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Rio Grande do Norte lidera leilão de energia e arremata R$ 3,5 bi em projetos eólicos

Por Daniel Turíbio | Comunicação CERNE

Do total de 48 novos projetos eólicos inscritos no certame, 27 foram arrematados no estado. Serão adicionados mais 743 MW de capacidade instalada com usinas em operação até 2024.

O Rio Grande do Norte liderou a contratação de projetos para produção de energia eólica, no 28º Leilão de Energia Nova A-6 de 2018 realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última sexta-feira, 31 de agosto. Do total de 48 novos projetos inscritos no certame, 27 foram arrematados no estado. Eles totalizam mais 743 MW de capacidade instalada e deverão começar a operar em 2024.

Os projetos vendidos irão assegurar cerca de R$ 3,5 bilhões em investimentos no estado nos próximos 6 anos. “Desse montante, cerca de R$1,5 bilhão deverá ser injetado diretamente nas regiões produtoras”, disse o Presidente do Centro de Estratégias em recursos Naturais e Energia CERNE, Jean-Paul Prates.

A maior parte dos projetos estão na região do Mato Grande, onde se encontram a maior parte das usinas instaladas no estado e com melhores infraestruturas. O projeto com maior fator de capacidade (67,5%) será instalado no município de Riachuelo. A usina Ventos de Santa Martina, desenvolvido pela empresa Casa dos Ventos, terá turbinas da fabricante global Vestas.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Rio Grande do Norte (27 usinas), a Bahia (21 usinas), o Paraná (5 usinas), São Paulo (2 usinas), Minas Gerais (2 usinas), além de Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Maranhão com uma usina em cada estado.

O certame negociou Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado na modalidade por quantidade (hidrelétricas – suprimento de 30 anos e eólicas – suprimento de 20 anos) e por disponibilidade (biomassa, carvão e gás natural – suprimento de 25 anos).
O leilão movimentou, ao todo, R$ 23,6 bilhões em contratos. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 140,87 por MWh, com deságio de 46,89% em relação aos preços-tetos estabelecidos, representando uma economia de R$ 20,9 bilhões para os consumidores de energia.

Ao final das negociações, foram contratados 62 empreendimentos de geração, sendo 11 hidrelétricas, 48 usinas eólicas, 2 usinas térmicas movidas a biomassa e uma térmica a gás natural , o que soma 835 MW médios de energia contratada.

Leilões de energia: como funciona

Os leilões são a principal forma de contratação de energia no Brasil. Por meio desse mecanismo, concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) garantem o atendimento à totalidade de seu mercado no Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Quem realiza os leilões de energia elétrica é a CCEE, por delegação da Aneel.

O critério de menor tarifa é utilizado para definir os vencedores do certame, visando a eficiência na contratação de energia.

O leilão de energia nova, realizado na semana passada, tem como finalidade atender ao aumento de carga das distribuidoras. Neste caso são vendidas e contratadas energia de usinas que ainda serão construídas.

Eólicas no RN (atualizado com os resultados do Leilão de A-6 de 31/08/2018)

– 138 parques eólicos em operação comercial, somando 3,72 GW em potência instalada.
– 15 parques eólicos em construção, somando 366,10 MW em potência instalada.
– 45 parques eólicos contratados, somando 1,187 GW em potência instalada.

Ranking dos maiores produtores eólicos:

1° Rio Grande do Norte (3,7GW)
2° Bahia (2,5GW)
3° Ceará (1,9GW)
4 ° Rio Grande do Sul (1,8GW)

 

Voltalia prevê antecipar em mais de 3 anos usinas eólicas negociadas em leilão

A empresa de energia renovável francesa Voltalia espera antecipar em mais de três anos a conclusão de parques eólicos que vai construir no Rio Grande do Norte, após obter contratos para a venda da produção futura das usinas em leilão do governo brasileiro na semana passada, disse à Reuters o principal executivo da companhia no Brasil.

A Voltalia negociou 60 megawatts médios em energia na licitação, realizada na sexta-feira, o equivalente a usinas com 115 megawatts em capacidade instalada que precisariam por contrato iniciar as operações em janeiro de 2024.

Mas os projetos ficarão na mesma região de outros viabilizados pela empresa em um leilão em dezembro, que já têm trabalhos em andamento e providenciarão uma infraestrutura que poderá acelerar o projeto e reduzir custos nas novas unidades, como canteiros de obras e a linha de transmissão que ligará os parques à rede, explicou o chefe da Voltalia no Brasil, Robert Klein.

“Isso nos permitiu justamente contar com uma antecipação de mais de três anos a contar da data inicial do contrato regulado, em janeiro de 2024. Isso, evidentemente, nos faz ganhar competitividade”, afirmou o executivo.

Além disso, a Voltalia disse que a conclusão acelerada dos projetos permitirá que a energia produzida entre o segundo semestre de 2020 e o início de 2024 seja vendida pelas usinas no mercado livre de eletricidade para grandes clientes, como indústrias, a preços mais de 60 por cento superiores aos obtidos na licitação do governo.

A estratégia de antecipação do cronograma e das vendas foi importante para que a Voltalia tivesse sucesso no leilão, onde os parques eólicos vitoriosos apresentaram ofertas com tarifas em média 60 por cento abaixo do teto estabelecido pelo governo.

Os empreendimentos da empresa obtiveram preços finais de 93 reais por megawatt-hora, contra 227 reais da tarifa-teto para as eólicas.

A expectativa da Voltalia é que com esses novos projetos seja possível ultrapassar em 2020 a meta do grupo de alcançar 1 gigawatt em projetos de geração de energia em operação pelo mundo.

Segundo a empresa, a marca deve ser alcançada com quase 70 por cento da capacidade no Brasil, enquanto projetos na Europa devem responder por quase 20 por cento e na África por 12 por cento.

EXPANSÃO BRASILEIRA

A Voltalia possui atualmente cerca de 433 megawatts em operação no Brasil, além de cerca de 170 megawatts em construção, sendo quase toda a capacidade em empreendimentos eólicos.

Sem contar esses empreendimentos e os negociados no último leilão, a companhia tem projetos em carteira suficientes para chegar próxima de 2 gigawatts no país, o que significa que ela deverá seguir atenta às próximas licitações para novos projetos.

Segundo Klein, a empresa pretende expandir agora sua atuação em energia solar no Brasil, uma vez que possui hoje apenas um pequeno projeto de 4 megawatts no Amapá.

“Acreditamos que esses 2 gigawatts serão alcançados com um misto entre eólica e solar”, apontou.

Segundo ele, a companhia está avaliando empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Banco do Nordeste Brasileiro (BNB) como alternativas de financiamento de suas usinas, além de possíveis operações no mercado de capitais.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Infraestrutura precária e possível cobrança de royalties: a produção de energia eólica no Brasil

País é hoje o oitavo maior produtor de energia eólica do mundo

GALINHOS, Rio Grande do Norte – De noite, luzes piscando enchem o céu, e o som sibilante das pás que giram sem parar está em toda parte – lembrando continuamente da abundante presença do vento nestas partes da costa brasileira do Atlântico e seu aproveitamento como recurso natural. Ao romper do dia, as torres que se elevam a mais de 120 metros despontam lá no alto, acima das árvores.

Neste lado do Atlântico, o vento sopra incessantemente e quase sempre em uma só direção, proporcionando ao Brasil um fluxo constante de produção de energia. O país é hoje o oitavo produtor mundial de energia eólica, segundo o Global Wind Energy Council, uma organização setorial, com fazendas eólicas operadas pela Weg, Siemens Gamesa, Wobben Windpower e outras.

Entretanto, os investidores estão cautelosos, porque a construção das linhas de transmissão é lenta e a infraestrutura escassa encarece o custo das obras. Agora, alguns parlamentares estão propondo a cobrança de um imposto sobre a energia solar e eólica.

A cerca de um quilômetro de distância da praia, a visão das turbinas lembra aos moradores da área rural as possibilidades e o impacto deste setor da economia.

Na praia do Morro dos Martins, Damião Henrique, 70, fez uma ligação para acionar a bomba que agora lhe permite regar sua pequena plantação de feijão. Pescador e agricultor, ele teve de deixar a faixa de terra que ocupava há muito tempo e se instalou a poucos metros da praia para deixar o lugar à fazenda eólica.

“Para mim está tudo bem”, ele disse. “Como indenização, a companhia me fornece energia, e agora posso regar meu feijão com a maior facilidade”.

Mas segundo outros moradores, os benefícios prometidos não se concretizaram.

“O prefeito disse que teríamos escolas”, falou Maria Venus, 47, proprietária de um mercadinho no Morro dos Martins. “Eles abriram uma escola de música para a comunidade, distribuíram alguns violões para a gente, e depois de um ano não aconteceu mais nada”.

Além disso, há o barulho.

“Ah, sim”, ela comentou, “também deixaram este barulho que nunca para”.

A nordeste de Galinhos, empresas contratadas para a Copel, a companhia elétrica do Estado do Paraná, estão construindo a enorme fazenda eólica de Cutia. Quando estiver concluída, suas 149 turbinas serão o projeto mais importante da companhia no Estado do Rio Grande do Norte.

Em Galinhos, os jovens anunciaram o baile do aniversário da cidade com uma carreata de buggies de praia que dos alto falantes convocavam a população para as comemorações.

Na porta de uma escola prestes a desmoronar, onde antes se alojava, José Neto, 70, pescador, acendeu um cigarro enquanto apreciava o pessoal se divertindo. “Sei pouco sobre impostos, mas se eles os usarem para a nossa cidade, será muito bom”, comentou a respeito da proposta de cobrança de impostos. “Nós somos tão humildes que qualquer coisinha de nada é de grande ajuda para a gente”.

