Geração renovável busca aprimoramentos para retomar o crescimento

Diferentes entidades que representam o setor apontam questões regulatórias diversas como barreiras para e oportunidades para o caminho de sua sustentabilidade. 

Os avanços da tecnologia, seus impactos nas diferentes fontes de geração renovável, alterações regulatórias e decisões governamentais são alguns dos pontos que estarão no centro das atenções do painel Geração Renovável na 15ª edição do Encontro Nacional do Setor Elétrico (Enase). E o tema promete acaloradas discussões e pontos de vista antagônicos sobre o avanço das mais diversas tecnologias que disputam leilões de energia e o novo consumidor brasileiro.

No caso da Cogen, estão no foco da associação o avanço das novas tecnologias que abre um espaço para o crescimento da geração distribuída no Brasil ao ponto de voltarmos a falar de consumidores off grid. Mas o setor vê ainda uma ampla gama de assuntos que estão voltando à pauta do segmento com os recentes anúncios do governo como os valores de referência específicos e o Renovabio. E ainda, as possibilidades de aplicação da ferramenta blockchain para a negociação de energia nos moldes do comercializador varejista.

Segundo o presidente executivo da associação, Newton Duarte, os temas nos quais a entidade já vinha trabalhando no passado continuam no foco de trabalho. Ele lembra que um dos principais é a questão das garantias físicas classificadas como estrutural e a conjuntural. Para isso, está em desenvolvimento um estudo contratado pela Raízen, a cargo da PSR para dotar o tema de argumentos técnicos que embasem a abertura de uma audiência pública para debater o assunto.

E ainda, relevou o executivo, há uma outra proposta que será abordada, é o leilão de excedentes da cogeração, uma forma de atender aos consumidores com uma energia mais barata do que o insumo gerado e enviado de outras regiões mais afastadas. “Esse leilão seria uma das formas de expandir a cogeração e a geração distribuída, concomitantemente”, avaliou.

Uma parcela dos assuntos que serão discutidos com a Cogen convergem também para a atuação da Absolar. O presidente executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, destacou que nesse ano sua participação será centrada em três segmentos: a geração centralizada, geração distribuída e cadeia produtiva. “Vamos mostrar de forma prática os principais desafios e oportunidades para agenda de 2018”, resumiu ele.

Na geração centralizada está a questão da exclusão da fonte dos leilões de energia nova A-6. Na visão da associação a fonte foi prejudicada por não poder competir com as demais fontes no certame para 2023. Esse tema acaba, de certa forma, levando ao problema que a cadeia produtiva do setor terá que enfrentar, a falta de contratos. Segundo Sauaia, atualmente existem dois períodos com essa lacuna, o primeiro é o biênio 2019 e 2020 e depois 2023 e 2024. Este último ainda dá para rever a situação pois há tempo para um novo leilão A-4, apesar de apontar que essa contratação pode ser ameaçada por não se ter ideia de qual será a demanda residual do certame depois da grande contratação do A-6 do ano passado. Já o primeiro período sem contratos, apontou ele, pode trazer grandes dificuldades para a cadeia industrial e até afugentar novos interessados em investir na formação de uma indústria local para a fonte.

Além disso, estão na pauta da entidade questões como a necessidade de isonomia tributária para igualar as condições de competitividade com outras fontes. Em geração centralizada, comentou ele, a questão dos modelos tarifários é um ponto a ser abordado e que deveria ficar no âmbito da Aneel e não ser tratado no âmbito de legislação, como está em andamento no Congresso Nacional.

As duas mais recentes fontes que entraram nos leilões são o alvo de questionamento de duas associações que defendem a fonte hídrica, mais especificamente as usinas de até 50 MW, a AbraPCH e a Abragel.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Abragel, Luiz Otávio Koblitz, a questão do avanço das intermitentes é o ponto a ser abordado já que em sua avaliação, deve ser considerado no âmbito dessa expansão recente essa variação intraday da geração solar e eólica. Ele defende que seja considerada o preço da energia gerada para suprir a falta dessas fontes quando para de ventar ou deixa de ter a luminosidade do sol. Ele relata que essa variação acaba sendo suprida por energia mais cara de usinas térmicas. E ainda trará à discussão os benefícios que a fonte proporciona com suas externalidades, como a proximidade com os centros de consumo e a ausência de construção de grandes linhas de transmissão.

“Não há lógica econômica nos últimos leilões. Na hora da ponta não podemos contar com essas fontes. É preciso restaurar o bom senso na hora da contratação via leilões”, disse ele.

O presidente executivo da AbraPCH, Paulo Arbex, destaca ainda que a fonte continua a ter poucos contratos em função de decisões de governo. Outro ponto que a entidade entende como consequência dessa situação é o que classificou como a desmobilização da indústria e empregos locais, pois ao termos as fontes chamadas de intermitentes deve haver a preocupação em contratar térmicas para atribuir  segurança necessária ao fornecimento de energia.

Além disso, a AbraPCH apresentará ideias que foram originadas a partir do Fórum Mundial da Água, realizado este ano em Brasília, e como o setor pode auxiliar na regulação do uso da água para agricultura e consumo humano de forma paralela à geração de energia.

A mais bem sucedida fonte em número de projetos nos últimos anos em leilões do país a eólica apontou seis itens que trará para a mesa de discussões na 15ª edição do maior evento político regulatório do setor elétrico. De acordo com a ABEEólica, temas como a competitividade da fonte diante da queda de preços não somente no Brasil, mas no mundo estarão no foco das discussões. A lembrar que no último leilão A-4, realizado em abril, a fonte atingiu R$ 67/MWh. Alem disso, no leilão anterior os preços transitaram em cerca de R$ 100/MWh.

A entidade trará o cenário e os principais números do setor atualizados, os desafios do setor para a retomada do crescimento, o mercado livre para a fonte, iniciativas como o selo e certificado de energia renovável, e ainda, os riscos da implantação do preço horário para a fonte eólica. O Enase é copromovido pelo UBM/Grupo CanalEnergia e as 20 principais associações do setor elétrico e terá início no dia 23 de maio, no Centro de Convenções Sul América, no Centro do Rio de Janeiro.

