Posts

Mais de 870 mil paraibanos terão “energia dos ventos” em 2018

A capacidade de geração de energia eólica na Paraíba vai chegar a 157,2 megawatts (MW) até o próximo ano, podendo gerar uma energia limpa suficiente para abastecer mais de 290 mil residências, o que equivale a aproximadamente 870 mil habitantes.

A média corresponde à população total de João Pessoa mais um pouco da metade de Bayeux juntas, de acordo com estimativa deste ano divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo considera uma média de três moradores por domicílio e é utilizado por órgãos do setor elétrico, a exemplo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa populacional deste ano em João Pessoa é de 811.598 habitantes e a de Bayeux é de 97.010 habitantes, conforme documento publicado no Diário Oficial da União e produzido pelo IBGE.

De acordo com a Abeeólica, a Paraíba possui atualmente 62,7 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica em 12 usinas que operam comercialmente, todas concentradas no município de Mataraca, Zona da Mata paraibana. Mais três usinas (Lagoa I e II e Canoas) estão em construção na região do Seridó do estado, que vão acrescer 94,5 MW de potência de geração.

Os três parques eólicos estão sendo construídos pela Força Eólica do Brasil (FEB). São 45 aerogeradores (os postes que se assemelham a grandes ventiladores) instalados nas cidades de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó e que vão formar o Complexo Santa Luzia.

A previsão do início da operação comercial do complexo era para este mês, de acordo com material divulgado pela FEB. No entanto, documento publicado em setembro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que fiscaliza os serviços de geração em todo o país – incluindo as centrais geradoras eólicas – informa que somente parte de uma das três usinas já vai poder começar a operar comercialmente a partir deste mês.

Estudos realizados pelo grupo Iberdrola, que compõe a Força Eólica Brasileira (FEB), apontam que o potencial de geração de energia eólica na Paraíba pode chegar a 2 gigawatts (GW).

Cidades como Patos e Picuí, por exemplo, seriam verdadeiras “minas de ouro” em geração de vento. O que falta? Explorar o potencial. Apuração da reportagem verificou que já existe a intenção de investidores em explorar a produção de energia eólica em Picuí. Além disso, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) analisou novas formas de escoamento da produção de energia alternativa – solar e eólica – na região do seridó paraibano e do Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, de acordo com a EPE, os municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Patos, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Teixeira foram identificados como localidades com potenciais eólico e fotovoltaico. Por sua vez, o mapeamento da Iberdrola, de acordo com divulgação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

“A velocidade média do vento fica acima dos 5 metros por segundo, o que gera uma constante boa para a produção de energia”, explicou o professor Giovanni Maciel.

Para Múcio Flávio, analista da Sudema, é comum crer que o potencial de geração eólica da Paraíba esteja no litoral. “Mas os estudos apontam a Borborema e o Seridó como maiores potenciais. Trata-se de região ondulada e escassa de chuvas. Como é pouco habitada por causa da dificuldade de plantio e criação de gado, a energia eólica traria benefícios para os moradores da região, porque as terras são arrendadas para a instalação de aerogeradores e os proprietários recebem entre 1% e 1,5% do faturamento da empresa, dependendo do contrato”, afirmou.

O analista também citou Araruna e São João do Tigre como cidades com potencial eólico no estado. O professor Márcio Souza, da UFPB, afirmou que a Paraíba ainda tem bastante potencial eólico a ser desenvolvido.

Fonte: Celina Modesto | Jornal Correio da Paraíba

Ceará revela potencial para eólica offshore

Os parques eólicos off-shore, com torres instaladas no leito do mar, serão, pela primeira vez, debatidos no All About Energy – Congress & Expo 2017, maior evento multissetorial de energia e sustentabilidade da América Latina, que acontece de 4 a 8 de outubro, em Fortaleza.

“Isso pode trazer um tremendo incremento para o potencial do Ceará e do Rio Grande do Norte, que têm condições geográficas favoráveis. O que nos falta é a regulação e experiência operacional”, afirma Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), um dos realizadores do evento, em parceria com a empresa All About Eventos.

All About Energy

Para esta edição, o evento, que ocorre no Terminal Marítimo do Porto do Mucuripe, terá como tema principal, o futuro da energia renovável nos cenários mundial, nacional e regional. Também serão abordados temas como o consumo sustentável, o papel da inovação e startups tecnológicas, além de simpósios com investidores globais voltados a projetos sustentáveis.

Jean-Paul Prates destaca que o grande diferencial desta edição é que o evento será voltado para o futuro e para novas tecnologias que deverão aumentar a demanda por energia elétrica. “Vamos abordar o consumo eficiente de energia, tratando de cidades inteligentes, carros elétricos, construções ecológicas, internet das coisas”, diz.

Durante o All About Energy 2017, haverá exposição de veículos elétricos, apresentação de construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores.

Nas sessões plenárias, serão realizados debates sobre energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável de energia.

Ceará

Quarto maior produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará conta hoje com 61 parques eólicos em operação, com potência instalada de 1,65 gigawatt (GW). O valor, neste momento, representa 43,6% da capacidade de geração do Estado.

E, para os próximos anos, deverão ser adicionados à matriz eólica cearense mais 950,9 megawatts (MW), provenientes de 22 parques em construção (467,5 MW) e outros 22 empreendimentos já aprovados com construção não iniciada (483,4 MW), de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com o avanço na geração eólica, o estado do Ceará deve chegar a atingir a marca de 2,6 GW de capacidade instalada nos próximos quatro anos, passando da quarta para a terceira posição entre os maiores estados produtores do Brasil.

O incremento de 0,9 GW da matriz eólica cearense até 2021 representa um crescimento de 62% do potencial do Estado, segundo projeção do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne).

Com relação à geração solar, o Ceará conta hoje com apenas um parque em operação, com 5 MW de potência instalada.

Mas a capacidade de geração fotovoltaica deverá se multiplicar por 36 vezes nos próximos anos, com a operação de seis parques já aprovados com construção não iniciada que deverão adicionar 180,0 MW de potência para esse tipo de geração, segundo a Aneel.

Para Jean-Paul Prates, o potencial eólico a ser explorado no Estado é 10 vezes maior do que é utilizado atualmente, enquanto o potencial solar ainda nem começou a se desenvolver.

Privatização

A proposta feita pelo Governo Federal de desestatização da Eletrobrás poderá aumentar a complexidade jurídica e regulatória para os diferentes segmentos do setor energético do País, como de geração e distribuição. Para Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne, uma eventual privatização da Eletrobrás poderia impactar negativamente as empresas privadas que atuam no setor.

“Entendo que alguns itens podem ser colocados para o setor privado, mas como foi colocado recentemente, a privatização do sistema Eletrobrás, acho que é muito grave”, diz o diretor-presidente do Cerne.

Prates diz ser “muito temerário” passar para a iniciativa privada o controle de um agente tão dominante no sistema elétrico Nacional, podendo inclusive prejudicar a segurança hídrica no País.

Complexidade

O diretor-presidente do Cerne, em momento de seca, por exemplo, o consumo animal pode ser preterido em favor da geração elétrica, “principalmente se você privatizar uma Chesf, Furnas ou uma Eletronorte, que controlam enormes reservatórios do País. Então é muito grave”.

Entretanto, diante da “complexidade” da medida e de suas consequências, Prates não acredita que a proposta do governo, da forma como foi posta, irá prosperar. “Vejo isso como um factóide. Acho que o próprio governo não acredita que seja capaz de fazer uma privatização dessa em um setor que influencia o controle das águas do País”, diz.

 

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

Usinas eólicas entram em fase de teste no Piauí e Pernambuco

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou nesta quinta-feira, 14 de setembro, o início da operação em teste de usinas eólicas em Pernambuco e no Piauí.

Na usina Serra das Vacas V, em Paranatama (PE), o aval foi para as unidades UG7 e UG8, que somam 4,6 MW de capacidade.

