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47 países mais pobres do mundo querem viver só de energia limpa

A parte mais pobre do planeta pode estar prestes a dar um baile ecológico nos mais ricos. As 47 nações com menos dinheiro no mundo pretendem, até 2050, usar apenas energias 100% renováveis.

A meta surgiu durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que terminou no último dia 18, no Marrocos. O evento discutiu quais serão os próximos passos depois que o mundo inteiro se comprometeu a reduzir as emissões de carbono, por meio do Acordo de Paris – que tem como objetivo não deixar a temperatura da Terra subir mais do que 2ºC até o fim do século.

A ideia é aprender com os erros do restante do mundo – e pular a parte poluente da história das nações. Os países que se comprometeram com o projeto ainda estão em uma fase embrionária da industrialização – e evitariam que suas fábricas sejam construídas dependendo de combustíveis fósseis. As indústrias já se formariam utilizando energia solar ou eólica, por exemplo.

Apesar de nunca ter sido feito algo nessas proporções, não é a primeira vez que a ideia de salto tecnológico aparece. Um dos casos mais famosos aconteceu na parte mais rural da África. Até a virada do século 21, o número de linhas de telefone fixo por lá era escasso – assim as operadoras telefônicas resolveram investir diretamente em celulares, sem passar pelos fixos. Com isso, o número de linhas móveis em continente africano saltou de 7,5 milhões em 1999 para 76,8 milhões em 2004.

Para que dê tempo, os 47 países (entre eles, Palestina, Sudão do Sul e Afeganistão) têm quatro anos para enviar à ONU seu planejamento. Até 2030 as coisas devem estar começando.

A ideia vai contra as ações que algumas das nações mais ricas estão tomando. “Não sabemos o que os países estão esperando para avançar rumo à neutralidade de carbono e ter 100% das energias renováveis”, afirmou à BBC Edgar Gutierrez, primeiro ministro da Costa Rica. “Todos deveriam começar a transição, ou todos sofreremos”, completou.

Enquanto isso, nos EUA, o presidente eleito Donald Trump já declarou não acreditar no aquecimento global – e o governo Obama, que se comprometeu a doar US$ 3 bilhões para a ONU no combate ao aquecimento global, até agora, entregou “apenas” US$ 500 milhões.

Fonte: Felipe Germano | Super Interessante

Potencial técnico de energia solar no Brasil pode chegar a 30 mil GW

Relatório feito pela EPE mostra que geração distribuída pode chegar a 164 GW, avaliando apenas telhados de residências

O potencial técnico da energia solar fotovoltaica no Brasil pode chegar a 30 mil GW, segundo divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica. O número é superior à somatória das demais fontes de geração do país, e mais de 200 vezes maior do que a capacidade instalada da atual matriz elétrica brasileira, que é de 143 GW. Um relatório recente da Empresa de Pesquisa Energética sobre o potencial das energias renováveis no Brasil mostra que 2015 foi um ano recorde de geração de renováveis, e apurou, pela primeira vez, de modo quantitativo, o potencial técnico da energia solar fotovoltaica no País. O estudo apontou um potencial de geração centralizada de mais de 28.500 GW, considerando as diferentes regiões do País e espaços com viabilidade técnica, econômica e socioambiental para a implantação destes projetos.

O levantamento já exclui da análise as regiões com áreas ambientais protegidas, como Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, terras indígenas, comunidades quilombolas e áreas de preservação permanente. Já em relação à geração distribuída solar fotovoltaica – com a implantação dos sistemas em edifícios- um mapeamento preliminar da EPE aponta um potencial de mais de 164 GW apenas para os telhados de domicílios brasileiros. Este número deverá se multiplicar diversas vezes quando o mapeamento também incluir o potencial de edifícios comerciais, industriais, rurais e do poder público.

De acordo com o presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, embora a fonte contribua atualmente com 0,02% do atendimento à demanda da matriz elétrica brasileira, a projeção de crescimento da fonte indica que até o ano de 2024, este percentual deverá atingir mais de 4%, e até 2030 mais de 8% da demanda nacional. Segundo ele, o crescimento da energia solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira trará maior diversidade de suprimento e segurança energética ao país, contribuindo para a atração e desenvolvimento de uma nova cadeia produtiva nacional, com responsabilidade ambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa.

