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EPE cadastra 1080 empreendimentos para o leilão A-6 de 2018

Foi concluído nesta terça-feira (08) o cadastramento de projetos para participação no Leilão de Energia Nova “A-6” de 2018. O certame está previsto para ser realizado em 31 de agosto, com participação das fontes eólica, termelétrica e hidrelétrica, conforme anunciado pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria nº 44, de 8 de fevereiro de 2018, e complementada pela Portaria nº 121, de 4 de abril de 2018. O leilão está previsto para ser realizado em 31 de agosto, com participação de fontes eólica, hidrelétrica e termelétrica (biomassa, carvão e gás natural).

No total, foram cadastrados 1.080 projetos, somando 57.959 MW de capacidade instalada. A fonte eólica teve a com maior oferta em número de projetos cadastrados (926), sendo superada pela fonte termelétrica em potência, com mais de 29 GW. Destaque para a potência ofertada nos projetos a Gás Natural, com mais de 27 GW em 36 projetos cadastrados. O quadro a seguir apresenta os números de empreendimentos cadastrados, com informações mais detalhadas.

 

Do total de projetos cadastrados, 67% optaram por aproveitar o cadastramento oriundo do Leilão A4/2018, conforme preconizado no art. 3°, §3°, da Portaria MME nº 121/2018. Estes projetos foram dispensados da reapresentação da totalidade dos documentos, desde que mantidos inalteradas as características técnicas. Nesses casos, os empreendedores fazem todo o processo exclusivamente via sistema AEGE e eventual documentação complementar pode ser entregue por email (aege@epe.gov.br).

De acordo com análise da consultoria EPowerBay, este processo de aproveitamento de documentação vem sendo empregado nos últimos anos, e significa uma otimização do processo de análise técnica, diminuindo a necessidade de retrabalho e aumentando a eficiência do processo, tanto para os empreendedores quanto para a EPE, o que permite um cronograma mais enxuto para o leilão.

Cabe destacar que o fato de um projeto ter sido habilitado tecnicamente em um certame não acarreta em sua habilitação automática para o certame seguinte. Todos os projetos serão objeto de análise, focada principalmente em parâmetros específicos do leilão, como o cronograma, orçamento e ponto de conexão.

Com base na Portaria MME nº 102/2016, os empreendedores deverão estar atentos às datas de apresentação de documentos que podem ser apresentados após a data final de cadastramento, a saber:

  • DRDH/Outorga de água e Licença Ambiental: 80 dias antes da realização do Leilão;

  • Parecer de Acesso ou Documento de Acesso para Leilão (DAL), emitido pelas Distribuidoras: 75 dias antes da realização do Leilão;

  • Despacho de Requerimento de Outorga, emitido pela ANEEL: 75 dias antes da realização do Leilão;

  • Comprovação de disponibilidade de combustível: 75 dias antes da realização do Leilão (para Projetos a Gás Natural deve ser apresentado também o Documento emitido pela ANP); e

  • Documentos para a ANP1 (Análise de Viabilidade do fornecimento de gás natural): até 21/05/2018.

Por fim, vale ressaltar que, conforme definido na Portaria MME nº 44/2018, a demanda a ser contratada no leilão dependerá da necessidade de demanda declarada pelas distribuidoras.

Fonte: CERNE Press com informações da EPE e EPowerbay

Ceará recebe mais de R$ 878 mi em projetos de energia eólica

Estado foi o segundo maior beneficiado do País pelo banco no ano passado; recursos vêm de green bonds

Reduto da geração de energias limpas e renováveis, o Estado do Ceará foi o segundo maior beneficiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2017 em financiamento de investimentos relacionados com projetos de energia eólica. A instituição financeira captou US$ 1 bilhão no mercado internacional em green bonds, isto é, títulos de investimento voltados para projetos ambientalmente responsáveis, e aportou R$ 878,062 milhões em dois parques no Ceará.

Ontem, o BNDES divulgou pela primeira vez o Relatório Anual Green Bond, que mostra detalhes sobre os resultados da listagem de títulos verdes na Bolsa Verde de Luxemburgo. A instituição foi o primeiro banco brasileiro a emitir green bonds.

“Esses títulos promovem a reputação do BNDES no apoio à geração de energia renovável. Também consolidam a presença internacional do Banco e oferecem uma série de vantagens, tais como reforçar a prioridade atribuída à sustentabilidade socioambiental; divulgar as melhores práticas de gestão social e ambiental; e incentivar o acesso de outros emissores brasileiros ao mercado de green bonds”, afirmou o banco, na publicação.

Divisão

Para o Ceará, foram destinados R$ 652,522 milhões para a usina Rio Energy 1, em Itarema e outros R$ 225,540 milhões para o complexo Servtec 2 (Bons Ventos da Serra 2), localizado nos municípios de Ubajara e Ibiapina. Na primeira, que tem capacidade instalada de 207MW, houve redução de 66.248 toneladas deCO2 Eq ao ano. Na segunda, que ainda está em fase final de implantação e deverá operar neste ano, a capacidade de geração instalada é de 86,1 MW, e a redução prevista é de 23.292 toneladas de CO2Eq ao ano.

Segundo o BNDES, os recursos líquidos da emissão e venda dos green bonds totalizaram US$ 993.901.395 após a dedução das despesas da oferta, o correspondente a R$ 3.166.271.674.

“Os recursos foram totalmente lastreados em oito projetos de geração de energia eólica que totalizam 1.323 MW de capacidade instalada, o que corresponde a uma projeção de 421.608 toneladas de CO2 equivalente evitadas ao ano”.

O título emitido pelo BNDES no mercado internacional expira em 2024 e tem um cupom de 4,75% ao ano.

Capacidade

O secretário-adjunto de Energia da Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra), Adão Linhares, exaltou a capacidade do Ceará no cenário de geração de energia limpa, que culminou na visibilidade para investimentos no setor. “Isso é o resultado não somente do posicionamento do Estado do Ceará como um estado com condições de investimento em energia eólica confiáveis, do ponto de vista de ventos, logística, de atração de investimentos no estado, mas também da iniciativa privada. Tem muito da atuação do Estado na atração desses investimentos para cá. A situação de gargalos de linha de transmissão está deixando de existir, prova foi o resultado do leilão em abril”.

Na opinião de Linhares, a posição de destaque do Ceará acaba influenciando positivamente inclusive na captação de recursos por parte de estados vizinhos, como Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte. “Como potencial de geração de energia eólica no Ceará está se descobrindo mais agora o Interior. O Ceará é campeão em termos de potencial de geração. Tanto é de potencial bom que beneficia até os estados vizinhos, próximos às chapadas do Araripe, do Apodi e da Ibiapaba”, apontou.

Fonte: Levi Freitas | Diário do Nordeste

Chamando o vento: Bahia é destaque em leilão para instalação de parques eólicos

Total de investimento é R$ 629 milhões; 16 cidades concentram 100 usinas em operação

Segunda colocada em capacidade de geração eólica no Brasil, que tem o Rio Grande do Norte na dianteira, com 3,7 gigawatts, a Bahia surge no cenário nacional com grande potencial para liderar o setor nos próximos anos.

Isso porque o estado, hoje com 100 parques em 16 cidades e 2,59 gigawatts de capacidade instalada, obteve bons resultados em leilões que definiram a instalação de mais 2 gigawatts para os próximos quatro anos.

O último deles, na semana passada, foi o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. A Bahia, no leilão, foi o único estado que recebeu projetos do setor.

