Governo suspende leilões de energia elétrica

Coronavírus fez despencar consumo de eletricidade no país

O Ministério da Minas e Energia suspendeu, nesta segunda-feira, todos os leilões de energia elétrica comandados pela pasta. São licitações para construção de novas linhas de transmissão e novas usinas de geração de energia elétrica que não têm nova data para acontecer.

A medida foi tomada por conta do avanço do novo coronavírus e das incertezas que a doença trouxe para a economia.

A demanda por eletricidade, importante indicador da atividade econômica, está em forte baixa no Brasil, por conta das medidas de isolamento decretadas por governos contra a Covid-19 que levaram ao fechamento temporário de diversos negócios. Isso cortou a carga de energia a níveis geralmente vistos em sábados ou domingos.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que o consumo de energia elétrica deve cair 0,9% no ano. A previsão anterior era crescer 4,2%.

Está em curso a realização de quatro leilões de energia nova em 2020. Eram leilões para entregar usinas num prazo de quatro, cinco e seis anos. Essas licitações contratam principalmente geração de energia para fontes renováveis, como eólica e solar, além de usinas térmicas a gás.

Também está sendo preparado um leilão para construção de novas linhas de transmissão. Tudo foi interrompido por prazo indeterminado e sem nova data para os leilões.

“Os agentes do setor elétrico, assim como de todos os demais setores da economia no Brasil e no mundo, foram surpreendidos pela excepcional mudança de hábitos de consumo da sociedade, na busca pelo enfrentamento ao contágio pelo coronavírus (Covid-19), classificado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde”, destacou o ministério, em nota.

A pasta garante que não há cancelamento dos leilões de 2020 no setor elétrico, mas uma postergação.

Fonte: Manoel Ventura | O Globo

Capacidade eólica pode crescer 112% na década

Estimativa da Wood Mackenzie leva em consideração o impacto da pandemia de coronvírus que será mais sentida neste ano, média projetada é de 77 GW

A consultoria Wood Mackenzie indica que a despeito da pandemia do novo coronavírus espera que as adições globais de capacidade de energia eólica fiquem a uma média anual de 77 GW entre 2020 e 2029. Se essa previsão se confirmar, ao final desta década o consolidado representará um crescimento de 112% na capacidade instalada global quando comparada ao final de 2019.
Segundo relatório ‘Atualização da Perspectiva de Mercado Eólico Global: 1T 2020’ (na tradução livre do inglês), 62 GW de capacidade eólica foram adicionados nos 12 meses de 2019, o que representa um aumento de 23% em relação a 2018 e o segundo maior total anual após 2015, quando alcançou 63 GW.
A consultoria aponta que a aceleração na implementação deve-se ao ritmo induzido por políticas na China e nos Estados Unidos, que provocou um aumento de 11,5 GW nas adições de capacidade líquida global de 2019 em comparação com 2018. E, acrescentou, embora a história para 2019 seja positiva, 2020 não seguirá esse caminho por conta do impacto da pandemia.
As adições anuais na América Latina terão uma média superior a 4 GW. O desenvolvimento do mercado livre no Brasil, a execução dos prêmios inaugurais de leilão na Colômbia, a oportunidade apresentada pelas aposentadorias de carvão no Chile e a crescente demanda do segmento de no México apresentam potencial de contribuirão para um crescimento médio anual de 9% na região de 2020 a 2029.
Já o cumprimento das metas de energia e clima da UE para 2030 impulsionará a adição de 225 GW na Europa durante o período de previsão, de acordo com Wood Mackenzie. Por lá, as restrições de terra em países maduros impulsionarão um quarto do crescimento da Europa no exterior, onde o setor compreenderá 32% das adições na Europa Ocidental e 43% das adições no Norte da Europa entre 2020 e 2029.
Por sua vez, as restrições da cadeia de suprimentos e os atrasos causados ​​pelo coronavírus reduzirão o potencial de crescimento de curto prazo na China, mas os desenvolvedores ainda conseguirão conectar 26 GW de energia eólica à rede em 2020 por lá.

