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CERNE capacita interessados em atuar no mercado de energia eólica

O Brasil desponta como um dos países com maior matriz enérgica limpa do planeta. Enquanto no mundo apenas 33% da matriz é renovável, no país o índice passa de 80%. Mesmo com o número elevado, o potencial de crescimento é grande.

No ano passado, foram instalados mais 2,02 gigawatts (GW) de energia eólica no país, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Eólica  ( ABEEólica). Atualmente, os ventos respondem por 8,2% de toda a energia gerada. A capacidade instalada chegou a 13 GW no início de 2018. Para se ter uma ideia, essa quantidade pode abastecer seis de cada dez casas da região Nordeste. O Ministério de Minas e Energia prevê uma expansão de 125% até 2026, até lá um terço da energia brasileira virá dos ventos, cerca de 28,6%.

Os ventos também representam renda às famílias de muitos estados. Em 2016, o número de empregos diretos no setor passava de 150 mil. A ABEEólica estima que para cada novo megawatt instalado, 15 empregos diretos e indiretos sejam criados no país.

Segundo informações do relatório Renewable Energy and Jobs – Annual Review da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), o setor de energia renovável, incluindo as grandes hidrelétricas, emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo. Em 2017 foram criados mais de 500 mil empregos, um aumento de 5,3% em relação a 2016. O levantamento, divulgado em maio deste ano, aponta que no Brasil a indústria eólica emprega cerca de 33.700 pessoas na fabricação, construção, instalação, operação e manutenção das usinas eólicas.

No Rio Grande do Norte, é o estado brasileiro líder na produção deste tipo de energia.  O potencial de criação de empregos locais é grande porque a cadeia eólica é longa, além do potencial de crescimento do mercado eólico no estado. O setor emprega desde profissionais que tenham apenas o ensino médio ou técnico, como é o caso de montadores, operadores e motoristas, até os altos graus de formação, como engenheiros e gerentes, onde a pós-graduação e especialização são pré-requisitos para a contratação.

Nesse sentido, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até sexta-feira, 08/06​, para a turma de 2018 do c​urso de Gestão da Energia Eólica. As aulas terão início na sexta, na UnP da Avenida Nascimento de Castro, em Natal.

O conteúdo das disciplinas compreenderá as tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parques, além de temas voltados à administração dos empreendimentos, estudos de viabilidade econômica, obtenção de financiamentos, aspectos regulatórios e tributação relativa à atividade. Ao final do curso, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto a estrutura e operação de um parque eólico.

As aulas serão ministradas por diretores setoriais do CERNE e por profissionais de empresas parceiras com vasta experiência no mercado. Com carga horária de 50 horas dividida em sete módulos, a capacitação é destinada a quem já atua ou deseja ingressar profissionalmente no mercado de energia eólica.  Podem se inscrever alunos de graduação e profissionais interessados no setor.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço da plataforma e-Labora: https://sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe//publico/inscricao.jsf. A ementa com as informações completas do curso está disponível em www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 2010-0340 ou ​pelo email cursos@cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

 

 

Ventos que trazem empregos

Energia eólica deve gerar mais de 200 mil empregos no Brasil até 2026. Estudo inédito da ABDI lista 52 carreiras que compõem o setor.

O Brasil desponta como um dos países com maior matriz enérgica limpa do planeta. Enquanto no mundo apenas 33% da matriz é renovável, aqui o índice passa de 80%. Mesmo com o número já elevado, o potencial de crescimento no país salta aos olhos. Segundo um estudo da International Energy Agency, o Brasil foi o quinto país com maior incremento de gigawatts (GW) gerados pelo vento em 2016. No ano passado, foram instalados mais 2,02 GW (dados da Associação Brasileira de Energia Eólica — ABEEólica). Atualmente, os ventos respondem por 8,2% de toda a energia gerada. A capacidade instalada chegou a 13 GW no início de 2018. Isso abastece, por exemplo, seis de cada dez casas da região Nordeste. O Ministério de Minas e Energia prevê uma expansão de 125% até 2026, quando praticamente um terço da energia brasileira virá dos ventos (28,6%).

Além de garantir luz acesa, os ventos também representam renda às famílias de muitos estados. Em 2016, o número de empregos diretos no setor passava de 150 mil. A ABEEólica estima que para cada novo megawatt instalado, 15 empregos diretos e indiretos sejam criados. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que até 2026 a cadeia eólica possa gerar aproximadamente 200 mil novos empregos diretos e indiretos. É como se metade da população de Florianópolis, capital de Santa Catarina, estivesse trabalhando no setor.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) aponta que o setor tem espaço para crescer. Segundo o diretor técnico da Abeeólica, Sandro Yamamoto, o país tem um dos melhores ventos do mundo. Apenas o potencial eólico da Bahia teria condições de suprir a necessidade de energia do Brasil inteiro. “O vento é constante o que não estressa a máquina, caindo o custo de manutenção. Por isso, as maiores fabricantes do setor estão no Brasil”.