No leilão foram quatro projetos contratados pela empresa francesa EDF, com capacidade para gerar 114,4 megawatts, o equivalente ao consumo anual elétrico de 290 mil lares. O total de investimento será de R$ 629 milhões na Bahia.

Prevista para 2021, a usina ficará em Campo Formoso, Norte do estado. A região é considerada por governo e empresas do setor como a melhor para geração de energia eólica no Brasil.

Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), “o sucesso da Bahia no cenário nacional neste leilão confirma o trabalho que vem sendo realizado em parceria com o setor eólico, visando consolidar o Estado como o mais competitivo para esta fonte.”

“Políticas de atração de investimento, regularização fundiária e o relacionamento com órgãos que concedem autorizações para estes empreendimentos são a chave do sucesso da Bahia”, avalia a SDE em nota.

A construção da usina da EDF, segundo a Aneel, deve começar já em 2019 – o número de empregos diretos e indiretos a serem gerados não está definido, mas estima-se em pouco mais de mil durante esta fase.

Considerando o que já foi comercializado em leilões, incluindo-se os realizados em dezembro de 2017, serão mais 213 parques eólicos até 2023, num total de mais 4,8 gigawatts que estão em construção ou contratados.

Em expansão
Com novos leilões de 2018, este valor deve aumentar, alterando a curva de previsão para os próximos anos, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), segundo a qual a capacidade eólica total instalada hoje no Brasil é de 13 gigawatts.

No país são mais de 6.600 aerogeradores instalados em 518 parques eólicos em 12 estados – as regiões Nordeste e Sul se destacam pelas características mais favoráveis dos ventos.

Em 2017, foram gerados 40,46 terawatts/hora de energia eólica ao longo do ano, um crescimento de 26,2% em relação a 2016. Essa geração representou 7,4% de toda a geração injetada no Sistema Interligado Nacional em 2017, segundo a CCEE.

A energia gerada ano passado dá para abastecer mais de 22 milhões de residências por mês, o equivalente a cerca de 67 milhões de habitantes, maior que o Nordeste (57 milhões de pessoas).

Ao todo, está prevista até 2026 a expansão de 18.500 MW de energia eólica, sendo 84% no Nordeste e 14% no Sul. Mas o Brasil só aproveita 40% de todo o potencial esperado para os próximos oito anos, informa a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Em janeiro, de acordo com a CCEE, a geração das eólicas, que depende da incidência de ventos e da eficácia dos equipamentos, foi de 4.387 megawatts médios, sendo que a Bahia gerou 899 megawatts médios (20%).

“Além da Bahia, os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí também se destacam no Nordeste. Paraíba, Pernambuco e Sergipe também apresentam alguns projetos, mas em menor quantidade”, completa.

Mas entre os estados do Nordeste, é a Bahia que vem na dianteira da atração dos investimentos no setor, com 674,9 megawatss já contratados, e outros 1.750,85 megawatts em construção.

Enquanto isso, o Rio Grande do Norte, em terceiro na fila da atração dos investimentos, está com 467,93 megawatts contratados e 381,7 megawatts em construção. O segundo colocado é o Piauí: são 705 megawatts contratados e 207,9 megawatts em fase de construção.

Economia local
Atualmente, na Bahia, há parques em operação em Bonito, Brotas de Macaúbas, Brumado, Dom Basílio, Caetité, Cafarnaum, Campo Formoso, Casa Nova, Gentio do Ouro, Guanambi, Igaporã, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Pindaí, Sento Sé e Sobradinho.

Os parques em teste, construção ou contratados estão em Caetité, Gentio do Ouro, Igaporã, Itaguaçu da Bahia, Licínio de Almeida, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Ourolândia, Pindaí, Riacho de Santana, Sento Sé, Sobradinho, Urandi, Várzea Nova e Xique-Xique.

A cidade baiana de Sento Sé, no norte, é a que mais tem atraído investimentos no estado. Ao todo, há 45 projetos para futuros investimentos já aprovados. O município conta com um parque eólico pronto, da empresa Brennand Energia, com potência instalada de 247,45 megawatts.

Outros dois empreendimentos, ambos da Engie Brasil Energia, estão entre Sento Sé e Umburanas, cidade vizinha. O Complexo Campo Largo, com 326,7 MW de capacidade instalada em 121 aerogeradores, deve ficar pronto este ano.

Já o Complexo Eólico Umburanas, localizado no município de Umburanas e cujo projeto foi comprado no final do ano passado pela Engie Brasil Energia por R$ 15 milhões junto a Renova Energia S.A, terá capacidade instalada de 605 megawatts.

Os empreendimentos têm aumentado o caixa das prefeituras. Em Sento Sé, por exemplo, somente com Imposto Sobre Serviços (ISS) a arrecadação tem variado de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão desde maio do ano passado.

Geração de energia eólica bate recorde no Nordeste
No Nordeste, segundo a ABEEólica, a geração de energia do setor tem quebrado recordes, atendendo mais de 60% da carga em alguns dias. O último recorde de geração foi no dia 14 de setembro de 2017, com uma geração de 6.413 megawhats médio, o que representa 64% da carga do Nordeste foi atendida por geração eólica naquele dia.

“Os recordes são registrados na época que chamamos de ‘safra dos ventos’, que vai mais ou menos de julho a novembro”, diz a ABEEólica. “Outro exemplo de recorde, esse nacional, é que, no dia 16/07/2017, 12,6% da energia consumida no Brasil veio das eólicas, com fator de capacidade de 63%”, completa.

No que se refere ao consumo do Brasil todo, a associação destaca que em agosto de 2017 as eólicas atingiram pela primeira vez os dois dígitos na matriz daquele mês, abastecendo 10% do país na média do mês todo. Em setembro, esse valor foi de 11%.

Em 2016, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho, dado que se repetiu em 2017. O setor contabiliza de 1998 até hoje cerca de 195 mil postos de trabalho. O ano de 2017 encerrou com R$ 11,5 bilhões investidos no setor eólico, representando 58% dos investimentos realizados em renováveis (solar, eólica, biocombustíveis, biomassa e resíduos, PCHs e outros).

Considerando o período de 2010 a 2017, o investimento é de cerca de US$ 32 bilhões, segundo a Bloomberg New Energy Finance BNEF. Em fevereiro de 2018, o Brasil subiu mais uma posição no Ranking de Capacidade Instalada de energia eólica elaborado pelo Global World Energy Council e agora ocupa o oitavo lugar.

“A despeito de o Brasil ser o 8º colocado em capacidade instalada, o país é o 7º em termos de geração. Isso porque temos um dos melhores ventos do mundo, o que permite um aproveitamento melhor do nosso parque gerador eólico”, frisa a ABEEólica.

UF

Potência (MW)

Nº de Parques

RN

3.722,45

137

BA

2.594,54

100

CE

1.950,46

75

RS

1.831,87

80

PI

1.443,10

52

PE

781,99

34

SC

238,50

14

MA

220,80

8

PB

157,20

15

SE

34,50

1

RJ

28,05

1

PR

2,50

1

Total

13.005,95

518

Fonte: ABEEólica

Leilão A-4 deve ter baixa demanda e grande deságio, dizem especialistas

O governo realiza amanhã um leilão de energia do tipo A-4, que contratará projetos novos de geração com início do fornecimento em 2022. Enquanto há mais de 47 gigawatts (GW) em projetos cadastrados para a disputa, a demanda das distribuidoras deve ser novamente baixa, achatando os preços, como aconteceu no certame realizado em dezembro.

