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Enel estuda investir em transmissão de energia no Brasil

Rodrigo Polito e Cláudia Schüffner | Valor Econômico

A gigante energética italiana Enel estuda investir no mercado de transmissão de energia brasileiro. Segundo o principal executivo do grupo no mundo, Francesco Starace, uma decisão estratégica da companhia sobre o assunto deve ser tomada até o fim deste ano. “Pensamos várias vezes sobre transmissão [de energia], não só no Brasil, mas na América do Sul. Temos uma grande operação de transmissão na Europa, que mantemos separado. Temos experiência, conhecemos o negócio”, afirmou ao Valor.

De acordo com ele, há potencial em conectar Estados diferentes do Brasil e também os países vizinhos. “Mas, para ser honesto, até agora não estivemos realmente focados [em transmissão no Brasil]

. É algo que estamos olhando agora e, daqui até o Natal, temos que decidir se queremos começar uma linha de negócios nesse segmento no Brasil. Vamos avaliar se faz sentido ou apenas dizer ‘não’. Vamos focar em distribuição”, disse.

Segundo o executivo, a decisão levará em conta a necessidade de ter uma equipe adequada para o negócio e dedicar tempo da companhia para a atividade. “Se decidirmos fazer [investir em transmissão], é preciso fazer o tempo todo, não apenas um pouco aqui e um pouco ali. Por isso é que vai demorar um tempo [para decidir]”, completou.

Caso se concretize, o investimento no setor de transmissão será mais um passo estratégico do grupo italiano no país, marcado nos últimos anos por aquisições agressivas. Entre as principais operações estão as aquisições das distribuidoras Eletropaulo, este ano, e Celg (atual Enel Distribuição Goiás), no fim de 2016, somando R$ 7,7 bilhões, e da hidrelétrica de Volta Grande (MG), por R$ 1,4 bilhão. Embora não haja dados específicos sobre o Brasil, o país tem participação relevante nos negócios da Enel na América do Sul, que respondem por 17,6% do faturamento global da italiana, de 74,6 bilhões de euros (o equivalente a quase R$ 340 bilhões).

Distribuição

Em sua primeira entrevista exclusiva a um veículo brasileiro após aquisição da Eletropaulo, maior distribuidora de energia do Brasil, em junho, Starace contou que o grupo tem interesse por duas das seis distribuidoras que a Eletrobras pretende privatizar. Sem citar o nome das empresas, ele contou que o foco são as distribuidoras mais próximas dos ativos do segmento que a companhia já possui no país.

“Sobre as distribuidoras da Eletrobras, já compramos uma que foi vendida [ex-Celg, de Goiás]. Agora existem seis. Dessas seis, talvez duas nos interessem. Não estamos interessados em todas elas”, afirmou Starace. “É difícil dizer [quais são as distribuidoras] porque é uma informação da companhia, mas você pode entender facilmente, por conta própria, quais são, se você olhar no mapa e ver onde estamos. Não é difícil”, completou.

No mercado, a aposta é que a Enel tem interesse pela Cepisa, do Piauí, e Ceal, do Alagoas. Além de mais atrativas, do ponto de vista econômico-financeiro, as duas distribuidoras estão localizadas próximo da Enel Distribuição Ceará (ex-Coelce), distribuidora da Enel naquele Estado.

Starace também admitiu o interesse pela Light, distribuidora que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro. Ele, porém, afirmou que a abordagem atual do controlador da empresa, a mineira Cemig, com relação à intenção de vender o ativo, não está muito clara no momento. “As duas companhias [Light e Enel Distribuição Rio (ex-Ampla)] são muito próximas uma da outra e mostramos interesse em uma aquisição no passado. A Cemig, acionista da Light, não tem um ‘approach’ lógico sobre vender. E não estou certo se essa decisão será tomada em algum momento. Tem sido ‘sim’ e ‘não’ [sobre estar à venda] por muito tempo. Hoje não é claro. E houve uma série de mudanças na estrutura da direção da Cemig nos últimos anos. Talvez eles precisem de mais tempo, talvez estejam esperando o leilão da [das distribuidoras] Eletrobras para ver o interesse em torno dela [Light]. Estou apenas supondo”, completou o executivo.

Starace também confirmou que o grupo colocou à venda ativos de geração de energia eólica e solar no Brasil, conforme antecipado pelo Valor há duas semanas. Sem detalhar quais ativos estão sendo oferecidos ao mercado, ele explicou que o negócio faz parte de uma nova linha estratégica da companhia de vender a participação acionária, mas manter a operação de usinas já construídas (“build, sell and operate”).

“É um sistema que estamos querendo implementar. Começamos nos Estados Unidos três anos atrás. Então fizemos no México. Então fomos perguntados por alguns fundos se nós tínhamos interesse de fazer o mesmo no Brasil. E dissemos ‘por que não?’”, disse Starace. Segundo ele, é possível concretizar alguma operação nesse sentido ainda este ano.

Geração

Questionado sobre a estratégia do grupo na área de geração de energia no Brasil, Starace afirmou que a empresa mantém planos de crescimento no segmento no país, por meio de leilões ou no mercado livre, desenvolvendo projetos para atendimento a consumidores industriais e comerciais específicos. A companhia possui um portfólio atual de cerca de 3 mil megawatts (MW) em operação – de hidrelétricas, eólicas, parques solares e uma térmica a gás natural – e de aproximadamente 1 mil MW em construção – principalmente eólicas e parques solares.

Starace também encara com aparente naturalidade os problemas que a Enel Geração Fortaleza (ex-TermoFortaleza), termelétrica a gás natural controlada pela empresa, está enfrentando desde que o suprimento do combustível foi suspenso. A térmica é uma das integrantes do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT), do governo federal, e desde o dia 28 de fevereiro briga com a Petrobras por meio de liminares para receber o gás. A última liminar válida é da estatal brasileira, que conseguiu suspender o fornecimento de gás.

“Isso acontece muitas vezes no mundo. Toda vez que há um contrato de longo prazo com um único supridor sempre algo acontece ao longo dos anos, por causa do preço do gás, para o comprador, porque [o preço] está alto ou para o vendedor porque [o preço] está baixo. Não é algo específico do Brasil, francamente”, disse o executivo.

O principal executivo do grupo no Brasil, Carlo Zorzoli, vem defendendo uma solução legal para o problema, que seria uma autorização para que a empresa possa repassar para a tarifa que cobra dos consumidores o aumento do preço do gás natural usado como combustível.

Cenário político

Questionado sobre o cenário político do Brasil, que passará por eleição presidencial em outubro, ele disse que este não é um ponto de preocupação para o grupo. “Não estou preocupado com a evolução da situação política no Brasil. O Brasil entrou em uma grande crise política e institucional nos últimos dois anos e gerenciou de maneira muito boa a situação. As instituições brasileiras são muito resilientes e fortes. Não vejo fraqueza nas instituições no Brasil, no Parlamento, no governo e no Judiciário. E eleições acontecem em todo lugar o tempo todo. Isso é normal, nada com que se preocupar. Não vejo nenhuma ameaça à democracia, ao livre mercado ou ao que faz a sociedade funcionar bem no Brasil”.

Starace, que concedeu entrevista por videoconferência, afirmou que pretende vir ao Brasil até o fim deste ano. Se confirmada, será a primeira visita do executivo ao país após a aquisição da Eletropaulo.

Devido à operação, a Enel espera crescimento da receita do grupo no Brasil e um aumento do volume de investimentos no país, dentro do próximo planejamento estratégico (2019-2021), que será divulgado em novembro. No plano atual (2018-2020), que não considera a Eletropaulo, os investimentos previstos no Brasil são da ordem de 600 milhões de euros por ano.

Na última semana, Starace recebeu, em Roma, o título de “Comendador da Ordem de Rio Branco” do embaixador do Brasil na Itália, Antonio Patriota. O título é um reconhecimento que o governo brasileiro confere a pessoas físicas e jurídicas ao redor do mundo que beneficiaram significativamente o país por seus méritos na política, cultura, economia e ciência. De acordo com a Enel, Starace foi agraciado por méritos econômicos e, em particular, pelo papel-chave que vem atribuindo por meio do crescimento do grupo no país, contribuindo para a disseminação das energias renováveis no Brasil.

(Colaborou Camila Maia, de São Paulo)

China investiu US$ 54 bi no Brasil em 15 anos, 84% no setor de energia

Maior parte dos aportes chineses foi para aquisição de empresas: desde 2003, eles compraram 72 projetos já prontos no Brasil, enquanto 29 foram iniciados do zero; 84% dos investimentos estão concentrados em energia, óleo e gás e mineração.

De cada US$ 100 que os chineses investiram no Brasil desde o início do governo do ex-presidente Lula, apenas US$ 11 foram direcionados para novos projetos, revela levantamento do governo ao qual o ‘Broadcast/Estadão’ teve acesso. De 2003 a junho de 2018, os chineses injetaram US$ 54 bilhões no País, mas US$ 48 bilhões ficaram nos chamados “brownfield”, ou seja, projetos que já estavam prontos, em que houve apenas troca de dono.

Somente US$ 5,95 bilhões vieram para os chamados “greenfield”, como são chamados projetos que começam do zero. Nesse tipo de investimento, os benefícios se espalham por outros elos da cadeia produtiva, gerando crescimento econômico por meio da compra de máquinas, contratação de serviços, geração de empregos e pagamento de impostos.

É a primeira vez que o governo brasileiro consegue mapear e separar com precisão os investimentos que a China tem realizado no Brasil. O resultado foi uma surpresa, pois a expectativa era de um volume maior de investimentos em projetos “greenfield”, até mesmo devido aos compromissos assumidos entre os dois países e aos vários anúncios de cartas de intenções de investimentos chineses no Brasil.