Outro ponto positivo é a o espaço de crescimento. O Brasil tem apenas 13 gigawatts instalados, isso ainda é pouco. “Se pensarmos em instalar de dois a três GW por ano, ainda instalaremos parques por mais quatro décadas”. O diretor da Abeeólica ainda aponta que muitos empregos são gerados na fase de construção. “Depois que o parque está pronto o número de trabalhadores diminui. Isso é normal, porque para a manutenção e operação a demanda de pessoal é menor”, relata. Mas o setor não se resume a estás áreas.

Um estudo inédito da ABDI mapeou 52 profissões/ocupações distribuídas nos cinco grupos de atividades que compõem a cadeia: construção e montagem (10 diferentes profissões); desenvolvimento de projetos (11 profissões); ensino e pesquisa (6 profissões); manufatura (15 profissões); operação e manutenção do parque eólico (9 profissões).

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira, explica que o potencial de criação de empregos é grande porque a cadeia eólica é longa, além do potencial de crescimento do mercado. “São cinco etapas envolvidas na cadeia, desde o desenvolvimento do projeto, a fabricação, a montagem e operação de um parque eólico. Para cada fase é preciso uma ampla gama de profissionais. Na fase de projeto, por exemplo, são necessários pelo menos 11 tipos de profissionais. Entre manufatura, construção e operação são mais 34 especializações diferentes”, destaca.

FASES DA CADEIA

Construção e montagem — 10 profissões
Desenvolvimento de projetos — 11 profissões
Ensino e pesquisa — 6 profissões
Manufatura ­– 15 profissões
Operação e manutenção — 9 profissões

Segundo o estudo da ABDI, existem carreiras para todos os graus de formação. “A cadeia eólica precisa de profissionais que tenham apenas o ensino médio e fundamental, como é o caso de montadores e motoristas, mas contempla também os altos graus de formação, como engenheiros aeroespaciais, onde a pós-graduação e especialização são pré-requisitos para a contratação”, explica Ferreira.

O documento da ABDI mostra ainda as possibilidades de crescimento do profissional dentro do setor. Uma profissão que chama a atenção no estudo é o técnico em meteorologia, exigido em três das cinco fases da cadeia — montagem, desenvolvimento do projeto e operação. A formação dura em média três semestres (1200 horas) e o salário estimado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) é de R$ 2 mil. O técnico vai atuar no levantamento de dados sobre a velocidade e direção dos ventos, realizando a instalação e a manutenção das torres de medição (chamadas de anemométricas). Pelo estudo, esse tipo de profissional pode progredir no setor e se tornar Técnico em Operações e Manutenção de Parques, aumentando, assim, seu rendimento.

Já para os salários mais altos são necessários diferentes profissionais do ramo da engenharia. Os ganhos médios mensais dos engenheiros aeroespaciais passam de R$ 8 mil. Para o engenheiro de vendas, o mercado oferece vencimentos próximos a R$ 15 mil. Somente para a fase de manutenção, permanente depois que o parque eólico está instalado, são contratados profissionais com formação em sete engenharias diferentes (engenheiro de produção, industrial, de qualidade, de vendas, eletricista e projetista). Os salários giram entre R$ 5 e R$ 15 mil. Na mesma faixa também existem vagas para advogados, administradores e biólogos.

O engenheiro Edson Zaparoli trabalha com a prospecção de novas áreas e é considerado um dos profissionais mais experientes do Brasil no tema. Ele coordena a área de projetos da Casa dos Ventos — empresa especializada na energia vinda dos ventos. “É difícil encontrar engenheiros prontos para comandar grandes projetos. Aqui na empresa nós formamos os profissionais. Para a contratação temos a preocupação com a grade curricular da escola de formação do candidato”. A preferência é por engenheiros que estudaram em instituições que deem maior peso as matérias relativas a escoamento de fluídos. “Depois de aproximadamente dois anos na empresa, o engenheiro já tem condições de coordenar um projeto”, explica Zaparoli.

O engenheiro aeronáutico, Leonardo Soares, de 31 anos, entrou na Casa dos Ventos há seis anos. Atualmente, ele é gerente de operação e manutenção da empresa. “Eu me formei no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Comecei trabalhando com manutenção de aeronaves, depois de dois anos recebi o convite para trabalhar com energia eólica”. Quando Soares começou, a energia vinda dos ventos ainda era um setor incipiente. “Tinha muitos colegas de faculdade trabalhando com a área de petróleo, que é um setor mais tradicional. A proposta salarial que recebi equivalia e tinha oportunidade de crescimento, porque a maioria dos empregados na área eram jovens. Hoje, percebo que realmente foi uma decisão acertada”, destaca.

Profissões do futuro

O relatório da ABDI chama a atenção para profissões do futuro, cada vez mais exigidas pelo mercado de trabalho eólico. O próprio técnico em meteorologia é um trabalhador que terá demanda crescente. “Com o maior número de parques de energia eólica e solar, existe um novo mercado que se abre”, diz o presidente da ABDI. O tecnólogo em meio ambiente, por exemplo, é uma profissão em alta. “Esse tipo de profissional tem um papel fundamental na expansão das energias renováveis. Nos parques eólicos, os técnicos de meio ambiente são responsáveis pelo monitoramento ambiental da fauna. É muito comum a morte de aves e morcegos por colisão com as pás das torres eólicas”.

