Combustíveis nas alturas: o que está por trás disso?

Por Jean-Paul Prates, Presidente do CERNE.

1. O Brasil vive momento delicado de sua história. Questões relevantes como previdência, segurança pública, privatizações e, agora, combustíveis são trazidas à pauta nacional para tirar o foco de fracassos, mascarar fragilidades politicas e até justificar blindagens judiciais.

2. O fraco governo de Temer forja problemas (como se não os tivesse, ele mesmo) através de propostas ou atitudes que fomentam debates acalorados e reações extremadas. É tão desnecessário que parece ser proposital, e não mera incompetência. É o caso dos combustíveis, agora.

3. Depois de tentar em vão com Previdência, Intervenção Militar, Eletrobras e outros balões de ensaio desastrosos mas efetivamente dispersivos, eis que é chegada a hora da política de preços internos dos combustíveis de Temer, Padilha, Moreira e Parente vir para a berlinda.

4. Parente (Petrobras) e Temer (Governo) tentam nos convencer de que o melhor, para o Brasil, sua economia e seu povo é que os preços dos combustíveis por aqui sejam reajustados em TEMPO REAL com as variações internacionais. Isso faz sentido? Vamos ver (adiante).
5. O Brasil NUNCA teve preços de combustíveis reajustados em TEMPO REAL. Nem com Getúlio, militares, Sarney, Collor/Itamar, FHC, Lula/Dilma. Sempre houve UMA unanimidade: buscar autosuficência em petróleo para diminuir nossa sujeição à volatilidade dos preços globais. Não é?
6. O amortecimento interno das oscilações estrangeiras do preço do petróleo foi implementado por todos os governos desde sempre, no Brasil. Não é “coisa do PT”. Mas colocar-nos EM TEMPO REAL ao sabor da geopolítica e das intempéries estrangeiras é coisa de Temer/Parente/Moreira.

7. Aí começam as discussões que eles adoram: trustes indigitam a tributação alta; coxinhas exclusivisam o “petrolão” e o represamento eleitoreiro de Dilma em 2014 pela descompressão dos atuais preços; mortadelas acusam interesses internacionais e privatização por trás. E aí?

8. Todos tem certa razão mas extrapolam seus argumentos para esconder o do outro. De fato, o represamento de preços em 2014 foi influenciado pelas eleições (como também foi na Alemanha de Merkel o prazo da desmobilização das nucleares). Mas só isso não justifica a atual política.

9. Investigações, punições, malversações, “impairments”, NADA disso justifica colocar a estatal brasileira (que nunca esteve “quebrada”) a praticar reajustes em TEMPO REAL em cima do Brasil. Até investidores sabem que ela não é a Shell! É uma estatal/mista com responsabilidades!

10. O mercado de petróleo é composto de empresas estatais, estatais-mistas e privadas (majors e independentes). Cada grupo tem suas peculiaridades e formas de financiamento. A Petrobras situa-se entre as mistas: capta no mercado e tem papel socioeconômico e político a exercer.

11. Um deles foi exatamente trazer o Brasil para a autosuficiencia em petróleo, em 50 anos de trabalho, técnica e investimento empreendidos até durante anos em que o preço internacional não compensava perfurar poços em águas profundas e ultra-profundas.

12. Outro foi o de sempre servir de gestora do amortecimento (compensando preços internos aproximadamente acima ou abaixo das contações flutuantes do mercado internacional) dos preços internos de combustíveis contra oscilações especulativas, oportunistas ou ocasionais do setor.

13. De que valeu investir, lutar e trabalhar para ser autossuficientes em petróleo para, ter preços internos em TEMPO REAL ao das oscilações especulativas, intemperies climáticas e disputas geopolíticas mundiais!? Quase 60% de alta desde julho de 2017 em mais de 150 reajustes?

14. Claro que não se quer aqui preços irreais, subsidiados, ou administrados demagogicamente. Mas um país autossuficiente, com uma economia altamente dependente do frete e da mobilidade urbana, NÃO DEVE ficar ao sabor das gangorras de preço do barril!

15. Ainda mais com uma estatal hegemônica que detém privilégios logísticos e operacionais e competência técnica como a Petrobras e que não tem tropas defendendo reservas estrangeiras nem estoques reguladores em cavernas para despejar em tempos de alta (EUA).

