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Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

Além disso, o desenvolvimento do mercado de baterias de armazenamento tem aumentado a capacidade das fontes renováveis responderem às solicitações de rede para aumentar ou diminuir a geração de eletricidade a qualquer hora do dia, flexibilidade outrora garantida por usinas de carvão e gás.

Segundo a BNEF, as baterias independentes estão cada vez mais rentáveis ​​e começando a competir em preço com outras tecnologias. Desde 2010, os custos das baterias de íons de lítio para armazenamento caíram 79% desde 2010. Dados da consultoria indicam uma queda no preço de US$ 1.000 por kWh em 2010 para US$ 209 por kWh em 2017.

Segundo os analistas da BNEF, algumas usinas a carvão e gás existentes ainda exercerão um papel importante por muitos anos na matriz energética mundial, mas o “argumento econômico” para a construção de novas capacidades de carvão e gás está, claramente, perdendo espaço.

Fonte: Exame

Fundos vão financiar uso de energia solar com R$ 3,2 bilhões

Às vésperas do prazo de desincompatilização dos ministros e do início da campanha eleitoral, o governo lançará na próxima semana a iniciativa mais abrangente até hoje para difundir a microgeração de energia solar no país.

Quase R$ 3,2 bilhões estarão disponíveis para financiar a instalação de placas fotovoltaicas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os recursos proveem dos fundos constitucionais, têm juros muito abaixo das taxas de mercado e prazos mais longos de pagamento. A ideia é incentivar a geração própria em residências e estabelecimentos comerciais. Uma reunião dos conselhos deliberativos das agências regionais de financiamento – Sudam, Sudene e Sudeco – está agendada para o dia 4 de abril a fim de aprovar essa nova fonte de crédito. O anúncio deve ser feito pelo presidente Michel Temer.

As linhas serão oferecidas pelas instituições públicas que atuam como operadores financeiros dos fundos constitucionais. O Banco do Nordeste terá as condições mais atrativas, com juros anuais de 6,24% e 12 anos para o pagamento do empréstimo, incluindo quatro de carência.

O Banco da Amazônia (Basa), que atende à região Norte, trabalhará com a mesma taxa, mas 36 meses de prazo para a quitação do financiamento (e dois meses de carência). No caso do Banco do Brasil, agente financeiro do Centro-Oeste, a taxa será de 7,33% ao ano – com 24 meses de prazo e seis meses de carência.

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, vê um esforço de popularizar o uso de placas fotovoltaicas. Até agora, o crescimento da energia solar tem sido impulsionado por usinas cuja produção é vendida nos leilões de suprimento organizados pelo governo. “Agora queremos levar ao cidadão uma iniciativa com impacto econômico e social gigantesco.”

Barbalho, que deixa o cargo no dia 7 de abril e disputará as eleições para governador do Pará pelo MDB, prevê uma boa procura por recursos onde as tarifas são mais altas. “O custo da energia é brutal”, diz o ministro, lembrando que ele mesmo vem de um Estado com grande superávit hidrelétrico, onde estão Tucuruí e Belo Monte. “E paga-se três vezes o valor da tarifa de outras capitais.”

O Brasil tem hoje 24.565 sistemas de mini ou microgeração distribuída, segundo dados compilados pela Absolar, entidade que reúne a cadeia produtiva do setor. Mais de 99% dos sistemas são baseados em placas fotovoltaicas. “Quando analisamos o perfil dos consumidores, porém, os gargalos ficam evidentes”, pondera o presidente-executivo da associação, Rodrigo Sauaia.

Cerca de 70% dos microgeradores estão no segmento de comércio, prestação de serviços ou residências de renda média e alta. “As pessoas jurídicas estão encontrando caminhos para se financiar”, avalia Sauaia. Segundo ele, o investimento em placas para a autoprodução de energia se paga em até cinco anos e os sistemas têm vida útil de pelo menos 25 anos. “É melhor do que qualquer outro investimento, como poupança ou fundos. A pessoa física, que poderia ter os maiores ganhos do ponto de vista do custo-benefício, não é contemplada.”

Quem gera energia própria e joga o excedente no sistema interligado, via distribuidora, deixa de pagar conta de luz e acumula créditos para usar no futuro.

Paralelamente, o ministério e a Absolar estão firmando um convênio para estudar juntos a possibilidade de troca do fornecimento de energia ao projeto de transposição do rio São Francisco. As nove bombas de elevação das águas – nos eixos leste (inaugurado em 2017) e norte (com entrega prevista para o segundo semestre) – vão consumir 746 mil megawatts-hora por ano e arcar com um gasto anual de energia em torno de R$ 300 milhões.

A ideia do governo – e a Absolar concluirá um estudo sobre o assunto daqui a 60 dias – é instalar placas fotovoltaicas nas margens dos canais. A faixa de 100 metros em cada margem já foi desapropriada e existe espaço suficiente para a instalação das placas, bem como 270 de linhas de transmissão de energia em alta tensão já construídas junto com o projeto de transposição.

Em uma terceira iniciativa do “pacote” de fomento à energia solar, o ministério vai propor a instalação das placas fotovoltaicas no perímetro de Itaparica (entre a Bahia e Pernambuco), que tem dez complexos de agricultura irrigada. Com cerca de 40 mil famílias, o complexo tem alto consumo de eletricidade e abastecimento subsidiado pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). A conta paga pela estatal é de cerca de R$ 42 milhões anuais.

Se esse projeto der certo e o fornecimento de energia for mais barato, pode-se pensar no fim dos subsídios, diz Gustavo Canuto, presidente do conselho de administração da Codevasf. “O objetivo é que os agricultores possam se emancipar”, afirma.

Fonte: Daniel Rittner e Andréa Jubé | Valor Econômico

CERNE participa de lançamento do Centro de Pesquisa em Energia Fotovoltaica

Campus Natal-Central do IFRN lança Centro de Pesquisa em Energia Fotovoltaica. Após instalação de usinas solares em todas as unidades, a meta da instituição de ensino é se tornar produtor de tecnologia.

O diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira, esteve presente na última quinta-feira (22) na cerimônia de inauguração do Centro de Pesquisa em Energia Solar Fotovoltaica do IFRN, instalado no Campus Natal-Central do Instituto.

Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira (à esq.). Foto: Jônatas Moura

O lançamento aconteceu no miniauditório do Campus e contou com a presença do reitor Wyllys Farkatt, do diretor-geral Arnóbio de Araújo Filho e do ouvidor Belchior Rocha que deu início ao projeto IFRN Solar na sua gestão como reitor, de 2009 a 2016. Esteve presente também o superintendente da Funcern, Jairo Santos.

O  reitor Wyllys Farkatt reforçou o objetivo do Centro: atuar no nível da pesquisa para o desenvolvimento tecnológico e complementação da formação dos alunos. “Nosso objetivo é virar referência como produtores de inovação na área. Com as usinas de energia solar, já somos protagonistas”, enfatizou.

“É muito importante estar presente, pois estreitamos ainda mais os nossos laços de parceria com o IFRN”, destacou o diretor setorial do CERNE, Olavo Oliveira.  “Fomos citados nominalmente pelos líderes do Instituto como importantes colaboradores e grandes parceiros nesses últimos anos”, concluiu.

O IFRN possui 21 usinas, com a marca dos 2.139 kWp de potência conectada à rede da Cosern. A produção de energia elétrica é convertida em desconto proporcional na conta de luz da Instituição. Com isso, a economia deve ser de um milhão e 300 mil reais por ano. O investimento foi de quase 17 milhões de reais, mas as usinas têm um tempo estimado de funcionamento de 30 anos, podendo ser mais que isso e sem custos de manutenção.

Fonte: CERNE Press

Aneel libera duas fotovoltaicas para operação comercial na Bahia

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou para operação comercial as unidades UG1 a UG 28, de 1.025 kW cada, somando 28.700 kW de capacidade da usina de geração fotovoltaica denominada UFV Horizonte MP 1, a partir de 17 de março, segundo publicação do Diário Oficial da União de 19 de março. O empreendimento, de posse da Enel Green Power, está localizado no município de Tabocas do Brejo Velho (BA).

No mesmo município e também sob titularidade da Enel, a UFV Horizonte MP 11 também teve liberadas para operação comercial suas unidades, UG1 a UG 20, de 1.000 kW cada, num total 20.000 kW de capacidade instalada.