Edton Barbosa, 56, técnico aposentado em prospecção de petróleo do estado de Minas Gerais, também olhava. Ele falou que era bom que os políticos pensassem em cobrar pelo vento. “Ajudará a desenvolver este lugar”, ele disse, “como os royalties do petróleo estão fazendo em outros lugares”.

Fonte: Dado Galdieri | New York Times

Iberdrola investirá R$ 3 bilhões no Rio Grande do Norte

O grupo espanhol Iberdrola anunciou nesta sexta-feira, 11, que irá investir R$ 3 bilhões em novos projetos de distribuição de energia elétrica, além de parques eólicos. O anúncio foi feito em audiência com representantes do Governo do Estado. Os recursos deverão ser usados nos próximos cinco anos. Para discutir os investimentos, o governador Robinson Faria se reuniu com o presidente mundial da Iberdrola, Ignácio Galán, representantes do grupo Neoenergia e da Cosern, que fazem parte da multinacional.

O presidente da Iberdrola, Ignácio Galán, explicou que o primeiro parque eólico do grupo foi instalado no Rio Grande do Norte no município de Rio do Fogo. “Nossa empresa possui 11 parques eólicos no estado e com os novos investimentos, pretendemos duplicar a capacidade de energia gerada atualmente”, informou. Participaram também da reunião o diretor presidente do grupo Neoenergia, Mário Ruiz-Tagle, a diretora presidente adjunta da Neoenergia, Solange Ribeiro, e o diretor presidente da Cosern, Luiz Antonio Ciarlini.

Durante o encontro, o governador Robinson Faria ressaltou o trabalho do Executivo estadual para atrair empresas deste setor e gerar emprego e renda. “O Rio Grande do Norte é o maior produtor de energia eólica do Brasil e mais de 60% dessa produção só foi possível graças ao nosso esforço em agilizar licenças ambientais e garantir a segurança jurídica aos empresários. Estamos felizes com mais essa notícia e somos parceiros de pessoas que acreditam no potencial do nosso estado”, destacou o governador.

Iberdrola
É a maior geradora de energias renováveis da Europa e dos Estados Unidos, uma das cinco maiores companhias elétricas do mundo e líder mundial em energia eólica. A empresa possui 28 mil funcionários em 31 países e, no Brasil, por meio da Neoenergia, é controladora da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern).

Fonte: Tribuna do Norte

“Não estamos desperdiçando energia, nem investimento”, afirma Jean-Paul Prates

O Brasil alcançou a marca de oitavo maior produtor de energia eólica do mundo. Dentro da produção nacional, o Rio Grande do Norte se destaca como o estado que mais produz o recurso renovável. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, comemora o desempenho em entrevista realizada na última quinta-feria (26) ao programa RN Acontece, da Band Natal/RN.

“Do país para o mundo. Ontem saiu o relatório desse ano do GWEC, o Global Wind Energy Council, que é a entidade maior do setor eólico mundial. O Brasil ultrapassou mais uma vez um país no ranking mundial, que era o Canadá, e passou a ser a 8ª maior nação produtora de energia eólica do mundo. O Rio Grande do Norte tem esse sucesso nessa matriz, nessa fonte, e é dentro desse contexto o líder nacional de produção de energia eólica no Brasil. Ele hoje é responsável por um terço da energia eólica gerada no Brasil. Então, desta liderança nacional, surge aí um terço da energia geral”, explicou Prates.

De acordo com Jean-Paul, o problema enfrentado no passado com a falta de linhas de transmissões no RN já foi superado. “Não estamos desperdiçando energia, nem investimento. Houve um período de atraso mais significativo, principalmente entre 2012 a 2014, isso foi recuperado com as linhas da Chesf sendo aceleradas. Tivemos aquele problema de uma empresa espanhola que faliu mundialmente, que foi a Abengoa, que deixou uma das linhas aqui carentes de continuidade. Isso também já foi resolvido. Eu diria que já foi resolvido em relação ao passivo que nós tínhamos”, comentou.

No entanto, o especialista em energia adverte para que o Estado continue melhorando sua infraestrutura. “É uma preocupação constante. Tem que estar o tempo todo acompanhando esse processo porque isso é uma questão federal. Tem que ficar demandando, fazendo pleitos, para que as linhas sejam concedidas. O Rio Grande do Sul fez pressão e hoje ele tem aí quatro ou cinco gigawatts de linhas, tendo muito mais folga do que a gente e com muito menos potencial”, comparou.

Fonte: CERNE Press com informações da Band Natal

Fortaleza tem projeto para dessalinizar água do mar

Plano é produzir mil litros por segundo até 2020; capital entra no sexto ano de seca

A dessalinização da água do mar para fins potáveis, alternativa usada por países sob estresse hídrico como Israel e Austrália, começa a ser considerada para regiões metropolitanas brasileiras.

Fortaleza é a primeira capital com um projeto para produzir até mil litros de água por segundo por meio de dessalinização até 2020, o que ajudaria a dar sobrevida ao açude Castanhão, que abastece a Grande Fortaleza e está com sua capacidade abaixo de 4%.

O projeto deverá ser uma PPP —parceria público-privada— onde a empresa escolhida para construir e operar a planta terá a concessão do serviço por até 30 anos, prazo que ainda está sendo definido pelo governo do Ceará.

Em outubro de 2017, a Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) recebeu as propostas de manifestação de interesse das empresas para realização dos estudos sobre a planta de dessalinização.

Duas companhias estrangeiras foram escolhidas, a GS Inima Brasil, holding espanhola com acionistas sul-coreanos, e a também espanhola Acciona Água S/A.

Cada uma terá de apresentar, até o mês de maio, 15 estudos sobre a planta de dessalinização, com análises que vão de custos e tecnologias a serem empregadas a estudos de impacto ambiental.

A partir de maio, o governo terá dois meses para avaliar os estudos e abrirá edital para o recebimento das propostas, dentro dos critérios que serão especificados.

A empresa ficará responsável por investimento, construção e operação da planta de dessalinização. Os custos do projeto só serão divulgados após maio, mas estimativas apontam que o investimento necessário será da ordem de R$ 500 milhões.

Fortaleza entrou no sexto ano consecutivo de seca, e nos últimos dois anos o governo do estado passou a considerar alternativas de abastecimento de água para a região metropolitana.

Operando na capacidade esperada, de mil litros por segundo, a unidade de dessalinização acrescentaria 12% na oferta de água da Grande Fortaleza, o que seria equivalente ao abastecimento de 720 mil pessoas.

Hoje a capital cearense e outros cinco municípios da região metropolitana são abastecidos por duas estações de tratamento de água, que produzem até 15 mil litros por segundo.

A preocupação do governo é que até 2050, a demanda supere a produção
atual.

“A planta de dessalinização vai trazer um incremento para o abastecimento, mas não dá segurança completa. Vamos precisar de outras fontes, como o reúso de água na indústria” afirma Silvano Porto, gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará).

Ele estima que será possível produzir mais mil litros por segundo de água de reúso para as indústrias e o porto do Pecém, a partir do tratamento do esgoto da região metropolitana.

A Cagece estuda um modelo semelhante ao adotado no Aquapolo, na Grande São Paulo, que produz cerca de 500 litros por segundo para o Polo Petroquímico de Mauá.

O modelo de PPP para o abastecimento de água, no entanto, enfrenta críticas no Ceará por parte de grupos que entendem a medida como uma forma de privatização dos recursos hídricos.

“Não somos contra usar a tecnologia de dessalinização, mas isso precisa ser feito e operado pelo Estado, para o povo. A água não pode servir para dar lucro a empresas privadas”, afirma Josivaldo de Oliveira, da coordenação nacional do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens).

Para Porto, da Cagece, essas críticas não procedem, pois no modelo de PPP a empresa privada atuará como prestadora de serviços.

ÁGUA SALOBRA

A participação da iniciativa privada nos projetos de dessalinização de água já vem ocorrendo também no semiárido do Nordeste.

A americana Dow Water Solutions presta consultoria técnica para o projeto Água Doce, do governo federal, em parceria com os estados do Nordeste e Minas Gerais.

Já foram instalados 508 dessalinizadores para tratar a água salobra de poços, em comunidades rurais isoladas sem acesso à rede de água. O investimento no programa é de R$ 255 milhões.

“A dessalinização pode ser empregada tanto em sistemas localizados como em grandes áreas metropolitanas. No Brasil, já vem sendo utilizada pelo setor industrial, com sucesso”, diz Fábio de Carvalho, diretor da Dow.

A tecnologia de osmose reversa é uma das que mais crescem nos últimos 20 anos.

No semiárido, o programa nasce de um poço geralmente já utilizado pela comunidade, que recebe estudos de vazão e onde são identificados os níveis de salinidade.

Depois, é feita a capacitação dos moradores para que sejam os operadores do sistema de dessalinização. Já foram treinados 1.200 operadores, segundo a Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

“A gestão comunitária é um modelo que tem funcionado, pois possibilita que os moradores gerenciem as unidades, dando acesso à água potável em regiões onde ele é muito precário”, diz Ranielle Linhares, coordenador do programa Água Doce no Rio Grande do Norte, que conta com 68 sistemas instalados e mais 35 em licitação.

No município de João Câmara, a cerca de 70 quilômetros de Natal, o governo do estado instalou um dessalinizador movido a energia solar, para reduzir os custos com energia elétrica gasta no bombeamento da água.

