Posts

Indústria 4.0 é tema de debate pelo CERNE

Especialistas e empresários abordam tendência nas cadeias produtivas de energia e como ferramenta de competitividade empresarial. Evento será realizado nesta quinta-feira (08) na UFRN.

A indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, como é conhecida a interação dos mundos virtual e físico por meio da tecnologia, está alterando de maneira significativa as formas de produzir, consumir e de fazer novos negócios. Profissionais fazendo trabalhos manuais, encaixotando ou montando produtos ou coletando dados manualmente serão cada vez mais raros. Em seu lugar, estarão robôs, sensores e tecnologias baseadas em inteligência artificial.

Especialistas e executivos preveem o surgimento de novos empregos no lugar dos que serão perdidos, muitos deles  relacionados à tecnologia e com novas exigências de qualificação profissional.

No Brasil, grande parte das empresas ainda está em transição entre os sistemas de produção. “Um número relevante de empresas está entre a 2ª e 3ª fases do desenvolvimento industrial. Isto é, grande parte delas ainda é mecanizada ou automatizada”, explica Olavo Oliveira, Diretor Setorial de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Por outro lado,em países como a Alemanha, o cenário é diferente uma vez que até micro e pequenas empresas já são automatizadas. “Isso é viável no país devido ao fato de a automatização ser mais acessível e o custo da mão-de-obra muito mais elevado que no Brasil”, diz Oliveira. Ele coordena o Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do CERNE , que será realizado no dia 08 de novembro, as 18 horas, no auditório F da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN. O evento terá como destaque a “Indústria 4.0 nas cadeias produtivas de energia e como ferramenta de competitividade empresarial”.

Segundo  a  pesquisa “Investimentos  na  Indústria  do  RN  2017”, elaborado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte e a Confederação Nacional da Indústria (FIERN/CNI), 73%  das empresas  industriais  potiguares  planejam  novos investimentos  em  2018 e, destas,  45%  afirmaram intenção de investir em tecnologias digitais.

A novidade desta edição do evento é a presença do professor Eurico Seabra, da Universidade do Minho (Portugal), que apresentará um panorama da Indústria 4.0 na competitividade dos países onde essa tendêcia vem se tornando cada vez mais forte. Já o Diretor de Inovação da FIERN, Djalma Barbosa, mostrará o cenário dessa indústria no Rio Grande do Norte. Demais especialistas apresentarão a aplicação desse novo modelo de produção em outros segmentos da cadeia produtiva, como varejo de moda e setor energético.

O Ciclo de Debates do CERNE tem o apoio da Federação das Indústrias do RN (FIERN), UFRN, IFRN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio grande do Norte (SEERN), Conselho Regional de Economia (CORECON/RN) e SEBRAE. A programação completa está disponível no site do CERNE pelo endereço www.cerne.org.br e as inscrições podem ser feitas aqui. Outras informações pelo telefone (84) 2010-0340.

PROGRAMAÇÃO
Mesa de abertura (sujeita a alterações)•             Governadora eleita do RN senadora Fátima Bezerra ou representante
•             Presidente da FIERN Sr. Amaro Sales ou representante
•             Diretor superintendente do SEBRAE José Ferreira de Melo Neto ou representante
•             Reitora da UFRN profa. Dra. Ângela Paiva Cruz
•             Diretor da ECT-UFRN prof. Dr. Douglas do Nascimento
•             Diretor do CERNE e Coordenador do CTC-CERNE Eng. Olavo Bueno Oliveira

Palestras

Palestra 1: DESAFIOS DA INDÚSTRIA 4.0 NA COMPETITIVIDADE DOS PAÍSES
Prof. Dr. Eurico Seabra – Diretor Mestrado Int. Eng. Mecânica – Univ. do Minho – Portugal

Palestra 2 (vídeo conferência): EDUCAÇÃO 4.0 CORPORATIVA PARA A INDÚSTRIA 4.0
Prof. Dr. Cassiano Carvalho Neto – Presidente do IGGE

Palestra 3: INDÚSTRIA 4.0 – DO QUE ESTAMOS FALANDO E POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES
Profa. Dra. Maria Lussieu da Silva – Vice-Diretora CCSA-UFRN

INTERVALO – COFFEE BREAK

Palestra 4: AS PERSPECTIVAS DA INDÚSTRIA 4.0 NA TEMÁTICA DA MANUTENÇÃO CLASSE MUNDIAL – GESTÃO DE ATIVOS
Prof. Dr. Marco Antonio Leandro Cabral – Prof. Adjunto UFRN

Palestra 5: A INDÚSTRIA 4.0 NA INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO E NA CADEIA DO VAREJO DA MODA
Jairo Amorim – Diretor Industrial / Guararapes

Palestra 6: O CENÁRIO DA INDÚSTRIA 4.0 NO RN
Djalma Barbosa da Cunha Jr. – Diretor de Inovação FIERN

DEBATE COM A PARTICIPAÇÃO DE TODOS (PÚBLICO PRESENTE E VIA WEB)

MEDIADOR do evento: Prof. Dr. Efrain Matamoros – ECT/UFRN

 

Presidente do CERNE assumirá vaga no Senado Federal

Jean-Paul Prates será o primeiro parlamentar oriundo do setor energético a ocupar uma cadeira na casa legislativa. 

Com a vitória da Senadora Fátima Bezerra (PT) para o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, o Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, deve assumir a vaga a ser deixada por ela no Senado Federal, a partir de 1º de janeiro de 2019.

Prates é o primeiro suplente de Fátima Bezerra e já elencou como prioridades para o mandato as pautas que envolvem o desenvolvimento econômico, responsável e sustentável do RN, incluindo as energias renováveis e os recursos naturais, bem como a continuidade das pautas já desenvolvidas por Fátima Bezerra.

A futura posse de Jean-Paul Prates como Senador está sendo vista como uma conquista imensa para as renováveis, pois será o primeiro parlamentar oriundo do setor energético a ocupar uma cadeira na casa legislativa e a defender essa bandeira.

O empresário explicou que pretende liderar iniciativas que resultem em novos investimentos diretos para o RN, em especial nas áreas de infraestrutura, logística, energia e recursos naturais (água, minérios, petróleo, sal, agronegócios, entre outros), conforme as vocações regionais do Estado e em alinhamento com o Poder Executivo.

Prates falou também sobre as outras frentes em que vai buscar inserção durante os próximos quatro anos : ”tenho grande interesse em participar ativamente de discussões nacionais que resultem na democratização do sistema financeiro (inclusive reforma bancária), para que tenhamos um ambiente bem mais confortável e seguro para o empreendedorismo regional, bem como o resgate da eficiência do Estado brasileiro nos serviços públicos e na regulação setorial”, explicou.

Fonte: CERNE Press

CERNE oferece capacitação em energia solar fotovoltaica

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até o dia 14 de setembro para o Curso de Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica – Tecnologia, Projetos e Aplicações. As aulas terão início no dia 15 de setembro, na UnP Unidade Nascimento de Castro.

O curso tem carga horária total de 20 horas acontecerá durante três sábados (15/09, 22/09 e 29/09). Os conteúdos vão abordar a introdução à energia solar, características da fonte, fundamentos e tecnologias, componentes dos sistemas fotovoltaicos, conexões à rede elétrica e eficiência energética, dentre outros temas.

As inscrições podem ser feitas pela plataforma e-Labora, clique aqui. Outras informações podem ser obtidas diretamente pelo telefone (84) 4009-1440 ou (84) 2010-0340.

Fonte: CERNE Press

Jornal Nacional – Vento pode ser segunda principal fonte de energia elétrica do país em 2019

Há dez anos, energia eólica abastecia apenas dois milhões de pessoas. Em 2018, número chega a 77 milhões. Investimentos vêm até de empresas de petróleo.

