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CERNE participa de workshop na EPE

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) participou ontem (02) de um workshop para debater a questão da eólica offshore no Brasil. O evento foi realizado na sede da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Rio de Janeiro. Na ocasião, o Diretor Presidente do CERNE, Darlan Santos, apresentou o histórico de atuação da entidade no Nordeste Setentrional e ressaltou que o CERNE já se adiantou a esse assunto e desde 2018 discute o tema, tendo formado uma comissão que estuda e desenvolve uma proposta para a regulamentação da eólica offshore no país.

O evento contou com mais de 100 participantes, que lotaram o auditório da EPE,  reunindo os mais diversos setores, como academia, associações de classe, agências de cooperação internacional, instituições governamentais, pesquisadores, consultores e empreendedores do setor eólico onshore e offshore.

Foto: CERNE Press

No decorrer do evento, foram apresentados os resultados preliminares dos estudos de potencial eólico marítimo que estão sendo desenvolvidos pela EPE. Estes estudos fazem parte do Roadmap, que tem a finalidade de identificar oportunidades, barreiras e caminhos para que a energia eólica marítima possa ter condições de competição com as demais alternativas de geração de energia elétrica no Brasil. Assim, poderá auxiliar o aperfeiçoamento de políticas e esclarecimento da regulação aplicável a esse tipo de projeto.

O evento foi organizado pela Empresa de Pesquisa Energética, com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por intermédio da GIZ e teve parceria do CERNE.

Fonte: CERNE Press

Eólicas offshore: marco regulatório em 2019

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) prepara estudo para a criação de um marco regulatório para a exploração de eólicas offshore (turbinas instaladas no oceano). O documento será publicado até o fim do primeiro semestre de 2019. A partir desse estudo deve ser criado projeto de lei com modelos de comercialização, processo de licenciamento ambiental, conexão das usinas e concessões de áreas marítimas.

O presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, suplente da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), diz que uma das principais questões é sobre o uso de áreas marítimas. Na visão de Jean-Paul, são necessárias diretrizes gerais sobre como os empreendedores terão acesso aos blocos. Uma das saídas seria a utilização da expertise e estrutura da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O Ibama também possui um pré-zoneamento que pode ser aproveitado.

Levantamento sobre o potencial de exploração nos litorais do Ceará e Rio Grande do Norte revela que a velocidade dos ventos chega a 9,5 metros por segundo. O Cerne considera que seria viável instalar até 2 GW de projetos de energia no litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará até 2025.

Fonte: Neila Fontenelle | O Povo

CERNE participa de lançamento do Centro de Pesquisa em Energia Fotovoltaica

Campus Natal-Central do IFRN lança Centro de Pesquisa em Energia Fotovoltaica. Após instalação de usinas solares em todas as unidades, a meta da instituição de ensino é se tornar produtor de tecnologia.

O diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira, esteve presente na última quinta-feira (22) na cerimônia de inauguração do Centro de Pesquisa em Energia Solar Fotovoltaica do IFRN, instalado no Campus Natal-Central do Instituto.

Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira (à esq.). Foto: Jônatas Moura

O lançamento aconteceu no miniauditório do Campus e contou com a presença do reitor Wyllys Farkatt, do diretor-geral Arnóbio de Araújo Filho e do ouvidor Belchior Rocha que deu início ao projeto IFRN Solar na sua gestão como reitor, de 2009 a 2016. Esteve presente também o superintendente da Funcern, Jairo Santos.

O  reitor Wyllys Farkatt reforçou o objetivo do Centro: atuar no nível da pesquisa para o desenvolvimento tecnológico e complementação da formação dos alunos. “Nosso objetivo é virar referência como produtores de inovação na área. Com as usinas de energia solar, já somos protagonistas”, enfatizou.

“É muito importante estar presente, pois estreitamos ainda mais os nossos laços de parceria com o IFRN”, destacou o diretor setorial do CERNE, Olavo Oliveira.  “Fomos citados nominalmente pelos líderes do Instituto como importantes colaboradores e grandes parceiros nesses últimos anos”, concluiu.

O IFRN possui 21 usinas, com a marca dos 2.139 kWp de potência conectada à rede da Cosern. A produção de energia elétrica é convertida em desconto proporcional na conta de luz da Instituição. Com isso, a economia deve ser de um milhão e 300 mil reais por ano. O investimento foi de quase 17 milhões de reais, mas as usinas têm um tempo estimado de funcionamento de 30 anos, podendo ser mais que isso e sem custos de manutenção.

