Setor eólico cresce e amplia busca por especialistas

Matéria especial do jornal Valor Econômico traz uma entrevista com Jean-Paul Prates e mostra como o Brasil atingiu o ranking de quinto país no mundo que mais emprega em eólicas.

Foto: reprodução/Valor Econômico

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O setor de energia eólica emprega no Brasil cerca de 41 mil pessoas – entre postos diretos e indiretos, segundo dados da International Renewable Energy Agency (Irena). O crescimento, de acordo com a agência, é de 14% em relação a 2014.

Somos o quinto maior empregador do mundo, atrás de China, Alemanha, Estados Unidos e Índia, e o número de vagas não dá sinal de que vai encolher nos próximos anos. Ao contrário.

Estimativas da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), que leva em conta o cálculo de 15 empregos criados para cada megawatt instalado, mostram que 43,6 mil novas vagas serão criadas no setor em 2016. Em 2017 serão mais 36,5 mil. “Essa curva de crescimento da eólica é feita com base nos leilões contratados e não em perspectiva de venda”, enfatiza Élbia Gannoum, presidente da ABEEólica. “Neste momento estão sendo construídos nove gigawatts para entrar até 2018.”

Os profissionais demandados são os mais variados, desde técnicos até gestores. O difícil é precisar onde os empregos serão criados. A conta não é simples, porque a cadeia está espalhada pelo país. Então, um megawatt instalado no Rio Grande do Norte, por exemplo, pode criar emprego em uma fábrica no Sudeste.

Jean-Paul Prates, diretor geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), afirma que, na fase da construção, praticamente todos os empregos são gerados no local – exceção feita aos equipamentos construídos em fábricas fora do Estado.

Além disso, diz ele, um terço do investimento médio de R$ 5 milhões feito por megawatt é destinado a compras locais. “Pela mera presença humana, que requer alojamento, alimentação e manutenção dos mais diversos itens”, afirma.

No Estado potiguar, que tem a maior potência instalada do país, foram investidos, segundo Prates, R$ 15 bilhões nos últimos dez anos – valor decorrente da criação de parques eólicos. “Em uma conta simples, se imaginarmos que um terço disso é gasto em compras locais, já foram R$ 5 bilhões injetados no Estado nesse período”, afirma Prates.

Os locais mais beneficiados pela indústria eólica são o litoral norte do Estado, a região do Mato Grande e Serra de Santana. “João Câmara e Parazinho, na região do Mato Grande, são duas cidades que viviam basicamente de Bolsa Família e agricultura de subsistência. Hoje têm uma economia muito mais pujante”, afirma Prates.

Na visão dele, a indústria eólica está conseguindo compensar, desde 2009, a queda da indústria do petróleo no Estado e ainda consegue manter as pessoas em suas cidades locais, gerando emprego onde moram, e não apenas nos principais municípios do Estado.

Para dar conta de atender a geração de empregos do setor – e graças também à política do governo federal de investir em capacitação -, o número de escolas técnicas federais (IFRN) passou de duas para 20 nos últimos anos. Entre os cursos há o tecnólogo em energias renováveis.

No Ceará, quarto Estado em potência instalada, o impacto da energia eólica na economia local é estimado em R$ 6 bilhões. Até 2024, cerca de R$ 18 bilhões devem ser investidor no setor de energias renováveis no estado e 18 mil novos empregos devem ser criados no segmento de energia eólica.

“Estamos trabalhando fortemente a atração de toda a cadeia produtiva”, afirma Nicolle Barbosa, secretária de desenvolvimento econômico do Ceará. “Hoje já temos no Ceará indústrias de pás eólicas, aerogeradores, torres de concreto e metálica, elevadores e escadas, além de grandes empresas especializadas na construção de parques eólicos.”

Para capacitar os profissionais que atuam no setor, o estado do Ceará conta com 118 escolas profissionalizantes, além de mestrado em energias renováveis. “As empresas, em parceria com o Sistema S, formam constantemente turmas de profissionais especializados na área”, afirma Nicolle.

No Rio Grande do Sul, terceiro Estado em potência instalada, Ricardo Rosito, presidente do Sindicato das Indústrias de Energia Eólica do RS (Sindieólica), não sabe precisar o número de pessoas empregadas pelo setor no Estado. “Existem muitos empregados temporários e terceirizados devido à construção dos parques”, diz. “E como faz cinco leilões que o Rio Grande do Sul não consegue trazer investimentos para o Estado, houve um decréscimo nos empregos da construção, etapa que mais emprega.”

Na fase da construção, estima-se que cada megawatt instalado gere 15 novos postos de trabalho. Depois, com o parque já instalado, a estimativa de vagas por megawatt cai para quatro.

Hoje, Rosito diz que as contratações estão paradas. “Acreditamos que o número de vagas vai crescer no próximo ano, porém não podemos precisar a quantidade, visto que os investimentos decorrem da viabilização nos leilões.”

Em Santa Catarina, sétimo Estado do país em potência instalada, o impacto da energia eólica na economia local é bastante pequeno, segundo Edilson Godinho, diretor de trabalho, emprego e renda da Secretaria de Estado da Assistência Social. “Há um mercado de trabalho promissor, mas ainda é muito pequeno”, diz.

