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Leilão de linhas de energia tem maior deságio médio em 20 anos

Indianos da Sterlite Power levaram seis dos 20 lotes ofertados. Deságio médio foi de 55%.

Foto: Epower Bay

Após cerca de 12 horas, o leilão de linhas de transmissão de energia terminou com o maior deságio registrado em 20 anos, com um desconto médio de 55% nos 20 lotes que foram leiloados nesta quinta-feira (28), na sede da B3, em São Paulo.

A concorrência ficou suspensa por sete horas, devido a uma decisão judicial, o que atrasou o início do certame.

Às 9h, uma fila de investidores e analistas do setor elétrico se acumulava no local, já indicando a forte competitividade do leilão.

O certame, porém, só começou por volta das 16h. Uma das participantes, a Jaac Materiais e Serviços de Engenharia, que havia sido impedida de concorrer a um dos lotes por estar em desacordo com o edital, conseguiu uma decisão liminar na Justiça que impediu a realização do leilão.

O imbróglio só foi resolvido horas depois. O clima no salão da B3 era de tensão, e muitos dos participantes estavam revoltados com a falta de informações por parte da Aneel (agência reguladora do setor elétrico).

Ao dar as boas vindas aos investidores em discurso na B3, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Ronaldo Fonseca, destacou o crescimento do Brasil e sua “segurança jurídica aos investidores privados” —provocando gargalhadas do público que estava há horas esperando que a liminar fosse derrubada.

Um dos mais bem-humorados era Pratik Agarwal, presidente da empresa indiana Sterlite Power Grid, que foi a grande vencedora do leilão.

“Estamos esperando há seis meses [o certame]. Algumas horas não fazem diferença.”

A companhia levou seis dos 20 lotes ofertados e investirão R$ 3,64 bilhões para construir e operar as novas linhas contratadas nesta quinta.

A Sterlite entrou no mercado brasileiro no ano passado. No leilão de abril, levou dois projetos de menor porte. Na concorrência de dezembro, ganharam mais um lote, o maior daquele certame.

Ao fim do leilão, Agarwal parabenizou o “leilão tranquilo” e disse garantir que os projetos serão entregues no menor prazo possível.

Ao todo, foram contratados 20 lotes de linhas de transmissão em 16 estados brasileiros, que exigirão investimentos de R$ 6 bilhões nos próximos 30 anos.

A concorrência, que atraiu 47 grupos (entre empresas e consórcios) teve uma média de 11 proponentes por lote. Na última concorrência, a média tinha sido de 14 por lote, mas o número de projetos total era menor, de 11 lotes.

Outro destaque foi a ISA Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), controlada por uma empresa colombiana. O grupo levou dois lotes com deságios altos, de 66,65% e 73,29% —este último, o mais alto do leilão.

A Jaac, empresa cuja liminar provocou o atraso de sete horas, não levou nada, mas fez um lance competitivo no maior lote da competição —uma linha de 541 quilômetros entre Ceará e Rio Grande do Norte.

No entanto, acabou perdendo para os indianos da Sterlite —provocando uma comemoração entre os participantes presentes.

Os investidores chineses tiveram pouca presença. A CPFL, controlada pela State Grid, foi a única a levar um projeto, no Ceará, com receita anual de R$ 7,89 milhões.

O último lote, em Minas Gerais, foi colocado em disputa por volta das 21h e também foi arrematado pela Sterlite.

O grupo, que reunia cerca de 30 indianos, encerraram o pregão aos gritos de “Hexa! Hexa!”

O diretor da Aneel, André Pepitone, classificou o leilão como “extremamente exitoso”, e disse que a alta competitividade reflete a confiança dos investidores na regulação do setor.

Obras de Linhas de Transmissão:

LT 500 kV Paracatuba – Jaguaruana II, C1, com 155,03 km;
LT 500 kV Jaguaruana II – Açu III, C1, com 113,95 km;
LT 230 kV Jaguaruana II – Mossoró IV, CD, C1 e C2, com 2 x 54,54 km;
LT 230 kV Jaguaruana II – Russas II, C1, com 32 km;
LT 230 kV Caraúbas II – Açu III, CD, C1 e C2, com 2 x 65,13 km;
Trechos de LT em 500 kV entre o seccionamento da LT 500 kV Fortaleza II – Pecém II C1 e a SE Pacatuba, com 2 x 0,5 km.