Com a crise financeira, as empresas brasileiras ficaram mais baratas para os estrangeiros, e o grosso dos investimentos chineses foi para aquisições. Nos últimos 15 anos, foram adquiridos 72 projetos já prontos, enquanto apenas 29 foram iniciados do zero. Esses são os investimentos já confirmados, de acordo com um boletim sobre investimentos chineses que o Ministério do Planejamento passa a divulgar bimestralmente.

Segundo dados do ministério, 84% dos investimentos estão concentrados em três áreas: energia, óleo e gás e mineração. A presença chinesa cresceu a partir de 2009 e se acelerou rapidamente. “A China se tornou o maior parceiro de investimento em fluxo de recursos”, disse o secretário de Assuntos Internacionais do Planejamento, Jorge Arbache, aoEstadão/Broadcast antes de entrar em vigor a regra eleitoral que restringe comunicações oficiais.

Mantido o ritmo atual, os chineses vão liderar nos próximos anos o ranking de estoque de investimentos, título detido por União Europeia e Estados Unidos atualmente.

“Brownfield é realmente maior que greenfield, mas é preciso paciência. O brownfield acaba puxado o greenfield”, disse o ministro conselheiro da embaixada da China, Qu Yuhui, lembrando que, até 2008, a China tinha investido apenas US$ 1 bilhão no Brasil. Ele destacou que investimentos em novos projetos necessariamente envolvem mais riscos. “Precisamos fazer o dever de casa. É preciso de mais informações e de um conhecimento bem maior do mercado brasileiro. Só licenças ambientais de um projeto podem levar de três a quatro anos para serem liberadas.”

O relacionamento entre o Brasil e China é relativamente curto se comparado a Japão, EUA e Europa, disse Qu Yuhui. “O Brasil é promissor, mas não é para iniciantes. É um mercado muito particular. A tendência é que o investimento se diversifique.”

Estratégica, a área de energia tem sido o maior foco dos investimentos da China no País. Alguns setores do governo brasileiro mostram preocupação com o apetite chinês e defendem uma regulação forte para diminuir riscos.

A estatal State Grid, que comprou a CPFL, tem 60% do total de investimentos fora da China alocados no Brasil. No último leilão de linhas de transmissão, no entanto, quem brilhou foi a indiana Sterlite. Procurada, a State Grid informou que sempre busca novos projetos no Brasil, mas reconheceu que a concorrência reduz a atratividade dos investimentos.

A China Three Gorges (CTG) comprou as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp e operam há mais de 40 anos. Mas em cinco anos de Brasil, destaca que investiu também em projetos novos, como a construção de usinas no Pará e Amapá e em Mato Grosso.

Fonte: Estadão | Adriana Fernandes e Anne Warth

Infraestrutura precária e possível cobrança de royalties: a produção de energia eólica no Brasil

País é hoje o oitavo maior produtor de energia eólica do mundo

GALINHOS, Rio Grande do Norte – De noite, luzes piscando enchem o céu, e o som sibilante das pás que giram sem parar está em toda parte – lembrando continuamente da abundante presença do vento nestas partes da costa brasileira do Atlântico e seu aproveitamento como recurso natural. Ao romper do dia, as torres que se elevam a mais de 120 metros despontam lá no alto, acima das árvores.

Neste lado do Atlântico, o vento sopra incessantemente e quase sempre em uma só direção, proporcionando ao Brasil um fluxo constante de produção de energia. O país é hoje o oitavo produtor mundial de energia eólica, segundo o Global Wind Energy Council, uma organização setorial, com fazendas eólicas operadas pela Weg, Siemens Gamesa, Wobben Windpower e outras.

Entretanto, os investidores estão cautelosos, porque a construção das linhas de transmissão é lenta e a infraestrutura escassa encarece o custo das obras. Agora, alguns parlamentares estão propondo a cobrança de um imposto sobre a energia solar e eólica.

A cerca de um quilômetro de distância da praia, a visão das turbinas lembra aos moradores da área rural as possibilidades e o impacto deste setor da economia.

Na praia do Morro dos Martins, Damião Henrique, 70, fez uma ligação para acionar a bomba que agora lhe permite regar sua pequena plantação de feijão. Pescador e agricultor, ele teve de deixar a faixa de terra que ocupava há muito tempo e se instalou a poucos metros da praia para deixar o lugar à fazenda eólica.

“Para mim está tudo bem”, ele disse. “Como indenização, a companhia me fornece energia, e agora posso regar meu feijão com a maior facilidade”.

Mas segundo outros moradores, os benefícios prometidos não se concretizaram.

“O prefeito disse que teríamos escolas”, falou Maria Venus, 47, proprietária de um mercadinho no Morro dos Martins. “Eles abriram uma escola de música para a comunidade, distribuíram alguns violões para a gente, e depois de um ano não aconteceu mais nada”.

Além disso, há o barulho.

“Ah, sim”, ela comentou, “também deixaram este barulho que nunca para”.

A nordeste de Galinhos, empresas contratadas para a Copel, a companhia elétrica do Estado do Paraná, estão construindo a enorme fazenda eólica de Cutia. Quando estiver concluída, suas 149 turbinas serão o projeto mais importante da companhia no Estado do Rio Grande do Norte.

Em Galinhos, os jovens anunciaram o baile do aniversário da cidade com uma carreata de buggies de praia que dos alto falantes convocavam a população para as comemorações.

Na porta de uma escola prestes a desmoronar, onde antes se alojava, José Neto, 70, pescador, acendeu um cigarro enquanto apreciava o pessoal se divertindo. “Sei pouco sobre impostos, mas se eles os usarem para a nossa cidade, será muito bom”, comentou a respeito da proposta de cobrança de impostos. “Nós somos tão humildes que qualquer coisinha de nada é de grande ajuda para a gente”.

Edton Barbosa, 56, técnico aposentado em prospecção de petróleo do estado de Minas Gerais, também olhava. Ele falou que era bom que os políticos pensassem em cobrar pelo vento. “Ajudará a desenvolver este lugar”, ele disse, “como os royalties do petróleo estão fazendo em outros lugares”.

Fonte: Dado Galdieri | New York Times

Energia eólica já pode abastecer 22 milhões de casas no Brasil

No país, a água é o principal recurso de geração de eletricidade, mas os ventos já têm capacidade de produção semelhante à usina de Itaipu

A energia gerada pelos ventos tem ganhado força no Brasil. Considerada complementar na matriz de produção elétrica nacional, que conta principalmente com a hidroeletricidade, a geração a partir da fonte eólica já é suficiente para abastecer cerca de 22 milhões de casas por mês no país.

O dado é da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), que também informou um fato inédito ocorrido em fevereiro deste ano: o segmento atingiu potência instalada (capacidade máxima de produção de uma fábrica) de 13 gigawatts (GW), volume quase igual ao produzido pela usina de Itaipu (14 GW), a maior hidrelétrica em território nacional.

No Brasil, a água é o principal recurso utilizado para produzir a eletricidade fornecida para residências, comércios e setor industrial. Toda essa energia gerada por recursos hídricos, assim como por outras fontes (eólica, solar, biomassa, gás natural etc.), é transmitida de norte a sul do país por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo a ABEEólica, o crescimento da geração elétrica por meio dos ventos conseguiu abastecer 11% de todo o território nacional no mês de setembro de 2017. Esse resultado tem como base a força de trabalho desempenhada por 518 parques eólicos e mais de 6.600 aerogeradores em operação.

“Além disso, abastecemos mais de 60% do Nordeste em vários momentos, na época que chamamos de ‘safra dos ventos’, que vai mais ou menos de junho a novembro”, explicou, em nota, Elbia Gannoum, presidente executiva da Abeeólica.

De acordo com dados do PDE 2026, publicação do Ministério de Minas e Energia (MME), a potência instalada do segmento eólico no Brasil chegará a 25,8 gigawatts (GW) em 2026 e terá participação de 12,5% na matriz total. Atualmente, o percentual é de 7,6%. Considerado detentor das condições mais favoráveis para esse tipo de produção, o litoral da Região Nordeste deverá registrar 90% da capacidade eólica total, estima a pasta.

Na avaliação do professor aposentado do curso de agronomia da Universidade de Brasília (UnB) Juan Verdésio, especialista em energias renováveis, as fontes eólica e fotovoltaica podem proporcionar segurança energética de forma complementar ao país, principalmente ao Nordeste, que atualmente sofre com déficit na geração de energia hidrelétrica, pois depende dos recursos hídricos do Rio São Francisco.

“O Nordeste é deficitário. Só tem usina no Rio São Francisco e, daqui a algum tempo, não será possível extrair água de lá para gerar energia. Ocorre, atualmente, o encaminhamento da eletricidade da Amazônia e da Região Sul para o Nordeste. Então, a produção eólica ajuda nesse sentido de dar segurança energética”, explicou.

O especialista também disse que a superfície terrestre é mais utilizada para a implantação de sistemas eólicos, mas o mar apresenta potencial considerável. “Há mais investimentos no litoral, em terra. Poderíamos ter usinas no mar, a turbulência do vento nesse ambiente é maior e acontece de forma mais uniforme. No exterior, existem muitas infraestruturas do tipo, mas requerem mais aplicação de recursos”, concluiu Juan Verdésio.

Ranking eólico nacional
Os líderes na produção de energia gerada pelos ventos em território nacional são: Rio Grande do Norte, primeiro colocado, com potência instalada de 3,7 gigawatts (GW); Bahia, na segunda posição, com 2,5 GW; e Ceará, em terceiro, com 1,9 GW.

Segundo o ranking mundial, divulgado em 15 de fevereiro deste ano pelo Global World Energy Council (GWEC), o Brasil ocupa o oitavo lugar. Em 2012, o país estava na 15ª posição.

Fonte: Jornal Metrópoles | Ingred Suhet

Revista Recharge: O nascimento do setor eólico offshore no Brasil

A próxima geração da indústria eólica vai “surpreender o mundo pelo custo” devido aos ventos fortes, águas rasas e 600 GW de potencial, escreve Alexandre Spatuzza em São Paulo.