Fonte: Valor Econômico | Adriana Fonseca

Brasil deve integrar Top 20 em energia solar em 2018

O Brasil deve integrar o ranking dos 20 maiores produtores de energia solar em 2018. A expansão do uso do recurso no País, bem como a potência de 2,6 GW de geração centralizada, já contratada, vão colaborar para que a meta seja alcançada.

A informação está no boletim “Energia Solar no Brasil e no Mundo – Ano de Referência – 2015”, publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A publicação aponta que, em 2014, foram contratados 31 projetos em leilões (890 MW) e, em 2015, 63 projetos (1.763 MW). Ambos totalizaram 2.653 MW de capacidade instalada.

Entre os países com maior potência instalada estão: China, Estados Unidos, Alemanha, Japão e Itália. O grupo responde por 68% do total mundial nessa fonte. Em 2015, a China alcançou o 1º lugar no ranking mundial de geração e os Estados Unidos ficaram em 2º, ambos superando a Alemanha, líder do ranking em 2014.

Oferta mundial

Até o final de 2015, todos os países do mundo computavam uma potência instalada solar fotovoltaica de 234 GW, considerando também a expansão de 52 GW no ano.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a geração solar poderá responder por cerca de 11% da oferta mundial de energia elétrica em 2050 (5 mil TWh). A área coberta por painéis fotovoltaicos capaz de gerar essa quantidade é de 8 mil km², o equivalente a um quadrado de 90 km de lado.

Para 2024, a estimativa do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE-2024), é que a capacidade instalada de geração solar no Brasil chegue a 8.300 MW. A proporção da geração solar chegará a 1% da total. Os estudos do PDE 2025, em elaboração, sinalizam a ampliação dessas previsões.

Geração distribuída

O número de instalações solares distribuídas apresenta crescimento no Brasil. Em oito meses, essas instalações triplicaram no País, aproximando-se de 4000 unidades, com potência média de 7,4 KW.

Os estudos do Plano Nacional de Energia (PNE 2050), em elaboração pela Empresa de Pesquisa Energética, estimam que 18% dos domicílios de 2050 contarão com geração fotovoltaica (13% do consumo residencial).

Para ampliar ações de estímulo à geração distribuída, o Banco do Nordeste lançou uma linha de crédito para ampliar ações nessa área. O financiamento utiliza recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e tem prazo de pagamento de até 12 anos, com um ano de carência.

O crédito do Banco do Nordeste é destinado a empresas agroindustriais, industriais, comerciais e de prestação de serviços, além de produtores rurais, cooperativas e associações beneficiadas ou não com recursos do FNE.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia

CERNE participa de workshop sobre usinas solares

O Diretor Setorial de Geração Distribuída de Energia do CERNE, Paulo Morais, realizou palestra no workshop “Usinas Solares Fotovoltaicas: aliando tecnologia à sustentabilidade”. O evento, voltado para pesquisadores e acadêmicos, começou quarta-feira (27) e segue até a quinta (28) no auditório do CTARN da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), em Mossoró/RN.

Na ocasião, o representante do CERNE falou sobre os desafios e perspectivas na concepção, discussão e implementação de estratégias públicas e privadas relativas ao aproveitamento sustentável da energia solar.

Foto: Divulgação

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O workshop tem como proposta ampliar as discussões sobre o papel das Universidades Públicas na geração e promoção de tecnologias aliadas à sustentabilidade ambiental.

Foto: Divulgação

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Foto: CERNE Press

Distribuidoras de gás concluirão em breve estudos visando negociação com Bolívia

Distribuidoras de gás natural do Brasil devem concluir nas próximas duas ou três semanas estudos para traçar estratégias para a negociação do gás boliviano, enviado ao país via gasoduto Bolívia-Brasil, cujo contrato com a Petrobras caminha para vencer em 2019, afirmou nesta quarta-feira a diretora do departamento de gás natural do Ministério de Minas e Energia, Symone Araujo.

Hoje, a Petrobras compra o gás da Bolívia e entrega às distribuidoras, que passarão a ter participação nas negociações com os bolivianos.

Diante de suas dificuldades financeiras, a estatal busca reduzir progressivamente a sua participação na indústria de gás natural, principalmente em ativos ligados à infraestrutura.

Symone explicou que o ministério será responsável por coordenar as negociações entre as empresas, o que considera razoável já que se tratam de negociações entre dois países.

“O MME foi o primeiro a convidar as distribuidoras para um encontro em janeiro passado… as distribuidoras contrataram alguns estudos, eu acho que nas próximas duas ou três semanas as distribuidoras vão apresentar um desenho de como elas imaginam que pode ser essa nova participação”, afirmou durante evento no Rio de Janeiro.

A diretora do ministério evitou fazer previsões sobre quais serão os volumes importados pela Petrobras e distribuidoras.

Ela destacou que esses detalhes devem estar explicados no próximo Plano de Negócios e Gestão da petroleira.