O técnico em meio ambiente tem um salário médio de R$ 2,5 mil, segundo a FIPE. Para exercer a profissão, é preciso formação em engenharia ambiental ou curso técnico na área. Segundo o estudo da ABDI, esses profissionais podem progredir para a posição de engenheiro ambiental ou consultor ambiental, onde os salários beiram os R$ 7 mil.

Onde estão os empregos

A maioria dos parques eólicos do Brasil está no Nordeste. O Rio Grande do Norte e a Bahia lideram o ranking com 135 e 93 parques, respectivamente. Outros sete estados da região concentram 184 parques de torres eólicas. O Sul também apresenta parte considerável da geração. Na região estão 95 parques, sendo a maioria no Rio Grande do Sul (80).

Isso não significa que os empregos estejam somente nessas regiões. “Uma torre instalada no Rio Grande do Norte gera empregos mais perenes para a população local, na fase de operação e manutenção. Entretanto, o desenvolvimento do projeto pode ocorrer em um escritório em São Paulo, e os componentes das torres são construídos em Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina”. Guto Ferreira também explica que durante a construção são geradas muitas vagas temporárias, empregando locais e pessoas de outras regiões.

A cadeia eólica não para por aí. A ABDI mapeou mais de 400 empresas envolvidas, entre fabricantes, fornecedoras de peças e prestadoras de serviço. Os construtores de pás exemplificam a capilaridade das indústrias que trabalham com vento. São apenas quatro no Brasil, mas em estados diferentes — Ceará, Pernambuco, Bahia e São Paulo.

Fonte: Fernando Rotta

Parques eólicos no Maranhão terão investimentos de R$500 milhões

Instalação de aerogeradores do Complexo Delta 3, na região de Paulino Neves e Barreirinhas, gerou 1,5 mil empregos diretos e 2 mil indiretos

O Parque Eólico entre Paulino Neves e Barreirinhas, no Maranhão, será ampliado este ano pela Omega Energia. O investimento total de implantação dos novos complexos (Delta 5 e Delta 6) é da ordem de R$ 500 milhões, e o projeto já está na fase inicial.

O atual Complexo Delta 3 possui 96 aerogeradores e teve um investimento total de R$ 1,5 bilhão. Além de proporcionar energia limpa e sustentável, a usina gerou 1,5 mil empregos diretos e 2 mil indiretos na primeira fase das obras, bem como impulsionou a economia local e regional por meio de projetos sociais e estímulos ao desenvolvimento do comércio e do turismo na região.

Em dezembro do ano passado, a Omega Energia efetivou a venda de mais 108 MW durante um novo leilão, além dos 220,8 MW já em operação, o que exigiu a implantação de dois novos complexos, que irão aumentar a capacidade instalada da companhia a fim de atender à nova demanda.

“O leilão foi uma importante retomada para o setor elétrico nacional, especialmente, para a expansão da matriz eólica. Com a garantia de maior demanda de consumo, podemos apostar ainda mais no potencial do país para a geração de energia renovável”, afirmou Antonio Bastos, presidente da Omega Energia.

Além de Paulino Neves e Barreirinhas, a Omega Energia também é proprietária dos parques eólicos de Parnaíba, no Piauí, e ambos os estados têm se destacado no ranking nacional de geração de energia eólica.

A usina de Testa Branca I (PI) ficou no topo das 10 das eólicas com maior fator de capacidade durante todo o ano de 2017. Todas as 10 usinas do ranking, no mês de novembro de 2017, também no Piauí ou no Maranhão, pertencem à Omega Energia.

Energia renovável
O Brasil caminha a passos largos na direção da energia renovável. De acordo com o relatório 2017 do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), o país subiu do nono para o oitavo lugar no ranking mundial de capacidade instalada de energia gerada pelo vento. Desde 2015, a produção brasileira tem ultrapassado países como a Itália e o Canadá, e se consolidado especialmente na região Nordeste.

Durante alguns dias de 2017, a energia eólica chegou a ser responsável por 64% do consumo no Nordeste, região com o maior número de parques eólicos do país. O grande campeão é o estado do Rio Grande do Norte, que possui 135 parques e 3.678,85 MW de capacidade instalada. Em seguida vem Bahia, Ceará e Piauí.

Por décadas, a energia produzida pelas usinas hidrelétricas se manteve como a mais competitiva e barata do mercado. Contudo, no fim do ano passado, pela primeira vez na história dos leilões de energia, a geração eólica desbancou a hidrelétrica como a mais barata.

Hoje o Brasil possui uma capacidade instalada de 12,76 GW de energia eólica, que já é responsável por 8,3% do total da energia consumida no país. Atualmente, são mais de 500 parques eólicos em plena atividade, e a perspectiva é de que a capacidade instalada de geração chegue a 500 GW em alguns anos, colocando o gigante sul-americano entre os seis principais produtores de energia eólica do mundo.

