Leilão de energia contrata R$1,9 bi em usinas e tem recorde de preço para solares

Daniel Turíbio | CERNE Press com informações Reuters e Tribuna do Norte

O leilão de energia A-4 realizado na última nesta sexta-feira (28) surpreendeu ao contratar um volume de projetos ainda inferior às já pessimistas expectativas de analistas, com a economia em passo lento e a migração de consumidores para o mercado livre impactando a demanda no certame.

O resultado, no entanto, ainda foi visto como amplamente positivo pelo governo, por viabilizar empreendimentos que deverão demandar cerca de 1,9 bilhão de reais em investimentos e pela marca de um recorde histórico para as usinas solares, que registraram o menor preço já praticado pela fonte em licitações no Brasil.

O A-4 contempla empreendimentos que precisarão entrar em operação até 2023. No ano passado, o leilão contratou 1 gigawatt, um volume que analistas colocavam como a expectativa para a licitação desta semana, que acabou com menos da metade disso, quase 402 megawatts.

Resultados

O certame registrou deságio médio de 45% frente aos preços teto estabelecidos, com destaque principalmente para as solares, que bateram novo recorde, e as usinas eólicas, que viram os preços chegarem perto de mínimas históricas tocadas em 2018.

Os empreendimentos solares contratados somaram uma capacidade instalada de 203,7 megawatts, em seis projetos, que deverão exigir aportes de 856,2 milhões de reais. A fonte chegou a negociar energia a 64,99 reais, bem abaixo dos cerca do mínimo de 117 reais na licitação de 2018.

Já as eólicas somaram 95 megawatts, em três usinas, com preços de até 79,92 reais por megawatt-hora –patamar próximo, mas ainda superior aos 67 reais atingidos no leilão A-4 do ano passado.

Foram viabilizadas no leilão, ainda, cinco pequenas hidrelétricas, com total de 81,3 megawatts em potência, e uma central de geração à biomassa, com 21,4 MW.

O preço final médio do certame foi de 151,15 reais por MWh.

 

 

 

 

 

Nordeste

Dos 305 projetos de energias renováveis cadastrados para o Rio Grande do Norte no leilão, somente um foi contratado pela empresa VDB II. O empreendimento Vila Alagoas III terá como fonte a eólica. O investimento será de R$ 86,1 milhões divididos entre os 33 lotes do parque eólico, que terá potência de 21,000 megawatts. O vizinho Ceará foi o Estado campeão em contratações, com cinco empreendimentos. A Bahia, que cadastrou 456 projetos para o certame em referência, não teve nenhum deles contratado.

Questionado sobre o resultado do leilão, o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, reconheceu que houve um resultado ruim. “Baixíssima contratação em todo o Brasil. Baixa expectativa de crescimento econômico, demanda baixa de contratação de energia”, argumentou. Ele destacou, ainda, que 76% dos projetos do Leilão A-4 foram recadastrados para o Leilão A-6 (previsto para ocorrer no fim do ano). “O mercado esperava baixa contratação. Não foi surpresa”, destacou Darlan Santos.

 

RN – Projetos cadastrados A-4 

Fotovoltaica / 124 projetos / 4.628 MW

Total: 10,5 GW

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
RN – Projeto Contratado

Empresa: VDB IIEmpreendimento: Vila Alagoas III

Fonte: Eólica

Investimento: R$ 86.126.250,00

Potência: 21,000 MW

Lotes contratados: 33

Preço de referência: R$ 208,00/MWh

 

 

 

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