Governo brasileiro assina decreto que autoriza leilão de descontratação de energia

O presidente Michel Temer autorizou realização de um leilão para descontratar projetos de energia de reserva, que deverá seguir diretrizes do Ministério de Minas e Energia, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

Poderão participar do leilão de descontratação usinas contratadas em leilões de energia de reserva que ainda tenham contratos vigentes e que ainda não tenham iniciado operação em teste. O edital para a licitação será elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O decreto não cita uma data para a licitação.

Segundo o decreto, as empresas interessadas em cancelar seus projetos de energia de reserva deverão apresentar propostas de descontratação segundo critérios a serem definidos pelo Ministério de Minas e Energia, que deverá avaliar a vantagem de cancelar as usinas. As empresas também deverão pagar um prêmio no leilão.

Os empreendimentos que forem escolhidos como os elegíveis à descontratação terão a rescisão automática de seus contratos, ou redução de montantes contratados, sem aplicação de multa rescisória. Os projetos também terão liberadas garantias financeiras que depositaram referentes a essas usinas e terão as outorgas extintas pela Aneel.

As empresas que descontratarem projetos no leilão terão depois que ficar sem participar dos próximos dois leilões de energia de reserva que sejam realizados, segundo o decreto.

O decreto também aponta que os recursos arrecadados com o pagamento do prêmio no leilão serão direcionados para a Conta de Energia de Reserva (Coner), um fundo setorial administrado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O montante de energia de reserva a ser descontratado será definido pelo ministério com base em estudos da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Fonte: Reuters | Luciano Costa

 

Especialistas do setor elétrico se reúnem em Brasília para debater pesquisa e inovação em eólica

O Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, participou, a convite do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), de uma reunião realizada na manhã desta terça-feira (31) em Brasília com empresários e especialistas do setor elétrico brasileiro para debater a prospecção de tecnologias no setor de energia.

O encontro integra o projeto “Prospecção Tecnológica em Energia Elétrica”, realizado pelo CGEE a pedido da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A iniciativa tem como proposta de elaborar metas estratégicas, otimizar a distribuição dos recursos do P&D da Aneel e direcionar o investimento das empresas para o setor elétrico.

O ciclo de reuniões com especialistas é distribuído entre cinco grandes grupos temáticos: geração, transmissão, distribuição, eficiência energética e economia de energia. Hoje foram tratados assuntos a respeito da energia eólica, uma das 48 macrotemáticas caracterizadas no projeto.

Nesta etapa, foi tratada a visão de futuro para as eólicas – planejamento estratégico dos objetivos a médio e longo prazo – a caracterização do nível de maturidade das rotas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) associadas a macrotemática e, por fim, e a priorização dessas rotas.

O CERNE contribuiu para o debate propondo a utilização mais efetiva das ferramentas de regulação e legislação como elemento indutivo das políticas de incentivo ao PD&I no setor. “Também sugerimos que fossem incorporadas linhas de pesquisa no sentido de simplificar tecnologias para o uso e manutenção através de empresas locais, que estão mais próximas dos projetos de geração de energia”, disse Jean-Paul Prates.

CGEE

É uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em setembro de 2001, no âmbito da 2ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. No encontro, em que se elegeu a inovação como tema crucial para o desenvolvimento científico e tecnológico do país, 273 pesquisadores e especialistas, vinculados a aproximadamente 100 instituições de 22 estados, endossaram a proposta do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) de criar um órgão que subsidiasse a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e as decisões de longo prazo dos setores público e privado em temas relacionados. Em 2002, foi classificado como organização social, por meio do Decreto nº 4.078, de 9 de janeiro daquele ano.

Fonte: CERNE Press

Água e estiagem: os desafios para gestão e abastecimento no nordeste

Os desafios para o suprimento de água na região semiárida foi o tema do primeiro Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE, realizado nesta quarta-feira (29), no mini auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN). Autoridades, estudantes e pesquisadores estiveram reunidos para discutir as soluções para o cenário hidrológico e os enfrentamentos que envolvem os recursos hídricos no Nordeste e Rio Grande do Norte.

“Um dos papéis do CERNE é trazer as instituições de ensino e pesquisa para pautarmos temas relevantes, dentre eles a questão da água”, afirmou o presidente da entidade , Jean-Paul Prates, na abertura do evento, explicando o trabalho do Conselho Técnico Científico. Ele disse que o ponto importante para discussão atualmente é a inovação tecnológica como ferramenta para melhor gestão do abastecimento de água em regiões semiáridas.

O Diretor-Geral do Campus Natal-Central do IFRN, Jose Arnóbio, elogiou a ação do CERNE em promover o debate e também a criação do Conselho Técnico Científico como fonte articuladora da aproximação entre pesquisadores, empresas e a sociedade, ao qual a instituição de ensino inclusive faz parte.

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O professor Neilton Fidélis (IFRN/UFRJ) falou sobre as iniciativas acadêmicas na área de recursos hídricos e citou como exemplo um projeto integrativo socioambiental realizado no semiárido nordestino voltado para a área de energia. “Nesse projeto, trabalhamos com tecnologia para propor alternativas de uso e produção de energia que contribuam para questões referentes a segurança hídrica e energética nessas regiões como, por exemplo, construção de fogões solares”, explicou.