Fonte: Marta Nogueira | Reuters

Geração eólica cresce 53% em 2016, aponta CCEE

Rio Grande do Norte permanece como maior produtor de energia eólica do país

A produção de energia eólica nos primeiros cinco meses do ano somou 2.703 MW médios, crescimento de 53% na comparação com os 1.762 MW médios produzidos de janeiro a maio de 2015. A capacidade instalada dos 356 empreendimentos eólicos em operação no sistema alcançou a expressiva marca de 9.092 MW, incremento de 46,5% na comparação com os 6.211 MW registrados em maio de 2015, quando havia 244 projetos em operação. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 26 de julho, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Em maio, a análise por Estado indica que o Rio Grande do Norte permanece como maior produtor de energia eólica do país. As usinas potiguares produziram um total de 960,5 MW médios no mês, aumento de 33,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece o estado da Bahia com 712,6 MW médios (+54%) produzidos, o Ceará com 470 MW médios (+24%) e o Rio Grande do Sul, que alcançou 461 MW médios (+41%) em maio.

Os dados sobre a capacidade instalada ainda indicam a liderança do Rio Grande do Norte com um total de 2.711 MW, aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece a Bahia com 1.750 MW (+82%), o Ceará com 1.615,5 MW (+24%) e o Rio Grande do Sul com 1.569 MW (+20,8%).
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Fonte: Da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção

RN ultrapassa marca de 1.500 turbinas eólicas em operação

O Rio Grande do Norte ultrapassou a barreira de 1500 turbinas eólicas em operação comercial. O recorde foi alcançando na última sexta-feira (23) com a entrada em operação comercial do parque eólico Macambira II. O empreendimento é composto por 9 aerogeradores de 2 MW, somando um  total de 18 MW em potência instalada. O feito destaca, mais uma vez, o pioneirismo do estado frente as eólicas. Os dados são do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

A usina Macambira II, de propriedade da empresa espanhola Gestamp, encontra-se instalada no município de Lagoa Nova, na região da Serra de Santana. Com a  entrada em operação comercial do parque, o RN atinge o total de 1508 turbinas em funcionamento, provenientes de 106 parques eólicos e que juntos somam 2.8 GW em potência instalada em todo o Estado.

“Cerca de 80% da energia eólica de grande porte instalada no Brasil é proveniente do Nordeste, com o RN sendo o líder, tanto em potência instalada como em geração efetiva de eletricidade. O Estado detém também a maior matriz eólica estadual do país”, explica o Diretor Setorial de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do CERNE, Milton Pinto.

Segundo o engenheiro, a tendência é de crescimento e novos recordes para o setor. “O Brasil se aproxima de quebrar a barreira dos 10 GW em potência instalada e o Rio Grande do Norte se aproxima de quebrar 3 GW. Ou seja, o estado potiguar responde por um terço das eólicas de todo o Brasil. Não é um feito qualquer”, conclui. Atualmente, o RN é o líder brasileiro em potência eólica instalada, seguido pelo estado da Bahia com 1.7 GW, e Rio Grande do Sul, com 1,5 GW.

Para efeitos comparativos, o RN sozinho tem mais de três vezes a potência eólica instalada de todos os outros oito países da América do Sul e ainda ultrapassa Japão e Nova Zelândia, além de países europeus como Áustria, Bélgica, Bulgária,Croácia, Republica Checa, Finlândia, Grécia, Hungria, Noruega,Suíça e Ucrânia.

 

Fonte CERNE/SEERN Press

Mais três estados brasileiros isentam ICMS para geração distribuída

A população dos estados da Paraíba, Piauí e Rondônia poderá, em breve, instalar sistemas de geração própria de energia e contar com a isenção de impostos sobre a eletricidade trocada com a concessionária local. Os três estados se juntaram as outras 15 federações, mais o Distrito Federal, que aderiram ao convênio Confaz 16/2015. Isso significa dizer que mais 80% da população brasileira está contemplada com a isenção de ICMS, PIS e Confins na microgeração, segundo cálculos da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

“Agora atingimos 164 milhões de brasileiros beneficiados, o que representa mais de 80% da população”, afirmou Rodrigo Lopes Sauaia, presidente-executivo da Absolar, em entrevista à Agência CanalEnergia nesta segunda-feira, 25 de julho. A adesão dos três Estados ao Convênio Confaz 16/15 foi publicada na edição do Diário Oficial da União de 14 de julho. Para que a população possa, de fato, usufruir do benefício fiscal, os Estados precisam publicar um decreto incorporando o benefício a legislação tributária estadual.

“Com isso damos um passo importante ao incentivo da energia renovável e à micro e minigeração no Brasil. A Absolar cumprimenta e parabeniza os três estados pela adesão ao convênio e aproveita a oportunidade para incentivar os oito Estados remanescestes a não ficarem de fora desse processo nacional, de consolidação da atração de investimentos e de empregos de qualidade em energias renováveis através de migro e minigeração distribuída.”

No total, fazem parte do convênio Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo, Tocantins e o Distrito Federal.  Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, existem quase 4 mil pontos de geração distribuída instalados no Brasil, sendo 3,8 mil de origem solar fotovoltaica.