Aneel libera operação de 25,2 MW eólicos no Rio Grande do Norte

Decisão envolve usina Vila Rio Grande do Norte I e testes em duas EOLs do mesmo complexo

A Agência Nacional de Energia Elétrica deliberou a operação comercial da central de geração eólica Vila Rio Grande do Norte I, localizada em Serra do Mel, no Rio Grande do Norte. A decisão contempla seis aerogeradores de 4,2 MW cada, totalizando 25,2 MW de potência.

No mesmo município, a Aneel também deu provimentos para as usinas Vila Rio Grande do Norte II e Ventos de Vila Paraíba II, liberando para testes três unidades geradoras de 4,2 MW, somando 12,6 MW, e dois aerogeradores de aproximadamente 3,4 MW, perfazendo um total de 6,9 MW de capacidade, respectivamente.

fonte: Canal Energia

Eletrobras adia calendário e elétricas seguem adaptação ao efeito Covid-19

Furnas adota redundância funcional nos centros de controle e protocolos de desinfecção em instalações, enquanto Itaipu avalia situação e esforços entre as duas margens da usina

Sob impacto da pandemia do novo Coronavírus, a Eletrobras informou na noite da última sexta-feira (20) o adiamento em dois dias do seu calendário de eventos divulgado no site e na Comissão de Valores Mobiliários – CVM, envolvendo as datas de arquivamento de suas Demonstrações Financeiras de 2019, a realização da teleconferência ao mercado e a Assembleia Geral Ordinária – AGO. Todas alterações podem ser visualizadas nesse link.

A estatal tem adotado providências para preservar seus empregados, colocando parte substancial em regime de teletrabalho, restringindo a realização de viagens nacionais e a participação de muitas pessoas em reuniões, além de proibir viagens internacionais. Um Comitê de Crise foi criado para coordenar todas as ações relativas à situação. A companhia ainda explicou que necessitará de um prazo maior para concluir suas demonstrações porque tem de compilar os dados de oito controladas, além de contabilizar os efeitos de 25 coligadas e 136 sociedades de propósito específico.

Seguindo determinação da holding, Furnas apresentou um plano de contingência para garantir a disponibilidade de instalações essenciais à operação do sistema elétrico. Todos os Centros de Operação e o Centro de Supervisão de Telecomunicação estão com as estruturas de redundância funcionais, permitindo que as atividades realizadas por um centro possam ser realizadas por outro em caso de contaminação pelo Covid-19 de algum integrante da equipe. Também foram finalizados os planos para subestações e usinas, bem como os protocolos para desinfeção das instalações do sistema da concessionária.

Estamos tomando todas as precauções, seguindo protocolos médicos e administrativos junto com a nossa controladora Eletrobras”, destacou o presidente de Furnas, Luiz Carlos Ciocchi, em comunicado aos profissionais da empresa por meio de vídeo.

Espírito de união em Itaipu

Já em Itaipu, os diretores-gerais do Brasil e do Paraguai, general Joaquim Silva e Luna e Ernst Bergen, fizeram nesta segunda-feira, 23 de março, um balanço geral sobre as diretrizes que as duas margens da usina vêm adotando para o enfrentamento do avanço da enfermidade. O diretor administrativo da usina, almirante Paulo Roberto da Silva Xavier, falou em “espelhamento das ações”, respeitando-se as necessidades de cada país para garantir a normalidade dos serviços.

“Alguns empregados precisam trabalhar em suas residências. Já outros não podem deixar o trabalho presencial para garantir a energia elétrica que nossos povos precisam, em especial, nessa hora de luta. Essas duas forças se apoiam e se completam de forma solidária”, comentou. Presencialmente, além da produção de energia, os colaboradores da UHE lidam com o manejo das fundações, dos tratadores de animais dos refúgios, da Segurança Empresarial, além de plantonistas de áreas estratégicas, que ainda mantém representação na empresa.