O equipamento permite o abastecimento de água para 65 famílias da comunidade rural Maria da Paz.

Fonte: Folha de São Paulo | Andrea Vialli

Em 5 anos, energia eólica pode iluminar até metade da Paraíba

Atualmente, a capacidade de eólica instalada na Paraíba, com 15 parques, pode gerar energia para atender 22% da população do Estado, ou seja, 870 mil pessoas. Até 2023, com a implementação de outros 12 projetos de parques contratados, a capacidade energética instalada será correspondente a 52,18% da população, o que ainda é pouco perto do estado vizinho. O líder em produção eólica é o Rio Grande do Norte, que tem uma capacidade instalada 22,5 vezes maior, totalizando 3,5 GW, o suficiente para abastecer um terço da Região Nordeste, ou seja 19,6 milhões de pessoas.

A Paraíba, em sua capacidade máxima, pode produzir apenas 4,42% do que o Rio Grande do Norte, com 157,2 MW. O estado vizinho, após perceber que a energia eólica pode acabar com a falta de energia nos lugares mais distantes sem a necessidade de implantação de linhas de transmissão, investiu pesado a partir de 2010.

Na Paraíba, são 15 parques eólicos em operação gerando 157 MW de capacidade instalada, sendo que 12 deles estão localizados no município de Marataca, dois em São João do Sabugi e um em Santa Luzia. Mais 12 parques já estão contratados no Estado (projetos que foram arrematados nos últimos leilões de energia e que entrarão em fase de construção), podendo fazer a capacidade chegar a 371,4MW – total que esses parques vão gerar quando estiverem operando comercialmente, entre 2019 e 2023.

Segundo o mapeamento da Iberdrola, e divulgado ano passado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

Vento

O que pode atrapalhar os planos é um projeto de cobrança de royalties sobre o vento, que também poderia afetar o crescimento da energia solar, que também poderá ser tributada.

Organizar melhor a cadeia produtiva

Para o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, a Paraíba tem um grande potencial a desenvolver, tanto em eólica quanto em solar. “O Estado precisa certamente organizar melhor algumas diretrizes e instrumentos para o desenvolvimento de uma cadeira produtiva mais consistente, mas acho que tanto o Governo do Estado quanto os setores empresariais locais têm se movimentado bem a respeito”, diz.

Segundo ele, existem fatores locais relacionados a licenciamentos socioambientais, relacionamento com as cidades e comunidades, agilização e apoio a operações logísticas, entre outros, que podem ser muito ajudados pela ação estadual. “Além, é claro, do acompanhamento setorial e promoção do Estado como destino de investimentos nesta área”, finaliza.

Ele considera que o que pode impedir a evolução é a cobrança de royalties do vento. Segundo a proposta de emenda constitucional do deputado Heráclito Fortes, do PSB do Piauí, “o vento é um recurso que pertence a todo o povo brasileiro e é justo que os benefícios econômicos dessa atividade sejam compartilhados”.

O texto também afirma que as fazendas eólicas ocupam vastas áreas que limitam a realização de outras atividades econômicas, como o turismo, o mesmo acontecendo com a energia solar.

Brasil já ultrapassa o Canadá

O Brasil ultrapassou o Canadá no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica em 2017, passando a ocupar a oitava posição, de acordo com levantamento feito pelo Global World Energy Council (GWEC) e divulgado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

No ano passado, foram adicionados 52,57 gigawatts (GW) de potência de energia eólica no mundo, chegando a uma capacidade instalada total de 539,58 GW.

O Brasil acrescentou 2,022 GW de potência eólica ano passado, chegando a 12,763 GW e, em fevereiro, alcançou os 13 GW (o suficiente para abastecer 24 milhões de residências por mês), quase a mesma quantidade de energia que a Usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do Brasil, gera (14 GW). O primeiro lugar segue com a China, que acrescentou 19,5 GW ano passado e chegou a 188,232 GW de capacidade instalada da fonte eólica.

Segundo a Abeeólica, até 2020, considerando os contratos já assinados e os leilões realizados, a capacidade instalada de energia eólica do país vai chegar a 18,63 GW. Com os novos leilões, a tendência é que o número cresça.

Utilização da fonte começou em 92 no País

A energia eólica no país começou em 1992, com o início da operação comercial do primeiro aerogerador instalado no Brasil, fruto de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE) e a Companhia Energética de Pernambuco (CELPE), por meio de financiamento do instituto de pesquisas dinamarquês Folkecenter. Essa turbina eólica, de 225 kW, foi a primeira a entrar em operação comercial na América do Sul, localizada no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco.

Atualmente, o RN tem 133 parques eólicos em operação comercial com potência instalada total de 3.582 GW, o que representa 84,76% de todo o estado. Há também seis usinas fotovoltaicas, num total de 117,10 MW e ainda 32 usinas termelétricas. Há 19 parques eólicos sendo construídos no RN, totalizando 468 MW e 13 projetos eólicos contratados (somando 330,3 MW em potência instalada) prestes a começarem suas obras.

O Rio Grande do Norte fechou 2017 na liderança da produção eólica no país, com 1.455,3 MW med de energia entregues no ano passado, incremento de 20,7% em relação ao mesmo período de 2016.

Os dados confirmaram ainda o Estado com a maior capacidade instalada, somando 3.548,65 MW, aumento de 11,5% em relação a 2016.O RN é líder nacional em potência instalada e geração eólica.

Fonte: Correio da Paraíba | Érico Fabres

Eólicas entram em operação no Rio Grande do Norte

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou para operação comercial as unidades geradoras UG7 a UG10, de 2.100 kW cada, somando 8.400 kW de capacidade da usina União dos Ventos 12, a partir de 10 de fevereiro, segundo publicação do despacho do Diário Oficial da União de 15 de fevereiro.

Na segunda-feira (19) a usina recebeu autorização da Aneel para iniciar a operação comercial da unidade geradora número 11, segundo despacho publicado no DOU. A usina é de propriedade da empresa Ventos Fortes Geradora Eólica, integrante do Grupo Serveng.

Também foi liberada para operação comercial a usina “União dos Ventos 14”,  com 8 aerogadores, cada com capacidade instalada equivalente a 2.100kW no total, somando mais 18.800kW a matriz energética do Estado.

Ambos os parques estão localizados no município de Pedra Grande, no Rio grande do Norte. No município já são gerados 164.400kW em energia eólica e com os outros 4 parques que estão em fase de construção, a produção total será de 234.600kW, tornando-se um dos grandes produtores do Estado.

Fonte: CERNE Press

ENERGIA: ‘O RN não está ficando para trás’, diz Jean-Paul Prates

Reconhecido no mundo por ser “um país tropical e abençoado por Deus” na abundância de belezas naturais e sol o ano inteiro, o Brasil está chamando mais atenção dos investidores internacionais com negócios ligados à geração de energia solar. Nos próximos anos, ao lado da que é gerada pela força dos ventos, essa deverá ser a modalidade com maior expansão no Rio Grande do Norte.

O sol a pino que castiga os sertanejos e seca, ainda mais, os reservatórios de água, poderá se tornar um aliado no desenvolvimento do Seridó e do Alto Oeste potiguar, em decorrência da elevada incidência de raios solares que poderão alimentar as fontes geradoras de energia. Não basta, porém, a força do sol para que o estado se torne destaque, assim como o é na eólica, na geração de energia solar.

De acordo com Jean Paul Prates, é preciso se estruturar para atrair mais investimentos. Acompanhe a análise na entrevista a seguir.

Qual o atual panorama da geração de energia solar no Rio Grande do Norte? Qual a potência instalada e o quantitativo de energia gerado nessa fonte atualmente?
Atualmente, o RN tem seis usinas fotovoltaicas em operação comercial, somando 117,10 MW em potência instalada. A matriz de oferta de energia do estado tem 84,76% de usinas eólicas, 2,79%  de fotovoltaicas e 12,44% de termelétricas. Há ainda duas usinas fotovoltaicas já contratadas no Rio Grande do Norte em construção, que deverão adicionar mais 66 MW até o fim deste ano. O estado tem atraído o interesse de investidores para geração de grande porte e deverá apresentar um número crescente de projetos fotovoltaicos nos próximos leilões federais. Em relação à geração distribuída, que é a mini/micro geração no consumidor final, o crescimento tem ocorrido também sendo de se destacar as 21 usinas próprias do IFRN instaladas em 17 municípios.

Em quais estados estão os maiores potenciais para exploração dessa fonte energética e quais são os mais evoluídos nesse processo exploratório? 
O mapa de potencial solar do Brasil aponta regiões como o Seridó (potiguar e paraibano) e a nossa “tromba do elefante” como áreas de insulação máxima. Mas há áreas de grande potencial em todo o Brasil. O recurso solar é bem mais difuso e capilarizado do que o vento, no Brasil. Estados como o Piauí e a Bahia têm trabalhado o desenvolvimento de seus interiores para empreendimentos solares. Mas o RN não está ficando para trás. A nossa liderança em eólica ajuda muito no processo de conhecimento do nosso território pelos empreendedores, e há também a possibilidade de viabilizar projetos híbridos (eólico-solares) de grande porte no curto prazo.