Atualização –  Sauaia alertou que o Convênio Confaz 16/15 precisará passar por uma atualização, de modo a contemplar os aperfeiçoamentos incorporados pela Resolução Normativa 687/2015. Segundo ele, os níveis de potência para micro e minigeração considerados na redação original do convênio Confaz estão desatualizados. Os níveis antigos eram de até 100 kW para microgeração e de 100 kW até 1 MW para minigeração. Os novos são de até 75 kW para microgeração e de 75 kw até 5 MW para minigeração.

“É fundamental essa atualização na faixa de potência e acima de tudo na consideração do convênio dos novos modelos de compensação de energia, que são modelo de geração condominial, compartilhada e autoconsumo-remoto”, disse o executivo. Ele alertou também para a necessidade de ajustes de redação no convênio a fim de afastar riscos de questionamentos jurídicos e tributários em relação a cobrança de impostos na TUSD.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Consumidor

Geração de energia eólica e consumo de etanol crescem no Brasil

Com o aumento de 77,1% na geração de energia eólica e no crescimento de 18,6% no consumo de etanol, a matriz energética brasileira ficou mais limpa. Além disso, o consumo de gasolina caiu 9,5%.

Os dados fazem parte do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional divulgado pela pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) . O documento traz detalhes dos números da oferta, transformação e consumo final de produtos energéticos no Brasil em 2015.

No caso da energia eólica, a geração atingiu 21,6 Terawatts-hora (TWh), uma elevação de 77,1%, ultrapassando assim a geração nuclear em 2015. A potência eólica atingiu 7.633 Mega-watts (MW), o que corresponde a uma expansão de 56,2%.

Houve também um salto  na participação de recursos renováveis na matriz elétrica brasileira, que passou de 74,6% para 75,5%. O aumento é explicado pela queda da geração por meio de usinas termelétricas, que operavam à base de derivados de petróleo, e, por outro lado, houve crescimento da geração a partir de biomassa e eólica, o que compensou a redução de 3,2% da energia hidráulica.

Oferta

Em 2015, a oferta interna de energia atingiu 299,2 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), o que significa uma redução de 2,1% em relação ao ano anterior.

Parte desta queda foi influenciada pelo comportamento da oferta interna de petróleo e derivados, que teve uma retração 7,2% no ano passado. Nesse período, as exportações superaram as importações, gerando um superávit destas fontes energéticas no País.

Além disso, o enfraquecimento da atividade econômica em 2015, quando o Produto Interno Bruto (PIB) nacional apresentou uma contração de 3,8%, também contribuiu para a queda da oferta interna.

Consumo

O consumo final de eletricidade no País registrou uma queda de 1,8%. Os setores que mais contribuíram para esta redução foram o residencial (-0,7%) e o industrial (-5,0%).

A indústria reduziu seu consumo em 2,7 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Tep), em virtude principalmente da queda do consumo de carvão vegetal (-6,5%) e eletricidade (-5,0%) no setor siderúrgico e do bagaço de cana (-3,9%).

O segmento de transporte teve sua demanda energética desaquecida em 2,3 milhões de tep. Isto ocorreu principalmente em razão da queda de 4,3% do consumo de óleo diesel, consequência da menor atividade do setor de transporte de carga.

O setor também apresentou um crescimento na demanda por fontes renováveis de energia, que saltou de 18% para 21%, decorrente do menor consumo de gasolina (-9,5%), compensado pelo maior consumo de etanol (18,6%). Além disso, o recuo do mercado de venda de automóveis leves contribuiu para redução da demanda de combustíveis.

Fonte: Portal Brasil

CERNE recebe visita de Consulesa americana

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu, na última sexta-feira (22), a visita da consulesa para Assuntos Políticos e Econômicos do Consulado Geral dos Estados Unidos, Paloma Gonzalez, para uma reunião com o objetivo de conhecer o trabalho do CERNE e as potencialidades do Rio Grande do Norte na área de energias renováveis.

Foto: CERNE Press

A Consulesa de Política e Economia do Consulado Geral dos EUA no Brasil, Paloma Gonzales, visita o CERNE para conhecer a realidade das renováveis e estreitar relações entre o mercado americano e potiguar. (Foto: CERNE Press)

A equipe de diretores setoriais e coordenadores do Centro apresentou à Consulesa, que estava acompanhada de dois assessores do Consulado Geral Americano, um panorama completo do setor eólico e solar no Estado, além de projetos desenvolvidos pelo CERNE para o fomento e expansão do setor energético no RN e em outros estados do Nordeste Setentrional.

A agenda de compromissos da Consulesa está voltada para o conhecimento dos aspectos econômicos do Estado no segmento da energia renovável com o objetivo de desenvolver e estreitar futuras relações de negócios entre os mercados americano e potiguar. “Vamos manter contato para gerar futuras parcerias que promovam o setor energético em seus diversos aspectos, principalmente na área de energia solar fotovoltaica. O RN possui recursos naturais bastante favoráveis para o crescimento da energia solar na região”, explicou Paloma Gonzales.

