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Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

Além disso, o desenvolvimento do mercado de baterias de armazenamento tem aumentado a capacidade das fontes renováveis responderem às solicitações de rede para aumentar ou diminuir a geração de eletricidade a qualquer hora do dia, flexibilidade outrora garantida por usinas de carvão e gás.

Segundo a BNEF, as baterias independentes estão cada vez mais rentáveis ​​e começando a competir em preço com outras tecnologias. Desde 2010, os custos das baterias de íons de lítio para armazenamento caíram 79% desde 2010. Dados da consultoria indicam uma queda no preço de US$ 1.000 por kWh em 2010 para US$ 209 por kWh em 2017.

Segundo os analistas da BNEF, algumas usinas a carvão e gás existentes ainda exercerão um papel importante por muitos anos na matriz energética mundial, mas o “argumento econômico” para a construção de novas capacidades de carvão e gás está, claramente, perdendo espaço.

Fonte: Exame

Petroleiras se unem a startups e investem em tecnologias energéticas

As grandes empresas petroleiras estão se unindo ao Vale do Silício e apoiando startups de tecnologia energética, um sinal de que os atores com mais recursos financeiros do setor estão apostando em uma nova estratégia.

Royal Dutch Shell, Total e Exxon Mobil, as maiores empresas de petróleo pertencentes a investidores, estão injetando capital em empreendimentos que pesquisam as vantagens das tecnologias energéticas. Os investimentos vão além da energia eólica e solar, em projetos que melhoram as redes elétricas e produzem novos combustíveis a partir de recursos renováveis.

Embora a quantia de dinheiro envolvida seja pequena — uma fração dos US$ 7,5 bilhões que o capital de risco e o capital privado injetaram no setor de energia limpa no ano passado –, os fundos apoiam trabalhos que podem evoluir e se transformar em grandes fluxos de renda nas próximas décadas em um momento em que os governos se empenham para limitar a poluição gerada pelos combustíveis fósseis e o aquecimento global.

“No setor de energia, as pequenas empresas têm muito poder disruptivo”, disse Geert van de Wouw, diretor-gerente da Shell Technology Ventures, em entrevista. “Nós sempre temos que estar alertas para garantir que permaneceremos em vantagem.”

A seguir, uma lista dos projetos que as maiores empresas petroleiras estão apoiando:

Shell Technology Ventures

Kite Power Systems, fabricante de uma pipa que voa em correntes de vento para gerar eletricidade renovável; Glasspoint Solar, uma empresa que desenvolveu uma forma de produzir vapor para uma melhor recuperação do petróleo com energia solar; Sense, uma startup que cria dispositivos que monitoram o consumo de energia de uma casa.

 

Exxon Mobil

Synthetic Genomics, que estuda como produzir biocombustíveis a partir de algas; FuelCell Energy, que está desenvolvendo células de combustível de carbonato para capturar emissões de CO2 de usinas de gás natural enquanto também produzem eletricidade.

Total Energy Ventures International

AutoGrid, uma empresa com sede na Califórnia que projeta softwares para redes inteligentes; United Wind, uma empresa que aluga turbinas eólicas para clientes no varejo e pequenas empresas; Off Grid Electric, uma instaladora de painéis solares para telhado com sede na Tanzânia que opera em áreas de pouco acesso à energia na África Subsaariana.

BP Ventures

Tricoya Technologies, fabricante de uma tecnologia que altera a estrutura química de resíduos de madeira para criar um material de construção mais durável e eficiente do ponto de vista energético; Fulcrum, uma produtora de biocombustível para jatos feito de resíduos urbanos, que captou US$ 30 milhões da BP; Solidia, uma empresa que está trabalhando na redução da pegada de carbono do concreto.

Chevron

Acumentrics, uma empresa de células de combustível que pode fabricar produtos a partir da cerâmica; Ensyn, que fabrica combustíveis e produtos químicos a partir de resíduos de florestas e da agricultura; Inventys, uma desenvolvedora de tecnologia de captura de carbono que armazena CO2 de fluxos de gás industriais.

Statoil Energy Ventures

ChargePoint, uma operadora de pontos de recarga de veículos elétricos com sede na Califórnia; Oxford Photovoltaics, uma empresa de tecnologia solar que está desenvolvendo painéis com perovskita, substância que poderia tornar os painéis fotovoltaicos tradicionais até 30 por cento mais eficientes; Convergent, uma desenvolvedora de armazenamento de energia em grande escala que trabalha em projetos com baterias chumbo-ácido, íons de lítio e do tipo flywheel nos EUA e no Canadá.