16. Quanto ao acionista da Petrobras, esp. o não especulador, sabe que negocia com uma ação de empresa estatal mista, com as vantagens e desvantagens disso. Atratividade pode variar mas ser sócio do Estado Brasileiro e líder em marketshare, logística e refino etc tem seu valor.

17. Donos de transportadoras, mídia e generalistas liberais de plantão querem desviar a discussão para a tributação. Mas impostos sobre combustíveis sempre foram altos no Brasil – ao menos nos últimos 30 anos! Adotamos o “modelo europeu” de tributar pesadamente os combustíveis.
18. Diferentemente dos EUA, o Brasil (= a Europa e a maioria das economias asiáticas) tributa fortemente (e na fonte) os combustíveis. Esse NÃO É o foco da discussão agora. Cair nisso é acatar a “nova política” de preços voláteis da Petrobras de Temer e Parente contra o Brasil!
Gostemos ou não, certos ou não, adotamos aqui o modelo europeu de tributar fortemente os combustíveis (em países europeus chega-se a 80% do preço da bomba em impostos diversos; aqui, em torno de 40-48%). A alta atual NÃO ESTÁ aí. Esta configuração tributária é a mesma há anos.
19. O que nos afeta diretamente agora é a política de reajustes EM TEMPO REAL, que nos deixa à mercê das oscilações e especulações internacionais do preço do petróleo, sem qualquer amortecimento ou patamares de consolidação. Reagir é preciso, e demonstrar que isso não cabe aqui!
20. Restam-nos, no curto prazo, boicotes e protestos; e, no médio, votar conscientes em candidatos que entendam a diferença do papel de uma estatal nacional de petróleo e empresas multinacionais cujo espaço, aliás, no mercado mundial tem sido reduzido sistematicamente há décadas.

“É impossível pedir o sacrifício dos Estados para abrir mão do ICMS”, disse Prates

Para o diretor-presidente do Cerne, governadores têm razão em manter suas alíquotas atuais.

A política de preços dos combustíveis da Petrobras tem ganhado importância e visibilidade no rastro da crise dos caminhoneiros. O governo federal chegou a pedir que os Estados abrissem mão do ICMS, na tentativa de amenizar o grave problema que tomou conta do país.

Em entrevista hoje (28) ao programa RN Acontece, o advogado e economista Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne – Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia, defendeu o posicionamento dos governadores de não ceder à pressão do presidente Michel Temer.

“Neste momento, é impossível pedir o sacrifício dos Estados para abrir mão do ICMS. Os governadores têm razão em manter suas alíquotas, sem absolutamente nenhuma ameaça patriota. Isso é simplesmente uma situação de caos financeiro que os governadores vivem e precisam da alíquota do jeito que ela está”, defendeu Jean Paul Prates.

Para Jean-Paul, o que foi testada e não funcionou foi a política de oscilação em tempo real. “O Brasil nunca teve, em toda a sua história, reajuste de combustível na bomba em tempo real com o preço internacional. Portanto, não existe cultura do brasileiro de acompanhar o preço fora do país, que tem basicamente três componentes – especulação, geopolítica e lei da oferta e da procura no mundo”, destacou.

Na opinião de Jean-Paul, essa greve ocorreu primeiramente no setor de transportes de caminhões porque é ele o que mais sente necessidade de planejar o preço do combustível, uma vez que o combustível é o principal da atividade dos caminhoneiros.

O diesel, segundo o diretor-presidente do Cern, é subsidiado no Brasil. “As pessoas esquecem que o usuário da gasolina está subsidiando o diesel, que é um produto mais nobre e teoricamente mais caro”, disse.

Ele também falou sobre o que considera uma das “trapalhadas”, ocorrida em 2017, quando o governo anunciou e passou a implementar a política de reajustes na bomba. “Tivemos mais de 160 reajustes nesse período todo”. Somente neste mês de maio, também afirmou Jean-Paul, foram quase 15, o que resultou em um aumento do diesel de 60%.

