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Custo da energia eólica cai 23% no mundo, aponta pesquisa

O custo da energia eólica produzida em terra (onshore) caiu 23% desde 2010 e o da eletricidade gerada por painéis solares fotovoltaicos, 73% no período. Há outras boas notícias. O custo da energia solar deve ainda reduzir pela metade em 2020.

A expectativa é que em 2019 os melhores projetos de energia eólica em terra e de energia solar fotovoltaica produzam eletricidade a US$ 3 centavos por kWh, o que pode ficar bem abaixo do custo atual da energia produzida a partir de combustíveis fósseis.

Os dados fazem parte do relatório “Renewable Power Generation Costs” da International Renewable Energy Agency (Irena), o maior fórum mundial de promoção de energias renováveis, um clube que já reúne 154 países mais a União Europeia e tem 26 em processo para ingressar.

Em Abu Dhabi, no Chile, em Dubai, no México, no Peru e na Arábia Saudita, a energia solar bateu recordes de preços baixos alcançando US$ 3 centavos por kWh.

Outras fontes de energia renovável como biomassa, geotérmica e projetos hidrelétricos mostraram ser competitivas nos últimos 12 meses com combustíveis fósseis.

O relatório foi lançado durante a 8ª Assembleia Mundial da entidade, em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde fica a sede da Irena.

“Há uma transição global em curso que não deixa dúvidas sobre a transformação que temos que enfrentar nas nossas economias”, disse Adnan Amin, o diretor geral da Irena, na abertura da Assembleia. “É impressionante observar a velocidade com que a mudança está ocorrendo”, continuou.

O Brasil ainda não faz parte da Irena, que tem entre seus participantes os Estados Unidos, a China e a Índia.

A 8ª Assembleia da Irena segue até o dia 14. Há 1.100 representantes de governos, ONgs e empresas de 150 países participando do evento.

Fonte: Daniela Chiaretti | Valor Econômico

Energia solar e eólica serão em breve mais baratas que carvão, diz Statkraft

A elétrica estatal norueguesa Statkraft espera uma transição mais rápida para energias renováveis no mundo, uma vez que o custo de novas usinas solares e eólicas deverá cair e se tornar mais baixo que a geração a carvão na próxima década, mesmo sem subsídios, disse nesta quinta-feira o CEO da companhia, Christian Rynning-Toennesen.

“Haverá uma série de novas oportunidades de negócios emergindo dessa corrida para as renováveis. Nós precisamos nos adaptar e olhar para essas novas possibilidades”, disse ele, ao participar de uma conferência em Oslo.

“O que nós temos visto é só o começo”, adicionou o executivo.

Ele disse esperar que em cerca de sete anos as novas usinas solares possam competir com o custo operacional de usinas a carvão em operação, o que significa que será atingido um ponto em que a geração solar poderá competir com o carvão em questão de custos mesmo sem qualquer subsídio.

“Em quase todos nossos mercados, novas solares e novos projetos eólicos onshore já são as tecnologias de menor custo entre todas fontes quando pensamos em nova capacidade”, afirmou.

Ele adicionou que, nos países escandinavos, usinas eólicas onshore já são a fonte mais barata para a construção de novas usinas ligadas à rede.

“Essas também são tecnologias que não têm dificuldades de construção… então as barreiras para entrada no mercado são pequenas, as possibilidades para que novas empresas que nunca foram da indústria de energia estão lá, e a competição é extremamente forte”, concluiu.

Fonte: Joachim Dagenborg | Reuters

Melhor vento do mundo gera energia eólica mais barata do Brasil

No nordeste do Brasil, além dos resorts e das praias imaculadas, há uma região com alguns dos melhores ventos do mundo para gerar eletricidade.

Bem-vindo a Serra Branca, na Paraíba. É o paraíso para uma usina eólica, com brisas tão perfeitas para girar turbinas que esta região brasileira é capaz de produzir mais energia eólica do que qualquer outro lugar do mundo. Na mais recente demonstração da eficiência do vento da região, a Voltalia, uma empresa francesa de energia renovável, acabou de obter contratos para construir mais parques que venderão a energia eólica mais barata da história do Brasil.

“Nossa estratégia é ganhar escala naquela região”, disse Robert Klein, gerente nacional da Voltalia Brasil, em entrevista. “O volume é muito importante para ser competitivo.”

O desenvolvimento da Voltalia mostra o quanto o mercado de energia eólica do Brasil é grande. O País já tem quase 11 gigawatts de turbinas em operação e foi classificado como o quinto mercado eólico do mundo com base nas instalações de 2016, de acordo com o Conselho Global de Energia Eólica.

As brisas consistentes dão ao País um fator de capacidade de 39 por cento, que é a quantidade de eletricidade produzida em comparação com seu potencial de produção se todas turbinas estivessem girando o tempo todo.

É o melhor fator de capacidade do mundo e, em Serra Branca, com velocidades médias mais altas e pouca variação na direção do vento, é ainda melhor. Dois dos parques eólicos existentes da Voltalia ficaram entre os cinco mais eficientes do Brasil em 2016, chegando a 60,8 por cento e 58,4 por cento, de acordo com a New Energy Finance.

O Brasil “possui claramente um forte recurso eólico, alguns dos melhores lugares de vento do mundo, por isso o País é um mercado potencialmente muito forte”, disse Gurpreet Gujral, analista do Macquarie Bank. O País pretende aumentar em 19 gigawatts a capacidade de energia limpa instalada até 2026 para diversificar a matriz elétrica local.

Mais eletricidade

A eficiência maior se traduz em mais eletricidade para vender, o que permite que a Voltalia ofereça preços mais baixos. A empresa obteve contratos para fornecer energia de cinco projetos com 155 megawatts de capacidade em um par de leilões organizados pelo governo no mês passado. Em um dos eventos, ofereceu fornecer eletricidade por R$ 96,90 (US$ 29,82) por megawatt-hora, um piso recorde.

A empresa deve investir R$ 867 milhões nos projetos, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Eles devem estar conectados à rede em dezembro de 2020 para contratos do primeiro leilão. Para o segundo, eles devem estar conectados até dezembro de 2022.

A Voltalia está desenvolvendo um total de 1.000 megawatts de parques eólicos na região e deve participar também do próximo leilão, marcado para abril. A parceria com fornecedores, como as fabricantes de turbinas, também ajuda a empresa a reduzir os custos, disse Klein.

“Nosso apetite continua alto”, disse ele.

“As propostas da Voltalia foram surpreendentes”, disse Helena Chung, analista da Bloomberg New Energy Finance. “Mas a empresa tem um dos melhores desempenhos no Brasil, com projetos que funcionam com boas taxas de eficiência. E os preços das turbinas eólicas estão caindo, devido à alta concorrência nos últimos leilões.”

Fonte: Vanessa Dezem com a colaboração de Anna Hirtenstein | Bloomberg

Capacidade instalada de energia eólica no país tem alta de 19% em 2017

Os projetos de energia eólica no Brasil atingiram 12,7 gigawatts (GW) em 2017, aumento de 19% em relação a 2016, segundo informações da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

O segmento terminou o ano com 508 parques em operação. A potência eólica instalada chegou a 8,2% da matriz elétrica do país, praticamente empatando com a geração térmica a gás natural, que tinha 13 GW de potência e 8,3% da matriz.

Segundo a associação, em média, 18 milhões de residências foram abastecidas mensalmente pela fonte eólica em 2017.

Com isso, o Brasil ultrapassou a Itália no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica, na 9ª posição.

Até 2023, a Abeeólica estima que a potência instalada de energia eólica vai chegar a 18,639 GW. Serão construídos mais de 252 novos parques já contratados.

Leilões

No entanto, a curva de crescimento vai sofrer uma desaceleração, devido à falta de leilões para novos projetos nos últimos anos. Os leilões realizados em dezembro, porém, deram novo fôlego ao setor, com a contratação de 1,45 GW de capacidade, um investimento adicional de mais de R$ 8 bilhões.

O leilão do tipo A-4, que será realizado em abril, também deve ajudar na expansão da fonte eólica. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 1.672 empreendimentos foram cadastrados para a disputa, sendo 931 projetos de energia eólica.

A fonte libera a lista de inscritos em capacidade instalada, com 26.198 MW, de um total de 48.713 MW inscritos para o certame.

Postos de trabalho

A Abeeólica estima que cada MW instalado gera 15 postos de trabalho. Até o momento, são 180 mil postos de trabalho criados.

Fonte: Camila Maia | Valor Econômico

Brazilian wind is back in the game – but the game has changed

The 1.4GW of wind contracted in Brazil rewards the country’s supply chain for playing the long game, but falling prices mean it’s by no means business as usual, writes Alexandre Spatuzza

One of the first OEMs to celebrate the result of Brazil’s latest tender was Siemens Gamesa, which says it won a “substantial market share” of the 1.4GW of new capacity contracted for 2021 and 2023.

The manufacturer also said the victory will allow it to upgrade to bigger, newer models from the current 2MW, G114 and other platforms assembled in Brazil.

Even so, the record low price of around $30/MW reached in December’s second tender – in which most of the wind was contracted – will be challenging for the OEMs active in Brazil, which up to 2015 got used to prices above $50/MWh, even as other countries in the region saw rates falling well below that.