 

Fonte: Bloomberg | Ambiente Energia

Futuro da energia será protagonista do All About Energy 2017

Comemorando a 10ª edição, o ​AAE recebeu o reforço trazido pelo ​CERNE ​e teve ​a estrutura temática ​reconfigurada. O foco ​agora é o futuro da geração renovável ​de energia e seu consumo sustentável​.

As fontes renováveis serão as ​grandes protagonistas do futuro da energia no mundo. Diante deste cenário, como se dará a sua utilização de forma sustentável? Quais rotinas, fontes e usos energéticos teremos no futuro?

Estas e outras questões importantes para o planejamento estratégico do setor de energia renovável serão debatidas no All About Energy – Congress & Expo 2017, o maior evento dedicado a estas fontes realizado na América Latina​. O encontro acontecerá entre os dias os dias 4 e 6 de outubro de 2017 no Terminal Marítimo de Fortaleza, Ceará.

Em sua décima edição, o evento foi re-concebido para atualizar, integrar e expandir os temas principais, em comum à geração a partir de fontes renováveis até ​o consumo de forma sustentável.

Nesta nova concepção, o All About Energy 2017 abordará, como tema principal comum, o futuro da energia.

Entre as novidades, além da interação entre segmentos da geração de energia renovável, também estão:​ a exposição de veículos elétricos, ​construções inteligentes como os ​condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e ​doutores.

​Plenárias​, debates​ e exposição versarão sobre quatro quadrantes temáticos: energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável​ (incluindo aplicações tecnológicas, veículos elétricos e eficiência energética​)​. ​

O diretor-presidente do CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, Jean-Paul Prates​, explica que a intenção é cruzar os debates pelos diversos segmentos, para fugir das discussões setoriais isoladas, já realizadas em outros eventos nacionais​. “Já estamos ​num estágio em que está confirmada ​a viabilidade e competitividade de cada uma dessas áreas​​. Por isso, a interação entre os desafios comuns, como também o enfrentamento de questões nacionais e até globais, são importantes para traçarmos novos horizontes”, ​diz Prates. 

Para Meiry Benevides, diretora da All About Eventos – responsável pela logística e comercialização do evento, a diversidade e a integração temática é um diferencial importante porque propicia oportunidade a fornecedores e prestadores de serviço de consolidarem suas posições junto a diversas cadeias produtivas e investidores multi-setoriais. “É um evento único, neste sentido. Permite associar a marca e a empresa ao futuro, à vanguarda tecnológica; e ainda atingir quatro ou mais segmentos de uma vez”, afirma.

All About Energy – Congress & Expo 2017 vai trazer as principais discussões sobre os cenários mundial, nacional e regional da energia renovável e do consumo sustentável, com sessões dedicadas à inovação e startups tecnológicas, além de simpósios​ com investidores globais ​voltados a projetos sustentáveis e a ​presença de autoridades internacionais do setor energético.

O evento te​m o CERNE e a empresa All About Eventos como co-realizadores.  Mais informações no site do evento:  www.allaboutenergy.com.br 

 

Brasil constrói ponte para a eficiência com novas usinas solares

Em 2017, o Brasil deve ter a capacidade de produzir seu primeiro gigawatt de energia solar fotovoltaica, estima a ABSolar (associação do setor).

O montante seria suficiente para atender a cerca de 800 mil residências, de acordo com Rafael Kelman, diretor da consultoria PSR.

Se confirmado, o marco vai representar um salto gigantesco sobre os 84 MW (megawatts) registrados em 2016 pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do Ministério de Minas e Energia. O número, contudo, continua tímido se comparado aos 9,65 GW de capacidade das usinas hidrelétricas em 2015, último dado disponível.

Reforço para o segmento, a EGPB (Enel Green Power Brasil), subsidiária da italiana Enel, deve colocar em funcionamento neste ano quatro parques solares, adicionando 807 MW à capacidade instalada no país.

Três das estações ficam na Bahia e uma no Piauí. As plantas de Nova Olinda (PI), com 292 MW, e Ituverava (BA), de 254 MW, serão, segundo a empresa, as maiores da América Latina. A EGPB estima que, juntas, as quatro plantas serão capazes de gerar o suficiente para atender ao consumo anual de 845 mil famílias.