A burocracia brasileira impede que o setor se expanda mais rapidamente? Por quê e como e possível reverter esse quadro?
Não creio. O histórico de consolidação destes setores no Brasil foi até bastante rápido, e a curva de crescimento será bem acentuada nos próximos anos. Praticamente todos os estados brasileiros aderiram ao Convênio que isenta o ICMS da geração distribuída, onde 99% dos sistemas são solar-fotovoltaicos. Há linhas de crédito bem favorecidas para esta atividade também, já desenvolvidas – inclusive por bancos públicos como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil. A burocracia, no mais, é a usual de toda atividade econômica – nem maior nem menor. Já são mais de 21 mil sistemas de micro/mini geração instalados no Brasil, totalizando mais de 170 MW. Ainda são números tímidos – considerando-se o potencial imenso que o Brasil tem nesta área, mas o crescimento tem sido rápido e consistente.

A entrada do Brasil na IRENA poderá contribuir para essa transição de qual maneira e a partir de quando?
Considero a participação na IRENA um passo natural para o Brasil. Afinal, há dez anos, iniciamos este processo inédito de leilões reversos que vem ensinando ao mundo como incentivar a geração eólica e solar sem subsídios diretos. Além disso, dentre as grandes economias do mundo, o Brasil é a matriz energética mais renovável. Portanto, o Brasil tem muito a contribuir, e também tem muito a aprender, imediatamente, com os importantes projetos globais e estudos da Agência Internacional de Energia Renovável.

Em relação à formação de mão de obra para atuação nesse setor, o Brasil é bem atendido ou precisa importá-la de outros países, a exemplo do que ocorreu por muitos anos com a energia eólica?
Não creio que tenhamos que importar mão de obra, absolutamente. Apesar do crescimento acelerado nesta área, o Brasil tem plenas condições de formar pessoas para trabalhar com esta tecnologia. Entidades como o SENAI e os Institutos Federais, em todo o Brasil, assim como entidades setoriais, escolas especializadas e universidades, públicas e privadas, já oferecem uma boa quantidade de cursos teóricos e práticos a respeito. O que temos que nos preocupar é com a qualidade e a credibilidade dessas ofertas. Eu sempre recomendo que os interessados tenham cuidado ao escolher. Há muita picaretagem neste setor, devido ao rápido crescimento. Entidade sérias devem ter a prioridade na hora da escolha. Do contrário, a formação fica deficiente e o valor do certificado é posto em dúvida pelo empregador.

O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros com grande potencial na geração de energia fotovoltaica. O CERNE, em parceria com a ABSOLAR, tem algum estudo específico em relação ao estado? O que ele aponta?
Sem dúvida, do ponto de vista do recurso solar em si, o RN é um dos estados brasileiros com maior potencial. No entanto, diferentemente do que acontece com o nosso vento, que é bem diferenciado de outras regiões do Brasil e do mundo, a insulação é um fenômeno bem mais comum no território brasileiro. Isso faz com que tenhamos que nos preparar ainda melhor para oferecer boas condições para o investimento e para propiciar canais para gerar trabalho e renda na economia local. Assim como ocorre com a Abeeólica, o CERNE trabalha em constante cooperação com a ABSOLAR em várias frentes de debate e concepção de diretrizes. Atualmente, estamos trabalhando na finalização de três programas regionais: um para a região do Seridó (“Seridó Solar”), outro para o Oeste Potiguar (“Oeste Solar”) e a progressão do Projeto Rota dos Ventos, na sua frente relacionada com energia solar, para o eixo de influência da BR-406, que abrange o Mato Grande e o Litoral Norte. Estes planos regionais abrangem ações governamentais locais e também a mobilização de lideranças sociais e econômicas, visando a estabelecer condições para o investimento externo e local na cadeia industrial do setor.

Existe a possibilidade de liderarmos a produção na matriz solar assim como o fazemos na eólica. Do que isso depende?
Não. Temos que ser realistas. O nosso vento é especial e só tem comparativo no nosso vizinho Ceará, no interior da Bahia e em regiões muito específicas do Piauí, da Paraíba e de Pernambuco. Somos muito especiais em matéria de vento. Tanto que a Bloomberg [um dos principais serviços de informação econômico-financeira do mundo] há algumas semanas deu uma matéria de capa sobre o RN com uma manchete que dizia: “a melhor brisa do mundo”, referindo-se à geração eólica daqui. Em relação à energia solar, temos condições de ter um aproveitamento per capita (por habitante) muito significativo, no médio prazo. Podemos desenvolver muito o nosso interior, não só em atividades econômicas como em conforto para a vida em geral, com a geração distribuída baseada em sistemas fotovoltaicos. Mas liderar o quadro nacional de geração solar de grande porte é um desafio quase impossível diante da abundância de territórios dos nossos estados vizinhos, com mesmo potencial. Além disso, temos o fato de dependermos do escoamento para outras regiões, pois o nosso consumo volumetricamente já está plenamente atendido. Precisamos de linhas de transmissão. Em regiões como Minas Gerais e o interior de São Paulo, por exemplo, há potencial solar e eles estão dentro do mercado consumidor, praticamente. Uma coisa, no entanto, é certa: somos e seremos sempre importantes neste setor – mesmo que não sejamos os líderes isolados, como na eólica. E temos muito a fazer para honrar este potencial que temos.

Quem
Jean-Paul Prates é advogado e economista. Mestre em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade da Pennsylvania; Mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo. Participou da elaboração do marco regulatório da atual indústria do petróleo do Brasil. Foi Secretário de Estado de Energia do RN. Atualmente, dirige o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, voltado para estratégias públicas e privadas nestes setores. Preside o SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN.

FNE Sol multiplica projetos de energia renovável no Rio Grande do Norte

Somente no ano passado, investimentos das empresas potiguares com a linha de crédito chegaram perto de R$ 10 milhões

O Rio Grande do Norte foi o Estado que mais recebeu crédito do Banco do Nordeste para projetos de micro e minigeração distribuída de energia para consumo próprio dos empreendimentos, em 2017. Os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE Sol) totalizaram R$ 9,95 milhões e beneficiaram 59 clientes.

O desempenho potiguar corresponde a 22,3% das operações gerais com a linha de crédito e 21,6% dos investimentos. O FNE Sol foi lançado em meados de 2016, como forma de contribuir para a sustentabilidade ambiental da matriz energética da Região Nordeste.

A procura pela linha de crédito é crescente na rede de agências do Banco, movimento que já havia sido detectado em diagnóstico traçado pela Superintendência do BNB no RN, durante a programação do FNE 2018. O processo, que tem a participação dos principais atores econômicos do Estado, apontou para o foco dos empreendedores no “aumento da eficiência, realizando investimentos em modernização e geração própria de energia”.

 

A Superintendência do RN adotou a estratégia de estruturar, com parceiros, o mapeamento e a divulgação do FNE Sol junto aos empresários do setor de supermercados, dos meios de hospedagem e ainda discutir mecanismos de facilitação do acesso à linha de crédito para as empresas da cadeia de energia fotovoltaica (representantes, instaladores, montadores e epcistas).

“Estamos trabalhando para fazer chegar ao conhecimento dos empreendedores mais remotos as vantagens do FNE Sol. A linha de crédito está se popularizando e, com a redução das taxas de juros do FNE, as perspectivas para 2018 são as melhores possíveis”, diz o superintendente do BNB no Estado, Fabrizzio Feitosa.

RN RENOVÁVEL

De acordo com dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), o Rio Grande do Norte é autossuficiente na geração de energia elétrica desde 2014. No Estado, 84,8% da capacidade instalada vêm de usinas eólicas, 12,4% de termelétricas e 2,8% de  fotovoltaicas. A depender da atuação do Banco do Nordeste, a participação da energia solar nessa equação só tende a aumentar.

Ainda segundo o Cerne, não há uma medição da fonte fotovoltaica distribuída, para consumo próprio. Na geração centralizada, onde o empreendedor gera a energia de fonte solar para venda, o Estado tem 6 usinas fotovoltaicas em operação comercial (quatro delas ligadas no final de 2017), somando  117,10 MW. Há também duas usinas contratadas, que devem acrescentar 66 MW ao sistema fotovoltaico potiguar.

Fonte: Banco do Nordeste

Seridó potiguar se prepara para expandir energia renovável

Programa Seridó Solar almeja atrair investimentos em energia renovável para a região

A cidade de Currais Novos (RN) sediará na próxima quarta-feira (07) a instalação do Programa Regional de Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Energia do Seridó́ (“Seridó́ Solar”), que visa a criar e organizar ambientes favoráveis ao investimento na geração de energia a partir das fontes renováveis – solar e eólica.

A iniciativa do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN) e entidades parceiras nacionais e regionais começará a ser apresentada às lideranças governamentais, empresariais e rurais da região do Seridó em reunião ordinária da Associação dos Municípios do Seridó Oriental (AMSO) e da Associação dos Municípios do Seridó do RN (AMS), e prosseguirá com outras reuniões ao longo da semana, em Caicó e em Currais Novos.

Na região do Seridó, o potencial de geração de energia mais conhecido é o vento da Serra de Santana, na qual foram instaladas algumas dezenas de parques eólicos, com centenas de turbinas (aerogeradores). “Hoje, a Serra de Santana é uma das principais regiões produtoras de energia do Estado, juntamente com a região do Mato Grande e o Litoral Norte potiguar”, explica Darlan Santos, diretor setorial de energia eólica do CERNE.

Quanto à radiação solar, não chega a ser novidade para o seridoense de que se trata de um elemento abundante no seu dia a dia. No entanto, só recentemente é que o desenvolvimento tecnológico e a evolução do cenário energético global e nacional vêm fazendo do recurso solar uma fonte de energia cada vez mais competitiva.