Segundo especialistas ouvidos pelo Valor, os preços máximos determinados para as fontes estão adequados, mas deve haver um deságio significativo devido à oferta desproporcionalmente grande em relação à demanda.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 48.713 megawatts (MW) de potência para o leilão. A fonte eólica lidera com 26,2 mil MWs e 931 projetos, seguida pela fonte solar fotovoltaica, que teve 20 mil MW cadastrados por 620 empreendimentos.

O número é parecido com o resumo dos cadastrados para o A-4 de dezembro do ano passado, que contou com 47,9 mil MW. O certame, no entanto, contratou apenas 228,7 megawatts (MW) médios e 674,5 MW de potência, muito aquém do desejado pelas indústrias de geração das fontes renováveis. A competição intensa achatou os preços, e os projetos saíram com deságios de mais de 50% em relação aos preços máximos determinados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“A tendência novamente é que os preços fiquem baixos pelo fato de termos uma oferta muito alta. O problema é que começam a aparecer preços que se descolam da realidade, não refletem a realidade da indústria”, disse uma fonte do setor de energia eólica, que prevê contratação de 300 MW médios no leilão.

Para a diretora executiva da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, o leilão deve contratar de 500 MW médios a 700 MW médios. “Nossa expectativa é que tenhamos contratação importante de solar, e, talvez um pouco menor da fonte eólica”, disse.

“O setor fotovoltaico deverá ser bastante agressivo na apresentação de preços”, disse Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Além da competição, ele citou que as fontes devem disputar a margem de escoamento da energia gerada, devido às limitações de transmissão no Nordeste. “Quando as fontes competem entre si, o preço é um fator de desempate”, explicou.

Embora as perspectivas para o leilão apontem uma contratação baixa, a disputa ainda é vista como boa oportunidade para liberar parte dos projetos de fontes renováveis no Nordeste que estão “represados” devido ao baixo volume de contratação dos últimos anos.

“Isso tem começado a impactar a economia local [do Nordeste]. Até um ano atrás não estávamos sentido esse impacto. Mas agora já começa a acontecer. Se tivermos contratações fracas no A-4 e no A-6, começaremos a ter um risco de desaceleração nessas regiões, com desmobilização de pessoal, etc. Mas Acho que esses leilões devem contratar bem. Estou com um otimismo morno”, afirmou o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates.

A EPE também cadastrou projetos de termelétricas a biomassa para o leilão, além de hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs). Segundo Thais, da Thymos, essas fontes devem ter uma participação secundária no leilão.

Segundo o presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), o leilão A-6 acaba sendo uma opção melhor para as fontes hídricas que o A-4, porque dá ao investidor um tempo maior para construir a usina.

Fonte: Camila Maia e Rodrigo Polito | Valor Econômico

Revista Recharge: O nascimento do setor eólico offshore no Brasil

A próxima geração da indústria eólica vai “surpreender o mundo pelo custo” devido aos ventos fortes, águas rasas e 600 GW de potencial, escreve Alexandre Spatuzza em São Paulo.

Em meados de 2021, a estatal petrolífera brasileira Petrobras deverá instalar a primeira turbina eólica offshore – um modelo de 5MW – em algum lugar na costa nordeste do Brasil.

Mas o projeto ainda está tão envolto em sigilo que até o órgão de licenciamento ambiental federal do país – Ibama – que recebeu o esboço do projeto em 16 de fevereiro, sabe muito pouco sobre isto.

“Vamos ter uma primeira reunião sobre isso com a Petrobras nos próximos dez dias”, disse a Recharge o porta-voz do Ibama no início de março. O que se sabe é que, em 2016, a Petrobras apresentou uma proposta a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, para construir um projeto de R$ 63 milhões (US $20 milhões), que incluía planos para ventos offshore e para estudar potenciais cadeias de suprimentos e infra-estrutura portuária.

Esse documento, posteriormente aprovado pela Aneel, veio no verso de um estudo inicial de cinco anos mapeando a velocidade do vento nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte – cujos resultados permaneceram secretos, mas que parecem ter incentivado os planos da Petrobras no setor eólico offshore.

Uma nova campanha de medição offshore ao longo da costa do Brasil, em especial o Nordeste e o Sudeste, agora está sendo conduzido graças a tecnologia Lidar e mastros meteorológicos com 93 metros de altura.

Oscar Chamberlain, Gerente Geral de P&D da Petrobras em Refino e Gás Natural, disse à Recharge que enquanto o Brasil já tem alguns dos ventos mais fortes e confiáveis ​​do mundo, particularmente nas regiões menos povoadas do interior do Nordeste, ele espera que os ventos em alto-mar sejam “mais fortes e tenham menos variabilidade do que em terra”.

O setor eólico offshore brasileiro também se beneficiaria da grande e rasa plataforma continental do país, que se estende até 40 km de distância ao longo dos 9.000 km de costa e que podem atingir profundidades de 8 a 12 metros.

E há também o fato de que 27% dos 210 milhões de brasileiros vivem em cidades litorâneas e costeiras “significa que poderíamos gerar energia perto de lugares onde há mais demanda”, diz Darlan Santos, Diretor de Energia Eólica do Cerne e pesquisador de energias renováveis ​​do RN.

Com os preços do vento offshore caindo rapidamente na Europa, discussões e estudos sobre o possibilidades do setor no Brasil estão ganhando força.

“Acho que o Brasil surpreenderá o mundo em termos de custos e preços no exterior em alguns anos”, disse à Recharge o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates. “A energia eólica offshore no Brasil é inevitável e eventualmente a questão é se seremos pegos de surpresa ou se vamos nos preparar para isso.”

As primeiras estimativas do potencial eólico offshore do Brasil são de 600 GW, até uma profundidade de 100 metros, em comparação com 350GW onshore.

Mas ainda há dúvidas sobre se o Brasil precisa ou não de vento no mar. “Há ainda muita terra barata e boa, varrida pelo vento, disponível para o desenvolvimento onshore [eólico]”, disse Élbia Silva Gannoum, Presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O Presidente da Agência Nacional de Planejamento Energético (EPE), Luiz Barroso, disse recentemente que a atividade comercial eólica offshore ainda está a muitos anos de distância. Mas isso não significa que o governo brasileiro não esteja dando apoio ao setor.

Em 2015, o Ministério de Minas e Energia reuniu um grupo para discutir como o Brasil deveria desenvolver o setor eólico offshore. Nenhum resultado foi anunciado, mas em outubro do ano passado, foi realizada uma reunião de alto nível sobre a energia eólica no escritório de planejamento estratégico da presidência – com a presença da Petrobras e empresas como GE, Siemens, Gamesa além de grupos comerciais da indústria eólica.

Prates – em seu papel de auxiliar da Senadora Federal do RN, Fatima Bezerra – reuniu uma equipe de especialistas para escrever um Projeto de Lei para regular o desenvolvimento eólico offshore, que poderá ser aprovado pelo Congresso já em 2019. Ele está propondo um esquema semelhante ao que foi visto recentemente em estados dos EUA – o governo iria realizar licitações para concessões offshore em blocos, com os licitantes vencedores tendo então até cinco anos para desenvolver um projeto e preparar-se para uma segunda licitação para contratos de compra de energia.

“Seria o que o regulador nacional de petróleo e gás (ANP) do Brasil já faz para os blocos de exploração de petróleo: investir em estudos sísmicos básicos, licenciamento ambiental preliminar; o projeto dará à ANP outra responsabilidade para que também tenha que mapear ventos e transportar estudos básicos do fundo do oceano ”, diz ele à Recharge.