A empresa venceu leilões em 2014 e 2015 e investiu cerca de US$ 980 milhões nos projetos. “A vantagem do Brasil em relação à Europa é que o maior potencial solar está em áreas semiáridas do Nordeste não aproveitáveis para agricultura”, diz Carlo Zorzoli, presidente da Enel no Brasil.

DESAFIOS

O Brasil assumiu objetivos ambiciosos dentro do Acordo de Paris, ratificado no ano passado. A contribuição do setor energético inclui expandir a participação de energias renováveis na geração elétrica, além da hídrica, para pelo menos 23% até 2030. Em 2015, a oferta hídrica representava 64% da matriz brasileira; a solar não passava de 0,01%.

Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê, diz que a empresa tem um investimento pronto para uma planta solar de 150 MW em Ouroeste (interior de São Paulo), mas que está em espera. Isso porque o governo cancelou o leilão para energia de reserva em dezembro último, após a EPE concluir que não havia necessidade.

“Com a entrada de megaprojetos e o derretimento da demanda pela crise, o governo pode esperar para avançar com novos leilões, o que desanima o mercado no curto prazo”, diz Kelman, da consultoria PSR.

Rodrigo Sauaia, presidente da ABSolar, ressalta que a manutenção dos leilões é fundamental. “Sem eles, nada vai avançar. É preciso ter um calendário que planeje o setor por, pelo menos, cinco a dez anos.”

Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que está sendo estudada a realização de um leilão de reserva de fontes renováveis ainda neste ano.

Fonte: O Estado de São Paulo | Bruno Benevides e Anaís Fernandes

Brasil mira produção de superímã para turbina eólica e motor elétrico

O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo de minérios de terras raras, base para a produção de ímãs superpotentes usados em turbinas eólicas e motores de carros elétricos. Mas nenhuma empresa nacional ainda é capaz de produzi-los.

Agora, o país tenta entrar nesse mercado com um projeto da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), uma empresa privada, em parceria com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo).

Em andamento desde 2014, a empreitada prevê o domínio de todas as etapas da confecção do magneto. O investimento total já passa dos R$ 13 milhões, divididos entre CBMM, IPT e Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).

O projeto está na segunda fase: a construção de uma liga com neodímio e praseodímio (minérios de terras raras), ferro e boro, um dos últimos passos antes da obtenção do ímã.

Na etapa anterior o minério bruto, retirado dos rejeitos de uma barragem da CBMM, em Minas Gerais, foi transformado em uma barra de metal composta por neodímio e praseodímio, a primeira do tipo já feita no país.

O mercado é dominado pela China, dona da maior reserva mundial da matéria-prima. “Os chineses não se apoiaram apenas nos recursos naturais, mas fizeram muito investimento ao longo dos anos 1980 para dominar a tecnologia de fabricação desses ímãs e chegar ao topo”, diz Fernando Landgraf, engenheiro metalurgista e presidente do IPT.

João Batista Ferreira Neto, engenheiro, coordenador do projeto, no laboratório do IPT FOTO: KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS

João Batista Ferreira Neto, engenheiro, coordenador do projeto, no laboratório do IPT. Foto: Keiny Andrade/Folhapress

Em 2011, conta Landgraf, os preços do produto tiveram um pico. Vários países estruturaram iniciativas para a produção dos ímãs temendo a dependência da China, entre eles a Austrália, que fabrica os ímãs em escala industrial, mas conta com uma reserva pelo menos quatro vezes menor que a brasileira, hoje estimada em 22 milhões de toneladas.

“A ideia é começar atendendo ao mercado interno, que deve crescer devido à produção de turbinas eólicas, para depois partir para o externo”, afirma Landgraf.

Reaproveitamento

A CBMM tem o foco na exploração de nióbio, usado na indústria siderúrgica, mas o rejeito da extração desse elemento contém altos índices dos minérios de terras raras.

“A extração mineral, uma das etapas mais caras, já foi feita. Isso diminui o custo da exploração”, afirma João Batista Ferreira Neto, engenheiro metalurgista do IPT e coordenador do projeto.

De acordo com o superintendente de produção da CBMM, Clóvis Antonio de Faria Sousa, a empresa não pretende produzir os ímãs.

A companhia será a fornecedora dos minérios, oriundos do rejeito, para que outras empresas fabriquem os magnetos com a tecnologia desenvolvida no projeto.