“Há séculos o homem faz uso do calor e da luz do sol para inúmeras atividades mas, recentemente, os esforços dos países para sair da dependência do petróleo fizeram com que tecnologias para utilização de fontes renováveis se tornassem cada vez mais viáveis e acessíveis”, explica Luis Carlos Cheracomo, coordenador de área na divisão de Geração Solar Distribuída da ENGIE, uma das maiores empresas de energia do mundo, com presença em mais de 70 países.

Cadastro de Terras

Uma das iniciativas preliminares é o mapeamento das áreas com potencial energético, ou seja, áreas cujos proprietários desejam saber se serviriam ou não para a instalação de grande porte.

O site www.cadastresuaterra.com.br já permite submeter terrenos e propriedades que ficam diretamente disponíveis à consulta por parte das mais importantes empresas do setor. “É um cadastro simples, que permite que um empreendedor ou corporação energética visualize e analise uma propriedade sem necessariamente visitá-la, desde a sua sede em qualquer lugar do mundo. Mas é importante que o preenchimento seja feito com atenção especial quanto às coordenadas geográficas do terreno”, detalha o gestor de projetos do CERNE, Paulo Henrique Macedo, também ex-Secretário de Estado do Desenvolvimento Agrário à época da consolidação do setor no RN.

Mas há desafios a enfrentar como a logística de escoamento da energia (as linhas de transmissão e subestações de coleta). Para isso, o CERNE defende que a região precisa mobilizar suas lideranças e pressionar diretamente tanto o governo estadual quanto federal ao longo dos próximos dois anos, pelo menos. “O trabalho começa agora, mas os resultados efetivos só podem ser esperados a médio prazo, pois o planejamento do setor é feito em Brasília e as prioridades existem em todo o Brasil. Basicamente, quem pressiona mais, leva”, conclui o coordenador.

CERNE

O CERNE é uma entidade civil empresarial que reúne as principais empresas que investem e operam nos setores relacionados a recursos naturais e energia renovável no Nordeste.

“Somos hoje o estado líder nacional em parques eólica e potência instalada, em geração eólica efetiva e em exportação de energia eólica para o sistema nacional, graças ao processo de preparação que organizamos desde o início da nova era dos leilões federais de energia em 2008”, explica o diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, que foi Secretário de Energia do Estado entre 2007 e 2010, quando liderou o movimento de atração de investimento em energia eólica para o RN.

Os diretores e técnicos do CERNE organizaram o Programa Seridó Solar em três frentes: a primeira diz respeito à chamada geração centralizada, que são os grandes empreendimentos destinados a gerar energia para o sistema integrado nacional. A segunda e a terceira frentes dizem respeito às ações e projetos de geração distribuída, ou seja, a micro e minigeração realizadas pelos próprios consumidores finais.

“O CERNE conta com uma equipe muito competente, ética e apoiada pelas principais marcas do setor energético mundial e nacional, por isso temos a certeza de que é possível desenvolver o potencial energético do Seridó de forma inteligente, eficiente e sustentável, gerando renda local e postos de trabalho qualificados”, assegura André Medeiros, empresário local e coordenador regional do Seridó Solar.

Fonte: CERNE Press

Aneel autoriza operação comercial de parque eólico no Rio Grande do Norte

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou para operação comercial a usina eólica União dos Ventos 14, a partir de 26 de janeiro, mesma data da publicação do despacho do Diário Oficial da União. A usina compreende as unidades UG1, UG3, UG5, UG6, UG7, UG8, UG9 e UG 10, de 2.100 kW cada, somando 16.800 kW de capacidade instalada. O empreendimento é de propriedade da empresa Serveng e está localizado em Pedra Grande, no Rio Grande do Norte.

Fonte: SEERN

POTIGÁS: é o momento certo de vender?

Jean-Paul Prates*
21/JAN/2017
Diante das proposições do Governo do Estado quanto a venda de ativos estaduais, perguntam-me reiteradamente sobre a venda da Potigás.

Potigás
O Governo do Estado do Rio Grande do Norte detém, atualmente, 17% das ações da Potigás, que é a empresa concessionária exclusiva para distribuição de gás canalizado no Estado. Os demais 83% pertencem à Gaspetro (Petrobras 51%/49% Mitsui), que possui participação societária em dezenove  companhias estaduais de distribuição de gás natural no Brasil.

Dividendos
A Potigás é uma empresa superavitária que repassa anualmente dividendos para o Governo do Estado, na qualidade de seu acionista direto. Seus funcionários são todos celetistas, portanto não fazem parte da folha de servidores do Estado e não impactam as despesas do IPERN.

Funcionários
Segundo carta aberta veiculada pelo corpo de funcionários da Potigás em 10/01/2018, considerando a proporção da participação do Estado no seu capital social, “uma possível venda renderia cerca de R$ 9 milhões, segundo o último balanço patrimonial da companhia”. Além disso, segundo os funcionários da empresa, o valor referente à distribuição de dividendos ao Estado, pela Potigás, em até cinco anos, deve superar o montante que seria arrecadado com tal venda.

Pressa
Acrescento que, diante do estado de desespero em que se encontram o governo estadual e alguns parlamentares estaduais seguidores, em vista do calendário eleitoral, a venda provavelmente seria caracterizada por um processo expedito e temerário de avaliação e concorrência pública.

Preferência
Em primeiro lugar, o tempo é curto para aplicação do possível exercício de preferência pelos sócios já participantes da empresa sem prejuízo para o Estado. Este não é um processo simples, pois as condições de venda devem ser as mesmas oferecidas ao público, e se a avaliação dos ativos não é bem feita pode provocar inúmeras ações contestatórias.

Passivos e Riscos
Em segundo lugar, porque qualquer que seja o comprador, se ele não tiver condições técnicas e temporais para realizar a avaliação de todos os detalhes e riscos de tal aquisição, poderá impor cláusulas condicionantes de desconto do preço que poderiam fazer com que, ao final, o Estado receba NADA ou muito pouco pela venda!

A seguir, teço algumas considerações adicionais sobre o risco da pressa ao vender este ativo, em específico.

Progás (RN Gás Mais)
Esse subsídio de gás nunca foi do Governo do Estado e nem da Potigás, e sim da Petrobras – que, aliás, sempre quis se livrar dele. Para recapitular: o Progás era uma troca financeira entre o Governo do Estado e a  Petrobras, em que o Governo quadruplicou o preço das licenças ambientais para perfuração de poços de petróleo em troca de a Petrobras reservar gás por preço menor que o mercado para prover-se incentivo à industrialização do Estado.

Gás Incentivado
No início, o Progás foi concebido para “reservar” 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural para o incentivo às industrias, mas o Progás nunca conseguiu passar de 150 mil metros cúbicos por dia de consumo.

Saque
A dada altura, num desses reiterados momentos de desespero financeiro, o governo estadual percebeu que havia um saldo de dinheiro acumulado em licenças da Petrobras junto ao IDEMA e raspou o tacho, como sempre. Era o dinheiro do Progás, e a Petrobras ficou sem receber – gerando-se uma dívida até hoje alegada pela petroleira.

Abacaxi
Ou seja, o Progás foi desvirtuado, a Petrobras ficou com o abacaxi, e a boa intenção de atrair indústrias com gás subsidiado foi extraviada.

Desestímulo à perfuração
O mecanismo era, em si, incongruente: onerou a busca de novas reservas de gás enquanto o vendeu gás a preços subsidiados para os clientes de maior escala!  A conta não fechava, a não ser que a Petrobras realmente estivesse bancando o negócio; e isso nós sabemos que ela não pode e não quer fazer.

Novo nome, padrinho pobre
Hoje em dia, a não ser que o próprio Governo do Estado banque o subsídio (coisa também impossível), o potencial de atrair novas empresas com o Progás (ou seu sucessor rebatizado de RN-Gás-Mais) é mínimo.

Revisão Urgente
Mais uma razão para que este incentivo, bem como todos os outros, inclusive o PROADI, sejam completamente revistos e reimplementados. Devem ser re-direcionados para empresas locais, que sustentam a riqueza das regiões, e, no caso do gás e da energia renovável, principalmente para as atividades que hoje impõem real ameaça de desertificação ou outros danos ambientais por buscar fontes de calor e energia na biomassa (lenha) ou na queima de combustíveis mais poluentes. É o caso das cerâmicas,  da mineração e da carcinicultura – entre outras, por exemplo.

Parâmetros obsoletos
Além disso, não é possível mais se ter programas de incentivo fiscal à atividade industrial com base apenas no que se diz que vão gerar de empregos. Mas essa é uma outra discussão, que passa por novos critérios como investimento em infra-estrutura, capacitação, interiorização, preservação ambiental etc, já que a própria reforma trabalhista e a terceirização tornou esta estatística de “empregos gerados” bem relativa.

Saldo
Então o que aconteceu, ao longo dos mais de 20 anos de Progás? O Progás (RN-Gás-Mais) praticamente acabou. Não tenho números atuais porque acho que têm até inibição de divulgarem isso, mas creio que são menos de 8 empresas beneficiárias e não sei se alguma entrou nos últimos 3 anos. Além dele ter contribuído para a decadência da exploração e produção de petróleo e gás no nosso Estado ao longo das décadas de 90 e 2000 – já que os altíssimos preços das licenças ambientais coibiram muito o investimento nesta área – o Progás criou várias crises de saldo junto à Petrobras pois as contas de compensação não tiveram controles consistentes, e a todo tempo surgem divergências sobre quem está devendo para quem. Volta e meia, a Petrobras brande uma conta milionária à Potigás e algum dia vai querer tomar o restante de ações da empresa sem pagar, em troca da dívida – se comprovada.