“Brazil is back in the game, and it is now following the trend of sharp decline in prices of wind and solar power seen in other tenders in Mexico, Chile and Europe,” Rodrigo Ferreira, supply chain and institutions director for Siemens Gamesa in Brazil told Recharge.

Differently from its Latin American counterparts that hold tenders denominated in US dollars, Brazil not only has a local-currency PPAs, but also has the strictest local content rules. Those regulations have led six OEMs to open up nacelle assembly plants and invest over R$1bn ($310m) to develop a local supply chain since 2013.

Producing locally is the only way that project sponsors can tap development bank BNDES’s cheap and partially subsidised financing to buy machines, avoiding exposure to foreign exchange risks, which, in Brazil are unbearable, given the lasting political and economic instability of the past three years.

In fact, some say that such protectionism was one of reasons for Brazil’s stability in wind prices around the $50-$60/MWh level. With no competition from abroad, who would move to reduce prices if financing is guaranteed by the BNDES at almost unchanged rates and conditions, and the government is constantly buying new capacity?

But then came the crisis: with economic free-fall since 2014, political turmoil – which led to an unorthodox change in government – meant the tenders stopped and the carefully-built 2GW-a-year wind power supply chain was thrown into disarray.

Although for solar power – which contracted 574MW at the first tender also at record low prices – tapping foreign financing seems to have been an option due to the lack of a developed local supply chain, and even as wind power players dabbled with overseas funding, it seems that BNDES and the local supply chain managed to retain the buyers’ preference.

So, if interest rates have fallen little, if foreign financing seems to have been discarded, and if BNDES will still be funding most of the 51 projects that Enel, EDPR, Iberdrola, Voltalia and others contracted, what happened for prices to fall so drastically?

The main factor was hunger for new contracts. Developers had built up a projects pipeline of 26GW, an investment which cannot easily be written off because it mobilises a lot of manpower and money in a country with complex, bureaucratic and strict environmental rules.

So investors had to grab the first opportunity that showed itself, and this came under the name of economic recovery. Albeit still shy and unpredictable, we’re talking about 2023 – six years from now – when a large BRICS country with a 200 million plus population is very likely to have broken free from the straightjacket of recession.

True, this has been one of Brazil’s worst slowdowns, but no developing country can remain without growing for too long. A relatively young population and pent up demand for improvements in a global economy are always a magnet for economic growth, even without the support of a fiscally crippled government.

Also, by 2023, a new elected government will hopefully have more legitimacy and clarity in policies, applying lessons learned for democratic living and turning the page on the political depression that currently has its grips on Brazil.

So if in the first tender the seven distributors that bought power projected only 39TWh of demand over 20 years starting in 2021, in the second tender, not only more utilities signed contracts, but they also bought 10 times more power over 20 years starting in 2023.

“It’s a signal that the economy is recovering, although we cannot say it will be constant,” said Élbia Silva Gannoum, executive president the Brazilian Wind Power Association (ABEEólica) moments after the tender.

Hunger was also the driver for the supply chain.

Aside from Siemens Gamesa, Vestas, Nordex-Acciona, Wobben Windpower (Enercon), GE and local player WEG held on for two years without new contracts, none throwing in the towel and all trying to find ways to ensure some kind of activity after July 2018, when most of them will have fulfilled the 17GW of orders placed in the tenders between 2009 and 2015. So when this tender came, they were gasping for new contracts.

Even so, something else must have changed in Brazilian market.

Jean-Paul Prates, energy consultant and head of the renewable energy think tank Cerne, put it like this: “The fast of contracts shook what was an accommodated market, and engineering services suppliers as well as OEMs all knew they had to do something, so this resulted in lower prices.”

Differently from neighbouring Argentina, where competition for 10GW of contracts for 2025 in a ‘virgin’ market led to a sharp decline in prices as players jostle for position – sometimes risking returns in the short term – Brazil is a much mature market.

So investors know how to the play the game here. In fact, they have helped create the rules of the game as Brazil surged from zero wind power capacity in 2009 to 12.5GW at the close of 2017.

The winners of this year’s tenders are large international utilities who not only have interest in other sectors in Brazil, but also have easier access to capital. They also have firepower when needed to negotiate with suppliers by the sheer bulk of their buying capacity. This also forces a change in the market.

Whether such price levels will continue in the three upcoming tenders already scheduled for 2018, is still uncertain. But Siemens Gamesa’s strategy could indicate what is coming for OEMs and investors alike.

Ferreira clearly linked the success in the tender with the measures taken within the company while procurement was frozen, which he summarised as ‘gains in competitiveness’.

This ranges from offering auxiliary consulting services in the design of projects to doubling its supply chain – from around a 150 to 300 says Ferreira – to offering new technology to its clients.

But keeping its supply chain alive through an audacious exporting scheme, says Ferreira, made suppliers invest to be able to sell products in foreign markets.

“When our suppliers made a commitment to improve competitiveness for the foreign market, it made them competitive in the local market also,” says Ferreira, adding that the company will continue to export components.

Perhaps the cliché of “opportunity in times of crisis”, a favourite of management gurus in the 1990s, has been confirmed by Brazil’s wind sector. But perhaps the tender also confirms the resilience of the renewable energy sector and its capacity to play the right game when its sights are set on the long-term.

In any case, if the new Brazilian government planners had any doubts about whether the tender system put in place in 2004, with wind debuting in 2009, still works, they no longer have. And with that, solar and wind investors have shown not only they know how the play the game, but that they can win, out-competing all other technologies in price.

So Brazil is back in the game, as expected. After all 12.6GW installed, 5GW being built and the 1.4GW now contracted is but fraction of Brazil’s 200GW plus wind power achievable potential, making resilience pay off.

Fonte: Alexandre Spatuzza | Recharge Brazil

Leilão A-6 surpreende com 3,8 GW contratados e R$ 13,9 bilhões em investimentos

O preço médio final do certame ficou em R$ 189,45/MWh, deságio de 38,7%, representando uma economia de R$ 68,4 bilhões para os consumidores de energia

O leilão A-6 terminou nesta quarta-feira, 20 de dezembro, com a contratação de energia de 63 novos empreendimentos de geração, representando 3.841 MW potência (2.930 MW médios), cujos investimentos estão estimados em R$ 13,9 bilhões.

A fonte eólica viabilizou 49 usinas, além de 6 PCHs, 6 biomassa e duas térmicas a gás. O preço médio final do leilão R$ 189,45/MWh, deságio médio de 38,7%, representando uma economia de R$ 68,4 bilhões para os consumidores de energia, considerando os prazos dos contratos. Não houve contratação de usinas térmicas a carvão.

A fonte também chamou a atenção pela forte queda de preço: o valor inicial, de R$ 276 por megawatt-hora, chegou a um patamar recorde de R$ 98,62. Biomassa terminou com deságio 34,10%, preço médio R$ 216,82/MWh. Gás natural apresentou deságio de 33,08%, a R$ 213,46/MWh. A fonte hídrica ficou cotada a R$ 219,20/MWh, deságio de 22%. Destaque para a térmica a gás Porto do Açu III, no Rio de Janeiro, com 1.672 MW de potência.

O leilão começou às 9h, teve 2h20 de duração, e foi operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo.  Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 1.092 projetos, totalizando 53.424 MW de potência instalada.

Os contratos têm prazo de suprimento de 30 anos para empreendimentos hidrelétricos, 20 anos para eólicos e 25 anos para as térmicas.

Análise

“Em relação a fonte eólica, havia muitos projetos represados em decorrência da ausência de leilões entre 2015 e 2016. Isso ficou evidente pelo altíssimo número de megawatts habilitados inicialmente, gerando um deságio bastante acentuado e com alta competitividade. Conseguiram enfrentar esta circunstância as empresas maiores e que já tinham estruturas de gestão ou operação bem desenvolvidas no País”, comenta o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates. “Vencedores foram empresas consolidadas, com projetos concentrados em regiões específicas (ganho de escala) ou expansões”, analisa Prates.

A Enel Green Power vendeu energia de 21 eólicas no Piauí. Força Eólica, Omega e Voltalia também estão entre os vencedores. Participaram como compradoras 25 distribuidoras, com destaque para Copel, Coeba, Cemig, Elektro e Energisa MT.

Ranking eólicas contratadas por estado (em megawatt)

1 – Piaui – 510.000
2 – Rio Grande do Norte – 299.525 (+64 pelo A-4)
3 – Paraíba – 149.200
4 – Bahia – 108.000
5 – Maranhão – 95.000
6 –  Pernambuco – 82.000

O Piauí obteve destaque no leilão garantindo injeção direta de mais de R$3 bilhões em investimentos no interior do Estado nos próximos 4 anos.  ” Em segundo lugar, o Rio Grande do Norte que, apesar das propaladas limitações de estrutura de transmissão, mostrou que os investidores que já se encontram aqui confiam que o governo local será capaz de trabalhar junto com a União para conseguir desbloquear este gargalo dentro dos próximos 5 anos”, destaca o presidente do CERNE. O RN ainda tem pelo menos 10 gigawatts (GW) de potencial imediato para os próximos leilões.

