante”, disse o coordenador de P&D da gerência de eficiência energética do centro de pesquisas da Petrobras, Cenpes, André Bello.

Além desses mapeamentos, que abrangem inicialmente os litorais do Rio Grande do Norte e do Ceará, a Petrobras tem avaliado desafios logísticos para usinas offshore no Brasil. A Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é parceira nas pesquisas, que devem se estender até 2021.

Eventuais resultados das pesquisas poderão se somar, no futuro, aos cerca de 100 megawatts que a petroleira brasileira já possui em parques eólicos em operação no Rio Grande do Norte junto a parceiros.

Fonte: Reuters | Luciano Costa

Potencial mapeado de geração eólica no interior da Paraíba chega a 2 GW

A cerca de 700 metros acima do nível do mar, em pleno sertão paraibano há uma mina de ouro quase inexplorada, mas que é encontrada na forma de ventos. Mapeamento feito pela Iberdrola aponta que ali naquela região há um enorme potencial no melhor estilo do polo de João Câmara (RN). Segundo estimativas da companhia são 2 GW que podem ser viabilizados nessa região, mas o investimento nessa área encontra duas barreiras, a primeira é a atual ausência de leilões, uma situação que deverá ser revertida com o tempo, a outra é estrutural, pois não há uma linha de transmissão para o escoamento desse potencial.

A primeira e única empresa a aportar na região é a Força Eólica do Brasil, joint venture que entre a Iberdrola e a Neoenergia. A companhia constrói três parques na região (Canoas, Lagoa 1 e 2) que juntos possuem 94,5 MW em capacidade instalada. Com esses empreendimentos a única forma de escoamento de energia existente, em duas subestações da distribuidora local, a Energisa, foram totalmente ocupadas. O escoamento será feito via duas linhas de transmissão de 69 kV com 57 km de extensão.

Com isso, novos aportes na região só devem ser feitos quando a transmissão estiver assegurada para a área que se encontra próximo à divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, em pleno sertão nordestino. “Em cinco anos acredito que essa região poderá se comparar com a de João Câmara, no Rio Grande do Norte, que é um polo de geração eólica, com muitos outros parques, não somente nossos por aqui”, comentou a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto.

Somente a companhia possui cerca de 500 MW em projetos desenvolvidos na região. Contudo, novos aportes só sairão do papel caso haja a capacidade de transmissão por meio de linhas da Rede Básica. “Temos 94 MW de capacidade, mas fizemos um estudo e temos desenvolvidos 500 MW em projetos que serão analisados para futuros leilões”, comentou a executiva. “Antes precisamos de capacidade de escoamento, pois o que tinha foi utilizado. A EPE já fez a previsão e o projeto para ter uma linha que passe por aqui está encaminhado”, destacou.

Dos investimentos em energia eólica feitos pela FEB, a maior parte está no interior do Nordeste nos estados da Bahia, em Caetité, que está localizado a 1.200 metros acima do nível do mar, bem como na região de Currais Novos (RN). Ainda há outros parques no litoral potiguar. No total a empresa possuirá 466,5 MW em capacidade instalada ao final de 2017 com os três projetos em construção na Paraíba. Em sua carteira de ativos ainda consta o desenvolvimento de 1.500 MW dos quais 117 MW solares fotovoltaicos, que, por conta de sua característica, não serão feitos na Paraíba, mas podem ser construído no Piauí, por exemplo.

A previsão da FEB é de que os três parques estejam em operação em outubro de 2017, uma antecipação de 15 meses em relação ao cronograma oficial. Os três parques foram negociados no Leilão de Energia Nova A-5 realizado em 28 de novembro de 2014, a um lance de R$ 136,24/MWh que atualizado está na casa de R$ 167/MWh. Essa energia antecipada, comentou Laura, será comercializada no mercado livre junto à comercializadora do grupo.

investimento total dos projetos está em R$ 604 milhões, sendo que R$ 331 milhões serão por meio de empréstimos de longo prazo junto ao BNDES, e R$ 46 milhões via debêntures e o resto é equity da companhia. Ao final da obra serão 45 aerogeradores Gamesa com 80 metros de altura e 2,1 MW de capacidade de geração. Até o momento Canoas está em fase mais adiantada de execução, Lagoa 1 e 2 estão em fase de concretagem. As obras deverão ser finalizadas em setembro para que a companhia cumpra os prazos indicados.