No Rio Grande do Norte, a média de armazenamento de água nas principais bacias hidrográficas  é de 17,8%, volume  considerado baixo de acordo com Gilmar Bristot, representante da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Emparn). “A previsão para os próximos 5 meses é de poucas chuvas na região do Trairi e uma melhora no nível das precipitações nas regiões leste e agreste do Estado”, conclui.  Para Bristot, o monitoramento das chuvas é importante como parte do planejamento da gestão hídrica.

Já o representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Franklin Rocha, apresentou as ações do órgão estadual, dentre eles, o Programa Água Doce, que é responsável por levar água potável, através de sistemas de dessalinização, para a população das regiões semiáridas do Rio Grande do Norte.  “As regiões do Seridó e Alto Oeste estão em situação hídrica bastante frágil. Nessas áreas, o foco do trabalho do governo estadual é maior”, destacou Rocha.

Exemplo de Israel

Os desertos de Israel e o sertão nordestino estão separados por milhares de quilômetros, mas ambos lidam com os mesmos desafios: regiões áridas e de pouco investimento. A pesquisadora e professora da UFRN, Magda Guilhermino, mostrou as diferenças entre Brasil e Israel na gestão de águas e produção em terras áridas.

Segundo Magda, a necessidade de superar as restrições naturais do solo, água e clima, levou Israel a desenvolver tecnologias na área da irrigação agrícola e atualmente o país ganhou reputação mundial com mais de 80% de produtos exportados do setor agrícola. “Mais de 50% da irrigação é de água de reuso e isso tornou o país pioneiro em inovações nessa área”, destacou a professora.

Ciclo de Debates

O evento tem como proposta debater os principais problemas do setor de recursos naturais e energia, buscando encontrar  soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor. O Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE terá outras edições ao longo do ano com temas que abordam recursos naturais e energia. A programação completa está disponível no site www.cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

 

 

 

Brasil desponta como terceiro maior produtor de eletricidade das Américas

O Brasil é o terceiro maior gerador de eletricidade das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá, de acordo com relatório da EIA (Energy Information Administration). Em 2016, a capacidade instalada total de geração de energia elétrica atingiu 137 GW, gerando 560 bilhões de kWh.

As hidrelétricas se mantêm como principal fonte de geração da matriz elétrica brasileira, representando mais de 70% do total (87 GW), seguida pelos combustíveis fósseis (30 GW), biomassa (12 GW) e de uma pequena parte vinda das fontes eólicas e nucleares. O Brasil é o segundo maior produtor de energia hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a China.

O gás natural é o principal combustível fóssil usado no Brasil, correspondendo a mais da metade do potencial de combustíveis fósseis, sendo a outra parte ocupada pelo carvão mineral. A atual aposta do setor é o projeto da termelétrica do Porto de Sergipe, com entrega prevista para o final de 2019. A usina terá uma geração de 1,5 GW, a maior da América Latina.

Visando aumentar a parcela de fontes de energia renováveis não-hidrelétricas na matriz, o governo anunciou em 2015 o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). A ideia é ampliar e aprofundar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, estimulando, por exemplo, o uso de energia solar fotovoltaica. A estimativa é que o programa movimente cerca de R$ 100 bilhões em investimentos, até 2030.

Fonte: Brasil Energia | Amanda Magalhães

Situação da água no semiárido nordestino é tema de debate pelo CERNE

Assunto será discutido com especialistas da área no dia 29 de março em Natal.

A água é um recurso estratégico para o desenvolvimento do Nordeste, especialmente em uma região pobre como o semiárido nordestino. O clima severo e as chuvas irregulares geram eventos extremos que frequentemente resultam em secas e cheias, representando um grave risco para as atividades econômicas, em particular para a agricultura de subsistência.

No Rio Grande do Norte, ações governamentais tem buscado aliviar a situação econômica e social dos moradores em regiões afetadas pela estiagem no estado. Em fevereiro, foram repassados pelo Ministério da Integração Nacional recursos na ordem de R$9,4 milhões para contratação de caminhões-pipa que irão ajudar no abastecimento de 65 municípios do interior potiguar.

A partir desse contexto, os desafios para suprimento de água na região semiárida será o tema do primeiro encontro do Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CTC-CERNE) que será realizado dia 29 de março, às 14 horas, no mini auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Central Natal.

O Ciclo de Debates tem como proposta debater os principais problemas do setor de recursos naturais e energia, buscando encontrar soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor, além de identificar potenciais parcerias entre as instituições participantes do evento.

Representantes de órgãos e instituições como a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) e Universidade Federal do Rio grande do Norte (UFRN) debaterão sobre o cenário hidrológico e os enfrentamentos que envolvem os recursos hídricos no Nordeste e RN.

O Ciclo terá outras edições ao longo do ano com temas que abordam recursos naturais e energia. A programação completa está disponível no site do CERNE pelo endereço www.cerne.org.br clicando na imagem do Ciclo situado a direita da página inicial. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340. O evento é aberto ao publico e a entrada é gratuita.

CTC-CERNE

O Conselho Técnico Científico do CERNE (CTC-CERNE) é composto por pesquisadores e professores de diversas instituições de pesquisas e universidades do país e visa dinamizar ainda mais as ações do CERNE e dar um suporte técnico-científico nas discussões das estratégias, dos projetos e dos seus programas.

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Fonte: CERNE Press

Governo vai anunciar no 2º semestre leilões de óleo e gás de 2018 e 2019

“Queremos anunciar no segundo semestre deste ano os leilões de óleo e gás de 2018 e 2019 porque isso dá previsibilidade para que as empresas possam se organizar”, disse o ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) à coluna, sem informar quais serão as áreas.