Por André Trigueiro | Jornal Nacional

O vento deve se tornar a segunda principal fonte de energia elétrica do Brasil em 2019. Os investimentos em energia eólica estão partindo até de empresas de petróleo.

Em poucos países do mundo a energia do vento cresceu tão rapidamente quanto no Brasil. Há dez anos, os cataventos gigantes abasteciam apenas dois milhões de pessoas. Hoje, esse número chega a 67 milhões. Em 2022, a energia eólica deverá alcançar cem milhões de brasileiros.

“Nós estamos desenvolvendo torres mais altas e mais potentes. Essas torres captam melhor os ventos e produzem mais energia e, inclusive, nós descobrimos potenciais eólicos não só no Nordeste, como no Sul do país, mas em outras regiões. Até onde se sabe, os fabricantes dizem que o Brasil tem o melhor vento do planeta para a produção de energia eólica”, afirmou Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica.

Ventos fortes e regulares, quase sempre na mesma direção, tornaram o Brasil um dos principais destinos dos investimentos em energia eólica no mundo inteiro. Em plena crise econômica, apenas em 2017, o setor movimentou mais de R$ 11 bilhões. A expectativa é de que já em 2019 o vento seja a segunda maior fonte de energia do país.

Hoje, 60% da energia elétrica produzida no Brasil vêm das hidrelétricas; 9%, das usinas de biomassa, principalmente da queima de bagaço de cana; e a energia eólica representa 8,5% da geração, seguida pelo gás natural, 8%.

“Nós temos cada vez mais tecnologia e custos operacionais de acesso, de fornecedores, inclusive fornecedores brasileiros, competitivos. O Brasil é um dos poucos ambientes do mundo em que se tem muito potencial para crescer em terra e no mar, ao mesmo tempo”, disse Jean-Paul Prates, diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais.

Até quem fez do petróleo seu principal negócio, resolveu investir em vento. A Petrobras anunciou o primeiro projeto de energia eólica em alto mar, no Brasil.

O aerogerador será instalado a 20 quilômetros da Costa de Guamaré, no Rio Grande do Norte, a um quilômetro da plataforma de petróleo.

Cabos submarinos de energia vão conectar o gerador à plataforma e a plataforma ao continente.

A capacidade de geração será de aproximadamente que seis megawatts, o suficiente para abastecer 16.500 casas.

É um projeto piloto, que poderá abrir caminhos para novos investimentos.

“O Brasil tem naquela região do Ceará e Rio Grande do Norte uma capacidade, que nós mesmos medimos, de 140 gigawatts de potência. Isso é igual à capacidade total do país hoje. Portanto, a gente vê isso como uma área de negócios absolutamente possível, sim, sempre que economicamente viável”, explica o diretor de Estratégia da Petrobras, Nelson Silva.

Tecnologias disruptivas são tendência para transição energética no Brasil

Assunto foi tema de mesa redonda com especialistas, players e financiadores nacionais e globais

Por Daniel Turíbio | Assessoria de imprensa CERNE

O Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta terça-feira (07), da Thought Leaders Roundtable 2018, evento promovido pela revista internacional Recharge News e que integra a programação do Brazil Wind Power, que acontece de 07 a 09 de agosto no Rio de Janeiro.

O encontro reuniu os principais players, representantes do governo e financiadores para discutir como a indústria eólica poderá conduzir o Brasil para uma transição energética. Na mesa estiveram presentes o economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o gerente geral para a América do Sul da fabricante de aerogeradores chinesa Goldwind, Liang Xuan, e a conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Talita Porto.

Foto: CERNE Press

Com mais de 13GW instalados, o vento é a segunda tecnologia de geração de energia mais competitiva do Brasil e possui um histórico inquestionável. Entretanto, a indústria está enfrentando um cenário de rápida mudança.

Tecnologias disruptivas

As tendências disruptivas podem ser vistas nos novos players de mercado, incluindo empresas de petróleo e fundos de investimento, que estão influenciando a forma como o setor é planejado, bem como na transformação da infra-estrutura do setor, que vem tomando novas formas pelo surgimento de projetos híbridos e a eletrificação mais ampla da sociedade.

Nesse cenário, Prates salientou que a tendência disruptiva no setor energético pode levar de 3 até 30 anos, dependendo da tecnologia, para fechar o seu ciclo, que compreende desde a sua viabilidade inicial até quando ela atinge amplamente o mercado, anteriormente ocupado por outra tecnologia. “Com a energia eólica essa tendência é notória no Nordeste brasileiro, pela força e rápida evolução do setor na região nos últimos dez anos, chegando a atingir recordes de geração. Recentemente 72% da energia gerada no Nordeste veio das eólicas e a região detém mais de 85% das usinas em operação no país”, explicou o especialista.

A indústria eólica vem atraindo novos players, dentre eles instituições financeiras, empresas de tecnologia, fundos de investimento e, especialmente, as grandes companhias de petróleo que nos últimos anos estão adotando uma nova política de transição energética, apostando em geração renovável.

“O desafio é chegar ao consumidor com a energia mais barata possível. Por outro lado, o consumidor ganhou maior poder de barganha para escolher que tipo de energia ele quer comprar e de qual fonte, visando seu melhor conforto”, analisa Jean-Paul. Ele também destacou o papel das distribuidoras de energia nesse novo cenário. “A empresa que antes era um mero ‘repassador’ de energia, a partir de agora, vai desempenhar um papel muito mais importante. Será como um ‘super mercado’, oferecendo vários pacotes de vendas de energia, cada um destinado a um tipo de consumidor, atendendo suas necessidades específicas”.

Para o Presidente do CERNE, o novo mercado de energia será orientado pelo consumidor. “Essa transição ainda demora, mas estamos indo em direção a comoditização da energia”, salientou Prates.

Desafios para a geração

As novidades para desse segmento ficam por conta da repotenciação de turbinas eólicas e modernização tecnológica de parques eólicos antigos, a hibridização da geração de energia e o avanço do mercado offshore eólico também são pontos chaves no futuro da indústria dos ventos.

Depois de introduzir este tema na pauta nacional em 2017, o Cerne voltou a discutir a evolução das instalações de geração eólica offshore e os desafios regulatórios, operacionais e econômicos da atividade no país. O assunto foi decisivo para a formação de uma Comissão Executiva, no âmbito do Cerne e empresas associadas para conduzir o Programa de Promoção e  Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro (PROEB).

“A costa marítima do Rio Grande do Norte e Ceará possuem o ambiente operacional mais competitivo para investimento em offshore eólico no Brasil e no mundo para os próximos 10 anos”, destacou Prates.

Leilões

Durante a abertura do Brazil Windpower, o presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Steve Sawyer, elogiou e destacou a importância da realização dos leilões federais para a consolidação do setor ao longo de uma década, no Brasil.

“Vocês [o Brasil] criaram um padrão que revolucionou a forma como as fontes renováveis são compradas no mundo”, afirmou o executivo.

Hoje, o Brasil já ocupa a oitava posição no ranking global de países, quanto à geração de energia eólica, e o Nordeste concentra mais de 84% das instalações e turbinas. A indústria representa atualmente 13,4 gigawatts de capacidade instalada em 534 parques operando em 12 estados.

Petrobrás vai gerar energia eólica no mar

Estatal espera licenciamento do Ibama para iniciar instalação de gerador este ano, no Rio Grande do Norte; empresa busca parcerias no exterior

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

Inédita no Brasil, a geração de energia eólica no mar começa a dar seus primeiros passos no País pelas mãos da Petrobrás. O negócio promete ser tão bem sucedido quanto a geração eólica em terra, disse o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da estatal, Nelson Silva. A licitação para a instalação de uma planta-piloto da empresa no Rio Grande do Norte será feita ainda este ano, revelou o executivo, que aguarda o licenciamento do projeto no Ibama para iniciar o processo.