Em textos distintos, as duas margens reforçaram o espírito de união, afirmando que as diretorias “nunca estiveram tão irmanadas” no mesmo objetivo de proteger seus trabalhadores e continuar produzindo energia para o desenvolvimento dos dois países. “Vivemos tempos desafiadores, que testam nossa capacidade de lidar com incertezas. Nesses tempos, nosso bem maior a ser tutelado é a nossa união. A ela se somam solidariedade, família, fortaleza moral e muita fé”, declarou Silva e Luna.

Equatorial fecha agências e Cosan diz que não vai demitir

A partir desta segunda-feira (23), todas as distribuidoras do Grupo Equatorial estarão com as lojas físicas fechadas por tempo indeterminado, diz o informe. Com a medida, a companhia orienta seus clientes a solicitarem os serviços e atendimentos emergenciais pelos canais digitais, como site e o WhatsApp de cada concessionária do grupo. “No momento, a maior preocupação da Equatorial é garantir que hospitais, centros de saúde e toda a população recebam energia com qualidade e segurança”, frisa o comunicado.

Em nota à imprensa, a Cosan e suas controladas, Rumo, Raízen, Comgás e Moove, informaram que não farão demissões em seu quadro pessoal nesse momento, e que o foco está em tomar as medidas necessárias para a continuidade das atividades de forma remota e presencial, garantindo as ações pertinentes nas áreas de segurança física, de higiene e suporte psicológico.

Fonte: Henrique Faerman | Canal Energia

 

MME instala comitê de crise para garantir funcionamento dos serviços de energia

Agentes vinculados a pasta deverão apresentar plano de ação para preservar a saúde das equipes e a produção de suprimentos de itens essenciais para indústria e comércio

O Ministério de Minas e Energia instalou um Comitê Setorial de Crise para resguardar a saúde de servidores e, também, garantir o funcionamento dos serviços de energia. O Comitê irá articular, coordenar, monitorar, orientar e supervisionar medidas a serem adotadas pelos órgãos e agentes vinculados a pasta.

“O Ministério de Minas e Energia, considerando a situação excepcional que acomete o mundo em decorrência da pandemia causada pelo Covid-19, orienta, aos setores de energia e de mineração, a adoção de medidas específicas para a preservação da segurança e da adequabilidade do suprimento de energia elétrica e combustíveis, bem como dos bens minerais, em condições de atendimento às necessidades da população, da indústria e do comércio, observando, rigorosamente, os protocolos de operação segura”, diz a Portaria n° 117/2020 publicada no Diário Oficial da União na noite de quarta-feira, 18 de março.

Os agentes dos setores de energia elétrica, petróleo, gás natural, mineração e biocombustíveis deverão apresentar aos respectivos órgãos reguladores Plano de Ação, com vistas a manutenção da prestação dos serviços. As empresas e as agências reguladoras, além do Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deverão enviar diariamente, até as 12h ou, dependendo da urgência e gravidade, a qualquer momento, as seguintes informações, no que couber:

a) Setores de Energia Elétrica: as situações da geração, da transmissão, da distribuição e das barragens; e alertas de cheias.
b) Setores de Mineração: os monitoramentos das barragens e dos riscos naturais; e alertas de cheias.
c) Setores de Petróleo, Gás e Biocombustíveis: as produções de petróleo e seus derivados, de gás natural e de biocombustíveis; o suprimento de gás natural; e a situação do abastecimento.
d) Todos os Setores: número de Servidores ou Empregados, incluindo Terceirizados, afetados pelo vírus covid-19, informando a localização geográfica; e quaisquer outros dados considerados relevantes.