Em meados de 2021, a estatal petrolífera brasileira Petrobras deverá instalar a primeira turbina eólica offshore – um modelo de 5MW – em algum lugar na costa nordeste do Brasil.

Mas o projeto ainda está tão envolto em sigilo que até o órgão de licenciamento ambiental federal do país – Ibama – que recebeu o esboço do projeto em 16 de fevereiro, sabe muito pouco sobre isto.

“Vamos ter uma primeira reunião sobre isso com a Petrobras nos próximos dez dias”, disse a Recharge o porta-voz do Ibama no início de março. O que se sabe é que, em 2016, a Petrobras apresentou uma proposta a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, para construir um projeto de R$ 63 milhões (US $20 milhões), que incluía planos para ventos offshore e para estudar potenciais cadeias de suprimentos e infra-estrutura portuária.

Esse documento, posteriormente aprovado pela Aneel, veio no verso de um estudo inicial de cinco anos mapeando a velocidade do vento nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte – cujos resultados permaneceram secretos, mas que parecem ter incentivado os planos da Petrobras no setor eólico offshore.

Uma nova campanha de medição offshore ao longo da costa do Brasil, em especial o Nordeste e o Sudeste, agora está sendo conduzido graças a tecnologia Lidar e mastros meteorológicos com 93 metros de altura.

Oscar Chamberlain, Gerente Geral de P&D da Petrobras em Refino e Gás Natural, disse à Recharge que enquanto o Brasil já tem alguns dos ventos mais fortes e confiáveis ​​do mundo, particularmente nas regiões menos povoadas do interior do Nordeste, ele espera que os ventos em alto-mar sejam “mais fortes e tenham menos variabilidade do que em terra”.

O setor eólico offshore brasileiro também se beneficiaria da grande e rasa plataforma continental do país, que se estende até 40 km de distância ao longo dos 9.000 km de costa e que podem atingir profundidades de 8 a 12 metros.

E há também o fato de que 27% dos 210 milhões de brasileiros vivem em cidades litorâneas e costeiras “significa que poderíamos gerar energia perto de lugares onde há mais demanda”, diz Darlan Santos, Diretor de Energia Eólica do Cerne e pesquisador de energias renováveis ​​do RN.

Com os preços do vento offshore caindo rapidamente na Europa, discussões e estudos sobre o possibilidades do setor no Brasil estão ganhando força.

“Acho que o Brasil surpreenderá o mundo em termos de custos e preços no exterior em alguns anos”, disse à Recharge o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates. “A energia eólica offshore no Brasil é inevitável e eventualmente a questão é se seremos pegos de surpresa ou se vamos nos preparar para isso.”

As primeiras estimativas do potencial eólico offshore do Brasil são de 600 GW, até uma profundidade de 100 metros, em comparação com 350GW onshore.

Mas ainda há dúvidas sobre se o Brasil precisa ou não de vento no mar. “Há ainda muita terra barata e boa, varrida pelo vento, disponível para o desenvolvimento onshore [eólico]”, disse Élbia Silva Gannoum, Presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O Presidente da Agência Nacional de Planejamento Energético (EPE), Luiz Barroso, disse recentemente que a atividade comercial eólica offshore ainda está a muitos anos de distância. Mas isso não significa que o governo brasileiro não esteja dando apoio ao setor.

Em 2015, o Ministério de Minas e Energia reuniu um grupo para discutir como o Brasil deveria desenvolver o setor eólico offshore. Nenhum resultado foi anunciado, mas em outubro do ano passado, foi realizada uma reunião de alto nível sobre a energia eólica no escritório de planejamento estratégico da presidência – com a presença da Petrobras e empresas como GE, Siemens, Gamesa além de grupos comerciais da indústria eólica.

Prates – em seu papel de auxiliar da Senadora Federal do RN, Fatima Bezerra – reuniu uma equipe de especialistas para escrever um Projeto de Lei para regular o desenvolvimento eólico offshore, que poderá ser aprovado pelo Congresso já em 2019. Ele está propondo um esquema semelhante ao que foi visto recentemente em estados dos EUA – o governo iria realizar licitações para concessões offshore em blocos, com os licitantes vencedores tendo então até cinco anos para desenvolver um projeto e preparar-se para uma segunda licitação para contratos de compra de energia.

“Seria o que o regulador nacional de petróleo e gás (ANP) do Brasil já faz para os blocos de exploração de petróleo: investir em estudos sísmicos básicos, licenciamento ambiental preliminar; o projeto dará à ANP outra responsabilidade para que também tenha que mapear ventos e transportar estudos básicos do fundo do oceano ”, diz ele à Recharge.

É altamente improvável que a Petrobras, sendo 54% detida (e controlada) pelo governo, estaria perseguindo sua estratégia de energia eólica offshore sem suporte de políticas de alto nível.

“A Petrobras tem como uma de suas estratégias, o objetivo de se preparar para um futuro baseado em uma economia de baixo carbono”, disse Chamberlain a Recharge. “Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de alto valor agregado à empresas em energias renováveis ​​… a ideia de construir uma planta offshore piloto moverá esses objetivos estratégicos para frente, aproveitando o conhecimento da empresa para o desenvolvimento de projetos sobre transporte marítimo.”

A estatal é uma das maiores especialistas do mundo em petróleo e gás offshore – com cerca de 100 plataformas marítimas em operação no Brasil.

CTGAS-ER, um centro de pesquisa de gás e energias renováveis ​​situado no Rio Grande do Norte, mantido em conjunto pela Petrobras e pela organização de treinamento industrial Senai, desenvolverá uma campanha nacional de medição de vento; enquanto um estudo da cadeia logística já foi contratado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A Petrobras tem um histórico e experiência de trabalho offshore, então acredito que, como vimos na indústria eólica onshore, vamos perceber que o Brasil tem o know-how técnico para offshore”, disse Mario González, professor da UFRN que está liderando a projeto.

“No final do estudo, teremos informações sobre sua viabilidade econômica”.

Fonte: Recharge Brazil | Alexandre Spatuzza

Brasil atinge 8º lugar em ranking mundial de energia eólica

O Brasil ultrapassou o Canadá no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica em 2017, passando a ocupar a oitava posição, de acordo com levantamento feito pelo Global World Energy Council (GWEC) e divulgado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). No ano passado, foram adicionados 52,57 gigawatts (GW) de potência de energia eólica no mundo, chegando a uma capacidade instalada total de 539,58 GW.

A energia produzida pelas usinas eólicas chegou a ser responsável por 64% da energia consumida na Região Nordeste, no dia 14 de setembro do ano passado. A Abeeolica estima que o Brasil, cuja capacidade instalada é 12 GW, tenha potencial eólico superior a 500 GW.

A Região Nordeste aparece na frente na capacidade de produção de energia a partir dos ventos. Com 135 parques, o Rio Grande do Norte é o estado que mais produziu energia usando a força dos ventos. São 3.678,85 MW de capacidade instalada. Em seguida, com 93 parques e 2.410,04 MW de capacidade instalada, vem a Bahia. Em terceiro lugar vem o Ceará, que conta com 74 parques e tem 1.935,76 MW de capacidade instalada.

Em quarto lugar aparece o Rio Grande do Sul. O estado tem 80 parques e 1.831,87 MW de capacidade instalada. Em seguida vem o Piauí, com 52 parques e 1.443,10 MW instalados, e Pernambuco com 34 parques e 781,99 MW de capacidade instalada.

Ranking global

O Brasil acrescentou 2,022 GW de potência eólica ano passado, chegando a 12,763 GW. O primeiro lugar segue com a China, que acrescentou 19,5 GW ano passado e chegou a 188,232 GW de capacidade instalada da fonte eólica.

Depois da China, aparecem ainda Estados Unidos (89 GW), Alemanha (56,1 GW), Índia (32,8 GW), Espanha (23,2 GW), Reino Unido (18,8 GW) e França (13,7 GW).

Em nota, a presidente da Abeeólica, Élbia Gannoum, destacou que o Brasil vem galgando posições no ranking “de forma consistente”. Em 2015, o país estava em décimo lugar, e subiu uma posição por ano desde então.

O levantamento também classifica os países pela capacidade acrescentada no ano. Nesse ranking, o Brasil ficou em sexto lugar, atrás de China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Índia. No ano anterior, o país estava em quinto lugar.

“A tendência é que a gente ainda oscile mais, visto que em 2019 e 2020 nossas instalações previstas são menores porque ficamos sem leilão por quase dois anos no período 2016/2017, o que vai se refletir no resultado de 2019 e 2020”, disse Élbia, em nota.

Segundo a presidente da entidade, até 2020, considerando os contratos já assinados e os leilões realizados, a capacidade instalada de energia eólica do país vai chegar a 18,63 GW. Com os novos leilões, a tendência é que o número cresça.

Fonte: CERNE Press

China investirá US$ 330 milhões para produção de energia solar no Brasil

A empresa chinesa CED Prometheus irá investir mais de US$ 300 milhões em Mato Grosso para produção de energia solar na região de Chapada dos Guimarães. O protocolo de intenções foi assinado nesta terça-feira (30.01) pelo governador Pedro Taques, pela prefeita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira, e por representantes das empresas que fazem parte do projeto.

“Escolheram Chapada dos Guimarães, porque a incidência solar lá é muito boa e com isto seremos agraciados com este investimento mostrando o nosso compromisso e do Governo do Estado em investir no turismo, mas também preocupado com o desenvolvimento sustentável”, disse Thelma de Oliveira.

A intenção é que sejam investidos US$ 330 milhões com capital 100% privado e participação da empresa chinesa. A previsão inicial é de gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos no período das obras. “Estamos ansiosos para que este projeto seja efetuado logo para trazermos contribuições à indústria e comércio de Mato Grosso”, ressaltou a gerente geral da CED Prometheus, Flora Wel.