Fonte: MAURÍCIO GODOI, DA AGÊNCIA CANALENERGIA

Ecoenergy abre na terça-feira com debates sobre questões regulatórias da energia solar no país

Atividades terão início às 9h no São Paulo Expo em um momento em que boas notícias relativas à energia solar no Brasil estão vindo de várias fontes

Em um cenário em que o Brasil está considerando aderir à Aliança Solar Internacional e no qual um relatório lançado pelas Nações Unidas no início de maio indica que, entre os 20 maiores países consumidores, o Brasil se destaca na produção de energia renovável, acontece a Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia. O evento terá início na terça-feira, 22 de maio, às 9h, no São Paulo Expo, e abrirá a programação da EnerSolar + Brasil.

Durante os três dias de atividades, profissionais de renome no mercado debaterão questões regulatórias imprescindíveis para o desenvolvimento da energia solar no país, disponibilização de linhas de financiamento e novas iniciativas para que sejam adequadas às necessidades dos empreendedores, assim como tecnologias disruptivas e alianças estratégicas entre os agentes.

“Além das questões referentes à Aliança Solar Internacional e ao novo relatório das Nações Unidas, esta edição da Ecoenergy acontece enquanto o mercado espera a aprovação da consulta pública da NBR 16690, norma de instalações elétricas para sistemas fotovoltaicos”, explica Rimantas Sipas, diretor da Cipa Fiera Milano, promotora do evento. As inscrições ainda podem ser realizadas pelo site www.congressoecoenergy.com.br. O primeiro dia de evento terá o tema “Regulamentação e gestão de tributos em foco” e começará com uma mesa redonda sobre o marco regulatório e reformas do setor elétrico.

Seguido por painel de debates sobre questões regulatórias relativas à distribuição; apresentação sobre diretrizes para a tributação e estrutura tarifária de energia solar; viabilidade econômica do sistema SAS – Sistema de Aquecimento Solar; e compliance no setor de infraestrutura. Dia 23, o tema será “Financiamento ideal para a estrutura do projeto e tendências tecnológicas” e abrirá com um talk show com financiadores sobre gestão de linhas e recursos para financiar projetos de energia solar.

As demais apresentações incluirão as vantagens para a combinação de linhas de financiamento nacionais e internacionais; mesa redonda de energia e sustentabilidade; economia na tarifa branca; e três estudos de caso: “Lições aprendidas pelas cooperativas de energia solar”, “Baterias com alto rendimento e capacidade de armazenagem adequada ao projeto” e “Tecnologias disruptivas e digitalização de serviços”. No último dia, 24 de maio, o tema será “Gestão da qualidade de processos, pessoas e de parcerias de sucesso”.

O dia começa com um debate sobre a implementação do sistema de gestão de energia de acordo com a NBR ISO 50001; apresentação das novidades sobre certificação de profissionais e instalações de energia solar fotovoltaica no Brasil e no mundo; certificações I-REC e REC Brasil para energia solar; e estudos de caso sobre a expansão dos projetos de energia solar nas construtoras e em mobiliário urbano, encerrando as atividades da Ecoenergy.

Serviço:

8º Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia.

22 de maio, das 9h às 18h15
23 de maio, das 9h às 18h45
24 de maio, das 9h às 13h30

EnerSolar + Brasil – Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar

Data: 22 a 24 de maio de 2018

Horário: 13h às 20h

Local: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center – Rodovia dos Imigrantes, KM 1,5 – São Paulo / SP

Sistemática do leilão A-6 é alterada; Governo reabre cadastramento

Fonte eólica será contratada na modalidade por quantidade; regra é alterada para evitar sobrecontratação das distribuidoras

O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 15 de maio, a Portaria nº 159, que estabelece a nova sistemática para realização do Leilão de Energia A-6 de 2018. O certame está previsto para ser realizado no final de agosto, com início de suprimento para janeiro de 2024. Agentes poderão rever a participação, pois o cadastramento de projetos foi reaberto até 18 de maio.

O governo decidiu dividir as contratações em três produtos: dois na modalidade por quantidade de energia elétrica para empreendimentos de geração oriundos de fonte hidrelétricas com prazo de suprimento de 30 anos e de fonte eólica com prazo de suprimento de 20 anos, e outro na modalidade por disponibilidade de energia elétrica para empreendimentos de geração oriundos de fonte termelétrica à biomassa, carvão e gás natural com prazo de suprimento de vinte e cinco anos.

“Ressalta-se que será o primeiro certame que a fonte eólica será contratada na modalidade por quantidade, em que os riscos são assumidos pelo gerador. Tal decisão ocorreu considerando a maturidade da fonte e sua consequente competitividade. Outra definição da sistemática se refere à competição dos empreendimentos termelétricos de diversas fontes, à biomassa, carvão e gás natural, ocorrer em um único produto”, informou o MME em nota.

A sistemática do leilão A-6 2018 prevê duas fases. A primeira fase, exclusiva para UHE cuja potência seja superior a 50 MW, é composta por uma etapa inicial de envelope fechado, por uma etapa contínua e por uma etapa discriminatória de envelope fechado. A demanda residual da primeira fase define a demanda a ser contratada na segunda fase. Cabe lembrar que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou apenas 333 MW de capacidade de UHEs, mas há apenas um projeto do tipo com potência superior a 50 MW, localizado no Paraná (118 MW).

A segunda fase do certame será composta por três etapas: uma inicial, em que os vendedores poderão ofertar um único lance de quantidade e preço, associado a cada empreendimento para cada um dos três produtos. A segunda etapa de submissão de lances contínuos, cujo critério de seleção é por menor preço, com três produtos distintos: hidrelétrica, eólica e termelétrica. A terceira etapa, de ratificação, para possibilitar ao vendedor confirmar a contratação parcial do empreendimento marginal, por produto.