A região conhecida como Seridó está a cerca de 350 km de distância da capital João Pessoa em direção ao interior do estado. É composta por montanhas com solo rochoso e escassez de água. Outro ponto que ainda afeta pelo menos a área de duas máquinas no parque Lagoa 2 são questões arqueológicas, com isso a empresa precisa aguardar para iniciar a montagem dos aerogeradores. Mas conta que apesar de estarmos no início de junho é fatível o prazo para a finalização da obra.

Outro plano da empresa é de ter um centro de operações no país, o quarto da companhia. Atualmente os aerogeradores são operados pelo centro espanhol em Toledo, próximo a Madri e por operadores nos sítios onde estão instalados. Além de Toledo ainda há centros nos Estados Unidos e Reino Unido. Quanto ao local do centro não há decisão sobre onde será. “A decisão está tomada mas não sabemos onde instalaremos o centro”, acrescentou Laura Porto.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

Câmara debate incentivos para geração de energias renováveis no Brasil

Debatedores pediram mais incentivos para a produção de energia solar no Brasil, além da manutenção dos leilões previstos para a contratação de energia eólica (do vento), em audiência pública na Comissão de Minas e Energia. A comissão debateu as políticas de incentivos à geração de energias renováveis nesta quarta-feira (7).

O deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES), que propôs o debate, destacou que o Brasil é referência mundial em energias renováveis, mas observou que mais de 60% da matriz energética vêm de usinas hidrelétricas. Segundo ele, a geração de energia a partir de outras fontes limpas, como a solar, não tem crescido como desejado no País. “O impacto ambiental hoje de implantar novas hidrelétricas é muito grande”, disse.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, também ressaltou que o avanço da energia solar tem ficado aquém das expectativas do setor. Ele defendeu apoio do Congresso, do Ministério de Minas e Energia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que essa fonte de energia avance no Brasil. A projeção da entidade é que a energia solar, que hoje representa 0,02% da matriz energética brasileira, chegue a 10% da matriz em 2025. “Precisamos de arcabouço legal, regulatório e de incentivos para atingir esses objetivos”, afirmou.

Ele defendeu, por exemplo, a aprovação de projeto de lei que permite ao trabalhador investir recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em sistemas fotovoltaicos em suas residências; a inclusão de energia solar nos imóveis financiados pelo Programa Minha Casa, Minha vida; o uso desse tipo de energia em prédios públicos; e uma política industrial para acelerar a produção de equipamentos fotovoltaicos no País.

Energia eólica

Já o representante da Associação Brasileira de Energia Eólica, Francisco Silva, ressaltou o grande crescimento na geração desse tipo energia no Brasil desde 2009. Hoje o País ocupa a 9ª posição do mundo na capacidade instalada de energia gerada pelo vento. Segundo ele, o grande incentivo foram os leilões regulares do governo para a contratação desse tipo de energia. Ele criticou, porém, o cancelamento do único leilão previsto para o ano passado, gerando insegurança nos investidores.

“Muitas das empresas não sabem se ficam no Brasil ou se vão embora”, afirmou Silva. Na visão dele, o governo precisa emitir “sinais adequados para que os investimentos em eólica continuem sendo realizados”. Ele pediu que seja mantida a previsibilidade dos leilões.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) lamentou o cancelamento do leilão, no ano passado, às vésperas de sua realização, e pediu a retomada dos certames. “Foi no mínimo um desrespeito e vai trazer consequências gravíssimas”, disse. O deputado José Rocha (PR-BA) também pediu que o governo realize mais leilões para a contratação de energia eólica.

Iniciativas em curso

O representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Hélvio Guerra, salientou que a geração de energia eólica está tendo avanço extraordinário no Brasil, mas admitiu que o País caminha “a passos tímidos” na geração de energia solar.

Ele defendeu que haja mais incentivos para essa fonte de energia, e explicou as iniciativas da agência nesse sentido. “Uma delas é essa chamada geração distribuída, que pode ser colocada na casa das pessoas, nas indústrias. A energia é gerada para consumo próprio, e uma parte não consumida na unidade pode ser disponibilizada para a rede elétrica. A Aneel regulamentou isso e tem tido um avanço extraordinário, especialmente na fotovoltaica”, afirmou.

Já o representante do BNDES, Alexandre Esposito, anunciou que o financiamento do banco para a energia solar deve crescer a partir deste ano. Conforme ele, pessoas físicas também poderão ser beneficiadas pelos financiamentos do banco para esse tipo de energia.

