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Enel investirá quase R$ 7 bilhões no Brasil entre 2018 e 2020

Empresa italiana já ocupa posição de destaque no país

A empresa italiana de energia Enel apresentou seu plano estratégico para o triênio 2018-2020, que prevê 1,8 bilhão de euros (R$ 6,85 bilhões, segundo a cotação atual) em investimentos no Brasil.

O grupo ocupa uma posição de destaque no mercado brasileiro, onde é líder no setor de energia eólica e possui diversas usinas solares, além de concessões de hidrelétricas. A última delas, a de Volta Grande (MG), foi conquistada no leilão promovido pelo governo de Michel Temer em setembro passado.

Apesar disso, a Enel deve reduzir seus investimentos na América do Sul em 26% entre 2018 e 2020. Segundo seu plano estratégico, 80% dos aportes da empresa no próximo triênio serão dedicados aos “mercados maduros”, contra 60% dos três anos precedentes, com uma “consequente redução do perfil de risco”.

Desse modo, a companhia aumentará seus investimentos na Itália em 23%, nas Américas do Norte e Central, em 40%, e na Península Ibérica, em 35%. Essa expansão será guiada pelo crescimento das fontes renováveis nessas regiões e pelas redes de energia.

Além disso, a Enel prevê vender 3,2 bilhões de euros em ativos entre 2018 e 2020, principalmente plantas termoelétricas – mais poluentes – e saindo de países “não-estratégicos”. Por outro lado, a empresa investirá 2,3 bilhões de euros na compra de participações minoritárias, com destaque para negócios na América do Sul.

O grupo italiano também enxerga “muitas oportunidades” no setor de fibra ótica no subcontinente.

Fonte: Época Negócios

Brasil alcança o 7º lugar no ranking mundial de geração eólica

O Brasil subiu mais uma posição e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Em termos de expansão de potência, o País mantém o quinto lugar, com 2,5 GW em 2016.  Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016” produzido pelo Ministério e Minas e Energia (MME).

A situação favorável da fonte eólica brasileira também é destaque no fator de capacidade (FC). De 2000 para 2016 o Brasil passou de um FC médio de 20% para 41,6%.  No mundo, esses indicadores foram de 22% e 24,7%, respectivamente. Observa-se que de um FC abaixo do mundial em 2000, o Brasil evoluiu para um indicador 68% superior.

Dentre os estados brasileiros, o Rio Grande do Norte apresentou a maior proporção na geração eólica em 2016, com 34,7%, seguido do Ceará com 18,8%. No fator de capacidade, o Piauí teve o maior indicador (48,4%).

Para  2026, a previsão do Plano Decenal de Energia é que a capacidade instalada eólica brasileira chegue a 25,8 GW (inclusive geração distribuída), respondendo por 12,5% do total. A Região Nordeste (NE) deverá ficar com 90% da capacidade eólica total.

Considerando a geração  total de cada país,, a Dinamarca apresenta a maior participação de geração eólica, de 42,5%, seguida de Portugal (22,1%), e Espanha (18%).

Fonte: CERNE Press co informações do Ministério de Minas e Energia

Eólicas offshore: tão longe, tão perto

Já uma realidade em países da Europa e Ásia, fonte no Brasil esbarra em altos custos, na falta de regulação e no grande potencial em terra para se desenvolver

Por Pedro Aurélio Teixeira, da Agência Canal Energia

Consolidada no mercado brasileiro e se superando a cada divulgação de dados – o boletim de dados de julho da Associação Brasileira de Energia Eólica mostrava que a fonte chegava a 11,38 GW em 457 usinas, alcançando uma fatia de 7,4% da matriz elétrica brasileira – a fonte eólica no país continua seguindo uma trajetória ascendente. Mesmo com o cenário de sobrecontratação das distribuidoras e ainda sem um leilão de energia confirmado para 2017, as apostas para quando os certames voltarem são de que a fonte vai continuar a fazer bonito.

Mas os mais de 140 GW de potencial eólicos espalhados nas regiões Nordeste e Sul, tanto nas áreas próximas ao litoral quanto em localidades no interior como a chapada do Araripe, nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, fazem com que por enquanto fique adormecido por aqui uma outra categoria de fonte eólica: a offshore. Já uma realidade em alguns países da Europa, Ásia e até nos Estados Unidos, as usinas eólicas em alto mar vão seguindo uma rota de maturidade e entrada gradual em novos mercados. Na Europa, o uso massivo veio quando se esgotaram áreas no solo para instalação de novos empreendimentos, aliados a uma conjuntura do sistema e ao ímpeto da indústria offshore. De acordo com Odilon Camargo, da Camargo Schubert, como no Brasil a questão do espaço ainda não está saturada e o onshore vem se mostrando exitoso em todos os aspectos ao longo dos anos, explorar o potencial eólico do mar acaba não sendo uma prioridade. “Vejo sob a ótica do custo. O Brasil tem grandes extensões de terras desabitadas, tem ventos de muita constância, não tem salinidade. A onshore tem um custo de geração muito mais baixo que a offshore”, explica.

Capacidade acumulada em eólicas offshore cresceu de 12.167 MW em 2015 para 14.384 MW em 2016

Relatório do Global Wind Energy Council mostra que em 2016, 14 países já tinham usinas eólicas em alto mar. Somente no ano passado, foram instalados 2.219 MW em usinas offshore no mundo, que somaram um total de 14.384 MW de capacidade. O Reino Unido é o país com mais capacidade instalada, com 5.156 MW, cerca de 36% do total. A Alemanha vem em seguida, com 4.108 MW ou 29%, deixando a China na terceira posição, com 1.627 MW, representando 11%. Segundo o GWEC, em 2016, os Estados Unidos inauguraram seu primeiro parque eólico offshore, de 30 MW. 88% dos empreendimentos offshore no mundo estão concentrados em dez países da Europa. O Mar do Norte, região do Oceano Atlântico entre a Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Bélgica e França, concentra 72% da energia eólica offshore da Europa.

Outro dado do relatório que merece atenção é que em 2016 houve uma forte queda no preço. O movimento inicial veio na Holanda, em que os parques Borssele 1 e 2 foram viabilizados com preço de €72/MWh. Em novembro, o lance vencedor na eólica Krieger’s Flag, na Dinamarca, ficou em € 49,90/MWh. No fim do ano, em dezembro foi a vez de Borssele 3 e 4 terem lance vencedor de € 54,5/ MWh. “Agora temos a estranha situação em que, pelo menos por enquanto, em algumas circunstâncias, offshore é mais barato do que onshore!”, diz o relatório. Para o GWEC, o amadurecimento da indústria, da tecnologia e a confiança que os investidores vêm demonstrando nos projetos aliada a uma nova geração de aerogeradores causaram a queda brusca nos preços. Este ano, a Alemanha realizou um leilão de energia offshore sem subsídios.

Os últimos anos mostraram que entraram em operação no mundo mais de 10 GW no modo offshore. Em 2011, eram 4,1 GW. Para o GWEC, o futuro do offshore é promissor. A aposta está direcionada para o mercado asiático. Japão, Taiwan e Coréia do Sul, além da gigante China, devem fazer a diversificação global da fonte, começando a sair da Europa. No Japão, há um pipeline de 2.486 MW em diferentes estágios de desenvolvimento. No ano que vem, a eólica Yasuoka, de 60 MW, começa a ser construída.

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No Brasil, embora ainda não existam usinas offshore, não quer dizer que não esteja no radar dos agentes. Em 2011, Gustavo Ortiz e Milton Kampel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, produziram o estudo ‘Potencial de energia eólica offshore na margem do Brasil’. Ele parte de dados obtidos pelo satélite QuikSCAT entre agosto de 1999 e dezembro de 2009. Segundo o estudo, o potencial energético na Zona Econômica Exclusiva brasileira é cerca de 12 vezes maior que na área continental do país, chegando a 606 GW. O valor seria capaz de alavancar o desenvolvimento sustentável do Brasil em longo prazo. Considerado pelos próprios autores como um trabalho preliminar, ele aponta que três regiões se destacaram: as margens de Sergipe e Alagoas, do Rio Grande do Norte e Ceará e a do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Por lá, potencial de energia gerada em cada pixel variou entre 4,7 MW e 21,2 MW.

