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Brasil atinge 250 MW em geração solar distribuída

Absolar estima que montante histórico representa R$ 1,9 bilhão em investimentos

O Brasil acaba de atingir a marca histórica de 250 MW de potência instalada em sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias, edifícios públicos e na zona rural. De acordo com mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Brasil possui hoje 27.803 sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, trazendo economia a 32.924 unidades consumidoras, somando mais de R$ 1,9 bilhão em investimentos acumulados desde 2012, distribuídos ao redor de todas as regiões do país.

Em números de sistemas instalados, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 77,4% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (16%), consumidores rurais (3,2%), indústrias (2,4%), poder público (0,8%) e outros tipos, como serviços públicos (0,2%) e iluminação pública (0,03%).

Em potência, os consumidores dos setores de comércio e serviços lideram o uso da energia solar fotovoltaica, com 42,8% da potência instalada no país, seguidos de perto por consumidores residenciais (39,1%), indústrias (8,1%), consumidores rurais (5,6%), poder público (3,7%) e outros tipos, como iluminação pública (0,03%), e serviços públicos (0,6%).

O presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, ressalta que o crescimento da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica é impulsionado por três fatores principais: a forte redução de mais de 75% no preço da energia solar fotovoltaica ao longo da última década; o forte aumento nas tarifas de energia elétrica dos consumidores brasileiros; e o aumento no protagonismo e na consciência e responsabilidade socioambiental dos consumidores.

“Celebramos com otimismo este passo histórico para a fonte solar fotovoltaica no Brasil, com a certeza de que teremos um forte crescimento do setor nos próximos anos e décadas. O Brasil possui mais de 82 milhões de unidades consumidoras e um interesse crescente da população, das empresas e também dos gestores públicos em aproveitar seus telhados, fachadas e estacionamentos para gerar energia renovável localmente”, comenta Sauaia.

Para acompanhar de perto a evolução da microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica nos estados brasileiros, a Absolar desenvolveu um Ranking Nacional Solar Fotovoltaico, que compara as potências instaladas em cada unidade da Federação.Atualmente, o Estado de Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 22,9% da potência instalada no país, seguido pelo Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (13,5%), Ceará (5,9%) e Santa Catarina (5,9%).

Fonte: Canal Energia

Energia renovável emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo

O setor de energia renovável, incluindo as grandes hidrelétricas, emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da quinta edição do relatório Renewable Energy and Jobs – Annual Review, lançado hoje (8) na 15º Reunião do Conselho da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), em Abu Dhabi. De acordo com o relatório, em 2017 foram criados mais de 500 mil empregos, um aumento de 5,3% em relação a 2016.

Segundo a Irena, organização intergovernamental global com 156 membros, a China, o Brasil, os Estados Unidos, a Índia, Alemanha e o Japão continuam a ser os maiores empregadores do mercado de energia renovável no mundo, representando mais de 70% de todos os empregos no setor globalmente.

“Embora um número crescente de países esteja colhendo os benefícios socioeconômicos das energias renováveis, a maior parte da produção ocorre em relativamente poucos países e os mercados domésticos variam enormemente em tamanho”, avalia a agência.

Para a Irena, a economia global poderá criar até 28 milhões de empregos no setor até 2050, com a descarbonização do sistema energético. Os dados mostram que a produção de energia solar fotovoltaica continua sendo o maior empregador de todas as tecnologias de energia renovável, respondendo por cerca de 3,4 milhões de empregos. A estimativa é que a China responda por dois terços dos empregos fotovoltaicos, equivalente a 2,2 milhões, o que representa uma expansão de 13% em relação a 2016.

Ao lado da China, Blangladesh, Indía, Japão e os Estados Unidos são os principais empregadores no mercado de energia solar fotovoltaica no mundo. Juntos, os cinco países respondem por cerca de 90% dos empregos em energia solar fotovoltaica em todo o mundo.