Já o empreendimento eólico Ventos de São Casemiro, localizado em Curral Novo do Piauí (PI), foram autorizadas para testes as unidades UG13 e UG14, de 2,1 MW cada.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Entrevista: Presidente do CERNE analisa proposta de privatização de linhões

ANÁLISE: Ressaltando a necessidade de analisar a viabilidade de privatização das linhas de transmissoras da energia elétrica produzida no Rio Grande do Norte pelas eólicas, especialista Jean-Paul Prates afirma que atitude pode ser perigosa

Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

Editor de Economia

O anúncio do pacote de privatização de 57 projetos e/ou obras do Governo Federal mês passado dividiu opiniões em todo o país. Com a necessidade emergencial de produzir caixa para mitigar o déficit projetado para os próximos dois anos, a União iniciará uma ampla abertura de concessões à iniciativa privada, incluindo as linhas de transmissão de energia eólica que cruzam ou cruzarão o Rio Grande do Norte carreando energia elétrica produzida a partir da força dos ventos para distribuidores diversos instalados em outros estados.

Mesmo sem data e até mesmo escopo definido para ser viabilizada, a proposta de venda dos “linhões” não é bem vista pelo diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean Paul Prates. Na entrevista a seguir ele esclarece os motivos e atualiza informações relacionadas à geração de energia eólica no estado, que detém hoje a maior capacidade instalada do país.

Faltam linhas de transmissão ao Rio Grande do Norte ou já temos um cenário mais favorável ao escoamento da produção das eólicas?
O status dessa questão de linhas de transmissão do Rio Grande do Norte melhorou bastante. Nós tínhamos uma sucessão de atrasos de obras no começo da instalação das empresas. Os leilões eram realizados antes, as linhas de transmissão, depois. Muito porque, o RN era um estado no qual não se acreditava e a gente teve que lutar muito para convencer o governo federal de que aqui tinha que ter linha de transmissão. Provamos com os leilões. Depois, vieram as linhas de transmissão. Isso foi um desafio. Hoje, os leilões não permitem a habilitação de projetos sem antes dizer como se conectar. Quando a nota técnica sai, já diz onde há ou não linha de transmissão e onde se pode entrar.

Há produção retida no estado?
Hoje, no RN existem poucos parques que estão segurando produção por conta de linha de transmissão. Temos que continuar alertas o tempo todo, olhando para onde estão indo os projetos, onde estão ocorrendo as medições, cadastrando, podendo prever. O papel do governo, através dos seus órgãos, recebe muitas informações. O Idema recebe muitos pedidos de licenciamento, área para fazer projetos. Ele sabe quem está entrando, para onde a indústria está entrando e o que deve pleitear para linhas de transmissão para nenhum problema acontecer depois.

Qual seu ponto de vista em relação à privatização dos linhões?
O que está sendo feito agora não é uma privatização normal de: vou conceder ao setor privado porque, nesse aspecto ou em outro, será mais eficiente do que estou fazendo. Não é isso. Não se trata disso. Esse argumento pode até estar na mesa, mas não é a verdade sobre o fundo dessa história.

Qual é a verdade “escondida”?
A verdade sobre o fundo dessa história é fazer caixa. Está se vendendo ativos para se fazer caixa pro governo federal. Isso vai ao encontro de uma certa ideologia, de um certo pensamento que domina hoje o grupo que está no governo. Se é necessário, e desta forma, é que eu tenho dúvidas. Se você fizer uma privatização de um grande grupo de linhas de transmissão ao mesmo tempo, num momento de desespero financeiro, não me parece algo muito saudável.

Por quais motivos?
Porque linhas de transmissão é o que se chama, em economia, de monopólio natural. É aquele no qual se é mais eficiente com um único operador do que com vários. Quando se privatiza ativos que já estão pagos, que já estão amortizados, e você está basicamente vendendo, está querendo se fazer caixa. Não está querendo ficar mais eficiente. A não ser que se obrigue a fazer investimentos adicionais. E aí é um detalhamento da privatização que a gente tem que ver. Eu acho que o momento e a forma como estão sendo feitos isso, é duvidoso. É perigoso.

Como está a produção eólica no RN? Superamos as expectativas?
O que é notável, no estado do RN, e isso é uma obra de todos os governos, não estou fazendo uma ode a nenhum deles, é que nós saímos de uma situação em 2006 e 2007 de zero megawatt de produção de energia. O RN era um estado, historicamente, importador de energia, de 100% da energia que precisava usar vinha, praticamente, toda do complexo de Paulo Afonso. Foi um grande marco histórico quando chegou a energia de Paulo Afonso no estado. O grande outro marco histórico que deveria ter sido comemorado, e esse mais ainda, foi o dia em que simbolicamente, volumetricamente, deixoamos de importar energia no final de 2010, quando nos tornamos por conta dos parques eólicos, por conta da TermoAçu e por conta da capacidade instalada emergencialmente em Macaíba, e mais a biomassa da CPFL com o Grupo Faria, somando isso tudo nós tínhamos capacidade para abastecer o nosso consumo e nos tornamos autossuficiente. Em 2012, outro marco importante, foi quando a gente superou, só em eólicas, o necessário para o consumo. A partir de 2016, entramos no meio a meio. Exportando tanto quando consumindo ou até mais. Chegando aí para exportações em torno dos 2/3 do que produzimos.

O que a autossuficiência traz de diferencial ao estado gerador de energia?
A autossuficiência para um estado, diferente do que para um país, tem uma importância de atração de investimentos. O RN ficou importante perante os outros estados. Pelo menos em alguma coisa, na região Nordeste, ele é provedor. O estado do Pernambuco, por exemplo, é deficitário. A outra coisa, e principal ao meu ver, é que se pode dizer a um investidor que é um estado com conta energética resolvida. Mesmo sendo tarifa nacional, por motivo de igualdade social, todo mundo paga mais ou menos o mesmo volume. Se houvesse diferenciação, o RN poderia sair mais rapidamente da bandeira vermelha do que outros estados. Antes, a gente mendigava energia. O terceiro aspecto importante disso é o ingresso de investimentos importantes. O estado recebe impostos dos serviços, das construções, da manutenção dos parques e mais até o próprio ingresso na economia de compra e venda, de aluguel de áreas para instalação dos serviços. Mais do que ficar no RN, esse dinheiro fica no interior, pois a atividade aqui é interiorizada e isso leva ao aprimoramento da vida, do dia a dia do interior.

Surgiram alguns boatos, ao longo da semana passada, de que o RN poderá ficar fora do leilão no fim deste ano. O que há de concreto nesse sentido?
Na verdade, isso ainda depende da questão da Nota Técnica da ANEEL. O que acontece é que a Nota Técnica do ano passado retirou o RN, Bahia, Rio Grande do Sul e parte do Ceará do leilão. Portanto, os quatro maiores estados em eólica foram retirados liminarmente de um leilão numa decisão inédita desse tipo. Nunca houve uma coisa de uma nota excluir um estado inteiro. Mas, no ano passado, teve isso. Depois, o leilão acabou sendo cancelado por outros motivos e acabou não fazendo efeito. Mas, se tivesse havido leilão ano passado, nós teríamos sido excluídos e por uma razão não realista. Porque nós tínhamos capacidade de conexão e a Nota Técnica só levou em conta projetos até uma certa data e um dia depois daquela data, a linha de transmissão da Bengoa tinha sido concedida para outro concessionário e já tinha resolvido o problema. Para esse ano, o boato é o mesmo.

O estado corre risco de ficar fora?
Por considerar que a situação dos linhões está equacionada e por considerar a capacidade que foi vaga, que foi disponibilizada a partir da descontratação, a gente se preparou para dizer, se sair uma nota técnica informando que não tem capacidade, a gente vai contraditar imediatamente. Provavelmente, não terá problema. Saindo do jeito que a gente está imaginando, saindo que a gente tem capacidade, se forem consideradas todas as capacidades, aí eu digo que teremos um cenário muito bom com a colocação de 800 megawatts de projetos vitoriosos, se não chegar a mais de um gigawatt de projeto contratado, o que seria um sucesso praticamente igual ao que a gente teve em 2010 quando demos um salto contratando 1,5 gigawatt num ano só. Nós pulamos na frente dos outros estados.