Para Odilon Camargo, o custo da medição offshore é considerado alto na comparação com a eólica tradicional. Ele requer cuidados com a maresia e necessita de mais manutenção que as torres de medição convencionais. Mesmo assim, o engenheiro reforça a necessidade de se fazer as medições. “Faz sentido dentro da ótica de olhar estrategicamente um futuro mais remoto, pensando em 10, 20 ou 30 anos”, revela Camargo, que também coloca a transmissão de energia como mais um desafio para as offshore.

Custo no onshore ainda é muito mais baixo que no offshore, avisa Odilon Camargo, da Camargo ShubertQuem também parece estar interessado nas eólicas offshore é a Petrobras. A estatal petrolífera brasileira, que já tem na cidade de Guamaré (RN) o complexo eólico Mangue Seco (104 MW), participa de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento no estado sobre o tema. Medições em alto mar também estariam sendo feitas nas suas plataformas para avaliação de potencial. O tema seria tratado com certo sigilo estratégico pela empresa. Procurada pela Agência CanalEnergia, até o fechamento da reportagem, a Petrobras não havia revelado mais detalhes sobre o projeto nem sobre as possíveis medições. A expertise na operação offshore para o petróleo e gás natural parece ser o elemento motivador da Petrobras nesse caso, o que poderia deixá-la em uma situação especial no mercado.

Essa ida das petroleiras para o mercado eólico offshore já começou na Europa. Players globais de óleo e gás como Statoil e Shell vem desenvolvendo parques eólicos offshore nos últimos anos. A anglo-holandesa Shell faz parte do consórcio que viabilizou Borssele, na Holanda, com o segundo preço mais baixo na história. Já a Norueguesa Statoil já atua na Noruega, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Em seu site, a italiana Eni diz que está analisando as eólicas offshore para tentar obter vantagens pela sinergia com a exploração de petróleo. Ela estuda projetos no Egito, Reino Unido e Cazaquistão.

A entrada no mercado eólico de players do óleo e gás, pelo volume de investimentos, não deve ser passageira e também pode ser vista com uma diversificação em direção às renováveis em detrimento do fóssil. Para Paulo Cunha, da FGV Energia, embora essa associação possa ser natural, a atratividade econômica ainda predomina. “Não é somente pela questão ambiental, mas pela opção de negócio”, aponta. Cunha considera como natural que empresas que exploram petróleo em alto mar queiram explorar também o vento. Ele é mais um a citar os custos da operação da offshore para inibir o seu crescimento, mas vê tendência de queda futura.

Atento a toda essa movimentação, Jean Paul Prates, presidente do Sindicato de Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte, quer antecipar uma discussão sobre as eólicas offshore no país. De acordo com ele, não faz sentido que o Brasil, por já ter a presença consolidada da indústria offshore, se abstenha de não pensar em eólicas offshore por ainda possuir elevadas reservas na terra. “Seria a mesma coisa que fazer isso com o petróleo, só começar a explorar no mar quando não tiver mais para produzir em terra” explica. Segundo ele, a desvantagem que a eólica offshore possui de ter uma operação & manutenção mais cara que a convencional, seria mitigada com a sinergia de atividades já exercidas pelo setor de óleo e gás.

Ele vai na linha dos pesquisadores do Inpe e coloca o mar do Rio Grande do Norte como local ideal para um projeto. Segundo Prates, a complexidade para a operação no mar europeu também seria maior que a da região potiguar, o que ocasionaria uma redução nos custos. A baixa profundidade do mar potiguar também seria outro fator que faria as usinas mais baratas. “Vamos nos surpreender muito com os custos do offshore brasileiro”, avisa Prates, que também é diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia.

Ele pede que já em 2018 seja discutido algum tipo de regulação para o tema, uma vez que atualmente não há regras estabelecidas. O mar é da União, a área precisa ser concedida. Para o presidente do Cerne, o modelo teria zoneamento marítimo e uma espécie de duas licitações, em que a primeira seria para arrematar a área onde ficaria o parque offshore e a outra seria um leilão de energia tradicional para viabilizar o projeto. Na primeira fase, seriam feitos os estudos, com a área pré-licenciada. O zoneamento marítimo impediria eventuais reclamações de municípios sobre impactos visuais das usinas.

Ainda que seja feita para agora ou somente quando houver interesse nesse tipo de geração de energia, a questão regulatória é vista como um dos desafios para que haja um ponto de partida mínimo. Milton Pinto, diretor de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do Cerne, esclarece que esse arcabouço terá uma concepção complexa e grande importância. “[a regulação] Ela não é óbvia”, frisa. Para ele, aspectos de outras atividades podem ser absorvidos nesse código, com as normas devendo sempre buscar a simplicidade e a transparência, de maneira a obter a confiança dos investidores. Ele quer também que a legislação de outros países seja avaliada, para verificar os erros e acertos.

Outros aspectos estruturais podem facilitar a entrada das eólicas offshore no país. Para o engenheiro de planejamento da geração da Copel João Marcos Lima, dos melhores potenciais no solo estão começando a se esgotar e parques com fator de capacidade acima de 45% ficarão mais raros. Ele, qe também tem doutorado em previsão de energia eólica pela UFPR, também vê problemas no licenciamento e um esgotamento na transmissão, que acabaria por direcionar os olhares para o potencial no mar.

Lima e Sérgio Augusto Costa, Diretor Executivo da VILCO Energias Renováveis e da EMD Brasil, definem que devem ser criados mecanismos para viabilizar a fonte eólica offshore no país. Com isso, ela se encaixaria em uma visão estratégica de longo prazo dentro do planejamento energético. Eles sugerem que a Empresa de Pesquisa Energética mapeie potenciais fora do ambiente terrestre, como é feito com os inventários dos grandes rios para hidrelétricas.

E o custo, que é considerado um dos vilões nas eólicas em alto mar, mostra sinais de queda. A Statoil revelou de 2012 a 2017 ter conseguido uma redução 30% nos custos dos seus projetos. A estatal norueguesa também vem investindo em tecnologias. Ela promete para esse ano o Hywind Pilot Park, em Aberdeenshire, na Escócia, que vai ser o primeiro parque fluvial flutuante do mundo. A tecnologia Hywind, para vento offshore flutuante, faz ela avançar mais em águas profundas. A turbina é colocada em cima de um cilindro de aço e fixada ao fundo do mar por três linhas amarradas. Segundo a Statoil, testes feitos no mar do Norte durante oito anos mostraram a eficácia da tecnologia.

Desde a primeira unidade testada, houve queda nos custos entre 60% e 70%. A expetativa é que até 2030, a redução deve continuar em até 50%, ficando mais competitiva ainda. O parque na Escócia vai ter 30 MW de potência. Os outros projetos da Statoil no Reino Unido são Sheringham Shoal, em operação desde 2011 e localizado na costa de Norfolk, com potência de 316,8 MW e Dudgeon, com potência de 402 MW, com entrada em operação prevista para esse ano. Na Alemanha, o parque offshore é o Arkona, de 385 MW. Com investimentos de €1,2 bilhão, vai gerar energia para 400 mil residências. A Statoil tem ainda Dogger Bank Zone, no Reino Unido. A área recebeu autorização para capacidade de 4,8 GW e caso tenha todo o seu potencial desenvolvido, deverá ser o maior complexo eólica offshore do mundo.