Coelho Filho afirmou estar confiante que a extensão do Repetro (regime aduaneiro especial do setor) saia ainda neste mês ou nos primeiros dias de abril.

“Não podemos escolher a empresa A ou B. Torcemos pela Petrobras, mas a prioridade do governo é gerar emprego, renda e arrecadação para o país”, disse sobre dar preferência à estatal.

O ministro comentou também que o preço da energia deverá subir neste ano.

“Vai ter ao longo de 2017 o acionamento de bandeira tarifária amarela, ou possivelmente, vermelha, pelo custo da geração”, afirmou.


Óleo e gás

Queremos anunciar neste ano os leilões de 2018 e 2019, porque isso dá uma previsibilidade para que as empresas possam se organizar. Agora há a possibilidade de companhias serem operadoras, precisam de um esforço financeiro maior. Em abril, vamos anunciar o leilão de novembro. E daí teremos todas as áreas deste ano anunciadas.

Repetro

A expectativa é que saísse em março. O atual regime está vigente até 2019. As empresas querem que os leilões ocorram com o prazo de mais vinte anos anunciados. Isso dá segurança e tranquilidade maiores às companhias que vão participar do leilão.

O primeiro, em maio, é de área terrestre, não há tanta necessidade do Repetro porque tem alto percentual de conteúdo local. Ele será importante para o de junho -segunda rodada do pré-sal.

Conteúdo local

Sabíamos que a nova política de conteúdo local geraria alguma insatisfação. No nosso entendimento, pode ser que nem todos concordem, a nova política local tem benefícios para a indústria de óleo e gás e outros [segmentos]. Teremos um percentual mais exequível do que no passado, nossas empresas têm como atender a preços competitivos e acabamos com o waiver [pedido de perdão pelo não cumprimento da regra], que soma hoje cerca de R$ 80 milhões.

Libra [na Bacia de Santos]está na pauta. A diferença entre a contratação com o conteúdo local e a compra no exterior é de quase 40% -de R$ 800 milhões para mais de R$ 1,1 bilhão. Com o barril a US$ 50, a exploração se inviabiliza. O presidente Pedro Parente diz que sem uma solução, paralisa o projeto, pois deixa de ser interessante.

A política [de conteúdo] é importante, mas se for por prazo indeterminado não fortalece a indústria. Queremos que forneça equipamentos também a outros países.

O percentual de conteúdo local está dado -a grosso modo se reduz a 50%.

Continua com a multa alta, mas com incentivo para pagamento. Não adianta ter R$ 20 bilhões de multas e ninguém pagar, mas também não pode ser baixa demais que compense o desembolso.

Angra

A ideia do governo é concluir a obra. Já foram investidos cerca de R$ 8 bilhões. Precisa de R$ 7 bilhões que a Eletrobras não tem para colocar, nem o governo federal. É energia importante, dá segurança ao sistema.

Uma alternativa talvez fosse buscar um parceiro. A legislação não proíbe que empresa privada toque usinas nucleares? A Eletronuclear seria a responsável por gestão e manuseio do combustível, e o parceiro seria o acionista majoritário, responsável pelo funcionamento.

Estamos estudando. Não vejo no curto prazo o governo investindo em novas usinas -nuclear ou hídrica.

O Brasil está voltando a crescer, precisa de investimentos em energia e se não dermos o sinal econômico correto, a iniciativa privada não investirá.

Bandeira vermelha

Não temos risco de desabastecimento. O problema é que pelo sexto ano vivemos uma seca severa, e neste ano uma chuva que não foi lá essas coisas no Sudeste.

A energia hídrica, que é a mais barata e a que tem maior percentual do sistema, não será suficiente. Isso faz com que a gente tenha de gerar térmica, que é mais cara.

Belo Monte/Abengoa

A energia de Belo Monte está paga, mas não tem como tirar de lá. A empresa enfrenta dificuldade, não tocou as suas obrigações. [Em recuperação judicial, a Abengoa é responsável pelo pré-linhão, que vai escoar energia para o Nordeste].

A Aneel tenta decretar a caducidade das linhas e devolver os lotes à União. Há uma decisão na Justiça do Rio de Janeiro. Quando conseguirmos, colocaremos os lotes de volta ao mercado. Não sei quando. Está judicializado, não está no nosso controle.

Leilão de transmissão

O primeiro foi completamente diferente dos leilões que tinham pouca adesão [obteve 92% dos R$ 12,6 bilhões que o governo esperava contratar]. No dia 24, deverá se realizar outro -mais R$ 13 milhões de investimentos.

Para o próximo, poderemos seguir regra que se pensa para o de rodovias: se o deságio for muito grande, tem de aumentar a garantia -para evitar outro caso Abengoa, de dar um deságio de 40%, e depois não conseguir executar. Possivelmente no segundo semestre, deveremos ter novos leilões de renováveis, térmicas, a gás e outras fontes.


Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. (FOTO Alan Marques/ Folhapress)

Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. (FOTO Alan Marques/ Folhapress)

Raio-x

Nascimento
28 de fevereiro de 1984, em Recife (PE)

Formação

Administração de empresas

Carreira
Filho do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o deputado federal mais jovem eleito em 2006, com 22 anos. Reeleito por dois mandatos, assumiu a liderança do PSB em 2015, até se tornar ministro de Minas e Energia

 

Fonte: Folha de São Paulo | Maria Cristina Frias | Coluna Mercado Aberto

Empresas de petróleo investem em energia eólica offshore

As grandes empresas de petróleo estão começando a desafiar as maiores concessionárias de energia elétrica na corrida para construir turbinas eólicas no mar.