O comitê será composto por membros da secretária-executiva do MME, chefe de gabinete do ministro, os quatro secretários (Energia Elétrica; Planejamento e Desenvolvimento Energético; Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis; e Geologia, Mineração e Transformação Mineral), bem como o Chefe da Assessoria Especial de Acompanhamento de Políticas, Estratégias e Desempenho, Consultoria Jurídica e Subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração.

O Brasil tem 530 casos confirmados de pessoas contaminadas pelo coronavírus, 11,2 mil casos suspeitos e 4 mortes.

Fonte: Wagner Freire | Canal Energia

Coronavírus cria incerteza para leilões de energia e analistas defendem adiamentos

Os leilões do governo para novos projetos de energia, principalmente os que envolvem fontes renováveis, como usinas solares e eólicas, podem estar comprometidos pelo coronavirus

Reuters – A pandemia global de coronavírus e seus desdobramentos sobre a economia têm gerado uma onda de incertezas em relação aos próximos leilões do governo no Brasil para novos projetos de energia, principalmente os que envolvem fontes renováveis, como usinas solares e eólicas, disseram especialistas à Reuters.

As licitações do setor elétrico atraíram nos últimos anos intenso apetite de investidores mesmo em meio a uma recessão histórica do país, mas agora preocupações sobre o comportamento de fatores como câmbio e custos de captação de recursos já levam consultores a defender até a postergação de ao menos algumas das disputas.

Estão agendados para 30 de abril leilões para contratar térmicas a gás e carvão em substituição a usinas em operação cujos contratos vencerão nos próximos anos. Em 28 de maio, deve ocorrer o leilão A-4, para novos projetos de geração renovável.Estão previstas, ainda, uma licitação para projetos de geração incluindo termelétricas em setembro (A-6), e dois certames de concessões para a construção de linhas de transmissão, em junho e dezembro.

“Os clientes têm nos procurado e sinalizado muita dúvida no momento de preparar suas ofertas. Em algumas tecnologias os equipamentos são importados e com isso tem muita incerteza do câmbio”, disse à Reuters o presidente da consultoria PSR, Luiz Barroso.

A moeda norte-americana está em franca disparada desde o início da crise do coronavírus e acumula valorização de mais de 25% frente ao real em 2020.

Enquanto o estresse nos mercados pode levar empresas a projetar cenários pessimistas, o que aumentaria os preços da energia nos leilões e prejudicaria consumidores, eventuais apostas em cenários mais otimistas que não se concretizem à frente podem gerar risco de abandono de projetos, apontou Barroso.

“Essa poderia ser uma razão para cogitar o adiamento”, afirmou ele, apontando que uma decisão nesse sentido poderia ser “prudente” ao menos para os leilões A-4 e A-6, que sofreriam maior impacto de fatores como o câmbio.

“Acho que seria uma medida inteligente parar para pensar. Eu adiaria o cronograma desses leilões. Nessa hora, é como se a gente estivesse em um quarto escuro, e todo mundo vai dando passos bem curtos para não tropeçar”, disse o vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da Electra Energy, Edvaldo Santana.

Além da tensão entre os investidores, ele ressaltou que o coronavírus pode gerar efeitos significativos sobre a demanda por energia, o que impactaria até mesmo a necessidade de contratação das novas usinas nos certames.

“É um pouco arriscado falar isso, mas acho que se o problema durar mais três meses vamos ter uma queda do consumo em 2020 que vai ser inédita em relação a períodos sem racionamento, vai ser muito grande. Espero estar errado”, apontou Santana, que é ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Procurado, o Ministério de Minas e Energia afirmou em nota que “está acompanhando a evolução do Covid-19 e seus impactos sobre o mercado de energia”, mas destacou que “por ora, esses leilões estão mantidos”.

Alternativamente, a PSR sugere que o governo amplie o prazo para que distribuidoras definam quanto em energia comprarão nas licitações, o que poderia evitar cenários de sobrecontratação.