O investidor está mais confiante no Rio Grande do Norte? 
A gente tem aqui um ambiente de investimentos no Rio Grande do Norte e nos estados vizinhos do Ceará, Piauí e Paraíba, muito saudável para eólica. E a qualidade de ventos para a geração de energia eólica é inegável. Mas, além disso, que se soma em fator de atratividade, a gente tem uma boa configuração logística dessas áreas. Nós temos, no Rio Grande do Norte, por exemplo, a Serra de Santana, o Mato Grande e o litoral Norte, são as três áreas que se desenvolveram mais, inicialmente, e que são áreas facilmente acessíveis. Nós já temos uma boa formação de mão de obra local, apesar da gente ainda receber mão de obra de fora, quando tem um período mais intenso de obras.  Temos tido, até recentemente, um processo bom e saudável de apoio governamental. Isso se soma. Mais recentemente, a gente tem tido alguns questionamentos em relação aos licenciamentos, os preços que foram reajustados principalmente para a fase de operações. Nós estamos avaliando isso, aqui por parte do Sindicato de qual é o efeito disso na segurança jurídica dos investimentos, uma vez que, tarifas que tenham sido elevadas num percentual muito alto, podem atingir o fluxo de caixa projetado para participar dos leilões passados. A gente tem que estar atento nisso. Fora isso, a gente tem uma perspectiva muito boa.

Setor eólico tem ânimo renovado com a retomada dos leilões

Fonte vê recuperação com agendamento de licitações, mas novas regras e financiamento trazem interrogações

A chave virou, e virou para melhor. Após quase dois anos de paralisia, sem novos projetos e com investimentos em queda, a sensação de retomada da agenda positiva para o setor eólico brasileiro permeou o “Brazil Windpower 2017”, realizado entre 29 e 31 de agosto no Rio de Janeiro. A mudança de clima veio apenas no início do mês passado, na forma de uma portaria ministerial da pasta de Minas e Energia definindo a realização dos Leilões de Energia Nova A-4 e A-6 para os dias 18 e 20 de dezembro. A confirmação de retomada das licitações de geração fez o setor arregaçar as mangas e refazer seus planos, o que se refletiu em um maior interesse dos vários segmentos da cadeia eólica em marcar presença no BWP deste ano. O evento manteve o nível de patrocínios e de expositores dos anos anteriores, e projetou uma edição ainda maior em 2018.

Co-promotora do “Brazil Windpower” ao lado do Grupo CanalEnergia, a Associação Brasileira de Energia Eólica enfatizou que a confirmação do retorno da agenda de licitações por parte do governo recuperou as expectativas de todos os agentes. A poucas semanas da oitava edição do encontro anual, a entidade traçava planos pouco otimistas em termos de mobilização, após ouvir relatos por parte de fabricantes, fornecedores de serviço, certificadores, entre outros atores do setor eólico, de que a indústria não suportaria mais um ano sem a realização de leilões para viabilização de novos projetos – no último pacote de contratação, datado de 2015, foi adquirido cerca de 1 GW, volume inferior à média dos anos anteriores que girava em 2 GW. Agora, a esperança no futuro é positiva.

“A verdade é que todos nós estávamos muito apreensivos com a edição desse ano do Brazil Windpower. Tivemos um 2016 péssimo para o segmento, em função principalmente do cancelamento do Leilão de Reserva do fim do ano. Mas a publicação da portaria dos próximos certames, no último dia 4 de agosto, trouxe um grande alívio e um ânimo para o setor. O movimento de negócios foi retomado, e a feira de expositores do evento mostrou isso claramente. Houve uma virada de chave”, avalia Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica. No primeiro dia de debates, a entidade celebrou a marca de 12 GW de capacidade instalada no país, patamar que, nas projeções do planejamento oficial, deverá saltar para cerca de 16 GW em 2021.

Secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa ressaltou na abertura que a expansão do setor nos próximos anos estará diretamente associada às fontes renováveis em conjunto com uma base de usinas térmicas, ao mesmo em que descartou o modelo ancorado em projetos estruturantes – especialmente nas grandes hidrelétricas na região Amazônica. Ao defender o que chamou de “limpeza”, descontratando projetos acima da demanda de mercado e revendo a garantia física de diversas usinas, Pedrosa defendeu as medidas como uma lição de casa feita pela atual equipe de governo, que em um primeiro momento se comprometeu com os agentes em “arrumar a casa”. Em outras palavras: eliminar sobrecontrações e sobras antes de partir para a aquisição de novos projetos.

A valorização da eólica não só como visão de futuro, mas em particular pelo papel que ela já desempenha hoje para o abastecimento, foi ratificado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Durante painel de debate, o diretor-geral do órgão, Luiz Eduardo Barata, mostrou em tempo real que a geração eólica atendia a 53% da carga na região Nordeste, exemplificando a importância da fonte. “A chegada da eólica no Nordeste foi a salvação para o abastecimento da região”, exaltou, citando que a forte crise hídrica dos últimos três anos na bacia do rio São Francisco pôs a fonte eólica no topo do fornecimento elétrico regional, chegando a atender até 60% da demanda nordestina. O quadro, disse ele, deverá permanecer nos próximos anos.

A relevância que a eólica adquiriu para o abastecimento do Nordeste passa pelas excepcionais características técnicas da região, cujo regime de ventos está acima dos melhores do mundo. Alessandra Maciel, engenheira do ONS, destacou que o fator de capacidade médio da geração eólica na região ao longo de 2016 chegou a 44%, acima das médias do SIN (41,6%) e do Brasil (38%) – esta já superior à média de 34% de mercados como Reino Unido, Dinamarca e Turquia. Por outro lado, um dos pontos críticos levantados pela especialista foi tema de debates de alta relevância ao longo do BWP deste ano: a dificuldade em prever as condições de operação em escala diária, dada a grande variabilidade dos ventos e a dependência das condições meteorológicas.

Um dos destaques dados no evento sobre este tema foi o modelo de previsão de geração eólica do ONS, lançado no início de agosto fruto de uma parceria da entidade com a Abeeólica. O sistema responde às necessidades de previsão de um dia para o outro com margem de acerto de 92%, índice considerado alto. O foco, agora, está voltado para o aumento da capacidade de previsão intraday – ou seja, em escala horária. A discussão em torno da previsibilidade operativa passa diretamente pelo tema da mitigação da intermitência na geração – ou melhor, na mitigação da variabilidade, como frisa a Elbia Gannoum. Ela explica que a redução da geração eólica em momentos de menor incidência de ventos não significa interrupção da produção.

A natureza de variabilidade e de não-despachabilidade da eólica pode ser resolvida de três formas, defende a presidente da Abeeólica. Uma delas é mitigando a variabilidade com mais variabilidade, a partir de uma distribuição regional. Como o Nordeste apresenta quatro quadrículas diferentes de vento, a ideia é que o espaçamento dos parques equilibre a geração de todo o subsistema. Segundo a executiva, outra forma de mitigar a variação natural é agregando usinas despacháveis por definição, como térmicas flexíveis ou hidrelétricas. A terceira forma seria promover um maior intercâmbio regional, algo que hoje ocorre inclusive com o Nordeste assumindo o papel de exportador. “Esses fatores podem melhorar a operação das eólicas”, completou Elbia.