A Royal Dutch Shell, a Statoil e a Eni estão investindo em parques eólicos offshore de bilhões de dólares no Mar do Norte e outras partes. Elas estão começando a obter vitórias contra as principais fornecedoras de energia, entre elas a Dong Energy e a Vattenfall, que se especializaram na ancoragem de turbinas enormes no fundo do mar, em leilões competitivos para contratos de aquisição de eletricidade.

As empresas de petróleo têm muitos motivos para mudar para o setor. Elas passaram décadas construindo projetos de petróleo offshore, negócio que está caindo em certas áreas onde os poços mais antigos se esgotaram. Os retornos de parques eólicos são previsíveis e sustentados por preços de eletricidade regulados pelo governo. Além disso, os executivos de combustíveis fósseis querem uma fatia do negócio da energia limpa porque existem projeções de que as energias renováveis irão abocanhar seus mercados.

“Essa é, certamente, uma área de interesse para nós porque há sinergias óbvias com o setor tradicional de petróleo e gás”, disse Luca Cosentino, vice-presidente de soluções de energia da empresa italiana de petróleo Eni, que está trabalhando com a General Electric em energias renováveis. “Como conhecemos o setor de petróleo e gás, nós não podemos ficar parados onde estamos e esperar que outro dê esse salto.”

Ventos favoráveis

A Shell está explorando novas oportunidades com a energia eólica offshore em toda a Europa após obter contratos do governo holandês para construir os parques eólicos Borssele III e IV em dezembro. O lance da Shell foi o segundo custo mais baixo da tecnologia em todo o mundo, de acordo com Sinead Lynch, presidente da empresa para negócios no Reino Unido, que disse que a grande vantagem da empresa na energia renovável pode ser sua experiência em marketing.

As grandes empresas de petróleo também estão transformando o setor eólico offshore baixando custos, escreveu por e-mail Stephen Bull, vice-presidente sênior da Statoil.

Dudgeon, o parque eólico da grande empresa de petróleo norueguesa na costa leste da Inglaterra, será 40 por cento mais barato do que uma planta vizinha construída há seis anos, disse Bull. A Statoil também está criando alicerces flutuantes para turbinas eólicas offshore que eliminam a cara etapa de ancorar os mastros dos moinhos de vento no fundo do mar. Além do Reino Unido, a empresa está desenvolvendo projetos na Alemanha e na Noruega e em dezembro ganhou um leilão para construir um parque eólico offshore em Nova York.

“Eu acho que eles não estão fazendo isso apenas para fins de relações com investidores”, disse Gunnar Groebler, chefe de energia eólica da sueca Vattenfall, uma das cinco maiores desenvolvedoras de energia eólica offshore, que recebeu bem a maior concorrência. “Como esses projetos são investimentos de bilhões de euros, eu suponho que eles fizeram avaliações minuciosa”

 

Fonte: Bloomberg

CERNE e UnP oferecem curso de capacitação em energia solar fotovoltaica

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até sexta-feira (24) para o Curso de Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica – Tecnologia, Projetos e Aplicações. As aulas terão início no sábado, 25 de março, na UnP Unidade Nascimento de Castro.

Com duração de 20 horas, os conteúdos vão abordar a introdução à energia solar, características da fonte, fundamentos e tecnologias, componentes dos sistemas fotovoltaicos, conexões à rede elétrica e eficiência energética, dentre outros temas.

Ao final do curso, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto o funcionamento de usina solar fotovoltaica do Instituto Federal de Educação Tecnológica do RN (IFRN). Poderão se inscrever estudantes de graduação e profissionais interessados no setor.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço da plataforma e-Labora: sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe/site/elabora. A ementa com todos os detalhes está disponível na área de cursos do site do CERNE pelo link: www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 4009-1410 ou (84) 2010-0340.

Sem título

Fonte: CERNE Press

Piauí atinge 1GW de energia eólica

Conforme previsão divulgada em fevereiro pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), o estado do Piauí atingiu esta semana a marca dos 1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia eólica. O resultado foi alcançado com a instalação e início de operação em teste dos parques Ventos de Santo Augusto I, VI e VII,  somando 66,7 MW de potência.

Os empreendimentos estão localizados no município de Simões e foram comercializados no leilão A-5/2013 pela empresa Casa do Ventos. As usinas adiantaram a sua operação que em contrato estava prevista apenas para início em maio de 2018.

Com o resultado, o estado é o 5º a superar a marca no país.

Fonte: CERNE Press com informações da Abeeólica

Energia renovável é alternativa estratégica para estabilidade no preço da conta de luz

O brasileiro teve que preparar o bolso ao se deparar com a notícia da cobrança da bandeira tarifária amarela na conta de luz do mês de março. O anúncio, feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), determinou a cobrança extra de R$ 2 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos no mês.

A mudança ocorreu depois que a bandeira tarifária estava verde desde dezembro, ou seja, não havia cobrança adicional na conta de energia. Segundo a Aneel, a previsão dos níveis nos reservatórios das hidrelétricas ficou abaixo do esperado para março. A situação levou ao aumento da geração termelétrica como medida para preservar os níveis de armazenamento e garantir o atendimento ao sistema elétrico.