A ideia é instalar torres de geração eólica, ou aerogeradores no jargão do setor, ao lado de plataformas em campos rasos do Nordeste, região brasileira com maior potencial para gerar energia a partir do vento. “A vantagem no offshore (no mar) é que se espera um fator de capacidade maior do que em terra”, explicou Silva. A previsão é que a planta-piloto comece a funcionar em 2022.

O fator de capacidade do Brasil, índice que mede o grau de aproveitamento dos aerogeradores para produzir energia eólica, é um dos maiores do mundo. Em janeiro, complexo eólico no Ceará, de propriedade da Echoenergia teve média do fator de capacidade superior a 60% ante 25% da média mundial. A vantagem da geração no mar, dizem especialistas, é que os aerogeradores, ou turbinas eólicas, podem ter capacidade maior do que os instalados em terra.

O Brasil começou a gerar energia eólica em 2005 – pouco menos do que 30 megawatts (MW). Em 2009, quando ocorreu o primeiro leilão do governo incluindo a oferta de empreendimentos eólicos, o Brasil gerava 600 MW. Hoje, essa geração ultrapassa os 13 mil MW e, somente com os leilões já realizados, deve atingir 17,8 mil MW em 2023. Atualmente, a geração eólica abastece 10% da população brasileira, ou 22 milhões de pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

“A média da capacidade dos aerogeradores do Brasil em terra gira em torno de 2 megawatts, mas no mar já tem máquina operando com 8 megawatts”, informa o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, um dos primeiros defensores da inclusão da energia eólica como fonte de geração de energia no Brasil. Esta semana, ele promove no Rio Grande do Norte o 10.º Fórum Nacional Eólico, onde o tema será discutido, precedendo a maior feira do setor, a Brazil Windpower, que terá pela primeira vez um painel dedicado apenas à geração eólica offshore, com participação da Petrobrás.

Segundo o Ibama, a Petrobrás entrou com o pedido de licença ambiental para a planta-piloto de geração eólica offshore em maio e o órgão já emitiu o Termo de Referência para que a empresa elabore o Relatório Ambiental Simplificado (RAS) para obter autorização. Pelo fato de já ter um equipamento no campo (plataforma), o Ibama já possui estudo ambiental do local, informou o órgão.

Se o projeto se mostrar economicamente viável, a expectativa do diretor da Petrobrás é de que seja a primeira de uma série de unidades que irão comercializar energia elétrica no mercado brasileiro a partir da geração eólica no mar. Para acelerar os investimentos, a estatal busca a parceria de empresas com experiência no segmento, como a francesa Total e a norueguesa Equinor (ex-Statoil).

“Vamos utilizar a experiência dessas empresas e os próprios dados que temos das medições das plataformas no Nordeste e da geologia do local, da medição de ventos e das marés”, explicou Silva. Segundo ele, a Petrobrás já está mais forte financeiramente e pode começar a olhar projetos de mais longo prazo e a investir em energia renovável.

Instalação de parques eólicos em assentamentos será discutida em Natal

Áreas que concentram grande parte dos assentamentos federais no Estado coincidem com as regiões com maior incidência de ventos. Assunto será debatido durante instalação de Comissão Executiva durante X Fórum Nacional Eólico.

 A adversidade climática e hidrológica no Nordeste brasileiro dificulta a atividade agrícola do homem do campo. Por outro lado, há áreas na região com potencial para instalação de usinas eólicas próximas de comunidades rurais no interior do estado, muitas delas definidas por assentamentos de reforma agrária e que, por restrições legais, impossibilitadas de fazerem parte de projetos eólicos.

De acordo com informações do Incra/RN, o Rio Grande do Norte – estado considerado o maior produtor de energia eólica do país – a geração de energia elétrica produzida a partir da força dos ventos beneficiaria aproximadamente 60% dos quase 300 assentamentos criados pelo Incra no estado, o equivalente a cerca de 170 áreas.

Nesse contexto, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) criou a Comissão Executiva para a Regulamentação e Monitoramento de Atividades Energéticas em Projetos de Assentamento da Reforma Agrária, cujo objetivo é discutir a possibilidade da participação de áreas de assentamentos no desenvolvimento de projetos eólicos como forma de oferecer sustentabilidade a essas localidades.

Para Jean-Paul Prates, presidente do CERNE, as áreas da reforma agrária também devem ser beneficiadas com os investimentos decorrentes da instalação de parques eólicos. “As regiões que concentram a maior parte dos assentamentos federais na Estado coincidem com as regiões com maior incidência de ventos com capacidade para geração de energia”, acrescenta.

A Comissão Executiva será oficialmente instalada durante o X Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos [+10], que acontece nesta semana, de 25 a 27 de julho, no auditório da Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal. Em 2018 o evento celebra uma década de consolidação da indústria eólica no Brasil.

“O momento atual é de consolidação do setor da energia eólica brasileira. O RN é pioneiro”, afirma Jean-Paul, um dos responsáveis pela realização do evento desde a sua primeira edição, em 2009. “Queremos aprimorar o ambiente operacional e de negócios, atrair mais empresas e mobilizar os gestores e governantes para que consigamos ampliar a produção”, finaliza.

A inscrições para o X Fórum Nacional Eólico estão abertas e a programação completa​ pode ser encontrada no site: www.cartadosventos.com.

Fonte: CERNE Press

Fórum Nacional Eólico lança Comissão Executiva para discutir regulamentação do setor offshore

Já realidade em países da Europa e Ásia, fonte no Brasil esbarra em altos custos, na falta de regulação e no grande potencial em terra para se desenvolver. Assunto deverá ser debatido durante o X Fórum Nacional Eólico, que acontece na próxima semana em Natal.

A ausência de um marco regulatório e de estudos de sustentação técnica e econômica quanto a operação de geração eólica offshore – onde turbinas são instaladas no mar – é considerado um dos principais obstáculos para o destravamento deste novo ambiente e desta nova indústria no Brasil.

Considerando expectativa futura para a expansão do mercado brasileiro de energia eólica em alto mar, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), criou a Comissão Executiva para a Promoção e a Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro, cujo objetivo é a colaboração ativa na elaboração de um marco regulatório e condução de uma política nacional de consolidação deste segmento ao longo dos próximos anos.

“Acho que o Brasil surpreenderá o mundo em termos de custos e preços no exterior em alguns anos”, afirma o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates. “A energia eólica offshore no Brasil é inevitável. A questão é se seremos pegos de surpresa ou se vamos nos preparar para isso”, alerta o especialista.

Cerca de 27% dos 210 milhões de brasileiros vivem em cidades litorâneas e costeiras. “Isso significa que poderíamos gerar energia perto de lugares onde há mais demanda”, explica o Diretor Setorial de Energia Eólica do CERNE, Darlan Santos. “Nesse contexto, a Comissão Executiva convida instituições e empresas nacionais com a intenção de discutir e formatar as bases para regulamentação da eólica offshore para o Brasil”, afirma.

A Comissão Executiva será oficialmente instalada durante o X Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos [+10], que este ano celebra uma década de consolidação da indústria eólica no Brasil. O evento será realizado de 25 a 27 de julho no auditório da Escola de Governo do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo, em Natal.

A programação subdivide-se em sessões executivas, com reuniões fechadas pelas manhãs com a presença de autoridades políticas, empresários e investidores que debaterão questões específicas relacionadas à indústria eólica.