Fonte: Agência Câmara Notícias

Brasil se tornará autossuficiente em gás até 2022

O gás natural pode ganhar papel de maior importância na matriz energética nos próximos anos. De olho no desenvolvimento das reservas do pré-sal, o governo pretende fazer mudanças importantes na política de gás. Isso é necessário ainda em razão da venda de ativos da Petrobras no setor. A estatal está deixando de ser a líder nos projetos em desenvolvimento, papel que será assumido pela iniciativa privada.

Até o fim do mês, o Ministério de Minas e Energia pretende lançar as resoluções finais do programa Gás para Crescer, que serve como um novo marco regulatório para o setor. O ministro Fernando Coelho Filho disse que o Brasil vai ser autossuficiente em gás entre os anos de 2021 e 2022.

Ele cita um exemplo do potencial de gás. O Campo de Pão de Açúcar, no pré-sal da Bacia de Campos, tem 15 milhões de metros cúbicos. Segundo ele, é metade da capacidade do Gasoduto Brasil-Bolívia.

— O gás vai ter uma entrada muito grande. Estamos às vésperas da renovação do contrato de importação de gás da Bolívia, que vence em 2019. Uma das iniciativas é o Gás para Crescer. Todo mundo participou. Haverá muitos players (empresas) para poder usar todo esse gás. E é preciso aproveitar as oportunidades. O gás sempre esbarrava no gás importado. Em 2021 e 2022, o país será autossuficiente em gás e a gente quer aproveitar esse gás para o desenvolvimento no país — disse o ministro de Minas e Energia.

LEILÃO DE TERMELÉTRICAS

Segundo ele, dentro das novas diretrizes do Gás para Crescer, o governo pretende fazer no fim do ano o primeiro leilão de usinas termelétricas a gás para operar na base do sistema. Ou seja, vão operar de forma contínua.

Hoje, as termelétricas, independentemente da fonte de energia, só são acionadas em casos de emergência, quando o nível dos reservatórios está baixo.

Ele cita um levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a reguladora do setor, que aponta que, se as termelétricas que operam hoje apenas em casos emergenciais atuassem de forma contínua, haveria ganho financeiro e o nível dos reservatórios seria maior.

— E isso está sendo projetado para os leilões que o governo quer fazer no fim do ano: a termelétrica inflexível a gás (que opera sem interrupção), que é a fonte térmica firme mais barata que temos. Um leilão que fazemos este ano só entra no sistema em cinco ou em seis anos. Ter geração na base vai dar estabilidade na base e vai trazer segurança, sobretudo no Nordeste — disse o ministro.

Fonte: O Globo

 

Indústria eólica nacional quer expandir atuação e se tornar hub exportador

A indústria nacional dedicada à energia eólica está em busca de uma nova forma de atuação, a de colocar a capacidade instalada local como um polo exportador, principalmente para a América do Sul e Caribe. Um dos motivadores para esse movimento é a dificuldade em se ter os 2 GW anuais de demanda para a manutenção da indústria local e a busca por manter-se atualizado tecnologicamente ante os equipamentos que são encontrados em outros países, resultado dos investimentos de fabricantes que investem em seu desenvolvimento.

Segundo a avaliação da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum, o Brasil apresentou um plano de nacionalização ambicioso e implementou-o com competência para cumprir as metas no tempo em que foram estabelecidos esses marcos. Mas, a questão agora que enfrenta é a volatilidade de demanda. Por isso que o setor precisa minimizar as variações e buscar novos mercados quando se pensa no fornecedor de aerogeradores.

“Do lado de quem compra essas máquinas é importante que as empresas estejam prontas para fornecer a tecnologia mais recente e uma política de nacionalização como a nossa tende a ter um bloqueio de desenvolvimento por fechar o mercado nacional”, comentou a executiva em um workshop que a Casa dos Ventos promoveu em São Paulo. A entidade, comentou, formou um grupo de trabalho no sentido de buscar alternativas para o produto nacional ganhar competitividade e nesse caminho a adoção do PPA em dólar poderia trazer benefícios importantes para a cadeia.