O sistema das bandeiras é aplicado sempre que o custo de geração de energia no país sobe. Isso acontece quando é necessário acionar mais usinas termelétricas, que geram energia mais cara devido ao alto custo associado.

Para ter uma ideia, em 2013 o total de energia produzida pelas hidrelétricas foi de 560.450 MW médios, o que correspondia a 74,02% da energia gerada no país. Em 2015 esse número caiu para 484.464 MW médios (65,66%). No mesmo período, a geração termelétrica aumentou de 187.892 MW médios (24,81%) para 194.568 MW (26,37%), segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

A matriz energética brasileira hoje depende predominantemente da energia hidrelétrica, além das usinas térmicas. A adoção de fontes alternativas como a eólica e solar podem reduzir a variação no preço da energia provocada pela bandeira tarifária.

Graças ao aumento da geração de energia eólica e o crescimento da participação da fonte na matriz energética nos últimos dez anos, as energias renováveis podem ser o caminho estratégico para garantir a segurança tarifária no país.

Nesse aspecto, o Rio Grande do Norte vem se destacando notoriamente na matriz renovável como polo do setor eólico no Brasil. De acordo o CERNE, o estado é líder nacional no ranking de geração eólica com 3,3 gigawatts de capacidade em 122 parques eólicos instalados e em operação.

Sistema Interligado Nacional

Toda a energia gerada é lançada diretamente no Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável por coordenar e controlar todo o sistema de produção e transmissão de energia elétrica oriunda das diferentes fontes energéticas, possibilitando o suprimento do mercado consumidor brasileiro.

O SIN também assegura um melhor aproveitamento da água nas usinas hidrelétricas e o uso moderado de energia térmica. Esse equilíbrio, aliado a geração alternativa – eólica, solar, biomassa – influencia diretamente na cobrança das bandeiras e no reajuste do preço da conta de luz.

Tarifa

Em 2016, o aumento médio das tarifas de energia elétrica no Rio Grande do Norte foi de 7,73%. Para os clientes residenciais o reajuste chegou a 7,78% e para as indústrias, o aumento foi menor, de 7,61%. Todos os anos, as distribuidoras passam por um processo de reajuste de suas tarifas, que pode levar a aumento ou queda, dependendo do que for apurado pela Aneel.

De acordo com a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) está prevista no mês de abril uma reunião entre a distribuidora e a agência reguladora para iniciar as tratativas sobre reajuste da tarifa no Estado.

Fonte: CERNE Press

Governo vai promover revisão da política de subsídios para fontes renováveis de energia

O governo federal planeja uma revisão na política de subsídios adotada atualmente para incentivo às fontes renováveis de energia, em especial eólica e solar. O objetivo do plano, ainda em gestação no Ministério de Minas e Energia, é criar um modelo de desonere o preço de contratação dessas fontes a partir de uma redução do peso dos subsídios hoje inseridos no custo final da energia. Entre as rubricas que serão reanalisadas na discussão a ser tocada na esfera federal está a tarifa especial destinada ao segmento de consumo de baixa renda e a Conta de Desenvolvimento Energético.

De acordo com o secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, a intenção do governo é iniciar as discussões em breve com agentes do setor elétrico, entre associações e investidores. Só após a costura em conjunto de um novo desenho no tocante à contratação dessas fontes renováveis é que o governo deve partir para promover alterações legais no arcabouço regulatório vigente. O executivo do Ministério trata o tema como prioridade entre as atribuições que o governo terá ao longo do ano de 2017 no setor de energia elétrica.

“Essa agenda é positiva e é de futuro. A discussão não pode ser feita como uma ameaça às empresas, como algo que venha para quebrar direitos ou afetar contratos. É importante que haja um amadurecimento nas propostas, para só então partirmos para algo concreto”, disse Pedrosa em conversa com jornalistas após participar do UK Energy 2017, evento promovido nesta terça-feira, 21 de março, no Rio, pela Câmara Britânica de Comércio no Brasil. “A ideia é recuperar a lógica econômica, incentivando as energias renováveis de forma sustentável, sem artificialismo”, frisou.

A preocupação do governo passa principalmente pela troca de subsídios entre classes e setores de consumo, provocando distorções no preço para determinadas faixas em detrimento do que é cobrado para outras – o que, no geral, pode provocar destruição de valor para a economia. Cálculos aproximados do MME apontam que, atualmente, o total de subsídios pagos no setor entre seus diversos atores, incluindo os impostos incidentes, somam R$ 30 bilhões, volume de recurso que representa cerca de 1/3 do Produto Interno Bruto do setor de mineração.

Mercado – Pedrosa ressalta que, embora alguns dos subsídios aplicados ao setor elétrico sejam importantes por atenderem parcelas carentes da população e a determinadas regiões hoje isoladas do Sistema Interligado Nacional, o governo vai repensar essas necessidades com base na eficiência. Ele cita o caso de Boa Vista, capital de Roraima, que registrou 41 blecautes durante o ano de 2016 mesmo tendo “custado” ao país cerca de R$ 1,3 bilhão na operação das usinas termelétricas locais. “O custo de uma linha de transmissão interligando a cidade ao SIN seria igual”, exemplifica.

O debate em torno da reorganização da política de subsídios vai passar, segundo o secretário do MME, pela Empresa de Pesquisa Energética e pela Secretaria de Planejamento Energético do Ministério. Pedrosa ressalta que o modelo de contratação adotado até aqui para as renováveis, com leilões para o mercado regulado, foi importante para a sedimentação da indústria de renováveis como eólica e solar, ao garantir contratos de longo prazo corrigidos pela inflação. O momento, no entanto, é outro. A ausência de linhas de crédito baratas do BNDES é uma das dificuldades.