A Paraíba despontou no ranking onde a Força Eólica (Grupo Iberdrola) viabilizou boa quantidade de megawatt utilizando capacidade de conexão existente e potencial. “O resultado representa uma importante conquista para o estado que também passa a se consolidar no cenário eólico nacional e poderá se referir muito ao vizinho RN quanto a fornecedores e mão de obra capacitada”, finaliza Jean-Paul Prates.

A-4 e A-6

No primeiro certame desta semana, foram contratados 228,7 megawatts médios de garantia física, com investimentos de R$ 4,3 bilhões até 2021, data de entrega dos empreendimentos. A fonte solar predominou no primeiro certame, com 20 dos 25 projetos vencedores.

O mercado já esperava que este segundo leilão tivesse uma procura maior. Com o prazo de entrega mais longo das usinas – até 2023, a expectativa é que o consumo de energia no país já tenha se recuperado e haja mais demanda.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia e Folha de São Paulo

Voltalia arremata novos projetos eólicos para o RN

O Rio Grande do Norte foi o único estado brasileiro gerador de energia eólica com projetos contemplados no leilão realizado nesta segunda-feira, 18, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A empresa francesa Voltalia, que recentemente inaugurou parques eólicos na região de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte, arrematou dois projetos no certame. Eles garantiram, quando em operação integral, a geração de 64 megawatts (MW) de potência, com investimentos estimados em R$ 355 milhões nos próximos três anos.

Em comunicado enviado ao mercado financeiro no exterior, a Voltalia anunciou a vitória no leilão e nomeou os parques a serem construídos como Vila Paraíba II e Vila Paraíba III. Cada um deles gerará 32 MW de energia. No texto, em inglês, a empresa sediada na França informa que os contratos terão duração de 20 anos com início programado para o final de dezembro de 2020. A Voltalia relembrou que o leilão desta segunda-feira, 18, foi o primeiro desde 2015, além de ter confirmado presença no próximo certame marcado para a quarta-feira, 20.

No geral, o leilão desta segunda-feira contratou pouco e registrou deságios elevados. “O leilão contratou pouco, devido a várias limitações impostas pelo edital. Mas teve competição acirrada com deságios bem acentuados”, destacou o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates. Ele acrescenta que os resultados podem melhorar no próximo leilão, marcado para esta semana.

“Na quarta-feira (20), com a realização do leilão A-6,  deverão sair mais projetos eólicos vitoriosos, pois muitas limitações do edital de hoje (segunda-feira, 18) aparecem modificadas nas regras do A-6. Isso pode garantir boas perspectivas para Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Piauí, Bahia e Pernambuco”, analisou Jean Paul Prates.

De acordo com informações publicadas pela Aneel, o leilão de geração nº 04/2017 movimentou, ao todo, R$ 5,6 bilhões em contratos, equivalentes a um montante de 39.113.822,400 MWh (megawatt hora) de energia. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 144,51 por MWh, com deságio de 54,65% em relação aos preços-tetos estabelecidos, o que representou uma economia de R$ 6,8 bilhões para os consumidores de energia.

Negociações
Ao final das negociações, foram contratados 25 empreendimentos de geração, sendo uma Pequena Central Hidrelétrica – PCH (5 MW médios), uma Central de Geração Hidrelétrica – CGH (0,8 MW médio), uma térmica movida a biomassa (8,6 MW médios), duas usinas eólicas (35,6 MW médios) e outras 20 usinas solares fotovoltaicas (170,2 MW médios), o que soma 220,2 MW médios de energia contratada.

Ao todo, os projetos que foram contratados correspondem a 228,7 MW médios de garantia física e as usinas deverão iniciar o fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2021. O preço médio final do leilão para as usinas hidráulicas foi de R$ 181,63/MWh. No caso da usina térmica movida a biomassa, o preço médio foi de R$ 234,92/MWh, para as plantas eólicas foi de R$ 108/MWh e para as usinas solares o preço médio fechou em R$ 145,68/MWh.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Piauí (8 usinas), Pernambuco (5 usinas), Bahia (4 usinas), São Paulo (3 usinas), Rio Grande do Norte (2 usinas) e Mato Grosso, Espírito Santo e Goiás (1 usina).

Participaram do certame, como compradoras da energia negociada, sete concessionárias de distribuição: CEA, CEAL, Cepisa, Coelba, Copel D, EDP ES, Elektro. Os contratos são de 30 anos para as usinas hidrelétricas na modalidade por quantidade e 20 anos para as usinas a biomassa, eólicas e solares.

Fonte: Tribuna do Norte

Leilão de energia A-4 termina com deságios altos e contrata 228,7 MW médios

O leilão de energia A-4 realizado nesta segunda-feira (18) contratou 228,7 megawatts (MW) médios de energia, a um preço médio de R$ 144,51 por megawatt-hora (MWh). Além da baixa contratação, o certame foi marcado pelos elevados deságios, que superaram 50% no caso das fontes eólica e solar.

A fonte solar foi a grande vencedora, com a contratação de 172,6 MW médios, envolvendo investimento de R$ 3,8 bilhões, e uma potência de 790 megawatts-pico (MWp). O preço médio da fonte foi de R$ 145,68/MWh, deságio de 55,7% em relação ao máximo estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de R$ 329/MWh.

A fonte eólica vendeu apenas dois projetos, ambos da empresa francesa Voltalia. Os dois empreendimentos situam-se no Rio Grande do Norte e garantem mais 64MW de potência, com investimentos estimados em R$ 355 milhões nos próximos 3 anos. O preço médio foi de R$ 108/MWh, deságio de 60,9%.

“O leilão de hoje contratou pouco, devido a várias limitações impostas pelo edital. Mas teve competição acirrada com deságios bem acentuados”, destacou o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates.

Ele acrescenta que os resultados podem melhorar no próximo leilão, marcado para essa semana. ” Na quarta-feira (20), com a realização do leilão A-6,  deverão sair mais projetos eólicos vitoriosos, pois muitas limitações do edital de hoje aparecem modificadas nas regras do A-6. Isso pode garantir boas perspectivas para Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Piauí, Bahia e Pernambuco”, analisa Prates.

O leilão também contratou duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), de 9,5 WM médios de garantia física e 11,5 MW de potência. Os empreendimentos somam R$ 31,1 milhões em investimentos e tiveram preço médio de R$ 181,63/MWh, desconto de 35,36%.

Por fim, foi contratada uma termelétrica a biomassa, com preço de R$ 234,92/MWh, desconto de 28,6%. O projeto tem 8,6 MW médios de garantia física e 25 MW de potência, e envolve investimento de R$ 44,160 milhões.

No total, o certame envolveu 39,113 milhões de MWh e investimentos de R$ 4,286 bilhões.

 

Fonte: CERNE Press com informações do Valor Econômico

Produção de energia eólica do Brasil cresce 28% entre janeiro e outubro, diz CCEE

Os dados consolidados do boletim InfoMercado mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE apontam que a produção de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional – SIN, entre janeiro e outubro de 2017, foi 28% superior à geração no mesmo período do ano passado.

A produção das usinas da fonte chegou a 4.527 MW médios frente aos 3.531 MW médios gerados no mesmo período do ano passado. A representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do Sistema alcançou 7,3% em 2017. A fonte hidráulica (incluindo as Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs) foi responsável por 71,2% do total e as usinas térmicas responderam por 21,5%.

Ao final de outubro, a CCEE contabilizou 480 usinas eólicas em operação comercial no país que somavam 12.250 MW de capacidade instalada, incremento de 24% frente aos 9.878 MW de capacidade das 388 unidades geradoras existentes um ano antes.

Eólica por Estado

O boletim indica que, por estado, o Rio Grande do Norte segue na liderança da produção eólica no país com 1.452,4 MW médios de energia entregues em 2017, aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece a Bahia com 900 MW médios produzidos (+29%), o Ceará com 661,3 MW médios (+7,4%), o Rio Grande do Sul, que alcançou 621 MW médios (+19%) e o Piauí com 529 MW médios, aumento de 63,2% frente à geração alcançada em 2016.

Os dados consolidados da CCEE de outubro de 2017 confirmam ainda o estado do Rio Grande do Norte com a maior capacidade instalada, somando 3.455,4 MW, aumento de 13,6% em relação a outubro de 2016 quando a capacidade instalada era de 3.040,7 MW. Em seguida aparece a Bahia com 2.296,7 MW (+31,2%), o Ceará com 2.036,3 MW (+7,1%), o Rio Grande do Sul com 1.777,9 MW (+14,6%) e o Piauí com 1.413,7 MW de capacidade, crescimento de 62,7% frente ao ano passado.

Fonte: CCEE

Brasil ultrapassa marca de 500 parques eólicos instalados

O Brasil ultrapassou, no início de dezembro, a marca de 500 parques eólicos instalados, somando, atualmente, 503 usinas do tipo, com um total de 12,64 gigawatts (GW) de capacidade instalada, informou, nesta terça-feira (12), a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Segundo a presidente executiva da entidade, Elbia Gannoum, até 2020, o Brasil terá pelo menos 17 GW instalados, considerando apenas os contratos que já foram firmados em leilões já realizados e também no mercado livre.