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No mapa mundi de oportunidades em eólicas no mar da Statoil, a costa brasileira aparece como ‘projetos potenciais a longo prazo’. Ela está ao lado da costa australiana, da sul-africana e da indiana

A rejeição inicial ao offshore é considerada normal pela dupla Lima e Costa, uma vez que mesmo a fonte eólica enfrentou resistência por parte de agentes no início da sua consolidação. “É natural o receio do desconhecido, mas aos poucos o assunto está sendo incorporado nas discussões de congressos e seminários”, avisam. Para Milton Pinto, por todos os entraves e desafios atuais, não é possível prever em quanto tempo o onshore pode se viabilizar no país, mas ele espera que seja antes do esgotamento do potencial em terra. Jean Paul Prates vai na mesma linha e quer as duas categorias de eólicas se viabilizando ao mesmo tempo. Ele lembra que o petróleo da camada pré-sal está sendo extraído ao mesmo tempo que o offshore tradicional e que hoje já responde por parcela significativa da produção da Petrobras. “O Brasil não pode ficar se dando ao luxo de ficar esgotando uma fonte para partir para outra”, conclui.

Segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar será lançado em julho

O Brasil tem grande potencial de geração de energia solar não explorado no chamado Cinturão Solar, área que vai do Nordeste ao Pantanal, incluindo o norte de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte e o nordeste de São Paulo. É o que indica a segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que será lançado em julho.

A nova edição utilizou informações levantadas durante 17 anos. Os dados informam a quantidade e a disponibilidade da radiação solar, e a variação de potência dos raios, como os fatores climáticos – notadamente a presença de nuvens – que influenciam a disponibilidade e a influência da topografia para a incidência dos feixes de luz solar.

A primeira versão do Atlas, produzida pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em 2006, com dados compilados ao longo de dez anos, já apontava esse potencial de expansão. Agora, a quantidade de material obtido por meio de satélites permitiu uma análise mais profunda sobre a real capacidade do País.

Segundo o coordenador dos estudos, Enio Pereira, o Atlas contribuirá para a tomada de decisões estratégicas nas políticas públicas do setor de energia elétrica, além de investimentos privados e outros estudos. “Para você usar qualquer forma de energia, tem de conhecer a disponibilidade dela”, explica o físico, que atua no Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe.

Atualmente, a participação da fonte solar na matriz energética brasileira representa apenas 0,02% do total produzido no País. “O potencial para gerar energia solar no Brasil é gigantesco, especialmente no Cinturão Solar. Toda essa área tem um potencial enorme de geração, porque tem incidência de muita luz solar e durante um longo período, especialmente entre maio e setembro, que é uma época de seca na maior parte desse território”, afirma o físico.

Entraves

Um dos desafios encontrados pelo setor é conseguir manter a produção diante das variabilidades das condições atmosféricas, como em dias chuvosos ou com alta nebulosidade. Esse é considerado um entrave-chave para a expansão da produção solar, especialmente na comparação com a fonte hidrelétrica.

“A hidrelétrica, tendo água, você consegue programar de forma constante a sua produção. Na solar, você não tem controle de quanto vai gerar porque tem uma nuvem passando. É uma energia que varia muito com o tempo. Essa é uma questão que deve ser resolvida”, diz Enio Pereira.

A alternativa apontada pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar para resolver esse problema é distribuir a produção. Assim, é possível manter o volume de geração, mesmo que determinada área não tenha condições de gerar energia. Ele alerta, porém, que ainda há um longo caminho a ser trilhado para garantir uma técnica eficiente de produção.

Para produzir o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o Inpe contou com a participação de pesquisadores de várias instituições brasileiras, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Serão produzidas 1.500 cópias do estudo, que serão distribuídas para instituições do setor.

Fonte: MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

CERNE e Consulado Geral dos EUA discutem novas parcerias

À convite do Consulado Geral dos Estados Unidos em Recife, o Diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, esteve presente na festa de 4 de julho, celebração da data nacional estadunidense. O evento marcou a despedida de Richard Reiter que ocupava o cargo de Cônsul Geral e a chegada do sucessor dele, John Barrett.

Jean-Paul Prates e o novo Consul Geral dos EUA para o Nordeste, John Barrett. (Foto: CERNE Press)

Jean-Paul Prates e o novo Consul Geral dos EUA para o Nordeste, John Barrett. (Foto: CERNE Press)

Na ocasião, Prates e Barrett conversaram sobre as conquistas da região Nordeste no campo das energias renováveis, sobre potenciais oportunidades para investimentos em infraestrutura, petróleo, mineração e energia no Rio Grande do Norte e no Ceará e a parceria entre o Consulado e o CERNE para o evento All About Energy 2017.

O novo Cônsul também se interessou pela história da presença dos americanos em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial. “Contei que havia muito material histórico precioso preservado por pessoas abnegadas a quem falta apoio para reunir todo o acervo em um local bem montado, seguro e, ao mesmo tempo, acessível ao público, uma empreitada em que talvez pudéssemos reunir esforços dos dois países para tirar do papel”, explicou Prates.

Há mais de cinco anos, o CERNE já trabalha em cooperação com o Consulado Americano de Recife, entre outras representações diplomáticas interessadas no Nordeste Setentrional brasileiro. Além de trocar informações setoriais e intercambiar consultores e palestrantes, as entidades desenvolvem ações conjuntas de interesse das empresas mantenedoras nas regiões de atuação.

John Barrett trabalhou de Washington D.C., onde serviu como oficial sênior. A história com o Brasil, no entanto, começou em 2008, quando ele atuou na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Fonte: CERNE Press

Energia limpa: América Latina se destaca na liderança global

Confira a matéria especial da Bloomberg sobre o crescimento da energia renovável na América Latina, em especial no Brasil. O conteúdo original (em inglês) está disponível aqui.

A Costa Rica, que tem cinco milhões de habitantes e nenhum exército, não é exatamente uma potência. Nos últimos tempos, no entanto, este país da América Central, que tem as dimensões da Dinamarca, tem atraído a atenção para uma virtude menos óbvia: tem a matriz elétrica mais limpa do hemisfério. Em 2016, mais de 98% da eletricidade do país veio da fonte  hídrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica (gerada a partir de vulcões). Foi o segundo ano consecutivo em que a maior parte da energia do país veio de fontes renováveis.

Costa Rica não é exceção. Desde os ventos que varrem o deserto Atacama até o escaldante Nordeste do Brasil, a energia limpa está na agenda. Apesar do progresso lento das reformas do mercado de energia no México, a crise de crédito no Brasil e os gargalos de infraestrutura no Chile, outros países foram afetados pela falta de investimentos, que no ano passado diminuíram 30% se comparado a 2015, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Países da América Latina e do Caribe tornaram-se pioneiros da energia de baixa emissão de carbono. Mais de um quarto da energia primária na região agora vem de fontes renováveis, mais que o dobro da média global.

O aumento do uso de energias renováveis pode representar uma dupla vitória para a América Latina, trazendo um sistema elétrico mais limpo e inteligente. A energia de baixo carbono, que os governantes negligenciaram durante muito tempo em nome dos poços de petróleo e a construção de grandes hidrelétricas (que é uma fonte renovável, mas não “verde”), recebeu poucos incentivos além de possuir uma estrutura regulatória muitas vezes incompleta. Consequentemente, a energia limpa teve de competir para sobreviver a um modelo de negócio difícil, que também é uma vantagem em uma região onde o nacionalismo de recursos tornou-se vítima de nepotismo, desperdício e falta de transparência.

Basta olhar para a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira que se tornou grande vítima da corrupção generalizada. A energia limpa não é imune à corrupção: basta lembrar dos “senhores do vento” da Itália, que intervieram em licitações públicas para grandes contratos. Mas o mercado renovável na América Latina é muito aberto: não há Solarbras ou Vientomex que dificultem a concorrência. Entre 2010 e 2016, mais de 40% do investimento aberto em iniciativas locais de energia limpa vieram de fora.  O Brasil aderiu com apenas US $ 53.000 milhões em seu mercado. Isso faz com que a energia limpa na América Latina seja um dos mercados mais amigáveis do mundo para o capital internacional, segundo informou a BNEF em março.