“De forma resumida, nossa intenção é reordenar a lógica desse mercado sob o ponto de vista dos consumidores. O que se quer é comprar energia renovável pelo preço efetivo que ela representa, sem nada artificial. Hoje o preço é separado em dois pedaços: o subsídio, que é pago por um conjunto de consumidores; e o preço da fonte em si. Nós precisamos discutir uma agenda moderna que contemple o custo dessa renovável pelo preço real. Como remunerar o investidor adequadamente e como cobrar o preço correto, com redução nos subsídios? Essa é a questão”, salientou Pedrosa.

Fonte: Oldon Machado, da Agência CanalEnergia

Agência internacional aponta ser possível reduzir as emissões a zero até 2060

A Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês) indicou que as emissões de CO2 podem ser reduzidas entre 70% até 2050 e 100% até 2060 com uma perspectiva econômica positiva. Essa estimativa foi lançada nesta segunda-feira, 20 de março durante o evento Berlin Energy Transition Dialogue, na Alemanha, por meio do estudo “Perspectivas para uma transição energética: as necessidades de investimentos para uma transição de baixo carbono”.

O relatório apresentou casos em que o aumento dos aportes em energia renovável e eficiência energética em países do G20 e outros podem alcançar a redução de emissões necessárias para conter a elevação da temperatura a não mais do que os 2º Celsius e evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas.

O desafio é grande, os investimentos necessários adicionalmente somam US$ 29 trilhões até 2050. Esse número, explicou a entidade, apesar de ser substancial, representa uma parcela de 0,4 do PIB global nesse período. Além disso, a análise macroeconômica da Irena aponta que esses aportes criarão um estímulo que junto a outras políticas poderão elevar o PIB global em até 0,8% em 2050, gerar novos empregos no setor renovável mais do que a perda de posições com a indústria de combustíveis fósseis, e ainda, desenvolver o bem estar humano com os benefícios ambientais causados.
Atualmente a energia renovável responde por 24% da capacidade de geração e 16% de todo o fornecimento de energia primária. Para alcançar a descarbonização serão necessários 80% de geração de energia advindas dessas fontes e 65% de todo o fornecimento primário no mundo. As renováveis precisam ainda representar a maior parte da geração de energia em 2050, tendo como base a contínua e rápida expansão de capacidade, principalmente da combinação entre a eólica e a solar para substituir as fontes convencionais.
Além disso, veículos elétricos também devem ser predominantes nesse cenário, bem como ações de eficiência energética, biocombustiveis líquidos e edificações mais eficientes devem apresentar alto crescimento, seja por meio de renovações ou novas construções.
Contudo, ressalta que são necessários esforços por meio de adoção de políticas públicas para que se possa redesenhar os mercados de energia no mundo. Sinais de preços robustos e a precificação do carbono podem ajudar a promover um grande campo quando complementado por outras medidas.
Fonte: Canal Energia

Número de usinas eólicas se aproxima de 500 instalações no país

O número de usinas de geração de energia eólica no Brasil se aproxima de 500 instalações, passando de 86 parques em janeiro de 2013 para 459* em janeiro desse ano. O crescimento das usinas eólicas colocou o Brasil entre os dez países com maior capacidade instalada de geração eólica no mundo, atingindo 10.444 MW em janeiro de 2017.  Os dados sobre usinas e capacidade de geração são do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (Jan-2017).

A energia eólica também se destaca na matriz de capacidade elétrica brasileira, e vem sendo muito expandida nos últimos anos. Na comparação com janeiro de 2016, a capacidade instalada eólica cresceu 31%, ficando na frente de outras fontes como hidráulica (6,5%) e térmica (4,1%).

Considerando toda a capacidade instalada, o País totalizou, em janeiro de 2017, 151.890 MW, com acréscimo de 10.206 MW em um ano, sendo  5.962 MW de fonte hidráulica, 2.476 MW de fonte eólica, 1.706 MW de fontes térmicas e 62 MW de fonte solar.

Com a expansão da fonte eólica no Brasil, a matriz de geração de energia elétrica tem se tornado mais limpa. A previsão do Plano Decenal de Expansão de Energia é que, até 2024, a matriz de capacidade instalada da fonte eólica chegue a 24 GW.

Operação comercial

Entraram em operação comercial no mês de janeiro 1.180 MW de capacidade instalada de geração, 297 km de linhas de transmissão e 558 MVA de transformação na Rede Básica, com destaque para a unidade geradora – UG 4 da usina hidrelétrica – UHE Belo Monte (611 MW), para a UG 6 do sítio Pimental (39 MW), e para a LT 500 kV Barreiras II / Rio das Éguas C2, com 244 km de extensão.

O Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro é o documento oficial elaborado pela Secretaria de Energia Elétrica do MME com informações atualizadas e consolidadas sobre a operação eletroenergética no Brasil, permitindo o registro e acompanhamento de temas relevantes do Setor Elétrico, tais como a expansão e o desempenho dos sistemas de geração, transmissão e distribuição, as condições hidrometeorológicas, a política operativa adotada, o comportamento do mercado consumidor e as ocorrências de maior impacto ao Sistema Elétrico Brasileiro (SEB).

*Os dados do boletim considerando também as informações referentes à geração distribuída.