“O ano de 2016 foi muito difícil para a fonte eólica, porque não houve leilão e nenhuma nova contratação. Precisamos reverter a situação agora, nos dois leilões de dezembro, que serão fundamentais para o futuro da fonte no Brasil”, disse a executiva, em nota.

Segundo a Abeeólica, outro dado relevante é que o Brasil subiu mais uma posição e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Os dados são do Ministério de Minas e Energia.

Fonte: Rodrigo Polito | Valor Econômico

Aneel libera eólicas do Rio Grande do Norte para operação comercial

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou para operação comercial as usinas eólicas Pedra Rajada I e II, que compreendem as unidades UG1 a UG10, de 2 MW cada, totalizando 20 MW de capacidade instalada em cada usina, localizada no município de Cerro Corá, Rio Grande do Norte.

Usinas entram em teste

No último dia 28 de novembro, a Aneel liberou para operação em testes, as unidades UG4 a UG9, de 2.100 kW cada, da Usina Eólica União dos Ventos 13, totalizando 12.600 kW de capacidade.

Outra usina a receber o provimento foi a União dos Ventos 14, que poderá testar as unidades UG1, UG7, UG8, UG9 e UG10, de 2.100 kW cada, somando 10.500 kW de capacidade. Ambos os empreendimentos estão situados na cidade de Pedra Grande.

Fonte: CERNE Press

Aneel libera eólicas no Ceará para operação comercial

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou para operação comercial as unidades geradoras UG1 a UG11, de 2.100 kW cada, somando 23.100 kW de capacidade instalada da usina de geração eólica Santo Inácio IV, segundo despacho publicado na terça-feira, 5 de dezembro.

Outra usina a receber a autorização da Aneel é a Santo Inácio III, que compreende as unidades UG1 a UG14, de 2.100 kW cada, formando 29.400 kW de capacidade. Os empreendimentos estão localizados em Icapuí, Ceará.

Fonte: Canal Energia

Cobrança de royalties sobre eólicas ameaça competitividade da fonte, diz associação

De acordo com a ABEEólica, se a Proposta de Emenda à Constituição for aprovada, medida elevará o preço da energia dos ventos e refletirá na redução dos investimentos

Uma Proposta de Emenda à Constituição tem trazido uma grande preocupação ao setor eólico. A PEC 97/2015, de autoria do deputado federal Heráclito Fortes (PSB/PI), visa dar uma nova redação aos artigos 20 e 21 da Constituição Federal. Se aprovada a proposta o reflexo será diretamente sentido pelo segmento uma vez que propõe transformar o potencial de energia dos ventos em patrimônio da União, e assim, levando ao pagamento de royalties pela sua exploração. Com isso, a fonte vê ameaçada a sua competitividade ante as outras formas de geração ao ponto de inviabilizar projetos.

A presidente executiva da ABEEólica, Élbia Gannoum, afirmou que há um grande risco da fonte ver a sua competitividade nos leilões ser ameaçada com o estabelecimento dessa cobrança que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Segundo ela, esse custo adicional acabará sendo repassado ao preço da energia, o que é um problema, pois em um ambiente de disputa como são os leilões de expansão promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica, cada ponto porcentual a mais na tarifa pode levar à inviabilidade de um projeto.

Dentre os diversos argumentos em defesa da fonte a entidade aponta que um dos principais é o atendimento à carga da região Nordeste do país. De acordo com a Nota Técnica da associação, são cerca de 500 parques eólicos instalados no Brasil, que somam 12.452,9 MW e capacidade instalada. No mês de setembro, a fonte respondeu por 11% de toda energia gerada no nosso SIN, sendo que 67% da produção está concentrada no Nordeste. Inclusive ano após ano a fonte vem batendo seguidos recordes de produção, fator que viabilizou o que tem sido chamado de “salvamento do Nordeste pelas eólicas”. O mais recente desses recordes ocorreu em 14 de setembro com a produção de 6.413 MW na média diária. Esse volume representou 64% de toda a energia demandada por aquela região. Outra forma de recorde é  de geração máxima instantânea, registrado em 19 de outubro às 9 horas e 6 minutos, quando 70% da carga desses estados foi atendida pela fonte.

“A eólica está salvando o Nordeste do racionamento de energia uma vez que estamos vendo uma condição hídrica desfavorável na região. Com a taxação extra que está sendo proposta na PEC há um grande risco de vermos a competitividade ser reduzida e com isso corre-se o risco de que se perca a disputa no leilões para outras fontes localizadas em outras regiões, o que é ruim para o Nordeste como um todo, pois a região perderia esses investimentos, afinal os aportes dependem dos investidores saírem bem sucedidos nesses certames”, comentou Élbia à Agência CanalEnergia.

O presidente do conselho da ABEEólica, Lauro Fiuza, lembra ainda que a eólica já vem atribuindo desenvolvimento econômico a uma região que historicamente sempre sofreu com a falta de oportunidades. “Hoje 1,5% sobre o faturamento que se paga aos proprietários das terras onde estão os aerogeradores representa 10% do lucro das empresas, ou seja, é uma renda adicional que ele tem sem a necessidade de investimentos. Em quinze anos isso tem um efeito enorme no desenvolvimento dessas famílias em termos de educação e renda”, afirmou.

Outro reflexo direto, além da redução de renda das famílias é o recuo no volume de recursos arrecadados pelos estados onde a fonte está inserida. A ABEEólica lembra que já há o pagamento de impostos, taxas e tributos. Com o custo adicional e menor volume viabilizado haverá queda na arrecadação por investimentos em menor quantidade.

 

Segundo o documento que a reportagem teve acesso, a entidade aponta que desde os primeiros estudos e análises de viabilidade de implantação, os parques eólicos promovem contribuições fiscais, sociais e ambientais que são praticadas pelos investidores dessa indústria, as quais são observadas atualmente e juntamente com demonstrações da viabilidade da fonte. Além disso, a atual política de planejamento da expansão da geração no Brasil tem grande base a partir do desenvolvimento e evolução das fontes renováveis. O Plano Decenal de Energia Elétrica 2026, inclusive, apontou fortíssima necessidade de expansão da fonte eólica indicando alcançar cerca de 30 GW até 2026. Ou seja, deverá mais que dobrar a a capacidade de geração em menos de 10 anos.

E lembra ainda que o Brasil está atualmente entre os 10 países com maior parque gerador eólico do mundo e entre os 5 que mais investem na fonte eólica anualmente, o que é um mérito brasileiro a ser comemorado. “A cobrança dos royalties, se aprovada, terá o “mérito” de fazer ruir esta conquista da qual deveríamos nos orgulhar”.

A associação calculou algumas estimativas de contribuição na arrecadação de impostos. Em PIS/Cofins os valores atuais estão em R$ 20 milhões e considerando o volume previsto para expansão até 2020 esse valor sobe para R$ 50 milhões mensais. O ISS decorrente dos serviços prestados já somaram até o momento R$ 315 milhões e podem ser arrecadados mais R$ 430 milhões nos próximos 4 anos. A soma desses montantes ainda é menor do que a projeção quando se considera o ISS durante o período de autorização dos parques cuja arrecadação poderá chegar a R$ 1 bilhão. Há taxas de desenvolvimento, implantação e operação, sendo esta última renovada a cada dois anos. Só para os parques em operação o valor pago ultrapassa R$ 200 milhões e a previsão é de um valor adicional equivalente a este que deverá ser recolhido nos próximos 4 anos somente com licenças prévias e de instalação.

O texto apresentado para a PEC argumenta que as fazendas eólicas ocupam uma grande área e limitando a realização de outras atividades econômicas nos mesmos espaços geográficos. E pega como exemplo o turismo. Essa, continua o texto, é uma grande fonte de renda do litoral do Nordeste e é onde se localiza o maior potencial eólico do Brasil. Segundo avaliação do autor da PEC a região “sofre danos irreparáveis, tanto pelas restrições físicas impostas pelos parques de geração como pela deterioração de extraordinárias paisagens naturais. Essa situação provoca a redução dos empregos e da renda, além de causar impactos adversos nas contas públicas dos Estados e Municípios situados nas regiões afetadas. Apesar dos problemas que causa, a exploração da energia eólica não gera compensação financeira, como ocorre no caso da mineração, da extração de petróleo ou da operação de grandes hidrelétricas.”

Esse argumento é rebatido pela associação ao destacar que, justamente, um dos grandes benefícios da fonte eólica está atrelado à forma de utilização das áreas para a implementação dos parques eólicos. Através do mecanismo de arrendamento das terras constroem e operam os parques eólicos por pelo menos 20 anos e exercem, durante todo o período, o pagamento para os proprietários destas terras.