Mas há muito para ser amigável. O sol brilha desde a Cordilheira Andes até as margens do Atlântico, enquanto a Patagônia é um parque eólico natural. Parte desse potencial já tem sido aproveitado. Desde o início dos anos 70, regimes políticos ambiciosos transformaram seus países em potências mundiais e ergueram grandes hidrelétricas que, juntos, fornecem dois terços da eletricidade na região. O Brasil foi um dos primeiros a adotar o biocombustível. Desde a década de 1970, o etanol de combustão limpa substituiu 2.400 milhões de barris de petróleo (cerca da produção anual do Brasil) e tem mantido a atmosfera livre de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono, disse o especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

Como em outras regiões, no entanto, o entusiasmo da América Latina para as energias renováveis diminuiu. Afinal, há décadas as plataformas de perfuração foram o monumento à soberania e o petróleo era o elixir de governos populistas que iam desde o mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940), que forçou seus compatriotas a penhorar jóias e gado para pagar a empresa de petróleo nacional, até o venezuelano Hugo Chávez, que transformou a empresa estatal de petróleo PDVSA  em uma caixa registradora do socialismo bolivariano. A descoberta do “pré-sal” brasileiro sob a plataforma continental – considerado um “bilhete de loteria premiado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – prolongou o reinado do petróleo.

O Brasil nunca desistiu de energia hidrelétrica, mas a dependência do petróleo, especialmente quando os preços caíram, manchou a rede elétrica do país. Em 2012, apenas 6% da eletricidade gerada era proveniente de usinas térmicas. Mas em 2014, o Brasil teve quase um quarto de sua eletricidade produzida a partir de usinas térmicas a gás, carvão ou diesel, que emitem carbono. “A rede elétrica no Brasil é carbonizada”, disse Goldemberg. Erros na política fiscal agravaram a situação. Ao limitar artificialmente os preços da gasolina no início desta década para conter a inflação, o governo brasileiro subestimou a competitividade do etanol combustível, forçando dezenas de destilarias a fechar suas portas.

Ultimamente, no entanto, os formuladores de políticas estão à procura de alternativas. A queda do petróleo fez com que países como Equador, Venezuela e México permanecessem sem exportações de produtos. Além disso, cresce o consenso de que a menos que se ponha freio às emissões de carbono que aquecem o planeta, a América Latina vai pagar caro.

A adversidade e a resistência política também ajudaram a incentivar a inovação e o investimento em energia limpa. Sob a pressão de protestos e reivindicações, os governos têm procurado reduzir a quantidade de energia gerada por hidrelétricas, cujas enormes barragens provocaram o deslocamento de populações e o aumento das emissões de carbono, advindo da decomposição de florestas inundadas. Em toda a região, outras formas de energia com baixa emissão de carbono estão ganhando força. Entre 2006 e 2015, a capacidade renovável não-hídrica mais que triplicou na América Latina, concluiu BNEF.

O desenvolvimento tecnológico também fez com que o uso do vento, das ondas e do sol deixassem de ser um sonho exorbitante e passassem a se tornar uma opção viável e competitiva. Em um momento em que caem os preços para produzir eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos, quatro países latino-americanos estavam entre os oito primeiros no índice de emissão de baixo carbono “Climate Scope” da Bloomberg, composto por 58 países.

Não que a energia renovável é livre de obstáculos. Para começar, há a inconstância inerente do vento e do sol, que tornam a fonte de energia instável e a maior preocupação dos investidores em relação ao risco. Outro grande obstáculo é a falta de linhas de transmissão, que não acompanharam o fornecimento de projetos eólicos e solares, deixando algumas novas plantas ociosas, informou a Bloomberg News. Não é um beco sem saída, mas são as dores do crescimento no que uma autoridade líder energia verde chamou de “alguns dos mercados de energia renovável mais dinâmicos do mundo.”

Entre os players vencedores figura o bilionário Mario Araripe, que construiu sua fortuna com a energia eólica. E, no entanto, enquanto investidores e alguns visionários se destacaram, os governantes estão abrindo caminho. Há uma década, nenhuma eletricidade vinda dos fortes ventos que sopram no nordeste do país alimentava o Rio Grande do Norte, um pequeno estado brasileiro do tamanho da República Dominicana. Graças a uma política inovadora, novas tecnologias, e os empréstimos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), 85% da rede elétrica do estado é agora alimentado por cerca de 1.000 turbinas eólicas, muitos deles fabricados no Brasil, disse o ex-secretário de energia do estado, Jean-Paul Prates.

Prates, que preside o CERNE – think-tank de energia renovável – disse que atualmente a energia eólica brasileira compete em leilões públicos de energia juntamente com a eletricidade gerada por carvão, nuclear, gás natural e até mesmo energia hidrelétrica em pequena escala.

Os historiadores nos dizem que o Brasil foi descoberto graças aos navegantes portugueses que fugiram da inércia das marés da África, que dirigiram para o oeste e então apanharam as correntes marítimas das Américas e encontraram essa parte do Novo Mundo “, disse Prates. Meio milênio depois, uma redescoberta nascida no vento acaba de começar.

Fonte: Bloomberg View | Mac Margolis

Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo

O Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo em 2016, com 876 mil empregos, ficando atrás apenas da China, com 3,6 milhões de empregos, de acordo com dados do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês). Ainda de acordo com o documento, as energias renováveis empregavam, ao todo, mais de 9,8 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016. Tirando as grandes hidrelétricas, este número é de 8,3 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a maioria dos empregos em energia renovável é encontrada nos biocombustíveis líquidos. Apesar de a produção de etanol ter aumentado cerca de 8% em 2015, os empregos no setor diminuíram 10%.  Cerca de 30 mil empregos foram perdidos na colheita de cana-de-açúcar e 15 mil postos de trabalho foram  perdidos no processamento de etanol devido à mecanização, principalmente no estado de São Paulo, o maior produtor de etanol do Brasil.

Já a produção brasileira de biodiesel caiu, segundo o relatório, indo para 3,8 bilhões de litros em 2016. A expansão da indústria eólica do Brasil também diminuiu em 2016 em relação ao ano anterior, com o número de empregos indo de 41 mil em 2015 para 32,4 mil em 2016.

No mundo

A energia solar gerou a maior parte dos empregos no mundo no ano passado, com 3,1 milhões, um crescimento de 12% em relação a 2015. O crescimento veio principalmente da China, Estados Unidos e Índia, enquanto o emprego no setor diminuiu pela primeira vez no Japão e continuou a cair na União Européia. Novas instalações de energia eólica nos Estados Unidos, Alemanha, Índia e Brasil, entretanto, contribuíram para o aumento do emprego eólico global em 7%, para chegar a 1,2 milhões de empregos.

Os biocombustíveis líquidos, com 1,7 milhões de postos de trabalho, a biomassa, com 700 mil postos e biogás, com 300 mil empregos, também foram importantes empregadores, com postos de trabalho concentrados no fornecimento de matéria-prima. Brasil, China, Estados Unidos e Índia foram considerados mercados-chave de bioenergia.

As grandes hidrelétricas empregavam 1,5 milhões de pessoas, em empregos diretos, com cerca de 60% daqueles em operação e manutenção. Os principais mercados de trabalho foram observados na China, na Índia, no Brasil, Na Rússia e no Vietnã.

Fonte: Brasil Energia | Marco Sardenberg

Brasil: Geração eólica aumentou 51,7% em 2016

O Brasil registrou um aumento de 51,7% de geração de energia proveniente da fonte eólica de janeiro a dezembro de 2016 em comparação ao mesmo período registrado em 2015, segundo dados levantados pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

No ano passado, a fonte eólica gerou 44.353 MW médios e em 2015 esse número foi de apenas 29.238 MW médios.

O aumento da geração de energia eólica e o crescimento da participação da fonte na matriz energética contribuíram para a saída da bandeira vermelha cobrada na conta de energia no ano passado e a menor necessidade de produção de energia térmica, considerada mais cara pelo alto custo associado.

O gráfico abaixo mostra a evolução da geração de energia no Brasil por tipos de fonte – hidráulicas, pequenas centrais hidrelétricas (PCH), térmicas e eólicas – entre os anos de 2013 e 2016.