RENOVÁVEIS EM XEQUE

A avaliação entre especialistas é de que todas licitações podem ser impactadas de alguma maneira, mas a maior preocupação é com o leilão A-4, mais próximo e voltado principalmente a usinas eólicas e solares.

Projetos fotovoltaicos são os que mais dependem de equipamentos produzidos na China e cotados em dólares, o que já fez empresas desistirem de investimentos no Brasil em 2016, após um salto da moeda dos EUA em meio à recessão e impeachment de Dilma Rousseff.

Com isso, o governo acabou por promover em 2017 um inédito “leilão reverso”, no qual diversas empresas pagaram pelo direito de abandonar seus projetos sob penalidades menores que as previstas em contrato.

“O fato de energia ser um investimento de longo prazo reduz um pouco esses efeitos, mas uma série de decisões têm de ser feitas agora, como pré-contratos de equipamento”, disse o consultor Tiago de Barros, ex-diretor da Aneel.

“Já tivemos no passado um problema com solar porque o dólar disparou”, lembrou ele, pontuando que nesse cenário seria difícil para investidores na fonte repetir a redução recorde de preços das últimas licitações.

Os impactos das incertezas seriam menores para o leilão de térmicas agendado para abril e para os certames de transmissão, mas mesmo neles poderia se esperar uma menor agressividade nas licitações, em uma importante virada de tendência.

O último leilão de projetos de transmissão, em dezembro, registrou deságios recordes na receita teto oferecida aos investidores, de 60%.

“Estava todo mundo bem otimista, e agora está todo mundo no mínimo com muitas dúvidas. Diria que hoje a estimativa inicial é de que todos leilões vão ter menos deságio, está todo mundo exigindo mais retorno”, disse o sócio da consultoria Thoreos, Rodrigo de Barros.

Os mais recentes leilões de geração do Brasil atraíram interesse de gigantes como a chinesa CGNEI, a francesa EDF, a norueguesa Statfrakt e a canadense Canadian Solar.

Já em transmissão a disputa contou com a colombiana ISA, a espanhola Iberdrola e a chinesa State Grid, por meio dos braços locais ISA Cteep, Neoenergia e CPFL, além das brasileiras Equatorial, Energisa e Taesa e diversas empresas de menor porte e fundos de investimento.

Comunicado

Em atenção à solicitação do poder público de medidas de combate ao novo Coronavírus, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) reduzirá temporariamente o expediente presencial para 2 vezes na semana, na segunda e na quinta-feira. Nos outros dias, estaremos atendendo pelo email contato@cerne.org.br ou pelo nosso número de Whatsapp: (84) 99112-9854.

Eólicas no RN já podem começar operação

Aneel suspende operação comercial de UHE Sinceridade, da Cemig

A Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou nesta quinta-feira, 5 de março, o início da operação em teste das unidades geradoras UG5 e UG6 da eólica Vila Rio Grande do Norte II, localizada na cidade de Serra do Mel (RN). Cada usina tem potência de 4,2 MW, soando 8,4 MW. A EOL Ventos de Vila Paraíba II, na mesma cidade, também recebeu autorização para operar no modo teste as unidades geradoras UG7 a UG9, de 3,46 MW cada, totalizando 10,3 MW. A eólica também fica na mesmo cidade.A Aneel também decidiu suspender a operação comercial das unidades UG1 e UG2 da UHE Sinceridade, que pertence a Cemig a partir da data de hoje.

Fonte: Canal Energia

Comissão do Senado aprova novo marco do setor elétrico

Relator se diz confiante de que texto não terá emendas e seguirá para a Câmara na próxima semana

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou por unanimidade nesta terça-feira (3) o novo marco regulatório para o setor elétrico. O texto aprovado é um substitutivo trabalhado pelo senador Marcos Rogério (DEM/RO) desde meados do ano passado. O Ministério de Minas e Energia se moveu pela pauta e levou para a Comissão o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque,  e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB/PE), além do diretor-geral da Aneel, André Pepitone, e dos diretores da agência Rodrigo Limp, Sandoval Feitosa e Elisa Bastos.