“Somente com os parques em operação já são mais de 4 mil famílias recebendo ao todo cerca de R$ 10 milhões mensais, sendo R$ 2,3 mil por família, na média, mensalmente”, apontou a ABEEólica que ressaltou ainda o efeito multiplicado do aumento de renda da população ao aquecer a economia da região e adjacências, o que leva à geração de empregos. Além disso, a ABEEólica aponta que há a coexistência de atividades econômicas de geração de energia eólica e agroindústria ao indicar que há atividades como o cultivo de lavouras e a criação de gado e regiões de parques eólicos. E isso, tanto no Sul do país quanto no Nordeste. E defende que estas não são atividades concorrentes e sim, complementares.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

Pernambuco lança Atlas para mapear energias eólica e solar

Pernambuco mapeou seu potencial de energia eólica e solar através de um atlas lançado nessa quarta-feira (29). O material, disponível para o público, aponta as áreas de maior capacidade do Estado para geração das fontes renováveis e os dados técnicos para atrair investidores do setor. Com 100 GW (Gigawatt) de potencial de energia eólica e uma capacidade de 1.200 GW de energia solar, Pernambuco se mostra como um potencial de fonte alternativa e se propõe a utilizar o Atlas Eólico e Solar como uma sustentabilidade para a região.

As condições climáticas do Estado mostram a potencialidade forte de geração solar, com o Sertão como a grande área propícia, principalmente na região do Araripe. Já a energia eólica tem a sua maior potência no Agreste pernambucano. “O atlas é uma oportunidade de conhecer o potencial energético do Estado. A grande vantagem é que a região junta as condições climáticas de potencial de energia com as conexões das redes de transmissão”, explica o secretário Executivo de Energia, Luiz Cardoso Ayres Filho.

Do total de potencial de energia eólica do Estado, Pernambuco explora 700 (Megawatts). Esse número equivale a 16% da energia gerada e 28% da energia consumida. “O que temos hoje é muito pequeno em relação ao potencial, mas estamos avançando. Hoje, quase 20% das energias produzidas em Pernambuco são energias limpas e vamos continuar com esse olhar para atrair investidores”, ressaltou o governador Paulo Câmara, em anúncio feito no Palácio do Governo Federal. O Estado conta com 119 usinas geradoras de energia elétrica, com cerca de 4.097 MW de potência instalada, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A geração híbrida também é um modelo a ser explorada: o complemento das energias solar e eólica. “Na região da costa litorânea, os ventos são constantes, e no Sertão os ventos são fortes durante a noite e praticamente de dia não tem vento. Essa complementação com a energia que vem do sol faz com que o Estado tenha uma energia de base muito forte. Talvez, Pernambuco seja o Estado do País que tenha mais adequação à implantação de usinas híbridas”, destacou Ayres Filho. Para o governador, o primeiro parque híbrido do Brasil, em Tacaratu, no Sertão do Itaparica, representa um desenvolvimento relevante no Brasil para o setor.

Mesmo com a redução dos leilões de energia renováveis por parte do Governo Federal, Ayres Filho considera que isso representa uma arrumação do setor elétrico brasileiro. “Houve um incremento de usinas térmicas muito forte, uma oferta de energia muito forte, e não teve o crescimento do consumo que estava sendo esperado. Então, o que houve não foi uma suspensão, talvez um pequeno retardamento. Na hora que o país retomar o crescimento, está pronto para esse crescimento”, apontou o secretário, acrescentando que em dezembro haverá grandes leilões da Aneel, com muitas usinas eólicas e solares a serem leiloadas.

Fonte: Folha de Pernambuco

Aneel aprova edital de ‘Leilão A-4’ com preço-teto de R$ 329/MWh

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (14), o edital do ‘Leilão A-4’ destinado à contratação de empreendimentos de geração de energia elétrica. O preço-teto da energia foi estipulado em R$ 329 por megawatt-hora (MWh). O certame será realizado no dia 18 de dezembro.

O valor máximo da energia estabelecido no edital varia de acordo com a fonte de geração. Os empreendimentos hidrelétricos, a serem contratados por quantidade, tiveram o preço-teto definido em R$ 281/MWh.

Os empreendimentos de geração eólica tiveram o preço de referência, na contratação por disponibilidade, fixado em R$ 276/MWh. Também em contratos por disponibilidade, os projetos de geração solar e termoelétrica a biomassa tiveram o valor máximo fixado em R$ 329/MWh.

Os preços iniciais definidos para disputa com os empreendimentos já outorgados, com ou sem contrato, foram definidos em: R$ 211,81/MWh para hidrelétricas (PCH e CGH); R$ 173,76/MHh para parques eólicos, R$ 230,66/MWh para projetos a biomassa e R$ 310,25/MWh para a fonte solar.

O relator da proposta de edital, o diretor da Aneel Tiago Correia, informou que já foram cadastrados 1.676 projetos para o leilão. Eles reúnem capacidade instalada de 47 mil Megawatt (MW). Desse volume total de geração, 55% são de fonte eólica e 38% de fonte solar.

Os prazos contratuais de suprimento variam entre 20 anos e 30 anos, contados a partir de 1º de janeiro de 2021. O edital prevê restrição para empresas em recuperação judicial e extrajudicial ou com histórico de atraso superior a um ano no setor.

Foto: Rafael Bitencourt | Valor Econômico

Mais de 870 mil paraibanos terão “energia dos ventos” em 2018

A capacidade de geração de energia eólica na Paraíba vai chegar a 157,2 megawatts (MW) até o próximo ano, podendo gerar uma energia limpa suficiente para abastecer mais de 290 mil residências, o que equivale a aproximadamente 870 mil habitantes.

A média corresponde à população total de João Pessoa mais um pouco da metade de Bayeux juntas, de acordo com estimativa deste ano divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo considera uma média de três moradores por domicílio e é utilizado por órgãos do setor elétrico, a exemplo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa populacional deste ano em João Pessoa é de 811.598 habitantes e a de Bayeux é de 97.010 habitantes, conforme documento publicado no Diário Oficial da União e produzido pelo IBGE.

De acordo com a Abeeólica, a Paraíba possui atualmente 62,7 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica em 12 usinas que operam comercialmente, todas concentradas no município de Mataraca, Zona da Mata paraibana. Mais três usinas (Lagoa I e II e Canoas) estão em construção na região do Seridó do estado, que vão acrescer 94,5 MW de potência de geração.

Os três parques eólicos estão sendo construídos pela Força Eólica do Brasil (FEB). São 45 aerogeradores (os postes que se assemelham a grandes ventiladores) instalados nas cidades de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó e que vão formar o Complexo Santa Luzia.

A previsão do início da operação comercial do complexo era para este mês, de acordo com material divulgado pela FEB. No entanto, documento publicado em setembro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que fiscaliza os serviços de geração em todo o país – incluindo as centrais geradoras eólicas – informa que somente parte de uma das três usinas já vai poder começar a operar comercialmente a partir deste mês.

Estudos realizados pelo grupo Iberdrola, que compõe a Força Eólica Brasileira (FEB), apontam que o potencial de geração de energia eólica na Paraíba pode chegar a 2 gigawatts (GW).

Cidades como Patos e Picuí, por exemplo, seriam verdadeiras “minas de ouro” em geração de vento. O que falta? Explorar o potencial. Apuração da reportagem verificou que já existe a intenção de investidores em explorar a produção de energia eólica em Picuí. Além disso, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) analisou novas formas de escoamento da produção de energia alternativa – solar e eólica – na região do seridó paraibano e do Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, de acordo com a EPE, os municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Patos, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Teixeira foram identificados como localidades com potenciais eólico e fotovoltaico. Por sua vez, o mapeamento da Iberdrola, de acordo com divulgação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

“A velocidade média do vento fica acima dos 5 metros por segundo, o que gera uma constante boa para a produção de energia”, explicou o professor Giovanni Maciel.

Para Múcio Flávio, analista da Sudema, é comum crer que o potencial de geração eólica da Paraíba esteja no litoral. “Mas os estudos apontam a Borborema e o Seridó como maiores potenciais. Trata-se de região ondulada e escassa de chuvas. Como é pouco habitada por causa da dificuldade de plantio e criação de gado, a energia eólica traria benefícios para os moradores da região, porque as terras são arrendadas para a instalação de aerogeradores e os proprietários recebem entre 1% e 1,5% do faturamento da empresa, dependendo do contrato”, afirmou.

O analista também citou Araruna e São João do Tigre como cidades com potencial eólico no estado. O professor Márcio Souza, da UFPB, afirmou que a Paraíba ainda tem bastante potencial eólico a ser desenvolvido.

Fonte: Celina Modesto | Jornal Correio da Paraíba

Ceará revela potencial para eólica offshore

Os parques eólicos off-shore, com torres instaladas no leito do mar, serão, pela primeira vez, debatidos no All About Energy – Congress & Expo 2017, maior evento multissetorial de energia e sustentabilidade da América Latina, que acontece de 4 a 8 de outubro, em Fortaleza.

“Isso pode trazer um tremendo incremento para o potencial do Ceará e do Rio Grande do Norte, que têm condições geográficas favoráveis. O que nos falta é a regulação e experiência operacional”, afirma Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), um dos realizadores do evento, em parceria com a empresa All About Eventos.

All About Energy

Para esta edição, o evento, que ocorre no Terminal Marítimo do Porto do Mucuripe, terá como tema principal, o futuro da energia renovável nos cenários mundial, nacional e regional. Também serão abordados temas como o consumo sustentável, o papel da inovação e startups tecnológicas, além de simpósios com investidores globais voltados a projetos sustentáveis.

Jean-Paul Prates destaca que o grande diferencial desta edição é que o evento será voltado para o futuro e para novas tecnologias que deverão aumentar a demanda por energia elétrica. “Vamos abordar o consumo eficiente de energia, tratando de cidades inteligentes, carros elétricos, construções ecológicas, internet das coisas”, diz.