O recurso será aplicado no desenvolvimento, aquisição, engenharia e construção do centro de produção de energia fotovoltaica de 300MWp na região do Manso, a 129 quilômetros de Cuiabá. A eletricidade produzida atenderá as indústrias do Estado reduzindo o custo em energia.

“Precisamos cada vez mais reduzir o custo de produção e a energia é um item que aumenta o nosso custo. Com este projeto, temos a certeza que vamos ser beneficiados e as indústrias poderão fazer o aluguel dessas unidades solares”, disse o presidente do Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso, Jandir Milan.

O presidente da empresa FAAD, Fernando Augusto Filho, explicou que as vantagens da produção da energia solar no Estado. “A principal vantagem é ter uma energia 25 a 30% mais barata, ficar mais competitivo, criar novos empregos, circular mercadoria no Estado para entregar na obra e também o imposto sobre serviço dessas obras vão pagar ISS, porque é a parte da obra. Então, vem para dentro do governo do estado e do município uma boa quantia”.

O projeto irá seguir os mesmos moldes do condomínio fotovoltaico que está sendo desenvolvido em Palmira, em Paraná, onde mais de 150.000 m² em painéis solares atenderão exclusivamente as indústrias paranaenses. “A nossa cidade foi pioneira neste projeto e que foi concebido há quase três anos, chegando no seu período de maturação agora. O investimento em energia fotovoltaica nos chamou a atenção, justamente, pela questão ambiental e pela deficiência energética que o país pode ter no caso do crescimento”, ressaltou o prefeito de Palmeira, Edir Havrechaki.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone, o projeto é importante para atrair novos investidores ao Estado. “É fundamental ter um Estado que tenha autossuficiência energética e garantir isto as gerações futuras. Quando temos uma matriz de energia diversificada oferecemos mais garantia aos investidores. A Fiemt vai fazer uma reunião apresentando aos empresários este projeto. Então, tudo isto barateia o custo para Mato Grosso, gera mais empregos e atrai investidores dando condições para que eles se instalem no Estado”.

Fonte: Governo do Mato Grosso | Luzia Araújo

Veja o que dizem especialistas sobre o ingresso do Brasil na IRENA

Abrir espaço para o Brasil colocar suas pautas na área de energias renováveis em contexto com as discussões que estão sendo feitas globalmente. Esse é o principal benefício defendido por especialistas ouvidos pela E&P Brasil sobre o ingresso do país na Agência Internacional de Energia Renovável (“International Renewable Energy Agency”, IRENA).

Na última sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores informou que solicitou ingresso à IRENA . “A iniciativa é demonstração da importância que o Brasil devota às energias renováveis, ao combate à mudança do clima e ao desenvolvimento sustentável, bem como ao engajamento construtivo na governança internacional”, disse o ministério em nota.

O que é a IRENA?

A IRENA foi criada em 2009, com sede em Abu Dhabi. Atualmente, conta com 154 estados membros, além de 26 estados em adesão. É uma organização intergovernamental que apoia o desenvolvimento de energias renováveis nos países membros, bem como a redução de emissões de gases de efeito estufa . A agência teve como foco o fomento às tecnologias eólica e solar produzidas nos países desenvolvidos. A partir de 2011, passou a considerar os bicombustíveis e a energia hidráulica no escopo dos seus trabalhos. A alteração estimulou o ingresso de países em desenvolvimento, como a África do Sul, Índia e China.

E o que dizem os especialistas?

Clarissa Lins, da Catavento Consultoria

A decisão do governo brasileiro de aderir à Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) representa mais um passo na direção de integrar o país ao círculo relevante de debate internacional na área de energia. Sem dúvida, o perfil energético diversificado de nossas matrizes, tanto energética quanto elétrica, nos posiciona de maneira diferenciada no panorama global. Se levarmos em conta a intenção já declarada do governo de estimular maior penetração das energias solar e eólica, bem como de biocombustíveis, faz todo sentido o Brasil participar ativamente das discussões internacionais, beneficiando-se de um ambiente de troca de experiências e práticas. O MME dá mais uma demonstração de que a melhor maneira de aumentar a competitividade brasileira passa por maior exposição internacional.

Jean-Paul Prates – Diretor-Presidente do CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

“Considero um passo natural, para o Brasil. Afinal, há dez anos atrás, iniciamos um processo inédito de leilões reversos que vem ensinando ao mundo como incentivar a geração de fontes antes ditas “alternativas” sem subsídios diretos. Além disso, dentre as grandes economias do mundo, o Brasil é a matriz energética mais renovável. Portanto, o Brasil tem muito a contribuir, e também tem muito a aprender com os importantes projetos globais e estudos da Agência Internacional de Energia Renovável.

Felipe Nabuco – Analista Ambiental do Ibama e mestre em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais 

Acredito que seja um passo importante para a expansão da matriz elétrica brasileira e para o alcance das metas assumidas pelo país no Acordo de Paris, em especial a que se refere a ampliar o uso de fontes renováveis, além da energia hídrica, para 28% a 33% até 2030. Entendo que temos muitas lacunas regulatórias e técnicas, muito na área ambiental, que a atuação da IRENA pode nos proporcionar oportunidades de aprendizado, cooperação e investimentos.

Maurício Tolmasquim, professor da Coppe e ex-presidente da EPE

É uma iniciativa boa e importante. O Brasil, como tem uma matriz renovável, pode ter um papel de destaque nesse mundo. É uma vitrine para apresentar sua matriz energética, já que poderá participar de fóruns e discussões importantes. Também permite ao país ajudar e influenciar em políticas para renováveis no mundo. Pode colocar suas pautas como questões globais

Rodrigo Lopes Sauaia – Presidente Absolar

O Brasil passa a poder acessar fóruns técnicos e especializados e debates sobre as diferentes fontes renováveis. Passa a poder influenciar o desenvolvimento de propostas no âmbito da Irena, buscando a expansão das fontes renováveis no mundo. Passa também a poder aprender com as boas práticas com a experiência de outros países e passa a contar com o suporte da Irena para o acesso à financiamento de qualidade que podem ajudar na aceleração do uso das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. A adesão é um passo muito importante por questões práticas, também por questões políticas e de posicionamento no mercado internacional e pela oportunidade técnica que isso representa ao Brasil.

Fonte: E&P Brasil

Enel investirá quase R$ 7 bilhões no Brasil entre 2018 e 2020

Empresa italiana já ocupa posição de destaque no país

A empresa italiana de energia Enel apresentou seu plano estratégico para o triênio 2018-2020, que prevê 1,8 bilhão de euros (R$ 6,85 bilhões, segundo a cotação atual) em investimentos no Brasil.

O grupo ocupa uma posição de destaque no mercado brasileiro, onde é líder no setor de energia eólica e possui diversas usinas solares, além de concessões de hidrelétricas. A última delas, a de Volta Grande (MG), foi conquistada no leilão promovido pelo governo de Michel Temer em setembro passado.

Apesar disso, a Enel deve reduzir seus investimentos na América do Sul em 26% entre 2018 e 2020. Segundo seu plano estratégico, 80% dos aportes da empresa no próximo triênio serão dedicados aos “mercados maduros”, contra 60% dos três anos precedentes, com uma “consequente redução do perfil de risco”.

Desse modo, a companhia aumentará seus investimentos na Itália em 23%, nas Américas do Norte e Central, em 40%, e na Península Ibérica, em 35%. Essa expansão será guiada pelo crescimento das fontes renováveis nessas regiões e pelas redes de energia.

Além disso, a Enel prevê vender 3,2 bilhões de euros em ativos entre 2018 e 2020, principalmente plantas termoelétricas – mais poluentes – e saindo de países “não-estratégicos”. Por outro lado, a empresa investirá 2,3 bilhões de euros na compra de participações minoritárias, com destaque para negócios na América do Sul.

O grupo italiano também enxerga “muitas oportunidades” no setor de fibra ótica no subcontinente.

Fonte: Época Negócios

Brasil alcança o 7º lugar no ranking mundial de geração eólica

O Brasil subiu mais uma posição e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Em termos de expansão de potência, o País mantém o quinto lugar, com 2,5 GW em 2016.  Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016” produzido pelo Ministério e Minas e Energia (MME).

A situação favorável da fonte eólica brasileira também é destaque no fator de capacidade (FC). De 2000 para 2016 o Brasil passou de um FC médio de 20% para 41,6%.  No mundo, esses indicadores foram de 22% e 24,7%, respectivamente. Observa-se que de um FC abaixo do mundial em 2000, o Brasil evoluiu para um indicador 68% superior.

Dentre os estados brasileiros, o Rio Grande do Norte apresentou a maior proporção na geração eólica em 2016, com 34,7%, seguido do Ceará com 18,8%. No fator de capacidade, o Piauí teve o maior indicador (48,4%).

Para  2026, a previsão do Plano Decenal de Energia é que a capacidade instalada eólica brasileira chegue a 25,8 GW (inclusive geração distribuída), respondendo por 12,5% do total. A Região Nordeste (NE) deverá ficar com 90% da capacidade eólica total.

Considerando a geração  total de cada país,, a Dinamarca apresenta a maior participação de geração eólica, de 42,5%, seguida de Portugal (22,1%), e Espanha (18%).

Fonte: CERNE Press co informações do Ministério de Minas e Energia

Eólicas offshore: tão longe, tão perto

Já uma realidade em países da Europa e Ásia, fonte no Brasil esbarra em altos custos, na falta de regulação e no grande potencial em terra para se desenvolver

Por Pedro Aurélio Teixeira, da Agência Canal Energia

Consolidada no mercado brasileiro e se superando a cada divulgação de dados – o boletim de dados de julho da Associação Brasileira de Energia Eólica mostrava que a fonte chegava a 11,38 GW em 457 usinas, alcançando uma fatia de 7,4% da matriz elétrica brasileira – a fonte eólica no país continua seguindo uma trajetória ascendente. Mesmo com o cenário de sobrecontratação das distribuidoras e ainda sem um leilão de energia confirmado para 2017, as apostas para quando os certames voltarem são de que a fonte vai continuar a fazer bonito.