Fonte: CERNE Press

Comissão aprova proposta que incentiva pesquisas em energias renováveis

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou um projeto para estimular a pesquisa e a inovação em fontes alternativas de energia. Os recursos devem sair do setor de petróleo e gás e das concessionárias do setor energético, que já são contratualmente obrigadas a destinar verbas às áreas de desenvolvimento e inovação. A matéria segue para a Comissão de Infraestrutura (CI).

A intenção do senador Cristovam Buarque (PPS-DF), autor do Projeto de Lei do Senado (PLS) 696/2015, é direcionar parte dos recursos que distribuidoras, geradoras e transmissoras de energia elétrica já são obrigadas a aplicar em pesquisa e desenvolvimento aos projetos relacionados a fontes de geração de energia alternativa e renovável. Entre elas, redes elétricas inteligentes, armazenamento de energia, eficiência energética, tecnologia de baixo carbono e a fontes eólica, solar, biomassa, hídrica, cogeração qualificada e maremotriz.

O relator da proposta, senador Roberto Requião (PMDB-PR), apresentou substitutivo (texto alternativo) com algumas alterações, entre elas, a definição de percentuais que as empresas devem aplicar na pesquisa de fontes alternativas de energia.

De acordo com o substitutivo, 40% dos recursos destinados ao desenvolvimento e à inovação devem ser investidos em fontes alternativas até 2020. O percentual cai para 35% até 2025; 30% até 2030; e 25% até 2039.

As concessionárias de petróleo e gás natural também passarão a ser obrigadas a investir em pesquisa no setor energético, com destinação de até 1% da receita bruta da produção do campo de petróleo ou de gás. A destinação exclusiva para o investimento em energia alternativa segue os mesmos percentuais determinados para o setor energético.

– O projeto busca canalizar recursos para que se desenvolva tecnologia de ponta para alavancar o desenvolvimento de energias renováveis e limpas. As alterações não impactam a tarifa de energia elétrica, tampouco o preço dos combustíveis ao consumidor final. Afirmo isso em face da já existente obrigação contratual ou legal de investimento mínimo em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas – afirmou Requião.

Fonte: Agência Senado

Segunda Edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar está disponível para download

O Brasil tem grande potencial de geração de energia solar não explorado no chamado Cinturão Solar, área que vai do Nordeste ao Pantanal, incluindo o norte de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte e o nordeste de São Paulo. É o que indica a segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A nova edição utilizou informações levantadas durante 17 anos. Os dados informam a quantidade e a disponibilidade da radiação solar, e a variação de potência dos raios, como os fatores climáticos – notadamente a presença de nuvens – que influenciam a disponibilidade e a influência da topografia para a incidência dos feixes de luz solar.

A primeira versão do Atlas, produzida pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em 2006, com dados compilados ao longo de dez anos, já apontava esse potencial de expansão. Agora, a quantidade de material obtido por meio de satélites permitiu uma análise mais profunda sobre a real capacidade do País.

Segundo o coordenador dos estudos, Enio Pereira, o Atlas contribuirá para a tomada de decisões estratégicas nas políticas públicas do setor de energia elétrica, além de investimentos privados e outros estudos. “Para você usar qualquer forma de energia, tem de conhecer a disponibilidade dela”, explica o físico, que atua no Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe.

Atualmente, a participação da fonte solar na matriz energética brasileira representa apenas 0,02% do total produzido no País. ”O potencial para gerar energia solar no Brasil é gigantesco, especialmente no Cinturão Solar. Toda essa área tem um potencial enorme de geração, porque tem incidência de muita luz solar e durante um longo período, especialmente entre maio e setembro, que é uma época de seca na maior parte desse território”, afirma o físico.

Entraves

Um dos desafios encontrados pelo setor é conseguir manter a produção diante das variabilidades das condições atmosféricas, como em dias chuvosos ou com alta nebulosidade. Esse é considerado um entrave-chave para a expansão da produção solar, especialmente na comparação com a fonte hidrelétrica.

“A hidrelétrica, tendo água, você consegue programar de forma constante a sua produção. Na solar, você não tem controle de quanto vai gerar porque tem uma nuvem passando. É uma energia que varia muito com o tempo. Essa é uma questão que deve ser resolvida”, diz Enio Pereira.