Já a EOL Diamante III, situada em Gentio do Ouro, Bahia, foi autorizada pela Aneel para operar em regime de testes os aerogeradores UG4 a UG7, de 2.500 kW cada, totalizando 10.000 kW de potência.

Outra a receber o provimento do órgão regulador foi a UFV Guaimbé 4, que poderá testar as unidades UG1 a UG22, de 1.559 kW cada, mantendo a potência instalada de 30.000 kW limitada por controle de potência dos inversores. A usina fica em Guaimbé, São Paulo.

Fonte: Canal Energia

Brasil começa a aproveitar seu potencial de energia solar

A geração de energia solar cresce e traz economia na conta de luz de residências e empresas — mas o potencial no país está longe de ser explorado

Em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, a agropecuária é a principal atividade econômica da cidade de 70 000 habitantes. Ali a fruticultura, a soja e a pecuária vêm sendo castigadas pela maior seca da história na região. Localizada no semiárido mineiro e sob um sol inclemente durante boa parte do ano, com temperatura média de 33 graus, Janaúba faz parte do chamado Polígono das Secas. Mas o sol forte que bate ali, antes visto apenas como um infortúnio que só agrava a falta de chuva no lugar, virou uma oportunidade aos olhos de investidores. Agora, parte das pastagens improdutivas da região é fonte de renda para os pecuaristas, que arrendam suas terras para empresas que querem gerar energia solar.

Hoje, as companhias que estão investindo em fazendas de painéis fotovoltaicos miram a redução dos gastos com a conta de luz. É o caso da combalida gigante das telecomunicações Oi, que está construindo duas fazendas solares, uma em Janaúba e outra na também mineira Capitão Enéas, em paralelo às tentativas de colocar de pé seu plano de reestruturação. Cada uma das fazendas tem capacidade de geração de 5 megawatts, energia suficiente para abastecer 10.000 residências por mês.

A energia produzida em parceria com a GD Solar, empresa especializada em projetos e na construção de empreendimentos desse tipo, será injetada na rede elétrica de Minas Gerais e vai gerar créditos para ser abatidos da conta de luz de 3.000 unidades da Oi no estado, entre torres de telecomunicações e prédios corporativos. Os investimentos nas duas fazendas solares consumiram 30 milhões de reais. E o objetivo é construir outras 15 usinas do gênero no país até 2021. Nessa toada, a Oi espera economizar 30% dos custos habituais com energia. Hoje, os gastos por ano alcançam cerca de 750 milhões de reais. “Mesmo que o momento seja crítico para a companhia, é preciso olhar para o futuro”, diz Marco Vilela, diretor de patrimônio e logística da Oi.

A empreitada da Oi é parte da recente onda de investimentos em geração fotovoltaica no Brasil. Entre as operadoras de telefonia, a Claro foi uma das pioneiras. Em 2016, pressionada por uma alta de quase 60% nos gastos com eletricidade num período de 12 meses, a companhia decidiu estruturar um plano de autogeração com base em fonte solar, capaz de abater 30% dos custos de energia de 80% de suas operações — são cerca de 40.000 unidades, entre torres, lojas e edifícios corporativos.

Embora não seja dona de um painel fotovoltaico sequer, a Claro se beneficia da energia gerada nos 45 hectares equipados com painéis em Várzea das Palmas e em Buritizeiro, também cidades mineiras. “Há cada vez mais investidores dispostos a bancar esse tipo de projeto. E nós, como grandes consumidores, nos interessamos em comprar essa energia”, diz Roberto Catalão, vice-presidente financeiro da Claro.

A despeito do movimento das operadoras de telecomunicações, foi o consumidor residencial quem puxou para cima o número de sistemas fotovoltaicos em operação no país — a chamada “geração distribuída”. Em 2012, apenas 13 locais geravam eletricidade dessa fonte no Brasil (antes, os raios solares eram utilizados apenas para sistemas de aquecimento de água). Atualmente, são mais de 23.000 unidades, sendo 80% em residências.

Alguns fatores ajudam a explicar essa curva exponencial de adoção. Há seis anos, uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneelautorizou a produção própria de energia elétrica de fontes renováveis e possibilitou o repasse do excedente à rede pública de distribuição de energia em troca de desconto na conta de luz. Em 2015, outras facilidades foram incorporadas à norma. Os créditos gerados pelos consumidores passaram a valer durante cinco anos — e não apenas por três, como determinava a primeira regra. Os modelos também se diversificaram. Agora são permitidos sistemas de consumo coletivo, como condomínios e shoppings, e de consumo remoto — quando a energia é produzida num local e consumida em outro dentro da área de concessão de uma distribuidora.

Essa mudança foi o pontapé inicial para a consolidação do modelo de negócios da Órigo, empresa que se dedica a projetar e construir fazendas solares e a alugar cotas dos painéis a pequenas e médias empresas. Com uma fazenda de 1 megawatt em Minas Gerais, num espaço de 10 hectares, a Órigo consegue gerar energia equivalente ao consumo de 70 clientes — restaurantes, bares e açougues. Criada em 2010, a empresa tem entre seus investidores o fundo americano de private equity TPG e o brasileiro Move, que tem a participação dos fundadores da fabricante de cosméticos Natura. “Vamos fazer dez fazendas neste ano, e já temos muita coisa vendida de antemão”, diz Surya Mendonça, presidente da Órigo.

O maior impulso para esse mercado, porém, veio com o aumento das tarifas de energia. Desde 2012, o reajuste médio do preço da energia no país foi de 44%, acima da inflação de 36% registrada no período. Enquanto isso, o avanço da tecnologia de produção dos equipamentos fez o preço cair 80% na última década em todo o mundo e tornou a conta ainda mais vantajosa. Hoje, a instalação de quatro painéis solares com capacidade total de 1,25 megawatt (o suficiente para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas) custa 15.000 reais. Em 2015, era de 30.000 reais.

Sem levar em conta as usinas em fase de projeto e construção, a geração solar atingiu a marca de 1 gigawatt de capacidade instalada no país no final do ano passado. O montante significa uma fatia inferior a 1% da matriz elétrica brasileira, amplamente apoiada na geração hidrelétrica. Mas a participação pode chegar a 5%, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Para isso, o volume de recursos nesse mercado deverá chegar a 9 bilhões de reais neste ano e se manter nesse nível. A estimativa é que os investimentos acumulados no setor cheguem a 125 bilhões de reais até 2030.

Isenção de imposto

Hoje, o estado que lidera a corrida solar no Brasil é Minas Gerais, com 5 000 sistemas instalados. Não é à toa. O estado foi o primeiro a isentar a cobrança de 30% de imposto sobre circulação de mercadorias e serviços que incidia sobre a troca de energia entre consumidores e concessionária. Por lá, o tempo de retorno do investimento do consumidor num sistema fotovoltaico é um dos menores do país: entre quatro e cinco anos. Em São Paulo, o investimento se paga em seis anos. Hoje, 23 estados aderiram à medida, com exceção de Amazonas, Paraná e Santa Catarina.

Diferentemente do que se viu com a exploração da fonte eólica nos últimos anos, concentrada no Nordeste, a região em que são registrados os maiores níveis de irradiação solar do país tem baixo índice de aproveitamento dessa fonte. A razão é que não há vantagem financeira. “A tarifa média de energia nos estados do Nordeste é menor, e isso se deve, em parte, a subsídios do governo no preço para os consumidores mais pobres”, diz Juliano Assunção, professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Com tarifas artificialmente mais baixas, as projeções de rentabilidade do investimento em solar na região são menores.

A inserção de um número cada vez maior de unidades autoprodutoras de energia solar no sistema brasileiro pode mexer com o modelo tradicional de atuação das concessionárias. A AES Eletropaulo, responsável pela região metropolitana de São Paulo, recebeu 600 pedidos de geração solar distribuída apenas em 2017 — o dobro do registrado no ano anterior. Desses, 350 foram conectados à rede da concessionária, que banca a própria conexão. O volume ainda é irrisório se comparado com a base de 7,4 milhões de clientes da Eletropaulo, mas o tema é recorrente em suas discussões de planejamento estratégico. “Vamos precisar de um nível de automação de gestão da rede ainda maior”, afirma Artur Tavares, vice- presidente de operações da AES Eletropaulo.