Moderador do painel que discutiu justamente a questão da integração de fontes renováveis não-despacháveis no SIN, o diretor técnico da consultoria PSR, Bernardo Bezerra, aponta a existência dos reservatórios de acumulação como uma das grandes razões para o sucesso da energia eólica no Brasil, na medida em que eles permitem a absorção da variabilidade operativa dos parques brasileiros. A crise hídrica que vem afetando o Nordeste nos últimos anos, entretanto, está reduzindo de forma gradual o controle da capacidade de retenção de água nas barragens da região, fato que impacta diretamente no aumento expressivo do despacho termelétrico. “Há um custo associado a esse maior uso das térmicas”, observou Bezerra.

Debatedor do mesmo painel, o diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, Renato Volponi, vê a discussão em torno da variabilidade da eólica como um “bom problema”, reflexo da forte expansão que a fonte vem tendo no país ao longo desta década. Na avaliação do executivo, a variação da geração em razão da inconstância do regime de ventos representa um problema técnico, cuja solução passa pela complementariedade tanto com outras fontes renováveis, como a solar fotovoltaica e a hídrica, quanto com baterias – esta opção em mais longo prazo. Ele ressaltou ainda a importância na dissolução de gargalos na área de transmissão, como forma de ampliar a capacidade de interconexão entre os subsistemas, facilitando a condição de despacho do ONS.

Além das questões técnicas, o contexto político centralizou grande parte dos debates nos painéis do BWP 2017. O foco neste caso, como não poderia deixar de ser, foi o novo marco institucional do setor elétrico, recém-saído de processo de consulta pública no MME e ainda alvo de muitas dúvidas e pleitos de ajuste por parte dos agentes. O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, Reginaldo Medeiros, acredita que a reforma institucional do mercado de energia, na medida em que consiga eliminar incertezas regulatórias e financeiras, poderá promover a expansão da eólica no mercado livre, hoje ainda incipiente. Para o dirigente, a separação de lastro e energia vai estimular a entrada de renováveis no ACL.

Para o presidente da Votorantim Energia, Fabio Zanfelice, a perspectiva de as fontes renováveis suprirem o crescimento esperado para o mercado livre é real, embora entraves atuais como preço e subsídios necessitem de tratamento por parte das novas regras em debate no setor. Do ponto de vista da cadeia de abastecimento, os desafios apresentados no painel que reuniu alguns dos principais empreendedores do setor eólico passaram pela preservação da cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços, fortemente afetada pelos quase dois anos sem a realização de leilões públicos de expansão com novos projetos. Todos os participantes foram unânimes em apontar a carência de um calendário prévio de licitações como um fator prejudicial à indústria.

Entre investidores, supridores de materiais e dirigentes de entidades ligadas ao segmento eólico, o item financiamento foi sempre posto como preocupação para a concretização dos planos ambiciosos de crescimento da fonte na matriz elétrica brasileira. Em um foro de discussão dedicado especialmente ao assunto, representantes de bancos privados e instituições públicas abordaram a dificuldade de o país poder contar com fontes de crédito além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável por R$ 33 bilhões em operações aprovadas para a viabilização de aproximadamente 11 GW. Carla Primavera, superintendente de Energia do BNDES, foi taxativa: da parte do banco, não existem incertezas quanto a crédito de longo prazo.

Na visão dos agentes privados, o papel central do BNDES no desenvolvimento do mercado de renováveis será dividido com os bancos comerciais a partir da implementação da TLP, a nova taxa dos contratos de financiamento da instituição que sucederá à TJLP. Marcelo Girão, chefe da Divisão de Project Finance do Itaú BBA, acredita que o uso da TLP vai tirar competitividade do BNDES ao longo dos próximos anos, o que naturalmente abrirá espaços para os bancos comerciais. Ele ressaltou ainda que medidas do novo modelo, como a separação de lastro e energia, mudarão a maneira de como se financiam projetos no setor. “Quando houver a introdução do risco de preços, as análises serão naturalmente mais conservadoras”, avalia.

Durante a discussão, o chefe de Energia da Divisão de Project Finance do Banco Santander, Edson Ogawa, ressaltou que o mercado livre é financiável no Brasil, mas que fatores como a previsibilidade dos contratos são fundamentais para uma maior participação dos organismos privados nos negócios de energia e do segmento eólico em particular. “A precificação do mercado spot, com critérios de separação de lastro e energia, precisa ser muito bem trabalhada, e a previsibilidade terá de ser muito bem aprimorada”, sublinhou, destacando que operações de financiamento de longo prazo, além de não fazerem parte da natureza dos bancos privados, requerem a viabilização de um mercado secundário, como o existente no setor de seguros.

Apesar das ressalvas por parte dos financiadores, a perspectiva por parte do governo é otimista quanto ao crescimento da eólica para além dos leilões públicos de contratação. Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, falou em “reinvenção” da fonte, ao defender a busca do mercado livre como alternativa às licitações do governo. Assim como os representantes do mercado financeiro, Barroso também apontou a questão da falta de confiança dos agentes na precificação do mercado livre como justificativa para a manutenção da importância do ambiente regulado. Todos os 11 GW em novos projetos eólicos contidos no Plano Decenal de Energia 2026, recentemente lançado pela estatal de planejamento, estão vinculados a leilões governamentais.

Mas a edição deste ano do BWP foi muito além do congresso e dos debates técnicos. A feira de negócios atraiu a maior parte dos 2.679 visitantes que passaram pelo Centro de Convenções Sulamérica durante os três dias de evento. Foram 92 expositores, entre os quais seis fabricantes de aerogeradores instalados no Brasil, a gigante chinesa recém-chegada ao país Goldwind, fornecedores de equipamentos e serviços, grandes investidores, entidades de capacitação profissionais e empresas de diversas áreas ligadas direta e indiretamente ao segmento de geração eólica no Brasil e no exterior. Se a feira serviu como termômetro para o interesse em novos projetos e oportunidades de negócio, ficou a certeza de que o mercado está aquecido.

O ambiente visto nos stands era de confiança na retomada do fluxo de movimentação de negócios, diferentemente do cenário visto nos últimos dois anos, quando a retração na demanda energética causou apreensão entre os agentes geradores. Renato Volponi, diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, lembra que em 2016 o setor estava confiante na realização do leilão em dezembro daquele ano, em que pese houvesse também uma apreensão quanto ao nível de consumo. “As distribuidoras estavam sobrecontratadas, e o caminho do leilão de reserva, apesar de sinalizado naquele momento, era uma incógnita, até mesmo em função da mudança de governo. Era o início do processo de renovação que vemos agora no setor elétrico”, diz.

Os dias na feira foram de bastante trabalho e de muitas conversas para os expositores e visitantes, integrantes de uma cadeia que movimenta cerca de mil empresas. O grande fluxo de pessoas mostrava interesse em conhecer mais das soluções e das novas plataformas existentes ou que foram lançadas no evento, como a EP3 da Wobben/Enercon e a turbina de 4,2 MW da Vestas, além da solução Wise da GE. Esta última comemorou o volume acima de 5 GW em capacidade instalada em projetos eólicos no país. De acordo com a líder de Marketing e Produtos da GE Wind, Rosana Santos, outros 600 MW entrarão em operação até o final de setembro em mais três projetos. A projeção da GE é encerra 2017 com 2.700 turbinas em operação.

A impressão, para dos muitos participantes neste ano, era a de que o movimento entre as dezenas de expositores estava mais expressivo que nos anos anteriores. Empresas geradoras e potenciais empreendedores buscavam informações, e em alguns casos, iniciavam conversas para futuras parcerias visando a retomada dos leilões. O secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, afirmou ter a convicção de que haverá disputas nos certames agendados para 18 e 20 de dezembro, além de margem de escoamento por conta da cassação da outorga de uma parcela ainda indefinida de até 4 GW em projetos que foram licitados em leilões no passado, mas que não saíram do papel nem participaram da descontratação ocorrido no último mês de agosto.