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Brasil sobe em ranking mundial          

O Global Wind Energy Council (GWEC) divulgou na sexta-feira, 10 de fevereiro, “Global Wind Statistics 2016”, relatório anual com estatísticas mundiais sobre energia eólica. O destaque do documento é para o ranking mundial de capacidade instalada: o Brasil subiu uma posição e aparece em 9º lugar com 10,740MW, ultrapassando a Itália. O gráfico abaixo mostra o ranking das principais nações geradoras de energia eólica:

No ranking de nova capacidade instalada no ano, o Brasil está em quinto lugar, tendo instalado 2GW de nova capacidade em 2016. Nesta categoria, o Brasil caiu uma posição, sendo ultrapassado pela Índia, que instalou 3,6 GW de nova capacidade no ano passado.

Foto: CERNE Press

Brasil é líder no mercado eólico latino americano

O Brasil é líder no mercado eólico latino americano com mais de 2 GW em capacidade nova adicionada, representando 71% do total acumulado e 65% das novas instalações de 2016. Os números foram divulgados pelo Global Wind Energy Council (GWEC) na sexta-feira (10).  O GWEC destacou que mesmo em meio a uma crise econômica e política, o país atingiu um bom desempenho alcançando 10,7 GW instalados.

O mercado global de energia eólica ultrapassou a marca de 54 GW de capacidade nova instalada em 2016.Agora, o mundo conta com uma capacidade instalada total de algo próximo a 487 GW. A China continua na liderança, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha e Índia.

A expansão na China somou 23,3 GW no ano passado, representando 42,7% do total mundial. Já no segundo colocado do ranking, os Estados Unidos, somaram 8,2 GW em nova capacidade em 2016, o que elevou sua potência instalada a 82 GW. Há ainda cerca de 18 GW em construção ou em estágio avançado de desenvolvimento.

No grupo de 10 maiores países com energia eólica instalada ao final de 2016 o ranking conta com China com 168,7 GW e 34,7% do total mundial, seguido pelos Estados Unidos com 82,18 GW e 16,9% da capacidade global. Em terceiro aparece a Alemanha com 50 GW e 10,3%. Em seguida vem Índia, Espanha, Reino Unido, França, Canadá, Brasil e Itália.

Fonte: CERNE Press

Brasil sobe posição no ranking mundial de capacidade eólica instalada

O Global Wind Energy Council (GWEC) divulgou no início de fevereiro “Global Wind Statistics 2016”, relatório com estatísticas mundiais sobre energia eólica. O destaque é para o ranking mundial de capacidade instalada: O Brasil subiu para a nona colocação com 10,740MW, ultrapassando a Itália.

Foto: Gwec

Foto: Gwec

O relatório completo está disponível para consulta, clique aqui para visualiza-lo.

Fonte: CERNE Press

Dez fatos sobre energia eólica brasileira que você talvez não saiba

  1. O Brasil tem um dos melhores ventos do mundo

Para entender essa afirmação, antes você precisa saber o que é fator de capacidade. Pois bem! Fator de capacidade é a medida de eficiência dos aerogeradores de um parque eólico com base na qualidade dos ventos de uma região, ou seja, quanto foi gerado por um aerogerador. Quando falamos, por exemplo, de um fator de capacidade de 30%, estamos falando, de maneira simplificada, que os ventos da região têm aproveitamento moderado e geram energia em 30% do tempo na média. O tipo do aerogerador também influencia. No que se refere à qualidade do vento, os melhores para energia eólica são os constantes, sem grandes alterações de velocidade ou direção. No caso do Brasil, temos ótimos ventos e de boa qualidade, principalmente na região Nordeste, fazendo com que nosso fator de capacidade seja superior a 50%, enquanto a média mundial varia de 20% a 25%.

  1. Há dias em que pelo menos a metade da energia do Nordeste vem das eólicas

O nordeste brasileiro tem batido recordes atrás de recordes, especialmente no que chamamos de “safra” do vento, que é o período do ano em que mais venta. Em 05 de Novembro de 2016, por exemplo, a energia eólica bateu seu recorde diário na região com 5.077 megawatts médios (MWmed). Isso significa que, naquele dia, 52% da energia consumida no Nordeste veio de eólicas. Lembra que falamos de fator de capacidade acima? Então, neste dia o fator de capacidade do Nordeste foi de 70%, que é algo surpreendente. Realmente temos ventos excepcionais no nordeste brasileiro!

  1. A geração de energia eólica não emite CO2.

Se fizermos uma conta do que a energia eólica evita de emissões de gases de efeito estufa, podemos dizer que, em um ano, evitou-se a emissão de CO2 equivalente à quantidade produzida por praticamente toda a frota da cidade de São Paulo (8 milhões de veículos). Isso porque a fonte eólica tem emissão de CO2 igual a zero em sua operação e ao gerar esse tipo de energia evita-se a geração de outra, que poderia ser poluente.

  1. Não é só no Nordeste que estão os parques eólicos

Quando a gente pensa em energia eólica no Brasil já lembra logo do Nordeste. E isso porque é realmente lá que está a maioria do que temos de energia eólica. Dos 430 parques eólicos atuais, 342 estão no Nordeste. Bom, mas é preciso saber também que o estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, é um produtor extremamente importante dos estados brasileiros, com 72 parques instalados. No ranking de capacidade instalada, o Rio Grande do Sul é o quarto colocado com 1,7 GW, os três primeiros são Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará com 3,4 GW, 1,9 GW e 1,8 GW, respectivamente. No Brasil, tem vento bom de norte a sul!

  1. A eólica também faz bem para o bolso

Nos leilões recentes, a energia eólica se consagrou como a segunda fonte mais barata. A primeira é a energia das grandes hidrelétricas. Se considerarmos que não há mais condições para que o Brasil invista em grandes hidrelétricas, especialmente por questões ambientais, podemos considerar que a eólica é hoje no Brasil a opção mais barata de contratação. Bom para o meio ambiente e para o bolso do consumidor!

  1. As torres de geração de energia eólica convivem com outras atividades agrícolas e animais

É bem comum a cena: uma torre eólica em funcionamento e, logo ao lado, vacas pastando, cavalos ou então uma plantação. Isso é possível porque as torres, depois de instaladas, ocupam pouco espaço de solo e os donos da terra podem seguir adiante com seu cultivo ou criação de animais. Isso é, aliás, um dos grandes benefícios da energia eólica: um baixíssimo impacto ambiental.

  1. Torres eólicas têm grande complexidade tecnológica

Podemos considerar que construir um parque eólico é rápido, comparando, por exemplo, com o tempo que se leva para construir uma hidrelétrica. A rapidez, no entanto, não significa que é algo simples! Uma torre eólica tem grande complexidade tecnológica, centenas de componentes e grandes dificuldades de transporte pelo tamanho das pás e aerogeradores. A cadeia produtiva do setor inclui desde fornecedores de pequenos componentes até as empresas especializadas que fabricam os aerogeradores e as pás. No youtube é possível encontrar um monte de vídeos mostrando como as torres são por dentro, como é o processo de construção de um parque eólica, a engenharia envolvida para colocar as pás, etc… É um prato cheio para quem gosta de tecnologia e engenharia!

  1. O Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

De acordo com o GWEC – Global Wind Energy Council, o Brasil foi o quarto país em crescimento de energia eólica no mundo em 2015, considerando os números de capacidade instalada, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha e representando 4,3% do total de nova capacidade instalada no ano no mundo todo. Em percentual, foi o País que mais cresceu no mundo. Se quiser mais informações, veja aqui o relatório “Global Wind Report 2015” do GWEC: http://bit.ly/23ZHypq. Ah, o de 2016 ainda não foi fechado, mas já se estima que a fonte eólica deve subir mais uma posição no ranking mundial de parques eólicos acumulados, onde o Brasil foi colocado em décimo, em 2015. Isso mesmo, estamos no TOP 10 mundial de energia eólica!

Um outro documento que atesta a boa colocação brasileira é o “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2015”, divulgado pelo MME – Ministério de Minas e Energia em agosto de 2016. O boletim mostra que o Brasil subiu sete posições, nos últimos dois anos, ocupando hoje o oitavo lugar em geração, representando cerca de 3% de toda produção eólica mundial.