Para o doutor em Engenharia Elétrica e coordenador do Instituto de Ciência e Tecnologia de Energias Oceânicas, Osvaldo Saavedra, a mudança na matriz energética do país pode representar, num futuro próximo, tarifas mais baratas ao consumidor.

“O vilão das tarifas são as usinas termelétricas, que produzem uma energia mais cara e são acionadas sempre que há poucas chuvas. Mas ultimamente tem chovido muito, e os ventos do Brasil são os melhores do mundo porque variam pouco, com uma capacidade de geração acima de 40%. O crescimento dos parques eólicos no país certamente pode assegurar uma matriz cada vez mais renovável e tão barata quanto à hidrelétrica”, analisa o professor.

Primeira turbina

No Brasil, a primeira turbina de energia eólica foi instalada em Fernando de Noronha, em Pernambuco, em 1992. Na época, a geração de energia elétrica correspondia a 10% da energia gerada e  consumida na ilha. Isso economizava 70 mil litros de óleo diesel por ano.

Com os parques atualmente em construção, estima-se que até 2020 o país terá aproximadamente 600 parques eólicos em operação, dos quais cerca de 30% foram desenvolvidos pela Casa dos Ventos. Esses parques terão capacidade instalada de 17,9 GW, e representarão em torno de 10% de toda a energia produzida no Brasil.

Fonte: O Estado do Maranhão

Setor eólico deve gerar 200 mil empregos no Brasil até 2026

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que até 2026 a cadeia de produção de energia eólica poderá gerar aproximadamente 200 mil novos empregos diretos e indiretos. Em 2016, o número de empregos diretos no setor passava de 150 mil.

Pelos cálculos da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), para cada novo megawatt instalado, 15 empregos diretos e indiretos sejam criados. No ano passado, foram instalados mais 2,02 GW no país. Em 2017, o Brasil alcançou a marca de 12,8 GW de capacidade instalada, o que coloca o país em oitavo lugar no ranking mundial de usinas eólicas, ultrapassando o Canadá.

O estudo da ABDI mapeou 52 profissões/ocupações distribuídas nos cinco grupos de atividades que compõem a cadeia de energia eólica: construção e montagem (dez diferentes profissões); desenvolvimento de projetos (11 profissões); ensino e pesquisa (seis profissões); manufatura (15 profissões); operação e manutenção do parque eólico (nove profissões).

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira, explica que o potencial de criação de empregos é grande porque a cadeia eólica é longa, além do potencial de crescimento do mercado. “São cinco etapas envolvidas na cadeia, desde o desenvolvimento do projeto, a fabricação, a montagem e operação de um parque eólico. Para cada fase é preciso uma ampla gama de profissionais. Na fase de projeto, por exemplo, são necessários pelo menos 11 tipos de profissionais. Entre manufatura, construção e operação são mais 34 especializações diferentes”, destaca.

Segundo o estudo da ABDI, existem carreiras para todos os graus de formação. “A cadeia eólica precisa de profissionais que tenham apenas o ensino médio e fundamental, como é o caso de montadores e motoristas, mas contempla também os altos graus de formação, como engenheiros aeroespaciais, onde a pós-graduação e especialização são pré-requisitos para a contratação”, explica Ferreira.

O documento da ABDI mostra ainda as possibilidades de crescimento do profissional dentro do setor. Uma profissão que chama a atenção no estudo é o técnico em meteorologia, exigido em três das cinco fases da cadeia – montagem, desenvolvimento do projeto e operação. A formação dura em média três semestres (1200 horas) e o salário estimado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) é de R$ 2 mil. O técnico vai atuar no levantamento de dados sobre a velocidade e direção dos ventos, realizando a instalação e a manutenção das torres de medição (chamadas de anemométricas). Pelo estudo, esse tipo de profissional pode progredir no setor e se tornar Técnico em Operações e Manutenção de Parques, aumentando, assim, seu rendimento.

Já para os salários mais altos são necessários diferentes profissionais do ramo da engenharia. Os ganhos médios mensais dos engenheiros aeroespaciais passam de R$ 8 mil. Para o engenheiro de vendas, o mercado oferece vencimentos próximos a R$ 15 mil. Somente para a fase de manutenção, permanente depois que o parque eólico está instalado, são contratados profissionais com formação em sete engenharias diferentes (engenheiro de produção, industrial, de qualidade, de vendas, eletricista e projetista). Os salários giram entre R$ 5 e R$ 15 mil. Na mesma faixa também existem vagas para advogados, administradores e biólogos.

A maioria dos parques eólicos do Brasil está no Nordeste. O Rio Grande do Norte e a Bahia lideram o ranking com 135 e 93 parques, respectivamente. Outros sete estados da região concentram 184 parques de torres eólicas. O Sul também apresenta parte considerável da geração. Na região estão 95 parques, sendo a maioria no Rio Grande do Sul (80).