Fonte: CERNE Press

 

 

 

Consumo de energia sobe 11,6% no mercado livre em julho, diz CCEE

O consumo nacional de energia elétrica totalizou 57.686 MW médios, segundo dados coletados entre os dias 1º e 19 de julho. Na comparação com mesmo período do ano passado, o volume representou um crescimento de 2,1%, com alta de 11,6% para o mercado livre e queda de 1% no mercado cativo. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 21 de julho, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Segundo a CCEE, a expansão do consumo de energia no mercado livre pode ser justificada pela entrada de novas unidades que migraram neste ano para este ambiente. Desconsiderando estas novas unidades consumidoras, houve um crescimento de 3,9%, demonstrando uma pequena reação da atividade econômica do país. Dentre os ramos da indústria monitorados pela CCEE, incluindo autoprodutores, consumidores livres e especiais, todos os setores registram aumento no consumo, exceto o de extração de minerais metálicos (-12%). Os segmentos de comércio (+44,5%), de alimentos (+30,3%) e bebidas (+27,5%) registraram os maiores índices de consumo em julho.

Em relação à geração de energia, houve a entrega de 60.034 MW médios ao Sistema Interligado Nacional em julho, aumento de 2,1% na comparação com os primeiros 19 dias de julho de 2015. Destaque para a produção (4.127 MW médios) das usinas eólicas, que cresceu 57% frente ao mesmo período de 2015. A geração hidráulica, incluindo as PCHs, alcançou 44.075 MW médios, montante 10,4% superior ao registrado no ano passado. A representatividade da fonte foi de 73,4% sobre toda energia gerada no país, índice 5,5 pontos percentuais superior ao registrado em 2015. Os dados preliminares ainda apontam queda de 27,2% na produção das usinas térmicas, impactada pelo desempenho das usinas a óleo (-83,3%), bicombustível (-45,2%) e a gás (-39,5%).

A CCEE também apresenta estimativa de que as usinas hidrelétricas integrantes do Mecanismo de Realocação de Energia – MRE gerem, até a quarta semana de julho, o equivalente a 92,8% de suas garantias físicas, ou 45.597 MW médios em energia elétrica. Para fins de repactuação do risco hidrológico, este percentual foi de 89%.

Fonte: Da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção

Brasil tem aumento de 5,1 GW na capacidade instalada até julho

O Brasil aumentou sua capacidade instalada de geração em 5,1 GW até o mês de julho. Segundo balanço da Agência Nacional de Energia Elétrica, a potência total que o país dispõe soma agora quase 146 GW. Uma importante parcela desse volume, ou 44,5%,foi adicionado no período que começou em 1998. Somente com os dados reportados até julho, 2016 está no quinto lugar em termos de expansão da capacidade e se confirmada a previsão da agência, poderá chegar a 10,4 GW se tornando assim o ano com maior volume de expansão em um ano apenas.

Somente em julho foram 1.297 MW novos na matriz elétrica, sendo que destes a segunda unidade da casa de força principal da UHE Belo Monte (PA, 11.233 MW) foi responsável por metade da oferta com 611 MW. A fonte térmica contribuiu com mais 610,3 MW sendo 562,8 MW de UTEs a combustíveis fósseis e outros 47,6 MW a biomassa. Entre as PCHs foram 11,7 MW novos no sistema e 64,5 MW em eólicas.
No somatório de 2016 as hidrelétricas lideram o crescimento da capacidade nova instalada com 2.473 MW, as eólicas surgem logo a seguir com quase 1,6 GW, a fonte térmica vem com 908,7 MW e as PCHs somam até o momento 124,7 MW.
De acordo com o balanço da Aneel, até o ano de 2021 são esperados mais 39,8 GW a serem adicionados ao SIN. Além dos 5.318 MW restantes para 2016, estão projetados mais 8.881 MW em 2017, 11.932 MW em 2018, 4.686 MW em 2019, 1.918 MW em 2020 e 4.272 MW ao final desse horizonte. Há ainda mais 2.790 MW em projetos que não possuem previsão de entrar em operação.
Desse volume classificado como projetos que possuem graves restrições para entrada em operação estão 894 MW em térmicas a combustíveis fósseis, quase 592 MW em usinas a biomassa, 366 MW em PCHs, 810 MW em UHEs e 127 MW de capacidade eólica.
Fonte: Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Operação e Manutenção

Energias Renováveis podem ajudar economia do país com 43,5% em 2016

A produção de energia renovável está em expansão no Brasil. As fontes eólica e biomassa vêm se desenvolvendo de forma significativa e abastecendo a matriz energética do país. O Boletim Mensal de Energia, da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético destacou que previsão da geração de energia a partir de fontes renováveis é de 82,8% somente em 2016.

Pensando na economia do país, a produção de energia pode contribuir para que a mesma seja movimentada. a estimativa para 2016 é que as renováveis venham a contribuir com 43,5%, indicador superior aos 41,2% verificados em 2015.

Além da produção de energia limpa, a produção de biocombustível também voltando a crescer já que no começo do ano teve uma queda grande. O biodiesel teve um recuo de 6,5% em março deste, já o etanol a taxa negativa foi de 3,6 % em abril deste ano. De fato, o consumo de energia em veículos leves vem sendo fortemente afetado pelo desemprego e pela recessão econômica do país de acordo com o Boletim.

O Boletim acompanha um conjunto de variáveis energéticas e não energéticas capazes de permitir razoável estimativa do comportamento mensal e acumulado da demanda total de energia do Brasil.