É altamente improvável que a Petrobras, sendo 54% detida (e controlada) pelo governo, estaria perseguindo sua estratégia de energia eólica offshore sem suporte de políticas de alto nível.

“A Petrobras tem como uma de suas estratégias, o objetivo de se preparar para um futuro baseado em uma economia de baixo carbono”, disse Chamberlain a Recharge. “Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de alto valor agregado à empresas em energias renováveis ​​… a ideia de construir uma planta offshore piloto moverá esses objetivos estratégicos para frente, aproveitando o conhecimento da empresa para o desenvolvimento de projetos sobre transporte marítimo.”

A estatal é uma das maiores especialistas do mundo em petróleo e gás offshore – com cerca de 100 plataformas marítimas em operação no Brasil.

CTGAS-ER, um centro de pesquisa de gás e energias renováveis ​​situado no Rio Grande do Norte, mantido em conjunto pela Petrobras e pela organização de treinamento industrial Senai, desenvolverá uma campanha nacional de medição de vento; enquanto um estudo da cadeia logística já foi contratado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A Petrobras tem um histórico e experiência de trabalho offshore, então acredito que, como vimos na indústria eólica onshore, vamos perceber que o Brasil tem o know-how técnico para offshore”, disse Mario González, professor da UFRN que está liderando a projeto.

“No final do estudo, teremos informações sobre sua viabilidade econômica”.

Fonte: Recharge Brazil | Alexandre Spatuzza

Três eólicas offshore em licenciamento no Ibama

O Ibama conta atualmente com três projetos de produção de energia eólica marítima em andamento. O Brasil ainda não tem tradição neste tipo de produção de energia já que possui muita espaço para desenvolvimento da energia eólica onshore, hoje mais barata que produção marítima.

Em alguns países produtores de petróleo a produção eólica offshore atrelada a produção offshore de petróleo tem reduzido custos e trazido bons resultados. É o caso da Noruega, onde a Statoil tem investidos em projetos deste tipo.

Por aqui, a Petrobras está apostando em uma turbina piloto no campo de Ubarana, em águas rasas da Bacia Potiguar. O campo, contudo, está no programa de desinvestimentos da estatal e o projeto pode mudar de mãos.

Complexo Eólico Marítimo Asa Branca I

Map by E&P Brasil

O projeto do Complexo Eólico Marítimo Asa Branca I (400 MW) é formado por 10 (dez) Parques Eólicos Marítimos (Sabiaguaba I; Sabiaguaba II; Caetanos I; Caetanos II; Icaraizinho I; Icaraizinho II; Moitas I; Moitas II; Patos I; e Patos II), com 5 (cinco) aerogeradores cada, totalizando 50 (cinquenta) aerogeradores marítimos. Cada parque planejado ocupa 722,43 hectares, totalizando uma área marítima de 7.224,33 ha, que, somados à faixa marítima de passagem do cabo mar-terra de 230 kV, totaliza 7.243,58 hectares no litoral do município de Amontada/CE, em área com 15 km de frente ao continente por 5 km de largura, em direção ao alto-mar, a uma distância entre 3 km e 8 km da praia, com profundidades variando entre 7 e 12 metros.

O empreendimento terá a sua própria Linha de Transmissão de interesse restrito, a LT 230 kV MOITAS- PECÉM II – com 230 kV e 120 km. O projeto prevê o uso de navios-plataforma auto elevatórios de baixo calado para instalar as fundações, peças de transição, torres, naceles, pás, cabos de controle/elétricos submarinos e o enrocamento em torno das fundações. Será preciso contratar uma área portuária e retroportuária na beira do cais do porto do Pecém, de onde serão descarregados e armazenados os componentes importados.

O projeto de Asa Branca é da Eólica Brasil e começou a ser desenvolvido no início dos anos 2000. Procuramos a empresa, mas não foi possível verificar a atual situação do projeto.

Complexo Eólico Caju – Offshore

Complexo Eólico com 15 aerogeradores, totalizando 30 MW de potência instalada, localizado em Zona de transição terra-mar, no território dos municípios maranhenses de Tutoia e Araioses.

EOL Planta Piloto de Geração Eólica Offshore – 5 MW 

A Petrobras está licenciando um projeto piloto para geração eólica offshore no campo de Ubarana, na Bacia Potiguar. A petroleira vai instalar uma torre com aerogerador, uma torre anemométrica e um cabo submarino umbilical elétrico-óptico de aproximadamente 1 km de extensão a cerca de 20 km da costa de Guamaré, em uma região com lâmina d’água média entre 12 m e 16 m.

A empresa já iniciou o licenciamento ambiental do projeto. A torre do aerogerador será instalada a cerca de 1 km de distância com relação à Plataforma de Ubarana 3 (PUB-3). O aerogerador possuirá potência nominal de 5 MW e será conectado através do cabo submarino umbilical elétrico-óptico à plataforma PUB-3.

A medição da energia gerada será efetuada na própria plataforma, que já estará conectada à rede em terra quando da instalação da planta piloto de geração eólica offshore. O aerogerador será operado remotamente e os dados medidos pela torre anemométrica serão enviados via rádio para a PUB-3.

Fonte: E&P Brasil

Leilão A-4: eólicas terão preço de R$ 255/ MWh

Aneel aprova edital de certame, que vem com preço de R$ 312/ MWh para solar e R$ 329 para biomassa

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou o edital para o leilão A-4, que será realizado no próximo dia 4 de abril. No produto disponibilidade, as eólicas vão partir de um preço teto de R$ 255/ MWh; enquanto a fonte solar aparece com preço inicial de R$ 312/MWh e as térmicas a biomassa com preço de R$ 329/MWh. Já o preço Inicial do Produto Quantidade para empreendimento hidrelétrico é de R$ 291/MWh.

Os preços de referência para empreendimentos com outorga de contrato ficaram com a seguinte definição: para o empreendimento Hidrelétrico, de PCH ou CGH, R$ 214,44/MWh; para projetos eólicos, de R$ 168,17/MWh; usinas a Biomassa terão preço de referências de R$ 232,56/MWh, enquanto as solares, de R$ 280,09/MWh.

No certame serão comercializadas PCHs, CGHs, Eólicas, Solares e Térmicas movidas a biomassa. São 1.672 projetos concorrendo, em um total de 48.173 MW de potência. As usinas eólicas representam cerca de 53% da potência de projetos do leilão e a fonte solar fotovoltaica e 41%. De acordo com o diretor da Aneel, Tiago Correia, o destaque vai para o número de projetos na região Nordeste e para usinas solares que estão sediadas nos estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que somam 1,4 GW e 1,1 GW, respectivamente.

No leilão serão negociados contratos por quantidade, com período de suprimento de 30 anos para empreendimentos hídricos (CGH, PCH e UHE menor ou igual a 50 MW de potência instalada) e por disponibilidade, com prazo de suprimento de 20 anos, para projetos de geração de fonte eólica, solar fotovoltaica e termelétrica a biomassa. O início da entrega da energia está marcado para 1º de janeiro de 2022.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira | Canal Energia

EPE cadastra 1672 empreendimentos para o leilão A-4 de 2018

Foi concluído nesta sexta-feira, 05/01/2018, às 12h00, o cadastramento de projetos para participação no Leilão de Energia Nova “A-4” de 2018. Anunciado pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria nº 465, de 30 de novembro de 2017, o leilão está previsto para ser realizado em 4 de abril, com participação de fontes renováveis (eólica, biomassa, solar e hidrelétrica).