Fonte: Nominuto.com

Combustíveis x Greve dos caminhoneiros: como se formou o nó que levou à paralisação

Protestos põem em questão política de preços da Petrobras e modelo de exploração do petróleo. Limitações logísticas do transporte no Brasil também ajudam a entender a crise dos combustíveis

A escalada do preço do barril de petróleo e a alta do dólar escancararam uma série de gargalos e problemas setoriais que desembocaram na greve dos caminhoneiros nesta semana. A paralisação põe em questão a política de preços da Petrobras, o modelo de exploração do petróleo, as limitações logísticas do transporte no país e os impactos da concessão de créditos setoriais. Tudo isso em meio a um processo de recuperação econômica que, mais lento do que o esperado, não permite aos governos federal e estaduais abrir mão de impostos que representam cerca de 45% do preço da gasolina e 29% do diesel. Mesmo assim, o Congresso Nacional promete aprovar reduções de alíquotas na marra.

Iniciada em julho 2017, a política da Petrobras de acompanhar a oscilação internacional dos preços do petróleo levou a um aumento acumulado de 55% no valor dos combustíveis no Brasil ao seguir a variação internacional do preço do petróleo. Sob a batuta de Pedro Parente, a empresa adotou essa política para se alinhar às práticas comuns do setor privado internacional, recupera a confiança dos investidores depois das perdas da época em que os preços eram controlados, durante o Governo Dilma Rousseff — e os resultados econômicos começaram a ser colhidos pela estatal no primeiro trimestre deste ano. “O Brasil não tem os mesmos estoques de combustível e petróleo dos Estados Unidos, e quer, de repente, afetar milhares de pessoas com uma política [de reajuste] em tempo real só para dizer que é o oposto da política da Dilma e da [ex-presidenta da Petrobras Graça] Foster”, critica Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia.

A solução para o especialista é um meio termo: um sistema de amortecimento das variações do preço do petróleo. “Não é nada parecido com Venezuela, com mercado paralelo de combustível, tirar o Brasil do mundo do petróleo, nada disso. É simplesmente retornar à fórmula proposta pela Graça Foster, uma proposta boa num momento errado”, diz Prates, referindo-se à negativa do Governo Dilma de adotar o amortecimento de preços em 2014 por conta de motivos eleitorais. O temor de que a política volte a ter ingerência sobre a Petrobras derrubou as ações da empresa em 14% nesta quinta-feira, o que valeu 47,3 bilhões de reais a menos no valor da empresa.

Segundo Prates, o Brasil tem de adotar uma fórmula que tenha balizamento no mercado internacional: que o preço dos combustíveis não fique muito discrepante do valor mundial por muito tempo, mas que os reajustes sejam feitos em patamares e com previsibilidade dos critérios. Assim, a Petrobras arcaria com o aumento do petróleo por algum tempo, e descontaria aquilo que gastou no momento em que o preço da commodity baixasse. “Nunca houve preço livre na bomba, em tempo real, na história do petróleo brasileiro. Querem fazer isso depois de 100 anos de uma cultura acostumada com amortecimento?”, questiona.

Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B, diz faria sentido reduzir a frequência dos aumentos de combustível, mas que “o problema não é a Petrobras, é estrutural”. “A Petrobras tem um grande poder de monopólio. Se houvesse quatro ou cinco empresas competindo de fato nesse mercado, com refinarias e base de importação, pode ser que o preço não estivesse nesse nível e que as empresas não pudessem fazer o que a Petrobras faz hoje”, diz Frischtak. Nos Estados Unidos, por exemplo, a competição do mercado impede que o preço suba tanto.

A solução, nesse caso, passaria pela privatização desse setor, mas não qualquer uma. “Não vejo nenhuma razão para a Petrobras continuar estatal, mas não se deve privatizar ela nessa posição, sob o risco de se criar um quase monopólio privado. Tem de fazer uma modelagem. Só que não há clima para fazer isso no país. A Eletrobrás está numa situação financeira dificílima, e o pessoal continua contra a privatização”, analisa Frischtak.

Transportes

Além do setor de petróleo, o setor de transporte também teve seus problemas expostos por conta da greve dos caminhoneiros. Os transportistas conseguiram mobilizar as atenções do país com apenas três dias de mobilização – a maior desde 1999, no Governo Fernando Henrique Cardoso. Isso porque dois terços do transporte de carga do país são feitos por caminhões — sem contar minério e petróleo cru, a proporção sobre para mais de 90%. Nos Estados Unidos, por exemplo, o percentual é de 43%. Além disso, a estrutura rodoviária do país é precária: tem apenas 211.000 quilômetros, enquanto os EUA têm 4,3 milhões de quilômetros e a China, 4 milhões de quilômetros. Nos cálculos do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), a má qualidade das estradas faz que o caminhoneiro brasileiro leve um mês para rodar 4.400 quilômetros, o que dá uma velocidade média de 5 km/h. Isso encarece o preço do transporte e, consequentemente, do frete.