Segundo Ferreira Neto, do IPT, a última fase deve contar também com o apoio da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que tem prática na produção de ímãs, e da WEG, empresa que produz turbinas eólicas.

A projeção da Global Wind Energy Council, associação internacional do setor de energia eólica, é de que até 2020 a capacidade para gerar energia por meio dos ventos ultrapasse os 65 gigawatts (GW) em todo o mundo -quase o dobro da produção registrada em 2013, por exemplo.

São utilizados cerca de 600 quilogramas desses ímãs para cada megawatt (MW) de energia eólica, de acordo com Ferreira Neto. “O Brasil pode se tornar uma alternativa para o mercado mundial”, diz.

Fonte: Folha de São Paulo | Everton Lopes Batista

Tecnologia meia onda pode reduzir custos de linhões de transmissão

A aplicação de uma tecnologia conhecida como “meia onda” pode ser a solução para reduzir os custos de implantação de grandes linhas de transmissão no país. Os testes que vão subsidiar uma futura inclusão dessa alternativa tecnológica no planejamento de expansão do sistema foram realizados dentro de um projeto estratégico de pesquisa e desenvolvimento concluído pela Eletronorte, em parceria com a Chesf e a Empresa Norte de Transmissão de Energia Elétrica. O resultado dos estudos foi encaminhado à Empresa de Pesquisa Energética.

A solução destinada ao transporte de grandes blocos de energia tem custo cerca de 25% menor que o da tecnologia em corrente contínua para uma mesma capacidade de transmissão, afirma o gerente de projetos da Eletronorte, Camilo Machado Junior. A meia onda é um sistema em corrente alternada que transporta energia ponta a ponta em níveis de tensão elevados – de 800 a 1.000 kV -, sem a necessidade de instalação de subestações intermediárias a cada 400 ou 500 km. As subestações representam entre 20% e 30% do custo de implantação dos projetos de transmissão no país.

“Quando você transmite de um ponto A para um ponto B, onde a distância entre dois pontos atinge da ordem de meio comprimento de onda, no caso da nossa frequência de 60 hertz, dá 2.500 km. O que significa isso? Se você parte de um nível de voltagem de tensão numa subestação e caminha nessa ordem de 2.500 km, o mesmo nível de tensão vai aparecer na outra ponta. Significa que você não precisa de subestação no meio do caminho”, explica o engenheiro. No sistema usado atualmente no Brasil as subestações são necessárias para controlar o nível de tensão, por meio de equipamentos de controle de reativos.

O custo da meia onda é reduzido porque a transmissão usa apenas subestações terminais. Mesmo em linhões com distâncias menores que 2500 km  (entre 1700 km e 1800 km, por exemplo) é possível usar a tecnologia, com a instalação de equipamentos que aumentem eletricamente o comprimento da linha. “Eventualmente, você pode precisar de um equipamento chamado transformador defasador. Mas são autotransformadores, e o custo é muito mais barato que, por exemplo, o de uma subestação retificadora ou conversora, como você tem na corrente continua”, completa Machado. Há outra vantagens, segundo o coordenador, como a possibilidade de atendimento a comunidades no meio do caminho e o uso de equipamentos convencionais fabricados no Brasil. Já os desafios estão relacionados aos sistemas de proteção.

O projeto teve como principal entidade executora a Universidade de Campinas, que trabalhou em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Estadual de Feira de Santana.  Diante da impossibilidade de fazer testes de campo, porque eles resultariam em desligamentos que poderiam afetar o sistema, a solução foi realizar os ensaios em um simulador RTDS (Real Time Digital Simulator) na Unicamp. Machado Júnior garante que essas simulações foram suficientes para validar os resultados, que poderão ser reproduzidos em uma situação real.

O gerente da área de planejamento da Eletronorte, Jader Fernandes de Jesus, acredita que a tecnologia  possa ser usada de imediato em empreendimentos ofertados em futuros leilões de transmissão. “Uma vez que outros estudos já foram feitos, a gente coloca essa proposta como alternativa para a transmissão”, destaca o engenheiro, lembrando que o resultado do projeto poderá ser avaliado pela EPE no planejamento de expansão.

O sistema é pesquisado em países com grande extensão territorial como a China, Rússia e Índia. O primeiro teste com a tecnologia meia onda teria sido feito em um trecho de 3 mil km de linha na extinta União Soviética, com capacidade de escoamento de 1 mil MW. No Brasil, havia várias pesquisas na Unicamp sobre o assunto, antes mesmo da chamada pública lançada pela Agência Nacional de Energia Elétrica que resultou no projeto de P&D da Eletronorte.

