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Tecnologias disruptivas são tendência para transição energética no Brasil

Assunto foi tema de mesa redonda com especialistas, players e financiadores nacionais e globais

Por Daniel Turíbio | Assessoria de imprensa CERNE

O Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta terça-feira (07), da Thought Leaders Roundtable 2018, evento promovido pela revista internacional Recharge News e que integra a programação do Brazil Wind Power, que acontece de 07 a 09 de agosto no Rio de Janeiro.

O encontro reuniu os principais players, representantes do governo e financiadores para discutir como a indústria eólica poderá conduzir o Brasil para uma transição energética. Na mesa estiveram presentes o economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o gerente geral para a América do Sul da fabricante de aerogeradores chinesa Goldwind, Liang Xuan, e a conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Talita Porto.

Foto: CERNE Press

Com mais de 13GW instalados, o vento é a segunda tecnologia de geração de energia mais competitiva do Brasil e possui um histórico inquestionável. Entretanto, a indústria está enfrentando um cenário de rápida mudança.

Tecnologias disruptivas

As tendências disruptivas podem ser vistas nos novos players de mercado, incluindo empresas de petróleo e fundos de investimento, que estão influenciando a forma como o setor é planejado, bem como na transformação da infra-estrutura do setor, que vem tomando novas formas pelo surgimento de projetos híbridos e a eletrificação mais ampla da sociedade.

Nesse cenário, Prates salientou que a tendência disruptiva no setor energético pode levar de 3 até 30 anos, dependendo da tecnologia, para fechar o seu ciclo, que compreende desde a sua viabilidade inicial até quando ela atinge amplamente o mercado, anteriormente ocupado por outra tecnologia. “Com a energia eólica essa tendência é notória no Nordeste brasileiro, pela força e rápida evolução do setor na região nos últimos dez anos, chegando a atingir recordes de geração. Recentemente 72% da energia gerada no Nordeste veio das eólicas e a região detém mais de 85% das usinas em operação no país”, explicou o especialista.

A indústria eólica vem atraindo novos players, dentre eles instituições financeiras, empresas de tecnologia, fundos de investimento e, especialmente, as grandes companhias de petróleo que nos últimos anos estão adotando uma nova política de transição energética, apostando em geração renovável.

“O desafio é chegar ao consumidor com a energia mais barata possível. Por outro lado, o consumidor ganhou maior poder de barganha para escolher que tipo de energia ele quer comprar e de qual fonte, visando seu melhor conforto”, analisa Jean-Paul. Ele também destacou o papel das distribuidoras de energia nesse novo cenário. “A empresa que antes era um mero ‘repassador’ de energia, a partir de agora, vai desempenhar um papel muito mais importante. Será como um ‘super mercado’, oferecendo vários pacotes de vendas de energia, cada um destinado a um tipo de consumidor, atendendo suas necessidades específicas”.

Para o Presidente do CERNE, o novo mercado de energia será orientado pelo consumidor. “Essa transição ainda demora, mas estamos indo em direção a comoditização da energia”, salientou Prates.

Desafios para a geração

As novidades para desse segmento ficam por conta da repotenciação de turbinas eólicas e modernização tecnológica de parques eólicos antigos, a hibridização da geração de energia e o avanço do mercado offshore eólico também são pontos chaves no futuro da indústria dos ventos.

Depois de introduzir este tema na pauta nacional em 2017, o Cerne voltou a discutir a evolução das instalações de geração eólica offshore e os desafios regulatórios, operacionais e econômicos da atividade no país. O assunto foi decisivo para a formação de uma Comissão Executiva, no âmbito do Cerne e empresas associadas para conduzir o Programa de Promoção e  Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro (PROEB).

“A costa marítima do Rio Grande do Norte e Ceará possuem o ambiente operacional mais competitivo para investimento em offshore eólico no Brasil e no mundo para os próximos 10 anos”, destacou Prates.

Leilões

Durante a abertura do Brazil Windpower, o presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Steve Sawyer, elogiou e destacou a importância da realização dos leilões federais para a consolidação do setor ao longo de uma década, no Brasil.

“Vocês [o Brasil] criaram um padrão que revolucionou a forma como as fontes renováveis são compradas no mundo”, afirmou o executivo.

Hoje, o Brasil já ocupa a oitava posição no ranking global de países, quanto à geração de energia eólica, e o Nordeste concentra mais de 84% das instalações e turbinas. A indústria representa atualmente 13,4 gigawatts de capacidade instalada em 534 parques operando em 12 estados.