Isso não significa que os empregos estejam somente nessas regiões. “Uma torre instalada no Rio Grande do Norte gera empregos mais perenes para a população local, na fase de operação e manutenção. Entretanto, o desenvolvimento do projeto pode ocorrer em um escritório em São Paulo, e os componentes das torres são construídos em Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina”. Guto Ferreira também explica que durante a construção são geradas muitas vagas temporárias, empregando locais e pessoas de outras regiões.

Fonte: Canal Energia

Setor elétrico deve gerar 436 mil empregos até 2026

A expansão do sistema elétrico brasileiro prevista para os próximos 10 anos deve motivar a geração de 436 mil empregos diretos ao longo do período. A maior parte das vagas estará nos segmentos de transmissão e energia eólica, que devem gerar, respectivamente, 140 mil e 138 mil empregos, fatias que somadas correspondem a 64% do total previsto.

Os dados fazem parte da avaliação de impacto socioambiental da expansão prevista pela EPE no Plano Decenal de Expansão da Energia com horizonte até 2026. Estão presentes em nota técnica específica sobre o tema.

A geração de empregos mapeada pela EPE diz respeito às vagas criadas durante o pico das obras dos projetos previstos no plano. É 5% inferior ao total de 461 mil empregos que estava previsto no PDE anterior, para o período entre 2015 e 2024. Veja o detalhamento:

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A análise de impacto socioambiental da EPE leva em consideração, além da geração de empregos, outros diversos aspectos, como a influência sobre áreas de proteção ambiental e terras indígenas. Leia aqui a nota técnica na íntegra.

Fonte: Brasil Energia

Energia solar estimula o aumento de empregos no Brasil

As estatísticas de energias renováveis e empregos publicadas no balanço anual da IRENA (Agência Internacional de Energias Renováveis) revelam que o número de pessoas empregadas na indústria global de energia renovável cresceu 5% em 2015, chegando a 8,1 milhões. É com energia solar que trabalham os empregadores mais importantes desse setor, responsáveis por 2,8 milhões de postos de trabalho nesse mesmo ano.

No segmento de energias renováveis, o setor de energia solar é globalmente o maior empregador. A maioria dos empregos criados nesse setor foi em operação e manutenção, e os maiores empregadores são a China, o Brasil e a Índia.

No Brasil, atualmente, o maior número de empregados na indústria de energia renovável está nos setores de bioenergia e de grandes hidrelétricas, embora também cresçam os empregos no setor eólico, graças a um aumento nas instalações e manufatura nacional.

Dessa forma, há potencial para que o setor solar fotovoltaico ganhe mercado, à medida que aumentam as instalações e cresce a capacidade planejada para 3,3 GW até 2018. Além dos 60.000 a 90.000 empregos possíveis a serem gerados, a produção nacional de módulos promete um grande potencial à medida que o foco se desloca da instalação.

Na Alemanha, por exemplo, havia 100.000 empregos no setor fotovoltaico quando o mercado atingiu 7 GW em 2012. Várias empresas do setor solar FV já demonstraram interesse em investir em produção local; portanto o mercado de trabalho brasileiro nesse setor, com 4.000 empregados, pode tornar-se uma parte essencial da economia dentro de alguns anos.

Globalmente, as instalações solares FV cresceram em 20% em 2015, com a China, o Japão e os Estados Unidos na liderança. O maior empregador solar FV é a China, com 1,7 milhão de empregos em 2015. Como os Estados Unidos e a União Europeia vêm cobrando impostos sobre as importações de painéis chineses, alguns fornecedores chineses de módulos reagiram implantando novas instalações em países como o Brasil. Além disso, à medida que aumenta a energia solar FV distribuída, torna-se mais fácil implantar localmente certas partes da cadeia de valor – tais como montagem, distribuição ou serviços pós-venda –, criando assim ainda mais empregos.

Fonte: Portal Investimentos e Notícias

Energia eólica abastece mais de 30% do Nordeste

O vento forte que não para de soprar fez da pequena Icaraí de Amontada, na costa oeste do Ceará, uma ilha de usinas eólicas. Elas geram energia elétrica usando a força dos ventos. Ali, para qualquer lado que se olhe, modernas e gigantescas torres de quase 150 metros de altura – do tamanho de um prédio de 42 andares – destoam do cenário rústico da antiga vila de pescadores, com suas dunas, praias e lagoas. Reduto de atletas estrangeiros praticantes de kitesurf e windsurf, a comunidade, de 2,4 mil habitantes, entrou para a lista dos melhores ventos do Brasil e ajudou a elevar a participação da energia eólica para mais de 30% do consumo do Nordeste.

Os parques instalados na região de Amontada estão entre os mais eficientes do planeta. Enquanto no mundo, as usinas eólicas produzem, em média, 25% da capacidade anual, no Complexo de Icaraí esse porcentual é mais que o dobro. As 31 torres que compõem o parque produzem 56% da capacidade anual. Para ter ideia do que isso significa, nos Estados Unidos, esse indicador é de 32,1%; e na Alemanha, uma das maiores potências eólicas do mundo, de18,5%. “O vento no Nordeste é muito diferenciado”, afirma Luciano Freire, diretor de engenharia da Queiroz Galvão Energia, dona do complexo eólico de Icaraí.