Segundo o MME, a sistemática do último leilão A-6 de 2017 resultou em uma sobrecontratação expressiva das distribuidoras participantes, devido à regra que previa a contratação da totalidade do empreendimento marginal, por produto, mesmo ultrapassando a quantidade demandada. Esse fato foi acentuado no produto termelétrico a gás natural, devido à baixa demanda por esta energia e às características atuais desses projetos. Essa regra, adotada em todos os leilões de novos empreendimentos, está relacionada à lógica de viabilizar, economicamente, a implantação de usinas em modelo project finance, com predomínio de contratos de longo prazo, em ambiente de contratação regulada.

Contudo, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em 7 de fevereiro, propôs a reavaliação da metodologia para minimizar o risco de sobrecontratação pelas distribuidoras em leilões futuros. Assim, para o leilão A-6 de 2018, previsto para 31 de agosto, foram avaliadas opções para mitigar a sobrecontratação, dentre elas, o rateio da energia excedente, entre todas as concessionárias de distribuição de energia elétrica; alternativa que não encontra amparo legal.

Nesse contexto, a Comissão Especial de Leilões de Energia Elétrica (CELEE) indicou como solução possível de ser implementada, a tempo de realização deste certame, a contratação parcial da energia oriunda do empreendimento marginal, por produto. A proposta será de a sistemática do Leilão A-6/2018 dar a opção ao titular do empreendimento marginal, por produto, de contratar apenas parte da energia pelo preço em R$/MWh previamente ofertado evitando, assim, a contratação de energia que exceda o montante declarado pelas distribuidoras.

Ainda, devido às alterações na contratação da usina marginal, o MME reabriu, até 18 de maio de 2018, o cadastro de empreendimentos para participação no certame. Até o presente momento, conforme divulgado pela EPE, em 9 de maio de 2018, foram cadastrados para o certame 1.080 projetos somando 57.959 MW de capacidade instalada, em que a maior parte da oferta cadastrada em termos de potência são, respectivamente, de empreendimentos termelétricos a gás natural, eólicos, hidrelétricos, termelétricos a biomassa e termelétricos a carvão.

Fonte: Canal Energia | Wagner Freire

Linha de transmissão entre RN e CE deve receber investimento de R$ 1,2 bi

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que vai leiloar concessões para a construção, operação e manutenção de 543 quilômetros (km) de linhas de transmissão no Ceará e no Rio Grande do Norte, que. Segundo a Aneel, as obras vão gerar 2.726 empregos diretos nos dois estados.

Ao todo, a agência vai leiloar aproximadamente 2,6 mil km de linhas de transmissão em 16 estados. Em uma das linhas a serem leiloadas que está inserida em solos cearense e potiguar, o investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão para 541 km de linha com potência de 3.300 megavolt-amperes (MVA) em um prazo de 60 meses, que gerará 2.434 empregos diretos.

Além disso, também será leiloada outra linha no Ceará com 2 km de extensão e potência de 450 MV, com previsão de investimento de R$ 102 milhões e geração de 24 empregos diretos.

Subestações

O edital do certame foi aprovado na última terça-feira (15) em reunião pública da diretoria da Aneel. Além das linhas de transmissão, o leilão contará com 12,2 mil MVA de capacidade de transformação em subestações. No certame são estimados cerca de R$ 6 bilhões em investimentos e geração de 13,6 mil empregos diretos.

De acordo com o informe da Aneel, o leilão deve acontecer dia 28 de junho, na sede da B3 em São Paulo, concessões para a construção, operação e manutenção de aproximadamente 2,6 mil km de linhas de transmissão em 16 estados.

“O leilão será dividido em 20 lotes. As instalações deverão entrar em operação comercial no prazo de 36 a 63 meses, a partir da data de assinatura dos contratos de concessão”, detalhou a Agência em nota publicada em seu portal na internet.

No certame, conforme a estimativa divulgada pela Aneel, são estimados cerca de R$ 6 bilhões em investimentos a partir da construção e manutenção das linhas de transmissão de energia, além da geração de 13,6 mil empregos diretos a partir destes empreendimentos.

Fonte: Diário do Nordeste

CERNE discute proposta de porto intermodal

A construção de um segundo porto no estuário do rio Potengi, em Natal, é um dos projetos propostos pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) para solucionar os gargalos de infraestrutura na principal área portuária do Rio Grande do Norte. O estudo técnico será apresentado durante o Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE nesta quinta-feira (17), a partir das 19 horas, na Sala 04 da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN.

A proposta do CERNE é a construção de um porto intermodal que seria construído em uma área já degradada da margem esquerda do Potengi, hoje ocupada por antigas salinas e viveiros de camarão desativados.

De acordo com a proposta, não seria preciso desativar o atual porto – que seria reconfigurado para usos específicos e especializado em passageiros e cargas de alto valor agregado. O projeto prevê a instalação de um complexo portuário com 8,7 km², situado em uma área bem mais acessível por terra e água, capaz de comportar os grandes navios cargueiros.

“Há necessidade de se conceber um novo terminal portuário de grande escala para atender ao crescimento econômico projetado, e já reprimido, da economia potiguar. Mas o nosso atual porto encontra-se confinado por terra, como resultado da expansão urbana de Natal. Esta alternativa da margem esquerda do Rio Potengi também representa desafios, mas inúmeras outras vantagens para a cidade e para o Estado”, justifica o Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, que fará a apresentação detalhada do projeto técnico com a presença, por vídeo conferência, do arquiteto italiano Cláudio Catucci, especialista na concepção de soluções logísticas e urbanas, e que colaborou com a elaboração da proposta.

A apresentação do detalhamento técnico do projeto será realizado dentro da programação do Ciclo de Debates, que está em sua segunda edição. O evento conta ainda com a participação de gestores e técnicos da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável  e Meio Ambiente (IDEMA) e Federação das Indústrias do RN (FIERN) que irão discutir a logística e infraestrutura portuária sob a ótica econômica, ambiental e industrial.