No total, foram cadastrados 1.672 projetos, totalizando 48.713 MW de capacidade instalada. A fonte eólica foi a com maior oferta cadastrada, tanto em número de projetos, com 931, como em potência total, com mais de 26 GW. Os empreendimentos fotovoltaicos também se destacaram, com 620 projetos cadastrados, superando 20 GW de capacidade instalada. O quadro a seguir apresenta os números de empreendimentos cadastrados, com informações mais detalhadas.

Do total de projetos cadastrados, 77% optaram por aproveitar o cadastramento oriundo dos Leilões de 2017, conforme preconizado no art. 2°, §2°, da Portaria MME n° 465/2017. Estes projetos foram dispensados da reapresentação da totalidade dos documentos, desde que mantidos inalteradas as características técnicas. Nesses casos, os empreendedores fazem todo o processo exclusivamente via sistema AEGE e eventual documentação complementar pode ser entregue por email (aege@epe.gov.br).

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Leilão de descontração tem forte competição no produto eólico

Teve início nesta segunda-feira (28), às 10h, o primeiro leilão reverso promovido pelo Governo Federal com objetivo de descontratar projetos de energias eólicas, solares e hidrelétricos que não iniciaram a operação em testes. Batizado de Mecanismo de Descontratação de Energia de Reserva, o certame inédito foi possível após a publicação da Portaria nº 151/2017 do Ministério de Minas e Energia (MME).

Ao contrário dos leilões de contratação, que o vencedor é aquele que oferece o menor preço pela energia, no Mecanismo de Descontratação a proposta ganhadora será aquela que oferecer o maior valor, que levará em conta o preço negociado nos respectivos leilões de reserva (vantajosidade da descontratação), associado ao pagamento de prêmio Conforme estabelecido em edital, o prêmio inicial para submissão de lance é de R$ 33,68 /MWh para os três produtos (solar, eólica e hidrelétricas) e deverá ser crescente ao longo da disputa.

Durante a tarde, o leilão de descontratação tem indicado uma forte competição no produto eólico, que está com preço corrente de R$ 219,09/MWh. O produto solar travou com preço corrente de R$ 307,42/MWh.   Não houve negociação da fonte hidráulica. O certame continua em andamento e pode acabar a qualquer momento.

O ICP Corrente reflete o preço do último projeto qualificado. O ICP corrente é a soma do lance mais o prêmio inicial, estipulado em R$ 33,68/MWh.

O certame é visto pelo mercado como uma oportunidade para empreendedores devolverem projetos que perderam a viabilidade econômica e financeira sem grandes penalizações.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Projetos de energia terão financiamento simplificado

O governo vai facilitar o processo de emissão de debêntures incentivadas para as distribuidoras de energia. Uma portaria para disciplinar a questão será publicada na edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (29).

A partir de agora, todos os projetos apresentados pelas concessionárias à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no âmbito do plano de desenvolvimento de distribuição (PDD), serão elegíveis para debêntures incentivadas (títulos de crédito, com incentivo fiscal, que as empresas vendem para financiar seus projetos”.

Até então, para conseguir emitir as debêntures incentivadas, as empresas eram obrigadas a apresentar ao Ministério de Minas e Energia (MME) cada projeto separadamente, mesmo que fossem redes de postes em um mesmo bairro. De acordo com o secretário executivo do MME, Paulo Pedrosa, a mudança será positiva, pois o governo não tinha capacidade para analisar 300 projetos ao mesmo tempo. “Isso vai viabilizar investimentos em novas tecnologias, como geração distribuída e redes inteligentes”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, comemorou a decisão. Segundo ele, esse modelo, que considera o plano apresentado à Aneel, já era utilizado nos financiamentos do BNDES. “A vantagem é que isso desburocratiza e simplifica o processo de prestação de contas”, disse Leite.

Fonte: Estadão | Anne Warth

Preço para leilão de energia em dezembro é considerado bom para investidores, dizem analistas

O leilão de reserva para contratação de novas usinas de energia solar e eólica agendado pelo governo para 16 de dezembro deverá ter sucesso em atrair investidores mesmo em meio à conjuntura econômica ainda adversa do Brasil, afirmaram especialistas à Reuters.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu na sexta-feira os preços teto para a licitação, que foram vistos como suficientes inclusive para acomodar algum risco cambial, após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas levar a uma desvalorização do real contra o dólar.

A geração das usinas solares será negociada a um máximo de 320 reais por megawatt-hora, enquanto as eólicas terão teto de 247 reais por megawatt-hora. Os vencedores do leilão fecharão contratos com duração de 20 anos e início do suprimento em julho de 2019.

“O preço está bom, é satisfatório”, disse à Reuters o presidente do conselho da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza.

A avaliação é semelhante entre os investidores de geração solar, de acordo com o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia. “O valor foi bem recebido… atrairá um volume importante de empreendedores para participar do certame… com esta sinalização positiva ao mercado, haverá forte competição.”

Os leilões de reserva são realizados pelo governo com o objetivo contratar energia extra para garantir a segurança no atendimento à demanda. Assim, o certame acontecerá mesmo em um cenário de sobreoferta de eletricidade devido à crise, o que faz com que a expectativa não seja de uma contratação muito expressiva.

Além disso, os especialistas observaram que as restrições de financiamento ainda existentes em meio à recessão brasileira limitam a entrada de empresas no certame.

“Os fundos de investimento saem favorecidos, porque já possuem dinheiro levantado, e os estrangeiros também”, afirmou o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rêgo.

Ele listou entre as favoritas na concorrência elétricas com capital estrangeiro e boa posição de caixa, como Engie e AES Tietê.

EFEITO TRUMP?

Apesar dos preços atrativos, o mercado deverá acompanhar atentamente a evolução do câmbio até o leilão, uma vez que a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas levou a uma desvalorização do real, que é negociado a 3,44 reais por dólar nesta segunda-feira, ante 3,15 reais na última terça-feira.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, disse que a alta do dólar impacta mais os projetos solares, que têm maior parcela de componentes importados, mas não deverá afastar o interesse do investidor a não ser que apareçam novas surpresas no radar.

“Tem muito investidor que está olhando… isso encarece o investimento nas plantas, claro… mas não acredito que vá atrapalhar o leilão”, disse.

Erik, da Excelência Energética, também disse acreditar que a atual taxa de câmbio não afeta a competição, mas ressaltou que esse será um ponto de atenção dos empreendedores.

“Um câmbio até 3,50 (reais por dólar) não vai mudar (o cenário para o leilão)… mas é um fator de incerteza que entrou… tem um mês ainda para ver como o dólar vai se comportar, se continuar oscilando muito o investidor pode tirar o pé”, disse.

NOVOS ESTADOS

As regras da licitação de dezembro deverão favorecer Estados até então menos visados para usinas eólicas e solares, uma vez que haverá limitação para participação na concorrência de projetos em regiões com falta de capacidade para conexão à rede de transmissão, como o Rio Grande do Norte, a Bahia e o Rio Grande do Sul.

“Posso imaginar que o Piauí vai ter parques em uma situação bastante favorável… Paraíba, Pernambuco. Maranhão tem alguma coisa também, então esses parques podem ser beneficiados nesse leilão”, disse o consultor Odilon Camargo, da certificadora de projetos Camargo Schubert.

Lauro Fiúza, da Abeeólica, também apontou o Ceará entre os Estados que devem atrair investimentos no leilão.