As projeções destacando a importância da eólica no atendimento elétrico brasileiro reforçam os investimentos esperados para as próximas décadas. Cálculos da Bloomberg New Energy Finance estimam que, em 2040, a eólica terá uma fatia de 12% dos 338 GW projetados de capacidade de geração no país. “Estamos começando a ver o que é uma vida sem fóssil, algo que só irá se intensificar daqui para frente”, classificou Morten Dyrholm, presidente do conselho do GWEC. A forte presença de público e de empresas no Brazil Windpower 2017 deixaram como saldo a sensação de que os bons ventos que sopraram para a eólica no Brasil desde 2009, quando o primeiro leilão para a fonte foi realizado, foram retomados. A certeza virá em dezembro.

Fonte: Canal Energia | Oldon Machado

Colaboraram Mauricio Godoi e Pedro Aurélio Teixeira

Mesmo estabelecida, indústria eólica quer vencer desafios

Setor luta para preservar cadeia de fornecedores, superar entraves na logística e por realização de certames

Apesar de já se encontrar em um estágio de maturidade, a indústria eólica no país ainda luta para superar desafios, como a cadeia de fornecedores, a dificuldade na logística e até mesmo passar por ajustes nas regras do Finame. Mesmo com a confirmação da realização de dois certames esse ano, se a não contratação perdurar ou pode haver impacto na cadeia de fornecedores. De acordo com Rosana Santos, diretora de produto e Estratégia de Marketing da GE, a política industrial não pode se dissociar da política energética nesse caso. “A teia de fornecedores e subfornecedores é longa. Se acontecer um tropeço, vamos ter que repensar, porque não se aguenta três ou quatro anos sem volume”, explica a executiva, que participou de painel no Brazil Wind Power no Rio de Janeiro (RJ).

A necessidade da previsibilidade dos certames foi reforçada pelo presidente da Wobben, Fernando Real.  Ele conta que o foco da empresa está na redução de custos. A expectativa do executivo é que o leilão seja bom para a fonte, mas classificou o resultado como imprevisível. Com um forte programa de treinamento, a unidade brasileira da Wobben exporta pás, o que segundo ele, só aconteceu devido aos níveis de qualidade e produtividade altos alcançados.

João Paulo Gualberto da Silva, diretor de Energia Eólica e Solar da WEG, atacou a situação da logística e da infraestrutura do país, lembrando percalços que a empresa teve por conta da recusa da Polícia Rodoviária Federal em fazer a escolta do transporte de determinados equipamentos eólicos nas estradas. “O que deveria ser o mínimo, o estado não faz”, frisa. Real, da Wobben, citou que ela já teve que construir uma ponte para solucionar problemas no transporte. “Temos que nos unir mais e buscar solução”, avisa.

Embora bem avaliada, os fabricantes sugerem que a linha de financiamento Finame também poderia sofrer ajustes suaves. Com uma cadeia já bastante adensada, há componentes que não são bons no Brasil e pouco competitivos com os importados, devendo-se manter a fabricação local do aerogerador. A incapacidade de se enquadrar na linha todos os aerogeradores das carteiras das empresas também é outro ponto. Mudanças nas regras deveriam ser feitas com extremo cuidado. “O conteúdo local eólico é um caso de sucesso que tem que ser mantido”, diz João Gualberto, da WEG

A diretora da GE almeja uma contratação de 1,5 GW a 2 GW nos certames desse ano. Esse montante seria capaz de suprir a indústria eólica. Embora a fonte tenha se mostrado a mais competitiva nos últimos anos, a disputa com outras que também não tiveram contratação torna o cenário mais difícil. Sem muito otimismo, Gualberto, da WEG, não acredita em resultados expressivos nos dois leilões. Ele aposta que os leilões que poderão ser realizados no que vem deverão ter uma contratação maior que os desse ano. “Não acho que vai haver uma contratação espetacular esse ano. Tomara que eu esteja errado”.

Fonte:

Energia eólica atinge 12 GW de capacidade acumulada no Brasil

A fonte de geração de energia eólica atingiu 12 gigawatts (GW) de capacidade acumulada no Brasil. O patamar foi anunciado na abertura da 8ª edição do Brazil Windpower, o maior evento de energia eólica da América Latina, que até quinta-feira (31), vai reunir investidores e representantes do segmento, no centro do Rio de Janeiro. O encontro é promovido pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) e pelo Grupo CanalEnergia.

Com a capacidade acumulada de 12GW, o Brasil passou de 10º para a 9º lugar no ranking mundial dos principais países geradores de energia eólica e ultrapassou a Itália. Do ano passado para este houve um acréscimo de 2GW e o país ficou em quinto lugar mundial em nova capacidade instalada.

No ano passado, o setor eólico investiu US$ 5,4 bilhões. Para a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, o setor não chegou a ser afetado pela crise econômica porque a evolução se baseia em decisões que tinham sido tomadas anteriormente. “O que está acontecendo em 2017 foi, geralmente, decisão de 2014 e 2015. Em 2018, a gente já vai sentir um pouquinho as decisões de 2015 e 2016. A expansão de 2019, provavelmente, vai ser um pouco menor, só que, por outro lado, a gente já vai estar com retomada. Então, no final das contas, a gente sofreu o efeito da economia, mas foi reduzido pelo fato das decisões serem anteriores”, disse.

Leilões

Elbia Gannoum disse que, com a retomada dos leilões de geração no primeiro trimestre de 2018 para a oferta de energia a partir de 2022, o setor vai novamente ganhar perspectivas de investimentos. “A gente vai recuperar a curva de crescimento com esses leilões, que segundo o governo serão razoáveis e, a partir de 2018, a retomada em um ritmo mais acelerado”.

A energia eólica tem, atualmente, mais de 450 parques instalados no país, No ano passado, abasteceu, por mês, cerca de 18 milhões de residências, com aproximadamente 54 milhões de habitantes. “Estamos com uma Belo Monte espalhada nos estados do Nordeste e do Sul do país”, disse a presidente, em comparação com a capacidade de produção de energia da usina hidrelétrica construída no Pará.

Pelos cálculos da ABEEólica, levando em consideração os projetos já assinados que estão com empreendimentos em fase de construção ou contratados, até 2020, serão instalados mais 270 novos parques eólicos. Se isso se confirmar, serão mais 6 GW para o sistema. Conforme as estimativas, a cada megawatt instalado, o segmento cria 15 postos de trabalho. Até agora, no total acumulado há 180 mil empregos diretos e indiretos.

Fonte: EBC | Cristina Índio

Brasil deve retomar expansão em energia eólica, porém em ritmo mais lento

O Brasil deverá voltar a impulsionar sua indústria de energia eólica com a contratação ainda em 2017 de novas usinas a serem construídas nos próximos anos, mas essa retomada não alcançará o impressionante ritmo de expansão visto no país no passado, disse à Reuters nesta terça-feira o presidente da unidade local da Vestas, fabricante dinamarquesa do setor.

Após uma recessão que derrubou o consumo de eletricidade no Brasil em 2015 e 2016, o que não acontecia no país desde 2009, a sinalização é de que leilões para viabilizar novas usinas envolverão nos próximos anos uma contratação anual de entre 1,5 gigawatt ou 1,8 gigawatt em capacidade eólica, segundo a Vestas.

Entre 2009 e 2015, o Brasil contratou mais de 2 gigawatts em novas usinas eólicas a cada ano, incluindo uma significativa marca de mais de 4 gigawatts em 2013.

“Não teremos um mercado tão pujante como houve em anos passados, mas teremos um mercado estável, e acho que é isso o que todo mundo quer”, disse o presidente da Vestas no Brasil, Rogério Zampronha.

Ele ressaltou que já houve algum ânimo para os investidores após o governo agendar recentemente para dezembro um leilão que contratará novas usinas para iniciar operação em 2021 e 2023.

A contratação de novas usinas ocorrerá após o governo ter realizado na véspera um leilão para descontratação de projetos que não saíram do papel em meio a dificuldades financeiras, cancelando empreendimentos eólicos com potência de 307,7 MW.