Ele se refere ao conceito de smart grid (“rede inteligente”), que, por meio de sensores, medidores sofisticados e do uso de big data, facilita o controle remoto das redes em tempo real e se antecipa a problemas como queda de tensão, além de oferecer informações diá-rias sobre as curvas de consumo. Hoje, os dados coletados são mensais. As concessionárias alegam que terão de investir mais nas redes para acomodar os autogeradores que estão chegando — um pessoal que, ironicamente, apostou na energia solar para pagar menos conta de luz.

Antevendo uma possível queda na receita, as distribuidoras querem discutir a configuração das tarifas. Atualmente, não há separação entre a energia consumida e o custo da infraestrutura de distribuição na conta de consumidores comuns. O pleito do setor é que a chamada “conta do fio” seja cobrada de quem tem o próprio sistema gerador e acaba usando a rede da concessionária.

Ainda não há uma proposta sobre a divisão da tarifa, mas o tema foi posto em consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia. A regulação do setor deverá ser revista em 2020. “A atualização do marco regulatório tem de vir como oportunidade, não como desincentivo ao poder de escolha do consumidor de gerar a própria energia”, afirma Rodrigo Sauaia, diretor da Absolar. A projeção da Aneel é que, até 2024, cerca de 800.000 unidades de microgeração estejam em funcionamento no Brasil. Isso poderá acarretar uma perda de 1,1% de mercado para as distribuidoras, segundo projeções da agência.

Disseminação

O mercado já se prepara para uma popularização. Há no país cerca de 3 000 empresas: são comercializadoras, projetistas e instaladoras de sistemas fotovoltaicos, atuando em modelos diversos. O aumento da demanda não foi suficiente para dar forma a uma indústria nacional de painéis fotovoltaicos. São poucas as fabricantes no país, já que há isenção de impostos para a importação de um painel completo — mas não para peças, o que gera uma desvantagem tributária de 30%.

Uma delas é a BYD, chinesa com 40 fábricas no mundo, entre painéis solares, veículos elétricos e baterias, que faturou 17 bilhões de dólares em 2017. Em fevereiro do ano passado, a BYD inaugurou uma de suas maiores fábricas de painéis em Campinas e começou a vender equipamentos para grandes projetos, com mais de 80 megawatts de capacidade. Mas o planejamento mudou no meio do caminho. Nos próximos meses, a BYD pretende entrar no mercado de microgeração, que deverá compor até 50% do negócio, bem mais do que os 10% previstos anteriormente. O grupo CPFL também é um dos que -querem lucrar com a energia solar.

Agora parte da estatal chinesa de energia State Grid, a CPFL criou em 2017 uma empresa independente, focada na alta da demanda por geração solar distribuída: a Envo, voltada para o mercado de pequenos estabelecimentos comerciais. Antes disso, em 2016, a CPFL já havia dado início à instalação de painéis solares para 200 consumidores de Campinas, no interior de São Paulo, a fim de avaliar o impacto da microgeração em redes elétricas de baixa tensão, aproveitando um fundo de incentivo da Aneel à pesquisa em eficiência. “Essa modalidade avançou em todo o mundo e vai chegar aqui também, ainda que com atraso”, diz Karin Luchesi, vice-presidente de operações de mercado da CPFL.

A expansão brasileira ainda é tímida se comparada à corrida solar mundo afora. Estima-se que o Brasil esteja 15 anos atrasado na adoção dessa fonte. A China, que por muito tempo foi marcada pela produção de energia suja, com a queima do carvão mineral, superou a pioneira Alemanha na capacidade instalada de geração: 130 gigawatts, o equivalente a 80% de toda a matriz elétrica brasileira. A China também se tornou a maior fabricante de painéis solares do mundo.Nos Estados Unidos, a fabricante de carros elétricos Tesla, do bilionário Elon Musk, ultrapassou a fronteira dos sistemas fotovoltaicos comuns para criar uma telha solar, que gera energia e substitui a telha tradicional. Musk quer atrelar ao sistema a venda de pequenas baterias capazes de armazenar energia para ser consumida quando o sol não inside — hoje, o grande gargalo da energia solar. O mercado menos regulado também é um incentivo à adoção da energia do sol. Em vários estados americanos, a exemplo da Califórnia, é possível vender o excedente produzido pelos painéis aos vizinhos — o que é impossível no mercado brasileiro, onde o livre comércio de energia só é autorizado para grandes consumidores.

“Precisamos elevar o nível de conhecimento das pessoas que, apesar de interessadas, ainda acham que gerar energia solar é complicado e arriscado”, diz Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê, braço de geração do grupo AES no Brasil, e que hoje já atende empresas como a rede Drogarias Araújo e o Hospital Albert Einstein com energia solar. A combinação entre regulamentação inteligente e custos mais baixos pode finalmente tornar viável em larga escala uma das fontes mais limpas de energia. Por ora, no Brasil, o sol é forte, mas ainda não é para todos.

Fonte: Exame | Renata Vieira

ENERGIA: ‘O RN não está ficando para trás’, diz Jean-Paul Prates

Reconhecido no mundo por ser “um país tropical e abençoado por Deus” na abundância de belezas naturais e sol o ano inteiro, o Brasil está chamando mais atenção dos investidores internacionais com negócios ligados à geração de energia solar. Nos próximos anos, ao lado da que é gerada pela força dos ventos, essa deverá ser a modalidade com maior expansão no Rio Grande do Norte.

O sol a pino que castiga os sertanejos e seca, ainda mais, os reservatórios de água, poderá se tornar um aliado no desenvolvimento do Seridó e do Alto Oeste potiguar, em decorrência da elevada incidência de raios solares que poderão alimentar as fontes geradoras de energia. Não basta, porém, a força do sol para que o estado se torne destaque, assim como o é na eólica, na geração de energia solar.

De acordo com Jean Paul Prates, é preciso se estruturar para atrair mais investimentos. Acompanhe a análise na entrevista a seguir.

Qual o atual panorama da geração de energia solar no Rio Grande do Norte? Qual a potência instalada e o quantitativo de energia gerado nessa fonte atualmente?
Atualmente, o RN tem seis usinas fotovoltaicas em operação comercial, somando 117,10 MW em potência instalada. A matriz de oferta de energia do estado tem 84,76% de usinas eólicas, 2,79%  de fotovoltaicas e 12,44% de termelétricas. Há ainda duas usinas fotovoltaicas já contratadas no Rio Grande do Norte em construção, que deverão adicionar mais 66 MW até o fim deste ano. O estado tem atraído o interesse de investidores para geração de grande porte e deverá apresentar um número crescente de projetos fotovoltaicos nos próximos leilões federais. Em relação à geração distribuída, que é a mini/micro geração no consumidor final, o crescimento tem ocorrido também sendo de se destacar as 21 usinas próprias do IFRN instaladas em 17 municípios.

Em quais estados estão os maiores potenciais para exploração dessa fonte energética e quais são os mais evoluídos nesse processo exploratório? 
O mapa de potencial solar do Brasil aponta regiões como o Seridó (potiguar e paraibano) e a nossa “tromba do elefante” como áreas de insulação máxima. Mas há áreas de grande potencial em todo o Brasil. O recurso solar é bem mais difuso e capilarizado do que o vento, no Brasil. Estados como o Piauí e a Bahia têm trabalhado o desenvolvimento de seus interiores para empreendimentos solares. Mas o RN não está ficando para trás. A nossa liderança em eólica ajuda muito no processo de conhecimento do nosso território pelos empreendedores, e há também a possibilidade de viabilizar projetos híbridos (eólico-solares) de grande porte no curto prazo.

A burocracia brasileira impede que o setor se expanda mais rapidamente? Por quê e como e possível reverter esse quadro?
Não creio. O histórico de consolidação destes setores no Brasil foi até bastante rápido, e a curva de crescimento será bem acentuada nos próximos anos. Praticamente todos os estados brasileiros aderiram ao Convênio que isenta o ICMS da geração distribuída, onde 99% dos sistemas são solar-fotovoltaicos. Há linhas de crédito bem favorecidas para esta atividade também, já desenvolvidas – inclusive por bancos públicos como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil. A burocracia, no mais, é a usual de toda atividade econômica – nem maior nem menor. Já são mais de 21 mil sistemas de micro/mini geração instalados no Brasil, totalizando mais de 170 MW. Ainda são números tímidos – considerando-se o potencial imenso que o Brasil tem nesta área, mas o crescimento tem sido rápido e consistente.