Fernando Bezerra (MDB/PE) pediu a abertura da votação ainda durante a leitura do relatória para evitar que a convocação de senadores no plenário impedisse a votação na comissão.

Ainda nesta segunda (2) uma última alteração foi feita atendendo a um pedido dos ministérios de Minas e Energia e da Economia para antecipar de 18 meses para 12 meses a substituição dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUST) e de distribuição (TUSD) por valorização dos benefícios ambientais de energias renováveis, o que deve representar  R$ 3,6 bilhões do total de mais de R$ 20 bilhões estimados em  subsídios custeados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2020.

Outra alteração da nova versão é a inclusão como autoprodutor de energia do consumidor com carga mínima individual igual ou superior a 3.000 kW.

Foi retirado do texto um artigo que criava critérios para prorrogação da concessão de hidrelétricas de pequeno porte e outro que impedia a venda de energia elétrica de usinas prorrogadas por parte de autoprodutores .

O texto também prevê a separação entre lastro e energia. O lastro é uma espécie de garantia exigida pelo e paga por geradores, distribuidores e consumidores. Pela legislação atual, o lastro e a energia elétrica efetivamente gerada e consumida são negociados com se fossem um só produto. Segundo o relator, isso gera distorções que precisam ser corrigidas.

Outra mudança prevista no PLS 232/2016 é o compartilhamento, entre as distribuidoras, dos custos com a migração de consumidores para o mercado livre. Pelo modelo atual, as companhias são obrigadas a contratar toda a carga de energia elétrica para atender seus consumidores. Segundo Marcos Rogério, a migração em larga escala para o mercado livre pode fazer com que as distribuidoras tenham excesso de energia elétrica contratada ou fiquem com uma carteira de contratos mais caros.

Segunda votação pode ocorrer na próxima semana

Com a aprovação unânime do substitutivo nesta terça, a matéria aguarda o prazo regimental para proposição de emendas. Se houver sugestões, o texto será submetido a uma nova votação nominal suplementar na mesma comissão.

De acordo com o senador Marcos Rogério (DEM/RO), essa votação poderia ocorrer já na semana que vem. Mas ele se diz confiante de que o consenso formado para a primeira votação será mantido e que a matéria seguirá direto para a Câmara.

“Acredito que o texto vai para a Câmara na semana que vem. Não terá emendas”, disse à epbr ao final da reunião.

Se o projeto for aprovado na próxima semana pela Comissão de Serviços de Infraestrutura seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados.

Texto aprovado sem oposição, mas com questionamento sobre tarifas

O senador Carlos Viana (PSD/MG) questionou o relator sobre o impacto do novo marco regulatório no valor das tarifas para os consumidores.

“A resposta responsável é que ele pode baixar a conta de luz a partir dos instrumentos que estão sendo colocados na matéria. Num ambiente de maior concorrência é justamente isso que se busca”, respondeu o relator Marcos Rogério. “Estamos equilibrando o jogo para todos os atores do mercado”, disse.

Portal E&PBR | Guilherme Serodio

Petrobras suspende projeto de eólica offshore

A decidiu suspender o projeto piloto para geração  no campo de Ubarana, na Bacia Potiguar, litoral do Rio Grande do Norte. A decisão foi comunicada ao Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental do projeto, no fim de janeiro.

Em ofício encaminhado à diretoria de Licenciamento, a Petrobras afirma que o projeto foi “reavaliado e suspenso, enquanto a empresa prospecta oportunidades de sinergias e parcerias com objetivo de desenvolver um projeto comercial de geração eólica offshore no Brasil”.

A eólica de Ubarana seria um projeto-piloto, de pesquisa. Além da torre e do aerogerador, a Petrobras previa a instalação de equipamentos para medir o potencial de geração a cerca de 20 km da costa de Guamaré, em uma região com lâmina d’água média entre 12 e 16 metros.