Brasil

No Brasil, o relatório destaca que o número de empregos no segmento de biocombustíveis aumentou 1% em 2017, totalizando 593 400 postos de trabalho. “Os empregos em etanol diminuíram devido à constante automação e ao declínio da produção de etanol”, aponta a agência.

Apesar da queda na produção de empregos no setor de etanol, a agência disse que houve compensação com os empregos gerados pelo biodiesel. A Irena estima que o Brasil empregou 202 mil pessoas no setor de biodiesel em 2017, 30 mil a mais em relação ao ano anterior.

Já no que diz respeito à indústria eólica, o levantamento estima que o setor emprega cerca de 33.700 pessoas na fabricação, construção, instalação, operação e manutenção. Em 2017, a indústria eólica fechou o ano com 12,8 GigaWatts (GW) de energia acumulados.

De acordo com a agência, novas instalações no mercado de aquecimento solar no Brasil caíram 3% em 2017. O emprego total em 2017 foi estimado em cerca de 42.000 postos de trabalho, com cerca de 27.500 na indústria transformadora e 14.500 na instalação.

Segundo Adnan Z. Amin, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável, a energia renovável tornou-se um pilar do crescimento econômico de baixo carbono para governos em todo o mundo, um fato refletido pelo crescente número de empregos criados no setor. Ainda segundo o diretor da agência, os dados também ressaltam um quadro cada vez mais regionalizado, destacando que os benefícios econômicos, sociais e ambientais das energias renováveis são mais evidentes nos países onde existem políticas atraentes para o setor.

Edição: Fernando Fraga | Agência Brasil

Governo anuncia fundo de investimento em energia solar de R$ 3,2 bilhões

O anúncio dado pelo Ministério da Integração revelou que os fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-oeste vão ofertar R$ 3,2 bilhões em linhas de crédito para a instalação de placa solar para captar energia solar em residências nas três regiões. O anúncio foi feito em reunião dos conselhos deliberativos das agências regionais de financiamento – Sudam, Sudene e Sudeco e essa nova fonte de crédito foi aprovada.

Os recursos ofertados têm juros abaixo em comparação as taxas de mercado, além de prazos mais longos de pagamento. O objetivo principal é incentivar a geração própria de energia solar em residências e estabelecimentos comerciais. Os interessados das regiões do Norte e Nordeste terão juros cobrados no valor de 6,24% ao ano. Para as residências no Centro-Oeste, os juros serão de 7,33% ao ano. O pedido do financiamento deve ser realizado nos bancos do Nordeste, da Amazônia (região Norte) e no Banco do Brasil (região Centro-Oeste).

De acordo com o ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, a iniciativa tem impacto positivo na renda das famílias atendidas, ao reduzir o custo com o consumo de energia, além de fortalecer a matriz energética, incentivando o uso de fontes renováveis. Isso estará ampliando a oferta de energia limpa, de qualidade, respeitando o meio ambiente.

Segundo dados da Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, atualmente o Brasil possui 24.565 sistemas de mini ou microgeração distribuída. Mais de 99% dos sistemas são baseados em placas solares fotovoltaicas. Cerca de 70% dos microgeradores estão no segmento de comércio, prestação de serviços ou residências de renda média e alta.

O presidente-executivo da associação, Rodrigo Sauaia, destaca que é muito importante as pessoas físicas e jurídicas encontrarem o caminho para o financiamento! Segundo Rodrigo, o investimento em placa solar para a autoprodução de energia limpa se paga em até cinco anos e os sistemas têm vida útil de pelo menos 25 anos.

O Brasil é extremamente favorável para se realizar investimentos em energia solar, colocando em números concretos, a incidência diária de sol no país tem capacidade de gerar entre 4.500 Wh/m2 e 6.300 Wh/m2. Ou seja, os números impressionam, ainda mais considerando a extensão da área do território nacional.

Recentemente o governo divulgou que o país pode integrar o ranking dos 20 maiores produtores de energia solar do mundo em 2018. Essa meta deve ser alcançada devido à grande expansão da tecnologia no país, queda no preço dos equipamentos e pela potência de 2,6 GW de geração centralizada, que segundo o anuncio, já está contratada.