Durante o All About Energy 2017, haverá exposição de veículos elétricos, apresentação de construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores.

Nas sessões plenárias, serão realizados debates sobre energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável de energia.

Ceará

Quarto maior produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará conta hoje com 61 parques eólicos em operação, com potência instalada de 1,65 gigawatt (GW). O valor, neste momento, representa 43,6% da capacidade de geração do Estado.

E, para os próximos anos, deverão ser adicionados à matriz eólica cearense mais 950,9 megawatts (MW), provenientes de 22 parques em construção (467,5 MW) e outros 22 empreendimentos já aprovados com construção não iniciada (483,4 MW), de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com o avanço na geração eólica, o estado do Ceará deve chegar a atingir a marca de 2,6 GW de capacidade instalada nos próximos quatro anos, passando da quarta para a terceira posição entre os maiores estados produtores do Brasil.

O incremento de 0,9 GW da matriz eólica cearense até 2021 representa um crescimento de 62% do potencial do Estado, segundo projeção do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne).

Com relação à geração solar, o Ceará conta hoje com apenas um parque em operação, com 5 MW de potência instalada.

Mas a capacidade de geração fotovoltaica deverá se multiplicar por 36 vezes nos próximos anos, com a operação de seis parques já aprovados com construção não iniciada que deverão adicionar 180,0 MW de potência para esse tipo de geração, segundo a Aneel.

Para Jean-Paul Prates, o potencial eólico a ser explorado no Estado é 10 vezes maior do que é utilizado atualmente, enquanto o potencial solar ainda nem começou a se desenvolver.

Privatização

A proposta feita pelo Governo Federal de desestatização da Eletrobrás poderá aumentar a complexidade jurídica e regulatória para os diferentes segmentos do setor energético do País, como de geração e distribuição. Para Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne, uma eventual privatização da Eletrobrás poderia impactar negativamente as empresas privadas que atuam no setor.

“Entendo que alguns itens podem ser colocados para o setor privado, mas como foi colocado recentemente, a privatização do sistema Eletrobrás, acho que é muito grave”, diz o diretor-presidente do Cerne.

Prates diz ser “muito temerário” passar para a iniciativa privada o controle de um agente tão dominante no sistema elétrico Nacional, podendo inclusive prejudicar a segurança hídrica no País.

Complexidade

O diretor-presidente do Cerne, em momento de seca, por exemplo, o consumo animal pode ser preterido em favor da geração elétrica, “principalmente se você privatizar uma Chesf, Furnas ou uma Eletronorte, que controlam enormes reservatórios do País. Então é muito grave”.

Entretanto, diante da “complexidade” da medida e de suas consequências, Prates não acredita que a proposta do governo, da forma como foi posta, irá prosperar. “Vejo isso como um factóide. Acho que o próprio governo não acredita que seja capaz de fazer uma privatização dessa em um setor que influencia o controle das águas do País”, diz.

 

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

Usinas eólicas entram em fase de teste no Piauí e Pernambuco

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou nesta quinta-feira, 14 de setembro, o início da operação em teste de usinas eólicas em Pernambuco e no Piauí.

Na usina Serra das Vacas V, em Paranatama (PE), o aval foi para as unidades UG7 e UG8, que somam 4,6 MW de capacidade.

Já o empreendimento eólico Ventos de São Casemiro, localizado em Curral Novo do Piauí (PI), foram autorizadas para testes as unidades UG13 e UG14, de 2,1 MW cada.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Entrevista: Presidente do CERNE analisa proposta de privatização de linhões

ANÁLISE: Ressaltando a necessidade de analisar a viabilidade de privatização das linhas de transmissoras da energia elétrica produzida no Rio Grande do Norte pelas eólicas, especialista Jean-Paul Prates afirma que atitude pode ser perigosa

Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

Editor de Economia

O anúncio do pacote de privatização de 57 projetos e/ou obras do Governo Federal mês passado dividiu opiniões em todo o país. Com a necessidade emergencial de produzir caixa para mitigar o déficit projetado para os próximos dois anos, a União iniciará uma ampla abertura de concessões à iniciativa privada, incluindo as linhas de transmissão de energia eólica que cruzam ou cruzarão o Rio Grande do Norte carreando energia elétrica produzida a partir da força dos ventos para distribuidores diversos instalados em outros estados.

Mesmo sem data e até mesmo escopo definido para ser viabilizada, a proposta de venda dos “linhões” não é bem vista pelo diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean Paul Prates. Na entrevista a seguir ele esclarece os motivos e atualiza informações relacionadas à geração de energia eólica no estado, que detém hoje a maior capacidade instalada do país.

Faltam linhas de transmissão ao Rio Grande do Norte ou já temos um cenário mais favorável ao escoamento da produção das eólicas?
O status dessa questão de linhas de transmissão do Rio Grande do Norte melhorou bastante. Nós tínhamos uma sucessão de atrasos de obras no começo da instalação das empresas. Os leilões eram realizados antes, as linhas de transmissão, depois. Muito porque, o RN era um estado no qual não se acreditava e a gente teve que lutar muito para convencer o governo federal de que aqui tinha que ter linha de transmissão. Provamos com os leilões. Depois, vieram as linhas de transmissão. Isso foi um desafio. Hoje, os leilões não permitem a habilitação de projetos sem antes dizer como se conectar. Quando a nota técnica sai, já diz onde há ou não linha de transmissão e onde se pode entrar.

Há produção retida no estado?
Hoje, no RN existem poucos parques que estão segurando produção por conta de linha de transmissão. Temos que continuar alertas o tempo todo, olhando para onde estão indo os projetos, onde estão ocorrendo as medições, cadastrando, podendo prever. O papel do governo, através dos seus órgãos, recebe muitas informações. O Idema recebe muitos pedidos de licenciamento, área para fazer projetos. Ele sabe quem está entrando, para onde a indústria está entrando e o que deve pleitear para linhas de transmissão para nenhum problema acontecer depois.

Qual seu ponto de vista em relação à privatização dos linhões?
O que está sendo feito agora não é uma privatização normal de: vou conceder ao setor privado porque, nesse aspecto ou em outro, será mais eficiente do que estou fazendo. Não é isso. Não se trata disso. Esse argumento pode até estar na mesa, mas não é a verdade sobre o fundo dessa história.

Qual é a verdade “escondida”?
A verdade sobre o fundo dessa história é fazer caixa. Está se vendendo ativos para se fazer caixa pro governo federal. Isso vai ao encontro de uma certa ideologia, de um certo pensamento que domina hoje o grupo que está no governo. Se é necessário, e desta forma, é que eu tenho dúvidas. Se você fizer uma privatização de um grande grupo de linhas de transmissão ao mesmo tempo, num momento de desespero financeiro, não me parece algo muito saudável.

Por quais motivos?
Porque linhas de transmissão é o que se chama, em economia, de monopólio natural. É aquele no qual se é mais eficiente com um único operador do que com vários. Quando se privatiza ativos que já estão pagos, que já estão amortizados, e você está basicamente vendendo, está querendo se fazer caixa. Não está querendo ficar mais eficiente. A não ser que se obrigue a fazer investimentos adicionais. E aí é um detalhamento da privatização que a gente tem que ver. Eu acho que o momento e a forma como estão sendo feitos isso, é duvidoso. É perigoso.

Como está a produção eólica no RN? Superamos as expectativas?
O que é notável, no estado do RN, e isso é uma obra de todos os governos, não estou fazendo uma ode a nenhum deles, é que nós saímos de uma situação em 2006 e 2007 de zero megawatt de produção de energia. O RN era um estado, historicamente, importador de energia, de 100% da energia que precisava usar vinha, praticamente, toda do complexo de Paulo Afonso. Foi um grande marco histórico quando chegou a energia de Paulo Afonso no estado. O grande outro marco histórico que deveria ter sido comemorado, e esse mais ainda, foi o dia em que simbolicamente, volumetricamente, deixoamos de importar energia no final de 2010, quando nos tornamos por conta dos parques eólicos, por conta da TermoAçu e por conta da capacidade instalada emergencialmente em Macaíba, e mais a biomassa da CPFL com o Grupo Faria, somando isso tudo nós tínhamos capacidade para abastecer o nosso consumo e nos tornamos autossuficiente. Em 2012, outro marco importante, foi quando a gente superou, só em eólicas, o necessário para o consumo. A partir de 2016, entramos no meio a meio. Exportando tanto quando consumindo ou até mais. Chegando aí para exportações em torno dos 2/3 do que produzimos.

O que a autossuficiência traz de diferencial ao estado gerador de energia?
A autossuficiência para um estado, diferente do que para um país, tem uma importância de atração de investimentos. O RN ficou importante perante os outros estados. Pelo menos em alguma coisa, na região Nordeste, ele é provedor. O estado do Pernambuco, por exemplo, é deficitário. A outra coisa, e principal ao meu ver, é que se pode dizer a um investidor que é um estado com conta energética resolvida. Mesmo sendo tarifa nacional, por motivo de igualdade social, todo mundo paga mais ou menos o mesmo volume. Se houvesse diferenciação, o RN poderia sair mais rapidamente da bandeira vermelha do que outros estados. Antes, a gente mendigava energia. O terceiro aspecto importante disso é o ingresso de investimentos importantes. O estado recebe impostos dos serviços, das construções, da manutenção dos parques e mais até o próprio ingresso na economia de compra e venda, de aluguel de áreas para instalação dos serviços. Mais do que ficar no RN, esse dinheiro fica no interior, pois a atividade aqui é interiorizada e isso leva ao aprimoramento da vida, do dia a dia do interior.