Na atual gestão de , a Petrobras está deixando os setores de energia, o que inclui vender e reduzir sua presença na geração renovável – além de eólica, está saindo também da produção de biocombustíveis.

Faz parte da estratégia de “maximizar o retorno para os acionistas”, isto é, investir na produção de petróleo e gás natural do pré-sal, ativos que dão mais retorno. No fim do ano passado, a companhia desistiu de uma parceria para estudar projetos eólicos offshore ao lado da Total Eren, divisão da petroleira francesa Total. Poder360

Essa postura, inclusive, começa a ser questionada por analistas de mercado. Durante a apresentação dos resultados da companhia, em fevereiro – quando revelou um lucro recorde de R$ 40 bilhões –, foram feitos questionamentos se o freio na transição energética não pode impactar a reputação e a competitividade da empresa no futuro.

“Acho que após mais dois anos de trabalho árduo a empresa será mais competitiva e estará preparada para concluir quais serão as áreas competitivas em renováveis para a Petrobras”, avaliou Andrea Almeida, diretora financeira da companhia. Valor

Por enquanto, o foco da empresa é em mitigação de emissões. Pretende investir US$ 850 milhões até 2024 em medidas descarbonização da sua produção de petróleo e gás natural – por ano, serão US$ 70 milhões em P&D e mais US$ 100 milhões para interromper emissões em flare, captura e armazenamento de CO2 e eficiência energética.

Enquanto isso, serão apresentados, no próximo dia 11 de março, os estudos de impacto ambiental (.pdf) do parque eólico offshore Caucaia, da , no litoral do Ceará. É a primeira audiência pública para licenciamento de eólica offshore no país.

A Bi Energia pretende instalar 59 aerogeradores, 48 deles em mar aberto, com potência instalada total de 576 MW, e outras 11 torres, com o total de 22 MW no total, em terra.

E no mês passado, a Neoenergia iniciou o licenciamento de três novos projetos para a construção de eólicas offshore no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e também no Ceará. Juntos, somam 9 GW de capacidade instalada em 600 aerogeradores – maiores projetos em planejamento no país.

Primeira solar flutuante de São Paulo

Começou a operar, em fase de testes, a primeira usina fotovoltaica flutuante da cidade de São Paulo. Com investimento de R$ 450 mil, o projeto está instalado em uma área de mil m² do reservatório Billings junto à usina elevatória de Pedreira e pretende avaliar a viabilidade da implantação de usinas fotovoltaicas nos reservatórios da capital.

A construção da usina foi feita em parceria com a Sunlution Soluções em Energia, que foi escolhida a partir de uma chamada pública. Se o resultado for positivo, a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) abrirá nova chamada pública para implantação de usinas semelhantes nas represas Billings e Guarapiranga.

A Sunlution atuou também para a Chesf, na instalação da solar flutuante de Sobradinho, na Bahia – projeto de P&D que instalou uma usina de 1MW de potência no reservatório da hidrelétrica.

Chegada do B12

Entrou em vigor no domingo (1º) o novo percentual mínimo de que deverá ser misturado ao óleo diesel de petróleo, que sobe de 11% (B11) para 12% (B12) – segunda etapa do planejamento para elevar o teor do biocombustível para 15% (B15) em 2023.

No período de transição, os estoques de B11 nos postos ainda poderão ser vendido, mas a introdução do B12 deve elevar a demanda nacional de biodiesel para 6,9 bilhões de litros em 2020, frente aos 5,9 bilhões produzidos em 2019.

A política para o biocombustível deve implicar em um aumento da capacidade de produção brasileira nos próximos anos. Atualmente, os produtores nacionais são capazes de entregar 9 bilhões de litros por ano e, de acordo com projeções da EPE, a demanda deve atingir 9,55 bilhões em 2023, primeiro ano do B15.