O projeto da estatal foi consolidado em um livro que homenageia o professor da universidade Carlos Portela, morto recentemente. Pioneiro da tecnologia no Brasil, Portela sugeriu a  implantação do sistema no linhão de Belo Monte, mas a Aneel considerou mais prudente consolidar o assunto em um projeto de pesquisa, para oferecê-lo como opção sempre que houver necessidade de infraestrutura para o escoamento de grandes quantidades de energia.

Fonte: Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, PeD e Tecnologia

Universidade cearense inaugura Árvore Solar para alimentar bicicletas elétricas

O campus do Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), contará a partir da terça-feira, 21 de fevereiro, com uma Árvore Solar, formada por dez painéis fotovoltaicos postos sobre as palmas de uma palmeira metálica, estilizada e branca, que carregam as baterias de uma frota de dez bicicletas elétricas. As bikes serão utilizadas pela equipe de segurança do campus da Instituição, no primeiro momento.

O reitor Jackson Sampaio presidirá a solenidade de inauguração do equipamento, às 15h, ao lado de representantes das empresas parceiras, integrantes da direção da Universidade, de servidores docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes.

O benefício é resultado da parceria da UECE, por meio do Mestrado Acadêmico em Ciências Físicas Aplicadas, com a empresa Eco Soluções em Energia, associada à Incubadora de Empresas da UECE (IncubaUECE), que conta com o apoio técnico em arquitetura da Projec. Por estar associada a incubadora pública, a Eco soluções em Energia pode contar com o apoio do Fundo de Inovação Tecnológica do Ceará (FIT/CE), por meio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), que analisou e aprovou o projeto.

Durante o dia, quando as bicicletas estiverem conectadas à árvore, os painéis carregarão as baterias. Quando as bicicletas estiverem em uso, a árvore repassará a energia para a rede pública, gerando créditos para a UECE utilizar posteriormente. A bicicleta com necessidade de carga à noite usará a energia da concessionária.

A IncubaUECE continuará participando do projeto, oferecendo assistência para a sua viabilização, pois tem como missão estimular e apoiar empreendedores no processo de geração, consolidação e crescimento de micro, pequenas e médias empresas no Ceará, visando promover o desenvolvimento regional sustentável.

Fonte: UECE

As tendências mundiais da transição para as energias renováveis

Com a recente entrada em vigor do Acordo de Paris, documento que sela um compromisso global de combate às mudanças climáticas,  deveremos testemunhar uma expansão sem precedentes de fontes de energias mais limpas e sustentáveis nas próximas décadas.

Um estudo do Instituto de Economia e Análise Financeira de Energia (IEEFA) mostra que a transição para as energias renováveis está acelerando, e a um ritmo mais rápido que o previsto. Quem ficar para trás enfrentará riscos financeiros cada vez maiores.

As transformações ocorridas no setor ao longo deste ano dão o tom do que se pode esperar, conforme o estudo 2016: Year in Review – Three Trends Highlighting the Accelerating Global Energy Market Transformation, que identifica as tendências em energia que marcaram o ano.

Com base em projeções recentes, o estudo afirma que o Brasil tem potencial para 880 GW de geração a partir de energia eólica. O país se beneficia dos recursos eólicos ao longo de seu extenso litoral, o que o coloca em quarto lugar mundial em termos de potencial para expandir a geração por essa fonte, atrás de Estados Unidos, China e Alemanha.

O relatório assinala ainda que “os enormes e subdesenvolvidos recursos solares do país” também têm potencial para dar um grande impulso às energias renováveis por aqui, especialmente com a realização do 2º Leilão de Energia de Reserva, que acontece em dezembro.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, até agosto foram cadastrados 1.260 projetos no leilão, sendo 419 deles de fonte solar fotovoltaica e  841 de projetos eólicos. O início de suprimento dos contratos das duas fontes será em 1º de julho de 2019, com prazo de vinte anos.

Veja abaixo algumas tendências em renováveis que marcaram 2016, conforme a pesquisa.

A transição global para as energias renováveis está se acelerando 

Em 2016, mais países tiveram períodos nos quais 100% do consumo de eletricidade foi atendido pelas energias renováveis. O Reino Unido, berço da Revolução Industrial a carvão, por exemplo, registrou uma maior geração de eletricidade por painéis solares do que por carvão nos seis meses entre abril e setembro deste ano.