No período da tarde, o evento abre suas portas ao público com palestras de interesse geral, apresentando novidades do setor para empreendedores, gestores públicos, acadêmicos e demais interessados. O evento tem como anfitrião o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e realização do CERNE e Viex Américas.

A inscrições estão abertas e a programação completa​ pode ser encontrada no site: www.cartadosventos.com

Natal sedia Fórum Nacional Eólico e celebra 10 anos de consolidação do setor no Brasil

O mais importante encontro político-empresarial brasileiro vai reunir, de 25 a 27 de julho, os maiores players do mercado, especialistas, pesquisadores e demais interessados envolvidos na indústria que há uma década se consolidou no país e, principalmente, no Rio Grande do Norte.

O Estado brasileiro que mais produz energia elétrica através da força dos ventos receberá cerca de R$ 1,8 bilhão em investimentos nos próximos três anos com a entrada em operação de 16 parques eólicos em construção e de outros 13 empreendimentos contratados nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com estes números, o Rio Grande do Norte poderá alcançar marca dos 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada até 2021, um período recorde para o setor.

O rápido crescimento do setor e os bons números alcançados nos últimos anos fizeram com que o Estado se tornasse referência na geração deste tipo de energia. Hoje, o estado conta com 138 parques eólicos instalados com capacidade de geração posta de 3.72 megawatts (MW) – correspondente a 84,76% dessa matriz energética local, segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

É nesse contexto que Natal recebe, de 25 a 27 de julho, a 10ª Edição do Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos [+10], que em neste ano celebra os 10 anos de consolidação da indústria eólica no Brasil. O evento será realizado no auditório da Escola de Governo do RN, no Centro Administrativo, em Natal.

Desde a sua primeira edição, em 2009, quando foi palco da assinatura do documento de compromisso que iniciou a grande arrancada do setor eólico brasileiro, o Fórum Nacional Eólico reúne as principais lideranças políticas e empresariais relacionadas com a chamada “indústria dos ventos” para discutir os aspectos regulatórios, operacionais e da política setorial de um dos principais segmentos econômicos do Brasil na atualidade.

“O momento atual é de consolidação do setor da energia eólica brasileira. O RN é pioneiro. Por termos sido líderes desde os primeiros leilões”, afirmou o presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, um dos responsáveis pela realização do evento desde a sua primeira edição. “Temos um potencial ainda maior.  Aprimorar negócios, o ambiente operacional e atrair mais empresas precisam estar entre as metas dos empresários e governo estadual para que consigamos ampliar a produção” apontou.

A programação subdivide-se em seções executivas, com reuniões fechadas pelas manhãs com a presença de autoridades políticas, empresários e investidores que debaterão questões específicas relacionadas à indústria eólica. Durante a tarde, o evento abre suas portas com palestras de interesse geral, para divulgar as novidades do setor, voltados aos empreendedores, gestores públicos, acadêmicos e todos os demais interessados em energia eólica. O evento tem como anfitrião o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e realização do CERNE e Viex Américas.

A inscrições estão abertas e a programação completa​ pode ser encontrada no site: www.cartadosventos.com.

Fonte: CERNE Press

Por que política de preços da Petrobras contradiz projeto de autossuficiência em petróleo?

Solon Neto | Sputnik Brasil

A política de preços da Petrobras foi o estopim da greve dos caminhoneiros. Essa política passou a ser aplicada em 2017, com Michel Temer, e segue ganhando críticos. Para explicar como ela funciona e o que seria o ideal para substituí-la, a Sputnik Brasil entrevistou Jean-Paul Prates, do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Faltando apenas um mês para a Copa do Mundo, não era o penteado de Neymar ou as táticas de Tite que preocupavam o brasileiro. O que elevou os ânimos no país foi uma greve de caminhoneiros que estremeceu a produção como há muito tempo não se via, derrubando a indústria já enfraquecida pela crise a níveis de 2008.

A sociedade brasileira foi obrigada a reagir, e 87% da população chegou a apoiar o posicionamento da gigantesca categoria, peça-chave para o abastecimento dos serviços e o escoamento da produção.

O complexo movimento de caminhoneiros apresentava propostas difusas. Ora a pauta parecia pedir intervenção militar e ter um motivo político amplo, ora se concentrava em pressionar o governo de Michel Temer para abaixar os preços dos combustíveis através da isenção de impostos.

E de fato, mais uma vez, o Planalto foi à lona.

Apesar do tom difuso, a paralisação que sequestrou a atenção do país gravitou em torno da política de preços da Petrobras, sustentada pelo então presidente da estatal, Pedro Parente, substituído por Ivan Monteiro após a greve dos caminhoneiros.

Desde julho de 2017, já no governo de Michel Temer, a política da empresa passou a estar atrelada à variação internacional no mercado de petróleo, assim como ao preço do dólar. O preço passaria a acompanhar a oscilação do mercado de óleo cru.

Com isso, o valor pago pelo consumidor nos combustíveis passou a flutuar com frequência, e as disputas internacionais se refletiram em uma alta de preços indesejada para um país de mais de 13 milhões de desempregados e jogado nos braços da informalidade.

A política é antagônica em relação à anterior, empregada no governo de Dilma Rousseff, que controlava os preços de forma subsidiada. Ela não teria sido a primeira a adotar a fórmula que, segundo especialistas, há décadas impera no país.

Para comentar o assunto, a Sputnik Brasil entrevistou Jean-Paul Prates, consultor especialista no setor de Energia e coordenador do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

“A meu ver essa política não deu certo. Claramente não deu certo e mais do que não dar certo ela não passou no teste de estresse”, afirma Prates, que acredita que há um erro conceitual na política de preços operada pela Petrobras.

Ele aponta que o teste de estresse, ou de tensionamento, se dá quando a situação se torna desfavorável. Como no caso das flutuações internacionais que se refletiram no aumento de preços dos combustíveis no Brasil, o que teve consequências políticas desastrosas.

“Quando você tem todos os parâmetros contra você, se a tese for boa, ela atravessa esse período crítico com o mínimo de desgaste possível. Isso não aconteceu com essa política”, disse, relembrando que houve um aumento dos preços internacionais do petróleo, do combustível, do dólar, assim como um aumento da frequência de fretes no Brasil, uma consequência do pequeno reaquecimento da economia. O especialista ainda informa que se em um primeiro momento houve uma reação apenas do setor de fretes, essa situação já começou se espalhar para outros setores, como no industrial.

Jean-Paul aponta os erros conceituais na política aplicada por Pedro Parente, que para ele tem problemas ligados ao projeto nacional no setor de Energia, intrinsicamente ligado ao petróleo.

“Ela inverte a lógica de 60 anos de busca pela autossuficiência de petróleo no Brasil. Ora, durante 60 anos, todos os governos, independente de ser de esquerda, de direita, governos ditatoriais, governos democráticos, todos eles tiveram uma unanimidade — perseguir a autossuficiência para libertar o Brasil da dependência estrangeira de compra de óleo e de combustíveis. E para também livrar o Brasil da insegurança que traz a volatilidade dos preços internacionais”, ressalta o especialista.

Ele relembra que essa busca de seis décadas de investimentos e riscos, inclusive em períodos de baixa histórica no preço do petróleo, como nos anos 1980, é um legado político brasileiro, que só foi possível graças à estatal brasileira com controle do Estado e regime de capitalização mista.

A autossuficiência em petróleo foi anunciada no Brasil em 2006, fruto de décadas de pesquisa, investimentos e desenvolvimento do Estado brasileiro. Esse ponto abriu portas para o crescimento da indústria do petróleo no Brasil, com demandas de emprego e tecnologia.

Segundo Jean-Paul Prates lembra, é aí que uma política de preços baseada em patamares de reajuste começa a ser aplicada, para assim garantir mais estabilidade dos preços e segurança para toda a cadeia produtiva dependente do combustível. O que só foi possível, afirma o especialista, devido ao papel desenvolvido pela Petrobras como empresa estatal.