A elevação do percentual também ocorre em momento de alta no preço do biocombustível, negociado em leilões, sob regulação da ANP. Na disputa mais recente (L71), o litro do biodiesel foi negociado a R$ 2,912; no leilão anterior (L70), por R$ 2,857 na média nacional – os preços giravam em torno de R$ 2,30 nos leilões anteriores. Folha

Representa o aquecimento do mercado da soja lá fora, com aumento da demanda da China, em meio às disputas comerciais com os EUA.

Mas também a situação da produção no Brasil, com usinas de menor porte tendo dificuldade para competir e até manter suas atividades. Em 2019, 41 usinas de biodiesel entregaram o biocombustível, das mais de 90 autorizadas a operar pela ANP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Felipe Maciel, Guilherme Serodio e Larissa Fafá
Editada por Gustavo Gaudarde | E&PBR

Rio Grande do Norte manterá liderança eólica até 2025

Estado tem 3,1 GW contratados, o que elevará sua potência instalada para 7,3 GW até 2025, à frente da Bahia

Marcelo Furtado | Energia Hoje

A se basear pelos projetos em operação, em construção e contratados não iniciados, o Rio Grande do Norte continuará a ser o principal estado gerador de energia eólica do país. Atualmente, segundo dados da Aneel, o estado potiguar tem 4.176,84 MW instalados, em 156 parques, o que representa 27% da capacidade eólica nacional de 15,4 GW. A Bahia é o segundo, mesmo com mais parques (167), porém com potência instalada menor, de 4.054,39 MW.

E o cenário é de manutenção da liderança. De acordo com levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec), há 24 parques em construção (915 MW) e mais 62 contratados e não iniciados (2,2 GW). Esses 3,1 GW de capacidade farão o RN chegar a 7,3 GW, com 242 parques, até 2025. Já a Bahia, segundo dados da Aneel, tem 2,2 GW contratados (1 GW em construção e 1,2 GW não iniciados).

Com cerca de 2 mil aerogeradores em operação, o estado conta a seu favor o potencial eólico espalhado no litoral e no interior, tanto em região serrana (Serra de Santana) como plana (Mato Grande). “É o diferencial do estado, porque por exemplo no Ceará os bons ventos são no litoral e na Bahia, no interior”, explicou Darlan Santos, o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), de Natal (RN).

Segundo Santos, a continuidade da expansão se dá em todo o estado, mas com destaque em áreas que envolvem a região do Mato Grande, Serra de Santana e os municípios da Costa Branca, Serra do Mel e Areia Branca. Em Serra do Mel, há a maior potência contratada potiguar, de 769 MW. Com esse projetos (principalmente da Voltalia e da Echoenergia), segundo levantamento da Sedec, até 2025 a cidade representará 24% da potência contratada do RN.

Na região do Mato Grande, que engloba área de 5.732 km2 entre o litoral norte e o interior, continua Santos, os destaques são os municípios vizinhos João Câmara e Parazinho, cada um deles com 22 projetos instalados e que juntas totalizam em potência instalada 1,3 GW, com 742 MW e 629 MW, respectivamente. “Essas duas cidades têm a maior densidade de aerogeradores do estado e João Câmara se tornou um centro de operação e serviços para o setor”, disse. Na mesma região, outros municípios atraem investimentos, como Bento Fernandes, Jandaíra, Maxaranguape, Pedra Grande, Rio do Fogo, São Miguel do Gostoso, Touros e São Bento do Norte.

Segundo o presidente do Cerne, com todos os projetos, contratados nos últimos leilões e outros para o mercado livre, a expectativa é de se atrair para o estado até R$ 14 bilhões em investimentos até 2025. Desde 2009, quando houve o primeiro leilão para eólicas no país e o RN foi o maior contratante, com 23 projetos, já foram investidos cerca de R$ 15 bilhões.