Foto: Divulgação/Abeeólica

Setor eólico adicionou 2 GW à matriz energética brasileira em 2016

Oitenta e um novos parques geradores de energia eólica adicionaram 2 gigawatts (GW) à matriz elétrica brasileira no ano passado, informou nesta quinta-feira, 4, a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

De acordo com o Boletim Anual de Geração Eólica 2016, a adição destas capacidades fez com que o setor chegasse ao final de 2016 com 10,75 GW de capacidade instalada em 430 parques, representando 7% da matriz brasileira. Segundo a publicação, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho em 2016 e o investimento no período foi de US$ 5,4 bilhões.

Citando dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a ABEEólica destaca que no ano passado a geração de energia eólica cresceu 55% em relação a 2015.

No ano passado, diz a entidade, a energia eólica gerou energia equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês, o que equivale a cerca de 52 milhões de habitantes. Isso significa um avanço de 58% em relação ao ano anterior, quando a energia eólica abasteceu 33 milhões de pessoas.

No relatório, a ABEEólica cita ainda dados do GWEC (Global Wind Energy Council), que mostram que o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no Ranking Mundial de capacidade instalada de energia eólica. Já no ranking de novas capacidades instaladas no ano, Brasil caiu uma posição e está em quinto lugar.

“Não fossem as eólicas, o Nordeste estaria enfrentando racionamento de energia”

ÉPOCA – O relatório divulgado nesta quinta-feira mostra que, em 2016, o Brasil instalou 81 usinas, com 2 GW de potência. Qual o balanço que podemos fazer desses números? Eles estão acima ou abaixo do esperado?
Elbia Gannoum –
Os números estão dentro do esperado. De 2009 para cá, a média de contratação foi de 2,1 GW por ano. Não surpreende porque, quando falamos de infraestrutura, o planejamento nos permite saber o que vai acontecer. Agora, alguns números nos deixam felizes. Por exemplo, em 2012, o Brasil era a 15ª economia em capacidade instalada de eólica. Aumentamos essa capacidade de ano a ano e, em 2016, chegamos à nona posição. Hoje nós somos a nona economia do mundo em capacidade de eólica. É um número que nos deixa feliz, isso surpreendeu um pouco.

ÉPOCA – Considerando o potencial do Brasil e a trajetória da energia eólica no país, estamos atingindo todo o nosso potencial? Ou ainda falta muito a ser feito?
Elbia Gannoum –
Houve um relativo retrocesso por causa da economia. Mas a energia eólica já desempenha um papel muito importante para o país. Nossa participação da capacidade instalada hoje é 7% da matriz elétrica nacional. Em termos de geração, atingimos patamares superiores. Tivemos um recorde nacional em que alcançamos uma geração de 15% da energia consumida em todo o país, no dia 2 de outubro. Isso é um indicador importante. O Brasil, nos últimos anos, não discute mais escassez de energia e risco de suprimento. Não fossem as eólicas, poderíamos estar enfrentando o racionamento de energia, principalmente no Nordeste. O próprio governo confirma essa informação. A energia eólica se tornou fundamental no sistema. E é um recurso limpo, renovável e altamente competitivo.

ÉPOCA – O retrocesso, imagino, é a falta de leilão de energia em 2016, já que o governo cancelou uma contratação de energia eólica. Qual o impacto que essa mudança de política pode causar no desenvolvimento da indústria eólica brasileira?
Elbia Gannoum –
Não foi uma mudança de política, foi uma questão pontual, que refletia uma conjuntura. Mas agora o governo está dando sinais de que fará novos leilões para contratar energia eólica. Claro, há muita coisa para melhorar, mas houve uma sinalização positiva do governo.

ÉPOCA – Ainda há críticas de que a eólica não conseguiria suprir a demanda porque depende do clima. A eólica está mais competitiva em relação a outras fontes?
Elbia Gannoum –
A fonte eólica, como provem de recursos da natureza, é variável. Isso não é um defeito, não é um problema. É uma característica da fonte renovável. Toda fonte renovável é assim. O Brasil precisa aprender a lidar com essas variações. É preciso ter uma matriz diversificada. As fontes renováveis são variáveis, mas elas também têm uma caracteristica interessante que é de sazonabilidade. Quando falta uma, tem outra. Faltou chuva, tem vento. Isso é um benefício que o Brasil pode aproveitar e usar para construir uma matriz futura com grande participação de fontes renováveis. Uma matriz que também terá um pouco de energias fósseis, como um mecanismo de segurança do sistema, mas com uma grande participação das renováveis.

Fontes: Estadão Conteúdo | Época – Blog do Planeta

 

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