A entrada do Brasil na IRENA poderá contribuir para essa transição de qual maneira e a partir de quando?
Considero a participação na IRENA um passo natural para o Brasil. Afinal, há dez anos, iniciamos este processo inédito de leilões reversos que vem ensinando ao mundo como incentivar a geração eólica e solar sem subsídios diretos. Além disso, dentre as grandes economias do mundo, o Brasil é a matriz energética mais renovável. Portanto, o Brasil tem muito a contribuir, e também tem muito a aprender, imediatamente, com os importantes projetos globais e estudos da Agência Internacional de Energia Renovável.

Em relação à formação de mão de obra para atuação nesse setor, o Brasil é bem atendido ou precisa importá-la de outros países, a exemplo do que ocorreu por muitos anos com a energia eólica?
Não creio que tenhamos que importar mão de obra, absolutamente. Apesar do crescimento acelerado nesta área, o Brasil tem plenas condições de formar pessoas para trabalhar com esta tecnologia. Entidades como o SENAI e os Institutos Federais, em todo o Brasil, assim como entidades setoriais, escolas especializadas e universidades, públicas e privadas, já oferecem uma boa quantidade de cursos teóricos e práticos a respeito. O que temos que nos preocupar é com a qualidade e a credibilidade dessas ofertas. Eu sempre recomendo que os interessados tenham cuidado ao escolher. Há muita picaretagem neste setor, devido ao rápido crescimento. Entidade sérias devem ter a prioridade na hora da escolha. Do contrário, a formação fica deficiente e o valor do certificado é posto em dúvida pelo empregador.

O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros com grande potencial na geração de energia fotovoltaica. O CERNE, em parceria com a ABSOLAR, tem algum estudo específico em relação ao estado? O que ele aponta?
Sem dúvida, do ponto de vista do recurso solar em si, o RN é um dos estados brasileiros com maior potencial. No entanto, diferentemente do que acontece com o nosso vento, que é bem diferenciado de outras regiões do Brasil e do mundo, a insulação é um fenômeno bem mais comum no território brasileiro. Isso faz com que tenhamos que nos preparar ainda melhor para oferecer boas condições para o investimento e para propiciar canais para gerar trabalho e renda na economia local. Assim como ocorre com a Abeeólica, o CERNE trabalha em constante cooperação com a ABSOLAR em várias frentes de debate e concepção de diretrizes. Atualmente, estamos trabalhando na finalização de três programas regionais: um para a região do Seridó (“Seridó Solar”), outro para o Oeste Potiguar (“Oeste Solar”) e a progressão do Projeto Rota dos Ventos, na sua frente relacionada com energia solar, para o eixo de influência da BR-406, que abrange o Mato Grande e o Litoral Norte. Estes planos regionais abrangem ações governamentais locais e também a mobilização de lideranças sociais e econômicas, visando a estabelecer condições para o investimento externo e local na cadeia industrial do setor.

Existe a possibilidade de liderarmos a produção na matriz solar assim como o fazemos na eólica. Do que isso depende?
Não. Temos que ser realistas. O nosso vento é especial e só tem comparativo no nosso vizinho Ceará, no interior da Bahia e em regiões muito específicas do Piauí, da Paraíba e de Pernambuco. Somos muito especiais em matéria de vento. Tanto que a Bloomberg [um dos principais serviços de informação econômico-financeira do mundo] há algumas semanas deu uma matéria de capa sobre o RN com uma manchete que dizia: “a melhor brisa do mundo”, referindo-se à geração eólica daqui. Em relação à energia solar, temos condições de ter um aproveitamento per capita (por habitante) muito significativo, no médio prazo. Podemos desenvolver muito o nosso interior, não só em atividades econômicas como em conforto para a vida em geral, com a geração distribuída baseada em sistemas fotovoltaicos. Mas liderar o quadro nacional de geração solar de grande porte é um desafio quase impossível diante da abundância de territórios dos nossos estados vizinhos, com mesmo potencial. Além disso, temos o fato de dependermos do escoamento para outras regiões, pois o nosso consumo volumetricamente já está plenamente atendido. Precisamos de linhas de transmissão. Em regiões como Minas Gerais e o interior de São Paulo, por exemplo, há potencial solar e eles estão dentro do mercado consumidor, praticamente. Uma coisa, no entanto, é certa: somos e seremos sempre importantes neste setor – mesmo que não sejamos os líderes isolados, como na eólica. E temos muito a fazer para honrar este potencial que temos.

Quem
Jean-Paul Prates é advogado e economista. Mestre em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade da Pennsylvania; Mestre em Economia do Petróleo pelo Instituto Francês do Petróleo. Participou da elaboração do marco regulatório da atual indústria do petróleo do Brasil. Foi Secretário de Estado de Energia do RN. Atualmente, dirige o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, voltado para estratégias públicas e privadas nestes setores. Preside o SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN.

Royalties sobre sol e vento preocupam setor de energia

Após a pausa do Carnaval, setores da economia se organizam para iniciar suas defesas, diante de propostas consideradas danosas e que estão em discussão no Congresso. Na área de energia renovável, lideranças se organizam para evitar a possibilidade de cobrança de royalties sobre o uso do vento e da radiação solar ou pelo menos minimizar os prejuízos.

A ideia não era levada a sério, mas, no fim de 2017, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O projeto, de autoria do deputado Heráclito Fortes (sem partido-PI), é considerado esdrúxulo e inconveniente.

Ontem, em entrevista à coluna, o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, lembrou o processo de implantação da cobrança de royalties sobre o petróleo, que seguiu a lógica do ICMS, favorecendo às regiões consumidoras.

Caso não haja uma correção do percurso agora e uma reação em cadeia do setor, erros do passado podem atingir uma atividade nova, de grande visibilidade e interesse para investidores. E pior: atrapalhar o novo mapa de desenvolvimento energético do País, que descentralizou a produção de energia e favorece pequenas localidades.

PROJETOS DEVEM FAVORECER COMUNIDADES

Os projetos de instalação de energia eólica e solar seguem mecanismos de viabilidade econômica que devem ser repensados. Jean-Paul Prates propõe formas de recolhimentos de impostos que beneficiem as comunidades onde os empreendimentos são instalados; por essa proposta, metade dos impostos iria para os municípios.

Atualmente ganham força os argumentos de que os projetos não geram tantas receitas para seus anfitriões no longo prazo.

Fonte: O Povo | Neila Fontenelle

Programa Seridó Solar é apresentado a prefeitos da região

Nesta quarta-feira (07), a cidade de Currais Novos (RN) sediou a primeira reunião para a instalação do Programa Regional de Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Energia do Seridó́ (Seridó́ Solar), que visa atrair investimentos em geração de energia a partir das fontes renováveis – solar e eólica – para a região. A iniciativa é do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN) e entidades parceiras nacionais e locais.

O projeto foi apresentado pelo Presidente do CERNE e SEERN, Jean-Paul Prates, a prefeitos e lideranças da região durante reunião da Associação dos Municípios do Seridó Oriental (AMSO) e da Associação dos Municípios do Seridó do RN (AMS). O encontro também representou a união entre as duas associações, que juntas trabalharão localmente para implantação do projeto.

No centro, Luis Carlos Cheracomo, coordenador na área de Geração Solar Distribuída da ENGIE, parceira do CERNE, explica o trabalho desenvolvido pela empresa, considerada uma das maiores no ramo de energia do mundo, com presença em mais de 70 países. (Foto: CERNE Press)

Prates ressaltou que há desafios a enfrentar e, para isso, defende que a região precisa mobilizar suas lideranças e pressionar os governos estadual e federal.

Em outro momento, o presidente do CERNE se reuniu com empresários locais na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas em Currais Novos para apresentar as diretrizes do projeto.

Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, apresenta o projeto Seridó Solar a empresários da região. (Foto: CERNE Press)

Seridó Solar

Os diretores e técnicos do CERNE organizaram o Programa Seridó Solar em três frentes: a primeira diz respeito à chamada geração centralizada, que são os grandes empreendimentos destinados a gerar energia para o sistema integrado nacional. A segunda e a terceira frentes dizem respeito às ações e projetos de geração distribuída, ou seja, a micro e minigeração realizadas pelos próprios consumidores finais.