A alternativa apontada pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar para resolver esse problema é distribuir a produção. Assim, é possível manter o volume de geração, mesmo que determinada área não tenha condições de gerar energia. Ele alerta, porém, que ainda há um longo caminho a ser trilhado para garantir uma técnica eficiente de produção.

Para produzir o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o Inpe contou com a participação de pesquisadores de várias instituições brasileiras, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Serão produzidas 1.500 cópias do estudo, que serão distribuídas para instituições do setor.

Para fazer download do atlas de energia solar acesse aqui

Fonte: MCTIC

Políticas públicas e financiamento para a inovação enfrentam desafios no Brasil

Em um período de desafios para a economia brasileira, a inovação tem sido um elemento-chave para o sucesso de muitas empresas e instituições tanto da esfera pública quanto privada. Nesse sentido, a inovação vem desenvolvendo um papel cada vez mais importante no setor elétrico brasileiro.

Durante a sessão de abertura do Encontro da Inovação no Setor Elétrico, evento nacional realizado na quinta-feira (9) em Natal-RN, o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, destacou que está em tramitação um Projeto de Lei que pretende fomentar a inovação no segmento renovável.

“A Lei do Senado nº 696/2015 visa determinar o uso obrigatório de recursos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) pela indústria do petróleo e pela indústria elétrica em fontes alternativas de energia”, explicou Prates. A medida prevê que 1% da receita gerada pela indústria fóssil seja destinada a P&D em fontes renováveis.

A criação de uma política pública de apoio e fomento a inovação foi um dos pontos levantados pelo diretor da empresa de consultoria Eolus, Rafael Valverde. Segundo ele, ainda há déficit de uma infraestrutura tecnológica: “Existe uma carência em um ambiente qualificado para o desenvolvimento da inovação”, afirmou.

Financiamento e apoio

Em relação a financiamentos, as instituições bancárias estão analisando a criação de novos modelos de crédito para P&D. “É importante criarmos um espaço de apoio a iniciativas inovadoras que criem soluções capazes de contribuir com a economia regional”, disse o gerente regional do Banco do Nordeste, Thiago Dantas. Ele destacou que a instituição está estudando linhas de financiamentos para empresas start-ups.

As entidades que atuam no setor elétrico têm destinado parte de seus recursos em inovação. Desde 2008, foram aplicados mais de R$216 milhões em projetos finalizados e submetidos à avaliação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regularmente abre editais de chamada para financiamento de projetos inovadores.

“Trata-se de recursos financiados pelo consumidor e, como todo investimento, deverá ter retorno para quem investe”, pontuou o especialista em regulação da Aneel, Fabio Stacke.

P&D

O gerente de inovação da Eletrobras Furnas, Nelson Araújo, apresentou os projetos de inovação sustentável desenvolvidos pela companhia. Um deles, realizado em parceria com a Coppe/UFRJ, é voltado para segmento de veículos elétricos. “Consiste em um ônibus híbrido e outro 100% elétrico. Ambos já estão em circulação e essa iniciativa nos mostra que é possível dar certo”, frisou Araújo.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) realiza abertura de editais de fomento à projetos de inovação e tem obtido bons resultados: “Atualmente temos em nosso portfólio 220 projetos contratados e em execução na área de pesquisa e inovação com aporte total de 189 milhões”, informou Alberto Xavier Pavim, gerente em desenvolvimento industrial da instituição.

Fonte: CERNE Press

Pesquisa mostra que 72% dos brasileiros comprariam sistema de energia solar

Ainda engatinhando no país, mas com números crescentes a cada ano, a microgeração de energia solar parece estar caindo no gosto da sociedade. Pesquisa feita pelo Datafolha em parceria com o Greenpeace mostrou que 72% da população concordaria em comprar um sistema de energia solar fotovoltaica se houvesse linhas de crédito com juros baixos. A mesma pesquisa mostra também que a principal motivação para gerar a própria energia, é a redução na conta de luz, escolhida por 48% dos entrevistados. O Datafolha entrevistou 2.044 entrevistas no país entre os dias 20 e 24 de outubro de 2016 em 178 municípios de pequeno, médio e grande porte. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O desejo de não depender da distribuidora foi a segunda opção escolhida na pesquisa, ficando com 17% da preferência. A pesquisa mostrou também que o aspecto da sustentabilidade está presente nos entrevistados, com 16% inserindo os benefícios ambientais como motivação para aderir a microgeração solar. Embora o grau de conhecimento sobre microgeração seja elevado, alcançando o percentual de 80%, apenas 19% se consideram bem informados sobre o tema. Entre os bem informados, a região Sudeste lidera com 24%, seguida pelas regiões Norte/ Centro-Oeste, com 18%, Sul, com 14% e Nordeste, com 13% dos entrevistados bem informados.