Decreto lista projetos prioritários do PPI nos setores de energia e de mineração

A relação abrange projetos já divulgados pelo conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)

O governo federal editou o Decreto 8.893/2016, que lista os empreendimentos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) que serão tratados como prioridade nacional nos setores de energia e de mineração. A relação está publicada no Diário Oficial da União (DOU) e abrange projetos já divulgados pelo Conselho do PPI em setembro.

Na área de energia, os empreendimentos são: 14ª rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás natural sob o regime de concessão; 4ª rodada de licitações de campos marginais de petróleo e gás natural (campos terrestres) sob o regime de concessão; 2ª segunda rodada de licitações sob o regime de partilha de produção (áreas unitizáveis); Amazonas Distribuidora de Energia; Boa Vista Energia; Companhia de Eletricidade do Acre; Companhia Energética de Alagoas; Companhia de Energia do Piauí; Centrais Elétricas de Rondônia; Usina Hidrelétrica de Volta Grande; Usina Hidrelétrica de Miranda; Usina Hidrelétrica São Simão; Usina Hidrelétrica de Pery; e Usina Hidrelétrica de Agro Trafo.

No caso dos ativos de titularidade da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), os projetos prioritários são: fosfato de Miriri, nos Estados de Pernambuco e da Paraíba; cobre, chumbo e zinco de Palmeirópolis, no Estado de Tocantins; carvão de Candiota, no Estado do Rio Grande do Sul; e cobre de Bom Jardim de Goiás, no Estado de Goiás.

O decreto ainda designa o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como responsável pela execução e pelo acompanhamento do processo de desestatização das seis companhias concessionárias de distribuição de energia elétrica, todas do Grupo Eletrobras. A coordenação e o monitoramento do processo ficarão a cargo do Ministério de Minas e Energia.

Fonte: Agência Estado

RN e Bahia tentam reverter exclusão de projetos do Leilão de Energia

Alternativas para escoamento de energia poderiam permitir a comercialização de usinas eólicas e solares no estado. ONS explicou porque não incluiu opções

Os estados da Bahia e do Rio Grande do Norte vão tentar reverter a nota técnica elaborada em pela Empresa de Pesquisa Energética, Operador Nacional do Sistema Elétrico e Agência Nacional de Energia Elétrica, que retirou os projetos eólicos e solares do próximo leilão de reserva por falta de margem para escoamento. O secretário de Desenvolvimento Econômico Jorge Hereda da Bahia, falou sobre o assunto na última quinta-feira, 13 de outubro, em Salvador (BA) na 6ª reunião do Grupo de Trabalho Bahia-Sergipe. De acordo com o governo do estado, a nota técnica não teria considerado importantes trechos já existentes de linhas de transmissão já leiloadas e com previsão de conclusão e operação comercial para os anos de 2018 e 2019.

Caso essas linhas de transmissão em destaque sejam consideradas disponíveis para escoamento de energia conforme prazo estabelecido no edital de licitação do 2º LER 2016, a Bahia teria condições de participar desta concorrência com mais de 5.300 MW. Segundo o secretário da Infraestrutura, Marcos Cavalcanti, é importante que o Ministério de Minas e Energia reavalie parâmetros que foram utilizados para os cálculos da linha de transmissão e considere um prazo mais dilatado, de cerca de 8 meses para que a Bahia possa ser novamente inserida no leilão.

No Rio Grande do Norte, a insatisfação está com o Sindicato de Empresas do Setor Energético do Estado, que em nota, pediu a reconsideração da decisão, apresentando como solução a inclusão de um barramento de ligação na SE Açu III que permitiria que o escoamento de energia no Rio Grande do Norte fosse feito com maior facilidade, permitindo ao sistema a conexão de novos empreendimentos, que podem significar 500 MW ou mais em oferta. o barramento não foi considerado na nota. Esses reforços entrariam em operação até setembro de 2017 e se conectaria com ativos da Esperanza Transmissora de Energia que foram impactados  pelo atraso nas obras da Abengoa.

O ONS explicou em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 14 de outubro, que a nota técnica foi elaborada atendendo aos critérios estabelecidos pela portaria nº 44 do MME. Segundo a portaria, só poderiam ser considerados para o leilão os projetos de transmissão com entrada em operação até 1º de janeiro de 2019. A norma considerava ainda um corte em 29 de agosto de 2016. Com isso, alguns soluções dadas pela Aneel posteriormente não foram consideradas na nota técnica.

O Operador reafirmou que os resultados do documento foram impactados pelos atrasos de obras da Abengoa, no Nordeste, e da Eletrosul, no Sul da país. No caso da Eletrosul, o projeto da LT Nova Santa Rita – Povo Novo não foi considerado porque a previsão para entrada em operação do empreendimento é março de 2019. A data foi aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

No que se refere ao Nordeste, a Aneel autorizou obras nas subestações Gilbués II, no Piauí, e Barreiras II, na Bahia. “Essas obras, se concretizadas, poderão trazer, no futuro, margem de escoamento, beneficiando, principalmente, o estado da Bahia, onde atualmente a capacidade é nula”, afirmou o ONS em nota.

Para o Rio Grande do Norte, a Aneel propôs que a Esperanza Transmissora de Energia assuma parte das obras da Abengoa. Isso porque os projetos da própria Esperanza, no caso, a LT Açu III – João Câmara III C1 e a LT Açu III – Quixadá C1, com previsão de entrada em operação em 5 de setembro de 2017, são impactados pelas obras em atraso da Abengoa (Subestação Açu III e a LT Açu III – Milagres II).

Fonte: Alexandre Canazio e Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

Projetos de geração de energia podem ter receita atrelada ao dólar

O governo federal está avaliando a possibilidade de oferecer contratos de geração de energia elétrica no país com receita atrelada à variação do dólar, com a possibilidade de se obter recursos a custos mais baixos e atrair mais investidores estrangeiros, que não correriam o risco cambial.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, apresentou a proposta em evento em Brasília nesta quinta-feira (29). Ele citou o Chile, que chegou a contratar energia solar com o menor valor do mundo neste ano, como exemplo de benefício desse tipo de contratação. Segundo Barroso, os contratos em dólar permitiram empréstimos com custo de 1,5% ao ano, o que “faz toda a diferença”.

“Estou propondo pensar fora da caixa, a gente quer discutir. Ninguém quer indexar a economia, mas queremos fazer a análise, se o custo disso é maior do que o benefício”, disse Barroso, em encontro promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).

O secretário do Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, confirmou que o tema está em análise no governo federal.

“Todos os dias avaliamos quais são as possibilidades que existem para tornar o ambiente mais favorável à atração de investimentos. Então essa foi uma possibilidade”, disse Azevedo, quando questionado sobre a proposta.

Investidores estrangeiros têm feito esse pleito junto ao governo, que busca uma maior participação de fundos internacionais na expansão da infraestrutura nacional. Barroso lembrou que o custo de geração da energia térmica a gás já tem correlações com o preço do câmbio, uma vez que o gás natural é negociado com parâmetros internacionais.

Fonte: Full Energy

RN é o segundo colocado em número de projetos eólicos

O Rio Grande do Norte é o segundo estado do Brasil com maior número de projetos para leilão eólico e fotovoltaico no Brasil registrados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dos 1.260 projetos que somam 35.147 MW de potência habilitável entre 14 estados, o RN tem 281 projetos que vão gerar 7.195 MW, atrás da Bahia com 350 projetos e geração de 9.535 MW de potência de energia.