Obras de Subestações e Compensador Estático:

SE 500/230 kV Jaguaruana II – (6+1 res.) x 250 MVA;

SE 500/230/69 kV Pacatuba – 500/230 kV – (6+1R)x200 MVA e 230/69kV – 2×200 MVA;
SE 230/69 kV Caraúbas II – 2 x 100 MVA;

Compensador Estático (-150/+300 Mvar);

Entre os 20 lotes leiloados, ele destacou três, localizados no Nordeste e no norte de Minas Gerais, cujo objetivo é aumentar o escoamento da energia solar e eólica gerada nas regiões.

Veja os vencedores:

Lote 20 – Minas Gerais
7 proponentes
Vencedor – Sterlite Power
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 65,59 milhões para R$ 31,43 milhões – 52,08%
(Os indianos da Sterlite Power, que arremataram seis lotes, terminaram o leilão gritando “Hexa! Hexa!”)

Lote 19 – Paraná
9 proponentes
Vencedor – Energisa
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 78,28 milhões para R$ 33,515 milhões – 57,18%
(O lote teve uma dura disputa entre a indiana Sterlite e a Energisa)

Lote 18 – Maranhão
2 proponentes (4 inscritos desistiram)
Vencedor – Levado pelo consórcio IG/ESS com deságio de 23,62%
Deságio – receita anual inicial caiu de caiu de R$ 10,213 milhões para R$ 7,8 milhões

Lote 17 – Piauí
9 proponentes
Vencedor – consórcio Lyon Energia
Deságio – receita anual inicial caiu de de R$ 19,23 milhões para R$ 9,35 milhões -51,37%

Lote 16 – Maranhão e Piauí
5 concorrentes
Vencedor – F3C Empreendimentos
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 10,6 milhõ
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 52,337 milhões para R$ 25,32 milhões – 51,62%

Lote 11 – Tocantins
10 proponentes
Vencedor – Lyon Energia
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 19,67 milhões para R$ 7,2 milhões – 63,39%

Lote 10 – São Paulo (para atender o Vale do Paraíba)
10 proponentes
Vencedor – Cteep
Deságio – receita anual inicial caiu de de R$ 38,794 milhões para R$ 10,114 milhões – 73,92%

Lote 9 – Ceará
8 proponentes
Vencedor – CPFL (controlada pela chinesa State Grid)
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 16,693 milhões para R$ 7,885 milhões – 52,76%

Lote 8 – Alagoas
8 proponentes
Vencedor – Consórcio BR Energia/Enind
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 12,3 milhões caiu para R$ 8 milhões – 35,03%

Lote 7 – Sergipe e Bahia
10 proponentes
Vencedor – Sterlite Power
Deságio – receita anual inicial caiu de de R$ 133,27 milhões para R$ 52,51 milhões – 60,59%

Lote 6 – Bahia
Vencedor – Consórcio Lyon Energia
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 17.427.700 para R$ 10,9 milhões – 37,45%

Lote 5 – Bahia
12 proponentes
Vencedor – Consórcio BR Energia / ENIND Energia (BRENERGIA, Brasil Digital telecomunicações e Enind Engenharia e construção)
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 10,544 milhoes para R$ 5,4 milhão – 48,78%

Lote 4 – Paraíba
11 proponentes
Vencedor – Sterlite Power
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 60.002.250,00 para R$ 25,70 milhões – 57,16%

Lote 3 – Cruza Ceará e Rio Grande do Norte (541 km)
11 proponentes
Vencedor – Sterlite Power
Deságio – receita anual inicial caiu de R$ 205,14 milhões para R$ 85,05 milhões 58,54%

(O primeiro lance a ser anunciado foi justamente o do consórcio da Jaac, que participa sob júdice, com alto deságio, de 51,94%. O lance gerou forte reação entre os participantes. O seguinte, porém, gerou ainda mais comoção: a indiana Sterlite Power ofereceu o lance vencedor, com desconto de 58,54%. A derrota da Jaac foi comemorada entre os participantes no salão da B3.)