O Ciclo de Debates tem o apoio da UFRN, IFRN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio grande do Norte (SEERN), Federação das Indústrias do RN (FIERN), Conselho Regional de Economia e SEBRAE. A programação completa está disponível no site do CERNE pelo endereço www.cerne.org.br e as inscrições podem ser feitas gratuitamente aqui. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340.

Fonte: CERNE Press

Brasil atinge 250 MW em geração solar distribuída

Absolar estima que montante histórico representa R$ 1,9 bilhão em investimentos

O Brasil acaba de atingir a marca histórica de 250 MW de potência instalada em sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural. De acordo com mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Brasil possui hoje 27.803 sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, trazendo economia a 32.924 unidades consumidoras, somando mais de R$ 1,9 bilhão em investimentos acumulados desde 2012, distribuídos ao redor de todas as regiões do país.

Em números de sistemas instalados, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 77,4% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (16%), consumidores rurais (3,2%), indústrias (2,4%), poder público (0,8%) e outros tipos, como serviços públicos (0,2%) e iluminação pública (0,03%).

Em potência, os consumidores dos setores de comércio e serviços lideram o uso da energia solar fotovoltaica, com 42,8% da potência instalada no país, seguidos de perto por consumidores residenciais (39,1%), indústrias (8,1%), consumidores rurais (5,6%), poder público (3,7%) e outros tipos, como iluminação pública (0,03%), e serviços públicos (0,6%).

O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, ressalta que o crescimento da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica é impulsionado por três fatores principais: a forte redução de mais de 75% no preço da energia solar fotovoltaica ao longo da última década; o forte aumento nas tarifas de energia elétrica dos consumidores brasileiros; e o aumento no protagonismo e na consciência e responsabilidade socioambiental dos consumidores.

“Celebramos com otimismo este passo histórico para a fonte solar fotovoltaica no Brasil, com a certeza de que teremos um forte crescimento do setor nos próximos anos e décadas. O Brasil possui mais de 82 milhões de unidades consumidoras e um interesse crescente da população, das empresas e também dos gestores públicos em aproveitar seus telhados, fachadas e estacionamentos para gerar energia renovável localmente”, comenta Sauaia.

Para acompanhar de perto a evolução da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica nos estados brasileiros, a Absolar desenvolveu um Ranking Nacional Solar Fotovoltaico, que compara as potências instaladas em cada unidade da Federação.Atualmente, o Estado de Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 22,9% da potência instalada no país, seguido pelo Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (13,5%), Ceará (5,9%) e Santa Catarina (5,9%).

Fonte: Canal Energia

Chinesa CTG quer comprar a EDP e avalia empresa em 11 bilhões de euros

As duas empresas operam no Brasil e, juntas, se tornariam líderes privadas em geração no país

A China Three Gorges (CTG) lançou uma oferta pública voluntária de compra de ações da EDP e da EDP Renováveis na bolsa de Lisboa, ao preço de, respectivamente, 3,26 euros e 7,33 euros.

O montante avalia a EDP em cerca de 11 bilhões de euros. Como a CTG já tem uma participação de 23,27% na companhia portuguesa, o desembolso seria de 8,3 bilhões de euros.

O preço embute um prêmio de 4,8% em relação ao fechamento das ações da EDP de hoje, de 3,11 euros.

No caso da EDP Renováveis, a CTG não tem participação atualmente. Com a aquisição do controle da EDP, a chinesa seria titular dos 82,6% de ações da companhia hoje nas mãos da controladora. Pelos 17,4% restantes, o valor a ser desembolsado seria de até 1,1 bilhão de euros.

EDP Brasil

A oferta coloca como condição que a companhia não seja obrigada a lançar também uma oferta pela EDP Energias do Brasil, controlada pela companhia portuguesa.

O edital da oferta pública de aquisição de ações deixa claro que é condição que a aquisição do controle da EDP não poderá constituir uma obrigação de lançamento de uma oferta obrigatória pela EDP Energias do Brasil.

A exceção é a potencial OPA obrigatória sobre as ações da EDP Renováveis.

Segundo o edital, a CTG pretende que a EDP passe a liderar as operações e a expansão do grupo chinês na Europa, nas Américas e nos países lusófonos — na qual se encontra o Brasil.

Se a chinesa achar necessário, poderá incorporar ativos relevantes na companhia, visando fortalecer a posição da EDP no mercado, com seu fortalecimento de crédito e obtenção de ganhos com sinergias.

A CTG disse ainda que pretende assegurar que a EDP se mantenha um ativo estratégico importante, com identidade portuguesa e listada na Bolsa de Lisboa.

A operação será concluída com sucesso se a CTG conseguir obter uma fatia superior a 50% das ações da portuguesa.

Fonte: Valor Econômico | Camila Maia

Iberdrola investirá R$ 3 bilhões no Rio Grande do Norte

O grupo espanhol Iberdrola anunciou nesta sexta-feira, 11, que irá investir R$ 3 bilhões em novos projetos de distribuição de energia elétrica, além de parques eólicos. O anúncio foi feito em audiência com representantes do Governo do Estado. Os recursos deverão ser usados nos próximos cinco anos. Para discutir os investimentos, o governador Robinson Faria se reuniu com o presidente mundial da Iberdrola, Ignácio Galán, representantes do grupo Neoenergia e da Cosern, que fazem parte da multinacional.

O presidente da Iberdrola, Ignácio Galán, explicou que o primeiro parque eólico do grupo foi instalado no Rio Grande do Norte no município de Rio do Fogo. “Nossa empresa possui 11 parques eólicos no estado e com os novos investimentos, pretendemos duplicar a capacidade de energia gerada atualmente”, informou. Participaram também da reunião o diretor presidente do grupo Neoenergia, Mário Ruiz-Tagle, a diretora presidente adjunta da Neoenergia, Solange Ribeiro, e o diretor presidente da Cosern, Luiz Antonio Ciarlini.