O certame reduziu temores de fabricantes do segmento quanto à possibilidade de verem suas fábricas vazias nos próximos anos, após 2016 acabar sem a contratação de nenhum novo projeto eólico.

Mas ainda assim Zampronha disse que o mercado de turbinas eólicas no país deverá seguir com forte concorrência nos próximos anos, uma vez que diversos fabricantes instalaram fábricas locais durante os tempos de bonança da indústria.

Atualmente, além da Vestas, também possuem fábricas de turbinas eólicas no país a GE, a Siemens-Gamesa, a Nordex-Acciona e a Wobben Enercon, além da brasileira WEG.

Segundo Zampronha, a disputa por um número menor de contratos poderá tirar alguns players do mercado.

“Isso é suficiente para todos fabricantes que estão instalados no Brasil? Esse mercado dos próximos cinco anos? Talvez não, talvez tenha fabricantes demais”, afirmou.

Ele garantiu, no entanto, que a Vestas segue com seus planos para o Brasil e não cogita abandonar os negócios no país mesmo diante de um mercado menor.

“A Vestas confia no mercado brasileiro. Embora ele tenha altos e baixos, é uma característica… o Brasil vai voltar no curto prazo a ser uma das potências eólicas do mercado mundial. Não tão grande como China e Estados Unidos, mas bastante grande”, afirmou.

O Brasil encerrou o ano passado na nona colocação entre os países com maior capacidade eólica instalada no mundo, atrás do Canadá e à frente da Itália, com 10,7 gigawatts, segundo dados do conselho global de energia eólica.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Leilão de descontratação de energia registra forte ágio e arrecada R$105,9 milhões

O inédito leilão de descontratação de energia elétrica cancelou nesta segunda-feira 183,2 MW médios, com um prêmio médio pago pelas empresas participantes de 66,02 reais por MWh em empreendimentos de usinas eólicas e solares, registrando ágio de mais de 100 por cento para usinas movidas a vento.

Em momento de fraco consumo de energia em meio à crise econômica, o certame teve como objetivo oferecer uma oportunidade para que empresas descontratem usinas que tiveram problemas e não conseguiram sair do papel nos últimos anos.

Ao todo, 25 empreendimentos de geração participaram do mecanismo que possibilitará a rescisão de contratos de 16 usinas eólicas e nove usinas solares fotovoltaicas, resultando no ressarcimento de 105,9 milhões de reais para a Conta de Energia de Reserva (Coner), afirmou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) em nota.

O prêmio inicial de 33,68 reais/MWh para todas as fontes negociadas teve ágio de 116 por cento nos projetos eólicos (72,74 reais/MWh) e de 49 por cento nos projetos solares fotovoltaicos (50,27 reais/MWh).

Além do prêmio pago, os participantes que descontrataram ficam impedidos de participar dos dois próximos leilões de energia de reserva.

O certame teve duração de 8 horas e 25 minutos e, no total, foram efetuados 1.262 lances, disse a CCEE.

Não houve descontratação de projetos hidráulicos que estavam cadastrados no mecanismo por meio de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e Centrais de Geração Hidrelétrica (CGH), segundo a Câmara.

Veja os detalhes aqui.

Fonte: Reuters | Luciano Costa e Roberto Samora

Leilão de descontração tem forte competição no produto eólico

Teve início nesta segunda-feira (28), às 10h, o primeiro leilão reverso promovido pelo Governo Federal com objetivo de descontratar projetos de energias eólicas, solares e hidrelétricos que não iniciaram a operação em testes. Batizado de Mecanismo de Descontratação de Energia de Reserva, o certame inédito foi possível após a publicação da Portaria nº 151/2017 do Ministério de Minas e Energia (MME).

Ao contrário dos leilões de contratação, que o vencedor é aquele que oferece o menor preço pela energia, no Mecanismo de Descontratação a proposta ganhadora será aquela que oferecer o maior valor, que levará em conta o preço negociado nos respectivos leilões de reserva (vantajosidade da descontratação), associado ao pagamento de prêmio Conforme estabelecido em edital, o prêmio inicial para submissão de lance é de R$ 33,68 /MWh para os três produtos (solar, eólica e hidrelétricas) e deverá ser crescente ao longo da disputa.

Durante a tarde, o leilão de descontratação tem indicado uma forte competição no produto eólico, que está com preço corrente de R$ 219,09/MWh. O produto solar travou com preço corrente de R$ 307,42/MWh.   Não houve negociação da fonte hidráulica. O certame continua em andamento e pode acabar a qualquer momento.

O ICP Corrente reflete o preço do último projeto qualificado. O ICP corrente é a soma do lance mais o prêmio inicial, estipulado em R$ 33,68/MWh.

O certame é visto pelo mercado como uma oportunidade para empreendedores devolverem projetos que perderam a viabilidade econômica e financeira sem grandes penalizações.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Ceará busca voltar ao topo no ranking de energia eólica

Figurando no terceiro lugar no ranking de produção de energia eólica do Brasil, o Ceará está atrás do Rio Grande do Norte e da Bahia. Para voltar ao topo, comitiva do Governo do Estado irá buscar novas prospecções para o mercado local.

O potencial eólico do Ceará entrará em pauta a partir de hoje, no Brazil Windpower 2017. O evento, realizado no Rio de Janeiro, é uma oportunidade para diversas empresas e governos apresentarem as melhores opções para o mercado de energia eólica.

A participação cearense começa a partir das 13 horas, com o workshop “Novos Ventos do Ceará”, ministrado pelo secretário da Secretaria do Desenvolvimento (SDE), César Ribeiro e o pelo coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Joaquim Rolim. O evento segue até quinta-feira, 31.

O principal ponto a ser abordado pelo Governo do Estado na atração de investidores será, além do fator natural de intensidade dos ventos, a infraestrutura local que possui uma “cadeia produtiva completa”, como define Joaquim. A nova parceria com o Porto de Roterdã e a privatização do Aeroporto Internacional Pinto Martins são fatores que podem influenciar em leilão de energia.

“O índice do Ceará (capacidade de geração) em 2016 foi de 47,6%, a do Brasil foi 40,7% e o mundial ficou abaixo de 30%. Mostra que o Estado tem diferencial muito grande. Nós temos plena condição para expandir”, comenta. Atualmente, são 61 usinas eólicas em operação no Estado, com a maioria dos parques localizados nos municípios de Itarema, Trairi, Aracati e Beberibe. A Chapada da Ibiapaba é uma das regiões com maior potencial a ser desenvolvido.

Para fortalecer a imagem do Estado, três produtos estão em licitação para serem apresentados a eventuais investidores. São o balanço energético do Ceará e o levantamento da infraestrutura elétrica cearense, ambos realizados pela Secretaria da Infraestrutura (Seinfra). É a primeira vez que estudos do gênero serão realizados no Ceará. Em parceria com a Fiec, o Atlas Híbrido Eólico e Solar também está em fase de planejamento e deve ser licitado. Os produtos não contam com data de lançamento.

Presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), que também estará no Brazil Windpower, Nicolle Barbosa conta que os estudos passarão a ser anuais, após seu início. “A gente hoje não tem informações que justifiquem investimento aqui no Estado. Esses dados vão ser consolidados, estabelecendo a demanda e oferta de energia do Ceará, por exemplo. Vai ser como uma radiografia”, diz. Um estande da Adece também estará no evento, como espaço para tirar dúvidas e apresentar projetos.

Fonte: O Povo

Engie Brasil compra por R$ 15 milhões complexo eólico da Renova na Bahia

Umburanas tem 605 MW de capacidade instalada. Renova já havia vendido complexo eólico Alto Sertão para AES Tietê

A Engie Brasil anunciou em comunicado ao mercado na noite da última quarta-feira, 23 de agosto, que comprou por R$ 15 milhões o complexo eólico Umburanas, da Renova Energia. O projeto tem capacidade de 605 MW e fica localizado no estado da Bahia. A Renova já havia vendido o complexo eólico Alto Sertão para a AES Tietê.