Lote 2 – Rio de Janeiro
10 proponentes
Deságio – receita anual permitida caiu de caiu de R$ 31.055.370 para R$ 14.925.000 – 51,94%

Lote 1 – Santa Catarina
11 proponentes
Vencedor – consócio Columbia (Cteep vai assumir sozinha após saída da Taesa do consórcio )
Deságio – a receita anual permitida caiu de R$ 114.664.010 para 38.231.291 – 66,65%

Fontes: Thais Hirata | Folha de São Paulo | Portal EpowerBay

 

Chinesa CTG quer comprar a EDP e avalia empresa em 11 bilhões de euros

As duas empresas operam no Brasil e, juntas, se tornariam líderes privadas em geração no país

A China Three Gorges (CTG) lançou uma oferta pública voluntária de compra de ações da EDP e da EDP Renováveis na bolsa de Lisboa, ao preço de, respectivamente, 3,26 euros e 7,33 euros.

O montante avalia a EDP em cerca de 11 bilhões de euros. Como a CTG já tem uma participação de 23,27% na companhia portuguesa, o desembolso seria de 8,3 bilhões de euros.

O preço embute um prêmio de 4,8% em relação ao fechamento das ações da EDP de hoje, de 3,11 euros.

No caso da EDP Renováveis, a CTG não tem participação atualmente. Com a aquisição do controle da EDP, a chinesa seria titular dos 82,6% de ações da companhia hoje nas mãos da controladora. Pelos 17,4% restantes, o valor a ser desembolsado seria de até 1,1 bilhão de euros.

EDP Brasil

A oferta coloca como condição que a companhia não seja obrigada a lançar também uma oferta pela EDP Energias do Brasil, controlada pela companhia portuguesa.

O edital da oferta pública de aquisição de ações deixa claro que é condição que a aquisição do controle da EDP não poderá constituir uma obrigação de lançamento de uma oferta obrigatória pela EDP Energias do Brasil.

A exceção é a potencial OPA obrigatória sobre as ações da EDP Renováveis.

Segundo o edital, a CTG pretende que a EDP passe a liderar as operações e a expansão do grupo chinês na Europa, nas Américas e nos países lusófonos — na qual se encontra o Brasil.

Se a chinesa achar necessário, poderá incorporar ativos relevantes na companhia, visando fortalecer a posição da EDP no mercado, com seu fortalecimento de crédito e obtenção de ganhos com sinergias.

A CTG disse ainda que pretende assegurar que a EDP se mantenha um ativo estratégico importante, com identidade portuguesa e listada na Bolsa de Lisboa.

A operação será concluída com sucesso se a CTG conseguir obter uma fatia superior a 50% das ações da portuguesa.

Fonte: Valor Econômico | Camila Maia

Siemens Gamesa registra € 2,24 bi em vendas e € 3 bi em pedidos em 2018

Siemens Gamesa Energia Renovável apresentou na última sexta-feira, 4 de maio, os resultados do segundo trimestre fiscal de 2018 (janeiro a março). A atividade comercial da companhia se manteve forte no segundo trimestre: a carteira de pedidos atingiu € 22,04 bilhões e voltou ao nível de mercado de março de 2017.

Entre janeiro e março, a Siemens Gamesa assinou mais € 3 bilhões em pedidos firmes, o que permite cobrir em 100% o limite inferior previsto para a receita de 2018. O lucro líquido ficou em € 35 milhões no trimestre fiscal.

Por área de negócio, o segundo trimestre fiscal encerrou com uma entrada recorde de pedidos de eólicas onshore: 2.464 MW, 54% a mais que durante o mesmo período do ano anterior. Porém, a divisão de offshore, com 328 MW em pedidos firmados, refletiu a maior volatilidade esperada para esse mercado. Apesar disso, a empresa assinou um acordo de exclusividade para desenvolver maior parque eólico offshore do mundo até hoje (1,4 GW).