A Escócia foi ainda mais longe. Em 7 de agosto, seus ventos produziram eletricidade suficiente para alimentar todo o país. Portugal, por sua vez, foi inteiramento suprido por energia solar, eólica e hidroelétrica durante quatro dias no mês de maio.

Poucos dias depois, um evento semelhante na Alemanha levou os preços da eletricidade a cifras negativas em 15 de maio, com a energia limpa suprindo toda a necessidade energética do país.

Além desses avanços, o relatório destacou o imenso potencial do continente africano na revolução energética. Segundo o estudo, a África tem tudo para se tornar o primeiro continente onde a energia renovável será o principal motor do desenvolvimento.

Em grande medida, a expansão da energia solar tem passado ao largo da região, lar da maioria das nações menos desenvolvidas do mundo – mais de metade das 1,3 bilhão de pessoas sem acesso à eletricidade vivem lá. Isto apesar dos países africanos terem de 52% a 117% mais radiação solar que a líder dessa fonte de energia entre os países desenvolvidos, a Alemanha.

Mas isso deve mudar, segundo o relatório, com as melhorias tecnológicas, as reduções de custos e o crescente interesse em micro-redes. Pelas previsões da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a África poderia ter 70GW de geração solar em vigor até 2030.

O ritmo da mudança é muito mais rápido do que o previsto

O relatório também aponta importantes mudanças em níveis institucionais que ajudam a gerar vantagens significativas para o desenvolvimento de novas fontes limpas.

O rápido crescimento do mercado dos chamados títulos verdes (ou green bonds) — títulos de dívida emitidos por empresas e instituições  financeiras para viabilizar projetos com impacto ambiental positivo — é uma indicação de que o capital privado está saindo dos combustíveis fósseis para a energia renovável.

Ser um líder em energias limpas agora pode ser aplicado como um modelo de negócio sustentável que proporciona retornos superiores aos acionistas. Tesla, BYD, Nextera Energia, Softbank, ENEL, China Longyuan e Brookfield Renewable Partners todos demonstram isso.

Ainda segundo a pesquisa, o consumo de petróleo poderá atingir o pico em 2030, com o crescimento exponencial e continuado dos veículos elétricos, eficiência energética e energia renovável.

Quem fica para trás enfrenta crescentes riscos financeiros

Ao contribuir para reduzir as taxas de utilização, as energias renováveis continuarão a comprometer a viabilidade da produção a carvão.  De acordo com o estudo, o consumo mundial de carvão está em declínio, tendo atingido um pico em 2013 e declinado em 2016 pelo terceiro ano consecutivo. Um crescimento da demanda abaixo do esperado, em conjunto com o aumento da oferta de gás natural, deverá golpear ainda mais forte esse mercado.

Fonte: Vanessa Barbosa | Exame.com

Anunciado sistema de painéis solares “invisíveis” para casas

Elon Musk está cada dia mais perto de realizar seu sonho de criar um sistema doméstico alimentado por energias sustentáveis. O CEO da Tesla revelou em um evento na Universal Studios, em Los Angeles, a primeira linha de painéis solares da empresa. Além de ser praticamente imperceptível, o produto se conecta ao sistema de bateria recarregável Powerwall da Tesla. As informações são do site The Verge e da Wired.

O telhado é feito a partir de uma telha de vidro texturizada com células solares integradas. Para que os painéis fiquem praticamente invisíveis, a Tesla aplicou uma pintura especial nas telhas. Desse modo, elas ficam transparentes quando vistas do ângulo da rua e sua aparência fica similar à de um telhado tradicional. Quatro padrões de telhas foram apresentados: Tuscan Glass, Slate Glass, Textured Glass e Smooth Glass.

Segundo Musk, as telhas foram impressas hidrograficamente e, por isso, cada uma delas é um “floco de neve especial”. Isso significa que casas vizinhas não terão telhados com o mesmo visual.

O CEO da Tesla também enfatizou que os painéis são resistentes. Para provar isso, ele exibiu um teste de durabilidade entre o produto da marca e telhas de cerâmica e pedra. Obviamente, o telhado da Tesla se saiu melhor. O painel solar é feito de quartzo e tem uma vida útil quase infinita, de acordo com Musk.