É por causa da qualidade desse vento – forte e constante – que o Nordeste despontou como uma das maiores fronteiras eólica do mundo. Hoje, os parques em operação na região são responsáveis pelo abastecimento de boa parte da população local de 56 milhões de pessoas. Em 17 de abril deste ano, por exemplo, quando os nordestinos iniciavam mais uma jornada de trabalho, às 9h06, as eólicas produziram 50% da energia consumida naquele momento. Por períodos mais longos, como um dia inteiro, os parques – que até bem pouco tempo eram incipientes no Brasil – chegaram a produzir 35% da carga média do Nordeste, recorde alcançado no dia 19 de maio.

Não é difícil entender a rápida expansão das eólicas no Brasil. Em 2008, com a crise internacional, o consumo mundial de energia despencou, paralisou uma série de projetos e deixou as fábricas ociosas. Em busca de demanda, elas desembarcaram no Brasil – onde o uso da energia crescia a taxas de dois dígitos – e derrubou o preço das eólicas, até então caras por aqui. A partir de 2009, com leilões dedicados à essa fonte de energia, os investimentos decolaram.

De lá pra cá, o setor recebeu R$ 67 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Esse montante colocou o País na 10ª posição entre as nações com maior capacidade instalada do mundo. Foi um grande avanço. Até 2008, a potência do parque eólico brasileiro era de 27 megawatts (MW). No mês passado, alcançou a marca de 9,7 mil MW, volume suficiente para abastecer mais de 45 milhões de habitantes. No total, são 5.141 turbinas instaladas Brasil afora. Cerca de 82% delas estão no Nordeste.

Complementar. Mas, ao contrário das hidrelétricas que entram na base do sistema elétrico, as eólicas devem ser usadas como complementos por serem intermitentes. Mesmo no Nordeste, onde o vento é mais constante, é preciso considerar as intempéries da natureza, ou seja, pode parar de ventar a qualquer momento. Em 2015, entretanto, não fossem por elas, o Nordeste poderia ter entrado num traumático racionamento por causa do baixo nível dos reservatórios, especialmente o da hidrelétrica de Sobradinho, responsável por 58% do armazenamento da Região.

Segundo Bernardo Bezerra, diretor da consultoria PSR, especializada em energia elétrica, entre 1993 e 2015, a vazão de Sobradinho ficou 25% abaixo da média histórica. “Houve uma mudança no padrão do Nordeste.” Até abril deste ano, o volume dos lagos da região estava 57% abaixo do verificado em 2012 – último ano em que as represas conseguiram ficar acima de 70%.

Com alguns raros projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) em desenvolvimento no Estado de Pernambuco e sem potencial para grandes hidrelétricas, a vocação do Nordeste tem se inclinado cada vez mais para a energia eólica. Segundo a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, até 2020, a participação da energia do vento na matriz elétrica brasileira vai saltar dos atuais 6% para 20% da capacidade instalada. No Nordeste, essa participação será ainda maior, de 30%. Em termos de consumo, a fonte será capaz de atender cerca de 70% da carga da região em alguns momentos do dia.

Emprego. Nos próximos três anos, diz Elbia, o volume de investimentos em novos parques será de R$ 40,8 bilhões. Ela destaca que cada megawatt de eólica instalado cria 15 postos de trabalho em toda cadeia produtiva, desde o canteiro de obras até a fabricação de pás, aerogeradores e torres. Em tempos de crise econômica, a notícia é muito bem-vinda. Seguindo o cálculo da Abeeólica e considerando que entre 2017 e 2019 estão previstos mais 6,8 mil MW de potência, o setor pode gerar 102 mil postos de trabalho.

Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará são os Estados com maior número de empreendimentos em construção ou com capacidade já contratada. Os novos investimentos podem amenizar um pouco a crise que se alastra pelo País. Quase sempre localizados em áreas pouco desenvolvidas, os empreendimentos trazem forte melhoria na renda da população local, que tem poucas opções de emprego.

Nos últimos anos, com a construção dos parques eólicos, muitas famílias passaram a contar, do dia para a noite, com uma renda generosa para os padrões da região – cada torre pode render até R$ 1 mil para as famílias. Segundo a Abeeólica, no Nordeste, a construção das usinas envolveu mais de 2 mil famílias. No Brasil inteiro, a construção dos parques gera R$ 10 milhões por mês de renda para as famílias que arrendaram suas terras.