Pesquisas apontam que o Brasil vive o momento ideal para investir em energia solar. Segundo os especialistas da área, o apoio do governo é fundamental para incentivar as pessoas e divulgar o recurso solar! Caso tenha interesse você pode começar a investir na sua empresa ou residência! Entre em contato com a equipe especializada, através do site Portal Solar, e solicite um orçamento para ter energia solar fotovoltaica própria através de placa solar e painel solar.

Fonte: Portal Solar

Ceará volta à vanguarda da energia renovável com mini e microgeração

Toda expertise adquirida desde o início da implantação dos primeiros projetos de energia renovável no Ceará tem ancorado e estimulado o desenvolvimento de um novo mercado para o Brasil: o da mini e microgeração distribuída no Estado. Atualmente, o território cearense conta com 472 unidades produtoras em operação, o que dota o Estado de uma potência instalada de geração de 20 megawatts (MW) e o torna novamente um pioneiro do setor.

Destas unidades, 94% são centrais geradora solar fotovoltaica, segmento que, nos últimos anos, vem se expandindo exponencialmente no País e no Estado, acompanhando o movimento já consolidado na Europa.

“Essa é a forma de distribuição de energia que está alterando o sistema de distribuição elétrica no mundo. Em países como Alemanha e Itália, por exemplo, houve um grande esforço para estimular esse tipo de geração”, diz Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará (CSRenováveis-CE). “No Brasil, isso ainda está muito no início, e o Ceará saiu na frente, com o setor muito organizado. Então, é provável que com o tempo o Ceará perca essa segunda posição”.

No País, hoje, são 12.331 mil pequenos produtores conectados à rede de distribuição elétrica, com uma potência total de 139 MW, sendo Minas Gerais o estado com o maior número de unidades (2.653) e com a maior potência instalada (29 MW). As unidades fotovoltaicas correspondem a 69% do total no País. “Essa é a tendência, com cada unidade consumidora produzindo energia, seja uma parte do que consome ou até mais do que o próprio consumo, retornando o excedente à rede. Além disso, há a possibilidade de geração remota, no modelo de condomínio ou consórcio”, diz Picanço.

Considerando os grandes empreendimentos, o Brasil tem hoje 50 usinas fotovoltaicas, com potência instalada total de 148,2 MW, o que corresponde a apenas 0,09% da capacidade de geração do País. No entanto, nos próximos anos, o potencial solar será multiplicado por 20, passando para 3,0 gigawatts (GW). Atualmente, são 37 usinas em construção no País, com 1,06 GW, e 70 empreendimentos fotovoltaicos contratados com construção não iniciada, com potência total de 1,79 GW.

Geração no Estado

No Ceará, entre os micro e minigeradores, Fortaleza conta com o maior número de unidades geradoras, 213 (2,3 MW), mas o maior potencial instalado está em Aquiraz, cujas 24 unidades têm uma potência total de 13,0 MW. Em outubro do ano passado, o Grupo Telles inaugurou em Pindoretama, na região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a maior usina comercial de energia solar do País, com potência instalada de 3 MW, suficiente para garantir o abastecimento da fábrica de embalagens de papelão Santa Elisa, pertencente ao grupo. Com mais de 9 mil painéis fotovoltaicos, o investimento de cerca de R$ 30 milhões prevê o aumento da capacidade para 5 MW.

Gargalos

Com relação aos grandes empreendimentos, o Estado, que conta hoje com somente um empreendimento em operação, em Tauá, com 1,0 MW de potência, terá nos próximos anos, seis usinas, com potência instalada de 180 MW. Destas, quatro serão instaladas em Quixeré, uma em Banabuiú e uma em Massapê. Cada uma delas terá 30 MW de potência instalada.