Repassador 
A Potigás era um mero repassador do Gás Incentivado do Progás (nunca teve a possibilidade de gerenciá-lo), e se beneficiava de registrar vendas de volumes grandes, que, num monopólio local, significam a compensação necessária para se poder investir em áreas não tão rentáveis – como malha residencial, interiorização, etc. Nestas condições, o Progás era bom para a Potigás – embora fosse, como demonstrei, insustentável.

Investimento
Mesmo apesar de ter esta receita extra no papel, causando inveja às outras distribuidoras estaduais, a empresa sempre teve muitas dificuldades de investir, primeiro porque havia sócios privados descapitalizados, depois porque a Petrobras já não dispunha de gás na região para “massificar” suas vendas, finalmente por causa da raspagem que foi feita no próprio saldo do Progás pelo Governo.

Ativo 
A Potigás dispõe de um grande ativo: uma equipe técnica e um staff administrativo competente, unido e experiente. Isso vale muito, para um novo sócio-comprador. Tem alguma estrutura de distribuição bem planejada e aparentemente bem construída, e é só. O comprador terá que se haver com muitas distorções tarifárias históricas, e com o fato de o suprimento de gás natural ser quase uma incógnita para fins de planejamento de expansão no RN.

Mitsui
Sim, a Mitsui é a principal (e talvez única) candidata interessada, dada a sua participação bem sucedida na maioria das empresas similares na nossa região. Equipes da empresa japonesa já visitaram a Potigás diversas vezes, inclusive em 2016 e 2017. A Mitsui foi a compradora de 49% da Gaspetro, em 2015.

Momento
É um bom momento para vender? Claro que não! Em primeiro lugar, porque o vendedor está desesperado, e os potenciais compradores sabem disso pois acompanham as notícias sobre o Estado. Ninguém faz uma venda por bom preço quando está desesperado por dinheiro. Em segundo lugar porque a Potigás tem várias questões mal resolvidas que importarão em “descontos provisionais” que podem significar uma venda a preço zero ou até negativo! Além do alegado saldo do Progás em favor da Petrobras (mais de R$ 200 milhões, segundo os últimos cálculos que vi em 2015), tem outras questões em aberto como a tarifa de distribuição que deveria incidir sobre as vendas de gás para a Termoaçu (ao menos quanto aos volumes utilizados para gerar energia para o mercado) que nunca foi cobrada.

Incerteza
Portanto, em conclusão: o momento é ruim, o vendedor está desesperado e o ativo é nebuloso. Pode aparecer comprador? Sim, claro. Oportunistas estão por toda parte, e fazem o que se espera deles. Mas certamente a venda não será um bom negócio, pois o ativo sequer foi preparado para venda, saneado de uma série de inconsistências, avaliado condignamente e submetido a um planejamento estratégico com novas metas realistas e considerando o mercado atual no RN. As cláusulas contingenciais desta venda serão tantas e de tal valor que arriscamos a simplesmente entregar a empresa em troca de alegadas e judicializadas dívidas.

Eólicas investirão R$ 1,8 bilhão em 12 projetos no Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte foi o segundo estado com o maior número de projetos contratados no leilão de energias renováveis realizado nesta quarta-feira, 20, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deverá receber investimentos de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Doze, dos 240 empreendimentos inscritos no certame foram arrematados e deverão entrar em operação em seis anos. Juntos, eles terão capacidade instalada para geração de energia eólica de 310,225 megawatts (MW). No total, foram ofertados 6.939 MW de energia.  O maior número de projetos foi arrematado por empresas instaladas no Piauí – 17 parques.

O Leilão de Geração nº 04/2017 movimentou, ao todo, R$ 108 bilhões em contratos, equivalentes a um montante de 572.518.389,600/MWh de energia. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 189,45 por Mwh (megawatt hora), com deságio de 38,7% em relação aos preços-tetos estabelecidos, o que representou uma economia de R$ 68,5 bilhões para os consumidores de energia.

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O Diretor da ANEEL, Reive Barros, destacou que o resultado foi bastante satisfatório e que há um grande interesse dos investidores no setor elétrico. Além disso, enfatizou que a ANEEL acompanhará de perto o cumprimento dos contratos. “É importante que as empresas entreguem no prazo e com a qualidade desejada. Queremos evitar ao máximo a revogação de concessões que não entregaram no prazo estipulado”, reiterou.

Ao final das negociações, foram contratados 63 empreendimentos de geração, sendo 49 usinas eólicas (691,8 MW médios), seis Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs (71,3 MW médios), seis térmicas movidas a biomassa (102,6 MW médios) e duas térmicas a gás natural (1.870,9 MW médios), somando 2.736,6 MW médios de energia contratada. Ao todo, os projetos que foram contratados totalizam 2.930,9 MW médios de garantia física e as usinas deverão iniciar o fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2023.

O preço médio final do leilão para as PCH’s foi de R$ 219,20/MWh. No caso das usinas térmicas movida a biomassa, o preço médio foi de R$ 216,82/MWh, as térmicas a gás natural foram negociadas a um preço médio de R$ 213,46/MWh. Já para as usinas eólicas, o preço médio fechou em R$ 98,62/MWh.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Piauí (17 usinas), Rio Grande do Norte (12 usinas), Paraíba (9 usinas), Maranhão (4 usinas), Bahia (4 usinas), Pernambuco (3 usinas), São Paulo (3 usinas), Santa Catarina (2 usinas), Rio Grande do Sul (2 usinas), Rio de Janeiro (2 usinas), Minas Gerais (2 usinas), além de Mato Grosso, Paraná e Goiás com uma usina em cada estado.

Participaram do certame, como compradoras da energia negociada, 25 concessionárias de distribuição com destaque para a Cemig D (9,55% do total negociado), Coelba (9,1% do total) e Copel D (8,7% do total negociado). Os contratos são de 30 anos para as usinas hidrelétricas na modalidade por quantidade, 25 anos para as térmicas e 20 anos para as usinas eólicas. Os resultados completos estão disponíveis no site da CCEE.

Voltalia
O Rio Grande do Norte foi o único estado brasileiro gerador de energia eólica com projetos contemplados no leilão realizado na segunda-feira, 18, pela Aneel. A empresa francesa Voltalia, que recentemente inaugurou parques eólicos na região de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte, arrematou dois projetos no certame. Eles garantirão, quando em operação integral, a geração de 64 megawatts (MW) de potência, com investimentos estimados em R$ 355 milhões nos próximos três anos.

Bate papo com Jean Paul Prates
Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne/RN). Confira a entrevista:

Qual sua análise em relação ao resultado do leilão de A-6?
A gente percebe, pelo resultado dos dois leilões combinados, em relação à eólica, especificamente, que os portfólios estavam cheios de projetos acumulados, em função do ano passado não ter tido leilão, anteriormente também. Dava para perceber que tinha muita coisa represada, muito megawatts foram habilitados, muito mais do que saiu. Foi um vestibular muito competitivo. Isso gerou um deságio, também, bastante grande, bastante acentuado. O pessoal lidando agressivamente. Agora, ficou claro que já é visível um potencial de concentração grande do mercado de empreendedores nos leilões mais competitivos. Só quem conseguiu colocar projeto foi quem já estava operando no mercado com instalações de grande porte. Não houve, praticamente, nenhum vitorioso desenvolvedor.

E em relação aos estados?
Eu considero que o Rio Grande do Norte, diante de todas as circunstâncias e de toda a questão que foi colocada em relação à limitação das linhas de transmissão, em função desse edital ter liberado essa limitação, colocando na responsabilidade do empreendedor o risco de, eventualmente, ele não poder se conectar, o Rio Grande do Norte saiu muito bem. Porque, eu acredito que os empreendedores que colocaram projetos aqui, eles tem confiança que o estado irás superar essa limitação ao longo dos próximos seis anos. Inclusive, a Voltalia apostou até mais. O RN, diante das condições que estavam colocadas para o leilão passado e para esse, ficou bem.

O Piauí é destaque, mas não chega a ser surpreendente. Muitos portfólios estavam sendo trabalhados. O RN veio logo em seguida. Uma boa surpresa foi a Paraíba, que finalmente colocou uma potência interessante. A decepção, parcialmente, foi a Bahia. Ela tinha a limitação de linha de transmissão no leilão anterior, mas não tinha neste. A Bahia tinha uma oferta enorme de megawatts, mas colocou pouco mais de 100.

Fonte: Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

Segundo leilão deste ano deve favorecer projetos eólicos do Rio Grande do Norte

Certame admite que empreendedores assumam o risco da conexão à rede

O Rio Grande do Norte terá condições de participar com muita força de um leilão federal de energia ainda este ano. É o que conclui o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), após analisar as regras e respostas da ANEEL aos pedidos de esclarecimentos sobre os dois leilões que serão realizados em dezembro.

O primeiro leilão, a ser realizado no dia 18 de dezembro, é para entrega de energia na data de 1 de janeiro de 2021. No entanto, um segundo leilão deverá ser realizado no dia 20 de dezembro, desta vez com empreendimentos que deverão estar prontos para entregar energia num prazo de seis anos.

“Nossa equipe analisou os editais dos dois leilões, os pedidos de esclarecimentos e respectivas respostas da ANEEL, bem como as portarias e o marco regulatório em vigor. Concluímos que, se para o primeiro leilão existe uma limitação expressa de capacidade de conexão à rede, através de Nota Técnica emitida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para o segundo leilão, com prazo de entrega da energia para 6 anos, tal limitação se dilui num prazo maior para construir os parques e usinas, o que, teoricamente, nos daria mais tempo para a resolução dos gargalos na transmissão”, afirma o Presidente do SEERN, Jean-Paul Prates.