Uma coisa importante: os dados do GWEC se referem ao que está instalado (potência), enquanto o boletim do MME mostra dados do que é gerado em relação ao que está instalado. Ou seja: não importa se estamos falando de capacidade instalada ou de energia gerada, o fato é que o Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

  1. A cadeia produtiva da energia eólica está no Brasil e gera empregos aqui

Se a energia eólica brasileira tem obtido tanto sucesso nos últimos anos não é só porque temos um dos melhores ventos do mundo. Afinal de contas, de que adiantaria isso se não soubessemos explorar esse potencial, não é mesmo? Houve, nos últimos anos, um forte investimento de empresas que construíram uma cadeia produtiva nacional de alta tecnologia e eficiência. Os grandes fabricantes de aerogeradores, pás, torres e grandes componentes estão instalados no Brasil, produzindo e contratando aqui. Além disso, dezenas de empresas brasileiras foram criadas ou passaram a se dedicar para oferecer componentes para a cadeia produtiva. Pelo menos 80% dos componentes de uma torre eólica são feitos no Brasil, incluindo aerogeradores, pás eólicas, naceles, torres. Só em 2016, foram gerados 30 mil postos de trabalho na cadeia eólica.

  1. A energia eólica vai ajudar o Brasil a cumprir o Acordo do Clima

O Brasil possui uma matriz elétrica bastante renovável, mas ainda pode aumentar o seu percentual em energia limpa. No passado, as grandes hidrelétricas sempre foram a opção número 1 para geração e até hoje são mais da metade da matriz. O que acontece é que, especialmente por questões ambientais, já não há mais espaço para o desenvolvimento de projetos de grandes hidrelétricas no Brasil. E, neste cenário, a eólica surge como a opção chave para expandir o papel das renováveis na matriz elétrica porque é uma opção barata, de baixíssimo impacto e de rápida implantação, com zero emissão de CO2 na geração e com uma cadeia produtiva nacionalizada e pronta para produzir os componentes com eficiência e competitividade. Hoje, a eólica representa 7% da matriz. Para 2020, deve chegar a 12% e até 2030 estima-se que ocupe de 20 a 25% da matriz. E isso vai ajudar muito o Brasil a cumprir com suas metas de redução da emissão de CO2, por exemplo.

Fonte: Abeeólica

CERNE participa do workshop Brasil-Israel sobre desenvolvimento do semiárido

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) participou nesta segunda-feira (21) do primeiro workshop internacional “Biward: Brazil – Israel Agriculture and Water Research and Development” realizado em Natal. O evento é uma parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com Universidade Ben Gurion de Israel.

Especialistas das áreas de água, bioenergia e agricultura em áreas desérticas participaram do workshop para trocar experiências e conhecimentos, uma vez que a região Nordeste do Brasil e algumas localidades em Israel lidam com desafios parecidos: vastas regiões áridas, pouco investimento em tecnologia e baixo índice de desenvolvimento humano.

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira, participou da mesa “Semi-arid Sustainable development” e falou sobre os projetos desenvolvidos pela entidade na região semiárida do Rio Grande do Norte e Nordeste,  e as possibilidades de interface entre a instituição e a universidade israelense.

Fonte: CERNE Press

 

Eólica alcança 9 GW de capacidade instalada no Brasil

A energia eólica acaba de alcançar neste mês de fevereiro a marca de 9 GW instalados no Brasil. A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, disse que o potencial corresponde, em termos de geração efetiva, a uma Belo Monte. A fonte vem participando com êxito desde 2009 dos leilões promovidos pelo governo e conseguiu estruturar no país uma cadeia produtiva que agrega os principais fabricantes de aerogeradores.

Segundo a ABEEólica, já foram gerados mais de 40 mil postos de trabalho e os investimentos são superiores a R$ 15 bilhões por ano, nos último dois anos. Com este ritmo de crescimento e tendo em vista os contratos assinados, resultantes dos leilões, serão instalados mais de 10 GW de potência nos próximos três ou quatro anos, permitindo que em 2020 a energia eólica chegue a 20 GW de capacidade total, representando mais de 10% da matriz elétrica nacional.

Fonte: Da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

Brasil aposta em novas fontes renováveis

As chamadas novas fontes renováveis de energia, formadas por usinas eólicas, solares e de biomassa, foram as que mais cresceram nos últimos anos no Brasil. Entre 2005 e 2014, a produção desse tipo de energia aumentou 146%, enquanto as hídricas avançaram 10%; o petróleo, 38%; e o gás natural, 80%, segundo o Balanço Energético Nacional 2015 (BEN).

Embora ainda tenham uma participação pequena na matriz energética, elas vão reforçar as medidas do governo para que o País consiga atingir as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa definidas na 21.ª Conferência do Clima (COP 21), ocorrida em dezembro, em Paris. O objetivo do Brasil é reduzir as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030.

Para isso, o governo pretende elevar a participação das novas fontes renováveis de 9%, em 2014, para 24% da produção de energia elétrica do País até 2030, diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. “Hoje, a média dessas novas energias renováveis na matriz mundial está em torno de 6%. É claro que alguns países têm participação maior, como a Alemanha (13,4%).”

Na opinião de Tolmasquim, o Brasil vai continuar mantendo sua posição de liderança na produção de energia limpa nos próximos anos. E isso deve ocorrer a despeito da queda dos preços do petróleo e mesmo com a perspectiva de que o barril não volte aos patamares de US$ 100.

O País tem uma matriz energética invejável comparada ao resto do mundo. Pelos dados do Balanço Energético Nacional, cerca de 40% da oferta interna de energia vem de fontes renováveis – que incluem a energia hidrelétrica e o etanol – e 60% de combustíveis fósseis. No mundo, a média de uso de energia limpa era de apenas 13,8% em 2013, último dado da Agência Internacional de Energia.

Os números brasileiros já foram melhores. Em 2009, por exemplo, 46,8% da oferta de energia no País era renovável. Tolmasquim explica que a queda é reflexo da crise hídrica que assolou o País nos últimos anos e exigiu a produção de energia elétrica de óleo combustível e diesel. “O Brasil é privilegiado. Tem água em abundância, vento forte e sol o ano todo”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Segundo ele, a energia eólica e a solar vão crescer muito nos próximos anos e exigir estudos avançados em novas tecnologias. Como são fontes intermitentes, que estão sujeitas às intempéries da natureza, elas não conseguem garantir um volume de produção o tempo todo. Por isso, o mundo vem apostando em estudos para o desenvolvimento de baterias que consigam armazenar a energia produzida por essas novas fontes renováveis.

“Algumas empresas têm estudos aprofundados. Mas, por enquanto, elas são muito caras”, destaca o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, um dos principais cientistas brasileiros especializados em energia. Ele explica que as baterias são as mesmas que são usadas para os carros elétricos, mas com mais capacidade. “Para se ter uma ideia do custo, as baterias usadas nos carros custam mais de US$ 20 mil, quase metade do valor do carro.”

Na avaliação dele, enquanto essas inovações continuam no papel, o Brasil deveria voltar a investir nas hidrelétricas com reservatórios, que acumulam água e, portanto, armazenam energia. Como os novos potenciais hidrelétricos estão localizados na Amazônia, a pressão ambiental em cima das hidrelétricas tem tornado inviável a construção de usinas com represas. Isso diminuiu a capacidade de armazenamento de água e deixou o País mais vulnerável às condições climáticas.

Na opinião de especialistas, as usinas eólicas devem ser usadas como complemento. No período de seca no Sudeste, as eólicas produzem mais no Nordeste. Mas é preciso ter usinas de reserva para o caso de o vento diminuir e reduzir a geração de energia.

Enquanto persistem as discussões sobre como armazenar a energia, a eólica continua tendo forte expansão e tem recebido vultosos investimentos. Foram R$ 22 bilhões em 2015 e, para este ano, a expectativa é aplicar outros R$ 25 bilhões. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, em 2015 o setor cresceu 35% comparado com 2014 e colocou o País na 10.ª posição no ranking dos maiores produtores do mundo.