Além do painel solar, a empresa revelou a nova geração da Powerwall, sua bateria doméstica que pode ser recarregada via energia solar. Ela tem potência máxima de 7 kW e capacidade de armazenar até 14 kWh. Isso é suficiente para abastecer uma casa de quatro quartos durante um dia inteiro. A Powerwall 2 irá custa 5.500 dólares nos Estados Unidos e tem garantia de ciclos de recarga para até 10 anos de uso.

Os produtos são uma colaboração conjunta entre a SolarCity (provedor americano de serviços de energia) e a Tesla. No dia 17 de novembro, acionistas irão votar uma fusão de dois bilhões de dólares entre as duas companhias.

Tanto o telhado quanto a bateria fazem parte do plano de Musk de criar um sistema energético sustentável. No mundo idealizado por Musk, os painéis solares servirão para a geração de energia para a casa e os carros, enquanto a bateria faria o armazenamento dessa energia. “Precisa ser bonito, acessível e perfeitamente integrado. Se tudo isso acontecer de verdade, por que você iria para outra direção?” indagou o CEO, questionando o sistema energético atual.

Fonte: Marina Demartini | Exame

Tesla anuncia compra da SolarCity por US$ 2,6 bilhões

A Tesla Motors, fabricante de carros elétricos, anunciou aquisição da SolarCity por US$ 2,6 bilhões. A compra deverá ajudar a impulsionar os projetos da montadora relacionados à energia, tendo em vista que a SolarCity oferece aos consumidores painéis solares e também sistemas de armazenamento de bateria para casas e carros elétricos. O acordo consiste na fusão da empresa com a fabricante de veículos automotivos.

De acordo com o CEO da Tesla, Elon Musk, o processo faz parte da segunda fase do plano diretor da companhia, que envolve o desenvolvimento de soluções para gerar, armazenar e permitir o consumo de massa de energia solar. A SolarCity deverá ajudar a Tesla em seu dispositivo de armazenamento de energia solar, o Powerwall, e também na expansão das lojas de varejo da montadora. A empresa também deverá continuar a desenvolver mais produtos solares para seus clientes.

“A Tesla está se preparando para escalar os nossos produtos de armazenamento como o Powerwall e o Powerpack e a SolarCity está preparada para oferecer a próxima geração de soluções solares diferenciadas. Ao unir forças, podemos operar com mais eficiência e integrar plenamente os nossos produtos, oferecendo aos clientes uma experiência esteticamente bonita e simples”, diz uma publicação da Telas em seu blog. Com a aquisição, a Tesla também espera diminuir os custos de hardware e de instalação e melhorar a eficiência de fabricação, acarretando em menor custo para seus clientes.

Cada acionista da SolarCity irá receber 0,110 ações da Tesla por cada ação que detém da SolarCity. Elon Musk deverá liderar a SolarCity e se tornar o principal acionista das duas empresas. O processo de aquisição está previsto para se encerrar no quarto trimestre de 2016. No entanto, a SolarCity tem o prazo de 45 dias para solicitar uma proposta alternativa. Ambas as empresas também esperam conseguir aprovação de seus acionistas e também de órgãos fiscais para concretizarem o negócio.

Fonte: CanalTech

Com mais tecnologia, energias renováveis competirão com o petróleo

A forte queda do preço do petróleo em mercados internacionais, observada no último ano e meio, tem trazido dúvidas sobre o futuro das energias renováveis. Desde meados de 2014, o valor do barril de petróleo caiu de US$ 100 para US$ 30. E pode cair mais. Nesse cenário, muitos se perguntam se fontes como a solar e a eólica manterão sua competitividade e o impressionante ritmo de expansão observado em anos recentes.

Juntas, as fontes solar e eólica viram sua capacidade instalada crescer cerca 1.000% no mundo ao longo da última década. Felizmente, há plenas condições para esse ciclo virtuoso continuar, e diversas razões para isso podem ser destacadas.

Na maioria dos países, as novas energias renováveis ainda crescem sem competir tão diretamente com o petróleo. Enquanto mais de metade do petróleo produzido no mundo é consumido como combustível para os transportes e outra grande fatia vai para atividades industriais, as novas renováveis ganham espaço com mais força na geração de eletricidade –na qual a competição central é com carvão, gás natural e energia nuclear. O preço de petróleo pode até exercer alguma influência, mas não é determinante.