Surgiram alguns boatos, ao longo da semana passada, de que o RN poderá ficar fora do leilão no fim deste ano. O que há de concreto nesse sentido?
Na verdade, isso ainda depende da questão da Nota Técnica da ANEEL. O que acontece é que a Nota Técnica do ano passado retirou o RN, Bahia, Rio Grande do Sul e parte do Ceará do leilão. Portanto, os quatro maiores estados em eólica foram retirados liminarmente de um leilão numa decisão inédita desse tipo. Nunca houve uma coisa de uma nota excluir um estado inteiro. Mas, no ano passado, teve isso. Depois, o leilão acabou sendo cancelado por outros motivos e acabou não fazendo efeito. Mas, se tivesse havido leilão ano passado, nós teríamos sido excluídos e por uma razão não realista. Porque nós tínhamos capacidade de conexão e a Nota Técnica só levou em conta projetos até uma certa data e um dia depois daquela data, a linha de transmissão da Bengoa tinha sido concedida para outro concessionário e já tinha resolvido o problema. Para esse ano, o boato é o mesmo.

O estado corre risco de ficar fora?
Por considerar que a situação dos linhões está equacionada e por considerar a capacidade que foi vaga, que foi disponibilizada a partir da descontratação, a gente se preparou para dizer, se sair uma nota técnica informando que não tem capacidade, a gente vai contraditar imediatamente. Provavelmente, não terá problema. Saindo do jeito que a gente está imaginando, saindo que a gente tem capacidade, se forem consideradas todas as capacidades, aí eu digo que teremos um cenário muito bom com a colocação de 800 megawatts de projetos vitoriosos, se não chegar a mais de um gigawatt de projeto contratado, o que seria um sucesso praticamente igual ao que a gente teve em 2010 quando demos um salto contratando 1,5 gigawatt num ano só. Nós pulamos na frente dos outros estados.

O investidor está mais confiante no Rio Grande do Norte? 
A gente tem aqui um ambiente de investimentos no Rio Grande do Norte e nos estados vizinhos do Ceará, Piauí e Paraíba, muito saudável para eólica. E a qualidade de ventos para a geração de energia eólica é inegável. Mas, além disso, que se soma em fator de atratividade, a gente tem uma boa configuração logística dessas áreas. Nós temos, no Rio Grande do Norte, por exemplo, a Serra de Santana, o Mato Grande e o litoral Norte, são as três áreas que se desenvolveram mais, inicialmente, e que são áreas facilmente acessíveis. Nós já temos uma boa formação de mão de obra local, apesar da gente ainda receber mão de obra de fora, quando tem um período mais intenso de obras.  Temos tido, até recentemente, um processo bom e saudável de apoio governamental. Isso se soma. Mais recentemente, a gente tem tido alguns questionamentos em relação aos licenciamentos, os preços que foram reajustados principalmente para a fase de operações. Nós estamos avaliando isso, aqui por parte do Sindicato de qual é o efeito disso na segurança jurídica dos investimentos, uma vez que, tarifas que tenham sido elevadas num percentual muito alto, podem atingir o fluxo de caixa projetado para participar dos leilões passados. A gente tem que estar atento nisso. Fora isso, a gente tem uma perspectiva muito boa.

Setor eólico tem ânimo renovado com a retomada dos leilões

Fonte vê recuperação com agendamento de licitações, mas novas regras e financiamento trazem interrogações

A chave virou, e virou para melhor. Após quase dois anos de paralisia, sem novos projetos e com investimentos em queda, a sensação de retomada da agenda positiva para o setor eólico brasileiro permeou o “Brazil Windpower 2017”, realizado entre 29 e 31 de agosto no Rio de Janeiro. A mudança de clima veio apenas no início do mês passado, na forma de uma portaria ministerial da pasta de Minas e Energia definindo a realização dos Leilões de Energia Nova A-4 e A-6 para os dias 18 e 20 de dezembro. A confirmação de retomada das licitações de geração fez o setor arregaçar as mangas e refazer seus planos, o que se refletiu em um maior interesse dos vários segmentos da cadeia eólica em marcar presença no BWP deste ano. O evento manteve o nível de patrocínios e de expositores dos anos anteriores, e projetou uma edição ainda maior em 2018.

Co-promotora do “Brazil Windpower” ao lado do Grupo CanalEnergia, a Associação Brasileira de Energia Eólica enfatizou que a confirmação do retorno da agenda de licitações por parte do governo recuperou as expectativas de todos os agentes. A poucas semanas da oitava edição do encontro anual, a entidade traçava planos pouco otimistas em termos de mobilização, após ouvir relatos por parte de fabricantes, fornecedores de serviço, certificadores, entre outros atores do setor eólico, de que a indústria não suportaria mais um ano sem a realização de leilões para viabilização de novos projetos – no último pacote de contratação, datado de 2015, foi adquirido cerca de 1 GW, volume inferior à média dos anos anteriores que girava em 2 GW. Agora, a esperança no futuro é positiva.

“A verdade é que todos nós estávamos muito apreensivos com a edição desse ano do Brazil Windpower. Tivemos um 2016 péssimo para o segmento, em função principalmente do cancelamento do Leilão de Reserva do fim do ano. Mas a publicação da portaria dos próximos certames, no último dia 4 de agosto, trouxe um grande alívio e um ânimo para o setor. O movimento de negócios foi retomado, e a feira de expositores do evento mostrou isso claramente. Houve uma virada de chave”, avalia Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica. No primeiro dia de debates, a entidade celebrou a marca de 12 GW de capacidade instalada no país, patamar que, nas projeções do planejamento oficial, deverá saltar para cerca de 16 GW em 2021.

Secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa ressaltou na abertura que a expansão do setor nos próximos anos estará diretamente associada às fontes renováveis em conjunto com uma base de usinas térmicas, ao mesmo em que descartou o modelo ancorado em projetos estruturantes – especialmente nas grandes hidrelétricas na região Amazônica. Ao defender o que chamou de “limpeza”, descontratando projetos acima da demanda de mercado e revendo a garantia física de diversas usinas, Pedrosa defendeu as medidas como uma lição de casa feita pela atual equipe de governo, que em um primeiro momento se comprometeu com os agentes em “arrumar a casa”. Em outras palavras: eliminar sobrecontrações e sobras antes de partir para a aquisição de novos projetos.

A valorização da eólica não só como visão de futuro, mas em particular pelo papel que ela já desempenha hoje para o abastecimento, foi ratificado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Durante painel de debate, o diretor-geral do órgão, Luiz Eduardo Barata, mostrou em tempo real que a geração eólica atendia a 53% da carga na região Nordeste, exemplificando a importância da fonte. “A chegada da eólica no Nordeste foi a salvação para o abastecimento da região”, exaltou, citando que a forte crise hídrica dos últimos três anos na bacia do rio São Francisco pôs a fonte eólica no topo do fornecimento elétrico regional, chegando a atender até 60% da demanda nordestina. O quadro, disse ele, deverá permanecer nos próximos anos.

A relevância que a eólica adquiriu para o abastecimento do Nordeste passa pelas excepcionais características técnicas da região, cujo regime de ventos está acima dos melhores do mundo. Alessandra Maciel, engenheira do ONS, destacou que o fator de capacidade médio da geração eólica na região ao longo de 2016 chegou a 44%, acima das médias do SIN (41,6%) e do Brasil (38%) – esta já superior à média de 34% de mercados como Reino Unido, Dinamarca e Turquia. Por outro lado, um dos pontos críticos levantados pela especialista foi tema de debates de alta relevância ao longo do BWP deste ano: a dificuldade em prever as condições de operação em escala diária, dada a grande variabilidade dos ventos e a dependência das condições meteorológicas.

Um dos destaques dados no evento sobre este tema foi o modelo de previsão de geração eólica do ONS, lançado no início de agosto fruto de uma parceria da entidade com a Abeeólica. O sistema responde às necessidades de previsão de um dia para o outro com margem de acerto de 92%, índice considerado alto. O foco, agora, está voltado para o aumento da capacidade de previsão intraday – ou seja, em escala horária. A discussão em torno da previsibilidade operativa passa diretamente pelo tema da mitigação da intermitência na geração – ou melhor, na mitigação da variabilidade, como frisa a Elbia Gannoum. Ela explica que a redução da geração eólica em momentos de menor incidência de ventos não significa interrupção da produção.