Em maio, a empresa já havia conseguido cancelar os contratos de Umburanas no âmbito do resultado preliminar de processos do Mecanismo de Sobras e Déficits A4+ da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Na ocasião, ela alegou que a ação reduziria a necessidade de investimentos no médio prazo e os riscos de atraso em outros projetos.

Fonte: Canal Energia | Pedro Aurélio Teixeira

Geração eólica bate novo recorde no Nordeste

A geração de energia proveniente de parques eólicos instalados no Nordeste bateu mais um recorde na última terça-feira, 22 de agosto, com a produção de 5,873 GW médios, acima dos 5,367 GW médios registrados em 30 de julho. O montante correspondeu a 58% da carga da região e contribuiu para que o Nordeste exportasse energia para outras regiões durante todo o dia, apesar da forte seca que atravessa e da baixa geração hidrelétrica decorrente dessa situação.

Ventos favoráveis
O Nordeste vem registrando fortes ventos desde julho. Sazonalmente, o segundo semestre responde pelo período de maior intensidade de ventos. Por isso o segmento considera que, neste momento, está no período de “safra”. Tal intensidade contribuiu para que o fator de capacidade dos parques alcançasse os 68% na última terça-feira, acima dos 66% de dia 30 de julho, quando houve o recorde anterior de geração.

Fonte: Luciana Collet | Estadão

Geração eólica bate recorde no Nordeste

A geração de energia eólica no Nordeste bateu recorde no sábado, 29, quando foram produzidos 5.746 MW médios dessa fonte, atendendo 63% da carga da região. Às 10h57 daquele dia, a produção desses parques eólicos foi ainda mais intensa e chegou a responder por 69% da carga. A produção de energia a partir dos ventos vem garantindo o abastecimento no Nordeste, que enfrenta uma longa seca, com reflexos na redução da geração hidrelétrica.

Fonte: Estadão | Luciana Collet

Eólica amplia participação na matriz energética brasileira

A geração de energia pela fonte eólica vem batendo recorde ano após ano no Brasil. Em 2010, a geração energia eólica girava em torno de 1.376 megawatts (MW) médios e ocupava 0,23% da matriz elétrica nacional. Em 2016 a geração de energia pela força dos ventos saltou para 44.353 MW médios, aumentando para 6% a sua fatia de participação na matriz energética brasileira.

Os dados são resultado de um levantamento realizado pelo professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN e colaborador do CERNE, João Agra, com base no último relatório da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgado em no início de agosto.

“Desde a inserção da fonte na matriz elétrica nacional, no ano de 2009, e sua evolução quanto ao número de parques construídos e capacidade instalada em operação comercial, as eólicas estão se tornando uma fonte cada vez mais relevante nos indicadores de geração de energia”, destacou Agra.

Fonte: CERNE Press

 

Engie negocia aquisição de projeto eólico da Renova Energia

A elétrica Engie Brasil Energia está em negociações avançadas para a aquisição de um projeto de usinas eólicas da Renova Energia, na Bahia, de acordo com documento das empresas visto pela Reuters nesta terça-feira.

A negociação é pelo complexo Umburanas, que vendeu a produção em um leilão promovido pelo governo em 2014.

A construção do parque ainda não começou. Mas o complexo poderia estar em funcionamento em 2019, propuseram as empresas, caso o negócio receba aprovação da agência reguladora Aneel.

Segundo o documento, que não cita valores, já há um processo de due dilligence em andamento.

A Renova, controlada pela mineira Cemig, tem vendido ativos e buscado um novo sócio em meio a uma crise financeira que a deixou sem capacidade para tocar um ambicioso plano de investimentos.

Já a elétrica do grupo francês Engie avalia oportunidades de crescimento no país.

No final de julho, executivos da Engie disseram que a empresa anunciaria em breve uma aquisição no setor de renováveis.

Procuradas nesta terça-feira, Renova e Engie disseram que não vão comentar o assunto.

As elétricas também pedem à Aneel que o complexo Umburanas seja redimensionado de forma “amigável” para 360 megawatts em capacidade, que seriam implementados imediatamente pela Engie.

Outros 95 megawatts do empreendimento passariam a compor o portfólio de projetos da companhia francesa para o Brasil, visando implementação futura.

Se aprovada a proposta de Renova e Engie à Aneel, a Engie prevê ficar responsável por construir 18 usinas do complexo Umburanas –cinco que direcionarão a produção às distribuidoras de energia, no mercado regulado (102,5 megawatts), atendendo compromissos do leilão de 2014, e 13 que destinarão a energia ao mercado livre de eletricidade (257,5 megawatts).

Caso haja aval do regulador, as elétricas preveem assinar contrato ainda em agosto. Já as obras das usinas eólicas iniciariam em abril de 2018.

Fonte : Reuters

 

Geração eólica bate recorde no Nordeste

A geração de energia eólica no Nordeste bateu recorde no sábado, 29, quando foram produzidos 5.746 MW médios dessa fonte, atendendo 63% da carga da região. Às 10h57 daquele dia, a produção desses parques eólicos foi ainda mais intensa e chegou a responder por 69% da carga. A produção de energia a partir dos ventos vem garantindo o abastecimento no Nordeste, que enfrenta uma longa seca, com reflexos na redução da geração hidrelétrica.

Fonte: Estadão | Luciana Collet

Sem novos leilões, geração eólica terá retrocesso após dez anos de aumento

Expectativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) é de que até setembro seja anunciado o cronograma de um novo leilão; certame vai elevar capacidade só a partir de 2020 

Por Rodrigo Petry | DIÁRIO COMÉRCIO INDÚSTRIA & SERVIÇOS

 

Os efeitos da recessão econômica vão trazer um retrocesso na expansão da energia eólica no País. Sem novos leilões previstos, haverá uma desaceleração da capacidade de nova energia instalada já em 2019, após dez anos de alta.

“O impacto do arrefecimento da demanda da indústria brasileira foi imediatamente sentido no mercado de energia”, diz o diretor presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates. Segundo ele, mesmo com a desaceleração econômica, o Brasil não tem sobra energética, o que gera uma preocupação quanto ao atendimento da demanda. “É importante que ocorra uma solução governamental urgente”, defende Prates, em relação à uma nova rodada de leilões ainda este ano.

A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, porém, minimiza o impacto da desaceleração da expansão da capacidade em 2019 e reforça que ainda há tempo de garantir uma ampliação a partir de 2020. “O que estamos investindo hoje é resultado dos leilões de 2012 e 2014. No ano passado, não houve leilão porque não havia demanda, pela crise econômica”, diz. “Há uma forte sinalização, por parte do governo, de que seja anunciado até setembro um novo leilão, que ocorreria em dezembro”, complementa ela.

Dados da ABEEólica apontam que, entre 2008 e 2017, a capacidade instalada cresceu mais de 38 vezes, saltando de 341,4 megawatts (MW) para 13.272,7 MW. A expectativa da associação é de que esse montante atinja 15.153 MW em 2018 e cresça apenas 4,5% em 2019, para 15.837 MW. Já em 2020, a estimativa inicial – sem considerar um possível leilão este ano – é de que a capacidade chegue a 17.986,7 MW. “Esse número pode ficar em 19, 20 ou 21 mil megawatts, dependendo do quanto seja contratado”, comenta Elbia.

Para poder ampliar a capacidade, novos investimentos precisam ser contratados por meio de leilões com três ou cinco anos de antecedência.

Nordeste

O maior beneficiado pela energia eólica vem sendo o Nordeste. Segundo o executivo do Cerne, com a seca que vem assolando a região, cerca de dois terços da energia consumida na área estão vindo de fontes renováveis, contra uma média, em geral na região, de um terço. “Isso foi resultado do incentivo à produção lá atrás, caso contrário poderíamos estar vivendo um apagão no Nordeste”, observa Prates.