De 2001 a 2016, a frota de caminhões do país cresceu 84%, em parte por conta do crédito concedido pelo BNDES entre 2008 e 2014. O aumento foi tão intenso que levou empresários do setor a pedir a suspensão de outros tipos de crédito para a compra de caminhões em 2016. Naquele ano, estimava-se que havia um excedente de 200.000 caminhões no país — a frota atual é de 2 milhões de veículos, dos quais 650.000 são autônomos. O excesso de caminhões e a redução da circulação de cargas, como consequência da recessão dos últimos anos, derrubou o preço dos fretes, prejudicando as companhias de transporte. Agora, quando a economia voltava a crescer, a elevação do preço do diesel frustrou as expectativas dos caminhoneiros, que não viram outra alternativa senão parar em protesto.

Fonte: El País | Rodolfo Borges

CERNE debate desenvolvimento das fontes renováveis no Piauí

O Presidente do Centro de estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta quarta-feira (24) do Workshop de Energias Renováveis e Meio Ambiente, evento promovido pela Escola Superior de Advocacia do Piauí (ESA-Piauí).

Em sua apresentação, Prates ressaltou a importância do desenvolvimento das fontes renováveis para o Nordeste brasileiro, traçou um comparativo entre a evolução da energia solar e eólica no Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, e explicou as vantagens que o desenvolvimento destes setores traz para as economias locais e os desafios por enfrentar.

“Temos uma trajetória de interesses em comum. Não somos concorrentes. A parceria e a troca de experiências entre estados geradores só contribui para melhorar o ambiente de investimentos e assegurar benefícios para as comunidades e fornecedores locais”, assegurou.

Prates ainda comentou sobre a proposta de criação de “royalties” sobre o uso do vento, surgida a partir de proposta de emenda constitucional de autoria de um senador piauiense: “a natureza jurídica do royalty é compensar financeiramente as gerações futuras pelo uso presente de recursos não-renováveis, portanto, não se aplica ao vento e ao sol. Por isso, no petróleo e na mineração, incide sobre a receita bruta do concessionário.  O que preconizamos é a discussão de uma melhor alocação das receitas advindas do ICMS sobre a geração de energia, qualquer que seja sua fonte. Isso sim, seria uma medida que traria nova receita para estados e municípios produtores, sem onerar mais o investimento”, afirmou.

O evento também contou com a palestra do Diretor Setorial de Infraestrutura e Energia Eólica do CERNE, Milton Pinto.

Atualmente, o Piauí é um dos maiores produtores de energias renováveis (solar e eólica) do país, sendo necessária a realização de um debate jurídico acerca do tema. O evento foi realizado na sede do Tribunal de Justiça do Estado, e contou com a presença de parlamentares, desembargadores e juristas do estado, além de pesquisadores, gestores empresariais e estudantes envolvidos com o setor energético.

Fonte: Cerne Press

Eólicas no Rio Grande do Norte são autorizadas para operação comercial

Agência deu provimento à solicitação da Gestamp Eólica Cabeço Vermelho S.A. por duas usinas e que juntas somam 43,6MW.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a operação comercial de duas usinas de geração eólica denominadas EOLs Cabeço Vermelho I e II, segundo despacho publicado na última terça-feira, 22 de maio, no Diário Oficial da União.

A liberação contempla 13 unidades geradoras que totalizam 26 MW de potência no primeiro empreendimento, enquanto que o segundo teve oito aerogeradores que juntos somam 17,6 MW. As usinas se encontram nos respectivos municípios de Jardim de Angicos e João Câmara, ambas no Rio Grande do Norte.

Fonte: Canal Energia

Leilão de energia A-6 cadastra mais de 1 mil projetos em geração

Projetos somam juntos 59,1 gigawatts em capacidade instalada, informou a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nesta segunda-feira, dia 21.

O leilão de energia A-6, agendado para 31 de agosto, que contratará novas usinas de geração para operação a partir de 2024, recebeu cadastramento de mais de 1 mil projetos, que somam 59,1 gigawatts em capacidade instalada, informou a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nesta segunda-feira.