Segundo informações divulgadas na última sexta-feira (23) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vão a leilão 223 projetos eólicos no RN que devem gerar 5.555 MW de potência e 58 voltaicos com 1.640 MW. A Bahia, primeiro em número de projetos, apresentou  249 projetos eólicos (6.380 MW) e 101 fotovoltaicos (3.155 MW).

A Aneel aprovou na sexta (23) a abertura de audiência pública por intercâmbio documental para receber contribuições ao edital do 2º Leilão de Energia de Reserva – 2º LER de 2016, destinado à contratação de energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração, a partir das fontes solar fotovoltaica e eólica, com início de suprimento de energia elétrica dia 1º de julho de 2019.

O documento da Aneel segue as diretrizes da Portaria104/2016, do Ministério de Minas e Energia – MME. O leilão está previsto para o dia 16 de dezembro deste ano, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo e serão negociados Contratos de Energia de Reserva (CER) na modalidade por quantidade de energia, com prazo de suprimento de vinte anos por fonte.

Recorde

No dia 10 de setembro passado, o Rio Grande do Norte bateu a marca recorde dos 3GW de potência eólica instalada. Isso aconteceu depois que o parque eólico Vila Pará I, localizado no município de Serra do Mel, entrou em operação. O estado foi o primeiro no país de organizar seu setor eólico.

O parque eólico Vila Pará I é de propriedade da empresa francesa Voltalia. Os dados são do Departamento de Pesquisas do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Com a marca, o estado chega a uma capacidade efetiva de 3.008,76 MW, o que representa 31,86% de toda a capacidade eólica instalada no Brasil, segundo o Cerne.  No total, o RN tem 1.562 aerogeradores em funcionamento, distribuídos em 110 usinas instaladas por todo o Estado.

Os municípios de João Câmara e Parazinho são os que mais concentram atividade eólica e, juntos, geram mais de 1000MW em 46 parques eólicos.Ao todo, a energia eólica representa entre 10 e 12 bilhões de dólares em investimentos somente no Estado. Aproximadamente 1/3 desse valor é formado por investimentos locais.

Leilão será sinal de alerta, diz Jean-Paul Prates

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jeal-Paul Prates, disse que a marcação do leilão para dezembro e o fato de a Bahia estar na frente do Rio Grande do Norte em número de projetos não é motivo de preocupações maiores. “Esta é mais uma oportunidade de colocar a energia eólica em posição importante na matriz energética brasileira”, comemorou.

A Bahia estar na frente faz parte de uma preparação deles para atrair mais projetos, ressaltou Jean-Paul Prates, e espera-se que mais à frente, a concorrência entre os estados aumente, o que é uma situação normal de mercado, explicou. O Ceará e o Piauí também começam a se organizar para apresentar mais projetos. “São as novas fronteiras para o setor”, complementou. No caso da Bahia, segundo ele, os projetos são localizados mais para o interior do estado e, geralmente, são mais baratos que os que se concentram no litoral como no RN, comparou.

Agora, o Rio Grande do Norte tem que começar a enfrentar desafios dentro do próprio estado para garantir competitividade e atrair mais projetos, disse o diretor-presidente do Cerne. Segundo ele, o estado tem que acompanhar os projetos já implantados, desburocratizar problemas como a cobrança de taxas cartoriais que por aqui ainda são díspares e as empresas terminam arrendamento as áreas para instalação a preços mais elevados que os estados vizinhos, principalmente, nesta fase de prospecção dos projetos.

A EPE exige que todo projeto para ir a leilão tenha a área definida e, por causa das tarifas cartoriais, as empresas acabam arrendando áreas menores para averbação.  Não existe no RN parâmetros definidos para as medidas e isso leva empresas a procurarem os estados onde os preços são definidos.

Termômetro

Um dos termômetros sobre a competitividade serão os leilões em dezembro. Dependendo do número de projetos comercializados. Caso o volume do RN seja baixo, aí sim, é hora de ligar o sinal de alerta e ver o que está acontecendo, apontou Jean-Paul Prates. Segundo ele, além das questões cartoriais, é preciso acompanhar e manter a vigilância sobre o cumprimento de prazos para instalação das linhas de transmissão e atuar ativamente no planejamento de novas linhas. “Isso é fundamental para o estado não ser descartado”, avaliou.

A Energia de Reserva é a demanda destinada a aumentar a segurança no fornecimento de energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional – SIN. Esta energia adicional é contratada por meio de Leilões de Energia de Reserva – LER e busca restaurar o equilíbrio entre as garantias físicas atribuídas às usinas geradoras e a garantia física total do sistema, sem que haja impacto nos contratos existentes e nos direitos das usinas geradoras. A contratação desta energia tem por objetivo, ainda, reduzir os riscos de desequilíbrio entre a oferta e demanda de energia elétrica. Tais riscos decorrem, principalmente, de atrasos imprevisíveis de obras, ocorrência de hidrologias muito críticas e indisponibilidade de usinas geradoras.

Fonte: Novo Jornal

Governo lança 25 novos projetos de concessão para energia, transporte e saneamento

Nesta terça-feira (13), o governo federal lançou o novo pacote com 25 projetos de infraestrutura envolvendo os setores de transportes, energia e saneamento. Os projetos são a primeira leva do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). Dentro do pacote, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil tem 11 empreendimentos, sendo quatro aeroportos, dois terminais portuários, duas rodovias e três ferrovias, totalizando R$ 36,6 bilhões em investimentos.

Os aeroportos que serão concedidos são o de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre. Os editais serão publicados até o fim deste ano e os leilões estão previstos para o 1º trimestre de 2017. No total, os aeroportos receberão investimento de R$ 6,5 bilhões. Na área de portos, os terminais de combustíveis de Santarém (04 e 05) e o terminal de Trigo do Rio de Janeiro terão investimentos estimados de R$ 92,6 milhões e os leilões devem acontecer no 2º trimestre de 2017.

Na área de rodovias são dois projetos, a BR-364/365 (entre Goiás e Minas Gerais) e as BR-101/116/290/386 (no Rio Grande do Sul). São esperados investimentos da ordem de R$ 14,8 bilhões. Entre as ferrovias estão a Norte-Sul (entre Tocantins e São Paulo), Ferrogrão (Mato Grosso e Pará) e a Integração Leste-Oeste (de Ilhéus a Caetité na Bahia), com investimentos de R$ 14,3 bilhões. As datas dos leilões dos trechos rodoviários e ferroviários devem ocorrer no segundo semestre do próximo ano.

Os editais começam a ser publicados no fim deste ano e todos os leilões estão previstos para o ano que vem. Embora tenha definido novos modelos de concessão para cada modal de transporte, com o objetivo de aumentar a atratividade dos negócios e facilitar o financiamento dos empreendimentos, as regras das concessões só serão definidas em detalhes com a publicação dos editais.

Conheça as principais novidades nos modelos das concessões, a agenda de lançamento dos editais e leilões e clique em cada um dos projetos para conhecê-los em detalhes:

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EPE cadastra 35.147 MW em projetos de energias eólica e solar para 2º Leilão de Reserva

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 1.260 empreendimentos de geração de energia eólica e solar fotovoltaica para o 2o Leilão de Energia de Reserva 2016 (2o LER), sendo 841 projetos eólicos e 419 fotovoltaicos, somando 35.147 Megawatts de potência instalada.