Uma das iniciativas preliminares é o mapeamento das áreas com potencial para geração de energia renovável, ou seja, áreas cujos proprietários desejam saber se serviriam ou não para a instalação de empreendimentos de grande porte.

O site www.cadastresuaterra.com.br já permite submeter terrenos e propriedades que ficam diretamente disponíveis à consulta por parte das mais importantes empresas do setor.

De acordo com André Medeiros, coordenador de mobilização regional do programa, a próxima etapa será a apresentação e discussão de diretrizes específicas. “Em paralelo com o mapeamento de áreas em andamento, o Programa Seridó Solar seguirá com a discussão sobre os desafios e soluções locais, tanto para atração dos empreendimentos de grande porte quanto para a expansão consistente da geração distribuída”, explica.

Fonte: CERNE Press

Seridó potiguar se prepara para expandir energia renovável

Programa Seridó Solar almeja atrair investimentos em energia renovável para a região

A cidade de Currais Novos (RN) sediará na próxima quarta-feira (07) a instalação do Programa Regional de Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Energia do Seridó́ (“Seridó́ Solar”), que visa a criar e organizar ambientes favoráveis ao investimento na geração de energia a partir das fontes renováveis – solar e eólica.

A iniciativa do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) em parceria com o Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN) e entidades parceiras nacionais e regionais começará a ser apresentada às lideranças governamentais, empresariais e rurais da região do Seridó em reunião ordinária da Associação dos Municípios do Seridó Oriental (AMSO) e da Associação dos Municípios do Seridó do RN (AMS), e prosseguirá com outras reuniões ao longo da semana, em Caicó e em Currais Novos.

Na região do Seridó, o potencial de geração de energia mais conhecido é o vento da Serra de Santana, na qual foram instaladas algumas dezenas de parques eólicos, com centenas de turbinas (aerogeradores). “Hoje, a Serra de Santana é uma das principais regiões produtoras de energia do Estado, juntamente com a região do Mato Grande e o Litoral Norte potiguar”, explica Darlan Santos, diretor setorial de energia eólica do CERNE.

Quanto à radiação solar, não chega a ser novidade para o seridoense de que se trata de um elemento abundante no seu dia a dia. No entanto, só recentemente é que o desenvolvimento tecnológico e a evolução do cenário energético global e nacional vêm fazendo do recurso solar uma fonte de energia cada vez mais competitiva.

“Há séculos o homem faz uso do calor e da luz do sol para inúmeras atividades mas, recentemente, os esforços dos países para sair da dependência do petróleo fizeram com que tecnologias para utilização de fontes renováveis se tornassem cada vez mais viáveis e acessíveis”, explica Luis Carlos Cheracomo, coordenador de área na divisão de Geração Solar Distribuída da ENGIE, uma das maiores empresas de energia do mundo, com presença em mais de 70 países.

Cadastro de Terras

Uma das iniciativas preliminares é o mapeamento das áreas com potencial energético, ou seja, áreas cujos proprietários desejam saber se serviriam ou não para a instalação de grande porte.

O site www.cadastresuaterra.com.br já permite submeter terrenos e propriedades que ficam diretamente disponíveis à consulta por parte das mais importantes empresas do setor. “É um cadastro simples, que permite que um empreendedor ou corporação energética visualize e analise uma propriedade sem necessariamente visitá-la, desde a sua sede em qualquer lugar do mundo. Mas é importante que o preenchimento seja feito com atenção especial quanto às coordenadas geográficas do terreno”, detalha o gestor de projetos do CERNE, Paulo Henrique Macedo, também ex-Secretário de Estado do Desenvolvimento Agrário à época da consolidação do setor no RN.

Mas há desafios a enfrentar como a logística de escoamento da energia (as linhas de transmissão e subestações de coleta). Para isso, o CERNE defende que a região precisa mobilizar suas lideranças e pressionar diretamente tanto o governo estadual quanto federal ao longo dos próximos dois anos, pelo menos. “O trabalho começa agora, mas os resultados efetivos só podem ser esperados a médio prazo, pois o planejamento do setor é feito em Brasília e as prioridades existem em todo o Brasil. Basicamente, quem pressiona mais, leva”, conclui o coordenador.

CERNE

O CERNE é uma entidade civil empresarial que reúne as principais empresas que investem e operam nos setores relacionados a recursos naturais e energia renovável no Nordeste.

“Somos hoje o estado líder nacional em parques eólica e potência instalada, em geração eólica efetiva e em exportação de energia eólica para o sistema nacional, graças ao processo de preparação que organizamos desde o início da nova era dos leilões federais de energia em 2008”, explica o diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, que foi Secretário de Energia do Estado entre 2007 e 2010, quando liderou o movimento de atração de investimento em energia eólica para o RN.

Os diretores e técnicos do CERNE organizaram o Programa Seridó Solar em três frentes: a primeira diz respeito à chamada geração centralizada, que são os grandes empreendimentos destinados a gerar energia para o sistema integrado nacional. A segunda e a terceira frentes dizem respeito às ações e projetos de geração distribuída, ou seja, a micro e minigeração realizadas pelos próprios consumidores finais.

“O CERNE conta com uma equipe muito competente, ética e apoiada pelas principais marcas do setor energético mundial e nacional, por isso temos a certeza de que é possível desenvolver o potencial energético do Seridó de forma inteligente, eficiente e sustentável, gerando renda local e postos de trabalho qualificados”, assegura André Medeiros, empresário local e coordenador regional do Seridó Solar.

Fonte: CERNE Press

China investirá US$ 330 milhões para produção de energia solar no Brasil

A empresa chinesa CED Prometheus irá investir mais de US$ 300 milhões em Mato Grosso para produção de energia solar na região de Chapada dos Guimarães. O protocolo de intenções foi assinado nesta terça-feira (30.01) pelo governador Pedro Taques, pela prefeita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira, e por representantes das empresas que fazem parte do projeto.

“Escolheram Chapada dos Guimarães, porque a incidência solar lá é muito boa e com isto seremos agraciados com este investimento mostrando o nosso compromisso e do Governo do Estado em investir no turismo, mas também preocupado com o desenvolvimento sustentável”, disse Thelma de Oliveira.

A intenção é que sejam investidos US$ 330 milhões com capital 100% privado e participação da empresa chinesa. A previsão inicial é de gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos no período das obras. “Estamos ansiosos para que este projeto seja efetuado logo para trazermos contribuições à indústria e comércio de Mato Grosso”, ressaltou a gerente geral da CED Prometheus, Flora Wel.

O recurso será aplicado no desenvolvimento, aquisição, engenharia e construção do centro de produção de energia fotovoltaica de 300MWp na região do Manso, a 129 quilômetros de Cuiabá. A eletricidade produzida atenderá as indústrias do Estado reduzindo o custo em energia.

“Precisamos cada vez mais reduzir o custo de produção e a energia é um item que aumenta o nosso custo. Com este projeto, temos a certeza que vamos ser beneficiados e as indústrias poderão fazer o aluguel dessas unidades solares”, disse o presidente do Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso, Jandir Milan.

O presidente da empresa FAAD, Fernando Augusto Filho, explicou que as vantagens da produção da energia solar no Estado. “A principal vantagem é ter uma energia 25 a 30% mais barata, ficar mais competitivo, criar novos empregos, circular mercadoria no Estado para entregar na obra e também o imposto sobre serviço dessas obras vão pagar ISS, porque é a parte da obra. Então, vem para dentro do governo do estado e do município uma boa quantia”.

O projeto irá seguir os mesmos moldes do condomínio fotovoltaico que está sendo desenvolvido em Palmira, em Paraná, onde mais de 150.000 m² em painéis solares atenderão exclusivamente as indústrias paranaenses. “A nossa cidade foi pioneira neste projeto e que foi concebido há quase três anos, chegando no seu período de maturação agora. O investimento em energia fotovoltaica nos chamou a atenção, justamente, pela questão ambiental e pela deficiência energética que o país pode ter no caso do crescimento”, ressaltou o prefeito de Palmeira, Edir Havrechaki.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone, o projeto é importante para atrair novos investidores ao Estado. “É fundamental ter um Estado que tenha autossuficiência energética e garantir isto as gerações futuras. Quando temos uma matriz de energia diversificada oferecemos mais garantia aos investidores. A Fiemt vai fazer uma reunião apresentando aos empresários este projeto. Então, tudo isto barateia o custo para Mato Grosso, gera mais empregos e atrai investidores dando condições para que eles se instalem no Estado”.