Hoje, continuou a representante do segmento, os fabricantes não veem mais como uma barreira a questão cambial desde que haja um processo de transição para que se adaptem. Com o PPA em dólar abre-se uma janela de oportunidade de importação de alguns componentes para serem montados localmente e com vistas a uma política de apoio à exportação. Dessa forma, continuou, poderia ser alcançada maior competitividade e o país tornar-se o hub de exportação em função de toda a cadeia que existe por aqui com as seis fabricantes que somam 4 GW de capacidade de produção anual.

Élbia lembrou que a política dolarizar passou ao largo do setor por conta desse processo de nacionalização da indústria eólica. Contudo, o BNDES não tem mais os recursos que teve no passado e que a atuação dos últimos 14 anos em termos de incentivar os investimentos não deverá se repetir. Por isso, os investidores tem que buscar no exterior esses recursos e aí vem a importância dessa ideia de ter o PPA em dólar. E ainda, da parte dos produtores, a maior competitividade vem da redução do custo Brasil. E que esse conceito de ficar fechado para a tecnologia não traz evolução nem escala para o mercado.

Esse posicionamento de abertura parcial encontra ressonância na Casa dos Ventos, que já defendeu essa alteração. Recentemente a empresa vendeu seus dois últimos projetos operacionais à britânica Actis para buscar fôlego financeiro e assim não depender do BNDES para implantar novos projetos. À época, o diretor de Negócios Lucas Araripe, afirmou que capitalizada a empresa consegue recorrer a linhas de financiamento mais baratas que a oferecido pelo banco de fomento federal uma vez que essas se encontram no exterior. E, ao mesmo tempo, trazer máquinas mais eficientes e a um valor menor que o encontrado localmente.

De acordo com o patriarca da família e fundador da Casa dos Ventos, Mário Araripe, hoje as máquinas nacionais estão em um degrau tecnológico mais abaixo do que o estado da arte que se encontra no exterior em função desse fechamento nacional, que associado à baixa demanda por equipamentos leva as fabricantes a postergarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

“Precisamos ver se vale a pena restringir o conteúdo nacional. A evolução tecnológica é grande e, cada vez mais rápido, os aerogeradores estão sendo aperfeiçoados. No Brasil as máquinas ofertadas estão em degrau tecnológico menor por não ter a escala que tínhamos alguns anos atrás. Assim, há uma janela de oportunidade de desenvolver a eólica a colocar o PPA em dólar como Chile e Argentina e ter acesso ao que está sendo produzido no mundo”, afirmou o executivo.  Araripe destacou que a companhia já analisou mais de 50 máquinas para uma mesma área e relatou que é possível obter ganhos de produtividade de até 10%, o que ajudaria a baratear a energia.

Élbia, da ABEEólica, disse que a avaliação de que adotar uma parcela do PPA atrelado ao dólar já não é mais um tema que preocupa economistas, inclusive alguns ligados ao Plano Real e que afastavam a indexação como forma de proteção da moeda nacional. Mas ainda assim, admite e necessário que se realize encontros com BNDES, Ministério da Fazenda e de Minas e Energia para mudar essa situação. Por isso, em um leilão de reserva que se espera para meados do segundo semestre não seria possível de implementar a novidade, mas que para um eventual A-5 em dezembro seria possível.

Fonte: Canal Energia

Energia eólica e solar recebem duas vezes mais financiamento do que combustíveis fósseis

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

Mais setores investem na geração de energia

Vários setores já veem na própria produção de eletricidade uma forma de manter os negócios competitivos e viáveis

Do Diário do Nordeste

O alto custo da energia elétrica sobre os negócios tem incentivado empresários cearenses de diversos setores da economia a apostarem na própria geração, a partir de fontes renováveis como a solar e a eólica. Apesar do elevado valor de investimento e do tempo médio de cinco a sete anos para obter o retorno do desembolso realizado, representantes do comércio, indústria e serviços já veem na própria geração a alternativa mais viável para reduzir gastos e tornar os empreendimentos mais competitivos. Essa visão ganhou ainda mais força recentemente, após o aumento médio de 12,97% na tarifa da Companhia Energética do Ceará (Coelce), que entrou em vigor no dia 22 de abril.Para os empresários de postos de combustível, por exemplo, a energia elétrica representa de 5% a 8% do custo operacional do empreendimento, podendo chegar a 10%, dependendo do porte e das atividades exercidas pelo estabelecimento. Assim, é crescente a busca pela própria geração de energia na área.Exemplo disso é o empresário Carlos Pessoa, proprietário de nove postos de combustível, que investiu R$ 140 mil na instalação de painéis solares em um dos seus estabelecimentos e aguarda a vistoria da Coelce para iniciar a operação. Ele diz que, de acordo com o estudo de viabilidade, o equipamento deve gerar um retorno de 2% ao mês. “É vantajoso. Espero ter o retorno em quatro anos e meio. E dentro de três ou quatro meses, devo começar a instalar em outros postos”, conta.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE), Antônio Machado, para viabilizar os investimentos nesse modelo de geração de energia, a entidade firmou um pacto de cooperação com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para que a instituição disponibilizasse linhas de financiamento destinadas aos postos. “Hoje, o desafio das empresas é promover o desenvolvimento respeitando o meio ambiente. E é isso que nosso setor está fazendo”, afirma Machado.