“Quando o Parente, ou antes dele, começa um ano atrás essa política de preço real, reajuste em tempo real de preço praticamente dolarizado, eu estou indo na contramão dos benefícios da autossuficiência. Porque quando eu imaginava que ser autossuficiente me daria um pouco mais de previsibilidade e menos volatilidade, justamente entra uma equipe que diz ‘não, agora vai ter que ser preço de mercado porque eu quero continuar importando combustível'”, ressalta Jean-Paul Prates.

A adoção da política de preços com variação de mercado, afirma, seria uma necessidade para garantir investimentos estrangeiros, o que para Prates se trata de mero equívoco.

Para Prates, a política pode até funcionar em outros países, mas para um país como o Brasil, com um projeto de seis décadas para alcançar a autossuficiência, esta política se mostra contraditória e problemática.

“Para um país que elegeu lá atrás um modelo em torno de uma estatal hegemônica não monopolista, inicialmente monopolista, mas depois hegemônica, onde ela é de economia mista justamente para servir como fiel da balança no mercado interno, para você não ter o colapso que você teve, [então] você pega justamente uma teoria completamente oposta a isso, diametralmente oposta a isso. E aí o que aconteceu? Algo que a gente já previa que ia acontecer: o caos”, aponta.

É, portanto, para Prates, nessa contradição entre um projeto nacional e uma política de preços nova, que está o grande problema do que foi aplicado pelo governo de Michel Temer através da figura chave de Pedro Parente.

“Conceitualmente essa política está errada porque está em dissonância, não é que está errada porque outros países não fazem, não. É que para um país que chegou à autossuficiência, e lutou 60 anos para isso, ela não faz sentido”, conclui.

A quem interessa essa política?

A política de preços, segundo aponta Jean-Paul Prates, beneficia a um grupo ainda desconhecido, e que esse questionamento deveria estar sendo feito tanto pela opinião pública, quanto pelo Congresso Nacional.

“Essa é a pergunta do milhão. Quem aproveita essa política? Há um grupo certamente muito pequeno de pessoa que entendem que precisam entrar no refino e na importação de combustíveis no Brasil, e que para isso não abrem mão de sacudir o cachorro inteiro desde que o rabo fique quietinho ali”, reforça Prates, dando a entender que há interesses ainda não explicados nessa história.

“[…] esses administradores que são administradores públicos […], eles precisam explicar a essa opinião pública, não só acionistas, mas a opinião pública em geral, que interesse move querer abrir fatia de mercado para o próprio concorrente dessa empresa. Quando um presidente de uma empresa vem a público e diz ‘eu sou da opinião que eu tenho que diminuir o refino nacional para dar espaço para o meu concorrente’ que presidente de empresa sou eu?”, ressalta o especialista.

Para ele, além de tudo, a política aplicada trata-se de uma ação intervencionista direta do governo no mercado. O que, em sua visão, remete às acusações apontadas ao governo anterior, de intervencionismo nos preços e instrumentalização da Petrobras.

Qual seria a política ideal?

Jean Paul-Prates conclui a entrevista afirmando que a política ideal de preços para a empresa deve retomar a tradição do projeto brasileiro de autossuficiência.

“A política ideal é você voltar a convergir para o modelo que o Brasil escolheu e trilhou durante todo esse tempo de seis décadas, ou até mais, que é o seguinte: eu persegui a autossuficiência e conquistei, a partir do momento que eu tenho segurança volumétrica de petróleo para mim, eu pratico preços paritários aos internacionais, para não ficar muito fora do mercado mas vou fazer reajustes para dentro periódicos e em patamares”, conclui, apontando que a periodicidade e os parâmetros de reajuste devem ser claros e pré-definidos.

Dessa forma, longe da imprevisibilidade da variação internacional de preços, o país poderia planejar melhor seus investimentos, e a sociedade civil não pagaria os efeitos diretos das altas no exterior, como na crise dos caminhoneiros. Com esse estabelecimento, afirma, inclusive os acionistas da empresa teriam como prever a recuperação de investimentos.

Para ele, por fim, tanto Dilma Rousseff como Michel Temer erraram na política de preços, e que o ideal seria encontrar um meio termo, sem uso político do reajuste de um setor tão vital para a vida cotidiana no Brasil.

 

CERNE capacita interessados em atuar no mercado de energia eólica

O Brasil desponta como um dos países com maior matriz enérgica limpa do planeta. Enquanto no mundo apenas 33% da matriz é renovável, no país o índice passa de 80%. Mesmo com o número elevado, o potencial de crescimento é grande.

No ano passado, foram instalados mais 2,02 gigawatts (GW) de energia eólica no país, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Eólica  ( ABEEólica). Atualmente, os ventos respondem por 8,2% de toda a energia gerada. A capacidade instalada chegou a 13 GW no início de 2018. Para se ter uma ideia, essa quantidade pode abastecer seis de cada dez casas da região Nordeste. O Ministério de Minas e Energia prevê uma expansão de 125% até 2026, até lá um terço da energia brasileira virá dos ventos, cerca de 28,6%.

Os ventos também representam renda às famílias de muitos estados. Em 2016, o número de empregos diretos no setor passava de 150 mil. A ABEEólica estima que para cada novo megawatt instalado, 15 empregos diretos e indiretos sejam criados no país.

Segundo informações do relatório Renewable Energy and Jobs – Annual Review da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), o setor de energia renovável, incluindo as grandes hidrelétricas, emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo. Em 2017 foram criados mais de 500 mil empregos, um aumento de 5,3% em relação a 2016. O levantamento, divulgado em maio deste ano, aponta que no Brasil a indústria eólica emprega cerca de 33.700 pessoas na fabricação, construção, instalação, operação e manutenção das usinas eólicas.

No Rio Grande do Norte, é o estado brasileiro líder na produção deste tipo de energia.  O potencial de criação de empregos locais é grande porque a cadeia eólica é longa, além do potencial de crescimento do mercado eólico no estado. O setor emprega desde profissionais que tenham apenas o ensino médio ou técnico, como é o caso de montadores, operadores e motoristas, até os altos graus de formação, como engenheiros e gerentes, onde a pós-graduação e especialização são pré-requisitos para a contratação.

Nesse sentido, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até sexta-feira, 08/06​, para a turma de 2018 do c​urso de Gestão da Energia Eólica. As aulas terão início na sexta, na UnP da Avenida Nascimento de Castro, em Natal.

O conteúdo das disciplinas compreenderá as tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parques, além de temas voltados à administração dos empreendimentos, estudos de viabilidade econômica, obtenção de financiamentos, aspectos regulatórios e tributação relativa à atividade. Ao final do curso, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto a estrutura e operação de um parque eólico.

As aulas serão ministradas por diretores setoriais do CERNE e por profissionais de empresas parceiras com vasta experiência no mercado. Com carga horária de 50 horas dividida em sete módulos, a capacitação é destinada a quem já atua ou deseja ingressar profissionalmente no mercado de energia eólica.  Podem se inscrever alunos de graduação e profissionais interessados no setor.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço da plataforma e-Labora: https://sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe//publico/inscricao.jsf. A ementa com as informações completas do curso está disponível em www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 2010-0340 ou ​pelo email cursos@cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

 

 

Combustíveis x Greve dos caminhoneiros: como se formou o nó que levou à paralisação

Protestos põem em questão política de preços da Petrobras e modelo de exploração do petróleo. Limitações logísticas do transporte no Brasil também ajudam a entender a crise dos combustíveis

A escalada do preço do barril de petróleo e a alta do dólar escancararam uma série de gargalos e problemas setoriais que desembocaram na greve dos caminhoneiros nesta semana. A paralisação põe em questão a política de preços da Petrobras, o modelo de exploração do petróleo, as limitações logísticas do transporte no país e os impactos da concessão de créditos setoriais. Tudo isso em meio a um processo de recuperação econômica que, mais lento do que o esperado, não permite aos governos federal e estaduais abrir mão de impostos que representam cerca de 45% do preço da gasolina e 29% do diesel. Mesmo assim, o Congresso Nacional promete aprovar reduções de alíquotas na marra.