A Siemens Gamesa encerra o segundo trimestre fiscal com um desempenho financeiro em linha com o projetado para 2018, vendas de €9 bilhões a €9,6 bilhões no ano e margem Ebitda entre 7% e 8%.

As vendas durante o segundo trimestre alcançaram € 2,24 bilhões (redução de 29% na comparação anual). No semestre (outubro a março), as vendas somaram € 4,36 bilhões, desempenho 26% menor quando comparado com o mesmo período do ano fiscal anterior.

A empresa termina o trimestre com uma dívida líquida de € 112 milhões, impactada pela sazonalidade dos projetos, especialmente em offshore.

Fonte: Canal Energia

Quatro gigantes lideram mercado global de turbinas eólicas

No ano passado, desenvolvedores colocaram em operação 52 gigawatts no mundo

 Quatro gigantes lideram o mercado global de energia eólica. Juntas, a espanhola Siemens Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a chinesa Goldwind e a norte-americana GE responderam por 53% das vendas de turbinas eólicas do setor no ano passado. Os dados são do relatório Global Wind Turbine Market Shares (Participações de Mercado Globais de Turbinas Eólicas), da Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

No ano passado, desenvolvedores colocaram em operação 52 gigawatts (GW). Considerando apenas as instalações em terra (onshore), quem lidera é a Vestas, com 7,7GW de turbinas em operação, o equivalente a uma participação de mercado global de 16%.

As estatísticas se baseiam no banco de dados global da BNEF sobre projetos eólicos de escala de serviços públicos e informações da indústria.

A Siemens Gamesa, formada em 2016 pela fusão do setor de energia eólica da gigante alemã de engenharia Siemens e da fabricante espanhola de turbinas Gamesa, ficou em segundo lugar em turbinas onshore, com 6.8 GW em operação. Sua participação de mercado aumentou em relação aos 11% que suas duas empresas antecessoras detinham em 2016, para 15% no ano passado.

A Goldwind registrou 5,4GW em operação, sendo que mais de 90% das turbinas fabricadas foram para projetos na própria China em 2017. O país é o principal mercado para o setor, instalando sozinho quase 19,5 GW no ano passado, quase o triplo dos projetos dos Estados Unidos.

Já a norte-americana GE instalou 4.9 GW, equivalentes a uma participação de mercado 10%.

Agora, em alto-mar, a Siemens Gamesa foi em disparado a maior fornecedora global, com 2,7 GW em instalações offshore. Essa vantagem marítima somada ao desempenho em terra coloca a espanhola no topo do ranking mundial de instalações de turbina eólica. Seu contrato mais recente inclui a implantação de 1 GW com o governo da Turquia. Confira a lista completa na tabela abaixo.

Fonte: Vanessa Barbosa | Época Negócio

Foto: Época

Foto: Época

Engie negocia aquisição de projeto eólico da Renova Energia

A elétrica Engie Brasil Energia está em negociações avançadas para a aquisição de um projeto de usinas eólicas da Renova Energia, na Bahia, de acordo com documento das empresas visto pela Reuters nesta terça-feira.

A negociação é pelo complexo Umburanas, que vendeu a produção em um leilão promovido pelo governo em 2014.

A construção do parque ainda não começou. Mas o complexo poderia estar em funcionamento em 2019, propuseram as empresas, caso o negócio receba aprovação da agência reguladora Aneel.

Segundo o documento, que não cita valores, já há um processo de due dilligence em andamento.

A Renova, controlada pela mineira Cemig, tem vendido ativos e buscado um novo sócio em meio a uma crise financeira que a deixou sem capacidade para tocar um ambicioso plano de investimentos.

Já a elétrica do grupo francês Engie avalia oportunidades de crescimento no país.

No final de julho, executivos da Engie disseram que a empresa anunciaria em breve uma aquisição no setor de renováveis.

Procuradas nesta terça-feira, Renova e Engie disseram que não vão comentar o assunto.

As elétricas também pedem à Aneel que o complexo Umburanas seja redimensionado de forma “amigável” para 360 megawatts em capacidade, que seriam implementados imediatamente pela Engie.