As termelétricas a gás natural lideram em termos de capacidade, com 28,65 gigawatts inscritos, divididos em 39 projetos. Já as usinas eólicas dominam o cadastro em número de empreendimentos — são 928 cadastrados, em um total de 27,1 gigawatts.

O leilão tem inscritos para a disputa, ainda, 333 megawatts em hidrelétricas de maior porte, com 7 projetos, e 941 megawatts em pequenas hidrelétricas, ou 66 projetos, além de cerca de 1 gigawatt em usinas à biomassa e 940 megawatts em térmicas a carvão.

Fonte: Reuters | Luciano Costa

Aneel aprova operação comercial de 31,5 MW eólicos no Ceará

Agência também liberou UFVs em Minas Gerais, além de testes em PCH e na EOL Campo Largo VII

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira, 18 de maio, a operação comercial das EOLs Bons Ventos Cacimbas 4 e 5. No primeiro caso foram liberadas 5 unidades de 2,1 MW cada, somando 10,5 MW de capacidade, enquanto a outra usina teve 10 aerogeradores de 2,1 MW contemplados, totalizando 21 MW. Ambos empreendimentos estão localizados no município de Ibiapina, no Ceará.

Outras usinas a receberem o parecer positivo da Aneel foram as UFVs Pirapora 2 e III. Localizadas em Pirapora, Minas Gerais, a primeira teve liberada oito unidades de 967,742 kW cada, num total de 7,74 MW, enquanto a outra contou com nove unidades que totalizam 9,67 MW.

A agência também autorizou uma turbina de 2,75 MW da CGH Palmeiras, que se encontra no município de Ponte Alta do Bom Jesus, no Tocantins.

Além das liberações comerciais, o órgão regulador também deu provimento à solicitação da Alcast do Brasil Ltda, que poderá operar em regime de testes duas unidades geradoras de 2,7 MW da PCH Jacaré, totalizando 5,6 MW liberados em Bom Sucesso do Sul, no Paraná.

Outra confirmada para testes é a EOL Campo Largo VII, que teve contemplados três aerogeradores de 2,7 MW, num total de 8,1 MW eólicos liberados na Bahia, no município de Sento Sé.

Fonte: Canal Energia

Geração renovável busca aprimoramentos para retomar o crescimento

Diferentes entidades que representam o setor apontam questões regulatórias diversas como barreiras para e oportunidades para o caminho de sua sustentabilidade. 

Os avanços da tecnologia, seus impactos nas diferentes fontes de geração renovável, alterações regulatórias e decisões governamentais são alguns dos pontos que estarão no centro das atenções do painel Geração Renovável na 15ª edição do Encontro Nacional do Setor Elétrico (Enase). E o tema promete acaloradas discussões e pontos de vista antagônicos sobre o avanço das mais diversas tecnologias que disputam leilões de energia e o novo consumidor brasileiro.

No caso da Cogen, estão no foco da associação o avanço das novas tecnologias que abre um espaço para o crescimento da geração distribuída no Brasil ao ponto de voltarmos a falar de consumidores off grid. Mas o setor vê ainda uma ampla gama de assuntos que estão voltando à pauta do segmento com os recentes anúncios do governo como os valores de referência específicos e o Renovabio. E ainda, as possibilidades de aplicação da ferramenta blockchain para a negociação de energia nos moldes do comercializador varejista.

Segundo o presidente executivo da associação, Newton Duarte, os temas nos quais a entidade já vinha trabalhando no passado continuam no foco de trabalho. Ele lembra que um dos principais é a questão das garantias físicas classificadas como estrutural e a conjuntural. Para isso, está em desenvolvimento um estudo contratado pela Raízen, a cargo da PSR para dotar o tema de argumentos técnicos que embasem a abertura de uma audiência pública para debater o assunto.

E ainda, relevou o executivo, há uma outra proposta que será abordada, é o leilão de excedentes da cogeração, uma forma de atender aos consumidores com uma energia mais barata do que o insumo gerado e enviado de outras regiões mais afastadas. “Esse leilão seria uma das formas de expandir a cogeração e a geração distribuída, concomitantemente”, avaliou.