“Esse potencial é de 28,5 mil GW, são quase 30 TW, e isso para nós é totalmente compreensível, os estudos feitos pelo National Renewable Energy Laboratory nos Estados Unidos também apontavam para esse potencial de dezenas de milhares de gigawatts que a Absolar já havia divulgado no passado em números qualitativos e que a EPE confirmou em números quantitativos”, comentou Sauaia na primeira edição do Brasil Solar Power, realizado no Rio de Janeiro. “A EPE já fez mapeamento preliminar das áreas de telhados residenciais e aponta potencial de 164 GW de solar em geração distribuída. E ainda falta incluir no cálculo o comércio, indústria, estacionamentos… então esses números serão multiplicados. A conclusão é de que há potencial para a solar fotovoltaica, isso mostra que a fonte é a maior do Brasil e maior que a somatória de outras fontes assim como ocorre em outros países, agora temos essa ideia do potencial de mais de 200 vezes o que temos de capacidade instalada no Brasil”, concluiu ele.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira e Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Planejamento e Expansão

Países emergentes ‘superam pela 1ª vez’ os mais ricos em investimento em energia limpa

Os investimentos em energia eólica, solar e hidroelétrica foram também mais do que o dobro do valor aplicado em novas usinas de carvão e gás, aponta relatório, realizado anualmente pela REN21 – organização que reúne uma rede de empresários, cientistas e gestores públicos em prol do avanço deste setor. Ao mesmo tempo, os custos de fontes renováveis também foram reduzidos.

No ano passado, cerca de 147 gigawatts (GW) de energia renovável, principalmente eólica e solar, foram acrescentados à capacidade de geração do planeta, o equivalente à toda a capacidade de geração a partir de todas as fontes na África.

China, Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha e Índia foram os países que mais contribuíram para esse crescimento, ainda que os preços de combustíveis fósseis tenham caído significativamente em 2015.

Apesar de não estar entre os cinco principais países no total de aplicado, o Brasil se destaca por ocupar a vice-liderança em investimentos em energia hidroelétrica, de biodiesel e etanol, atrás da China, e o quarto em energia eólica.

Também é o terceiro país com a maior capacidade de geração de energia renovável quando é levada em conta a fonte hidrelétrica, atrás de China e Estados Unidos.

“Esse aumento, essencialmente a partir de energia solar e eólica, é um indicativo claro de que essas tecnologias são competitivas financeiramente (em relação aos combustíveis fósseis)”, diz Christine Lins, secretária-executiva da REN21.

“Elas são priorizadas por muitos países e cada vez mais também por empresas e investidores, o que é um sinal muito positivo.”

‘Notável’

O investimento em energia renovável atingiu US$ 286 bilhões em 2015.

Com a China respondendo por mais de um terço do total no mundo, os países em desenvolvimento superaram as nações mais ricas pela primeira vez.

Estas nações investiram US$ 156 bilhões no ano passado, um aumento de 19% em relação a 2014.

No caso do Brasil, o país foi o segundo do mundo em ampliação da capacidade hidrelétrica. E foi o quarto de eólica, embora o estudo ressalte a falta de linhas de transmissão para levar a energia gerada pelo vento até os consumidores.

Ao comparar o valor empenhado em um país com seu Produto Interno Bruto (PIB) de um país, os principais investidores foram países pequenos, como Mauritânia, Honduras, Uruguai e Jamaica.

“Isso mostra que os custos caíram tanto que as economias emergentes passaram a se concentrar em renováveis”, afirma Lins. “Esses países são os que têm o maior crescimento de demanda por energia, e este ponto de inflexão é um acontecimento notável.”

Na União Europeia, apesar de uma queda significa dos investimentos em renováveis de cerca de 21%, essas são agora a principal fonte de energia, respondendo por 44% da capacidade de geração em 2015.

Contratempos

Os autores do estudo destacam que um sinal do comprometimento de países com a energia renovável é o fato de, no início de 2016, 173 terem metas para a ampliação de sua oferta.

E não são apenas as nações que estão progredindo. Nos Estados Unidos, 154 companhias, responsáveis por empregar 11 milhões de pessoas, se comprometeram a consumir apenas energia renovável.

No entanto, algumas áreas ainda resistem à transição para essas fontes, como o setor de transporte e de aquecimento e resfriamento. A queda no preço do petróleo contribuiu para isso.

Mas os pesquisadores apontam que, mesmo diante desses contratempos, não há dúvidas de que o avanço da energia renovável é uma tendência sem volta.

“Trabalho neste setor há 20 anos, e, agora, os argumentos econômicos estão a plenamente a favor disso”, afirma Lins.

“A indústria da energia renovável não depende mais de um punhado de mercados. Tornou-se ela própria um mercado global, e isso é muito animador. E o melhor ainda está por vir.”

Brasil aposta em novas fontes renováveis

As chamadas novas fontes renováveis de energia, formadas por usinas eólicas, solares e de biomassa, foram as que mais cresceram nos últimos anos no Brasil. Entre 2005 e 2014, a produção desse tipo de energia aumentou 146%, enquanto as hídricas avançaram 10%; o petróleo, 38%; e o gás natural, 80%, segundo o Balanço Energético Nacional 2015 (BEN).