Fonte: Estadão | Renée Pereira (Textos) | Nilton Fukuda (Fotos)

Leia a matéria na íntegra: clique aqui

Eólicas: panorama atual e os desafios do setor no Brasil

Com o primeiro leilão de energia do ano marcado para 29 de abril, o Rio Grande do Norte poderá impulsionar em investimento potencial cerca de R$ 20 bilhões, em concorrência, para o certame. A estimativa é feita pelo presidente Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, com base na estimativa de habilitação de até 60% dos 232 projetos inscritos para o Estado, o que representaria a geração de mais 4 GigaWatts. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jean-Paul Prates fala sobre infraestrutura dos linhões, mudanças nas regras do leilão e o reflexo da crise política e econômica para o setor com a redução de financiamento.  Além de eólicas, o leilão realizado no final deste mês terá a contratação de energia elétrica proveniente de hidrelétricas e de termelétricas a biomassa, a carvão e a gás natural. Também serão realizados esse ano dois leilões de reserva.
No primeiro certame, em 29 de julho e com prazo de suprimento de 20 anos, serão negociados contratos para empreendimentos de geração solar fotovoltaica. A produção de energia fotovoltaica deverá aproveitar a infraestrutura já existente, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e usam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. Um segundo leilão de reserva, em outubro, terá projetos de fonte solar fotovoltaica e de eólica, que terão contratos com prazo de 20 anos.

Confira os principais trechos da entrevista, que também trata do “Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos”,  evento que será realizado nos dias 18 e 19 de abril na Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

Expectativas de leilão
Esse ano teremos três leilões de energia. Agora, para o dia 29 de abril,  haverá o leilão de energia regular A-5, para começar a gerar em 5 anos após a contratação. O Brasil tem  864 projetos inscritos (21.232 MW) e o Rio Grande do Norte tem 232 projetos (5.599 MW).  O segundo é o leilão de reserva, marcado para o dia 29 de julho, que não terá eólica, só fotovoltaica e outras fontes. E no dia 28 de outubro,  haverá outro leilão de reserva que terá eólica. Os investidores preferem o leilão A -5 porque o prazo para construir e entrar em funcionamento é de cinco anos, com contrato assegurado por 20 anos.

Perda de espaço
Existem dois movimentos em relação a questão de perda de espaço. O primeiro foi o vácuo quando os parques ficaram prontos e não havia estrutura de conexão para transmissão da energia. Houve uma cochilada entre 2011 e 2012 em relação as cobranças de infraestrutura e linhas, que deveriam ficar prontas em 2012, entretanto, chegaram ao final do ano sem estar. Neste mesmo período, outros estados como a Bahia, com um projeto do Jacques Wagner, no modelo que adotamos aqui em 2009 e 2010, além de outros estados, avançaram.

Atrasos de linhões
Houve duas fases em relação as linhas de transmissão. Na primeira, entre 2009 e 2010, quando a eólica não era considerada certa no Brasil, já falava-se em linhas de transmissão. Tivemos que mostrar no mapa que a região do Mato Grande tinha potencial e que era preciso o chamado ICG, considerado uma espécie de ancoradouro. Havia outro projeto para linhas transmissão, conhecida como Translitorânea, que saía do Rio Grande do Norte fazendo um arco até a cidade de Russas, no Ceará. Porém, não foi considerada prioritária pelo Governo e, por isso, não saiu. Nesta fase, as linhas só eram licitadas e concedidas depois dos leilões A -3 e A -5. Consequentemente, alguns conjuntos de linhas atrasaram. As linhas que deveriam estar prontas em 2012 não ficaram. Também houve todo o problema dos atrasos. Parques parados, à espera. Não houve debandada de investidores porque àquela época havia uma cláusula contratual de autorização elétrica que previa o pagamento pela geração, mesmo que o parque não estivesse conectado. Porque não era culpa do investidor, a linha estava prometida e cabia a ele colocar o parque de pé no prazo contratado, não os linhões. Se colocou o parque de pé, recebia por isso. Essa cláusula dava maior segurança ao investidor. Hoje, eu considero essa questão equacionada porque o empreendedor é, em regra, o responsável pelo planejamento do seu parque.

Mudança na regra 
A partir de 2012, como poderiam ocorrer mais atrasos e já se desenvolvia uma descentralização da matriz energética do país, que deixava de ser concentrada em grandes hidrelétricas para ser pulverizada com parques eólicos, solares e térmicas em outros pontos do país, a cláusula mudou. Havia o risco de divergências de prazos, além dos atrasos. O Governo alterou as regras e acabou com o pagamento pela geração só por construir o empreendimento. Por isso, o investidor passou a ter responsabilidade pela conexão do parque. A mudança fez com que os empreendedores participantes do leilão também fossem  responsáveis em assegurar a conexão com as linhas de transmissão.

Leilões desertos
Não houve leilões desertos. A mudança na regra não foi a causa do baixo número de projetos para o Rio Grande do Norte nos últimos certames. Esta regra existe desde 2012 e já está bem digerida. Hoje, a questão dos linhões está equacionada no sentido de que o empreendedor tem que apresentar para o leilão uma tarifa que inclua a solução do escoamento de energia. É necessário planejar antes e assim ajudar o governo. Por outro lado, o Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia e da EPE, já dispõe de informações e de potencial eólico real no Brasil para prever e se antecipar em relação as demandas das bacias de ventos.

Investimento potencial
O investimento pode ser mensurado assim que sair o números de projetos habilitados pela EPE para o leilão. Mas, em geral, temos conseguido nos últimos leilões habilitar 60% dos projetos inscritos. Se temos inscritos 232 projetos, caso passe a metade, teremos 4 GigaWatts habilitados. Se considerarmos o valor de R$ 4,5 milhões por MW, este leilão do dia 29 de abril pode representar, em investimento potencial, cerca de R$ 20 bilhões em concorrência.