O Rio Grande do Norte habilitou cerca de 6.800 MW em potência eólica para os leilões federais deste ano. A Nota Técnica ONS 118/2017, no entanto, apontou uma “margem remanescente” de conexão às linhas de transmissão nacionais de apenas 200MW, o que deixaria o RN virtualmente de fora do Leilão A-4. No entanto, o SEERN aponta que, para o Leilão imediatamente seguinte, chamado “A-6”, o Estado poderá apresentar e viabilizar projetos livremente.

“O que verificamos, analisando os leilões tanto do ponto de vista técnico quanto jurídico-regulatório, é que o RN terá sim condições plenas de participar com todo o seu potencial de oferta de projetos no segundo leilão, dois dias depois do primeiro, e que dá um prazo de 6 anos para a construção e início de operação dos empreendimentos vencedores”, acrescenta Prates, que foi o Secretário de Energia do Estado entre 2007 e 2010.

O SEERN alerta, no entanto, que, para que tudo isso dê certo, será necessária uma mobilização estadual para que o Rio Grande do Norte seja inserido nos editais federais para construção de novas linhas. Isso por que, terá que ser passada segurança para os empreendedores de que, no prazo de seis anos, o gargalo da transmissão no RN estará resolvido.

“Pelas regras, a responsabilidade por poder se conectar ao sistema de transmissão fica inteiramente a cargo do empreendedor, que não receberá nada e poderá até ser multado se não conseguir despachar a energia no prazo, mesmo se a razão para isso for a falta de linhas de transmissão de responsabilidade de outra empresa ou do poder concedente federal”, explica Diogo Pignataro, Diretor Jurídico do SEERN.

Segundo Prates, os projetos eólicos do RN são muito competitivos devido ao alto fator de capacidade (potencial de geração eólica) alto e pelo ambiente operacional favorável (pessoal capacitado, logística favorável, acessibilidade das áreas, procedimentos e licenciamentos consolidados).  “O passivo atrasado de linhas de transmissão foi resolvido. Agora é preciso fazer o dever de casa de planejar e lutar pelas novas linhas. Uma vez removida esta preocupação com a conexão, tenho a certeza de que voltaremos a liderar o certames federais de geração, não só com eólicas como também com usinas solares, provocando uma nova onda de investimentos e empregos no Estado”, finaliza.

Fonte: SEERN Press

Aneel libera usina solar no Rio Grande do Norte para operação comercial

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou na última segunda-feira, 20 de novembro, o início da operação comercial de várias usinas nas regiões Nordeste e Sul. No Rio Grande do Norte, foram liberadas as unidades UG2 a UG18 da UFV Floresta III, de 1 MW cada, totalizando 7 MW. O complexo é composto por três usinas solares fotovoltaicas, totalizando uma área de 318 hectares, localizada na cidade de Areia Branca. A empresa responsável pelo empreendimento é a norte-americana Solar Direct.

A Aneel também liberou 29,4 MW nas unidades UG1 a UG14 da EOL Santo Inácio III, que fica em Icapuí, no estado do Ceará. Outra eólica do complexo, a EOL Santo Inácio IV, teve 23,1 MW liberados para operação através das turbinas UG1 a UG11. Ainda no Ceará a EOL São Raimundo teve as unidades UG1 a UG11, que somam 23,1 MW, foram liberadas.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Sobrecarga em linhas de transmissão deixa Rio Grande do Norte fora de leilão de energia

Sob o argumento de que “não existe capacidade remanescente para escoamento de energia elétrica em grande parte dos barramentos candidatos”, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) excluiu o Rio Grande do Norte do próximo leilão de energias renováveis, marcado para o dia 18 de dezembro, em São Paulo. O estado potiguar apresentaria, de acordo com levantamento do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne/RN), projetos para geração de, pelo menos, 800 megawatts de energia elétrica a partir dos parques eólicos. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN) avalia a possibilidade de impugnação da nota técnica eliminatória e do próprio leilão a ser realizado pela Aneel. Os prejuízos para a economia do estado, de acordo com a Sedec/RN, são incalculáveis.

O certame deste ano era o mais aguardado pelas empresas instaladas e com interesse de instalação no estado. A contratação de 800 megawatts ou mais representaria um salto de produção similar ao que ocorreu em 2010, quando foram contratados 1,5 gigawatt. Esta, porém, não é a primeira vez que a Aneel inviabiliza a participação do Rio Grande do Norte em leilões de geração de energia renovável. O mesmo ocorreu ano passado, mas a disputa acabou sendo cancelada.

“A Aneel alegou inexistência de linhas de transmissão para conexão da energia produzida, Ou seja, os mesmos motivos alegados para excluir o RN dos leilões de 2015 e 2016. Entendo que, desta feita, tais motivos não subsistem. As linhas de transmissão em referência estão em construção, sob a exclusiva responsabilidade do Governo Federal.  Uma delas, está sendo executada pela Chesf e tem prazo de conclusão prevista para o final de 2018, conforme me foi assegurado pelo Superintendente de Engenharia de Transmissão da Chesf”, declarou o titular da Sedec/RN, Flávio Azevedo.

Em nota técnica divulgada no final da semana passada, o Operador Nacional do Sistema (ONS) vinculado à Aneel, destacou que as linhas de transmissão existentes no Rio Grande do Norte operam com sobrecarga, sem potencial de absorção de mais energia. Além disso, o ONS frisou que algumas obras de linhas de transmissão outorgadas a determinados parques eólicos caducaram em setembro deste ano, tornando-se ausentes do processo. O Operador Nacional do Sistema citou, ainda, atrasos nas obras da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), responsável pela construção e operacionalização das linhas de transmissão, popularmente conhecidas como ‘linhões’.

“A outra linha, estava sendo construída por uma empresa privada que abriu falência, mas poderá ser facilmente retomada e concluída até 2019. Ora, se o leilão está contratando compra de energia para entrega em 2021 e 2023 o que impede a Aneel de considerar para efeito do cálculo da capacidade de conexão, linhas de transmissão que estarão prontas no máximo até 2019 e sob a exclusiva responsabilidade do próprio Governo Federal?”, indagou Flávio Azevedo. De acordo com a nota técnica do ONS/Aneel, o estado potiguar dispõe de apenas 200 megawatts de potência que poderão se candidatar ao próximo certame.

Edital aprovado pela Aneel
A Diretoria da ANEEL aprovou nesta terça-feira, 14, durante Reunião Pública, edital do Leilão nº 04/2017, denominado “A-4” de 2017, destinado à contratação de energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração a partir das fontes hidrelétrica, eólica, solar fotovoltaica e termelétrica a biomassa, com início de suprimento em 1º de janeiro de 2021.

O certame será realizado no dia 18/12/2017 na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. Serão negociados Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEARs) na modalidade por quantidade, com prazo de suprimento de 30 anos para empreendimentos hidrelétricos (CGH, PCH e UHE menor ou igual a 50 MW de potência instalada) e por disponibilidade, com prazo de suprimento de 20 anos, diferenciados por fontes, para empreendimentos de geração a partir de eólica, solar fotovoltaica termelétrica a biomassa.

De acordo com a decisão da Agência, será utilizado como critério de classificação a margem de escoamento da transmissão e, além disso, não poderão participar os empreendimentos que entrarem em operação comercial até a data de publicação do Edital.

Projetos
Eólico: R$ 173,76/MWh (valor mínimo para lance)

Ao todo, foram cadastrados 1.676 projetos, totalizando 47.965 MW de potência instalada. Desse montante, 954 projetos referem-se a empreendimentos eólicos, 574 de solar fotovoltaicos, 69 de PCHs, 37 de CGHs e o restante (42) de termelétricas a biomassa.

“Isso é inexplicável. É inadimíssivel”

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, tentará se reunir com representantes da Aneel para reavaliar a situação do estado. Caso contrário, acionará a Justiça para impugnar a realização do leilão de dezembro. Acompanhar na entrevista a seguir.

Há tempo de reversão desse quadro até o leilão e posterior alteração do status potiguar?
Entendo que sim. É necessário apenas recalcular a capacidade de conexão, considerando a conclusão das linhas de transmissão acima referidas.

Quais serão os reflexos dessa exclusão na economia norte-riograndense?
São graves. Os seguidos impedimentos do RN abrigar usinas produtoras de energia renovável, determinados pela Aneel, poderá afastar os investidores do nosso Estado, apesar do RN possuir as melhores condições do país para geração de energia eólica e solar, com incalculáveis prejuízos ao nosso desenvolvimento econômico e social.

Como a Sedec/RN irá atuar para reverter a decisão do ONS?
Estamos tentando reabrir o diálogo com a Aneel para, à luz do bom senso e de justificativas técnicas, as condições de participação sejam reavaliadas. Caso contrário, seremos obrigados a impugnar a Nota Técnica e, como consequência, a realização do Leilão de Contratação, o que não desejamos.

O RN tem mais de 800 MW ofertado, mas só poderá conectar 200 MW. Na prática, o que significa essa redução? Quantos parques eólicos deixarão de se instalar no RN?
Várias empresas cadastraram seus projetos no Leilão 2017, que somam essa enorme quantidade de energia. Não se pode fazer uma avaliação precisa de quantos Parques deixarão de ser instalados, pois isso dependerá do resultado do Leilão. Mas, considerando o histórico dos anos anteriores a 2015, o RN poderia ser, novamente, o maior contratante de energia do País.