Mas os mais de 140 GW de potencial eólicos espalhados nas regiões Nordeste e Sul, tanto nas áreas próximas ao litoral quanto em localidades no interior como a chapada do Araripe, nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, fazem com que por enquanto fique adormecido por aqui uma outra categoria de fonte eólica: a offshore. Já uma realidade em alguns países da Europa, Ásia e até nos Estados Unidos, as usinas eólicas em alto mar vão seguindo uma rota de maturidade e entrada gradual em novos mercados. Na Europa, o uso massivo veio quando se esgotaram áreas no solo para instalação de novos empreendimentos, aliados a uma conjuntura do sistema e ao ímpeto da indústria offshore. De acordo com Odilon Camargo, da Camargo Schubert, como no Brasil a questão do espaço ainda não está saturada e o onshore vem se mostrando exitoso em todos os aspectos ao longo dos anos, explorar o potencial eólico do mar acaba não sendo uma prioridade. “Vejo sob a ótica do custo. O Brasil tem grandes extensões de terras desabitadas, tem ventos de muita constância, não tem salinidade. A onshore tem um custo de geração muito mais baixo que a offshore”, explica.

Capacidade acumulada em eólicas offshore cresceu de 12.167 MW em 2015 para 14.384 MW em 2016

Relatório do Global Wind Energy Council mostra que em 2016, 14 países já tinham usinas eólicas em alto mar. Somente no ano passado, foram instalados 2.219 MW em usinas offshore no mundo, que somaram um total de 14.384 MW de capacidade. O Reino Unido é o país com mais capacidade instalada, com 5.156 MW, cerca de 36% do total. A Alemanha vem em seguida, com 4.108 MW ou 29%, deixando a China na terceira posição, com 1.627 MW, representando 11%. Segundo o GWEC, em 2016, os Estados Unidos inauguraram seu primeiro parque eólico offshore, de 30 MW. 88% dos empreendimentos offshore no mundo estão concentrados em dez países da Europa. O Mar do Norte, região do Oceano Atlântico entre a Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Bélgica e França, concentra 72% da energia eólica offshore da Europa.

Outro dado do relatório que merece atenção é que em 2016 houve uma forte queda no preço. O movimento inicial veio na Holanda, em que os parques Borssele 1 e 2 foram viabilizados com preço de €72/MWh. Em novembro, o lance vencedor na eólica Krieger’s Flag, na Dinamarca, ficou em € 49,90/MWh. No fim do ano, em dezembro foi a vez de Borssele 3 e 4 terem lance vencedor de € 54,5/ MWh. “Agora temos a estranha situação em que, pelo menos por enquanto, em algumas circunstâncias, offshore é mais barato do que onshore!”, diz o relatório. Para o GWEC, o amadurecimento da indústria, da tecnologia e a confiança que os investidores vêm demonstrando nos projetos aliada a uma nova geração de aerogeradores causaram a queda brusca nos preços. Este ano, a Alemanha realizou um leilão de energia offshore sem subsídios.

Os últimos anos mostraram que entraram em operação no mundo mais de 10 GW no modo offshore. Em 2011, eram 4,1 GW. Para o GWEC, o futuro do offshore é promissor. A aposta está direcionada para o mercado asiático. Japão, Taiwan e Coréia do Sul, além da gigante China, devem fazer a diversificação global da fonte, começando a sair da Europa. No Japão, há um pipeline de 2.486 MW em diferentes estágios de desenvolvimento. No ano que vem, a eólica Yasuoka, de 60 MW, começa a ser construída.

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No Brasil, embora ainda não existam usinas offshore, não quer dizer que não esteja no radar dos agentes. Em 2011, Gustavo Ortiz e Milton Kampel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, produziram o estudo ‘Potencial de energia eólica offshore na margem do Brasil’. Ele parte de dados obtidos pelo satélite QuikSCAT entre agosto de 1999 e dezembro de 2009. Segundo o estudo, o potencial energético na Zona Econômica Exclusiva brasileira é cerca de 12 vezes maior que na área continental do país, chegando a 606 GW. O valor seria capaz de alavancar o desenvolvimento sustentável do Brasil em longo prazo. Considerado pelos próprios autores como um trabalho preliminar, ele aponta que três regiões se destacaram: as margens de Sergipe e Alagoas, do Rio Grande do Norte e Ceará e a do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Por lá, potencial de energia gerada em cada pixel variou entre 4,7 MW e 21,2 MW.

Para Odilon Camargo, o custo da medição offshore é considerado alto na comparação com a eólica tradicional. Ele requer cuidados com a maresia e necessita de mais manutenção que as torres de medição convencionais. Mesmo assim, o engenheiro reforça a necessidade de se fazer as medições. “Faz sentido dentro da ótica de olhar estrategicamente um futuro mais remoto, pensando em 10, 20 ou 30 anos”, revela Camargo, que também coloca a transmissão de energia como mais um desafio para as offshore.

Custo no onshore ainda é muito mais baixo que no offshore, avisa Odilon Camargo, da Camargo ShubertQuem também parece estar interessado nas eólicas offshore é a Petrobras. A estatal petrolífera brasileira, que já tem na cidade de Guamaré (RN) o complexo eólico Mangue Seco (104 MW), participa de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento no estado sobre o tema. Medições em alto mar também estariam sendo feitas nas suas plataformas para avaliação de potencial. O tema seria tratado com certo sigilo estratégico pela empresa. Procurada pela Agência CanalEnergia, até o fechamento da reportagem, a Petrobras não havia revelado mais detalhes sobre o projeto nem sobre as possíveis medições. A expertise na operação offshore para o petróleo e gás natural parece ser o elemento motivador da Petrobras nesse caso, o que poderia deixá-la em uma situação especial no mercado.

Essa ida das petroleiras para o mercado eólico offshore já começou na Europa. Players globais de óleo e gás como Statoil e Shell vem desenvolvendo parques eólicos offshore nos últimos anos. A anglo-holandesa Shell faz parte do consórcio que viabilizou Borssele, na Holanda, com o segundo preço mais baixo na história. Já a Norueguesa Statoil já atua na Noruega, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Em seu site, a italiana Eni diz que está analisando as eólicas offshore para tentar obter vantagens pela sinergia com a exploração de petróleo. Ela estuda projetos no Egito, Reino Unido e Cazaquistão.

A entrada no mercado eólico de players do óleo e gás, pelo volume de investimentos, não deve ser passageira e também pode ser vista com uma diversificação em direção às renováveis em detrimento do fóssil. Para Paulo Cunha, da FGV Energia, embora essa associação possa ser natural, a atratividade econômica ainda predomina. “Não é somente pela questão ambiental, mas pela opção de negócio”, aponta. Cunha considera como natural que empresas que exploram petróleo em alto mar queiram explorar também o vento. Ele é mais um a citar os custos da operação da offshore para inibir o seu crescimento, mas vê tendência de queda futura.

Atento a toda essa movimentação, Jean Paul Prates, presidente do Sindicato de Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte, quer antecipar uma discussão sobre as eólicas offshore no país. De acordo com ele, não faz sentido que o Brasil, por já ter a presença consolidada da indústria offshore, se abstenha de não pensar em eólicas offshore por ainda possuir elevadas reservas na terra. “Seria a mesma coisa que fazer isso com o petróleo, só começar a explorar no mar quando não tiver mais para produzir em terra” explica. Segundo ele, a desvantagem que a eólica offshore possui de ter uma operação & manutenção mais cara que a convencional, seria mitigada com a sinergia de atividades já exercidas pelo setor de óleo e gás.

Ele vai na linha dos pesquisadores do Inpe e coloca o mar do Rio Grande do Norte como local ideal para um projeto. Segundo Prates, a complexidade para a operação no mar europeu também seria maior que a da região potiguar, o que ocasionaria uma redução nos custos. A baixa profundidade do mar potiguar também seria outro fator que faria as usinas mais baratas. “Vamos nos surpreender muito com os custos do offshore brasileiro”, avisa Prates, que também é diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia.

Ele pede que já em 2018 seja discutido algum tipo de regulação para o tema, uma vez que atualmente não há regras estabelecidas. O mar é da União, a área precisa ser concedida. Para o presidente do Cerne, o modelo teria zoneamento marítimo e uma espécie de duas licitações, em que a primeira seria para arrematar a área onde ficaria o parque offshore e a outra seria um leilão de energia tradicional para viabilizar o projeto. Na primeira fase, seriam feitos os estudos, com a área pré-licenciada. O zoneamento marítimo impediria eventuais reclamações de municípios sobre impactos visuais das usinas.

Ainda que seja feita para agora ou somente quando houver interesse nesse tipo de geração de energia, a questão regulatória é vista como um dos desafios para que haja um ponto de partida mínimo. Milton Pinto, diretor de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do Cerne, esclarece que esse arcabouço terá uma concepção complexa e grande importância. “[a regulação] Ela não é óbvia”, frisa. Para ele, aspectos de outras atividades podem ser absorvidos nesse código, com as normas devendo sempre buscar a simplicidade e a transparência, de maneira a obter a confiança dos investidores. Ele quer também que a legislação de outros países seja avaliada, para verificar os erros e acertos.

Outros aspectos estruturais podem facilitar a entrada das eólicas offshore no país. Para o engenheiro de planejamento da geração da Copel João Marcos Lima, dos melhores potenciais no solo estão começando a se esgotar e parques com fator de capacidade acima de 45% ficarão mais raros. Ele, qe também tem doutorado em previsão de energia eólica pela UFPR, também vê problemas no licenciamento e um esgotamento na transmissão, que acabaria por direcionar os olhares para o potencial no mar.