O crescimento, no entanto, poderia ser percebido já no próximo ano caso os vencedores dos leilões realizados em 2015 estivessem concluindo seus empreendimentos. No entanto, a conjuntura econômica acabou adiando os planos. “Alguns projetos desistiram de implantar por causa da grande desvalorização do real. Eram projetos para serem entregues agora”, diz João Mamede Filho, consultor em energia. “O governo sinalizou o leilão para abril deste ano, depois passou para agosto, e já adiou para setembro ou outubro. O investidor precisa de segurança”, diz.

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

Eólicas vão corresponder a quase 40% da nova geração em 2017

A Aneel estima que entrem em operação neste ano 3.783 MW de novas usinas, dos quais 1.501 MW de usinas eólicas. A fonte terá a maior participação na nova capacidade de geração adicionada no país em 2017, o equivalente a 39,7%.

Conforme o último relatório de fiscalização da agência, de acompanhamento do progresso de usinas em implantação no Brasil, também terão importante participação na nova capacidade de geração as grandes hidrelétricas. De acordo com o previsto pela Aneel, serão 1.222 MW desta fonte, ou 32,3% do total previsto.

Mesmo que as PCHs também sejam incluídas, a fonte hídrica ainda ficaria atrás da eólica em termos de novas instalações: estão previstos para entram neste ano 92,8 MW de pequenas centrais hidrelétricas, ou 2,4% do total.

As fotovoltaicas também terão participação importante, no ano em que entram as primeiras usinas centralizadas contratadas em leilão. A fonte será responsável por entregar 12,7% da nova capacidade de geração no país neste ano, ou 483 MW.

Seguem, por fim, as térmicas a biomassa, que devem adicionar 423 MW neste ano, ou 11,2% do total, e as térmicas a combustíveis fósseis, com a instalação de 60,4 MW, ou 1,6% do total.

Fonte: Brasil Energia | Lívia Neves

EPE disponibiliza estudo sobre geração de usinas híbridas eólico-fotovoltaicas

A Empresa de Pesquisa Energética – EPE disponibilizou o documento “Avaliação da geração de usinas híbridas eólico-fotovoltaicas – Proposta metodológica e estudos de caso”. O estudo apresenta simulações de geração de energia elétrica de usinas fotovoltaicas e eólicas e discute o efeito da complementariedade dessas fontes, para diferentes regiões e configurações de usinas.

No estudo considerou-se como premissa o compartilhamento do ponto de conexão por essas usinas simuladas, avaliando hipótese de otimização do uso da subestação e do sistema de transmissão ou distribuição responsável pelo escoamento da energia.

Os resultados obtidos apontam para a importância da discretização dos dados utilizados, bem como sinalizam que as características dos recursos energéticos locais e o dimensionamento de cada usina, são fatores que influenciam sensivelmente o perfil de complementaridade da produção de energia eólico-fotovoltaica, devendo-se ter cautela na generalização dos possíveis benefícios de otimização da infraestrutura. Pretende-se, com esse estudo, estimular o amadurecimento da discussão sobre o tema e propor uma metodologia consistente para avaliação da complementaridade entre as fontes solar fotovoltaica e eólica.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Fonte: EPE

Brasil pode estar no clube dos 1GW, afirma presidente da Absolar

A energia solar está conquistando seu espaço aos poucos no Brasil e as previsões parecem ser animadoras para o setor. O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou em entrevista à Recharge que o país se unirá ao clube das nações com 1GW de capacidade este ano.

De acordo com as projeções estimadas pelo Governo Federal, a geração fotovoltaica em grande escala deve atingir 7GW em 2024, enquanto a geração distribuída poderá alcançar 4,5GW.

A publicação também afirma que o calcanhar de Aquiles da política energética no Brasil, no âmbito das renováveis, tem sido a falta de um planejamento contínuo e exemplifica tal fato citando o recente cancelamento do leilão de energia de reserva, que estava marcado para acontecer no fim do ano passado.

Diante desta situação, a Absolar tem se reunido com o governo para que novos leilões aconteçam. “A indústria solar gera emprego e pode ajudar o país a voltar ao crescimento, para o qual precisa de visibilidade de cinco a dez anos, mas hoje nosso horizonte é de apenas dois anos”, disse Sauaia.