Fonte: Portal TN Petróleo

Eólica no Rio Grande do Norte entra em operação comercial

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) liberou nesta segunda-feira (18) o início da operação comercial na EOL Campo dos Ventos I, localizada no município de João Câmara, no Rio Grande do Norte. O benefício foi para UG1, UG2 e UG4, com 2,1 MW cada, totalizando 6,3 MW de capacidade instalada.

Outro parque eólico potiguar também entrou em funcionamento desde o dia 14 de julho, a EOL Macambira I, em Santana do Matos, foi beneficiada com a entrada em operação das unidades UG1 a UG9, de 2 MW cada, totalizando 18 MW.

Fonte: Da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção

Royalties do petróleo caem 32% no Rio Grande do Norte

Estado e municípios potiguares receberam R$ 61,8 milhões a menos em royalties de petróleo e gás nos primeiros seis meses de 2016, quando comparados aos repasses realizados no mesmo período do ano passado. A queda foi de 32%. Foram R$ 130,8 milhões até junho, contra 192,6 milhões somados de janeiro a junho de 2015. A redução naquele ano, já havia sido de 31% em relação a 2014.

Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Somado ao déficit registrado em 2015, quando o Rio Grande do Norte embolsou R$ 163 milhões a menos, praticamente R$ 225 milhões deixaram de entrar nas contas do governo do estado e das prefeituras, aprofundando a crise financeira.

O motivo para a redução acentuada do repasse, dizem os atores desse mercado ouvidos pelo NOVO, foi principalmente a queda do valor do barril de petróleo, que chegou a custar US$ 120 (em 2008), caiu para US$ 29 e agora está a US$ 50. Em menor medida, a responsabilidade também foi da queda da produção potiguar. Dez anos atrás a Petrobras produzia 76 mil barris de óleo por dia aqui, segundo a própria empresa. Atualmente, apesar de o estado se manter na liderança na produção onshore (em terra), a estatal extrai do subsolo potiguar 65 mil barris por dia. Nos últimos dois anos, cerca de 10 mil trabalhadores perderam seus empregos no setor petrolífero do estado, segundo o presidente Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro/RN), José Araújo. Toda a cadeia envolvendo 70 mil postos de trabalho está ameaçada, de acordo com ele.

A preocupação dos trabalhadores e das empresas que prestam serviços à Petrobras no estado aumentou com a apresentação, em março deste ano, de um plano de desinvestimentos, que vai colocar à venda 104 concessões de campos maduros principalmente em estados do Nordeste. Somente no Rio Grande do Norte, são 38, cuja venda deve ocorrer até o final do ano – os primeiros contratos são aguardados para agosto. Os poços colocados à venda aqui representam 23% da produção em terra, ou 15 mil barris por dia.

Por outro lado, consultores do setor, empresas exploradoras de pequeno e médio porte e até o governo do estado vislumbram um reaquecimento do setor a partir da venda dessas áreas. Para eles, a entrada da iniciativa privada no mercado local causaria a retomada dos investimentos na produção de petróleo potiguar, o retorno dos empregos e o reaquecimento da economia, principalmente nos municípios do interior. “Acredita-se que os produtores independentes conseguem investir mais nesses campos do que a Petrobras vinha investindo nos últimos anos, porque ela investiu muito, com lógica empresarial, na produção offshore (em mar), que é muito mais lucrativa”, diz Nicolás Honorato, da Austral Consultoria e diretor da Conferência e Encontro de Negócios do Setor de Petróleo do Norte e Nordeste do Brasil (PetroNor). O evento ocorreu quinta (14) e sexta-feira (15) em Natal. “Acreditamos que aquelas empresas que têm foco na produção em terra vão conseguir aumentar a produção e, portanto, aumentar a compra de bens e serviços, gerar mais empregos aqui na região”, concluiu.

O superintendente de Dados Técnicos da ANP, Paulo Alexandre Silva, afirmou durante a PetroNor que o repasse de campos maduros é previsto desde a Lei do Petróleo, de 1997. “Não é discutir a saída da Petrobras. Uma hora esse poço deixa de ser atrativo para o grande produtor. Mas se ele produzir um barril por dia é interessante para alguém. Somente agora, 18 anos depois, em território terrestre, estamos começando isso”, discursa. O que é solução para uns representa uma ameaça aos trabalhadores, na avaliação do Sindipetro. José Araújo afirma que a venda dos poços maduros configura uma “política de desmonte e de entrega das nossas riquezas ao capital internacional”. De acordo com ele, ao longo de quatro décadas, a estatal extraiu um bilhão de barris de petróleo do subsolo do estado.

Venda de campos maduros pela Petrobras  divide opiniões no RN

Logo que começarem a operar os campos maduros, as empresas independentes de pequeno e médio porte que comprarem os ativos da Petrobras poderão aumentar em até 30% a produção desses poços, diz o secretário executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Anabal Santos Júnior. “A gente poderia até dobrar essa produção”, acrescenta. De acordo com ele, baseado em um estudo para avaliar as implicações sociais do novo modelo, as empresas poderiam empregar cerca de 14 mil pessoas nos poços potiguares, o que recuperaria as vagas perdidas nos últimos anos. Para melhorar o aproveitamento de poços maduros, são usados processos de injeção de água ou vapor de água nos poços.