Fonte: Governo do Mato Grosso | Luzia Araújo

Quinze anos ‘atrasada’, energia solar vira alternativa competitiva

Na primeira semana deste ano, o Brasil ultrapassou a marca de 1 GW (gigawatt) em projetos de fonte solar fotovoltaica conectados na matriz elétrica, segundo levantamento da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). O número colocou o país entre os 30 maiores produtores da fonte e representa potência suficiente para abastecer 500 mil residências, ou 2 milhões de brasileiros.

De acordo com a associação, o número é resultado  do crescimento tanto do mercado de geração centralizada (usinas) quanto de geração distribuída (casas, comércios, etc. – leia mais abaixo) solar fotovoltaica no último ano.

Apesar do crescimento e da importância do número, no ano passado a energia proveniente do sol representou apenas 0,1% do total gerado, de acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). “Não representamos nem 1%, estamos com um atraso acumulado de 15 anos, por não ter havido um investimento e planejamento estruturado”, diz o presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, que citou exemplos positivos em SP, MG, GO e no Nordeste, seja por isenções ou programas de incentivo e financiamento.

A recuperação do tempo perdido, contudo, já começou. Na retomada dos leilões do governo federal, em dezembro do ano passado, a redução do preço da energia solar surpreendeu. “Ela se consagrou como uma nova alternativa competitiva para o país. O recurso solar é imenso e a fonte chegou para ficar. A redução foi muito significativa, o preço médio caiu de R$ 297 o megawatt-hora do leilão anterior, em novembro de 2015, para R$ 145 MW/h”, contou Sauaia. O primeiro leilão federal de energia solar aconteceu somente em novembro de 2014 – cinco anos depois da eólica, que alcançou seu 1 GW ainda em 2011.

A queda no preço pode ter, inclusive, um reflexo direto no aumento da contratação. “No PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2026 [publicado ano passado], o Ministério de Minas e Energia tinha um cenário de que, se o custo da solar caísse 40%, aumentaria a contratação de 1 mil MW para 1,9 mil MW ao ano. Estava previsto para 2023, mas recomendamos que isto seja revisto já no PDE deste ano e ampliem o protagonismo da fonte na matriz elétrica nacional”, diz Sauaia.

Em 2017 as usinas representaram 85% da produção solar, e 85,5% foi no Nordeste, com destaque para a geração em Tabocas do Brejo Velho e Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e de Ribeira do Piauí, no Piauí.

Geração distribuída passa  das 20 mil conexões

O número de conexões de micro e minigeração de energia ultrapassou recentemente as 20 mil instalações no país, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O atendimento delas, aliás, já passa de 30 mil unidades consumidoras.

Do total de 21.095 “usinas” geradoras de energia elétrica (dado da última sexta), a fonte disparada mais utilizada pelos consumidores-geradores é a solar, com 20.930 instalações e cerca de 71% potência total de 249 MW, que dá para abastecer mais de 350 mil residências.

O consumo residencial é responsável por quase 60% das conexões; já a classe comercial tem 35% delas.

Os três Estados com mais conexões (MG – 4.517, SP – 4.043 e RS – 2.503)  fazem parte dos 22 que aderiram ao convênio com o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que isenta o pagamento de ICMS sobre o excedente de energia elétrica produzida pelos sistemas de geração distribuída. Ele se tornou possível apenas em 2012, quando a Aneel permitiu ao consumidor instalar pequenos geradores em sua unidade consumidora e trocar energia com a distribuidora local.

A isenção vale para qualquer fonte renovável que gere até 75 kW (microgeração) ou até 5 MW (minigeração). Quando a energia gerada em um mês for superior à consumida, o consumidor fica com créditos (que valem por cinco anos) para abater da fatura dos meses seguintes.

Mudança de lógica

O último [R]evolução Energética, estudo publicado em 2016 pelo Greenpeace Brasil, que mostra o país com 100% de participação de fontes renováveis em sua matriz até 2050, já apontava a mudança de lógica na atual produção, com os consumidores produzindo a própria energia a partir de painéis fotovoltaicos. Na época, eram menos de 3 mil conexões.

Fonte: Metro Jornal | Brunno Brugnolo

IFRN está entre as instituições públicas que mais gera energia limpa no Brasil

O Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) está entre as instituições públicas que mais geram energia limpa no Brasil. Desde dezembro do ano passado, o IFRN atingiu a meta de instalar usinas solares em todos os 21 campis da instituição e reitoria.

Com isso, todas as unidades somadas têm cerca de 2.139 kWp de potência em energia solar – aquela gerada pela luz do sol por meio de painéis fotovoltaicos – conectada à rede, representando 24% do total de energia elétrica que o instituto consome.

“Considerando todos os geradores fotovoltaicos em operação no IFRN, temos potencial para gerar até 3,36 GWh/ano, o que representaria redução de despesa com energia elétrica da ordem de R$ 1,3 milhão por ano”, explica o professor e diretor acadêmico de Indústria do IFRN, Augusto Fialho.

“É extremamente importante que o Brasil reconheça esta grande realização do IFRN. Uma entidade pública comprovadamente eficiente, e que ainda dá entre tremendo exemplo de modernização e sintonia com os novos tempos, aproveitando localmente a energia solar que o RN proporciona”, celebrou o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates.

Agora que todas as unidades do IFRN possuem geração própria de energia elétrica, a próxima meta será cobrir com fonte renovável, no mínimo, 30% do consumo de cada unidade.

Fonte: CERNE Press

CERNE e prefeito de Santana do Seridó discutem potencial energético do município

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu, na manhã desta segunda-feira (22), o prefeito do município de Santana do Seridó, Hudson Brito. Ele solicitou informações sobre o potencial energético eólico e solar do município. A reunião contou com a presença do Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, e o corpo técnico da entidade.

Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, e o prefeito de Santana do Seridó, Hudson Brito discutem possíveis áreas com potencial energético eólico ou solar. (Foto; CERNE Press)

Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, e o prefeito de Santana do Seridó, Hudson Brito discutem possíveis áreas com potencial energético eólico ou solar. (Foto; CERNE Press)

O Prefeito teve acesso às algumas informações contidas no banco de dados georreferenciado do CERNE, que mostrou um mapa da região onde a cidade está localizada e as possíveis áreas de potencial para instalação de torres eólicas e painéis fotovoltaicos.

“Com base nessas informações vamos partir para a análise, em conjunto com a prefeitura, as medidas práticas que podem ser tomadas para que o município ajude os proprietários de terras e empresas à desenvolverem projetos de geração de energia renovável em Santana do Seridó e municípios vizinhos”,  afirmou Prates.

Corpo técnico do CERNE apresenta dados georreferenciados da região onde está situado o município de Santana do Seridó. (Foto: CERNE Press)

Corpo técnico do CERNE apresenta dados georreferenciados da região onde está situado o município de Santana do Seridó. (Foto: CERNE Press)

Santana do Seridó 

O município está localizado na região do Seridó do Rio Grade do Norte. De acordo com estimativa do IBGE  no ano 2016, sua população é de 2.688 habitantes e a área territorial de 188 km². A cidade está situada a 304 metros de altitude e faz divisa com os municípios de Equador, Ouro Branco, Parelhas, São José do Sabugi.

Fonte: CERNE Press

Geração solar deverá ter custo 50% menor até 2020, aponta Irena

Relatório divulgado na 8a. assembleia da associação reporta queda de preços das renováveis ao ponto de serem competitivas quando comparadas ao combustível fóssil

O custo de geração de energia eólica terrestre caiu cerca de um quarto desde 2010 e os custos de energia solar fotovoltaica caíram 73% nesse período, de acordo com a análise da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês). O relatório, divulgado nesta segunda-feira, 15 de janeiro, também destaca que os custos da energia solar deverão diminuir ainda mais, caindo pela metade até 2020.

Segundo estimativas da entidade, os melhores projetos de energia solar e eólica terrestre poderiam estar fornecendo eletricidade por um equivalente a 3 centavos de dólar por quilowatt-hora (kWh) no próximo dois anos, ou até menos. Essa perspectiva tem como base os recentes resultados de leilões, o que sugere a possibilidade de projetos futuros reduzindo significativamente as médias atuais. Os custos médios ponderados globais nos últimos 12 meses para a energia solar e a energia eólica terrestre estão em US$ 0,06 e US$ 0,10 centavos por kWh respectivamente.