Lima e Sérgio Augusto Costa, Diretor Executivo da VILCO Energias Renováveis e da EMD Brasil, definem que devem ser criados mecanismos para viabilizar a fonte eólica offshore no país. Com isso, ela se encaixaria em uma visão estratégica de longo prazo dentro do planejamento energético. Eles sugerem que a Empresa de Pesquisa Energética mapeie potenciais fora do ambiente terrestre, como é feito com os inventários dos grandes rios para hidrelétricas.

E o custo, que é considerado um dos vilões nas eólicas em alto mar, mostra sinais de queda. A Statoil revelou de 2012 a 2017 ter conseguido uma redução 30% nos custos dos seus projetos. A estatal norueguesa também vem investindo em tecnologias. Ela promete para esse ano o Hywind Pilot Park, em Aberdeenshire, na Escócia, que vai ser o primeiro parque fluvial flutuante do mundo. A tecnologia Hywind, para vento offshore flutuante, faz ela avançar mais em águas profundas. A turbina é colocada em cima de um cilindro de aço e fixada ao fundo do mar por três linhas amarradas. Segundo a Statoil, testes feitos no mar do Norte durante oito anos mostraram a eficácia da tecnologia.

Desde a primeira unidade testada, houve queda nos custos entre 60% e 70%. A expetativa é que até 2030, a redução deve continuar em até 50%, ficando mais competitiva ainda. O parque na Escócia vai ter 30 MW de potência. Os outros projetos da Statoil no Reino Unido são Sheringham Shoal, em operação desde 2011 e localizado na costa de Norfolk, com potência de 316,8 MW e Dudgeon, com potência de 402 MW, com entrada em operação prevista para esse ano. Na Alemanha, o parque offshore é o Arkona, de 385 MW. Com investimentos de €1,2 bilhão, vai gerar energia para 400 mil residências. A Statoil tem ainda Dogger Bank Zone, no Reino Unido. A área recebeu autorização para capacidade de 4,8 GW e caso tenha todo o seu potencial desenvolvido, deverá ser o maior complexo eólica offshore do mundo.

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No mapa mundi de oportunidades em eólicas no mar da Statoil, a costa brasileira aparece como ‘projetos potenciais a longo prazo’. Ela está ao lado da costa australiana, da sul-africana e da indiana

A rejeição inicial ao offshore é considerada normal pela dupla Lima e Costa, uma vez que mesmo a fonte eólica enfrentou resistência por parte de agentes no início da sua consolidação. “É natural o receio do desconhecido, mas aos poucos o assunto está sendo incorporado nas discussões de congressos e seminários”, avisam. Para Milton Pinto, por todos os entraves e desafios atuais, não é possível prever em quanto tempo o onshore pode se viabilizar no país, mas ele espera que seja antes do esgotamento do potencial em terra. Jean Paul Prates vai na mesma linha e quer as duas categorias de eólicas se viabilizando ao mesmo tempo. Ele lembra que o petróleo da camada pré-sal está sendo extraído ao mesmo tempo que o offshore tradicional e que hoje já responde por parcela significativa da produção da Petrobras. “O Brasil não pode ficar se dando ao luxo de ficar esgotando uma fonte para partir para outra”, conclui.

Segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar será lançado em julho

O Brasil tem grande potencial de geração de energia solar não explorado no chamado Cinturão Solar, área que vai do Nordeste ao Pantanal, incluindo o norte de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte e o nordeste de São Paulo. É o que indica a segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que será lançado em julho.

A nova edição utilizou informações levantadas durante 17 anos. Os dados informam a quantidade e a disponibilidade da radiação solar, e a variação de potência dos raios, como os fatores climáticos – notadamente a presença de nuvens – que influenciam a disponibilidade e a influência da topografia para a incidência dos feixes de luz solar.

A primeira versão do Atlas, produzida pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em 2006, com dados compilados ao longo de dez anos, já apontava esse potencial de expansão. Agora, a quantidade de material obtido por meio de satélites permitiu uma análise mais profunda sobre a real capacidade do País.

Segundo o coordenador dos estudos, Enio Pereira, o Atlas contribuirá para a tomada de decisões estratégicas nas políticas públicas do setor de energia elétrica, além de investimentos privados e outros estudos. “Para você usar qualquer forma de energia, tem de conhecer a disponibilidade dela”, explica o físico, que atua no Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe.

Atualmente, a participação da fonte solar na matriz energética brasileira representa apenas 0,02% do total produzido no País. “O potencial para gerar energia solar no Brasil é gigantesco, especialmente no Cinturão Solar. Toda essa área tem um potencial enorme de geração, porque tem incidência de muita luz solar e durante um longo período, especialmente entre maio e setembro, que é uma época de seca na maior parte desse território”, afirma o físico.

Entraves

Um dos desafios encontrados pelo setor é conseguir manter a produção diante das variabilidades das condições atmosféricas, como em dias chuvosos ou com alta nebulosidade. Esse é considerado um entrave-chave para a expansão da produção solar, especialmente na comparação com a fonte hidrelétrica.

“A hidrelétrica, tendo água, você consegue programar de forma constante a sua produção. Na solar, você não tem controle de quanto vai gerar porque tem uma nuvem passando. É uma energia que varia muito com o tempo. Essa é uma questão que deve ser resolvida”, diz Enio Pereira.

A alternativa apontada pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar para resolver esse problema é distribuir a produção. Assim, é possível manter o volume de geração, mesmo que determinada área não tenha condições de gerar energia. Ele alerta, porém, que ainda há um longo caminho a ser trilhado para garantir uma técnica eficiente de produção.

Para produzir o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o Inpe contou com a participação de pesquisadores de várias instituições brasileiras, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Serão produzidas 1.500 cópias do estudo, que serão distribuídas para instituições do setor.

Fonte: MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

CERNE e Consulado Geral dos EUA discutem novas parcerias

À convite do Consulado Geral dos Estados Unidos em Recife, o Diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, esteve presente na festa de 4 de julho, celebração da data nacional estadunidense. O evento marcou a despedida de Richard Reiter que ocupava o cargo de Cônsul Geral e a chegada do sucessor dele, John Barrett.

Jean-Paul Prates e o novo Consul Geral dos EUA para o Nordeste, John Barrett. (Foto: CERNE Press)

Jean-Paul Prates e o novo Consul Geral dos EUA para o Nordeste, John Barrett. (Foto: CERNE Press)

Na ocasião, Prates e Barrett conversaram sobre as conquistas da região Nordeste no campo das energias renováveis, sobre potenciais oportunidades para investimentos em infraestrutura, petróleo, mineração e energia no Rio Grande do Norte e no Ceará e a parceria entre o Consulado e o CERNE para o evento All About Energy 2017.

O novo Cônsul também se interessou pela história da presença dos americanos em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial. “Contei que havia muito material histórico precioso preservado por pessoas abnegadas a quem falta apoio para reunir todo o acervo em um local bem montado, seguro e, ao mesmo tempo, acessível ao público, uma empreitada em que talvez pudéssemos reunir esforços dos dois países para tirar do papel”, explicou Prates.

Há mais de cinco anos, o CERNE já trabalha em cooperação com o Consulado Americano de Recife, entre outras representações diplomáticas interessadas no Nordeste Setentrional brasileiro. Além de trocar informações setoriais e intercambiar consultores e palestrantes, as entidades desenvolvem ações conjuntas de interesse das empresas mantenedoras nas regiões de atuação.

John Barrett trabalhou de Washington D.C., onde serviu como oficial sênior. A história com o Brasil, no entanto, começou em 2008, quando ele atuou na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Fonte: CERNE Press

Energia limpa: América Latina se destaca na liderança global

Confira a matéria especial da Bloomberg sobre o crescimento da energia renovável na América Latina, em especial no Brasil. O conteúdo original (em inglês) está disponível aqui.

A Costa Rica, que tem cinco milhões de habitantes e nenhum exército, não é exatamente uma potência. Nos últimos tempos, no entanto, este país da América Central, que tem as dimensões da Dinamarca, tem atraído a atenção para uma virtude menos óbvia: tem a matriz elétrica mais limpa do hemisfério. Em 2016, mais de 98% da eletricidade do país veio da fonte  hídrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica (gerada a partir de vulcões). Foi o segundo ano consecutivo em que a maior parte da energia do país veio de fontes renováveis.

Costa Rica não é exceção. Desde os ventos que varrem o deserto Atacama até o escaldante Nordeste do Brasil, a energia limpa está na agenda. Apesar do progresso lento das reformas do mercado de energia no México, a crise de crédito no Brasil e os gargalos de infraestrutura no Chile, outros países foram afetados pela falta de investimentos, que no ano passado diminuíram 30% se comparado a 2015, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Países da América Latina e do Caribe tornaram-se pioneiros da energia de baixa emissão de carbono. Mais de um quarto da energia primária na região agora vem de fontes renováveis, mais que o dobro da média global.

O aumento do uso de energias renováveis pode representar uma dupla vitória para a América Latina, trazendo um sistema elétrico mais limpo e inteligente. A energia de baixo carbono, que os governantes negligenciaram durante muito tempo em nome dos poços de petróleo e a construção de grandes hidrelétricas (que é uma fonte renovável, mas não “verde”), recebeu poucos incentivos além de possuir uma estrutura regulatória muitas vezes incompleta. Consequentemente, a energia limpa teve de competir para sobreviver a um modelo de negócio difícil, que também é uma vantagem em uma região onde o nacionalismo de recursos tornou-se vítima de nepotismo, desperdício e falta de transparência.

Basta olhar para a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira que se tornou grande vítima da corrupção generalizada. A energia limpa não é imune à corrupção: basta lembrar dos “senhores do vento” da Itália, que intervieram em licitações públicas para grandes contratos. Mas o mercado renovável na América Latina é muito aberto: não há Solarbras ou Vientomex que dificultem a concorrência. Entre 2010 e 2016, mais de 40% do investimento aberto em iniciativas locais de energia limpa vieram de fora.  O Brasil aderiu com apenas US $ 53.000 milhões em seu mercado. Isso faz com que a energia limpa na América Latina seja um dos mercados mais amigáveis do mundo para o capital internacional, segundo informou a BNEF em março.