Segundo dados do boletim mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Rio Grande do Norte segue como maior produtor de energia eólica do país com 1.076 MW médios em 2017, aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece o estado da Bahia com 704 MW médios produzidos (+25,6%), o Rio Grande do Sul, que alcançou 547,6 MW médios (+13%) e o Ceará, com 460,6 MW médios (+8,1%).

Os dados consolidados de maio de 2017 destacam que o Rio Grande do Norte tinha a maior capacidade instalada do País, com 3.209 MW, alta de 18,3% ante maio de 2016. Na sequência estão o Ceará, com 1.965 MW (+21,6%); a Bahia, que manteve os mesmos 1.750 MW; e o Rio Grande do Sul, com 1.715 MW (+13%).

Em 2016, foram instaladas 81 novas usinas eólicas, que acrescentaram 2.013 MW. No total, o parque eólico contava com 430 usinas, com um total de 10,75 GW de potência instalada. Como comparação, considerando todas as fontes de geração de energia elétrica, o sistema brasileiro registrou uma ampliação, em 2016, de 9,43 GW de potência – puxado pelas fontes hidrelétrica e eólica, que representaram 60,15% e 21,35%, respectivamente.

Mesmo com a desaceleração prevista da expansão da capacidade instalada em 2019, porém, a executiva da ABEEólica descarta riscos maiores de abastecimento. Ela ressalta que as demais fontes – h i d re l é trica e térmica – podem complementar a oferta. “A matriz energética dos países precisa ser bem variada, para não ficarmos sujeitos a riscos de apagão”, ressalta Elbia.

Mulheres representam 25% da força de trabalho no mercado de energias renováveis

Atualmente, as mulheres representam cerca de 25% da força de trabalho no mercado de energia eólica e solar em todo o mundo. Esse e outros temas foram discutidos durante a 3ª edição do Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE (CTC-CERNE), ocorrido nesta sexta-feira (28), no Instituto Federal de Educação Tecnológica do RN (IFRN), em Natal. O evento também abordou o crescimento da energia eólica no Brasil e seus aspectos quanto a mercado, tecnologias e qualificação profissional.

A diretora executiva da Associação de Mulheres nas Indústrias Sustentáveis e Energia Renovável (WRISE, em inglês), Kristen Graf, participou do evento diretamente de Nova Iorque e falou sobre o trabalho desenvolvido pela associação. “Nós trabalhamos com a inserção e avanço das mulheres dentro do setor de energias renováveis. Acreditamos que uma força de trabalho diversificada é uma chave estratégica para a construção de uma economia mais robusta e inclusiva na área de energia renovável”, enfatizou Graf, durante videoconferência.

“Nós fizemos um grande progresso nos últimos anos, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Sabemos que uma equipe diversa é melhor para a tomada de decisões e melhor para os negócios”, salientou a executiva.

Operação e manutenção de empreendimentos

20431728_1514054585313693_2593324873379107804_nPara Leandro Ribeiro, representante da Pacific Hydro Brasil, companhia responsável pela instalação de parques eólicos no Brasil e Rio Grande do Norte, ter uma estratégia de manutenção preventiva é fundamental para que os parques mantenham sua eficiência de produção. “Entre os desafios do segmento de manutenção e operação estão a seleção e disponibilidade de empresas parceiras, além da necessidade de mão de obra cada vez mais qualificada nesse ramo”, ressaltou o engenheiro.

Novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para otimizar a eficiência desses equipamentos. O engenheiro e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ricardo Pinheiro, apresentou diversos resultados de pesquisas sobre o tema. Para ele, as turbinas podem ter melhor desempenho se forem estruturalmente adequadas ao clima do Brasil. “O clima e o meio ambiente como um todo influenciam na produtividade desses equipamentos. É necessário adotar técnicas adaptadas a cada região para otimizar a manutenção preventiva. Isso pode repercutir positivamente nos contratos e no retorno financeiro para a empresa a longo prazo”, concluiu Pinheiro.

Cenário piauiense

WhatsApp Image 2017-07-28 at 17.39.40Quando se fala em geração de energia eólica, o Rio Grande do Norte se destaca pelos bons números conquistados nos últimos anos. Entretanto, a indústria dos ventos também está ganhando força em outros estados da região Nordeste.

No Piauí, a produção de energia eólica chega a  1178 megawatts (MW) de capacidade instalada  e coloca o estado entre os cinco maiores geradores pela fonte no Brasil. Segundo o professor da Universidade Federal do Piauí, Marcos Lira, se a tendência de crescimento do setor permanecer, em 2019 o estado poderá quebrar a barreira dos 2 gigawatts. “Se essa tendência de crescimento continuar, até 2025 o estado poderá atingir a marca de 6GW de capacidade instalada em operação”, disse Lira.

Capacitação

A capacitação e inserção de profissionais no mercado eólico é um assunto que demanda cada vez mais atenção do setor energético. O

Foto: CERNE Press

Foto: CERNE Press

Coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Energias Renováveis do IFRN no Campus de João Câmara, Alexandro Rocha, citou a implantação do curso para atender, no âmbito do estado, às demandas geradas pelo contexto social e econômico ocasionados pelo desenvolvimento do mercado das energias renováveis. O docente mencionou as atividades do curso e ressaltou a contribuição disso para formação especializada de profissionais no Rio Grande do Norte.

Rocha aproveitou a ocasião do tema para destacar a importância do aprendizado de um segundo idioma como um dos diferenciais para a inserção do profissional no mercado energético.

Fonte: CERNE Press

 

Força das eólicas no Brasil surpreende

Usinas eólicas do país mantém produtividade em alta enquanto a região Nordeste puxa volume de produção e movimenta o setor

Ventos fortes e novas usinas eólicas operando no país se tornaram a combinação perfeita para o setor atingir o protagonismo no mercado das energias renováveis. Para se ter ideia, a produção de energia por meio da força dos ventos chegou a atender mais da metade de toda energia demandada pela região Nordeste.

No mês de junho, a região teve 14 dias com mais de 50% da energia total produzida vindo de usinas eólicas, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). A entrada de fenômenos meteorológicos intensificou a ventania em alguns pontos e provocou rajadas de ventos, que, em picos instantâneos, fez com que os fatores de capacidade dos parques eólicos atingissem valores superiores a 70%.

Os números positivos reforçam a produtividade do setor eólico no país. O Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará são os estados com maior número de empreendimentos em construção ou com capacidade já contratada, sendo que o RN é líder nacional em produção de energia pela força dos ventos com 3.3GW de capacidade instalada em 127 parques ​em operação, de acordo com dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE). Isso representa quase o dobro dos números registrados pela Bahia, segunda colocada no ranking, com 1,7GW de capacidade instalada em 71 usinas eólicas.

Com este cenário promissor, o crescimento da implantação e do uso da energia eólica no Brasil será o tema do terceiro encontro do Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CTC-CERNE) que será realizado dia 28 de julho, às 14 horas, no mini auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Central Natal.

O Ciclo de Debates tem como proposta debater os principais problemas do setor de recursos naturais e energia. “Nossa proposta é analisar e encontrar soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor, além de identificar potenciais parcerias entre as instituições participantes do evento”, afirmou o coordenador do CTC e Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira.

Representantes confirmados de empresas como a Pacific Hydro Brasil, e instituições como UFRN, IFRN e Universidade Federal do Piauí (UFPI) debaterão sobre o cenário dos empreendimentos eólicos no ponto de vista da operação e manutenção, capacitação e formação profissional na área de energia eólica, e as possibilidades de implantação de novas tecnologias em parques híbridos.

O Ciclo é uma realização do CERNE e conta com apoio do IFRN, FIERN e SEBRAE. A programação completa está disponível no site do CERNE pelo endereço www.cerne.org.br clicando na imagem do Ciclo situado a direita da página inicial. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340. A entrada é gratuita.

Fonte: CERNE Press
CICLO DEBATES-03 (1)