O relatório destaca que a energia eólica terrestre agora é rotineiramente encomendada por US$ 0,04 por kWh. O atual espectro de custos para a geração de energia de combustíveis fósseis varia de US$ 0,05 e US$ 0,17 por kWh.

Na avaliação de Adnan Z. Amin, diretor geral da entidade, esta nova dinâmica sinaliza uma mudança significativa no paradigma energético. E ainda, que esses declínios de custos em todas as tecnologias são sem precedentes e representativos do grau em que as energias renováveis ​​estão revolucionando o sistema energético global.

O relatório, intitulado “Custos de geração de energia renovável em 2017” foi lançado no primeiro dia da 8ª Assembleia da Irena em Abu Dhabi. Há o destaque de que outras formas de geração de energia renovável, como os projetos de bioenergia, geotérmica e hidrelétrica nos últimos 12 meses, competiram nos custos com a energia gerada a partir de combustíveis fósseis.

As práticas competitivas de aquisição, juntamente com o surgimento de uma grande base de desenvolvedores experientes de projetos de médio a grande concorrentes para oportunidades de mercado global, são citados como novos fatores de redução de custos recentes, além de avanços tecnológicos contínuos.

O relatório também destaca que os resultados de leilões de energia indicam que os projetos de energia eólica offshore e energia solar concentrados no período entre 2020 e 2022 custarão na faixa de US$ 0,06 a US$ 0,10 por kWh, apoiando a implantação acelerada globalmente. A  Irena projeta ainda que todas as tecnologias de energia renovável competirão com os fósseis no preço até 2020.

 

Fonte: Canal Energia

 

Energia solar e eólica serão em breve mais baratas que carvão, diz Statkraft

A elétrica estatal norueguesa Statkraft espera uma transição mais rápida para energias renováveis no mundo, uma vez que o custo de novas usinas solares e eólicas deverá cair e se tornar mais baixo que a geração a carvão na próxima década, mesmo sem subsídios, disse nesta quinta-feira o CEO da companhia, Christian Rynning-Toennesen.

“Haverá uma série de novas oportunidades de negócios emergindo dessa corrida para as renováveis. Nós precisamos nos adaptar e olhar para essas novas possibilidades”, disse ele, ao participar de uma conferência em Oslo.

“O que nós temos visto é só o começo”, adicionou o executivo.

Ele disse esperar que em cerca de sete anos as novas usinas solares possam competir com o custo operacional de usinas a carvão em operação, o que significa que será atingido um ponto em que a geração solar poderá competir com o carvão em questão de custos mesmo sem qualquer subsídio.

“Em quase todos nossos mercados, novas solares e novos projetos eólicos onshore já são as tecnologias de menor custo entre todas fontes quando pensamos em nova capacidade”, afirmou.

Ele adicionou que, nos países escandinavos, usinas eólicas onshore já são a fonte mais barata para a construção de novas usinas ligadas à rede.

“Essas também são tecnologias que não têm dificuldades de construção… então as barreiras para entrada no mercado são pequenas, as possibilidades para que novas empresas que nunca foram da indústria de energia estão lá, e a competição é extremamente forte”, concluiu.

Fonte: Joachim Dagenborg | Reuters

Geração solar fotovoltaica ultrapassa a marca de 1 gigawatt no Brasil

Marca histórica posiciona o país entre os 30 principais mercados do mundo

O Brasil acaba de ultrapassar a marca histórica de 1 gigawatt (GW) em projetos operacionais da fonte solar fotovoltaica conectados na matriz elétrica nacional. O levantamento realizado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), revela que a potência é suficiente para abastecer 500.000 residências do país.

De acordo com a associação, apenas 30 dos 195 países do mundo possuem mais de 1 GW da fonte solar fotovoltaica. O marco é resultado do forte crescimento dos mercados de geração centralizada e geração distribuída solar fotovoltaica no ano de 2017.

“Na geração centralizada, contamos com a inauguração de grandes usinas fotovoltaicas localizadas nos estados da Bahia, Piauí, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco e representam uma potência total de 0,935 GW”, explicou o presidente executivo da ABSOLAR, Dr. Rodrigo Sauaia.

Na geração distribuída foi registrado um forte crescimento no uso pela população, empresas e governos de sistemas fotovoltaicos em residências, comércios, indústrias, prédios públicos e na zona rural, em todas as regiões do país, resultando em uma potência total de 0,164 GW.

“Somando estes dois segmentos do mercado, atingimos praticamente 1,1 GW operacionais no país desde o início de 2018, em linha com as projeções da ABSOLAR anunciadas em janeiro de 2017”, comemora Sauaia.

Rio Grande do Norte

Em quatro anos, o Rio Grande do Norte ampliou em mais de 4000% sua capacidade instalada de geração em energia solar fotovoltaica distribuída. O estado passou de 56 kilowatts em 2013 para 2.219 kw no primeiro semestre do ano passado.

Para Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), a região nordestina precisa criar um ambiente favorável, como foi feito no caso da energia eólica. Nesse sentido, ele aponta que o estado está caminhando positivamente.

“Quando nós começamos o trabalho em relação à eólica, havia um deserto de circunstância e tivemos que criar um ambiente favorável para a energia eólica. É a mesma coisa com a solar”, pontua Prates.

Em dezembro do ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a operação comercial da usina solar Assu V, adicionando à matriz energética do estado mais 30 MW de capacidade instalada.

O empreendimento ocupa uma área de 72 hectares no município de Assú (RN) e contou com investimento de R$ 220 milhões. Certificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a usina vai gerar, além de energia renovável, créditos de carbono ao evitar a emissão de mais de 46 mil toneladas de CO2 por ano.

Fonte: CERNE Press com informações da Absolar

Aneel autoriza operação comercial de 30MW em usina solar no Rio Grande do Norte

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira (26) a autorização para operação comercial da usina solar Assu V. O despacho confirma do COD da usina, que tem 30 MW de capacidade instalada, ocupa uma área de 72 hectares no município de Assú (RN) e contou com investimento de R$ 220 milhões. Certificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, Assu V vai gerar, além de energia renovável, créditos de carbono ao evitar a emissão de mais de 46 mil toneladas de CO2 por ano.

“Com essa usina ampliamos nossa experiência no setor fotovoltaico e consolidamos nossa entrada definitiva na geração solar centralizada”, diz o diretor-presidente da ENGIE Brasil Energia, Eduardo Sattamini. O empreendimento, segundo o executivo, reforça a estratégia global da ENGIE de investir na geração de energia renovável. “Ao lado da geração fotovoltaica distribuída, este é um mercado para o qual visualizamos um crescimento expressivo nos próximos anos”, revela Sattamini. O diretor de Geração da ENGIE, José Laydner, conta que estudos mostraram a forte incidência de raios solares e poucas chuvas durante o ano na região do Vale do Açu, onde está o projeto. “Essa é a condição ideal para a geração fotovoltaica”, sinaliza.

Foram dois anos de estudos e negociações desde a vitória no 8° Leilão para Contratação de Energia de Reserva e 257 dias de obras desde o início da construção. Durante o cronograma de obras, houve  uma mudança do ponto de conexão do projeto ao Sistema Interligado Nacional, que estava programado para ocorrer na Subestação Açu 3. Com a interrupção da obra por parte do investidor responsável, a conexão passou para a Subestação Açu 2, já em operação.

Fonte: CERNE Press com informações Engie Energia

Brazilian wind is back in the game – but the game has changed

The 1.4GW of wind contracted in Brazil rewards the country’s supply chain for playing the long game, but falling prices mean it’s by no means business as usual, writes Alexandre Spatuzza

One of the first OEMs to celebrate the result of Brazil’s latest tender was Siemens Gamesa, which says it won a “substantial market share” of the 1.4GW of new capacity contracted for 2021 and 2023.

The manufacturer also said the victory will allow it to upgrade to bigger, newer models from the current 2MW, G114 and other platforms assembled in Brazil.

Even so, the record low price of around $30/MW reached in December’s second tender – in which most of the wind was contracted – will be challenging for the OEMs active in Brazil, which up to 2015 got used to prices above $50/MWh, even as other countries in the region saw rates falling well below that.