 

Fonte: Ministério de Minas e Energia

Grupo dinamarquês inaugura centro de serviços eólicos

Empreendimento é o primeiro no Brasil e estima gerar inicialmente cerca de 100 empregos diretos.

A dinamarquesa Vestas, gigante do segmento de energias renováveis, inaugurou o primeiro centro de serviços no Brasil no Rio Grande do Norte, na cidade de Parnamirim, no dia 15 de março.  A unidade de 1.200 m² deve atender aos parques eólicos instalados no estado, hoje maior produtor de energia elétrica a partir dos ventos no país.

As usinas eólicas da empresa respondem por mais de 600MW de geração de energia no Rio Grande do Norte.

Fonte: CERNE Press com informações da Tribuna do Norte

Fabricantes de turbinas eólicas dão descontos para fechar contratos em meio à crise

Fabricantes de equipamentos para energia eólica têm concedido generosos descontos para conseguir fechar contratos de fornecimento no Brasil após dois anos de queda no consumo de energia e baixo volume de contratação de novas usinas da fonte, afirmaram à Reuters executivos de grandes companhias.

Em meio à maior recessão em décadas, o país ainda não tem perspectivas de contratar mais parques eólicos, o que gera pressão sobre diversos fabricantes, incluindo grandes players globais, que nos últimos anos investiram em fábricas no Brasil para atender um mercado que parecia fortemente promissor.

O Brasil contratou 13 gigawatts em usinas eólicas entre 2009 e 2014, mas em 2015 apenas 1 gigawatt foi contratado e em 2016 não houve nenhuma licitação voltada ao setor. Assim, como a maior parte dos projetos fecha pré-acordos com fabricantes, existem atualmente poucos negócios para vendas de turbinas a serem disputados pela indústria.

Para conseguir baixar preços, as fabricantes de turbinas eólicas têm renegociado contratos com subfornecedores, como produtores de componentes que fazem parte das máquinas.

“Minha cadeia de fornecedores está desesperada, e eles estão praticando descontos muito fortes. Essa agressividade da indústria, aliada à queda do dólar e à evolução da tecnologia, levou a reduções de 15 a 20 por cento no capex (investimento) comparado a alguns anos atrás”, disse à Reuters o diretor de vendas de renováveis para América Latina da norte-americana GE, Sérgio de Souza.

Ele afirmou que o cenário possibilita a construção de eólicas a um custo de menos de 5 milhões de reais por megawatt, próximo do praticado no país em 2009.

Um movimento semelhante acontece na catarinense WEG, que entrou no setor eólico em 2010 e também reduziu significativamente os preços em seu último negócio, uma licitação da estatal Furnas, da Eletrobras, na qual a empresa foi a única qualificada, embora o processo ainda não tenha sido encerrado.

“Com o mercado apertado, a WEG optou por participar com margens um pouco mais apertadas, mas ainda satisfatórias… contamos com ganhos de produtividade e renegociações com fornecedores. Como estamos no topo da cadeia e fomos achatados, vamos ter que participar desse esforço junto com nossa cadeia de fornecedores”, disse o diretor da empresa para o segmento eólico, João Paulo Gualberto.

Ele disse que o negócio envolve 132 turbinas de 2,2 megawatts cada, mas não citou valores.

Outras fabricantes procuradas pela Reuters não responderam pedidos de comentários sobre a situação do mercado eólico brasileiro.

Além de WEG e GE, atuam no Brasil as espanholas Gamesa e Acciona, a dinamarquesa Vestas e a alemã Wobben Enercon.

POUCOS PROJETOS

O diretor da consultoria Aezea Energias Renováveis, Marcio Elizeu Machado, avalia que os fabricantes possuem capacidade produtiva bem maior que a atual demanda, uma vez que existem hoje poucos empreendimentos ainda em busca por equipamentos no Brasil.

“Desconto é um sinal de que a indústria não está vendo possibilidade de ter demanda suficiente para fechar a capacidade fabril deles nos próximos anos”, afirmou.

“O mercado de energia eólica a partir de 2014, com a crise, e mais acentuadamente a partir do início de 2016, praticamente parou… a perdurar uma situação dessa, só os mais fortes vão ficar”, complementou o consultor.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil tem 7,7 gigawatts em eólicas contratadas a serem construídas até 2021, mas os especialistas avaliam que há poucos empreendimentos que ainda não fecharam a compra de máquinas com fornecedores.

Para Gualberto, da WEG, outro problema é que boa parte das poucas usinas que ainda não fecharam contratos de fornecimento possivelmente nunca o farão devido a problemas como atrasos ou falta de viabilidade econômica dos empreendimentos.

“Tem alguns projetos ‘na rua’ com aerogeradores não contratados que estamos buscando (negociar). Alguns projetos são relativamente interessantes, e outros possivelmente nunca sairão do papel”, disse.

A situação, inclusive, levou o governo brasileiro a avaliar a realização de uma licitação inédita, que possibilitaria aos investidores desistir de projetos de usinas que enfrentam problemas de viabilidade.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, tem dito que essa eventual descontratação e um estudo sobre a oferta e a demanda de energia deverão possibilitar uma avaliação ainda no primeiro semestre sobre a necessidade de se contratar mais usinas no país.