O BNB financia projetos de geração de energia solar por meio do Programa de Financiamento à Conservação e Controle do Meio Ambiente – chamado de FNE Verde – e da Linha de Crédito para Investimento em Energia Renovável e Sustentabilidade Ambiental – o Pronaf Eco. As condições de crédito são as mesmas do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Em 2015, o BNB contratou R$ 1,1 milhão no Ceará pelo FNE, principalmente em projetos referentes à pecuária e à fruticultura. Para 2016, o Banco do Nordeste estima a contratação de R$ 60 milhões no Estado.

Comércio

A alternativa também tem sido incentivada no comércio cearense, por meio da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE). Recentemente, o presidente da entidade, Freitas Cordeiro, conseguiu, por meio do Banco do Brasil, uma parceria para viabilizar a proposta de independência energética para o pequeno empresário. O projeto, batizado de Caminhos do Sol, foi apresentado, em março, na sede da Federação para as CDLs do Interior do Estado, via transmissão simultânea e teve uma receptividade positiva.

A ideia é beneficiar empresas que faturam até R$ 10 milhões por ano. “Os recursos desse financiamento são oriundos do Proger (Programa de Geração de Renda), com taxas diferenciadas e parcelado em 72 meses”, explica Freitas Cordeiro.

O presidente da FCDL tem viajado pelas cidades que sediam as 81 CDLs do Ceará para divulgar a parceria, que prevê a retirada do IOF sobre a operação de crédito, além de contar com a aplicação de taxas de juros especiais e a alienação do equipamento como garantia, entre outras vantagens. De acordo com ele, é forte a adesão ao projeto, que, até agora, já conta com 58 pedidos de orçamento formalizados junto à entidade. “São recursos fantásticos. Juros de 4,5% ao ano, TJLP (Taxas de Juros de Longo Prazo), que dá uma média mensal que não chega a 1%. Mais comprometimento de 11% ao mês, sete anos para pagar com 12 meses de carência”, comemora o presidente da FCDL-CE.

Freitas conta ainda que credenciou cinco empresas para fazer a instalação das placas solares e que “elas (as empresas) vão parcelar 20% do valor – pois o banco só financia 80% – em até 12 vezes, o que é, na prática, o tempo de carência do banco”.

Isenção do ICMS

Além das linhas de crédito disponíveis em diversos bancos para o financiamento de projetos de micro e minigeração de energia, outros incentivos também têm sido criados para incentivar o investimento de pessoas físicas e empresários. No fim do ano passado, por exemplo, o governador do Ceará, Camilo Santana, assinou decreto referente à isenção de ICMS (Imposto sobre as Operações Relativas a Circulação de Mercadorias) para empresas e pessoas físicas que produzam micro e minigeração de energia elétrica. O decreto foi assinado durante evento realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Liderança

De acordo com o Governo do Estado, o Ceará ocupa o primeiro lugar no mercado eólico brasileiro de geração distribuída, que é a geração elétrica realizada pelo próprio consumidor a partir de fontes renováveis ou de alta eficiência energética. Ao todo, são 20 unidades ou centrais geradoras eólicas com potência instalada de 56,1 KW (quilowatts), o que corresponde a 33,43% da potência instalada de geração distribuída no Brasil.

A expectativa é que a liderança seja mantida, com estímulo das novas regras, publicadas em 1º de março deste ano, da Resolução Normativa nº 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que trata sobre a micro e minigeração. A mudança inclui o uso de qualquer fonte renovável, além da cogeração qualificada, o aumento do prazo de validade dos créditos de 36 para 60 meses e a geração distribuída em condomínios.