Durante o encontro, o governador Robinson Faria ressaltou o trabalho do Executivo estadual para atrair empresas deste setor e gerar emprego e renda. “O Rio Grande do Norte é o maior produtor de energia eólica do Brasil e mais de 60% dessa produção só foi possível graças ao nosso esforço em agilizar licenças ambientais e garantir a segurança jurídica aos empresários. Estamos felizes com mais essa notícia e somos parceiros de pessoas que acreditam no potencial do nosso estado”, destacou o governador.

Iberdrola
É a maior geradora de energias renováveis da Europa e dos Estados Unidos, uma das cinco maiores companhias elétricas do mundo e líder mundial em energia eólica. A empresa possui 28 mil funcionários em 31 países e, no Brasil, por meio da Neoenergia, é controladora da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern).

Fonte: Tribuna do Norte

Comissão aprova relatório sobre distribuidoras da Eletrobrás

Comissão especial da Medida Provisória 814 aprovou o relatório do deputado Júlio Lopes, que deve ser votado na Câmara em até 2 semanas; para Aneel, medidas vão elevar a conta de luz dos consumidores

A comissão especial da Medida Provisória 814, que trata das distribuidoras da Eletrobrás, aprovou nesta quarta-feira, 9, o relatório apresentado pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ). Na votação, 17 deputados e senadores votam a favor da proposta e sete contra. O texto segue para votação no plenário da Câmara e do Senado e tem que ser aprovado até 1º de junho para não perder validade.

O relator disse que o texto deve ir à votação na Câmara em até duas semanas. “Depende do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas estou confiante de que ele pautará tão logo a ordem cronológica permita”, disse Lopes. “Eu acredito que, sem ser semana que vem, na outra.”

A despeito das análises da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Consultoria Legislativa do Senado e da Associação de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), de que o relatório eleva o custos para o consumidor e vai aumentar a conta de luz, o deputado defendeu as medidas. A MP original tinha apenas quatro artigos, mas o relatório final foi aprovado com 27.

O relatório foi necessário para reestruturar e dar credibilidade ao setor elétrico. O relatório foi tão amplo quanto o necessário para desjudicializar o setor”, disse.

Lopes decidiu propor mudanças para o programa Tarifa Social, que promove descontos escalonados na conta de luz de clientes de baixa renda. Os beneficiários terão isenção para consumo de até 80 kWh mês, o que vai elevar custos embutidos na conta de luz de todos os brasileiros. Hoje, os descontos variam conforme a faixa de consumo mensal, limitado a 220 kWh por mês, e aqueles que consomem até 30 kWh por mês têm direito ao maior desconto, de 65%.

Haverá isenção para aqueles consumirem 80 quilowatts-hora (kWh), que é mais da metade do consumo dos clientes do Sul e Sudeste, que é de 135 kWh”, disse. Apesar do aumento de custo, o deputado avalia que o governo não vai vetar e medida, em razão do “enorme avanço social” e que haverá queda de custos devido à publicação dos dados dos beneficiários na internet, tais como nome e CPF.

Lopes também não acredita no veto da medida que que obriga a União a pagar, por dois anos, salários para os empregados que forem demitidos após a venda das distribuidoras. O limite de salários será o teto pago pela Previdência, atualmente em R$ 5.645,81. Ainda segundo o relatório, a União poderá gastar, no máximo, R$ 290 milhões com essas indenizações. O benefício não foi concedido aos trabalhadores da Celg, distribuidora de Goiás.

“O próprio senador Eduardo Braga (MDB-AM), que foi governador e ministro de Minas e Energia, nos pediu uma forma de atender a esse pleito”, afirmou.

O deputado manteve a proposta que permite o reajuste das tarifas da usina nuclear de Angra 3, que pode dobrar de preço. A usina já consumiu bilhões em investimentos, e as obras foram paralisadas após a constatação de desvio de recursos e a prisão de executivos da companhia envolvidos em corrupção.

A MP também permite a realização de um leilão atrair um sócio privado para a usina nuclear. Segundo Lopes, o sócio privado teria apenas uma participação minoritária na usina, mas o controle continuaria com a União. Isso, segundo ele, não fere a Constituição, que impõe monopólio estatal no setor nuclear.

Lopes também manteve a proposta que eleva o preço do gás vendido pela Petrobras para termelétricas mais antigas, contratadas na época do racionamento, e a criação do Dutogas, fundo que vai tirar 20% dos recursos do Fundo Social do pré-sal, destinados à saúde e à educação para a expansão de gasodutos. Ele retirou, no entanto, a cobrança de um encargo de 1% sobre as tarifas de transporte de gás para abastecer o fundo.

O deputado também manteve a medida que permite a compra de imóveis por empresas estrangeiras do setor elétrico, principalmente eólicas e solares. As terras, após a concessão, serão devolvidas para a União. A proposta dispensa as empresas do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo ele, porém, haverá licenciamento ambiental específico e cobrança de compensações.

Fonte: Anne Warth | O Estado de S.Paulo

Aneel autoriza operação comercial de 14,7 MW eólicos no Ceará

Agência também autorizou testes de CGH, PCH e outra eólica

A Agência Nacional de Energia Elétrica liberou nesta quinta-feira, 10 de maio, a operação comercial de sete unidades de 2,1 MW cada, somando 14,7 MW de capacidade da usina de geração eólica EOL Bons Ventos Cacimbas 3, localizada no município de Ubajara, no Ceará.

Na mesma localidade, a Aneel aprovou para testes a operação dos aerogeradores UG1, UG2, UG3, UG6, UG7, UG10 e UG11, de 2,1 MW cada, totalizando 14,7 MW relativos a usina EOL Bons Ventos Cacimbas 2.

A Agência também autorizou a operação em regime de testes de uma turbina de 6 MW da PCH Senhora do Porto, localizada no município de Dores de Guanhães, em Minas Gerais, assim como uma unidade de 2,75 MW da CGH Palmeiras, situada em Ponte Alta do Bom Jesus, no Tocantins.

Fonte: Canal Energia

EPE cadastra 1080 empreendimentos para o leilão A-6 de 2018

Foi concluído nesta terça-feira (08) o cadastramento de projetos para participação no Leilão de Energia Nova “A-6” de 2018. O certame está previsto para ser realizado em 31 de agosto, com participação das fontes eólica, termelétrica e hidrelétrica, conforme anunciado pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria nº 44, de 8 de fevereiro de 2018, e complementada pela Portaria nº 121, de 4 de abril de 2018. O leilão está previsto para ser realizado em 31 de agosto, com participação de fontes eólica, hidrelétrica e termelétrica (biomassa, carvão e gás natural).

No total, foram cadastrados 1.080 projetos, somando 57.959 MW de capacidade instalada. A fonte eólica teve a com maior oferta em número de projetos cadastrados (926), sendo superada pela fonte termelétrica em potência, com mais de 29 GW. Destaque para a potência ofertada nos projetos a Gás Natural, com mais de 27 GW em 36 projetos cadastrados. O quadro a seguir apresenta os números de empreendimentos cadastrados, com informações mais detalhadas.

 

Do total de projetos cadastrados, 67% optaram por aproveitar o cadastramento oriundo do Leilão A4/2018, conforme preconizado no art. 3°, §3°, da Portaria MME nº 121/2018. Estes projetos foram dispensados da reapresentação da totalidade dos documentos, desde que mantidos inalteradas as características técnicas. Nesses casos, os empreendedores fazem todo o processo exclusivamente via sistema AEGE e eventual documentação complementar pode ser entregue por email (aege@epe.gov.br).

De acordo com análise da consultoria EPowerBay, este processo de aproveitamento de documentação vem sendo empregado nos últimos anos, e significa uma otimização do processo de análise técnica, diminuindo a necessidade de retrabalho e aumentando a eficiência do processo, tanto para os empreendedores quanto para a EPE, o que permite um cronograma mais enxuto para o leilão.

Cabe destacar que o fato de um projeto ter sido habilitado tecnicamente em um certame não acarreta em sua habilitação automática para o certame seguinte. Todos os projetos serão objeto de análise, focada principalmente em parâmetros específicos do leilão, como o cronograma, orçamento e ponto de conexão.

Com base na Portaria MME nº 102/2016, os empreendedores deverão estar atentos às datas de apresentação de documentos que podem ser apresentados após a data final de cadastramento, a saber:

  • DRDH/Outorga de água e Licença Ambiental: 80 dias antes da realização do Leilão;

  • Parecer de Acesso ou Documento de Acesso para Leilão (DAL), emitido pelas Distribuidoras: 75 dias antes da realização do Leilão;

  • Despacho de Requerimento de Outorga, emitido pela ANEEL: 75 dias antes da realização do Leilão;

  • Comprovação de disponibilidade de combustível: 75 dias antes da realização do Leilão (para Projetos a Gás Natural deve ser apresentado também o Documento emitido pela ANP); e

  • Documentos para a ANP1 (Análise de Viabilidade do fornecimento de gás natural): até 21/05/2018.

Por fim, vale ressaltar que, conforme definido na Portaria MME nº 44/2018, a demanda a ser contratada no leilão dependerá da necessidade de demanda declarada pelas distribuidoras.

Fonte: CERNE Press com informações da EPE e EPowerbay

Energia renovável emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo

O setor de energia renovável, incluindo as grandes hidrelétricas, emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da quinta edição do relatório Renewable Energy and Jobs – Annual Review, lançado hoje (8) na 15º Reunião do Conselho da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), em Abu Dhabi. De acordo com o relatório, em 2017 foram criados mais de 500 mil empregos, um aumento de 5,3% em relação a 2016.

Segundo a Irena, organização intergovernamental global com 156 membros, a China, o Brasil, os Estados Unidos, a Índia, Alemanha e o Japão continuam a ser os maiores empregadores do mercado de energia renovável no mundo, representando mais de 70% de todos os empregos no setor globalmente.

“Embora um número crescente de países esteja colhendo os benefícios socioeconômicos das energias renováveis, a maior parte da produção ocorre em relativamente poucos países e os mercados domésticos variam enormemente em tamanho”, avalia a agência.

Para a Irena, a economia global poderá criar até 28 milhões de empregos no setor até 2050, com a descarbonização do sistema energético. Os dados mostram que a produção de energia solar fotovoltaica continua sendo o maior empregador de todas as tecnologias de energia renovável, respondendo por cerca de 3,4 milhões de empregos. A estimativa é que a China responda por dois terços dos empregos fotovoltaicos, equivalente a 2,2 milhões, o que representa uma expansão de 13% em relação a 2016.

Ao lado da China, Blangladesh, Indía, Japão e os Estados Unidos são os principais empregadores no mercado de energia solar fotovoltaica no mundo. Juntos, os cinco países respondem por cerca de 90% dos empregos em energia solar fotovoltaica em todo o mundo.

Brasil

No Brasil, o relatório destaca que o número de empregos no segmento de biocombustíveis aumentou 1% em 2017, totalizando 593 400 postos de trabalho. “Os empregos em etanol diminuíram devido à constante automação e ao declínio da produção de etanol”, aponta a agência.

Apesar da queda na produção de empregos no setor de etanol, a agência disse que houve compensação com os empregos gerados pelo biodiesel. A Irena estima que o Brasil empregou 202 mil pessoas no setor de biodiesel em 2017, 30 mil a mais em relação ao ano anterior.

Já no que diz respeito à indústria eólica, o levantamento estima que o setor emprega cerca de 33.700 pessoas na fabricação, construção, instalação, operação e manutenção. Em 2017, a indústria eólica fechou o ano com 12,8 GigaWatts (GW) de energia acumulados.

De acordo com a agência, novas instalações no mercado de aquecimento solar no Brasil caíram 3% em 2017. O emprego total em 2017 foi estimado em cerca de 42.000 postos de trabalho, com cerca de 27.500 na indústria transformadora e 14.500 na instalação.

Segundo Adnan Z. Amin, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável, a energia renovável tornou-se um pilar do crescimento econômico de baixo carbono para governos em todo o mundo, um fato refletido pelo crescente número de empregos criados no setor. Ainda segundo o diretor da agência, os dados também ressaltam um quadro cada vez mais regionalizado, destacando que os benefícios econômicos, sociais e ambientais das energias renováveis são mais evidentes nos países onde existem políticas atraentes para o setor.

Edição: Fernando Fraga | Agência Brasil

Siemens Gamesa registra € 2,24 bi em vendas e € 3 bi em pedidos em 2018

Siemens Gamesa Energia Renovável apresentou na última sexta-feira, 4 de maio, os resultados do segundo trimestre fiscal de 2018 (janeiro a março). A atividade comercial da companhia se manteve forte no segundo trimestre: a carteira de pedidos atingiu € 22,04 bilhões e voltou ao nível de mercado de março de 2017.

Entre janeiro e março, a Siemens Gamesa assinou mais € 3 bilhões em pedidos firmes, o que permite cobrir em 100% o limite inferior previsto para a receita de 2018. O lucro líquido ficou em € 35 milhões no trimestre fiscal.

Por área de negócio, o segundo trimestre fiscal encerrou com uma entrada recorde de pedidos de eólicas onshore: 2.464 MW, 54% a mais que durante o mesmo período do ano anterior. Porém, a divisão de offshore, com 328 MW em pedidos firmados, refletiu a maior volatilidade esperada para esse mercado. Apesar disso, a empresa assinou um acordo de exclusividade para desenvolver maior parque eólico offshore do mundo até hoje (1,4 GW).

A Siemens Gamesa encerra o segundo trimestre fiscal com um desempenho financeiro em linha com o projetado para 2018, vendas de €9 bilhões a €9,6 bilhões no ano e margem Ebitda entre 7% e 8%.

As vendas durante o segundo trimestre alcançaram € 2,24 bilhões (redução de 29% na comparação anual). No semestre (outubro a março), as vendas somaram € 4,36 bilhões, desempenho 26% menor quando comparado com o mesmo período do ano fiscal anterior.

A empresa termina o trimestre com uma dívida líquida de € 112 milhões, impactada pela sazonalidade dos projetos, especialmente em offshore.

Fonte: Canal Energia

Nova abordagem para a energia eólica impulsiona a tecnologia

No extremo norte da península de Jutlândia, na Dinamarca, o vento sopra tão forte que as árvores crescem todas na mesma direção, como bandeiras inclinadas.

O clima austero que prevalece nesse trecho de fazendas, pântanos e lamaçais (e o laboratório em condições reais proporcionado pelo local) deu ao país um papel de liderança na transformação da energia eólica numa fonte viável de eletricidade limpa.

Depois que o preço da energia aumentou muito durante a crise do petróleo de 1973, os empreendedores começaram a construir pequenas turbinas para a venda na região. “Tudo começou com o interesse em fornecer energia à fazenda dos meus pais”, disse Henrik Stiesdal, que projetou e construiu alguns dos primeiros protótipos.

As primeiras turbinas eólicas fabricadas por empresas menores tinham problemas de qualidade. As pás, que na época tinham comprimento de apenas quatro ou cinco metros, acabavam quebrando ou se desfazendo.

Agora, elas são imensas, feitas por empresas multinacionais que estão levando a cabo verdadeiros feitos de engenharia.

As maiores turbinas de Osterild chegam a uma altura de mais de 180 metros. As maiores pás de rotores podem chegar ao comprimento de 80 metros, comparável à envergadura de um Airbus A380, maior avião comercial do mundo. O custo pode chegar a € 10 milhões, ou mais de US$ 12 milhões.

Essa escala monstruosa ajudou a transformar a energia eólica em uma forma de eletricidade mais comum.

As turbinas maiores captam mais vento, gerando mais energia. As maiores turbinas oceânicas produzem quase 20 vezes mais energia do que as desenvolvidas três décadas atrás.

Em partes do norte da Europa, o vento é agora uma importante fonte de energia. As fontes eólicas respondem por 4% do fornecimento global de energia, de acordo com a Agência Internacional de Energia, e a indústria passou a ser dominada por empresas como Vestas Wind Systems e Siemens Gamesa Renewable Energy.

O coração das operações da Siemens Gamesa fica em Brande, pequena cidade na Jutlândia onde a Siemens mantém grandes centros de engenharia, treinamento e manutenção.

Os funcionários dessas instalações são capazes de monitorar fazendas eólicas espalhadas pelo mundo. Com frequência, quando um problema obriga uma turbina a ser desativada, eles podem reiniciá-la eletronicamente.

Numa imensa oficina, técnicos constroem modelos de turbinas sob medida e instalações para testar se os componentes são resistentes o bastante para durar. Do lado de dentro, as torres são tão grandes que elevadores transportam engenheiros pelos diferentes andares.

Os rotores são conectados à torre da turbina eólica por uma nacela, um imenso revestimento do tamanho de um caminhão, onde há bastante espaço para caminhar.

Acima do último andar ficam os rotores. Quando giram, a coluna inteira balança como um navio em alto mar.

A fabricação dessas turbinas é difícil e exige muito trabalho. Equipes de trabalhadores preenchem gradualmente um molde com faixas de fibra de vidro entrelaçadas com madeira balsa, para mais resistência. Então são injetados no contêiner resinas e outros produtos químicos para formar a estrutura rígida.

As imensas dimensões das pás, e a complexidade do processo, significam que automatizá-lo completamente não faz sentido do ponto de vista econômico. Cerca de 1,3 mil pessoas trabalham na fábrica, e a construção de uma única pá pode durar cerca de três dias.

Para os fabricantes, trata-se de um equilíbrio delicado para se alcançar tamanho e eficiência.

As maiores pás já pesam cerca de 30 toneladas e, se aumentarem ainda mais, também ficarão mais pesadas. O sobrepeso das pás pode levar a um maior desgaste para as turbinas, aumentando a pressão sobre outros componentes.

Os projetistas estão experimentando com ajustes no tamanho e formato das pás, simulando as alterações em computadores ou túneis de vento. Eles descobriram que a adição de diferentes acréscimos às pás pode aumentar substancialmente seu desempenho.

Um ajuste (uma combinação de extremidade serrilhada e pente que reduz o som das pás) foi inspirada nas penas das asas das corujas.

Muitas das grandes turbinas vão um dia chegar à água, onde há mais espaço e o vento é mais forte.

Mas as empresas precisam enfrentar uma série de desafios, incluindo o impacto corrosivo da água do mar. Para fazer a manutenção de fazendas eólicas distantes da costa, as equipes precisam às vezes viver em navios especiais.

Trata-se de um cálculo complicado.

Nos primeiros anos, construir uma fazenda eólica oceânica era incrivelmente caro, e o governo oferecia subsídios para ajudar a indústria a se desenvolver. Mas os preços têm caído, e o apoio do governo “desapareceu”, de acordo com Andreas Nauen, diretor executivo da divisão de energia eólica oceânica da Siemens Gamesa.

Mas o custo mais baixo também tornou a energia eólica mais interessante em outras regiões. Nauen se diz otimista em relação aos novos mercados para a energia eólica, que antes se concentravam no norte da Europa e, cada vez mais, devem emergir na Ásia e nos Estados Unidos. “A tecnologia é real”, disse ele.

Fonte: Estadão

Eólicas offshore: marco regulatório em 2019

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) prepara estudo para a criação de um marco regulatório para a exploração de eólicas offshore (turbinas instaladas no oceano). O documento será publicado até o fim do primeiro semestre de 2019. A partir desse estudo deve ser criado projeto de lei com modelos de comercialização, processo de licenciamento ambiental, conexão das usinas e concessões de áreas marítimas.

O presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, suplente da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), diz que uma das principais questões é sobre o uso de áreas marítimas. Na visão de Jean-Paul, são necessárias diretrizes gerais sobre como os empreendedores terão acesso aos blocos. Uma das saídas seria a utilização da expertise e estrutura da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O Ibama também possui um pré-zoneamento que pode ser aproveitado.

Levantamento sobre o potencial de exploração nos litorais do Ceará e Rio Grande do Norte revela que a velocidade dos ventos chega a 9,5 metros por segundo. O Cerne considera que seria viável instalar até 2 GW de projetos de energia no litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará até 2025.

Fonte: Neila Fontenelle | O Povo

Ceará recebe mais de R$ 878 mi em projetos de energia eólica

Estado foi o segundo maior beneficiado do País pelo banco no ano passado; recursos vêm de green bonds

Reduto da geração de energias limpas e renováveis, o Estado do Ceará foi o segundo maior beneficiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2017 em financiamento de investimentos relacionados com projetos de energia eólica. A instituição financeira captou US$ 1 bilhão no mercado internacional em green bonds, isto é, títulos de investimento voltados para projetos ambientalmente responsáveis, e aportou R$ 878,062 milhões em dois parques no Ceará.

Ontem, o BNDES divulgou pela primeira vez o Relatório Anual Green Bond, que mostra detalhes sobre os resultados da listagem de títulos verdes na Bolsa Verde de Luxemburgo. A instituição foi o primeiro banco brasileiro a emitir green bonds.

“Esses títulos promovem a reputação do BNDES no apoio à geração de energia renovável. Também consolidam a presença internacional do Banco e oferecem uma série de vantagens, tais como reforçar a prioridade atribuída à sustentabilidade socioambiental; divulgar as melhores práticas de gestão social e ambiental; e incentivar o acesso de outros emissores brasileiros ao mercado de green bonds”, afirmou o banco, na publicação.

Divisão

Para o Ceará, foram destinados R$ 652,522 milhões para a usina Rio Energy 1, em Itarema e outros R$ 225,540 milhões para o complexo Servtec 2 (Bons Ventos da Serra 2), localizado nos municípios de Ubajara e Ibiapina. Na primeira, que tem capacidade instalada de 207MW, houve redução de 66.248 toneladas deCO2 Eq ao ano. Na segunda, que ainda está em fase final de implantação e deverá operar neste ano, a capacidade de geração instalada é de 86,1 MW, e a redução prevista é de 23.292 toneladas de CO2Eq ao ano.

Segundo o BNDES, os recursos líquidos da emissão e venda dos green bonds totalizaram US$ 993.901.395 após a dedução das despesas da oferta, o correspondente a R$ 3.166.271.674.

“Os recursos foram totalmente lastreados em oito projetos de geração de energia eólica que totalizam 1.323 MW de capacidade instalada, o que corresponde a uma projeção de 421.608 toneladas de CO2 equivalente evitadas ao ano”.

O título emitido pelo BNDES no mercado internacional expira em 2024 e tem um cupom de 4,75% ao ano.

Capacidade

O secretário-adjunto de Energia da Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra), Adão Linhares, exaltou a capacidade do Ceará no cenário de geração de energia limpa, que culminou na visibilidade para investimentos no setor. “Isso é o resultado não somente do posicionamento do Estado do Ceará como um estado com condições de investimento em energia eólica confiáveis, do ponto de vista de ventos, logística, de atração de investimentos no estado, mas também da iniciativa privada. Tem muito da atuação do Estado na atração desses investimentos para cá. A situação de gargalos de linha de transmissão está deixando de existir, prova foi o resultado do leilão em abril”.

Na opinião de Linhares, a posição de destaque do Ceará acaba influenciando positivamente inclusive na captação de recursos por parte de estados vizinhos, como Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte. “Como potencial de geração de energia eólica no Ceará está se descobrindo mais agora o Interior. O Ceará é campeão em termos de potencial de geração. Tanto é de potencial bom que beneficia até os estados vizinhos, próximos às chapadas do Araripe, do Apodi e da Ibiapaba”, apontou.

Fonte: Levi Freitas | Diário do Nordeste