Fonte: Reuters | Luciano Costa

Mitos e verdades sobre a geração de energia solar fotovoltaica

Apesar dos sistemas de geração de energia solar fotovoltaica e desse mercado de geração de energias renováveis estar ganhando cada vez mais adeptos – hoje já são mais de 7.000 sistemas instalados no país, segundo dados da Aneel – a geração de energia solar ainda gera muitas dúvidas nas pessoas.

1 – A placa fotovoltaica gera energia sozinha.

Mito

O painel solar gera energia elétrica, mas somente ele não é capaz de abastecer uma residência ou empresa. Isso porque os painéis geram energia em corrente contínua, que não é compatível com a que usamos em casa. Por isso é preciso de cabos conectores e de um inversor de frequência, que converterá essa energia em corrente alternada, equalizando com a energia usada em casa. Relembre como funciona um sistema de energia solar.

2 – A placa solar gera energia em dias nublados.

Verdade

Em dias parcialmente nublados ainda há a geração de energia. Vale lembrar que, apesar de sempre haver geração de eletricidade sob a luz do dia, sua intensidade pode ser menor em razão do grau de insolação. Até mesmo com tempo chuvoso a claridade existente produzirá energia.

3 – Depois de instalado, um sistema fotovoltaico não pode ser retirado.

Mito

É possível retirar as placas e o sistema fotovoltaico, assim como todos os equipamentos que compõem o sistema de energia solar e instalar em outro local. Para isso, é preciso apenas reformular o projeto para garantir que ele se adeque às necessidades do novo local de instalação. Assim, caso o proprietário do sistema se mude e queira levar o sistema, é possível.

4 – A placa solar pode durar até 25 anos.

Verdade

A maioria dos painéis fotovoltaicos tem garantia de vida útil de 25 anos, com um funcionamento de, no mínimo, 80% da capacidade de geração do equipamento. É importante verificar se a garantia é apoiada por uma entidade idônea que deverá cumprir as leis de proteção do consumidor caso haja alguma falha no desempenho do seu sistema fotovoltaico.

5 – Posso instalar as placas solares e o sistema fotovoltaico sozinho.

Mito

Num sistema de energia solar conectado à rede, você não deve tentar instalar o seu sistema fotovoltaico sozinho. O acompanhamento de uma empresa ou profissional especializado é importante para elaborar o seu projeto e analisar o melhor local e as melhores condições de instalação. Caso a instalação seja feita no telhado, que é o modo mais usual, o uso de equipamentos de segurança é fundamental, pois a altura é um complicador. Além disso, para conectar o sistema de energia solar na sua casa ou empresa é preciso uma autorização da distribuidora de energia local e somente engenheiros e eletrotécnicos podem fazer esta solicitação.

6 – As placas não vão gerar energia durante a noite.

Verdade

A geração de energia solar fotovoltaica não acontece durante a noite. Em lugares onde a única fonte de energia disponível é a fotovoltaica, é necessário que o gerador tenha um banco de baterias conectado ao sistema para o armazenamento da energia que será utilizada no período noturno. Em locais onde existe o fornecimento de energia elétrica por parte da rede de distribuição pública, não é necessário conectar baterias ao sistema fotovoltaico, porque nos dias chuvosos e durante a noite, a concessionária pode fornecer energia elétrica e suprir a necessidade do consumidor. Com o surgimento das baterias de grande capacidade, como por exemplo as PowerWall® da Tesla, o consumidor que possuir um sistema de geração distribuída com essas características ficará munido de três fontes de energia elétrica: a rede de distribuição, a geração fotovoltaica e o abastecimento por baterias. Essas opções dão ao consumidor mais um passo em busca da autossuficiência energética. Dessa forma, em dias chuvosos ou durante a noite, o sistema de geração será capaz de suprir o déficit do fornecimento de energia para algumas cargas, através das baterias. Por fim, dará ao consumidor também, a opção de escolher em quais períodos ele demandará energia elétrica oriunda da rede de distribuição, pela concessionária, evitando também o problema da não geração de energia elétrica através da Energia Solar durante o período noturno.

7 – Os sistemas são caros demais.

Mito

Especialmente quando se faz uma análise do custo x benefício obtido com a instalação do sistema, que tem vida útil de 25 anos. Além disso, atualmente são muitos os recursos disponíveis para aquisição de um sistema, incluindo consórcios, que funcionam exatamente como os consórcios de automóveis ou de imóveis. Sendo contemplado ou conquistando a carta de crédito por meio de lance, é possível quitar o financiamento com a economia feita na conta de luz. Os benefícios são enormes.

8 – Instalar um sistema fotovoltaico vai agregar valor ao meu imóvel.

Verdade

Uma nova pesquisa, patrocinada pelo departamento de energia (dos Estados Unidos), mostra que os compradores estão dispostos a pagar mais por residências com painéis solares no telhado – uma descoberta que pode fortalecer a questão de levar em conta o valor de recursos sustentáveis na apreciação de casas. O estudo, conduzido pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, analisou dados das vendas de quase 23.000 casas em oito estados, de 2002 a 2013. Cerca de 4.000 das casas tinham sistemas solares fotovoltaicos, todos eles próprios (diferente daqueles financiados através de locação por empresas solares). Os pesquisadores descobriram que compradores estavam dispostos a pagar adicionais US$15.000 por uma casa com um sistema fotovoltaico de tamanho médio (potência de 3.6 KW, quilowatts), quando comparada a uma casa similar sem um sistema. Colocado de outra forma, isso pode ser traduzido em cerca de quatro dólares adicionais por watts de energia solar.

Fonte: Ciclo Vivo