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Tecnologias disruptivas são tendência para transição energética no Brasil

Assunto foi tema de mesa redonda com especialistas, players e financiadores nacionais e globais

Por Daniel Turíbio | Assessoria de imprensa CERNE

O Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta terça-feira (07), da Thought Leaders Roundtable 2018, evento promovido pela revista internacional Recharge News e que integra a programação do Brazil Wind Power, que acontece de 07 a 09 de agosto no Rio de Janeiro.

O encontro reuniu os principais players, representantes do governo e financiadores para discutir como a indústria eólica poderá conduzir o Brasil para uma transição energética. Na mesa estiveram presentes o economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o gerente geral para a América do Sul da fabricante de aerogeradores chinesa Goldwind, Liang Xuan, e a conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Talita Porto.

Foto: CERNE Press

Com mais de 13GW instalados, o vento é a segunda tecnologia de geração de energia mais competitiva do Brasil e possui um histórico inquestionável. Entretanto, a indústria está enfrentando um cenário de rápida mudança.

Tecnologias disruptivas

As tendências disruptivas podem ser vistas nos novos players de mercado, incluindo empresas de petróleo e fundos de investimento, que estão influenciando a forma como o setor é planejado, bem como na transformação da infra-estrutura do setor, que vem tomando novas formas pelo surgimento de projetos híbridos e a eletrificação mais ampla da sociedade.

Nesse cenário, Prates salientou que a tendência disruptiva no setor energético pode levar de 3 até 30 anos, dependendo da tecnologia, para fechar o seu ciclo, que compreende desde a sua viabilidade inicial até quando ela atinge amplamente o mercado, anteriormente ocupado por outra tecnologia. “Com a energia eólica essa tendência é notória no Nordeste brasileiro, pela força e rápida evolução do setor na região nos últimos dez anos, chegando a atingir recordes de geração. Recentemente 72% da energia gerada no Nordeste veio das eólicas e a região detém mais de 85% das usinas em operação no país”, explicou o especialista.

A indústria eólica vem atraindo novos players, dentre eles instituições financeiras, empresas de tecnologia, fundos de investimento e, especialmente, as grandes companhias de petróleo que nos últimos anos estão adotando uma nova política de transição energética, apostando em geração renovável.

“O desafio é chegar ao consumidor com a energia mais barata possível. Por outro lado, o consumidor ganhou maior poder de barganha para escolher que tipo de energia ele quer comprar e de qual fonte, visando seu melhor conforto”, analisa Jean-Paul. Ele também destacou o papel das distribuidoras de energia nesse novo cenário. “A empresa que antes era um mero ‘repassador’ de energia, a partir de agora, vai desempenhar um papel muito mais importante. Será como um ‘super mercado’, oferecendo vários pacotes de vendas de energia, cada um destinado a um tipo de consumidor, atendendo suas necessidades específicas”.

Para o Presidente do CERNE, o novo mercado de energia será orientado pelo consumidor. “Essa transição ainda demora, mas estamos indo em direção a comoditização da energia”, salientou Prates.

Desafios para a geração

As novidades para desse segmento ficam por conta da repotenciação de turbinas eólicas e modernização tecnológica de parques eólicos antigos, a hibridização da geração de energia e o avanço do mercado offshore eólico também são pontos chaves no futuro da indústria dos ventos.

Depois de introduzir este tema na pauta nacional em 2017, o Cerne voltou a discutir a evolução das instalações de geração eólica offshore e os desafios regulatórios, operacionais e econômicos da atividade no país. O assunto foi decisivo para a formação de uma Comissão Executiva, no âmbito do Cerne e empresas associadas para conduzir o Programa de Promoção e  Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro (PROEB).

“A costa marítima do Rio Grande do Norte e Ceará possuem o ambiente operacional mais competitivo para investimento em offshore eólico no Brasil e no mundo para os próximos 10 anos”, destacou Prates.

Leilões

Durante a abertura do Brazil Windpower, o presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Steve Sawyer, elogiou e destacou a importância da realização dos leilões federais para a consolidação do setor ao longo de uma década, no Brasil.

“Vocês [o Brasil] criaram um padrão que revolucionou a forma como as fontes renováveis são compradas no mundo”, afirmou o executivo.

Hoje, o Brasil já ocupa a oitava posição no ranking global de países, quanto à geração de energia eólica, e o Nordeste concentra mais de 84% das instalações e turbinas. A indústria representa atualmente 13,4 gigawatts de capacidade instalada em 534 parques operando em 12 estados.

ANP e Cade vão estudar mudanças no mercado de combustíveis

Propostas de mudanças regulatórias surgiram após o início da paralisação dos caminhoneiros

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) instituíram grupo de trabalho para estudar a viabilidade de mudanças na estrutura do mercado de combustíveis  no Brasil.

Em nota, as autarquias informam que o grupo terá com objetivo “analisar a estrutura do mercado de combustíveis, avaliar a implementação das medidas para repensar o setor de combustíveis e a possibilidade de adoção permanente das medidas regulatórias excepcionais apresentadas pela ANP”. Propostas de mudanças regulatórias começaram a surgir a pós o início da paralisação dos caminhoneiros, que protestaram contra o alto preço do óleo diesel no país. No último dia 29, o Cade apresentou uma série de propostas para buscar a redução dos preços.

Entre elas, está o fim da atividade de frentista e a possibilidade de que usinas de etanol vendam diretamente aos postos. Esta última enfrenta grande resistência entre as distribuidoras, que alegam que o custo iria aumentar.

No período da paralisação, a ANP editou medidas temporárias, como autorizar distribuidoras a venderem produtos para postos de outras bandeiras e permitir o uso de 100% de biodiesel em postos, ao invés da mistura obrigatória de 10%.

“Também está no escopo do grupo a promoção da concorrência como instrumento para elevar a competitividade e a inovação na economia brasileira”, diz a nota conjunta. O grupo de trabalho terá 90 dias, prorrogáveis por mais 90, para apresentar sugestões.

A portaria que cria o grupo foi assinada nesta quinta (14) pelo diretor-geral da ANP, Décio Oddone, e pelo presidente do Cade, Alexandre Barreto.

Em entrevista à Folha na terça (12), Oddone disse que a agência vai criar um sistema e monitoramento dos preços nos postos, a partir de informações produzidas pela própria revenda, que deve entrar em operação no dia 20 de junho.

O sistema terá o objetivo de acompanhar o preço ao consumidor e avaliar se a subvenção de R$ 0,46 por litro de diesel concedida pelo governo para por fim à paralisação dos caminhoneiros está chegando às bombas.

Na primeira semana após o acordo, o preço médio do diesel estava apenas R$ 0,11 abaixo do praticado antes da paralisação. Em quatro estados e no Distrito Federal, ao contrário, os preços haviam subido no período.

Fonte: Nicola Pamplona | Folha de São Paulo

Fontes renováveis vão tomar lugar do carvão no mercado de energia

O carvão será cada vez mais excluído do mercado de geração de energia nas próximas três décadas à medida que os custos das fontes renováveis caírem e a tecnologia aprimorar a flexibilidade das redes em todo o mundo.

Esta é a conclusão de um relatório da Bloomberg New Energy Finance, que estimou que cerca de US$ 11,5trilhões em investimentos serão destinados à geração de eletricidade daqui a 2050. Desse total, 85%, ou US$ 9,8 trilhões, serão destinados às energias eólica e solar e a outras tecnologias de emissão zero, como a hidrelétrica e a nuclear, informou a empresa de pesquisa com sede em Londres.

Baterias melhores, que permitem que os administradores da rede armazenem energia para os momentos em que não há vento nem sol, possibilitarão que as distribuidoras de eletricidade aproveitem a queda dos custos dos painéis solares e das turbinas eólicas. Como as usinas de gás natural têm a capacidade de começar a operar em poucos minutos, a maioria das distribuidoras que desejam uma capacidade de geração garantida optará por esse combustível.

“O carvão deverá ser o maior perdedor a longo prazo”, disse Elena Giannakopoulou, chefe de economia energética da BNEF. “Ele é superado em custo pelas energias eólica e solar na geração de grandes quantidades de eletricidade e em flexibilidade pelas baterias e pelo gás, razão pela qual o sistema elétrico do futuro se reorganizará em torno de fontes renováveis e baratas.”

As projeções da BNEF contrastam com o cenário mais otimista da Agência Internacional de Energia para a geração de eletricidade, prevendo que a energia limpa e os combustíveis fósseis atingirão a paridade, com 50% do mercado para cada, em 2025. A projeção central da instituição com sede em Paris coloca os dois lados em pé de igualdade em 2040 e aponta que os combustíveis fósseis responderão por cerca de dois terços da geração até lá, se os governos não tomarem medidas adicionais para restringir a regulação, afirma a AIE.

A perspectiva da BNEF mostra que as energias renováveis provavelmente acabarão dominando a geração de energia em 2050, assumindo, até lá, aproximadamente a mesma fatia do setor mantida atualmente pelo gás natural e pelo carvão.

O cenário da BNEF, estabelecido em um relatório anual de 150 páginas elaborado a partir dos conhecimentos de 65 analistas de todo o mundo, se baseia em modelagem país a país para a evolução do mercado de eletricidade e em projeções de custos das diferentes tecnologias de geração de energia.

Gás  

O gás manterá grande parte de sua participação de mercado, afirma a BNEF. A natureza das usinas que serão construídas no futuro se inclinará para as unidades de ponta, que podem ser ligadas e desligadas rapidamente pelas distribuidoras de energia, e se distanciará das usinas de base, que tendem a operar 24 horas por dia. A BNEF projeta que as distribuidoras de energia queimarão muito menos carvão com o passar do tempo.

Aquecimento global 

O declínio do carvão não será suficiente para alterar drasticamente o panorama de aumento gradual das temperaturas globais acima do limite de 2 graus Celsius desde a época pré-industrial, que se tornou a meta climática da Organização das Nações Unidas.

“Mesmo que fechemos todas as usinas de carvão do mundo até 2035, o setor de energia ainda estaria avançando acima da trajetória segura para o clima, queimando muito gás sem controle de emissões”, disse Matthias Kimmel, economista de energia da BNEF.

Fonte: Bloomberg

ANP fará consulta pública sobre reajustes de preços de combustíveis

O governo vai começar a regular a periodicidade dos reajustes dos combustíveis, que até então era livre, chegando a mudanças diárias, como as feitas pela Petrobras. A medida entrará em vigor em até 60 dias. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou, na noite de hoje (5), que iniciará uma consulta pública para saber qual o período mínimo que refinarias e distribuidoras poderão reajustar os combustíveis.

A chamada Tomada Pública de Contribuições (TPC) será realizada de 11 de junho a 2 de julho, ouvindo setores da União, de estados e municípios, a todo o mercado petrolífero, aos consumidores, ao segmento técnico e a todos interessados. Ao final do processo, a agência reguladora deverá elaborar uma resolução sobre o período mínimo para o repasse ao consumidor dos reajustes dos preços dos combustíveis.

O diretor-geral da ANP, Decio Oddone, disse que não se trata de intervenção no mercado e explicou que a medida visa a estabilizar o setor, com benefícios a consumidores e às empresas e investidores. “Não ocorrerá influência sobre a formação de preços”, frisou. Segundo ele, o modelo foi escolhido porque o tema e “urgente”. “A periodicidade do repasse dos reajustes dos combustíveis se converteu em um tema de grande interesse para a sociedade brasileira, que demonstrou que deseja uma maior estabilidade dos preços”, disse.

Por meio de nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) disse que as medidas que serão adotadas têm por objetivo assegurar as atividades econômicas e garantir “a possibilidade de reajustes e o conforto de preços justos”.

“É importante destacar que esse processo respeita a função da ANP, a de agente regulador do setor, observando critérios de governança e transparência. Esta consulta permitirá postura alinhada com valores como liberdade de mercado; livre concorrência; defesa de ambiente democrático para pessoas e atividades econômicas, e respeito aos contratos”, disse o MME por meio de nota.

O anúncio da medida ocorre um dia após o Grupo de Trabalho composto pelo MME e a ANP ter adiado uma reunião para tratar do tema. Na ocasião o ministério informou, por meio de nota oficial, que a reunião buscaria criar uma “política de amortecimento dos preços dos combustíveis ao consumidor”. A suspensão da reunião foi determinada pelo presidente Michel Temer, segundo apurou a Agência Brasil.

Fonte: E&P Brasil

CERNE e CORECON trabalharão ideias para candidatos ao Executivo do RN

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e o Conselho Regional de Economia da 19ª Região (CORECON-RN) firmaram acordo de cooperação para trabalharem conjuntamente em ideias, projetos e ações viáveis que possam servir como sugestão aos candidatos ao Executivo norte-riograndense, nas eleições deste ano.

A iniciativa está baseada no conceito comum de que o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico são compatíveis com a luta contra a desigualdade social e com a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

Os presidentes das duas entidades assinaram acordo de cooperação na última sexta-feira (27). O compromisso foi firmado durante o Ciclo de Debates Econômicos do Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço, Trabalho, Inovação e Sustentabilidade do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A partir deste acordo, as instituições formarão um conselho diretor que passará a atuar em análises do contexto estadual e na elaboração de ações propositivas, projetos e debates relacionados com o futuro socioeconômico do Rio Grande do Norte.

“Os economistas têm como dever participar ativamente dos debates sobre o desenvolvimento econômico local, ainda mais num momento de tanto acirramento e incerteza política, e as ciências econômicas constituem instrumento adequado para a compreensão e proposição de idéias para a gestão estadual”, convocou Ricardo Valério, presidente do CORECON-RN.

“Recursos naturais e energia são considerados insumos fundamentais para o desenvolvimento. São o sangue de todo e qualquer segmento da economia, mas têm que ser precificados, planejados e consumidos de forma eficiente e sustentável, sob pena de serem provocados o seu sub-aproveitamento ou escassez crítica”, pontuou o presidente do CERNE, Jean-Paul Prates.

As duas entidades deverão participar e apoiar os debates e eventos setoriais que promovam o desenvolvimento sustentável local e regional, bem como empreenderão projetos de eficientização e aprimoramento da gestão de recursos hídricos, energéticos e minerais no Estado a partir de 2019.

Também serão trabalhadas propostas quanto à situação da disposição/destinação de resíduos sólidos gerados em parques eólicos, usinas solares e outras instalações de grande porte, no RN e estados da região. Por fim, está prevista a montagem de projeto de parceria socioambiental para locações de empreendimentos energéticos na área de extrativismo vegetal sustentável  (reposição e manejo), com fomento da cadeia produtiva local relacionada.

Para mais informações sobre as entidades, acesse:
CERNE – www.cerne.org.br
CORECON – www.corecon-rn.org.br.

Fonte: CERNE Press

Setor mineral fecha 2017 com superávit de US$ 23,4 bi, maior dos últimos cinco anos

O comércio exterior do setor mineral, que abrange a mineração – (indústria extrativa, sem petróleo e gás) e indústria da transformação mineral (metálicos, não metálicos e compostos químicos inorgânicos) fechou o ano de 2017 com superávit de US$ 23,4 bilhões, apresentando crescimento de 30%, maior registrado nos últimos cinco anos, refletido, principalmente, pelo aumento das exportações e recuperação dos preços do minério de ferro. As exportações totalizaram US$ 46,4 bilhões e importações US$ 23 bilhões.

Em 2017, o setor mineral participou com 21,3% das exportações brasileiras, que somaram US$ 217,7 bilhões.

Exportação

Em 2017 as vendas externas da mineração US$ 24 bilhões (apenas minérios), representaram 51,7% do total das exportações do setor mineral, e 11% das exportações brasileiras.

Os embarques de minério de ferro, principal item dessa pauta, aumentaram em 2,5%, passando de 366,2 milhões de toneladas em 2016 para 383,5 milhões toneladas em 2017, enquanto a receita gerada com essas vendas cresceu 44,5%. O minério de ferro participou com 80% das exportações da mineração; 41,4% do setor mineral e 8,8 % das exportações brasileiras, em 2017.

A tabela a seguir mostra o desempenho dos principais componentes das exportações da mineração.

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Importação

Em 2017, as importações da mineração totalizaram US$ 7,8 bilhões, apresentando crescimento de 44% em relação a 2016justificado pelo aumento, tanto dos preços como volume das exportações de carvão metalúrgico e potássio.

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Fonte: Ministério de Minas e Energia

Cobrança de royalties sobre eólicas ameaça competitividade da fonte, diz associação

De acordo com a ABEEólica, se a Proposta de Emenda à Constituição for aprovada, medida elevará o preço da energia dos ventos e refletirá na redução dos investimentos

Uma Proposta de Emenda à Constituição tem trazido uma grande preocupação ao setor eólico. A PEC 97/2015, de autoria do deputado federal Heráclito Fortes (PSB/PI), visa dar uma nova redação aos artigos 20 e 21 da Constituição Federal. Se aprovada a proposta o reflexo será diretamente sentido pelo segmento uma vez que propõe transformar o potencial de energia dos ventos em patrimônio da União, e assim, levando ao pagamento de royalties pela sua exploração. Com isso, a fonte vê ameaçada a sua competitividade ante as outras formas de geração ao ponto de inviabilizar projetos.

A presidente executiva da ABEEólica, Élbia Gannoum, afirmou que há um grande risco da fonte ver a sua competitividade nos leilões ser ameaçada com o estabelecimento dessa cobrança que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Segundo ela, esse custo adicional acabará sendo repassado ao preço da energia, o que é um problema, pois em um ambiente de disputa como são os leilões de expansão promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica, cada ponto porcentual a mais na tarifa pode levar à inviabilidade de um projeto.

Dentre os diversos argumentos em defesa da fonte a entidade aponta que um dos principais é o atendimento à carga da região Nordeste do país. De acordo com a Nota Técnica da associação, são cerca de 500 parques eólicos instalados no Brasil, que somam 12.452,9 MW e capacidade instalada. No mês de setembro, a fonte respondeu por 11% de toda energia gerada no nosso SIN, sendo que 67% da produção está concentrada no Nordeste. Inclusive ano após ano a fonte vem batendo seguidos recordes de produção, fator que viabilizou o que tem sido chamado de “salvamento do Nordeste pelas eólicas”. O mais recente desses recordes ocorreu em 14 de setembro com a produção de 6.413 MW na média diária. Esse volume representou 64% de toda a energia demandada por aquela região. Outra forma de recorde é  de geração máxima instantânea, registrado em 19 de outubro às 9 horas e 6 minutos, quando 70% da carga desses estados foi atendida pela fonte.

“A eólica está salvando o Nordeste do racionamento de energia uma vez que estamos vendo uma condição hídrica desfavorável na região. Com a taxação extra que está sendo proposta na PEC há um grande risco de vermos a competitividade ser reduzida e com isso corre-se o risco de que se perca a disputa no leilões para outras fontes localizadas em outras regiões, o que é ruim para o Nordeste como um todo, pois a região perderia esses investimentos, afinal os aportes dependem dos investidores saírem bem sucedidos nesses certames”, comentou Élbia à Agência CanalEnergia.

O presidente do conselho da ABEEólica, Lauro Fiuza, lembra ainda que a eólica já vem atribuindo desenvolvimento econômico a uma região que historicamente sempre sofreu com a falta de oportunidades. “Hoje 1,5% sobre o faturamento que se paga aos proprietários das terras onde estão os aerogeradores representa 10% do lucro das empresas, ou seja, é uma renda adicional que ele tem sem a necessidade de investimentos. Em quinze anos isso tem um efeito enorme no desenvolvimento dessas famílias em termos de educação e renda”, afirmou.

Outro reflexo direto, além da redução de renda das famílias é o recuo no volume de recursos arrecadados pelos estados onde a fonte está inserida. A ABEEólica lembra que já há o pagamento de impostos, taxas e tributos. Com o custo adicional e menor volume viabilizado haverá queda na arrecadação por investimentos em menor quantidade.

 

Segundo o documento que a reportagem teve acesso, a entidade aponta que desde os primeiros estudos e análises de viabilidade de implantação, os parques eólicos promovem contribuições fiscais, sociais e ambientais que são praticadas pelos investidores dessa indústria, as quais são observadas atualmente e juntamente com demonstrações da viabilidade da fonte. Além disso, a atual política de planejamento da expansão da geração no Brasil tem grande base a partir do desenvolvimento e evolução das fontes renováveis. O Plano Decenal de Energia Elétrica 2026, inclusive, apontou fortíssima necessidade de expansão da fonte eólica indicando alcançar cerca de 30 GW até 2026. Ou seja, deverá mais que dobrar a a capacidade de geração em menos de 10 anos.

E lembra ainda que o Brasil está atualmente entre os 10 países com maior parque gerador eólico do mundo e entre os 5 que mais investem na fonte eólica anualmente, o que é um mérito brasileiro a ser comemorado. “A cobrança dos royalties, se aprovada, terá o “mérito” de fazer ruir esta conquista da qual deveríamos nos orgulhar”.

A associação calculou algumas estimativas de contribuição na arrecadação de impostos. Em PIS/Cofins os valores atuais estão em R$ 20 milhões e considerando o volume previsto para expansão até 2020 esse valor sobe para R$ 50 milhões mensais. O ISS decorrente dos serviços prestados já somaram até o momento R$ 315 milhões e podem ser arrecadados mais R$ 430 milhões nos próximos 4 anos. A soma desses montantes ainda é menor do que a projeção quando se considera o ISS durante o período de autorização dos parques cuja arrecadação poderá chegar a R$ 1 bilhão. Há taxas de desenvolvimento, implantação e operação, sendo esta última renovada a cada dois anos. Só para os parques em operação o valor pago ultrapassa R$ 200 milhões e a previsão é de um valor adicional equivalente a este que deverá ser recolhido nos próximos 4 anos somente com licenças prévias e de instalação.

O texto apresentado para a PEC argumenta que as fazendas eólicas ocupam uma grande área e limitando a realização de outras atividades econômicas nos mesmos espaços geográficos. E pega como exemplo o turismo. Essa, continua o texto, é uma grande fonte de renda do litoral do Nordeste e é onde se localiza o maior potencial eólico do Brasil. Segundo avaliação do autor da PEC a região “sofre danos irreparáveis, tanto pelas restrições físicas impostas pelos parques de geração como pela deterioração de extraordinárias paisagens naturais. Essa situação provoca a redução dos empregos e da renda, além de causar impactos adversos nas contas públicas dos Estados e Municípios situados nas regiões afetadas. Apesar dos problemas que causa, a exploração da energia eólica não gera compensação financeira, como ocorre no caso da mineração, da extração de petróleo ou da operação de grandes hidrelétricas.”

Esse argumento é rebatido pela associação ao destacar que, justamente, um dos grandes benefícios da fonte eólica está atrelado à forma de utilização das áreas para a implementação dos parques eólicos. Através do mecanismo de arrendamento das terras constroem e operam os parques eólicos por pelo menos 20 anos e exercem, durante todo o período, o pagamento para os proprietários destas terras.

“Somente com os parques em operação já são mais de 4 mil famílias recebendo ao todo cerca de R$ 10 milhões mensais, sendo R$ 2,3 mil por família, na média, mensalmente”, apontou a ABEEólica que ressaltou ainda o efeito multiplicado do aumento de renda da população ao aquecer a economia da região e adjacências, o que leva à geração de empregos. Além disso, a ABEEólica aponta que há a coexistência de atividades econômicas de geração de energia eólica e agroindústria ao indicar que há atividades como o cultivo de lavouras e a criação de gado e regiões de parques eólicos. E isso, tanto no Sul do país quanto no Nordeste. E defende que estas não são atividades concorrentes e sim, complementares.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

Setor solar fotovoltaico deve movimentar R$ 4,5 bilhões no país este ano

O setor solar fotovoltaico brasileiro vai movimentar mais de R$ 4,5 bilhões este ano, quando deve alcançar a marca histórica de 1 mil megawatts (MW) de projetos operacionais na matriz elétrica nacional. O aumento da capacidade instalada representa alta de mais de 11 vezes em relação aos cerca de 90 MW observados em janeiro deste ano. As projeções são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), que espera ainda a criação de 20 mil novos empregos por conta da evolução do setor.

Elite
O crescimento deste ano colocará o Brasil no radar dos principais mercados solares fotovoltaicos do planeta e no grupo das 30 nações que mais investem nessa fonte de energia. Porém, 2017 também concentra a entrega de projetos contratados em leilões de 2014 e 2015 e novos desenvolvimentos do setor dependem de mais parques. A expectativa é que o leilão de energia nova, em dezembro, viabilize mais empreendimentos.
Com a evolução do setor em 2017, a ABSOLAR projeta a criação de cerca de 20 mil novos empregos no País. Segundo estatísticas internacionais do setor, para cada megawatt instalado em um determinado ano, são gerados de 25 a 30 novos postos de trabalho qualificados.

“O Brasil possui um dos melhores recursos solares do mundo e, com um programa nacional estruturado para desenvolver este setor, poderá se tornar um dos dez maiores mercados fotovoltaicos nos próximos anos. Hoje já somos referência em energia hidrelétrica, biomassa e eólica e não podemos ficar para trás na área solar, cada vez mais estratégica no setor elétrico internacional”, comenta Sauaia.

Fonte: Estadão

Brasil deve retomar expansão em energia eólica, porém em ritmo mais lento

O Brasil deverá voltar a impulsionar sua indústria de energia eólica com a contratação ainda em 2017 de novas usinas a serem construídas nos próximos anos, mas essa retomada não alcançará o impressionante ritmo de expansão visto no país no passado, disse à Reuters nesta terça-feira o presidente da unidade local da Vestas, fabricante dinamarquesa do setor.

Após uma recessão que derrubou o consumo de eletricidade no Brasil em 2015 e 2016, o que não acontecia no país desde 2009, a sinalização é de que leilões para viabilizar novas usinas envolverão nos próximos anos uma contratação anual de entre 1,5 gigawatt ou 1,8 gigawatt em capacidade eólica, segundo a Vestas.

Entre 2009 e 2015, o Brasil contratou mais de 2 gigawatts em novas usinas eólicas a cada ano, incluindo uma significativa marca de mais de 4 gigawatts em 2013.

“Não teremos um mercado tão pujante como houve em anos passados, mas teremos um mercado estável, e acho que é isso o que todo mundo quer”, disse o presidente da Vestas no Brasil, Rogério Zampronha.

Ele ressaltou que já houve algum ânimo para os investidores após o governo agendar recentemente para dezembro um leilão que contratará novas usinas para iniciar operação em 2021 e 2023.

A contratação de novas usinas ocorrerá após o governo ter realizado na véspera um leilão para descontratação de projetos que não saíram do papel em meio a dificuldades financeiras, cancelando empreendimentos eólicos com potência de 307,7 MW.

O certame reduziu temores de fabricantes do segmento quanto à possibilidade de verem suas fábricas vazias nos próximos anos, após 2016 acabar sem a contratação de nenhum novo projeto eólico.

Mas ainda assim Zampronha disse que o mercado de turbinas eólicas no país deverá seguir com forte concorrência nos próximos anos, uma vez que diversos fabricantes instalaram fábricas locais durante os tempos de bonança da indústria.

Atualmente, além da Vestas, também possuem fábricas de turbinas eólicas no país a GE, a Siemens-Gamesa, a Nordex-Acciona e a Wobben Enercon, além da brasileira WEG.

Segundo Zampronha, a disputa por um número menor de contratos poderá tirar alguns players do mercado.

“Isso é suficiente para todos fabricantes que estão instalados no Brasil? Esse mercado dos próximos cinco anos? Talvez não, talvez tenha fabricantes demais”, afirmou.

Ele garantiu, no entanto, que a Vestas segue com seus planos para o Brasil e não cogita abandonar os negócios no país mesmo diante de um mercado menor.

“A Vestas confia no mercado brasileiro. Embora ele tenha altos e baixos, é uma característica… o Brasil vai voltar no curto prazo a ser uma das potências eólicas do mercado mundial. Não tão grande como China e Estados Unidos, mas bastante grande”, afirmou.

O Brasil encerrou o ano passado na nona colocação entre os países com maior capacidade eólica instalada no mundo, atrás do Canadá e à frente da Itália, com 10,7 gigawatts, segundo dados do conselho global de energia eólica.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Por que fontes de energias ‘limpas’, mesmo mais caras, compensam

Por Rafael Iandoli | Nexo Jornal

O dinheiro economizado com saúde pública e políticas paliativas de meio ambiente compensa o custo mais caro de produção de energia por meios não poluentes. A conclusão é de um estudo de oito anos da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, que mediu o impacto da redução na emissão de gases poluentes em outras áreas.

A análise durou de 2007 a 2015 e mediu a quantidade de quatro poluentes — dióxido sulfúrico (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), partículas poluentes (PM2.5) e gás carbônico (CO2) — que deixou de ser jogada na atmosfera graças à substituição pela produção solar e eólica.

US$ 87 bilhõesfoi o valor economizado pelo governo no período, segundo as estimativas do estudo

O cálculo do real custo da poluição para a sociedade é um desafio para a ciência há anos. Os pesquisadores de Berkeley, por sua vez, calcularam a diminuição do número de mortes prematuras causadas pela poluição atmosférica, que girou em torno de 7.000 no período. Além disso, incluiu os custos com políticas ambientais e outros gastos com saúde pública.

O valor de US$ 87 bilhões é próximo do total gasto no mesmo período em subsídios à indústria de produção de energia limpa. Entre 2010 e 2013, por exemplo, os incentivos do governo americano variaram de US$ 8,6 a US$ 13,2 bilhões por ano.

Custo é argumento recorrente contra energias renováveis

Em alguns países do mundo, a criação de infraestrutura para a produção e distribuição de energia solar e eólica a longo prazo já faz com que esse modelo seja mais barato que a energia produzida pela queima de combustíveis fósseis.

Em outras realidades, no entanto, como nos EUA, a produção de energias consideradas “limpas”, como é o caso da eólica ou a solar, é mais cara que a queima de combustíveis fósseis.

Esse foi um dos principais motivos alegados por Donald Trump no início de junho para retirar os EUA do Acordo de Paris — tratado internacional de larga adesão que visa a redução na emissão de gases poluentes. Segundo Trump, a economia do país seria prejudicada por pagar mais caro por energia.

Ao fazer os empresários do país pagarem mais para produzir energia limpa, a política contra o aquecimento global estaria levando indústrias para outros países, menos preocupados com a emissão de gases estufa, segundo Trump.

A produção de energia eólica e solar são as que recebem mais dinheiro do governo americano. Embora o dinheiro gasto por quilowatt produzido venha caindo ao longo do tempo, as duas ainda dominam a folha de gastos com energia dos EUA.

O estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, contudo, indica que esses gastos geram externalidades positivas que, além de melhorar a qualidade de vida da população, também compensam financeiramente.

Os pesquisadores fazem a ressalva de que esses benefícios para a saúde e o meio ambiente podem variar de acordo com a região e ao longo do tempo, e portanto a mudança na matriz energética não é a única resposta possível para qualquer região do planeta.

Os custos da poluição no Brasil

Segundo dados de 2015 do Ministério de Minas e Energia do governo federal, 65,5% da oferta interna de energia no Brasil é proveniente de fontes poluentes: petróleo, gás, carvão mineral, coque, lenha e carvão vegetal. A produção de energia nacional apresenta dados semelhantes: 65,9% vem de fontes poluentes.

30% do consumo final de energia no Brasil acontece no transporte rodoviário

A poluição atmosférica é um problema recorrente nas metrópoles do país. Em dias de sol e após longos períodos sem chuva, é fácil observar uma camada cinza sobre as cidades.

Um estudo de 2014 de pesquisadores da Unifesp e da USP apontou que mais de 20 mil pessoas morreram em 29 regiões metropolitanas brasileiras exclusivamente por causa de problemas decorrentes da alta concentração de material particulado na atmosfera — ou seja, poluição.

Simone Georges El Khouri Miraglia e Nelson Gouveia calcularam que a poluição gera gastos anuais ao governo de US$ 1,7 bilhão por meio de mortes prematuras.

Já um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP, específico na cidade paulista de Cubatão, onde a poluição atmosférica vem principalmente da queima de combustíveis fósseis por indústrias, identificou que entre 2000 e 2009, doenças nos aparelhos circulatórios e respiratórios custaram R$ 22,1 milhões ao SUS.

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Em meio à recessão histórica, renováveis tem crescimento galopante

A depressão econômica que sufoca o Brasil não arrefeceu o investimento em energias renováveis. Em 2016, a produção de energia eólica disparou impressionantes 55,1%.

Os dados fazem parte de um estudo exclusivo feito pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo o relatório, no ano passado os 402 empreendimentos eólicos em operação no Sistema Nacional Elétrico alcançaram 10.221 MW em capacidade instalada, um recorde.

O Rio Grande do Norte é o principal produtor de energia eólica no Brasil. As usinas potiguares produziram 1.206 MW médios no período, aumento de 50% em relação a 2015.

Fonte: Veja | Radar Online

Brasil pode estar no clube dos 1GW, afirma presidente da Absolar

A energia solar está conquistando seu espaço aos poucos no Brasil e as previsões parecem ser animadoras para o setor. O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou em entrevista à Recharge que o país se unirá ao clube das nações com 1GW de capacidade este ano.

De acordo com as projeções estimadas pelo Governo Federal, a geração fotovoltaica em grande escala deve atingir 7GW em 2024, enquanto a geração distribuída poderá alcançar 4,5GW.

A publicação também afirma que o calcanhar de Aquiles da política energética no Brasil, no âmbito das renováveis, tem sido a falta de um planejamento contínuo e exemplifica tal fato citando o recente cancelamento do leilão de energia de reserva, que estava marcado para acontecer no fim do ano passado.

Diante desta situação, a Absolar tem se reunido com o governo para que novos leilões aconteçam. “A indústria solar gera emprego e pode ajudar o país a voltar ao crescimento, para o qual precisa de visibilidade de cinco a dez anos, mas hoje nosso horizonte é de apenas dois anos”, disse Sauaia.

O setor fotovoltaico, no entanto, está crescendo a uma taxa de 300%, impulsionado pela queda dos custos de instalação e aumento da tarifa de energia. Mas a falta de financiamento, de medidas de isenção fiscal e outras políticas governamentais dificultam o crescimento pleno do setor.

Mesmo com este panorama, o presidente da Absolar é otimista. A matéria destaca que alguns governos estaduais estão implementando programas solares para fomentar novos empregos, incluindo medidas para suprir edifícios públicos com energia solar.

Sauaia afirma que a Absolar, juntamente com a Agência Alemã de Desenvolvimento (GIZ), a Associação Brasileira de Geração Distribuida (ABGD) e universidades, estão pesquisando o desenvolvimento de padrões para instaladores fotovoltaicos, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está preparando um programa de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos de negócios e desenvolvimento de armazenamento.

Fonte: CERNE Press

Energias Renováveis podem ajudar economia do país com 43,5% em 2016

A produção de energia renovável está em expansão no Brasil. As fontes eólica e biomassa vêm se desenvolvendo de forma significativa e abastecendo a matriz energética do país. O Boletim Mensal de Energia, da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético destacou que previsão da geração de energia a partir de fontes renováveis é de 82,8% somente em 2016.

Pensando na economia do país, a produção de energia pode contribuir para que a mesma seja movimentada. a estimativa para 2016 é que as renováveis venham a contribuir com 43,5%, indicador superior aos 41,2% verificados em 2015.

Além da produção de energia limpa, a produção de biocombustível também voltando a crescer já que no começo do ano teve uma queda grande. O biodiesel teve um recuo de 6,5% em março deste, já o etanol a taxa negativa foi de 3,6 % em abril deste ano. De fato, o consumo de energia em veículos leves vem sendo fortemente afetado pelo desemprego e pela recessão econômica do país de acordo com o Boletim.

O Boletim acompanha um conjunto de variáveis energéticas e não energéticas capazes de permitir razoável estimativa do comportamento mensal e acumulado da demanda total de energia do Brasil.

Fonte: Portal TN Petróleo

Geração alternativa de eletricidade passa longe da crise e recebe fortes investimentos

Setor abrirá 828 mil vagas até 2020. Os segmentos eólico e solar puxam a expansão

Bons ventos sopram na indústria energética brasileira e tudo indica que, mais do que apenas luz no fim do túnel, há força suficiente para impulsionar a retomada do crescimento do país. A geração de energia elétrica alternativa nem parece estar em um país com 11,4 milhões de desempregados e mergulhado na pior recessão da história. Os segmentos eólico e solar crescem a taxas de dois dígitos por ano e, com o potencial de expansão de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), devem criar 828 mil empregos até 2020, com investimentos bilionários.

Com o melhor fator de produtividade do planeta no aproveitamento dos ventos, o Brasil teve o maior crescimento global em geração de energia eólica em 2015. E, apesar de ser razoavelmente jovem, impulsionado a partir de 2009, o setor colocou o país na 10ª colocação em um ranking mundial de capacidade instalada, caminhando a passos largos para a nona posição. Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) mostram que, em 2015, o salto foi de 46,1%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 3,8%. Foram R$ 20 bilhões em investimentos e 41 mil empregos gerados.

Presidente da Abeeólica, Elbia Silva Gannoum explica que, desde que o aparato regulatório incluiu a geração eólica nos leilões de energia, em 2009, a fonte se tornou a segunda mais competitiva, perdendo apenas para a hidrelétrica, na matriz energética brasileira. “Assumimos essa posição por dois motivos: progresso tecnológico e condições climáticas. O fator de produtividade mundial é de 28% a 30%. No Brasil, está entre 50% e 65%”, compara.

Dos leilões de energia realizados nos últimos sete anos, o setor foi responsável por mais de 50% das contratações, atrás apenas das grandes hidrelétricas. Em 2015, dos 7 gigawatts de energia nova (GW), 39% foram de eólica. “Conseguimos implantar uma cadeia produtiva na indústria. Hoje, os projetos têm de 70% a 80% de nacionalização. Trouxemos fábricas para cá. A cada aerogerador, são 1 mil fornecedores”, diz.

GARGALOS Com investimentos em torno de R$ 20 bilhões por ano, inserindo no sistema interligado nacional 2 GW de energia por ano, o setor eólico já tem contratados quase 18,5 mil megawatts (MW) de potência até 2019. Como para cada 1 MW são criados 15 empregos, serão mais 277 mil postos de trabalho até lá, além dos 41 mil abertos no ano passado, e, pelo menos, R$ 80 bilhões em investimentos.

Para Marco Afonso, diretor da CGI, consultoria em infraestrutura, dos três segmentos de geração alternativa de energia, o de eólica é o mais bem estruturado. “A cadeia de produtos está instalada no Brasil. Algumas empresas, inclusive, já exportam. Outras ainda têm interesse de vir para cá. Mas o país precisa resolver gargalos que atrapalham o setor”, alerta. O principal deles é o descasamento das obras de geração com as de transmissão. “Na hora de produzir, faltam linhas de transmissão, que enfrentam entraves no licenciamento ambiental”, pondera. Outro problema é o crédito restrito.

Um exemplo de como os parques eólicos se multiplicam no país é a inauguração, em 29 de junho, de mais um deles, na Serra do Mel, no Rio Grande do Norte. O Complexo Eólico Vamcruz, da empresa Voltalia, em parceria com Chesf e Encalso, produzirá aproximadamente 450 gigawatts por hora (GWh) ao ano, energia suficiente para abastecer mais de 200 mil famílias. O parque criou 485 empregos durante as obras, além de 30 diretos para operação.

O diretor-geral da Voltalia Energia do Brasil, Robert Klein, explica que o setor eólico foi pouco atingido pela crise. Mas houve dificuldades burocráticas. “A demora na obtenção de financiamentos e o aumento do custo foram complicadores. Além disso, devido às turbulências políticas, algumas licenças e autorizações demoraram a sair mais do que de costume”, lamenta. Porém, o executivo ressalta que o Vamcruz é o terceiro complexo construído pela empresa e a credibilidade e a experiência no mercado ajudaram a superar os entraves.

A empresa está construindo outros parques. O próximo complexo a entrar em operação ainda neste ano na Serra Pará terá 99 MW de capacidade instalada. Na sequência, será construído o Parque Vila Acre I, com 27 MW, também em Serra do Mel, como resultado do último leilão que a Voltalia participou, em novembro de 2015.

PCHs em alta

Paulo Sivieri Arbex, presidente da Associação Brasileira de Fomento às PCHs (ABRAPCH) conta que há, hoje, 17 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) outorgadas e 159 aptas à outorga aguardando licença ambiental. “Somadas, as 176 PCHs devem agregar ao sistema uma potência instalada de 2.064 MW, com investimentos previstos de R$ 16,5 bilhões e 400 mil empregos diretos e indiretos”, afirma. As CGHs (usinas de até 3 MW), também têm um potencial enorme. “São mais de 80 usinas a construir, com potência instalada superior a 160MW, investimentos de R$ 1,4 bilhão e mais de 50 mil vagas”, estima.

Fonte: Estado de Minas

Bons ventos impulsionam eólicas no RN

Energia eólica atrai investidores ao Rio Grande do Norte, como a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que pretende concluir a construção de cinco complexos até 2019. Ao todo, o setor já gerou cerca de 40 mil empregos no estado

Por Chirlei Kohls

De Curitiba (PR)

Era tarde de sábado. O céu estava azul com algumas nuvens no município potiguar de São Bento do Norte. De voz suave carregada por um sotaque potiguar misturado a vivências fora do Rio Grande do Norte, Milton Duarte de Araújo, 52 anos, contou como viu sua história e a do estado onde cresceu mudar com o despontamento da energia eólica a partir de 2009.

“É loucura!”, exclamou. Lá fora, o barulho da força dos ventos que fazia funcionar os sete aerogeradores de um dos parques eólicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) lembrava Araújo de que era tudo real. A Copel começou a operação de parques eólicos próprios no RN em fevereiro do ano passado e até 2019 pretende alcançar 663,6 MW de capacidade eólica em cinco complexos. A quantidade é suficiente para abastecer uma cidade com cerca de dois milhões de habitantes, o equivalente a cerca de duas vezes a população de Natal somada aos residentes de Mossoró.

foto 01Araújo é proprietário de terras arrendadas em território potiguar para construção de parques eólicos – sendo três áreas para a Copel – e é projetista no setor desde 2008. No caso de arrendamento de terras, o proprietário recebe royalties durante a vida útil do projeto pela concessão para exploração de energia eólica. Além disso, é advogado e sócio-diretor da MDA Serviços, empresa do ramo de energia com sede em Natal (RN) que atua desde a captação e identificação de áreas para possível instalação de parques eólicos até a contratação da área, por exemplo. A empresa é projetista de seis parques da companhia paranaense e presta serviços para empresas do ramo de energia com atuação em todo o Brasil e com sede nas regiões Sul-Sudeste.

Tão logo, Araújo descreveu o desenvolvimento das cidades potiguares que têm parques eólicos em operação ou construção. “Você vê casas sendo reformadas, mais pessoas comprando na região, aquisição de bens, uma economia movimentada. É uma situação visível. A mudança é substancial. Urbanização e higienização também são mais adequadas”.

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, ressalta que o desenvolvimento em energia eólica no RN é interiorizado e considera a injeção de capital na economia um ciclo virtuoso. “Normalmente eram cidades esquecidas pelo mundo, que viviam basicamente da agricultura familiar e do programa Bolsa Família. Aí chega a energia eólica e transforma a economia local. As cidades se beneficiam diretamente com o investimento de capital. É serviço de hospedagem, mecânicos, oficinas, alimentação”.

foto 03Para ele, o segundo maior ganho é a capacitação de pessoas. Ao recordar a visita que fez ao município de João Câmara em 2008, comenta que a cidade estava no limbo, no nada e hoje tem um Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e cursos especializados em eólica. “A transformação é absurda”, enfatiza Prates.

Natural do município de Santo Antônio, interior do Rio Grande do Norte, Araújo deixou o estado aos 26 anos em busca de oportunidades na região Sul-Sudeste do país. Durante os cerca de 20 anos em que esteve fora do local de origem, se formou em Direito e trabalhou em empresas de geração de energia hidráulica e térmica. Voltou ao estado em que construiu a maior parte de sua história com o desafio de desenvolver a energia eólica. “Meus filhos me questionavam se eu não estava ficando maluco com a história de vender vento. Hoje vemos que a dimensão que a energia eólica tomou aqui é muito grande. Não consigo entender como em tão pouco tempo trouxe tudo isso”, diz Araújo.

Potencial

foto 02Ele conta que a implantação da maioria dos parques começou em 2010. No RN, 26 municípios têm participação eólica, sendo que 16 já possuem parques operando comercialmente, um total de 97, e dez possuem parques em construção ou já contratados. De acordo com dados do Cerne, até 2020 projeta-se a operação comercial de 412 parques eólicos. Um parque que em média tem 30 MW de capacidade instalada pode abastecer cerca de 69.500 residências.

Ainda segundo o Cerne, o RN é o estado que mais produz energia proveniente da fonte eólica, em média um pouco mais de 1.000 MW de energia por mês. A previsão é que até 2020 tenha aproximadamente cinco GW de capacidade instalada, sendo possível gerar em torno de 2.250 MW médios de energia elétrica por mês. Hoje é exportador de energia, pois o que é produzido por fonte eólica já abastece as necessidades do território potiguar. O restante de energia escorre na rede elétrica pelas linhas de transmissão e é distribuído para municípios de outros estados.

Prates explica que a partir de 2009, quando ocorreu o primeiro leilão federal de compra de energia eólica, esta energia foi considerada competitiva por si só. “As tecnologias de fontes renováveis evoluíram e as tornaram competitivas.

Houve uma redução significativa no custo de equipamentos. A dinâmica de leilões em energia no Brasil é referência no mundo. Subsídios governamentais em outros países estão sendo revistos com base no modelo brasileiro de leilões reversos”, explicou.

Os investimentos feitos para parques eólicos são feitos via leilões reversos de energia (Ambiente de Contratação Regulada – ACR) e mercado livre (Ambiente de Contratação Livre – ACL), quando a empresa produtora de energia negocia diretamente com a empresa que comparará a energia e o contrato entre ambas é registrado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCCEE). “O ACL permite que você contrate energia direto. Mas isso é minoria e ocorre com contratadores de relevância, como shoppings, redes de supermercado etc. A regra é fazer o leilão”, explica Prates. Nos leilões, o projeto apresentado normalmente já tem locação definida, com indicação de onde o parque funcionará. “É uma competição de projetos” complementa.

O vento não para

A força dos ventos do Rio Grande do Norte já trouxe investimentos de cerca de 10 bilhões de reais, segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), com aproximadamente 1/3 desse valor disseminado em compras diretas nas cidades potiguares com parques eólicos. As características favoráveis já atraíram investimentos de grupos estrangeiros, como Voltalia (França), Gestamp (Espanha), Força Eólica (Grupo Neoenergia – Espanha), e grupos brasileiros, como Companhia Paranaense de Energia (Copel – Sociedade de Economia Mista) e os paulistas Serveng, CPFL Renováveis e Renova.

O diretor-presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, acredita que o sucesso do estado com a energia eólica não se deve apenas a condições ambientais favoráveis dos ventos. “Criou-se condições para os leilões. Houve um trabalho do governo do Estado com uma atenção especial aos projetos de eólicas, como licenciamento ambiental de projetos complexos, preocupação com infraestrutura, planejamento de linhas de transmissão, entre outros”.

Até o final do ano passado, a Copel instalou no estado 330,5 MW de potência em 15 parques de três diferentes complexos. Os cinco complexos que a companhia paranaense pretende operar no RN até 2019 abrigarão 28 parques eólicos em seis cidades: São Bento do Norte, São Miguel do Gostoso, Touros, Parazinho, João Câmara, Pedra Grande. No total, o investimento é de R$ 3,5 bilhões.

foto 04Diretor da Copel Renováveis, Ricardo Dosso afirma que a escolha do RN para sede dos complexos da Copel considerou o potencial de geração de energia da região, aferido por análise de dados como frequência, intensidade e direção dos ventos, além do perfil do terreno – quanto mais plano e aberto, melhor. “Importante lembrar que a regularidade dos ventos no Brasil, especialmente no Nordeste, proporciona ao país o melhor fator de capacidade (FC) para geração com esta fonte no planeta”. Ele aponta que as dificuldades mais comuns são logística para transporte de grandes peças, demora de licenciamento ambiental e pouca qualificação profissional. “Mas a parceria com o governo estadual tem permitido superar estes desafios, principalmente com a melhoria da rodovia RN-120”, reforça Dosso.

Projetista no setor, Milton Duarte de Araújo acredita que há um contexto evolutivo e contínuo no Estado até 2025. “Hoje o maior investidor em energia eólica no RN é a Copel. E isso não é gratuito. O RN tem os ventos mais cobiçados do mundo. São os chamados ventos alísios, que em 95% do tempo têm uma única direção, são constantes e não estão sujeitos a rajadas”, explica Araújo.

Força de oportunidades

Além das mudanças visíveis no desenvolvimento das cidades que sediam parques eólicos, outro benefício do despontamento desse tipo energético é a geração de empregos proporcionada com os arrendamentos de terra. Segundo a presidenta da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, o aumento de 46% da capacidade instalada de energia eólica no Brasil, em 2015, representa acréscimo de 2,75 GW de novas instalações – número recorde.

Com isso, o país passou a ter 8,27 GW de capacidade instalada, o que representa um investimento total acumulado superior a R$ 52 bilhões, geração de 130 mil empregos em toda a cadeia produtiva e cerca 16 milhões de toneladas de CO2 evitadas.

Estima-se que para cada MW instalado 15 postos de trabalho (diretos e indiretos) sejam gerados ao longo da cadeia produtiva. A presidente da Abeeólica explica que isso ocorre porque independente de onde a usina está localizada, a estimativa de empregos se dá considerando todas as fases do projeto, desde o desenho do empreendimento até a sua instalação, incluindo a fabricação das peças e componentes, que podem estar, por exemplo, no sudeste brasileiro. “Dessa forma, poderíamos dizer que o total de capacidade instalada no RN (2,92 GW) foi responsável por gerar mais de 40 mil postos de trabalho, os quais não necessariamente foram no Estado”, afirma Gannoum.

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Ainda segundo dados da Abeeólica, o potencial eólico brasileiro atual é mais de três vezes a necessidade de energia do país. Somando todas as fontes de energia (nuclear, hídrica, térmica, eólica e outras), a capacidade instalada do Brasil é da ordem de 150 GW e somente de potencial eólico são estimados cerca de 400 GW. Em termos de capacidade instalada acumulada atualmente o Rio Grande do Norte lidera o setor.

Milton de Araújo comenta que as terras que sediam parques eólicos no RN normalmente não são propícias para agricultura. Ele explica que em 300 hectares de terra nem 10% é cultivado. “O arrendamento é uma renda considerável que antes não era possível porque as condições são adversas. Eu diria que das oportunidades com a energia eólica é a redenção. É uma renda vitalícia. Um rio de vento”, comemora o potiguar.

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A MDA Serviços tem contratos de pelo menos 50 áreas arrendadas no Estado. Araújo comenta que é gratificante ver que todos os proprietários de terras estão bastante felizes. “É uma renda que outrora não existia. A terra não gerava nada. E certamente os contratos serão renovados. É um royalty por toda vida”. Ele comenta que normalmente na fase de estudos da área para instalação de um parque eólico o proprietário recebe um salário mínimo e depois este valor aumenta.

A capacitação de pessoas para atuar na energia eólica é feita nos institutos federais, Senai, Sebrae, universidades federais etc. Ricardo Dosso aponta outros benefícios como reforço do sistema elétrico local e melhoria da qualidade de energia disponível (atração de empresas de médio e grande porte), legado para os moradores com a construção de vias e educação ambiental, feita pela Copel com as comunidades locais.

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Fonte: Revista Bzzz