Iniciada em julho 2017, a política da Petrobras de acompanhar a oscilação internacional dos preços do petróleo levou a um aumento acumulado de 55% no valor dos combustíveis no Brasil ao seguir a variação internacional do preço do petróleo. Sob a batuta de Pedro Parente, a empresa adotou essa política para se alinhar às práticas comuns do setor privado internacional, recupera a confiança dos investidores depois das perdas da época em que os preços eram controlados, durante o Governo Dilma Rousseff — e os resultados econômicos começaram a ser colhidos pela estatal no primeiro trimestre deste ano. “O Brasil não tem os mesmos estoques de combustível e petróleo dos Estados Unidos, e quer, de repente, afetar milhares de pessoas com uma política [de reajuste] em tempo real só para dizer que é o oposto da política da Dilma e da [ex-presidenta da Petrobras Graça] Foster”, critica Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia.

A solução para o especialista é um meio termo: um sistema de amortecimento das variações do preço do petróleo. “Não é nada parecido com Venezuela, com mercado paralelo de combustível, tirar o Brasil do mundo do petróleo, nada disso. É simplesmente retornar à fórmula proposta pela Graça Foster, uma proposta boa num momento errado”, diz Prates, referindo-se à negativa do Governo Dilma de adotar o amortecimento de preços em 2014 por conta de motivos eleitorais. O temor de que a política volte a ter ingerência sobre a Petrobras derrubou as ações da empresa em 14% nesta quinta-feira, o que valeu 47,3 bilhões de reais a menos no valor da empresa.

Segundo Prates, o Brasil tem de adotar uma fórmula que tenha balizamento no mercado internacional: que o preço dos combustíveis não fique muito discrepante do valor mundial por muito tempo, mas que os reajustes sejam feitos em patamares e com previsibilidade dos critérios. Assim, a Petrobras arcaria com o aumento do petróleo por algum tempo, e descontaria aquilo que gastou no momento em que o preço da commodity baixasse. “Nunca houve preço livre na bomba, em tempo real, na história do petróleo brasileiro. Querem fazer isso depois de 100 anos de uma cultura acostumada com amortecimento?”, questiona.

Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B, diz faria sentido reduzir a frequência dos aumentos de combustível, mas que “o problema não é a Petrobras, é estrutural”. “A Petrobras tem um grande poder de monopólio. Se houvesse quatro ou cinco empresas competindo de fato nesse mercado, com refinarias e base de importação, pode ser que o preço não estivesse nesse nível e que as empresas não pudessem fazer o que a Petrobras faz hoje”, diz Frischtak. Nos Estados Unidos, por exemplo, a competição do mercado impede que o preço suba tanto.

A solução, nesse caso, passaria pela privatização desse setor, mas não qualquer uma. “Não vejo nenhuma razão para a Petrobras continuar estatal, mas não se deve privatizar ela nessa posição, sob o risco de se criar um quase monopólio privado. Tem de fazer uma modelagem. Só que não há clima para fazer isso no país. A Eletrobrás está numa situação financeira dificílima, e o pessoal continua contra a privatização”, analisa Frischtak.

Transportes

Além do setor de petróleo, o setor de transporte também teve seus problemas expostos por conta da greve dos caminhoneiros. Os transportistas conseguiram mobilizar as atenções do país com apenas três dias de mobilização – a maior desde 1999, no Governo Fernando Henrique Cardoso. Isso porque dois terços do transporte de carga do país são feitos por caminhões — sem contar minério e petróleo cru, a proporção sobre para mais de 90%. Nos Estados Unidos, por exemplo, o percentual é de 43%. Além disso, a estrutura rodoviária do país é precária: tem apenas 211.000 quilômetros, enquanto os EUA têm 4,3 milhões de quilômetros e a China, 4 milhões de quilômetros. Nos cálculos do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), a má qualidade das estradas faz que o caminhoneiro brasileiro leve um mês para rodar 4.400 quilômetros, o que dá uma velocidade média de 5 km/h. Isso encarece o preço do transporte e, consequentemente, do frete.

De 2001 a 2016, a frota de caminhões do país cresceu 84%, em parte por conta do crédito concedido pelo BNDES entre 2008 e 2014. O aumento foi tão intenso que levou empresários do setor a pedir a suspensão de outros tipos de crédito para a compra de caminhões em 2016. Naquele ano, estimava-se que havia um excedente de 200.000 caminhões no país — a frota atual é de 2 milhões de veículos, dos quais 650.000 são autônomos. O excesso de caminhões e a redução da circulação de cargas, como consequência da recessão dos últimos anos, derrubou o preço dos fretes, prejudicando as companhias de transporte. Agora, quando a economia voltava a crescer, a elevação do preço do diesel frustrou as expectativas dos caminhoneiros, que não viram outra alternativa senão parar em protesto.

Fonte: El País | Rodolfo Borges

CERNE debate desenvolvimento das fontes renováveis no Piauí

O Presidente do Centro de estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta quarta-feira (24) do Workshop de Energias Renováveis e Meio Ambiente, evento promovido pela Escola Superior de Advocacia do Piauí (ESA-Piauí).

Em sua apresentação, Prates ressaltou a importância do desenvolvimento das fontes renováveis para o Nordeste brasileiro, traçou um comparativo entre a evolução da energia solar e eólica no Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, e explicou as vantagens que o desenvolvimento destes setores traz para as economias locais e os desafios por enfrentar.

“Temos uma trajetória de interesses em comum. Não somos concorrentes. A parceria e a troca de experiências entre estados geradores só contribui para melhorar o ambiente de investimentos e assegurar benefícios para as comunidades e fornecedores locais”, assegurou.

Prates ainda comentou sobre a proposta de criação de “royalties” sobre o uso do vento, surgida a partir de proposta de emenda constitucional de autoria de um senador piauiense: “a natureza jurídica do royalty é compensar financeiramente as gerações futuras pelo uso presente de recursos não-renováveis, portanto, não se aplica ao vento e ao sol. Por isso, no petróleo e na mineração, incide sobre a receita bruta do concessionário.  O que preconizamos é a discussão de uma melhor alocação das receitas advindas do ICMS sobre a geração de energia, qualquer que seja sua fonte. Isso sim, seria uma medida que traria nova receita para estados e municípios produtores, sem onerar mais o investimento”, afirmou.

O evento também contou com a palestra do Diretor Setorial de Infraestrutura e Energia Eólica do CERNE, Milton Pinto.

Atualmente, o Piauí é um dos maiores produtores de energias renováveis (solar e eólica) do país, sendo necessária a realização de um debate jurídico acerca do tema. O evento foi realizado na sede do Tribunal de Justiça do Estado, e contou com a presença de parlamentares, desembargadores e juristas do estado, além de pesquisadores, gestores empresariais e estudantes envolvidos com o setor energético.

Fonte: Cerne Press

Eólicas offshore: marco regulatório em 2019

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) prepara estudo para a criação de um marco regulatório para a exploração de eólicas offshore (turbinas instaladas no oceano). O documento será publicado até o fim do primeiro semestre de 2019. A partir desse estudo deve ser criado projeto de lei com modelos de comercialização, processo de licenciamento ambiental, conexão das usinas e concessões de áreas marítimas.

O presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, suplente da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), diz que uma das principais questões é sobre o uso de áreas marítimas. Na visão de Jean-Paul, são necessárias diretrizes gerais sobre como os empreendedores terão acesso aos blocos. Uma das saídas seria a utilização da expertise e estrutura da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O Ibama também possui um pré-zoneamento que pode ser aproveitado.

Levantamento sobre o potencial de exploração nos litorais do Ceará e Rio Grande do Norte revela que a velocidade dos ventos chega a 9,5 metros por segundo. O Cerne considera que seria viável instalar até 2 GW de projetos de energia no litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará até 2025.

Fonte: Neila Fontenelle | O Povo

CERNE e CORECON trabalharão ideias para candidatos ao Executivo do RN

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e o Conselho Regional de Economia da 19ª Região (CORECON-RN) firmaram acordo de cooperação para trabalharem conjuntamente em ideias, projetos e ações viáveis que possam servir como sugestão aos candidatos ao Executivo norte-riograndense, nas eleições deste ano.

A iniciativa está baseada no conceito comum de que o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico são compatíveis com a luta contra a desigualdade social e com a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

Os presidentes das duas entidades assinaram acordo de cooperação na última sexta-feira (27). O compromisso foi firmado durante o Ciclo de Debates Econômicos do Grupo de Estudos e Pesquisas em Espaço, Trabalho, Inovação e Sustentabilidade do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A partir deste acordo, as instituições formarão um conselho diretor que passará a atuar em análises do contexto estadual e na elaboração de ações propositivas, projetos e debates relacionados com o futuro socioeconômico do Rio Grande do Norte.

“Os economistas têm como dever participar ativamente dos debates sobre o desenvolvimento econômico local, ainda mais num momento de tanto acirramento e incerteza política, e as ciências econômicas constituem instrumento adequado para a compreensão e proposição de idéias para a gestão estadual”, convocou Ricardo Valério, presidente do CORECON-RN.

“Recursos naturais e energia são considerados insumos fundamentais para o desenvolvimento. São o sangue de todo e qualquer segmento da economia, mas têm que ser precificados, planejados e consumidos de forma eficiente e sustentável, sob pena de serem provocados o seu sub-aproveitamento ou escassez crítica”, pontuou o presidente do CERNE, Jean-Paul Prates.

As duas entidades deverão participar e apoiar os debates e eventos setoriais que promovam o desenvolvimento sustentável local e regional, bem como empreenderão projetos de eficientização e aprimoramento da gestão de recursos hídricos, energéticos e minerais no Estado a partir de 2019.

Também serão trabalhadas propostas quanto à situação da disposição/destinação de resíduos sólidos gerados em parques eólicos, usinas solares e outras instalações de grande porte, no RN e estados da região. Por fim, está prevista a montagem de projeto de parceria socioambiental para locações de empreendimentos energéticos na área de extrativismo vegetal sustentável  (reposição e manejo), com fomento da cadeia produtiva local relacionada.

Para mais informações sobre as entidades, acesse:
CERNE – www.cerne.org.br
CORECON – www.corecon-rn.org.br.

Fonte: CERNE Press

Parceria entre CERNE e IFRN Campus Parnamirim visa desenvolver fábrica de software

O diretor técnico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Hugo Fonseca, se reuniu com o Diretor-Geral do Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFRN) Campus Parnamirim, Ismael Coutinho,  com o objetivo de firmar uma parceria entre as duas instituições para desenvolver a ideia de montar o conceito de Fábrica de Software no Campus Parnamirim, com alunos do Técnico em Informática e do tecnólogo de Sistemas para Internet, podendo ter alunos de Mecatrônica e Redes de Computadores também.

Uma fábrica de software cria um produto sob medida para cada cliente e utiliza em suas operações indicadores de qualidade e de produtividade em cada etapa do ciclo de desenvolvimento. Alguns fatores contribuíram para o crescimento deste serviço, que surgiu para atender novas necessidades do mercado de TI.

Na reunião estiveram presentes os professores João Maria Nascimento e Valério Gutemberg e o Coordenador do Curso de Sistemas para Internet, o professor Givanaldo Rocha.

O que é o CERNE?

O CERNE é um “think tank” voltado para a concepção, discussão e implementação de estratégias públicas e privadas relativas ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais e energéticos do Nordeste Setentrional do Brasil. Sua missão é promover a articulação com as diversas instâncias institucionais, acadêmicas, científicas, empresariais e governamentais relacionadas com a exploração sócio-econômica, conservação, planejamento e desenvolvimento dos recursos naturais e fontes energéticas, de forma a assegurar sua boa utilização no presente, em benefício das gerações futuras.

Fonte: CERNE Press

“Não estamos desperdiçando energia, nem investimento”, afirma Jean-Paul Prates

O Brasil alcançou a marca de oitavo maior produtor de energia eólica do mundo. Dentro da produção nacional, o Rio Grande do Norte se destaca como o estado que mais produz o recurso renovável. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, comemora o desempenho em entrevista realizada na última quinta-feria (26) ao programa RN Acontece, da Band Natal/RN.

“Do país para o mundo. Ontem saiu o relatório desse ano do GWEC, o Global Wind Energy Council, que é a entidade maior do setor eólico mundial. O Brasil ultrapassou mais uma vez um país no ranking mundial, que era o Canadá, e passou a ser a 8ª maior nação produtora de energia eólica do mundo. O Rio Grande do Norte tem esse sucesso nessa matriz, nessa fonte, e é dentro desse contexto o líder nacional de produção de energia eólica no Brasil. Ele hoje é responsável por um terço da energia eólica gerada no Brasil. Então, desta liderança nacional, surge aí um terço da energia geral”, explicou Prates.

De acordo com Jean-Paul, o problema enfrentado no passado com a falta de linhas de transmissões no RN já foi superado. “Não estamos desperdiçando energia, nem investimento. Houve um período de atraso mais significativo, principalmente entre 2012 a 2014, isso foi recuperado com as linhas da Chesf sendo aceleradas. Tivemos aquele problema de uma empresa espanhola que faliu mundialmente, que foi a Abengoa, que deixou uma das linhas aqui carentes de continuidade. Isso também já foi resolvido. Eu diria que já foi resolvido em relação ao passivo que nós tínhamos”, comentou.

No entanto, o especialista em energia adverte para que o Estado continue melhorando sua infraestrutura. “É uma preocupação constante. Tem que estar o tempo todo acompanhando esse processo porque isso é uma questão federal. Tem que ficar demandando, fazendo pleitos, para que as linhas sejam concedidas. O Rio Grande do Sul fez pressão e hoje ele tem aí quatro ou cinco gigawatts de linhas, tendo muito mais folga do que a gente e com muito menos potencial”, comparou.

Fonte: CERNE Press com informações da Band Natal

Especialistas e gestores debatem crise hídrica no RN

As condições dos níveis de reservatórios e a atual situação das bacias hídricas e açudes do Rio Grande do Norte foi o tema da primeira edição do Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do CERNE de 2018. O auditório da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN ficou lotado de especialistas, pesquisadores, gestores e estudantes que debateram a crise hídrica no estado.

O Diretor do Instituto de Gestão de Águas do RN, Josivan Cardoso, apresentou números sobre a capacidade dos reservatórios hídricos monitorados pelo Governo do Estado. “A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do estado, nunca esteve com volume hídrico tão baixo em toda a história”, afirmou o diretor.

Atualmente, a barragem comporta cerca de 287 milhões de metros cúbicos de água. Em 2017 esse número chegou a 343 milhões de metros cúbicos. “Nessas condições, precisamos garantir a segurança hídrica para abastecimento das cidades. O cuidado deve ser redobrado”, disse.