O setor fotovoltaico, no entanto, está crescendo a uma taxa de 300%, impulsionado pela queda dos custos de instalação e aumento da tarifa de energia. Mas a falta de financiamento, de medidas de isenção fiscal e outras políticas governamentais dificultam o crescimento pleno do setor.

Mesmo com este panorama, o presidente da Absolar é otimista. A matéria destaca que alguns governos estaduais estão implementando programas solares para fomentar novos empregos, incluindo medidas para suprir edifícios públicos com energia solar.

Sauaia afirma que a Absolar, juntamente com a Agência Alemã de Desenvolvimento (GIZ), a Associação Brasileira de Geração Distribuida (ABGD) e universidades, estão pesquisando o desenvolvimento de padrões para instaladores fotovoltaicos, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está preparando um programa de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos de negócios e desenvolvimento de armazenamento.

Fonte: CERNE Press

RN pode produzir energia solar em alta escala

Assim como está na frente em capacidade de empreendimentos eólicos, o Rio Grande do Norte também pode sair na frente em produção de energia solar. A produção de energia fotovoltaica ainda é pontual e tímida no estado, mas, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com a estrutura que o estado já tem para a energia eólica, será possível atrair empreendimentos solares, já que a produção de energia a partir do calor do sol está mais competitiva. “Já se tornou competitiva e desde 2014 aparece nos leilões. Podemos acolher empreendimentos solares adotando a estrutura eólica como base”, diz.
O governo federal tem estudado formas de aproveitar as infraestruturas já existentes, possibilitando a chamada geração híbrida, quando uma ou mais fontes, neste caso eólica e solar, geram energia e utilizam as subestações e linhas de transmissão já construídas para outras fontes. “Os parques híbridos tem tendência de serem instalados no RN e há projetos sendo hibridizados para aproveitar infraestrutura de escoamento e dar mais competitividade nos leilões”, explica Jean-Paul Prates. Ele conta que a energia solar para grande porte não tinha competitividade porque até quatro anos atrás era quatro vezes mais cara do que hoje. “Agora é uma vez e meia mais cara, mas todo que se fizer, toda a estrutura que já se tem e os incentivos para viabilizar esses empreendimentos se refletem em uma tarifa mais competitiva”, avalia.
Projetos de energia híbrida já estão sendo desenvolvidos pelo país. No início deste mês, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, inaugurou um projeto inédito no mundo: a instalação de placas fotovoltaicas sobre flutuadores, instalados no lago da Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. Ele disse que o Brasil se prepara para um setor elétrico robusto, seguro do ponto de vista energético, eficiente, limpo e sustentável do ponto de vista ambiental e social, além de barato, que gere emprego.
Esse projeto será conduzido por pesquisadores das universidades federais do Amazonas e de Pernambuco, com acompanhamento do governo federal. A inserção de flutuadores em lagos já existe na Europa, mas o aproveitamento com estruturas de hidrelétricas é inédito. O mesmo projeto está sendo lançado na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia.
Outra proposta inovadora na geração híbrida será implantada na comunidade indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Roraima. O modelo que será testado por lá vai associar energia térmica (já existente) e eólica. A ideia é aproveitar os ventos que incidem nos altos dos montes e gerar energia para os índios daquela região. O novo modelo de produção de energia vai baratear os custos da energia gerada, gastando-se menos volume de óleo diesel e equilibrando a conta.
Jean-Paul Prates diz que não se pode prever que a produção de energia alternativa como a dos ventos e do sol venha a superar a das hidrelétricas. “Não são energias de base. Precisamos delas como fonte de energia alternativa. Elas têm o problema de continuidade porque dependem da força dos ventos e da incidência do sol, mas sempre vão conviver com outras formas de energia. Nosso regime hidráulico ainda é avassalador”, avalia o especialista.