Há algumas experiências fora do país que podem e devem ser observadas pelo mercado local, aponta Anabal Santos Junior. No Brasil, atuam 20 empresas independentes, produzindo três mil barris por dia – “um mercado insipiente”, nas suas palavras. Cerca de quatro operam no Rio Grande do Norte. A possibilidade de aquisição desses poços pode aumentar o mercado a exemplo do que foi visto em países como o Canadá. Lá existem atualmente duas mil empresas desse tipo. Nos Estados Unidos, são oito mil.

A ANP considera empresa de pequeno porte aquela que produz até mil barris de óleo equivalente (um cálculo que soma produção de petróleo e gás). Abaixo de 10 mil barris, a empresa é considerada média. Anabal Santos reforça que essas empresas demandariam insumos que seriam fornecidos por empresas locais, o que aqueceria o mercado.

Licenciamento

Anabal Santos aponta a necessidade de um esforço do estado para facilitar o licenciamento ambiental dessas áreas e evitar uma paralisação das operações dos poços durante a transição de mando das concessões. Quando as vendas forem concretizadas, a empresa compradora passará a operar imediatamente. O problema é que, se não tiver licenças, os poços ficarão parados. “O estado pode fazer licenças precárias, transitórias, para que não tenha essa paralisação”, sugere. Ele ainda reforça que a operação de poços onshore ( em terra) é bem mais segura e menos perigosa para o meio ambiente e defendeu uma simplificação da legislação para esse tipo de exploração. “É preciso rever o marco regulatório. Hoje quem produz 10 barris enfrenta as mesmas exigências de quem produz 30 mil. A gente precisa simplificar e unificar essa legislação. E isso não significa  negligenciar”, argumenta.

O secretário executivo da Abpip aponta exemplos que considera praticamente impossíveis de acontecer no Brasil. Em Oklahoma, nos Estados Unidos, é possível encontrar cavaletes tirando petróleo da terra entre duas pistas de pouso de avião, ou ainda no meio de uma plantação de milho, ao lado de uma pizzaria. “Aqui teria que ter 500 quilômetros de distância”, ironiza.

Outra preocupação do setor, aponta ele, é a garantia de compra desse petróleo, já que a Petrobras mantém um monopólio no refino. “É preciso uma regra clara. O produtor não pode participar da licitação sem saber quanto vai receber pelo produto”, conclui.

Áreas para concessão

As áreas sob concessão da Petrobras contém dezenas, às vezes,  centenas de poços, cada, o que ainda dificultaria a entrada de pequenos empreendedores nesse setor. Conforme o consultor Nicolás Honorato, diretor da PetroNor, o volume de investimento é  variado, a depender dos locais em negociação. “Já vimos US$ 200 mil a US$ 20 milhões”, compara. Ainda não há informações sobre como ocorrerá a venda das 104 concessões e os valores exigidos pela Petrobras.

O diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti, defende que o país desenvolva um modelo que permita o pequeno empreendedor a começar a aplicar dinheiro em áreas com pouco poços. “Essa transição que foi feita em outros países mostrou que geram-se mais oportunidades de negócio, assim como gera mais trabalho e renda. Temos que ter um modelo em que um pequeno produtor possa investir e ter 5 ou 10 poços”, defende. “Seria interessante para alguém que começou prestando um serviço e cresceu um pouco, começar a investir na exploração”, exemplifica.

José Ferreira de Melo Neto, superintendente do Sebrae, lembra que há 20 anos, o Sebrae começou um trabalho envolvendo pequenas empresas que hoje são fornecedoras da  Petrobras – algumas com serviços de tecnologia de alto padrão. Para ele, a venda de ativos da estatal é mais uma chance de renovação do mercado que surge. “A gente tem que colher da dificuldade algumas oportunidades. Como a gente tem que procurar inserir a pequena empresa do Rio Grande do Norte nesse processo, aproximar os fornecedores da associação de empresas independentes, que não são tão pequenas assim”, comenta.

O secretário-adjunto de Planejamento do Rio Grande do Norte, Otomar Lopes Cardoso Júnior, ainda aponta que empreendedores potiguares podem ter a oportunidade de se associarem para atender um novo mercado que deve surgir. “O setor precisa se organizar. É hora de se fazer alianças porque em algumas situações o empreendedor individual, uma pequena empresa não tem capacidade de atender esse mercado”, garante. Presidente da Redepetro – a associação de empresas prestadoras de serviço à Petrobras – Gutemberg Dias defende a abertura do mercado para empresas menores, e que a Petrobras mantenha investimentos no estado. “Ela é a locomotiva do setor de petróleo e gás no estado e no Brasil”, argumenta. Ele é testemunha da crise do setor em Mossoró provocada pela falta de investimentos. “Em apenas um contrato com a Petrobras tive que reduzir 30% da mão de obra”, aponta. Procurada pelo NOVO, a Petrobras não respondeu às perguntas enviadas até o fechamento desta edição.