Emprego
A grande projeção de geração de emprego deve-se a uma característica do setor em ter investimentos assegurados em projetos contratados a longo prazo nos leilões federais. Como a performance dos leilões se dá em cinco anos para construção dos parques, isso faz o setor estar na sombra dos leilões de 2014 e 2015, girando na inércia dos processos dos certames. Diferente de outros mercados que estão demitindo, o número de contratações até 2019 em toda a cadeia produtiva de energia eólica deve chegar a cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. Teremos problemas se a crise se prolongar mais e superar esse período de cinco anos.

Tensão política e econômica
Essa tensão política e econômica tem afetado os negócios da indústria eólica, sim, no sentido de ter menos financiamento. Antes, o BNDES era um propulsor, um impulsionador de investimentos. Todos os projetos até hoje tiveram o financiamento do BNDES. Acontece que há dois anos, com a  saída do Banco do Nordeste, o BNDES  endureceu as condições. Se antes financiava 80% do parque, agora só 70%. Isso faz com que o setor busque o investimento privado. E no momento em que o BNDES começou a deixar parcialmente o financiamento nas mãos dos investidores privados e estrangeiros, surge esse ambiente confuso na política e economia do país fazendo com que o investidor fique mais cauteloso a espera de uma definição do cenário político e econômico do país. Isso pode se refletir neste próximo leilão com esta redução das facilidades de financiamento. Se há menos projetos com confiança de que serão financiados, há uma participação menor, então a tarifa é reduzida e fica menos competitivo. Essa indefinição para o investidor é pior, por exemplo, do que em período pré-eleitoral, onde é possivel analisar os projetos eleitorais e tomar decisões.

Energia Solar
Os primeiros parques solares, de grande porte e maior viabilidade, devem ser instaladas em áreas onde existem parques eólicos – gerando usinas híbridas – para que possam utilizar a estrutura já existente de linhões e subestações, além dos acessos, arrendamentos, negociação com as comunidades. E tendo isso já acertado, não há entrada na tarifa e torna o projeto mais competitivo para entrar no leilão de reserva de energia fotovoltaica.

Gargalos
Continua sendo um gargalo a questão do planejamento de linhas  de transmissão. Entretanto, no Rio Grande do Norte, o secretário de desenvolvimento econômico do estado, Flávio Azevedo, tem dado uma maior atenção. O CERNE e o Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN também tem acompanhado essa questão. Há toda uma vigilância para que esse gargalo seja superado.  Por outro lado, o Governo Federal também tem limitações e não pode concentrar-se em um só estado,  é preciso tratar o tema com os demais.

Fórum Nacional Eólico
Criado em Natal, o Fórum Nacional Eólico volta para a capital potiguar em 2016. Por focar na parte de política setorial e de legislação, sem cunho comercial, o evento faz de Natal a capital do pensamento estratégico em energia eólica. Esse ano ele será realizado em conjunto com o Solar Invest. A programação terá reuniões fechadas para o setor e sessões abertas ao público em geral. Serão discutidos temas relevantes, como a agenda legislativa de 2016 que trata de todos os projetos que devem ser votados e que irão tramitar no Congresso, a revisão da política estratégica do setor e também a análise crítica da pauta legislativa do ano. Haverá debates para tratar alternativas de financiamentos ao BNDES com bancos privados e um encontro de órgãos de licenciamento para os parques eólicos.

RAIO-X DO SETOR
Leilão de Energia A-5  – 29 de Abril
+ Brasil: 864 Projetos Inscritos (21.232 MW)
+ RN: 232 Projetos Inscritos (5.599 MW)

Leilão de Energia de Reserva – 29 de Julho
– Energia Solar Fotovoltaica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Leilão de Energia de Reserva – 28 de Outubro
– Energia Solar Fotovoltaica e Energia Eólica
– Sem relação de Projetos Cadastrados ainda

Parques eólicos em Operação
+ Brasil: 349 Parques Eólicos – 8.533,268 MW
+ RN: 97  Parques Eólicos – 2.671,56 MW (31,31%)

Parques eólicos em Construção
+ Brasil: 132 Parques Eólicos – 3.113,754 MW
+ RN: 20 Parques Eólicos – 518,60 MW (16,66%)

Contratados/Outorgados
+ Brasil: 249 Parques Eólicos – 5.950,050 MW
+ RN: 55 Parques Eólicos – 1.404,70 MW (23,61%)

Não Cadastrados
+ Brasil: 24 Parques Eólicos – 591,10 MW
+ RN: 4 Parques Eólicos – 49,20 MW (8,32%)

Total
+ Brasil: 754 Parques Eólicos – 18.188,172 MW
+ RN: 173Parques Eólicos – 4.613,76 MW (25,37%)

Dados: CERNE/SEERN

Fonte: Sarah Vasconcelos | Tribuna do Norte