Embora ainda tenham uma participação pequena na matriz energética, elas vão reforçar as medidas do governo para que o País consiga atingir as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa definidas na 21.ª Conferência do Clima (COP 21), ocorrida em dezembro, em Paris. O objetivo do Brasil é reduzir as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030.

Para isso, o governo pretende elevar a participação das novas fontes renováveis de 9%, em 2014, para 24% da produção de energia elétrica do País até 2030, diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. “Hoje, a média dessas novas energias renováveis na matriz mundial está em torno de 6%. É claro que alguns países têm participação maior, como a Alemanha (13,4%).”

Na opinião de Tolmasquim, o Brasil vai continuar mantendo sua posição de liderança na produção de energia limpa nos próximos anos. E isso deve ocorrer a despeito da queda dos preços do petróleo e mesmo com a perspectiva de que o barril não volte aos patamares de US$ 100.

O País tem uma matriz energética invejável comparada ao resto do mundo. Pelos dados do Balanço Energético Nacional, cerca de 40% da oferta interna de energia vem de fontes renováveis – que incluem a energia hidrelétrica e o etanol – e 60% de combustíveis fósseis. No mundo, a média de uso de energia limpa era de apenas 13,8% em 2013, último dado da Agência Internacional de Energia.

Os números brasileiros já foram melhores. Em 2009, por exemplo, 46,8% da oferta de energia no País era renovável. Tolmasquim explica que a queda é reflexo da crise hídrica que assolou o País nos últimos anos e exigiu a produção de energia elétrica de óleo combustível e diesel. “O Brasil é privilegiado. Tem água em abundância, vento forte e sol o ano todo”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Segundo ele, a energia eólica e a solar vão crescer muito nos próximos anos e exigir estudos avançados em novas tecnologias. Como são fontes intermitentes, que estão sujeitas às intempéries da natureza, elas não conseguem garantir um volume de produção o tempo todo. Por isso, o mundo vem apostando em estudos para o desenvolvimento de baterias que consigam armazenar a energia produzida por essas novas fontes renováveis.

“Algumas empresas têm estudos aprofundados. Mas, por enquanto, elas são muito caras”, destaca o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, um dos principais cientistas brasileiros especializados em energia. Ele explica que as baterias são as mesmas que são usadas para os carros elétricos, mas com mais capacidade. “Para se ter uma ideia do custo, as baterias usadas nos carros custam mais de US$ 20 mil, quase metade do valor do carro.”

Na avaliação dele, enquanto essas inovações continuam no papel, o Brasil deveria voltar a investir nas hidrelétricas com reservatórios, que acumulam água e, portanto, armazenam energia. Como os novos potenciais hidrelétricos estão localizados na Amazônia, a pressão ambiental em cima das hidrelétricas tem tornado inviável a construção de usinas com represas. Isso diminuiu a capacidade de armazenamento de água e deixou o País mais vulnerável às condições climáticas.

Na opinião de especialistas, as usinas eólicas devem ser usadas como complemento. No período de seca no Sudeste, as eólicas produzem mais no Nordeste. Mas é preciso ter usinas de reserva para o caso de o vento diminuir e reduzir a geração de energia.

Enquanto persistem as discussões sobre como armazenar a energia, a eólica continua tendo forte expansão e tem recebido vultosos investimentos. Foram R$ 22 bilhões em 2015 e, para este ano, a expectativa é aplicar outros R$ 25 bilhões. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, em 2015 o setor cresceu 35% comparado com 2014 e colocou o País na 10.ª posição no ranking dos maiores produtores do mundo.

Solar

A energia solar está num estágio atrás da eólica, mas tem atraído investidores. Com a realização de leilões específicos para a fonte, o Brasil conseguiu dar o pontapé inicial na ampliação da fonte renovável, que ainda é incipiente – em 2014, o País tinha apenas 15 megawatt (MW) de energia solar instalada. Nos leilões, entretanto, foram contratados mais de 2,5 mil MW.

Maurício Tolmasquim diz que o planejamento da matriz energética brasileira inclui ainda a ampliação da produção de etanol. Apesar da crise que abalou o setor e fechou várias usinas, ele diz que a previsão é ampliar a fatia do produto de 38% para 49% entre os combustíveis até 2030.

Além das renováveis, uma fonte fóssil, mas menos poluente que o petróleo, deve ganhar espaço na matriz energética mundial, diz Pires. Para ele, o gás natural será o combustível da transição de uma economia suja para uma mais limpa.

Fonte: O Estado de São Paulo