O aspecto econômico se coloca forte ainda na microgeração quando a pesquisa revela que 54% dos entrevistados concordam que a energia solar é uma possibilidade apenas para quem tem dinheiro. O mesmo percentual se mostra disposto a entrar em um consórcio para ter acesso ao sistema de energia solar. A pesquisa mostrou que a adesão a uma cooperativa com sistema de energia solar fotovoltaica poderia ser uma opção para 63% da população, enquanto 28% não estariam dispostos e 9% dos entrevistados não souberam opinar sobre o tema.

O objetivo da pesquisa era medir o grau de informação, opinião e interesse sobre microgeração de energia entre a população brasileira. A possibilidade de compra de equipamentos de microgeração solar com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ainda divide a sociedade. Metade é a favor e a outra metade é contra. O tema é objeto de projetos de lei na Câmara dos Deputados.

O perfil dos entrevistados é composto de 49% de homens e 51% de mulheres, 21% têm entre 16 e 24 anos, outros 21% entre 25 e 34 anos, 20% entre 35 e 44 anos, outros 20% de 45 a 59 anos e 19% têm 60 anos ou mais, 37% estudaram até o ensino fundamental, 45% até o ensino médio e 18% têm nível superior, 41% possuem renda familiar mensal de até dois salários mínimos, 22% mais de dois a três salários, 15% mais de três a cinco salários, 9% mais de cinco a dez, 3% mais de dez a vinte e apenas 1% mais de vinte salários mínimos.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Consumidor

Desperdício de energia dá o tamanho do potencial de negócios em eficiência energética

Uma estimativa aponta que o Brasil desperdiçou cerca de 60 mil GWh de energia no ano de 2015, esse volume é equivalente a 13% do consumo nacional. Esse é o tamanho de um mercado cujo potencia ainda é incerto, o de eficiência energética. O que é possível de se mensurar é o custo que um determinado tipo de consumidor pode ter ao não tomar medidas para melhorar o seu perfil de consumo de energia.

De acordo com o diretor da Comerc Esco, Marcel Haratz, os dois principais focos de potenciais ganhos estão em climatização e iluminação que podem variar de 10% a 50% e de 30% a 60%, respectivamente.
Segundo um levantamento feito pela empresa, um shopping center cuja a conta de energia mensal é de R$ 1 milhão apresenta potencial do chamado ‘não fazer’ de R$ 135 mil e de R$ 180 mil por mês. “Isso significa que esse consumidor tem um custo que poderia ser reduzido em R$ 315 mil reais, uma economia de mais de 30% somente com esses dois itens”, comentou o executivo. Nessa conta, foram incluídas ainda a indicação de retorno do investimento simples nesses casos, que ficaria entre 26 e 72 meses em termos de ar condicionado e de 18 a 42 meses para o item iluminação.
Dados de outros perfis de consumidores como hotéis e edifícios comerciais, redes de varejo, supermercados e indústria também foram levantados na pesquisa. Nesses dois últimos há itens que são adicionados ao cálculo, como refrigeração para o primeiro e ar comprimido e motores elétricos para o segundo. Estes, segundo o estudo, são os itens que possuem maior impacto na fatura de energia, sendo de 35% nos supermercados e de 20% e 55% no caso industrial.

A pesquisa também mostra que seria possível alcançar um potencial de economia de 10% a 40% em refrigeração. No segmento industrial que esse potencial é de 15% a 30% para o item ar comprimido e de 15% a 40% em motores elétricos. Haratz lembrou que o Brasil assumiu compromissos com a redução de emissões de gases de efeito estufa durante a COP 21 de Paris, no ano passado. E que a eficiência energética é um dos temas a serem atacados, pois há a necessidade de que o país aumente a sua eficiência energética em 10% até 2030.