Protestos contra projeto da empresa

O Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro/RN) vai entrar com diversas ações civis e de Direito Econômico até o próximo dia 31 para tentar impedir a venda dos ativos da Petrobras no estado. A categoria também se organiza para realizar uma greve de cinco dias em agosto, em datas ainda a serem confirmadas. A informação partiu do próprio presidente da entidade, José Araújo. De acordo com ele, a pretensão da empresa é deixar as regiões do Nordeste em que atua em produção de terra e águas rasas.

“Temos uma cadeia de 70 mil trabalhadores diretos e indiretos que está ameaçada, dezenas de municípios que vão ficar sem royalties”, frisa. Para ele, a entrada de pequenas empresas não vai repor a possível saída da Petrobras na operação dessas áreas.

Araújo explica que a dívida da Petrobras, de R$ 460 bilhões, chegou a esse nível por causa da captação de recursos, em dólar, para investimentos da empresa no pré-sal. O dólar subiu muito logo em seguida.

Ele reforça que o estado ainda tem muita capacidade de produção de petróleo. “Ainda temos três bilhões de barris em reservas, suficientes para mais 120 anos. O primeiro poço perfurado no estado, em Alto do Rodrigues, continua produzindo até hoje”, argumenta. Para isso, salienta ele, é preciso mais investimento para perfuração de novos poços.

Estão à venda também 34 concessões no Polo de Riacho da forquilha, 34 concessões que produzem 8 mil barris de petróleo por dia; e quatro concessões do Polo de Macau, com quatro concessões –  anunciadas no início do ano. A Petrobras poderá colocar à venda sete plataformas no estado, cuja paralisação temporária (de até 12 meses) foi autorizada pela ANP nesta semana.

Audiência

O diretor do Centro de Estratégia em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates critica o fato de haver pouco diálogo entre os diversos atores na discussão sobre o desinvestimento e a venda dos ativos. “Você tem os grupos que defendem que a Petrobras tem que passar esses campos adiante, porque ela é grande, porque é inchada, etc. E por outro lado, outro grupo defendendo que isso é uma riqueza nacional, da Petrobras, e que não vai vender. Não se chega a um caminho porque existem interesses humanos, sociais que não estão sendo atacados”, concluiu.

“Se não fosse a energia eólica, a situação estaria pior. Muitas empresas, nessa crise, migraram para lá”, diz Prates.

Acontece amanhã (18), às 9h, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, uma audiência pública promovida pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT) sobre o tema.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

Estudo afasta risco de falta de energia no Brasil até 2020

A queda na demanda de energia afastou de vez o risco de racionamento do Brasil, pelo menos até 2020. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pelo Instituto Acende Brasil, divulgado nesta semana. Mesmo nos cenários de maior estresse, com a demanda alta e atrasos nas obras de expansão, o risco de déficit de energia não passa do patamar de 3,95% (2017), o que é inferior aos 5% historicamente considerados como toleráveis pelo planejamento setorial.
“Não se antevê probabilidade de déficit de energia em nenhum dos cenários estudados até 2020, o que não quer dizer que não tenha oscilações de preços de energia”, disse Claudio Sales, presidente da entidade, em entrevista à Agência CanalEnergia.
O estudo buscou avaliar a segurança de suprimento do setor elétrico, bem como realizou um diagnóstico das principais causas da crise vivenciada pelo setor elétrico deste 2013. Segundo Sales, os problemas com as baixas vazões afluentes e os atraso na entrada de operação de novos empreendidos (geração e transmissão) foram potencializados por uma política de contratação de energia “inadequada”, pela sinalização “inapropriada de preços”, além da “dissonância entre os modelos computacionais oficiais e a política de operação” elétrica.
Sales costuma dizer que houve uma “tempestade perfeita” no setor, expressão que se refere à situação no qual um evento é drasticamente agravado pela ocorrência de uma combinação de circunstâncias, transformando-se em um desastre.
O estudo ainda destaca que a crise levou a uma série de medidas custosas para o consumidor de energia, entre elas a criação da Conta ACR, fundo criado para socorrer as distribuidoras por meio de empréstimos bancários que somam R$ 17,8 bilhões; estabelecimento do regime de Bandeiras Tarifárias, que por conta da necessidade de térmicas elevam o custo para o consumidor; o “realismo tarifário”, que aumentou em média 50% a tarifa dos consumidores do país em 2015; e, por fim, obrigou o governo a repactuar o risco hidrológico, cujo pagamento de obrigações da ordem R$ 1 bilhão ainda é incerto.
O estudo ainda traz três sugestões de políticas públicas, as quais são: que o sistema de contratação de energia seja reformulado para permitir melhor gerenciamento do risco; que os modelos computacionais sejam alinhados à política operativa do Operador Nacional do Sistema; e que o governo preserve os sinais tarifários, evitando medidas que causem distorções artificiais nos preços, especialmente em anos eleitorais.
Por fim, Sales demonstrou otimismo diante das declarações da nova equipe de governo quanto ao tratamento dessas questões. “Todas as manifestações que temos percebido da nova equipe do setor elétrico estão alinhadas na direção dessas preocupações, o que nos permite acreditar que os problemas, que não são fáceis, serão tratados da forma adequada, diferentemente do que estava sendo feito no passado recente”, concluiu.
Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Regulação e Política