Mas há muito para ser amigável. O sol brilha desde a Cordilheira Andes até as margens do Atlântico, enquanto a Patagônia é um parque eólico natural. Parte desse potencial já tem sido aproveitado. Desde o início dos anos 70, regimes políticos ambiciosos transformaram seus países em potências mundiais e ergueram grandes hidrelétricas que, juntos, fornecem dois terços da eletricidade na região. O Brasil foi um dos primeiros a adotar o biocombustível. Desde a década de 1970, o etanol de combustão limpa substituiu 2.400 milhões de barris de petróleo (cerca da produção anual do Brasil) e tem mantido a atmosfera livre de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono, disse o especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

Como em outras regiões, no entanto, o entusiasmo da América Latina para as energias renováveis diminuiu. Afinal, há décadas as plataformas de perfuração foram o monumento à soberania e o petróleo era o elixir de governos populistas que iam desde o mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940), que forçou seus compatriotas a penhorar jóias e gado para pagar a empresa de petróleo nacional, até o venezuelano Hugo Chávez, que transformou a empresa estatal de petróleo PDVSA  em uma caixa registradora do socialismo bolivariano. A descoberta do “pré-sal” brasileiro sob a plataforma continental – considerado um “bilhete de loteria premiado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – prolongou o reinado do petróleo.

O Brasil nunca desistiu de energia hidrelétrica, mas a dependência do petróleo, especialmente quando os preços caíram, manchou a rede elétrica do país. Em 2012, apenas 6% da eletricidade gerada era proveniente de usinas térmicas. Mas em 2014, o Brasil teve quase um quarto de sua eletricidade produzida a partir de usinas térmicas a gás, carvão ou diesel, que emitem carbono. “A rede elétrica no Brasil é carbonizada”, disse Goldemberg. Erros na política fiscal agravaram a situação. Ao limitar artificialmente os preços da gasolina no início desta década para conter a inflação, o governo brasileiro subestimou a competitividade do etanol combustível, forçando dezenas de destilarias a fechar suas portas.

Ultimamente, no entanto, os formuladores de políticas estão à procura de alternativas. A queda do petróleo fez com que países como Equador, Venezuela e México permanecessem sem exportações de produtos. Além disso, cresce o consenso de que a menos que se ponha freio às emissões de carbono que aquecem o planeta, a América Latina vai pagar caro.

A adversidade e a resistência política também ajudaram a incentivar a inovação e o investimento em energia limpa. Sob a pressão de protestos e reivindicações, os governos têm procurado reduzir a quantidade de energia gerada por hidrelétricas, cujas enormes barragens provocaram o deslocamento de populações e o aumento das emissões de carbono, advindo da decomposição de florestas inundadas. Em toda a região, outras formas de energia com baixa emissão de carbono estão ganhando força. Entre 2006 e 2015, a capacidade renovável não-hídrica mais que triplicou na América Latina, concluiu BNEF.

O desenvolvimento tecnológico também fez com que o uso do vento, das ondas e do sol deixassem de ser um sonho exorbitante e passassem a se tornar uma opção viável e competitiva. Em um momento em que caem os preços para produzir eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos, quatro países latino-americanos estavam entre os oito primeiros no índice de emissão de baixo carbono “Climate Scope” da Bloomberg, composto por 58 países.

Não que a energia renovável é livre de obstáculos. Para começar, há a inconstância inerente do vento e do sol, que tornam a fonte de energia instável e a maior preocupação dos investidores em relação ao risco. Outro grande obstáculo é a falta de linhas de transmissão, que não acompanharam o fornecimento de projetos eólicos e solares, deixando algumas novas plantas ociosas, informou a Bloomberg News. Não é um beco sem saída, mas são as dores do crescimento no que uma autoridade líder energia verde chamou de “alguns dos mercados de energia renovável mais dinâmicos do mundo.”

Entre os players vencedores figura o bilionário Mario Araripe, que construiu sua fortuna com a energia eólica. E, no entanto, enquanto investidores e alguns visionários se destacaram, os governantes estão abrindo caminho. Há uma década, nenhuma eletricidade vinda dos fortes ventos que sopram no nordeste do país alimentava o Rio Grande do Norte, um pequeno estado brasileiro do tamanho da República Dominicana. Graças a uma política inovadora, novas tecnologias, e os empréstimos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), 85% da rede elétrica do estado é agora alimentado por cerca de 1.000 turbinas eólicas, muitos deles fabricados no Brasil, disse o ex-secretário de energia do estado, Jean-Paul Prates.

Prates, que preside o CERNE – think-tank de energia renovável – disse que atualmente a energia eólica brasileira compete em leilões públicos de energia juntamente com a eletricidade gerada por carvão, nuclear, gás natural e até mesmo energia hidrelétrica em pequena escala.

Os historiadores nos dizem que o Brasil foi descoberto graças aos navegantes portugueses que fugiram da inércia das marés da África, que dirigiram para o oeste e então apanharam as correntes marítimas das Américas e encontraram essa parte do Novo Mundo “, disse Prates. Meio milênio depois, uma redescoberta nascida no vento acaba de começar.

Fonte: Bloomberg View | Mac Margolis

Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo

O Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo em 2016, com 876 mil empregos, ficando atrás apenas da China, com 3,6 milhões de empregos, de acordo com dados do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês). Ainda de acordo com o documento, as energias renováveis empregavam, ao todo, mais de 9,8 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016. Tirando as grandes hidrelétricas, este número é de 8,3 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a maioria dos empregos em energia renovável é encontrada nos biocombustíveis líquidos. Apesar de a produção de etanol ter aumentado cerca de 8% em 2015, os empregos no setor diminuíram 10%.  Cerca de 30 mil empregos foram perdidos na colheita de cana-de-açúcar e 15 mil postos de trabalho foram  perdidos no processamento de etanol devido à mecanização, principalmente no estado de São Paulo, o maior produtor de etanol do Brasil.

Já a produção brasileira de biodiesel caiu, segundo o relatório, indo para 3,8 bilhões de litros em 2016. A expansão da indústria eólica do Brasil também diminuiu em 2016 em relação ao ano anterior, com o número de empregos indo de 41 mil em 2015 para 32,4 mil em 2016.

No mundo

A energia solar gerou a maior parte dos empregos no mundo no ano passado, com 3,1 milhões, um crescimento de 12% em relação a 2015. O crescimento veio principalmente da China, Estados Unidos e Índia, enquanto o emprego no setor diminuiu pela primeira vez no Japão e continuou a cair na União Européia. Novas instalações de energia eólica nos Estados Unidos, Alemanha, Índia e Brasil, entretanto, contribuíram para o aumento do emprego eólico global em 7%, para chegar a 1,2 milhões de empregos.

Os biocombustíveis líquidos, com 1,7 milhões de postos de trabalho, a biomassa, com 700 mil postos e biogás, com 300 mil empregos, também foram importantes empregadores, com postos de trabalho concentrados no fornecimento de matéria-prima. Brasil, China, Estados Unidos e Índia foram considerados mercados-chave de bioenergia.

As grandes hidrelétricas empregavam 1,5 milhões de pessoas, em empregos diretos, com cerca de 60% daqueles em operação e manutenção. Os principais mercados de trabalho foram observados na China, na Índia, no Brasil, Na Rússia e no Vietnã.

Fonte: Brasil Energia | Marco Sardenberg

Brasil: Geração eólica aumentou 51,7% em 2016

O Brasil registrou um aumento de 51,7% de geração de energia proveniente da fonte eólica de janeiro a dezembro de 2016 em comparação ao mesmo período registrado em 2015, segundo dados levantados pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

No ano passado, a fonte eólica gerou 44.353 MW médios e em 2015 esse número foi de apenas 29.238 MW médios.

O aumento da geração de energia eólica e o crescimento da participação da fonte na matriz energética contribuíram para a saída da bandeira vermelha cobrada na conta de energia no ano passado e a menor necessidade de produção de energia térmica, considerada mais cara pelo alto custo associado.

O gráfico abaixo mostra a evolução da geração de energia no Brasil por tipos de fonte – hidráulicas, pequenas centrais hidrelétricas (PCH), térmicas e eólicas – entre os anos de 2013 e 2016.

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Brasil sobe em ranking mundial          

O Global Wind Energy Council (GWEC) divulgou na sexta-feira, 10 de fevereiro, “Global Wind Statistics 2016”, relatório anual com estatísticas mundiais sobre energia eólica. O destaque do documento é para o ranking mundial de capacidade instalada: o Brasil subiu uma posição e aparece em 9º lugar com 10,740MW, ultrapassando a Itália. O gráfico abaixo mostra o ranking das principais nações geradoras de energia eólica:

No ranking de nova capacidade instalada no ano, o Brasil está em quinto lugar, tendo instalado 2GW de nova capacidade em 2016. Nesta categoria, o Brasil caiu uma posição, sendo ultrapassado pela Índia, que instalou 3,6 GW de nova capacidade no ano passado.

Foto: CERNE Press

Brasil é líder no mercado eólico latino americano

O Brasil é líder no mercado eólico latino americano com mais de 2 GW em capacidade nova adicionada, representando 71% do total acumulado e 65% das novas instalações de 2016. Os números foram divulgados pelo Global Wind Energy Council (GWEC) na sexta-feira (10).  O GWEC destacou que mesmo em meio a uma crise econômica e política, o país atingiu um bom desempenho alcançando 10,7 GW instalados.

O mercado global de energia eólica ultrapassou a marca de 54 GW de capacidade nova instalada em 2016.Agora, o mundo conta com uma capacidade instalada total de algo próximo a 487 GW. A China continua na liderança, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha e Índia.