Fonte: Canal Energia

Enzimas promovem produção mais limpa de biodiesel

A Embrapa Agroenergia constituiu um banco de microrganismos produtores de lipases, enzimas que podem ser utilizadas na produção de biodiesel, tornando o processo mais limpo. Atualmente, as usinas utilizam um catalisador químico – geralmente, metilato de sódio – para acelerar a reação química entre óleo e álcool que dá origem ao biocombustível, além de gerar glicerina. As enzimas justamente substituiriam esse catalisador.

Líder dos trabalhos nessa área, a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Thaís Salum explica que a adoção das lipases seria vantajosa principalmente quando o biodiesel fosse produzido com óleos ácidos, como o de dendê. Essa característica da acidez associada à presença do catalisador químico faz com que seja formado sabão durante a produção do biocombustível, dificultando inclusive a separação deste e da glicerina. Isso gera muitos problemas e reduz a rentabilidade do processo.

As indústrias que utilizam óleos não ácidos, como o de soja, também encontrariam benefícios no uso das enzimas. Elas facilitam a separação do biodiesel e geram uma glicerina de melhor qualidade, conta Thaís. Além disso, são biodegradáveis.

A condução das pesquisas na Embrapa Agroenergia prevê ainda outra vantagem: o reaproveitamento das lipases. Por isso, os cientistas estão buscando produzir essas enzimas cultivando os microrganismos em substratos sólidos, como fibras e tortas residuais da extração de óleos. As lipases, assim, ficam “presas” às partículas desses materiais, que podem ser adicionadas aos reatores de produção de biodiesel. Ao final do processo, elas podem ser retiradas por métodos simples como filtração e utilizadas em uma nova batelada de produção.

Com a recuperação das enzimas, consegue-se reduzir o custo do processo, um dos principais empecilhos atualmente para adoção desse insumo. Além disso, evitam-se as várias lavagens pelas quais o biodiesel hoje passa para remover o catalisador químico, o que gera toneladas de efluentes a serem tratados antes do descarte.

O trabalho de pesquisa com lipases na Embrapa Agroenergia já passou por uma extensa etapa de busca e seleção de fungos e bactérias que fossem bons produtores desse tipo de enzimas para produção de biodiesel. Foram avaliados dezenas de microrganismos, isolados dos frutos e do ambiente associado ao cultivo de dendê, das fibras de prensagem desse fruto, além de raízes e folhas de cana-de-açúcar e da torta de pinhão-manso.

Após análises qualitativas e quantitativas, os cientistas chegaram a três cepas de fungos e uma de bactéria com grande potencial. Agora, estão trabalhando na otimização do processo de produção de lipases a partir desses microrganismos. Nessa etapa, eles testam diferentes condições de pH, temperatura, umidade e meio de cultivo, com o objetivo de chegar à combinação de parâmetros que permite obter o máximo rendimento com o menor custo.

Numa etapa seguinte, serão avaliadas também as melhores condições de produção do biodiesel utilizando as enzimas obtidas. “As espécies de microrganismos com as quais estamos trabalhando agora estão mostrando boa atividade enzimática e, por isso, estamos com grandes expectativas de chegar a bons resultados”.

A linha de pesquisa conta com recursos financeiros da própria Embrapa e da Agência Brasileira de Inovação (Finep). Colaboram nas ações pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Instrumentação e Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Embrapa | Canal Bioenergia

Brasil poderá ter uma matriz 100% limpa em 2050, aponta relatório

A Coppe/UFRJ junto com o Greenpeace lançaram na terça-feira (13), o relatório (R)evolução Energética 2016. O documento faz uma estimativa para até 2050 de um Brasil com 100% de participação de fontes renováveis em sua matriz. O relatório detalha as projeções para cada setor produtivo diminuir gradativamente o uso de combustíveis fósseis até a completa eliminação, no meio do século, além de mostrar em detalhes como funcionará a operação do sistema elétrico baseado apenas nessas fontes renováveis, como eólica, biomassa, solar e energia oceânica.

O documento está dividido em cinco partes: Mudanças Climáticas e Energia; A Geração de Energia; O Setor Elétrico no (R)evolução Energética; Eficiência Energética; e Transportes e Mobilidade.

Confira:

[R]evolução Energética – 2016

 

Fonte: Portal O Eco | Sabrina Rodrigues