“Brazil is back in the game, and it is now following the trend of sharp decline in prices of wind and solar power seen in other tenders in Mexico, Chile and Europe,” Rodrigo Ferreira, supply chain and institutions director for Siemens Gamesa in Brazil told Recharge.

Differently from its Latin American counterparts that hold tenders denominated in US dollars, Brazil not only has a local-currency PPAs, but also has the strictest local content rules. Those regulations have led six OEMs to open up nacelle assembly plants and invest over R$1bn ($310m) to develop a local supply chain since 2013.

Producing locally is the only way that project sponsors can tap development bank BNDES’s cheap and partially subsidised financing to buy machines, avoiding exposure to foreign exchange risks, which, in Brazil are unbearable, given the lasting political and economic instability of the past three years.

In fact, some say that such protectionism was one of reasons for Brazil’s stability in wind prices around the $50-$60/MWh level. With no competition from abroad, who would move to reduce prices if financing is guaranteed by the BNDES at almost unchanged rates and conditions, and the government is constantly buying new capacity?

But then came the crisis: with economic free-fall since 2014, political turmoil – which led to an unorthodox change in government – meant the tenders stopped and the carefully-built 2GW-a-year wind power supply chain was thrown into disarray.

Although for solar power – which contracted 574MW at the first tender also at record low prices – tapping foreign financing seems to have been an option due to the lack of a developed local supply chain, and even as wind power players dabbled with overseas funding, it seems that BNDES and the local supply chain managed to retain the buyers’ preference.

So, if interest rates have fallen little, if foreign financing seems to have been discarded, and if BNDES will still be funding most of the 51 projects that Enel, EDPR, Iberdrola, Voltalia and others contracted, what happened for prices to fall so drastically?

The main factor was hunger for new contracts. Developers had built up a projects pipeline of 26GW, an investment which cannot easily be written off because it mobilises a lot of manpower and money in a country with complex, bureaucratic and strict environmental rules.

So investors had to grab the first opportunity that showed itself, and this came under the name of economic recovery. Albeit still shy and unpredictable, we’re talking about 2023 – six years from now – when a large BRICS country with a 200 million plus population is very likely to have broken free from the straightjacket of recession.

True, this has been one of Brazil’s worst slowdowns, but no developing country can remain without growing for too long. A relatively young population and pent up demand for improvements in a global economy are always a magnet for economic growth, even without the support of a fiscally crippled government.

Also, by 2023, a new elected government will hopefully have more legitimacy and clarity in policies, applying lessons learned for democratic living and turning the page on the political depression that currently has its grips on Brazil.

So if in the first tender the seven distributors that bought power projected only 39TWh of demand over 20 years starting in 2021, in the second tender, not only more utilities signed contracts, but they also bought 10 times more power over 20 years starting in 2023.

“It’s a signal that the economy is recovering, although we cannot say it will be constant,” said Élbia Silva Gannoum, executive president the Brazilian Wind Power Association (ABEEólica) moments after the tender.

Hunger was also the driver for the supply chain.

Aside from Siemens Gamesa, Vestas, Nordex-Acciona, Wobben Windpower (Enercon), GE and local player WEG held on for two years without new contracts, none throwing in the towel and all trying to find ways to ensure some kind of activity after July 2018, when most of them will have fulfilled the 17GW of orders placed in the tenders between 2009 and 2015. So when this tender came, they were gasping for new contracts.

Even so, something else must have changed in Brazilian market.

Jean-Paul Prates, energy consultant and head of the renewable energy think tank Cerne, put it like this: “The fast of contracts shook what was an accommodated market, and engineering services suppliers as well as OEMs all knew they had to do something, so this resulted in lower prices.”

Differently from neighbouring Argentina, where competition for 10GW of contracts for 2025 in a ‘virgin’ market led to a sharp decline in prices as players jostle for position – sometimes risking returns in the short term – Brazil is a much mature market.

So investors know how to the play the game here. In fact, they have helped create the rules of the game as Brazil surged from zero wind power capacity in 2009 to 12.5GW at the close of 2017.

The winners of this year’s tenders are large international utilities who not only have interest in other sectors in Brazil, but also have easier access to capital. They also have firepower when needed to negotiate with suppliers by the sheer bulk of their buying capacity. This also forces a change in the market.

Whether such price levels will continue in the three upcoming tenders already scheduled for 2018, is still uncertain. But Siemens Gamesa’s strategy could indicate what is coming for OEMs and investors alike.

Ferreira clearly linked the success in the tender with the measures taken within the company while procurement was frozen, which he summarised as ‘gains in competitiveness’.

This ranges from offering auxiliary consulting services in the design of projects to doubling its supply chain – from around a 150 to 300 says Ferreira – to offering new technology to its clients.

But keeping its supply chain alive through an audacious exporting scheme, says Ferreira, made suppliers invest to be able to sell products in foreign markets.

“When our suppliers made a commitment to improve competitiveness for the foreign market, it made them competitive in the local market also,” says Ferreira, adding that the company will continue to export components.

Perhaps the cliché of “opportunity in times of crisis”, a favourite of management gurus in the 1990s, has been confirmed by Brazil’s wind sector. But perhaps the tender also confirms the resilience of the renewable energy sector and its capacity to play the right game when its sights are set on the long-term.

In any case, if the new Brazilian government planners had any doubts about whether the tender system put in place in 2004, with wind debuting in 2009, still works, they no longer have. And with that, solar and wind investors have shown not only they know how the play the game, but that they can win, out-competing all other technologies in price.

So Brazil is back in the game, as expected. After all 12.6GW installed, 5GW being built and the 1.4GW now contracted is but fraction of Brazil’s 200GW plus wind power achievable potential, making resilience pay off.

Fonte: Alexandre Spatuzza | Recharge Brazil

Energia solar pode acelerar expansão após forte queda de preço em leilão, diz setor

O Brasil contratou novas usinas de energia solar em um leilão nesta segunda-feira a um preço médio equivalente a cerca de 44 dólares por megawatt-hora, contra 78 dólares na última licitação para projetos da fonte, em 2015, em um sinal de competitividade que pode acelerar a expansão da tecnologia no país, disse à Reuters o chefe de uma associação do setor.

Em um documento com planos para a expansão da geração de energia no Brasil nos próximos dez anos publicado recentemente, a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) disse que poderia acelerar a contratação de usinas solares se a fonte apresentasse queda significativa de preços, o que para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) já é uma realidade.

No leilão desta segunda, que contratou projetos para iniciar operação em 2021, os investidores fotovoltaicos apresentaram preços em média 56 por cento menores que o teto definido para a disputa, e terminaram com cotações mais baratas que empreendimentos hidrelétricos, até então o carro-chefe da matriz brasileira, e que térmicas a biomassa.

“É um patamar importante de competição. Esse leilão de fato marcou uma mudança de patamar da fonte… quando a gente olha o resultado, acreditamos que o Brasil já precisa começar a olhar com mais protagonismo para o papel da fonte em sua matriz”, disse o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.

Os empreendimentos solares responderam por cerca de 85 por cento da capacidade contratada na licitação, com 574 megawatts em capacidade, dentre 674,5 megawatts contratados.

O preço de referência praticado pelos investidores da fonte variou de um máximo de 250 reais por megawatt-hora a um mínimo de 155,82 reais. O teto era de 329 reais por megawatt-hora.

Sauaia atribuiu o desempenho das usinas na concorrência a um grande número de investidores interessados em um cenário de baixa demanda por contratação e à evolução tecnológica, que tem derrubado preços de equipamentos.

Houve, ainda, uma contribuição da taxa de câmbio, mais favorável agora do que em 2015, acrescentou ele.

Entre as empresas que viabilizaram projetos na disputa apareceram a AES Tietê, da norte-americana AES, e a Enel Green Power, do grupo italiano Enel, líder em investimentos na fonte no Brasil.

De acordo com a Absolar, o Brasil possui atualmente cerca de 850 megawatts em usinas solares em operação comercial e deverá alcançar até o final do ano a marca de 1 gigawatt, o que colocará o país em um clube com pouco mais de 20 nações que alcançaram esse patamar em todo o mundo.

Apesar do marco, a fonte ainda representa menos de 1 por cento da matriz elétrica do país, liderada pelas hidrelétricas, que respondem por cerca de 60 por cento da capacidade.

Fonte: Reuters | Luciano Costa