O gerente-técnico da Chesf responsável pelas linhas de transmissão afirmou na segunda-feira, 13, aqui no RN, que as obras que estavam atrasadas da Chesf no estado foram entregues e estão operando, e que não há mais nenhum parque eólico no estado sem funcionar por falta de linha de transmissão. Essa informação, procede? Já que as linhas existem, o que impede o RN de continuar nos leilões?
A informação procede. O Superintendente de Engenharia de Transmissão da Chesf foi além. Afirmou que essa informação é de conhecimento da Aneel e do ONS. Mesmo assim, esses órgãos reguladores insistiram em não considerar as informações, mantendo o RN excluído do processo de contratação de energia. Isso é inexplicável e inadmissível.

Fonte: Ricardo Araújo | Tribuna do Norte

Petrobras rebaixa refinaria potiguar a ativo industrial

A Petrobras anunciou, aos trabalhadores da Unidade de Negócios do Rio Grande do Norte e Ceará (UN-RNCE) o rebaixamento da Refinaria Potiguar Clara Camarão da categoria na qual estava inserida para “Ativo Industrial de Guamaré”. A medida faz parte da reestruturação aprovada na noite da quarta-feira, 25, pelo Conselho de Administração da Petrobras. O projeto inclui áreas operacionais de exploração e produção e de refino e gás natural, o que resultará em uma economia anual estimada em R$ 35 milhões. A estatal não anunciou quais outros empreendimentos passarão por mudanças, tampouco o que será feito com a estrutura da unidade de Guamaré.

“A Refinaria Clara Camarão, do alto de suas sucessivas conquistas de aumento de capacidade, aprimoramentos técnicos, investimentos em expansão e gestão técnica e comercial especializada, deixará de ser considerada uma refinaria. Portanto, ficará totalmente excluída do Plano Estratégico e das discussões da Diretoria de Refino e Gás Natural”, declarou o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), Jean Paul Prates. Ele denuncia que a medida foi tomada pela estatal sem nenhum comunicado oficial ou diálogo com líderes políticos e empresarias do estado.

No mês passado, conforme publicizado pela própria Petrobras, a Refinaria Potiguar Clara Camarão bateu recorde de produção de querosene de aviação, o QAV.  Em agosto, foram produzidos 19.841 metros cúbicos do combustível. O volume é 8% superior ao recorde anterior, obtido em janeiro passado. Na ocasião, a estatal informou que a marca foi possível principalmente em função do aperfeiçoamento de processos promovido pelo Programa de Produção de Médios (diesel e QAV) e Gasolina, o Promega.

Para Jean Paul Prates, o recorde comprova a viabilidade técnica e financeira da Refinaria, a única produtora de querosene de aviação na região Nordeste.

“A Refinaria Potiguar Clara Camarão recebeu recentemente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP) a autorização para passar a processar 45 mil barris por dia de petróleo com possibilidade de expansão em curto prazo para 66 mil barris por dia de capacidade. Passou assim à frente da Refinaria de Manaus quando à capacidade de processamento. Uma conquista importante para o RN e que deveria ser comemorada como consolidação de uma jornada que pode levar à revitalização do setor de petróleo no estado, se devidamente trabalhada”, defendeu o presidente do SEERN.

Para Jean Paul Prates, o rebaixamento de categoria da Clara Camarão pode sinalizar o risco de fechamento da refinaria. “A exclusão dessa unidade dos planos regulares quanto ao parque de refino nacional implicará, cedo ou tarde, no fechamento dessa refinaria, que, acompanhado da redução e minimização da participação na Petrobras nos campos produtores ao longo do tempo, resultará na finalização gradual da presença da estatal brasileira no nosso estado”, disse. O presidente do SEERN fez um apelo para que a decisão da Petrobras seja revertida imediatamente e que seja mantido o status de refinaria.

“Permito-me sugerir ao governador do Estado e a seu secretariado que convoquem a bancada de parlamentares do Estado e encaminhem imediatamente à Presidência e à Diretoria da Petrobras pedido formal de esclarecimentos sobre os reais planos de investimento e estrutura de gestão da empresa no Rio Grande do Norte, em especial quanto à Refinaria Potiguar Clara Camarão”, declarou. O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, disse que foi informado da decisão da Petrobras e enviou comunicado ao governador Robinson Faria. “É um absurdo. A Petrobras explora nosso solo há anos e agora faz isso sem nenhum comunicado, sem abrir um canal de negociação. Iremos cobrar explicações”, disse.

Reestruturação
Segundo nota divulgada pela Petrobras com a reestruturação haverá redução aproximada de 11% no número de funções gerenciais e a continuidade do processo de reestruturação iniciado em junho de 2016, quando foram reduzidos aproximadamente 40% dos cargos gerenciais em áreas administrativas.

No processo de reestruturação na área de exploração e produção, a companhia redistribuiu, entre as unidades operacionais, os campos por tipo de reservatório, a fim de equilibrar a produção entre elas e potencializar projetos de desenvolvimento da produção.

Na Diretoria de Refino e Gás Natural, as principais alterações são a melhoria das estruturas das refinarias e fábricas de fertilizantes, preservando a segurança, a disponibilidade operacional e a eficiência. Além disso, haverá a criação de estruturas de segurança, meio ambiente e saúde e eficiência operacional no gás natural, com a melhoria das estruturas de suporte.

Fonte: Ricardo Araújo | Tribuna do Norte

Ceará revela potencial para eólica offshore

Os parques eólicos off-shore, com torres instaladas no leito do mar, serão, pela primeira vez, debatidos no All About Energy – Congress & Expo 2017, maior evento multissetorial de energia e sustentabilidade da América Latina, que acontece de 4 a 8 de outubro, em Fortaleza.

“Isso pode trazer um tremendo incremento para o potencial do Ceará e do Rio Grande do Norte, que têm condições geográficas favoráveis. O que nos falta é a regulação e experiência operacional”, afirma Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), um dos realizadores do evento, em parceria com a empresa All About Eventos.

All About Energy

Para esta edição, o evento, que ocorre no Terminal Marítimo do Porto do Mucuripe, terá como tema principal, o futuro da energia renovável nos cenários mundial, nacional e regional. Também serão abordados temas como o consumo sustentável, o papel da inovação e startups tecnológicas, além de simpósios com investidores globais voltados a projetos sustentáveis.

Jean-Paul Prates destaca que o grande diferencial desta edição é que o evento será voltado para o futuro e para novas tecnologias que deverão aumentar a demanda por energia elétrica. “Vamos abordar o consumo eficiente de energia, tratando de cidades inteligentes, carros elétricos, construções ecológicas, internet das coisas”, diz.

Durante o All About Energy 2017, haverá exposição de veículos elétricos, apresentação de construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores.

Nas sessões plenárias, serão realizados debates sobre energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável de energia.

Ceará

Quarto maior produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará conta hoje com 61 parques eólicos em operação, com potência instalada de 1,65 gigawatt (GW). O valor, neste momento, representa 43,6% da capacidade de geração do Estado.

E, para os próximos anos, deverão ser adicionados à matriz eólica cearense mais 950,9 megawatts (MW), provenientes de 22 parques em construção (467,5 MW) e outros 22 empreendimentos já aprovados com construção não iniciada (483,4 MW), de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com o avanço na geração eólica, o estado do Ceará deve chegar a atingir a marca de 2,6 GW de capacidade instalada nos próximos quatro anos, passando da quarta para a terceira posição entre os maiores estados produtores do Brasil.

O incremento de 0,9 GW da matriz eólica cearense até 2021 representa um crescimento de 62% do potencial do Estado, segundo projeção do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne).

Com relação à geração solar, o Ceará conta hoje com apenas um parque em operação, com 5 MW de potência instalada.

Mas a capacidade de geração fotovoltaica deverá se multiplicar por 36 vezes nos próximos anos, com a operação de seis parques já aprovados com construção não iniciada que deverão adicionar 180,0 MW de potência para esse tipo de geração, segundo a Aneel.

Para Jean-Paul Prates, o potencial eólico a ser explorado no Estado é 10 vezes maior do que é utilizado atualmente, enquanto o potencial solar ainda nem começou a se desenvolver.

Privatização

A proposta feita pelo Governo Federal de desestatização da Eletrobrás poderá aumentar a complexidade jurídica e regulatória para os diferentes segmentos do setor energético do País, como de geração e distribuição. Para Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne, uma eventual privatização da Eletrobrás poderia impactar negativamente as empresas privadas que atuam no setor.

“Entendo que alguns itens podem ser colocados para o setor privado, mas como foi colocado recentemente, a privatização do sistema Eletrobrás, acho que é muito grave”, diz o diretor-presidente do Cerne.

Prates diz ser “muito temerário” passar para a iniciativa privada o controle de um agente tão dominante no sistema elétrico Nacional, podendo inclusive prejudicar a segurança hídrica no País.

Complexidade

O diretor-presidente do Cerne, em momento de seca, por exemplo, o consumo animal pode ser preterido em favor da geração elétrica, “principalmente se você privatizar uma Chesf, Furnas ou uma Eletronorte, que controlam enormes reservatórios do País. Então é muito grave”.

Entretanto, diante da “complexidade” da medida e de suas consequências, Prates não acredita que a proposta do governo, da forma como foi posta, irá prosperar. “Vejo isso como um factóide. Acho que o próprio governo não acredita que seja capaz de fazer uma privatização dessa em um setor que influencia o controle das águas do País”, diz.

 

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral