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Vestas e Gamesa disputam contratos com eólicas após Suzlon deixar Brasil

As fabricantes de equipamentos de energia eólica Vestas e Siemens-Gamesa têm disputado contratos para prestar serviços de operação e manutenção a usinas brasileiras com turbinas da indiana Suzlon, após a companhia anunciar na semana passada o encerramento das atividades no país, disseram à Reuters três fontes com conhecimento direto do assunto.

A Suzlon tem quase 700 megawatts em aerogeradores em operação em parques eólicos no Brasil, e um grupo de clientes formado por grandes empresas como CPFL Renováveis, Queiroz Galvão, Cubico e um fundo do banco Votorantim. A empresa havia chegado ao país em 2006.

A saída da fabricante foi avisada com antecedência aos clientes, que chegaram a contratar funcionários da Suzlon para montar equipes próprias de operação e manutenção, mas esse arranjo é temporário, e provavelmente os geradores fecharão em breve contratos de longo prazo com novas empresas para os serviços de O&M, disse uma das fontes.

“A Vestas está oferecendo, a Gamesa, e empresas independentes também… tem um apetite muito grande do mercado, dos outros fabricantes, para assumir esses contratos de operação e manutenção”, afirmou a fonte, que falou sob a condição de anonimato porque as conversas são sigilosas.

De acordo com a segunda fonte, a Vestas viu a saída da Suzlon como uma oportunidade para crescer na prestação de serviços a parques eólicos no Brasil e avalia os possíveis negócios, o que inclui negociações em andamento com a Queiroz Galvão, embora um contrato ainda não tenha sido assinado.

As fontes não quiseram comentar os valores envolvidos nos contratos.

Procurada, a Siemens-Gamesa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A Vestas disse que “tem como política não comentar contratos que ainda não são públicos”.

A Votorantim não quis comentar. CPFL Renováveis, Queiroz Galvão e Cubico não responderam pedidos de comentário sobre a busca por novos contratos de O&M.

A Vestas ressaltou, no entanto, que inaugurou no início deste ano um centro de manutenção no Rio Grande do Norte para ter melhor logística no fornecimento de peças e equipamentos para serviços e montagem de parques eólicos na região.

“A manutenção de turbinas eólicas é uma das linhas de atuação da Vestas no Brasil, tanto as fabricadas pela companhia como de outras marcas”, disse a companhia dinamarquesa em nota.

O mercado de energia eólica do Brasil cresceu fortemente nas últimas duas décadas, impulsionado por generosos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Atualmente os parques eólicos respondem por cerca de 7 por cento da matriz elétrica brasileira, ou 10,8 gigawatts em capacidade instalada, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O país atraiu fornecedores globais do setor, como GE, Vestas, Nordex-Acciona, Siemens-Gamesa e Wobben Enercon, além da local WEG, mas uma redução no ritmo de contratação de novas usinas desde 2015 intensificou fortemente a concorrência no mercado de fabricantes.

A saída da Suzlon aconteceu após a empresa perder gradualmente a força no país depois de não conseguir atender exigências de conteúdo local do BNDES, o que reduziu a competitivdade de seus equipamentos.

A empresa disse que a decisão foi “consequência de múltiplos fatores que são únicos do Brasil” e que está em contato com os clientes para garantir que os serviços de operação e manutenção não sejam interrompidos.

Fonte: Reuters

Contratos de energia solar no Brasil poderão ser ampliados para 30 anos

O secretário de Planejamento e Política Energética do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, afirmou nesta terça-feira, 23 de agosto, que o governo estuda ampliar de 20 para 30 anos os prazos dos contratos de fonte solar. O anúncio feito durante a Intersolar, em São Paulo, foi bem recebido pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Segundo Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo da entidade, essa mudança vai tornar a energia solar mais competitiva, reduzindo o preço médio de contratação da energia nos leilões e melhorando o retorno sobre o investimento.

Isso seria possível, explicou Sauaia, porque o financiamento do BNDES poderia ser alongado de 16 para 20 anos. “Isso ajuda a reduzir os custos financeiros”, disse. O segundo ponto é que um contrato mais longo permite que o empreendedor oferte energia a um preço menor no leilão e, de quebra, melhore o retorno sobre os empreendimentos. “Por conta desde dois fatores, a mudança de prazo é um sinal muito positivo…É uma mudança muito objetiva, um aprimoramento fácil de ser realizado”, avaliou Sauaia.

MME estuda desonerar cadeia tributária da indústria solar

O Ministério de Minas e Energia está elaborando uma proposta de desoneração tributária que pode acelerar o desenvolvimento da indústria fotovoltaica no Brasil. Hoje a tributação que incide sobre os insumos e maquinários produzidos no país faz que com o painel solar nacional seja até 30% mais caro que o produto acabado importado, desestimulando a produção local e a vinda de novas empresas.

Segundo o secretário de Planejamento e Política Energética do MME, Eduardo Azevedo, estão em estudo duas propostas: ou incluir os insumos e maquinários do setor fotovoltaico no atual Padis ou criar um segundo Padis específico para o setor solar. A ideia é que a desoneração seja implementada ainda este ano. “Sabemos que quando se mexe com arrecadação, mesmo que ainda não esteja acontecendo, isso é algo que tem que ser visto com calma”, ponderou o representante do governo, que falou com jornalistas nesta terça-feira, 23 de agosto, em São Paulo.

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) é um conjunto de incentivos federais estabelecidos com o objetivo de contribuir para a atração de investimento e ampliação da cadeia existente. O Padis trabalha redução da alíquota de IPI, PIS e Cofins sobre insumos produtivos e maquinários, e na redução de imposto de renda da pessoa jurídica.

Hoje o governo brasileiro tem o desafio de atrair a indústria fotovoltaica para o país. O primeiro passo já foi dado com a realização de leilões regulares para a contratação da fonte. Para que os projetos saiam do papel, contudo, são necessárias fontes de financiamento. O BNDES exige para a liberação de recursos que o empreendedor compre equipamentos nacionais. Ocorre que, por conta da carga tributária, o equipamento nacional não tem competitividade para disputar com o importado. Reflexo disso é o aumento das importações desses produtos e o atraso na instalação da indústria solar brasileira.

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Lopes Sauaia, explicou que 90% dos custos de uma indústria solar são gastos com os insumos produtivos. “Se o seu insumo produtivo é tributado, a sua competitividade é afetada pela vida útil da fábrica e isso vai ser refletido no preço final dos equipamentos. Esse ajuste é fundamental para trazer a competitividade para os fabricantes [nacionais], principalmente porque o Brasil está inserido num mundo cada vez mais globalizado, em que a fabricação vai ter uma competição recorrente [de fora].”

Azevedo disse que o ministério também trabalha em outras frentes para trazer “isonomia tributária” para o setor fotovoltaico na compra dos equipamentos. De acordo com Sauaia, essa medida adicional poderia reduzir em mais 10% o custo de compra dos módulos, que somada a redução de 30% esperada pelo Padis, colocaria o equipamento nacional em condições de competir com o importado, desenvolvendo a indústria local e criando empregos de qualidade.

Fonte: Canal Energia | Wagner Freire