Outros 95 megawatts do empreendimento passariam a compor o portfólio de projetos da companhia francesa para o Brasil, visando implementação futura.

Se aprovada a proposta de Renova e Engie à Aneel, a Engie prevê ficar responsável por construir 18 usinas do complexo Umburanas –cinco que direcionarão a produção às distribuidoras de energia, no mercado regulado (102,5 megawatts), atendendo compromissos do leilão de 2014, e 13 que destinarão a energia ao mercado livre de eletricidade (257,5 megawatts).

Caso haja aval do regulador, as elétricas preveem assinar contrato ainda em agosto. Já as obras das usinas eólicas iniciariam em abril de 2018.

Fonte : Reuters

 

Vestas volta ao topo do ranking de fabricantes eólicos, segundo relatório da Bloomberg

A dinamarquesa Vestas recuperou o primeiro lugar no ranking anual de fabricantes de turbinas eólicas, segundo dados compilados pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Aproximadamente 8,7GW de turbinas da companhia foram instaladas em 2016, cerca de 16% de todas as instalações eólicas onshore no ano passado. Segundo a BNEF, a Vestas retorna ao primeiro lugar graças a um forte impulso nos EUA. A fabricante continua buscando uma estratégia global, com projetos eólicos em operação em 35 países, mais do que qualquer outra fabricante de turbinas.

A General Electric ficou em segundo lugar com 6,5GW, cerca de 0,6GW a mais do que em 2015. Embora a GE tenha perdido por pouco a sua tradicional liderança no mercado norte-americano para turbinas recém-contratadas da Vestas, a empresa conseguiu aumentar sua presença global para 21 países em 2016, de 14 em 2015.

A Xinjiang Goldwind Science & Technology caiu do primeiro para o terceiro lugar, com 6,4GW instalados em 2016. Praticamente toda a capacidade da fabricante chinesa foi construída em seu mercado doméstico, onde a Goldwind ampliou ainda mais sua participação. A contração do mercado de turbinas da China teve um impacto claro sobre a Goldwind, pois as instalações gerais no país alcançaram 22,8GW em 2016, uma queda de 21% em relação ao recorde de 29GW em 2015.

“O ranking deste ano mostra porque 2016 girou em torno de fusões na indústria de fabricantes de turbinas”, disse David Hostert, chefe de pesquisa eólica na BNEF. “Existe agora um grupo dissidente forte de três companhias líderes, seguido por outras empresas bem competitivas. A futura fusão da Siemens Wind e da Gamesa vai permitir que a nova empresa alcance as líderes e crie um grupo de “quatro grandes” fabricantes dominantes. Ficar na liderança deste grupo exigirá um porte significativo e uma presença equilibrada nos mercados certos”.

A espanhola Gamesa ficou em quarto lugar para instalações de turbinas onshore, pouco à frente da Enercon da Alemanha. Ambas as empresas conseguiram aumentar significativamente as suas instalações gerais em comparação com 2015. Enquanto uma em cada duas turbinas da Enercon foi instalada na Alemanha, quase uma em cada três turbinas da Gamesa foi instalada na Índia.

O Grupo Nordex retornou ao top 10 em sexto lugar, após a fusão com a Acciona Windpower no ano passado. A Guodian United Power da China ficou em sétimo lugar, à frente da Siemens. Esta última caiu quatro posições no ranking de onshore, em comparação com 2015. As empresas chinesas Ming Yang e Envision empataram em nono lugar, já que a diferença entre as duas fabricantes foi muito pequena.

Mercado eólico– Apenas 832 MW de nova capacidade eólica offshore foi instalada em 2016, um ano dominado por instalações na Ásia. Embora 2016 tenha tido um recorde de novos financiamentos para projetos eólicos offshore a serem construídos nos próximos anos na Europa, a quantidade de novos projetos em operação no ano passado foi globalmente muito abaixo dos 4,2 GW de 2015. A Sewind da China, que produz as turbinas offshore da Siemens, sob licença na China, ficou em primeiro lugar, com 489MW. Deste total, cerca de 388MW foram de turbinas Siemens e 101 MW foram máquinas do seu próprio design.