A expansão na China somou 23,3 GW no ano passado, representando 42,7% do total mundial. Já no segundo colocado do ranking, os Estados Unidos, somaram 8,2 GW em nova capacidade em 2016, o que elevou sua potência instalada a 82 GW. Há ainda cerca de 18 GW em construção ou em estágio avançado de desenvolvimento.

No grupo de 10 maiores países com energia eólica instalada ao final de 2016 o ranking conta com China com 168,7 GW e 34,7% do total mundial, seguido pelos Estados Unidos com 82,18 GW e 16,9% da capacidade global. Em terceiro aparece a Alemanha com 50 GW e 10,3%. Em seguida vem Índia, Espanha, Reino Unido, França, Canadá, Brasil e Itália.

Fonte: CERNE Press

Brasil sobe posição no ranking mundial de capacidade eólica instalada

O Global Wind Energy Council (GWEC) divulgou no início de fevereiro “Global Wind Statistics 2016”, relatório com estatísticas mundiais sobre energia eólica. O destaque é para o ranking mundial de capacidade instalada: O Brasil subiu para a nona colocação com 10,740MW, ultrapassando a Itália.

Foto: Gwec

Foto: Gwec

O relatório completo está disponível para consulta, clique aqui para visualiza-lo.

Fonte: CERNE Press

Dez fatos sobre energia eólica brasileira que você talvez não saiba

  1. O Brasil tem um dos melhores ventos do mundo

Para entender essa afirmação, antes você precisa saber o que é fator de capacidade. Pois bem! Fator de capacidade é a medida de eficiência dos aerogeradores de um parque eólico com base na qualidade dos ventos de uma região, ou seja, quanto foi gerado por um aerogerador. Quando falamos, por exemplo, de um fator de capacidade de 30%, estamos falando, de maneira simplificada, que os ventos da região têm aproveitamento moderado e geram energia em 30% do tempo na média. O tipo do aerogerador também influencia. No que se refere à qualidade do vento, os melhores para energia eólica são os constantes, sem grandes alterações de velocidade ou direção. No caso do Brasil, temos ótimos ventos e de boa qualidade, principalmente na região Nordeste, fazendo com que nosso fator de capacidade seja superior a 50%, enquanto a média mundial varia de 20% a 25%.

  1. Há dias em que pelo menos a metade da energia do Nordeste vem das eólicas

O nordeste brasileiro tem batido recordes atrás de recordes, especialmente no que chamamos de “safra” do vento, que é o período do ano em que mais venta. Em 05 de Novembro de 2016, por exemplo, a energia eólica bateu seu recorde diário na região com 5.077 megawatts médios (MWmed). Isso significa que, naquele dia, 52% da energia consumida no Nordeste veio de eólicas. Lembra que falamos de fator de capacidade acima? Então, neste dia o fator de capacidade do Nordeste foi de 70%, que é algo surpreendente. Realmente temos ventos excepcionais no nordeste brasileiro!

  1. A geração de energia eólica não emite CO2.

Se fizermos uma conta do que a energia eólica evita de emissões de gases de efeito estufa, podemos dizer que, em um ano, evitou-se a emissão de CO2 equivalente à quantidade produzida por praticamente toda a frota da cidade de São Paulo (8 milhões de veículos). Isso porque a fonte eólica tem emissão de CO2 igual a zero em sua operação e ao gerar esse tipo de energia evita-se a geração de outra, que poderia ser poluente.

  1. Não é só no Nordeste que estão os parques eólicos

Quando a gente pensa em energia eólica no Brasil já lembra logo do Nordeste. E isso porque é realmente lá que está a maioria do que temos de energia eólica. Dos 430 parques eólicos atuais, 342 estão no Nordeste. Bom, mas é preciso saber também que o estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, é um produtor extremamente importante dos estados brasileiros, com 72 parques instalados. No ranking de capacidade instalada, o Rio Grande do Sul é o quarto colocado com 1,7 GW, os três primeiros são Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará com 3,4 GW, 1,9 GW e 1,8 GW, respectivamente. No Brasil, tem vento bom de norte a sul!

  1. A eólica também faz bem para o bolso

Nos leilões recentes, a energia eólica se consagrou como a segunda fonte mais barata. A primeira é a energia das grandes hidrelétricas. Se considerarmos que não há mais condições para que o Brasil invista em grandes hidrelétricas, especialmente por questões ambientais, podemos considerar que a eólica é hoje no Brasil a opção mais barata de contratação. Bom para o meio ambiente e para o bolso do consumidor!

  1. As torres de geração de energia eólica convivem com outras atividades agrícolas e animais

É bem comum a cena: uma torre eólica em funcionamento e, logo ao lado, vacas pastando, cavalos ou então uma plantação. Isso é possível porque as torres, depois de instaladas, ocupam pouco espaço de solo e os donos da terra podem seguir adiante com seu cultivo ou criação de animais. Isso é, aliás, um dos grandes benefícios da energia eólica: um baixíssimo impacto ambiental.

  1. Torres eólicas têm grande complexidade tecnológica

Podemos considerar que construir um parque eólico é rápido, comparando, por exemplo, com o tempo que se leva para construir uma hidrelétrica. A rapidez, no entanto, não significa que é algo simples! Uma torre eólica tem grande complexidade tecnológica, centenas de componentes e grandes dificuldades de transporte pelo tamanho das pás e aerogeradores. A cadeia produtiva do setor inclui desde fornecedores de pequenos componentes até as empresas especializadas que fabricam os aerogeradores e as pás. No youtube é possível encontrar um monte de vídeos mostrando como as torres são por dentro, como é o processo de construção de um parque eólica, a engenharia envolvida para colocar as pás, etc… É um prato cheio para quem gosta de tecnologia e engenharia!

  1. O Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

De acordo com o GWEC – Global Wind Energy Council, o Brasil foi o quarto país em crescimento de energia eólica no mundo em 2015, considerando os números de capacidade instalada, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha e representando 4,3% do total de nova capacidade instalada no ano no mundo todo. Em percentual, foi o País que mais cresceu no mundo. Se quiser mais informações, veja aqui o relatório “Global Wind Report 2015” do GWEC: http://bit.ly/23ZHypq. Ah, o de 2016 ainda não foi fechado, mas já se estima que a fonte eólica deve subir mais uma posição no ranking mundial de parques eólicos acumulados, onde o Brasil foi colocado em décimo, em 2015. Isso mesmo, estamos no TOP 10 mundial de energia eólica!

Um outro documento que atesta a boa colocação brasileira é o “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2015”, divulgado pelo MME – Ministério de Minas e Energia em agosto de 2016. O boletim mostra que o Brasil subiu sete posições, nos últimos dois anos, ocupando hoje o oitavo lugar em geração, representando cerca de 3% de toda produção eólica mundial.

Uma coisa importante: os dados do GWEC se referem ao que está instalado (potência), enquanto o boletim do MME mostra dados do que é gerado em relação ao que está instalado. Ou seja: não importa se estamos falando de capacidade instalada ou de energia gerada, o fato é que o Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

  1. A cadeia produtiva da energia eólica está no Brasil e gera empregos aqui

Se a energia eólica brasileira tem obtido tanto sucesso nos últimos anos não é só porque temos um dos melhores ventos do mundo. Afinal de contas, de que adiantaria isso se não soubessemos explorar esse potencial, não é mesmo? Houve, nos últimos anos, um forte investimento de empresas que construíram uma cadeia produtiva nacional de alta tecnologia e eficiência. Os grandes fabricantes de aerogeradores, pás, torres e grandes componentes estão instalados no Brasil, produzindo e contratando aqui. Além disso, dezenas de empresas brasileiras foram criadas ou passaram a se dedicar para oferecer componentes para a cadeia produtiva. Pelo menos 80% dos componentes de uma torre eólica são feitos no Brasil, incluindo aerogeradores, pás eólicas, naceles, torres. Só em 2016, foram gerados 30 mil postos de trabalho na cadeia eólica.

  1. A energia eólica vai ajudar o Brasil a cumprir o Acordo do Clima

O Brasil possui uma matriz elétrica bastante renovável, mas ainda pode aumentar o seu percentual em energia limpa. No passado, as grandes hidrelétricas sempre foram a opção número 1 para geração e até hoje são mais da metade da matriz. O que acontece é que, especialmente por questões ambientais, já não há mais espaço para o desenvolvimento de projetos de grandes hidrelétricas no Brasil. E, neste cenário, a eólica surge como a opção chave para expandir o papel das renováveis na matriz elétrica porque é uma opção barata, de baixíssimo impacto e de rápida implantação, com zero emissão de CO2 na geração e com uma cadeia produtiva nacionalizada e pronta para produzir os componentes com eficiência e competitividade. Hoje, a eólica representa 7% da matriz. Para 2020, deve chegar a 12% e até 2030 estima-se que ocupe de 20 a 25% da matriz. E isso vai ajudar muito o Brasil a cumprir com suas metas de redução da emissão de CO2, por exemplo.

Fonte: Abeeólica

CERNE participa do workshop Brasil-Israel sobre desenvolvimento do semiárido

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) participou nesta segunda-feira (21) do primeiro workshop internacional “Biward: Brazil – Israel Agriculture and Water Research and Development” realizado em Natal. O evento é uma parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com Universidade Ben Gurion de Israel.

Especialistas das áreas de água, bioenergia e agricultura em áreas desérticas participaram do workshop para trocar experiências e conhecimentos, uma vez que a região Nordeste do Brasil e algumas localidades em Israel lidam com desafios parecidos: vastas regiões áridas, pouco investimento em tecnologia e baixo índice de desenvolvimento humano.

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira, participou da mesa “Semi-arid Sustainable development” e falou sobre os projetos desenvolvidos pela entidade na região semiárida do Rio Grande do Norte e Nordeste,  e as possibilidades de interface entre a instituição e a universidade israelense.

Fonte: CERNE Press