Prates diz ainda que um terço do Nordeste é suprido por eólicas. “Se não fosse ela o Nordeste já estaria em racionamento de energia desde novembro passado e o país teria entrado em crise energética. O governo acertou em rever o modelo elétrico por volta de 2006 e 2007 quando passou a não depender unicamente das água dos rios que precisam das chuvas”, conclui o especialista em energias.
RN é o estado com maior capacidade eólica instalada
O Rio Grande do Norte é o estado com maior capacidade instalada em usinas eólicas a maior capacidade instalada em usinas eólicas. Fechou 2015 com um aumento de 28,3%, num total de 2.493 MW. Para os especialistas a tendência é de que o estado continue na dianteira em produção de energia eólica, com previsão de investimentos de mais R$ 6 bilhões nos próximos anos no setor.
Em todo o país, a capacidade instalada de usinas eólicas cresceu 45% em 2015 na comparação com 2014, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Passou de 5.710 MW para 8.277 MW. E isso se deve aos novos empreendimentos que entraram em operação. Em 2015 foram 102 novos empreendimentos que passaram a produzir a energia a partir dos ventos, somando um total de 325 geradoras eólicas. O estado com maior capacidade instalada é o Rio Grande do Norte, seguido do Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.
“O Rio Grande do Norte contratou mais e é o maior estado em energia”, explica a presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, Elbia Gannoum. Ela se refere aos investimentos em no setor que começaram em 2009 com leilões e que se estenderam até 2015.  “Desde então, os parques eólicos estão sendo construindo e a capacidade está crescendo como o pre-visto quando cada um é concluído e entra em operação. Estaremos batendo o recorde a cada ano”.
Segundo a CCEE, as usinas eólicas produziram 2.971 MW médios em 2015, num crescimento de 52% em relação ao mesmo período de 2014. Vale destacar o desempenho da fonte no mês de agosto, quando a produção alcançou seu auge e entregou ao Sistema Interligado Nacional de 3.199 MW médios. “O vento é abundante e a energia eólica é a segunda fonte mais barata do país. Isso mantém a trajetória do país de crescimento nesse tipo de energia”, relata a presidente da ABEEolica. Em 2015, diz, o setor investiu R$ 22 bilhões e para 2016, Élbia diz que estão previstos R$ 25 bilhões.
Jean-Paul Prates, do Cerne, também ressalta que a previsão do aumento da capacidade está se cumprindo e diz que vai aumentar ainda mais com o Rio Grande do Norte sempre à frente, mas que é preciso manter o estímulo no setor. “Temos que procurar nos manter assim porque somos a principal referência para o país. É preciso manter um trabalho constante de permanência e fortalecimento do setor que é o principal segmento a substituir o petróleo que tínhamos”, destaca Prates.
O estado não chegou a esse patamar por acaso, segundo Prates, foi preciso acreditar, antes dos primeiros leilões que ocorreram em 2009 que essa era uma atividade que merecia investimentos e facilitar a vinda dos empreendimentos. “Enquanto outros colocaram obstáculos para dificultar a produção de energia eólica, o RN acreditou. É importante manter a atenção especial para este setor que já investiu mais de 10 bilhões de 2008 para cá, e estão em construção ou contratados mais de R$ 6 bilhões”, diz.
Outro ponto importante é que a produção de energia no Rio Grande do Norte está descentralizada levando desenvolvimento econômico para várias regiões do estado. “É no Mato Grande, que vivia de agricultura de subsistência e agora já tem uma economia pujante graças a esse setor; é o litoral Norte; a região central que começa a receber investimentos; e até na serra de Santana”, relata.
E o estado deve continuar atraindo empreendimentos eólicos. Segundo Jean Paul, ainda existem muitas áreas propícias para a instalação de usinas eólicas. “Já tem novas áreas em medição e há disponibilidade pelo menos dois terços, ou seja, duas vezes e meia a mais do que já temos em capacidade de realização para o setor eólico e agora com a expectativa de adotar e receber bem a energia solar”, destaca o presidente do Cerne.
Fonte: Cláudio Oliveira | Novo Jornal