A natureza de variabilidade e de não-despachabilidade da eólica pode ser resolvida de três formas, defende a presidente da Abeeólica. Uma delas é mitigando a variabilidade com mais variabilidade, a partir de uma distribuição regional. Como o Nordeste apresenta quatro quadrículas diferentes de vento, a ideia é que o espaçamento dos parques equilibre a geração de todo o subsistema. Segundo a executiva, outra forma de mitigar a variação natural é agregando usinas despacháveis por definição, como térmicas flexíveis ou hidrelétricas. A terceira forma seria promover um maior intercâmbio regional, algo que hoje ocorre inclusive com o Nordeste assumindo o papel de exportador. “Esses fatores podem melhorar a operação das eólicas”, completou Elbia.

Moderador do painel que discutiu justamente a questão da integração de fontes renováveis não-despacháveis no SIN, o diretor técnico da consultoria PSR, Bernardo Bezerra, aponta a existência dos reservatórios de acumulação como uma das grandes razões para o sucesso da energia eólica no Brasil, na medida em que eles permitem a absorção da variabilidade operativa dos parques brasileiros. A crise hídrica que vem afetando o Nordeste nos últimos anos, entretanto, está reduzindo de forma gradual o controle da capacidade de retenção de água nas barragens da região, fato que impacta diretamente no aumento expressivo do despacho termelétrico. “Há um custo associado a esse maior uso das térmicas”, observou Bezerra.

Debatedor do mesmo painel, o diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, Renato Volponi, vê a discussão em torno da variabilidade da eólica como um “bom problema”, reflexo da forte expansão que a fonte vem tendo no país ao longo desta década. Na avaliação do executivo, a variação da geração em razão da inconstância do regime de ventos representa um problema técnico, cuja solução passa pela complementariedade tanto com outras fontes renováveis, como a solar fotovoltaica e a hídrica, quanto com baterias – esta opção em mais longo prazo. Ele ressaltou ainda a importância na dissolução de gargalos na área de transmissão, como forma de ampliar a capacidade de interconexão entre os subsistemas, facilitando a condição de despacho do ONS.

Além das questões técnicas, o contexto político centralizou grande parte dos debates nos painéis do BWP 2017. O foco neste caso, como não poderia deixar de ser, foi o novo marco institucional do setor elétrico, recém-saído de processo de consulta pública no MME e ainda alvo de muitas dúvidas e pleitos de ajuste por parte dos agentes. O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, Reginaldo Medeiros, acredita que a reforma institucional do mercado de energia, na medida em que consiga eliminar incertezas regulatórias e financeiras, poderá promover a expansão da eólica no mercado livre, hoje ainda incipiente. Para o dirigente, a separação de lastro e energia vai estimular a entrada de renováveis no ACL.

Para o presidente da Votorantim Energia, Fabio Zanfelice, a perspectiva de as fontes renováveis suprirem o crescimento esperado para o mercado livre é real, embora entraves atuais como preço e subsídios necessitem de tratamento por parte das novas regras em debate no setor. Do ponto de vista da cadeia de abastecimento, os desafios apresentados no painel que reuniu alguns dos principais empreendedores do setor eólico passaram pela preservação da cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços, fortemente afetada pelos quase dois anos sem a realização de leilões públicos de expansão com novos projetos. Todos os participantes foram unânimes em apontar a carência de um calendário prévio de licitações como um fator prejudicial à indústria.

Entre investidores, supridores de materiais e dirigentes de entidades ligadas ao segmento eólico, o item financiamento foi sempre posto como preocupação para a concretização dos planos ambiciosos de crescimento da fonte na matriz elétrica brasileira. Em um foro de discussão dedicado especialmente ao assunto, representantes de bancos privados e instituições públicas abordaram a dificuldade de o país poder contar com fontes de crédito além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável por R$ 33 bilhões em operações aprovadas para a viabilização de aproximadamente 11 GW. Carla Primavera, superintendente de Energia do BNDES, foi taxativa: da parte do banco, não existem incertezas quanto a crédito de longo prazo.

Na visão dos agentes privados, o papel central do BNDES no desenvolvimento do mercado de renováveis será dividido com os bancos comerciais a partir da implementação da TLP, a nova taxa dos contratos de financiamento da instituição que sucederá à TJLP. Marcelo Girão, chefe da Divisão de Project Finance do Itaú BBA, acredita que o uso da TLP vai tirar competitividade do BNDES ao longo dos próximos anos, o que naturalmente abrirá espaços para os bancos comerciais. Ele ressaltou ainda que medidas do novo modelo, como a separação de lastro e energia, mudarão a maneira de como se financiam projetos no setor. “Quando houver a introdução do risco de preços, as análises serão naturalmente mais conservadoras”, avalia.

Durante a discussão, o chefe de Energia da Divisão de Project Finance do Banco Santander, Edson Ogawa, ressaltou que o mercado livre é financiável no Brasil, mas que fatores como a previsibilidade dos contratos são fundamentais para uma maior participação dos organismos privados nos negócios de energia e do segmento eólico em particular. “A precificação do mercado spot, com critérios de separação de lastro e energia, precisa ser muito bem trabalhada, e a previsibilidade terá de ser muito bem aprimorada”, sublinhou, destacando que operações de financiamento de longo prazo, além de não fazerem parte da natureza dos bancos privados, requerem a viabilização de um mercado secundário, como o existente no setor de seguros.

Apesar das ressalvas por parte dos financiadores, a perspectiva por parte do governo é otimista quanto ao crescimento da eólica para além dos leilões públicos de contratação. Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, falou em “reinvenção” da fonte, ao defender a busca do mercado livre como alternativa às licitações do governo. Assim como os representantes do mercado financeiro, Barroso também apontou a questão da falta de confiança dos agentes na precificação do mercado livre como justificativa para a manutenção da importância do ambiente regulado. Todos os 11 GW em novos projetos eólicos contidos no Plano Decenal de Energia 2026, recentemente lançado pela estatal de planejamento, estão vinculados a leilões governamentais.

Mas a edição deste ano do BWP foi muito além do congresso e dos debates técnicos. A feira de negócios atraiu a maior parte dos 2.679 visitantes que passaram pelo Centro de Convenções Sulamérica durante os três dias de evento. Foram 92 expositores, entre os quais seis fabricantes de aerogeradores instalados no Brasil, a gigante chinesa recém-chegada ao país Goldwind, fornecedores de equipamentos e serviços, grandes investidores, entidades de capacitação profissionais e empresas de diversas áreas ligadas direta e indiretamente ao segmento de geração eólica no Brasil e no exterior. Se a feira serviu como termômetro para o interesse em novos projetos e oportunidades de negócio, ficou a certeza de que o mercado está aquecido.

O ambiente visto nos stands era de confiança na retomada do fluxo de movimentação de negócios, diferentemente do cenário visto nos últimos dois anos, quando a retração na demanda energética causou apreensão entre os agentes geradores. Renato Volponi, diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, lembra que em 2016 o setor estava confiante na realização do leilão em dezembro daquele ano, em que pese houvesse também uma apreensão quanto ao nível de consumo. “As distribuidoras estavam sobrecontratadas, e o caminho do leilão de reserva, apesar de sinalizado naquele momento, era uma incógnita, até mesmo em função da mudança de governo. Era o início do processo de renovação que vemos agora no setor elétrico”, diz.

Os dias na feira foram de bastante trabalho e de muitas conversas para os expositores e visitantes, integrantes de uma cadeia que movimenta cerca de mil empresas. O grande fluxo de pessoas mostrava interesse em conhecer mais das soluções e das novas plataformas existentes ou que foram lançadas no evento, como a EP3 da Wobben/Enercon e a turbina de 4,2 MW da Vestas, além da solução Wise da GE. Esta última comemorou o volume acima de 5 GW em capacidade instalada em projetos eólicos no país. De acordo com a líder de Marketing e Produtos da GE Wind, Rosana Santos, outros 600 MW entrarão em operação até o final de setembro em mais três projetos. A projeção da GE é encerra 2017 com 2.700 turbinas em operação.

A impressão, para dos muitos participantes neste ano, era a de que o movimento entre as dezenas de expositores estava mais expressivo que nos anos anteriores. Empresas geradoras e potenciais empreendedores buscavam informações, e em alguns casos, iniciavam conversas para futuras parcerias visando a retomada dos leilões. O secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, afirmou ter a convicção de que haverá disputas nos certames agendados para 18 e 20 de dezembro, além de margem de escoamento por conta da cassação da outorga de uma parcela ainda indefinida de até 4 GW em projetos que foram licitados em leilões no passado, mas que não saíram do papel nem participaram da descontratação ocorrido no último mês de agosto.

As projeções destacando a importância da eólica no atendimento elétrico brasileiro reforçam os investimentos esperados para as próximas décadas. Cálculos da Bloomberg New Energy Finance estimam que, em 2040, a eólica terá uma fatia de 12% dos 338 GW projetados de capacidade de geração no país. “Estamos começando a ver o que é uma vida sem fóssil, algo que só irá se intensificar daqui para frente”, classificou Morten Dyrholm, presidente do conselho do GWEC. A forte presença de público e de empresas no Brazil Windpower 2017 deixaram como saldo a sensação de que os bons ventos que sopraram para a eólica no Brasil desde 2009, quando o primeiro leilão para a fonte foi realizado, foram retomados. A certeza virá em dezembro.

Fonte: Canal Energia | Oldon Machado

Colaboraram Mauricio Godoi e Pedro Aurélio Teixeira