Com o avanço das tecnologias, é esperado que as novas renováveis passem a competir mais diretamente com o petróleo. Os veículos elétricos, que ainda não ganharam grande escala mas devem fazê-lo em alguns anos, são um exemplo. Contudo, a redução de preços das fontes mais modernas de energia também tem sido notável: desde a década de 1980, o custo de painéis solares vem caindo cerca de 10% ao ano. E deve seguir nessa tendência, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford publicado neste ano.

É importante ressaltar que, enquanto os preços das renováveis só tendem a cair, a história nos mostra que o preço do petróleo é oscilante, sendo muito difícil dizer em qual patamar estará daqui a poucos anos ou até mesmo meses. Investir em petróleo, portanto, é um negócio arriscado. Mas apostar nas novas renováveis é uma estratégia cada vez mais segura, especialmente no longo prazo, que é para onde governos e empresas do setor geralmente olham.

Outra razão para manter o otimismo com relação às novas renováveis é a consolidação do setor. Seu crescimento na última década superou as expectativas mais otimistas. Uma das principais barreiras à popularização das energias solar e eólica, o armazenamento de energia em baterias compactas para momentos em que o sol não brilha ou o vento não sopra, já está sendo superada por produtos lançados recentemente.

Além disso, a previsibilidade dessas fontes de energia vem sendo estudada e equacionada há muito tempo, e é uma área de conhecimento avançada. Para citar um exemplo, em 2014, temia-se o risco de um eclipse desestabilizar a rede elétrica da Alemanha, que conta com participação significativa de energia solar. O impacto, no entanto, foi mínimo e pontual, reforçando a confiança na matriz.

Fim da era do petróleo

Para além de aspectos econômicos e técnicos, as esferas política e socioambiental da discussão também apontam cada vez mais na direção de energias como a solar e a eólica. A nível global, as renováveis são a principal saída para o desafio das mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis como o petróleo.

No final do ano passado, governos de 195 países assinaram o importante Acordo de Paris, assumindo os compromissos de evitar um aquecimento global superior a 1,5°C e, na segunda metade do século, neutralizar emissões de gases de efeito estufa. Em termos práticos, a única forma realista de atingir esses objetivos é zerando o consumo de combustíveis fósseis até 2050. Ou seja, o mundo já assinou o fim da era do petróleo.

Existe ainda espaço para governos aproveitarem os baixos preços do petróleo e removerem subsídios ao seu consumo. Com a drástica queda dos preços, esses subsídios simplesmente perdem sentido. Diversos países como Índia, Indonésia e Malásia já fizeram isso, e muitos outros podem seguir o exemplo.

Os recursos que iriam para as grandes empresas petrolíferas podem, então, ser direcionados justamente para as novas renováveis, acelerando a transição para uma matriz energética mais moderna e limpa. E se os preços do petróleo voltarem a subir, o mercado já estará operando sob novas condições. E se reequilibrará, sem contar com um apoio que custa caro à sociedade e perpetua o grave problema das mudanças climáticas.

Em resumo, o cenário continua notavelmente favorável às renováveis, e cada vez mais desfavorável para o petróleo. Não à toa o investimento em renováveis quebrou um novo recorde em 2015, chegando a US$ 329 bilhões, com China e Estados Unidos na liderança. Enquanto isso, cresce exponencialmente um movimento internacional de retirada de investimentos em petróleo, que já conta com o apoio de organizações como o Rockefeller Brothers Fund, a Universidade de Glasgow e o Conselho Mundial de Igrejas.

O Brasil tem tudo para se tornar um dos protagonistas dessa revolução energética. Poucos países contam com condições tão favoráveis às energias solar e eólica. Alguns de nossos governantes já começam a perceber isso. Um deles é José Fortunati, prefeito de Porto Alegre, que há menos de um mês assumiu o compromisso de ter 100% dos prédios municipais gerando ou consumindo energias limpas e renováveis até 2050.

Ainda assim o governo federal continua olhando para o passado. E destinará aos combustíveis fósseis cerca de 70% dos investimentos públicos em energia previstos para a próxima década. Outro exemplo dos equívocos cometidos é o fato da presidente Dilma ter vetado uma séria de medidas favoráveis às energias renováveis no Plano Plurianual para 2016-2019, sancionado há poucas semanas.

Está totalmente ao alcance de Dilma e sua equipe mudar de postura e investir de fato no futuro. Basta abrir os olhos para os enormes benefícios econômicos, sociais e ambientais oferecidos pelas renováveis.

Fonte: Pedro Telles | Uol