A Bahia e o Rio Grande do Norte lideram a oferta de projetos, tanto de geração de energia eólica como solar fotovoltaica. A Bahia cadastrou 240 projetos eólicos, com um total de 6.380 MW, e 101 com a energia do sol que totalizam 3.155 MW de potência instalada. O Rio Grande do Norte teve 223 empreendimentos eólicos cadastrados, ou 5.555 MW, além d 58 de energia solar, com 1.640 MW.

O cadastramento de um projeto é o primeiro passo para permitir sua participação no leilão. A habilitação técnica depende da comprovação da capacidade de escoamento da sua potência associada ao Sistema Interligado Nacional – SIN.

De acordo com o Artigo 14 da Portaria MME 104/2016, não será habilitado “o empreendimento de geração cujo Ponto de Conexão ao SIN tenha capacidade de escoamento inferior à sua potência injetada, observado o prazo para alteração do Ponto de Conexão.” Após a habilitação técnica é feito ainda o aporte de garantias financeiras para a efetiva participação no leilão.

O leilão está previsto para ocorrer no dia 16 de dezembro de 2016. O 1º LER, que fará oferta apenas de energia hidrelétrica, está marcado para o dia 23 de setembro.

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Fonte: EPE | Imagens: Reprodução EPE

 

EPE cadastra 1.192 projetos eólicos e fotovoltaicos para 2º leilão de reserva

A Empresa de Pesquisa Energética cadastrou 1.192 projetos para o 2º Leilão de Reserva, previsto para ocorrer no dia 28 de outubro. Ao todo são 799 projetos de energia eólica e 393 de energia solar fotovoltaica, somando 33.225 MW em capacidade instalada. A Bahia é o estado com a maior oferta de projetos eólicos, com 242 empreendimentos, que totalizam 6.216 MW em capacidade instalada. O estado ainda tem 97 projetos fotovoltaicos com 2.855 MW.

O Rio Grande do Norte aparece em segundo lugar, com 206 projetos eólicos, que somam 5.118 MW, e 56 fotovoltaicos, com 1.610 MW. O Rio Grande do Sul tem 127 projetos eólicos com 3.087 MW e o Ceará, 71 projetos eólicos (1.955 MW) e 26 fotovoltaicos (746 MW). No mato Grosso do Sul foram cadastrados 1.220 MW de 221 projetos fotovoltaicos. Além destes estados, ainda existem projetos cadastrados no Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Um primeiro LER estava marcado para acontecer em julho, mas não ocorrerá, segundo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Ele disse, no entanto, que o leilão de outubro estaria mantido. De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Eduardo Azevedo, leilão continuará sendo do tipo reserva e deverá contar com as fontes solar e eólica. Portaria com as diretrizes do leilão deverá ser publicada em um mês.

Confira tabela divulgada pela EPE com número de projetos cadastrados por estado:

tabela epe leilão de reserva 2016 (julho 2016)

Fonte: Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

RN cadastra usinas solares e PCH em leilão de energia de reserva

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 428 projetos para o 1º Leilão de Energia de Reserva. O leilão está marcado para 29 de julho. Ao todo, esses projetos representam oferta de 10.195 megawatts (MW) de potência instalada, distribuída entre 19 estados. O Rio Grande do Norte está na lista dos inscritos. Há 33 projetos de energia solar, com oferta de 960 MW, e uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), de 5 MW, cadastrados no estado.

Empreendimentos de energia solar fotovoltaica se destacaram no cadastramento, totalizando 9.210 MW da energia ofertada, em 295 projetos – considerando todos os estados. Também se cadastraram 73 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), com 889 MW, e 60 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), com 96 MW.

Do total referente à energia solar, 61 empreendimentos são na Bahia, somando 1.593 MW. O Estado do Piauí é o segundo maior em volume de energia solar ofertada, com 42 projetos e 1.430 MW; seguido por São Paulo, com 44 projetos e 1.328 MW. A EPE esclarece, no entanto, que todos esses projetos ainda terão de passar pela fase de habilitação para poderem participar do leilão.

A lista de projetos cadastrado foi divulgada uma semana após um outro leilão em que não havia fonte solar, mas em que as Pequenas Centrais Hidrelétricas foram destaque. O leilão contratou energia de 29 empreendimentos, com potência total de 278,471 MW e 158,1 MW médios de garantia física.  Vinte eram PCHs, sete termelétricas a biomassa e uma usina termelétrica a partir de gás natural em ciclo combinado.

Diferente do esperado por boa parte do mercado, não houve a comercialização de energia eólica, que respondia pela maior parte da energia habilitada para o certame. A lista de projetos aprovados incluía 693 de energia eólica, dos quais 174 estavam no Rio Grande do Norte e somavam 4.169 MW. O estado teve a segunda maior presença entre os estados, atrás da Bahia, com 246 eólicas e 5.979 MW.

Para o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN e do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, há duas causas principais por trás do desempenho do setor eólico: “A desaceleração da demanda por energia e uma dinâmica para priorizar PCHs e usinas de biomassa, que, diante dos preços mais competitivos que as eólicas vinham atingindo nos últimos leilões, estavam encalhadas”.

Fonte: Tribuna do Norte | Agência Estado

Projeto deve levar energia solar e eólica para 10 mil indígenas

O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e a Universidade Federal do Maranhão, anunciou na última quarta-feira (9) a instalação de um sistema de geração de energia eólica e solar para abastecer comunidades tradicionais da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O projeto, batizado de Cruviana, integra o programa Luz para Todos do governo federal.

Os estudos para concretizar o projeto estão em processo desde 2010, e o nome Cruviana vem de uma palavra indígena popular que designa os ventos úmidos e frios das madrugadas amazônicas. A ideia de utilizar energias limpas e de baixo impacto ambiental surgiu como alternativa a projetos envolvendo hidrelétricas, que causam impactos nefastos, como inundação de grandes áreas, prejudicando fauna e flora local, e obrigando comunidades a se deslocarem de locais, muitas vezes, considerados sagrados.

A maior parte das comunidades que devem ser atendidas pelo Cruviana utilizam, atualmente, geradores à diesel. Estima-se que a economia gerada pelo projeto chegue a, pelo menos, 20 mil litros do combustível fóssil. Evitar a queima em larga escala do diesel também significa evitar uma grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa.

O governo afirmou que deve iniciar imediatamente a implantação do programa. De acordo com determinação do MME, a Companhia Energética de Roraima (CERR) deve elaborar um documento com o planejamento das ações em até 30 dias. Está previsto um investimento total de R$ 2,5 milhões para cada usina a ser construída. Os recursos são oriundos do programa Luz para Todos.

A expectativa para o início da geração de energia elétrica é para 2017. Após apresentado o projeto da CERR, a Fundação Nacional do Índio (Funai) irá realizar uma consulta pública nas comunidades locais para que eles aprovem e opinem no projeto. Caso seja aprovado, as obras devem iniciar no segundo semestre deste ano. A capacidade de produção energética esperada pelas entidades envolvidas é de que até 10 mil pessoas sejam beneficiadas em aproximadamente 100 comunidades tradicionais.

A resposta positiva por parte das comunidades já é esperada, visto que, de acordo com a CIR, as lideranças indígenas da Raposa Serra do Sol aprovam a instalação de instrumentos de geração de energia através do vento e do sol. Em maio de 2014, foi realizado o “2º Seminário de Energias Alternativas da Terra Indígena Serra Raposa do Sol”, que formalizou o apoio dos tuxauas (caciques) locais ao projeto Cruviana.

Fonte: Portal Rede Brasil Atual