Uma parcela dos assuntos que serão discutidos com a Cogen convergem também para a atuação da Absolar. O presidente executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, destacou que nesse ano sua participação será centrada em três segmentos: a geração centralizada, geração distribuída e cadeia produtiva. “Vamos mostrar de forma prática os principais desafios e oportunidades para agenda de 2018”, resumiu ele.

Na geração centralizada está a questão da exclusão da fonte dos leilões de energia nova A-6. Na visão da associação a fonte foi prejudicada por não poder competir com as demais fontes no certame para 2023. Esse tema acaba, de certa forma, levando ao problema que a cadeia produtiva do setor terá que enfrentar, a falta de contratos. Segundo Sauaia, atualmente existem dois períodos com essa lacuna, o primeiro é o biênio 2019 e 2020 e depois 2023 e 2024. Este último ainda dá para rever a situação pois há tempo para um novo leilão A-4, apesar de apontar que essa contratação pode ser ameaçada por não se ter ideia de qual será a demanda residual do certame depois da grande contratação do A-6 do ano passado. Já o primeiro período sem contratos, apontou ele, pode trazer grandes dificuldades para a cadeia industrial e até afugentar novos interessados em investir na formação de uma indústria local para a fonte.

Além disso, estão na pauta da entidade questões como a necessidade de isonomia tributária para igualar as condições de competitividade com outras fontes. Em geração centralizada, comentou ele, a questão dos modelos tarifários é um ponto a ser abordado e que deveria ficar no âmbito da Aneel e não ser tratado no âmbito de legislação, como está em andamento no Congresso Nacional.

As duas mais recentes fontes que entraram nos leilões são o alvo de questionamento de duas associações que defendem a fonte hídrica, mais especificamente as usinas de até 50 MW, a AbraPCH e a Abragel.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Abragel, Luiz Otávio Koblitz, a questão do avanço das intermitentes é o ponto a ser abordado já que em sua avaliação, deve ser considerado no âmbito dessa expansão recente essa variação intraday da geração solar e eólica. Ele defende que seja considerada o preço da energia gerada para suprir a falta dessas fontes quando para de ventar ou deixa de ter a luminosidade do sol. Ele relata que essa variação acaba sendo suprida por energia mais cara de usinas térmicas. E ainda trará à discussão os benefícios que a fonte proporciona com suas externalidades, como a proximidade com os centros de consumo e a ausência de construção de grandes linhas de transmissão.

“Não há lógica econômica nos últimos leilões. Na hora da ponta não podemos contar com essas fontes. É preciso restaurar o bom senso na hora da contratação via leilões”, disse ele.

O presidente executivo da AbraPCH, Paulo Arbex, destaca ainda que a fonte continua a ter poucos contratos em função de decisões de governo. Outro ponto que a entidade entende como consequência dessa situação é o que classificou como a desmobilização da indústria e empregos locais, pois ao termos as fontes chamadas de intermitentes deve haver a preocupação em contratar térmicas para atribuir  segurança necessária ao fornecimento de energia.

Além disso, a AbraPCH apresentará ideias que foram originadas a partir do Fórum Mundial da Água, realizado este ano em Brasília, e como o setor pode auxiliar na regulação do uso da água para agricultura e consumo humano de forma paralela à geração de energia.

A mais bem sucedida fonte em número de projetos nos últimos anos em leilões do país a eólica apontou seis itens que trará para a mesa de discussões na 15ª edição do maior evento político regulatório do setor elétrico. De acordo com a ABEEólica, temas como a competitividade da fonte diante da queda de preços não somente no Brasil, mas no mundo estarão no foco das discussões. A lembrar que no último leilão A-4, realizado em abril, a fonte atingiu R$ 67/MWh. Alem disso, no leilão anterior os preços transitaram em cerca de R$ 100/MWh.

A entidade trará o cenário e os principais números do setor atualizados, os desafios do setor para a retomada do crescimento, o mercado livre para a fonte, iniciativas como o selo e certificado de energia renovável, e ainda, os riscos da implantação do preço horário para a fonte eólica. O Enase é copromovido pelo UBM/Grupo CanalEnergia e as 20 principais associações do setor elétrico e terá início no dia 23 de maio, no Centro de Convenções Sul América, no Centro do Rio de Janeiro.

Fonte: MAURÍCIO GODOI, DA AGÊNCIA CANALENERGIA