Cardoso também enfatizou a importância da consciência quanto ao consumo sustentável da água diante da atual situação crítica dos níveis dos reservatórios. Dos 47 reservatórios com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos no Estado, 19 continuam em volume morto e 11 estão secos.

A situação das reservas hídricas subterrâneas foi o tema apresentado pelo Técnico da SEMARH e ex-diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Varela. “Estudar as águas superficiais, seu potencial e fluxo é fazer gestão. As águas subterrâneas afetam diretamente a qualidade dos rios”, pontuou.

A Diretora de Empreendimentos da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN), Geny Formiga, apresentou um panorama sobre o abastecimento urbano e rural no estado e a perspectiva da CAERN para os próximos anos. “Estamos passando por uma crise hídrica que afeta grande parte do estado. São 15 municípios em colapso de abastecimento e outros 84 com o sistema de rodízio”, afirmou. Neste contexto a região oeste é a mais atingida.

O Rio Grande do Norte tem como fazer um planejamento para garantir segurança hídrica para a região do Seridó até 2070. O estudo sobre o balanço hídrico da região foi apresentado pelo Consultor e ex-Secretário da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), Rômulo Macedo. “Os reservatórios do Seridó, segundo a nossa pesquisa, têm capacidade de ofertar água para o consumo humano até 2070. Em breve vamos apresentar um estudo de alternativas de engenharia hídrica para resolver o problema hídrico da região, em seguida, vamos escolher as melhores e definir as questões de viabilidade econômica. Depois desses procedimentos, o estudo será entregue para a SEMARH, que vai em buscar de recursos para viabilizar os recursos para a construção das adutoras”, explicou.

Para o Gerente Regional do SEBRAE- Assu e integrante do Comitê de Águas do Centro SEBRAE de Sustentabilidade Regional, Fernando Leitão, é necessário que a sociedade possa ter maior acesso as leis que regulam o uso da água. Ele também ressaltou que esse recurso natural é insumo para empresas de todos os portes, setores e segmentos. Em alguns casos, é a própria matéria-prima. “As empresas precisam se adequar rapidamente as novas exigências para o consumo sustentável e racional da água”, afirmou.

O Ciclo de Debates terá outras edições ao longo do ano abordando temas relativos a recursos naturais e energia. Mais informações no site do CERNE em www.cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

Condições de abastecimento dos reservatórios no RN é tema de debate pelo CERNE

Cerca de 40% dos reservatórios do Rio Grande do Norte estão em volume morto. Assunto será discutido entre especialistas e gestores no dia 05 de abril.

Dos 47 reservatórios com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos, monitorados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, 19 continuam em volume morto e 11 estão secos. Em termos percentuais, 40,42% dos mananciais potiguares estão em volume morto e 23% secos. Os dados são do Relatório da Situação Volumétrica divulgado pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN) em 02 de abril.

Mas a atual situação enfrentada pelos principais reservatórios afetados pelo baixo volume de água foi amenizada com o retorno das chuvas ao interior de Estado, que propiciou a chegada de águas em três reservatórios anteriormente secos. Os maiores ganhos de reservas hídricas ocorreram na Bacia Apodi/Mossoró.

O aumento mais expressivo de volume de águas foi verificado no açude Santo Antônio de Caraúbas, localizado no município de Caraúbas, que recebeu 1,046 milhões de metros cúbicos, chegando a 12,26% da sua capacidade total. O reservatório saiu da situação de seco para um suporte de águas que poderá suprir o abastecimento da região dois meses, caso não ocorram mais chuvas na região.

Diante da situação, o desafio é manter o uso consciente dessas reservas. “É importantíssimo que nós comecemos a pensar na água como elemento essencial, mais do que o petróleo e a energia. O Estado ainda carece de políticas regulares e modernas para a gestão hídrica. Além disso, precisamos pensar em outras formas de se guardar e fazer o manejo deste recurso, assim como buscar a “nova água”, presente nos lençóis subterrâneos”, analisa o Diretor-Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean Paul Prates.

As condições de abastecimento das bacias hídricas e dos açudes no Estado serão discutidas durante a primeira edição de 2018 do Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE. O evento, aberto ao público, acontece no dia 05 de abril na Sala 4 (primeiro andar) do prédio da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da UFRN. A entrada é gratuita.

O evento contará com a participação de gestores e técnicos do Instituto de Gestão das Águas do RN, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hidricos (SEMARH), da Companhia de Águas e esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) e SEBRAE.

O Ciclo de Debates tem o apoio da UFRN, IFRN, Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio grande do Norte (SEERN), Federação das Indústrias do RN (FIERN) e SEBRAE. A programação completa está disponível no site do CERNE pelo endereço www.cerne.org.br. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340.

Fonte: CERNE Press

Leilão da 15ª rodada marca retorno da Bacia de Campos, diz ANP

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comemorou o resultado da 15ª Rodada de Licitação de blocos para exploração e produção de petróleo em bacias sedimentares brasileiras. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone,  disse que a rodada foi espetacular, pela diversidade geográfica dos blocos arrematados e pelo interesse do mercado na Bacia de Campos.

“Foi espetacular e mostra o potencial que temos no Brasil para atrair investimento e gerar arrecadação e riqueza quando fazemos as coisas certas”, afirmou Oddone. “A grande notícia do ponto de vista de interesse das companhias é a diversidade de operadores e o interesse pela Bacia de Campos”.

De acordo com o Oddone, a retomada dos investimentos na Bacia de Campos começou na 14ª Rodada e é uma “notícia extraordinária” para o estado do Rio de Janeiro.

Ele defendeu a possibilidade de ofertar permanentemente blocos que estejam localizados no polígono do pré-sal e já tenham sido ofertados em leilão.

Atualmente, esses blocos não podem ser disponibilizados em oferta permanente, e a mudança necessitaria de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética. Para Oddone, essa possibilidade aceleraria a retomada na Bacia de Campos, que era considerada uma área em declínio.”Uma das grandes conclusões desse leilão é o interesse das principais companhias do mundo para a exploração da Bacia de Campos e traz para o Rio de Janeiro um protagonismo que o estado já teve e que esperamos que recupere.”

O leilão dos blocos marítimos rendeu R$ 8,014 bilhões em bônus de assinatura e teve 47% dos blocos arrematados. As empresas estrangeiras tiveram forte presença na 15ª Rodada, que atraiu algumas gigantes como a ExxonMobil, a Shell, a Repsol e a Statoil.

Os 21 blocos terrestres ofertados, no entanto, não receberam propostas. Segundo Oddone, a falta de ofertas foi influenciada pela política de desinvestimentos da Petrobras, que abriu oportunidades para que empresas do setor comprem unidades já em produção. “As empresas estão divididas entre os riscos exploratórios e os desinvestimentos da Petrobras.” Oddone disse acreditar que, cada vez mais, os blocos em terra sejam ofertados de forma permanente, em vez de ocuparem leilões como este.

Para o Diretor-Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, os resultados da 15ª Rodada mostram claramente que as concessões de áreas convencionais brasileiras são muito atrativas. “Os 47 blocos marítimos oferecidos ficam fora do Polígono do Pré-sal, nas bacias sedimentares marítimas do Ceará, Potiguar, Sergipe-Alagoas, Campos e Santos”, explica Prates.

O Rio Grande do Norte e Ceará tiveram blocos exploratórios arrematados na rodada de licitação. O Presidente do CERNE destaca o retorno da empresa Wintershall, empresa do Grupo BASF (alemã), normalmente muito seletiva e criteriosa. Potencial da Bacia Potiguar e Cearense também atraiu a Shell e a Petrobras.

Fonte: CERNE Press com informações da Agência Brasil