Solar

A energia solar está num estágio atrás da eólica, mas tem atraído investidores. Com a realização de leilões específicos para a fonte, o Brasil conseguiu dar o pontapé inicial na ampliação da fonte renovável, que ainda é incipiente – em 2014, o País tinha apenas 15 megawatt (MW) de energia solar instalada. Nos leilões, entretanto, foram contratados mais de 2,5 mil MW.

Maurício Tolmasquim diz que o planejamento da matriz energética brasileira inclui ainda a ampliação da produção de etanol. Apesar da crise que abalou o setor e fechou várias usinas, ele diz que a previsão é ampliar a fatia do produto de 38% para 49% entre os combustíveis até 2030.

Além das renováveis, uma fonte fóssil, mas menos poluente que o petróleo, deve ganhar espaço na matriz energética mundial, diz Pires. Para ele, o gás natural será o combustível da transição de uma economia suja para uma mais limpa.

Fonte: O Estado de São Paulo

Capacidade de geração eólica cresce 56,9% no Brasil em 2015

A geração de energia eólica está em alta no Brasil. A edição mais recente do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, do Ministério de Minas e Energia, mostra que a capacidade instalada do setor de geração eólica cresceu 56,9%, considerando o período de 12 meses encerrado em novembro de 2015 ante os 12 meses anteriores. Entre todas as fontes de geração de energia elétrica, a eólica teve a maior expansão.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas em 2015, o que representou um investimento da ordem de R$ 19,2 bilhões. “Hoje, o Brasil precisa ampliar sua matriz e essa expansão se passa necessariamente pela fonte eólica. Nosso País tem uma política de energia que prima pela fonte limpa, renovável e competitiva, e a fonte eólica tem essas três características”, diz a presidente da associação, Elbia Gannoum.

A inauguração mais recente foi realizada nesta quinta-feira (14). Trata-se do Complexo Eólico Chapada do Piauí, localizado nos municípios de Marcolândia, Simões, Padre Marcos e Caldeirão Grande. Os investimentos são estimados em R$ 1,85 bilhão, sendo R$ 1,3 bilhão financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As instalações têm capacidade instalada de 436,6 megawatts (MW), o suficiente para gerar energia para mais de um milhão de residências.

Dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia apontam que o País, em 2014, foi o quarto país do mundo que mais expandiu sua capacidade eólica. Segundo especialistas, a metodologia de leilões para a contratação de energia ajudou nesse processo.

Nos cinco leilões realizados em 2015 para ampliar a capacidade de geração no País, foram contratados 1.789 MW médios de diversas fontes, com investimentos previstos em R$ 13,3 bilhões. As energias renováveis tiveram destaque, com a contratação de energia eólica de 22 empreendimentos, 30 de energia solar e 13 de biomassa, de acordo com o MME.

“Neste ano, devemos atingir o equivalente a uma Belo Monte de capacidade instalada (de geração eólica). E já temos contratado o equivalente a mais de uma Itaipu, que é a segunda hidrelétrica do mundo. As perspectivas são muito boas. Em pouco tempo a geração eólica será, depois da hídrica, uma das fontes mais importantes da matriz elétrica nacional”, destaca o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Fonte: Portal Brasil, com informações da EPE e Abeeólica

Brasil é o quarto país em que energia eólica mais cresce no mundo

O Brasil já está na lista de maiores produtores de energia eólica do mundo. O levantamento “Energia Eólica no Brasil e Mundo”, do Ministério de Minas e Energia, aponta que o país foi o quarto colocado no ranking mundial de expansão de potência eólica em 2014.

As nações que realizaram um avanço superior ao Brasil em 2014 foram a China (23.149 megawatts), Alemanha (6.184 megawatts) e Estados Unidos (4.854 megawatts). No mesmo período, o Brasil teve uma expansão de potência instalada de 2.686 megawatts (MW).

O Brasil já contratou cerca de 16,6 mil MW de energia eólica em leilões, sendo que aproximadamente 1,4 mil MW foram assegurados por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa). Do total contratado, 7,8 mil MW já estão em operação. O total contratado equivale à energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu.

A estimativa do governo, presente no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), é de que a capacidade instalada eólica do Brasil chegue a algo em torno de 24 mil MW. Desse total, 21 mil MW deverão ser gerados na região Nordeste, o que vai representar 45% do total produzido na região. 

Vantagens

Uma das grandes vantagens da matriz energética brasileira é a disponibilidade de várias fontes limpas e renováveis para geração de energia elétrica. Diversos outros países não possuem recursos naturais e precisam recorrer a termelétricas para garantir o suprimento. O avanço do setor eólico, segundo especialistas, vai representar uma energia complementar interessante para o Brasil, que hoje tem sua base de geração de energia no sistema hidráulico.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirma que há um casamento das condições eólicas e hidrelétricas no Brasil. O período de seca no Nordeste, onde se encontram aproximadamente 80% dos parques eólicos, coincide com o período chuvoso nas regiões Sul e Sudeste, onde estão os principais reservatórios de usinas hidrelétricas.

“Quando tem vento, você pode estocar água no reservatório. Quando tem menos vento, usa aquela água estocada para gerar energia elétrica. Nos países europeus, por exemplo, quando não tem vento, tem de ligar uma termelétrica. Aqui nós temos duas fontes limpas, e uma se complementa a outra. O Brasil realmente é um país afortunado, por ter fontes renováveis que se complementam entre si”, explica Tolmasquim.

Avanços tecnológicos

Segundo o presidente da EPE, a tecnologia de geração eólica deu um grande salto nos últimos anos. “Os aerogeradores, que antigamente eram de 50 metros de altura, hoje têm mais de 120 metros. Você aumentou muito o tamanho da pá, aumentou a potência de cada um deles”, afirma.

Os parques geradores maiores permitem acelerar a produção de energia eólica, devido a uma característica dos ventos brasileiros: eles são mais constantes que em outros países. “Tudo isso faz com que você tenha hoje, na energia eólica, uma das fontes mais competitivas do Brasil, depois da hidrelétrica”, destaca Tolmasquim.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, diz que a tecnologia atual de geração de eletricidade a partir dos ventos é recente e que ainda há uma margem de crescimento. “Houve um grande salto tecnológico nos últimos cinco ou seis anos e, por isso, o custo de produção se tornou mais competitivo”, avalia.

O maior potencial de expansão atualmente se encontra no interior do Nordeste, especialmente no semiárido brasileiro. Mas o Brasil começa a sinalizar uma possível oportunidade também para a microgeração. 

Depois de promover ajustes na regulação da chamada geração distribuída (aquela em que os consumidores podem produzir eletricidade nas próprias residências), o País abriu as portas para a produção individual eólica e solar. 

“Os microaerogeradores podem ser instalados em grandes centros, nas residências, desde que tenha ventos superiores a dois metros por segundo. Isso temos praticamente em todo o País”, destaca Elbia. O maior entrave é o custo para investimento inicial, que só permite um retorno após alguns anos.

Fonte: Portal Brasil, com informações da EPE e Abeóolica

Brasil é campeão em energia limpa

Fonte: Portal Brasil | Lucas Tolentino, enviado especial a Paris – Edição: Alethea Muniz

Especialistas reconheceram a eficiência das políticas brasileiras para frear o aquecimento global. Em evento paralelo da 21ª Conferência das Partes (COP 21), realizado na Embaixada do Brasil em Paris, gestores públicos e pesquisadores apontaram a renovação da matriz energética como uma das principais medidas para que o país atinja a meta de corte de emissões apresentada às Nações Unidas.

As fontes renováveis correspondem, hoje, a 78% da geração de energia do Brasil. O dado supera em mais de três vezes a média mundial, com apenas 20,3% de fontes renováveis e mais de 40% provenientes do carvão. “O Brasil já faz a diferença e pode fazer mais a partir de uma perspectiva de inovação tecnológica”, declarou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “É preciso um debate sobre essa questão na agenda climática.”