A Bloomberg New Energy Finance compila seu ranking anual de fabricantes de turbinas onshore e offshore utilizando a sua base de dados do mercado para fornecer uma metodologia global harmonizada. Portanto, estes números podem variar em relação aos relatórios das próprias fabricantes. A Gamesa e Siemens são mostradas como empresas separadas, pois a fusão entre a Siemens Wind e a Gamesa ainda não está finalizada.

 

Fonte: Agência Canal Energia

 

Gigantes do setor de óleo e gás têm interesse em novos campos no Brasil

Gigantes petroleiras mundiais já sinalizaram ao governo brasileiro que pretendem voltar a investir no Brasil em novos campos caso sejam promovidas importantes mudanças regulatórias. A principal delas envolve o pré-sal, com o fim da obrigatoriedade de a Petrobras atuar como operadora única e de deter, no mínimo, 30% das áreas no regime de partilha.

Segundo uma fonte do setor, as companhias americanas se preparam para investir no pré-sal brasileiro em 2017. Já procuraram até o governo. Entre as maiores dos EUA, estão Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips. “As companhias estão querendo voltar ao Brasil com força porque o pré-sal vem se mostrando muito atrativo nesses últimos anos”, disse essa fonte.

Advogados e especialistas do setor também ressaltam a maior procura pelo Brasil.”O mundo está de olho no Brasil, porque tem reservas significativas de petróleo. Todas as grandes petroleiras estão observando o país com interesse, como a Ecopetrol da Colômbia, a Total e a Statoil, entre outras, não só no pré-sal, mas em todo o potencial geológico”,  destacou Alexandre Chequer, advogado da Tauil & Chequer Advogados.

Conteúdo local

Mas, para que o país volte a atrair um volume maior de investimento no setor, empresários e especialistas afirmam que será fundamental o governo alterar a regulamentação. Além da abertura da exploração do pré-sal por empresas privadas e as novas regras para o conteúdo local, um ponto destacado é a extensão do prazo do Repetro, regime aduaneiro do setor que vence em 2019. Segundo Edmar Almeida, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, a renovação é importante, pois permite reduzir a carga tributária sobre os investimentos.

Sônia Agel, advogada especialista em petróleo e gás do L.O. Baptista-SVMFA, ressaltou que o fim da exigência de a Petrobras atuar como operadora única no pré-sal e a extensão do prazo do Repetro são medidas fundamentais a serem adotadas no curto prazo para voltar a estimular os investimentos na indústria petrolífera no país. Mas acrescenta que é preciso estabilidade.

“Para atrair investimentos não basta apenas acabar com o operador único no pré-sal. É preciso ter primeiro estabilidade econômica e também estabilidade regulatória. Não deveria se considerar o conteúdo local como um dos itens para declarar o vencedor de um leilão. Isto porque o parque industrial brasileiro não está preparado para atender 100% do conteúdo local. Ainda mais agora que teve uma redução da oferta desses produtos nacionais em função da crise interna e dos efeitos da Operação Lava-Jato, que atingiu muitas empresas”, destacou Sônia.

Agenda regular de leilões

O diretor-geral da Total E&P do Brasil, sócia da Petrobras em Libra, Maxime Rabilloud, disse ainda que, como a indústria petrolífera trabalha com investimentos a longo prazo, é fundamental ter regras tributárias estáveis e um calendário de leilões.

“Ter um regime tributário estável e uma agenda transparente e regular de leilões também é essencial para manter o crescimento das empresas. Mesmo diante desses desafios, o Brasil continua sendo uma região importante para a estratégia de crescimento da Total nos próximos anos”, garantiu.

Carlos Assis, sócio líder do Centro de Energia da EY (ex-Ernst & Young), lembrou que as mudanças na regulação que estão sendo feitas pelo governo trazem uma sinalização positiva para os investidores.

“Para as grandes companhias do setor, o pré-sal é uma área muito atrativa. O acordo entre a Petrobras e a Statoil é uma sinalização disso. As mudanças nas regras já deveriam ter sido feitas”, disse Assis.

Fonte: Portal O Petróleo