CRESCIMENTO

Levantamento apresentado no encontro mostrou que o Brasil está no caminho certo. Liderado pelo pesquisador Emílio La Rovere, da COPPE/UFRJ, o estudo analisou as implicações das ações brasileiras voltadas para o corte de emissões de carbono. “Com a adoção das políticas adequadas, a INDC (meta nacional) do Brasil pode contribuir para o crescimento econômico sustentável, o desenvolvimento social e a redução de emissões’, afirmou Emílio.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou o desafio brasileiro de implantar a meta nacional de corte de emissões e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico. “O país tem um enorme potencial em termos de bioenergia e deve investir nisso”, defendeu. “O planejamento de ações é a chave para que o país continue nessa posição de liderança”, acrescentou o diretor-geral da Eletrobrás Cepel, Albert Melo.

O debate faz parte dos Diálogos do Brasil na COP21 – Rumo à Implementação da INDC Brasileira, realizado de hoje ao dia 9 de dezembro na Embaixada do Brasil em Paris.

SAIBA MAIS

O efeito estufa é um fenômeno natural que tem sofrido alterações por conta de atividades humanas como o transporte e a geração de energia. Com isso, têm sido geradas as mudanças do clima. Para mudar esse cenário, diplomatas de 195 países estão reunidos até o fim da próxima semana, em Paris. O objetivo é chegar a um novo acordo global capaz de limitar o aumento da temperatura da Terra a até 2ºC.

Fontes renováveis serão protagonistas no futuro da energia no Brasil

Até 2050, a demanda por energia elétrica no Brasil deve triplicar, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia. Atendê-la com um sistema confiável, sustentável e acessível aos consumidores é um desafio. E ao mesmo tempo, apresenta uma série de boas oportunidades não só de negócio, mas de desenvolvimento da indústria nacional, de formação de mão de obra qualificada e de inclusão social.

“Estamos no meio de uma revolução na área de energia”, disse Wilson Ferreira, da CPFL, no começo do debate. “E o consumidor está no centro dessa revolução”. Os especialistas trataram dos grandes temas que pautam a discussão sobre o futuro da energia no Brasil: fontes renováveis e diversificação da matriz energética, geração distribuída e confiabilidade da rede, smart grids, inovação e eficiência.

Fontes renováveis e diversificação da matriz

Com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território cortado por rios caudalosos, mais de sete mil quilômetros de litoral, bem como condições climáticas favoráveis, não surpreende que o Brasil já tenha quase 90% de sua matriz energética elétrica renovável.

O problema é que mais da metade dela está concentrada em energia hidrelétrica, o que ficou evidente com a seca que assolou o País em 2015, e acabou por contribuir para a elevação do preço da energia nacionalmente. “Mas toda crise tem seu lado positivo”, diz Marcos Costa, da GE. “Percebemos que não podemos ser tão dependente da geração hidrelétrica, precisamos diversificar”.

Fontes alternativas não faltam. Segundo Ferreira, da CPFL, se explorássemos todo potencial de geração de energia eólica e solar do país, por exemplo, que soma 440 mil MW, já teríamos três vezes mais energia que toda nossa capacidade instalada atualmente, que é de 140 mil MW. Hoje, porém, a capacidade instalada de geração eólica, a mais desenvolvida das duas, é de pouco mais de 6 mil MW, ou 4,8% do total, segundo dados do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, de setembro de 2015, do Ministério de Minas e Energia.

Pode parecer pouco, mas não é. Afinal, o primeiro leilão para esse tipo de geração de energia foi em 2009, como lembra Elbia Silva Gannoum, da ABEEólica. “Começamos há pouco mais de cinco anos e já somos a 10ª economia do mundo em geração de energia eólica, e o 4º País do mundo que mais aumentou a capacidade instalada em 2014”, diz. “Geramos 40 mil postos de trabalho, investimos R$ 18 bilhões no ano passado, e vamos gerar mais de 50 mil postos de trabalho em 2015, com outros R$ 22 bilhões investidos”. As perspectivas e o ritmo de crescimento são tão bons que a estimativa é de que, até 2025, 25% da matriz de energia brasileira poderão ser de energia eólica. E ainda há a solar, de biomassa e outras variações de energia térmica.

Geração distribuída e confiabilidade da rede

Outra tendência no mercado de energia que rivaliza com a explosão das energias renováveis, com destaque para a eólica, é a geração distribuída. Segundo números da GE, até 2020, projetos de produção descentralizada de energia – em unidades menores, mais ágeis e próximas de quem vai usar a força produzida – receberão investimentos da ordem de US$ 200 bilhões em todo o mundo. No mesmo período, a taxa de crescimento desse tipo de produção será quase 40% superior à taxa de crescimento da demanda mundial por energia. “No caso das máquinas aeroderivadas, que chegam à potência nominal em apenas 10 minutos, podemos gerar entre 18 MW e 100 MW”, afirma Marcos Costa, da GE.

Segundo o executivo, trata-se de uma boa opção no Brasil para complementar a oferta de energia em horários de pico em indústrias, por exemplo, ou durante intermitências. O sistema, guardadas as devidas proporções, é o mesmo que funciona nas termelétricas espalhadas pelo país e que, em 2015, foram fundamentais para garantir a estabilidade e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro durante a crise hídrica. “São sistemas que não só são confiáveis, mas também eficientes e limpos, principalmente quando funcionam com gás natural, que produz metade das emissões de sistemas que funcionam com diesel e carvão”, afirma Costa.

Há até a opção de usar lixo orgânico e o biogás que ele produz para rodar as turbinas, como já se faz em uma fazenda de porcos nas Filipinas, ou ainda uma fazenda leiteira na Índia. Nesses casos, o benefício pode ser triplo: não se emite o metano do biogás, gera-se energia e, se houver cogeração, aproveita-se o calor dos motores, o que faz a eficiência da máquina superar os 60%.

Smart grids, inovação e eficiência

Com a diversificação das fontes de geração de energia, a tendência é que o sistema elétrico se torne cada vez mais complexo. E isso é bom. Mas para aproveitar ao máximo as distintas fontes de energia em diferentes locais, a transmissão e distribuição terão que ser cada vez mais inteligente. É aí que entram as smart grids, ou redes inteligentes de distribuição de energia.

Funcionando em um sistema interligado nacionalmente e monitorado por uma infinidade de sensores, as smart grids poderão alocar energia de forma autônoma e eficiente para diferentes regiões em horários específicos, e identificar problemas na rede antes que eles interrompam o fornecimento. Elas também reduzem emissões e perdas, um problema no Brasil, onde 16,5% da energia gerada é perdida – 32% a mais que a média, estimada em 12,5%, pelo Banco Mundial. “A palavra de ordem é eficiência”, diz Wilson Ferreira, da CPFL, cuja aposta é a de que haverá cada vez mais demanda por gente especializada em smart grids.
A busca por eficiência, fundamental para garantir o futuro da energia no país, passa, invariavelmente, pelas inovações tecnológicas. Um exemplo recente da dependência saudável do setor por inovações é a lâmpada LED. Durante o racionamento do ano 2000, 99% das lâmpadas residenciais eram incandescentes e gastavam 94% de energia gerando calor, e apenas 6% gerando luz.

Hoje, as proporções de geração de luz e calor em uma lâmpada de LED são o inverso – e as lâmpadas duram 10 vezes mais. “A área de energia vai ser muito demandada por inovação e tecnologia”, diz José Carlos Miranda, presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). “Mas falta gente, somos carentes de pessoal capacitado”, afirma.

Elbia, da ABEEólica, faz coro. “Recentemente foram abertos dois cursos de mestrado e dois de graduação em energia eólica no País”, diz. “Mas ainda não estamos na velocidade do mercado”. Investir na formação e capacitação para este setor não é só garantir o futuro da energia no Brasil, mas também abrir um novo flanco de inteligência industrial que, em última instância, pode culminar na geração de tecnologia brasileira de ponta com grande potencial de exportação. “Somos o país da energia renovável”, diz Wilson, da CPFL. “São muitas as oportunidades por aqui”.

Fonte: Época Negócios

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