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Sem novos leilões, geração eólica terá retrocesso após dez anos de aumento

Expectativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) é de que até setembro seja anunciado o cronograma de um novo leilão; certame vai elevar capacidade só a partir de 2020 

Por Rodrigo Petry | DIÁRIO COMÉRCIO INDÚSTRIA & SERVIÇOS

 

Os efeitos da recessão econômica vão trazer um retrocesso na expansão da energia eólica no País. Sem novos leilões previstos, haverá uma desaceleração da capacidade de nova energia instalada já em 2019, após dez anos de alta.

“O impacto do arrefecimento da demanda da indústria brasileira foi imediatamente sentido no mercado de energia”, diz o diretor presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates. Segundo ele, mesmo com a desaceleração econômica, o Brasil não tem sobra energética, o que gera uma preocupação quanto ao atendimento da demanda. “É importante que ocorra uma solução governamental urgente”, defende Prates, em relação à uma nova rodada de leilões ainda este ano.

A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, porém, minimiza o impacto da desaceleração da expansão da capacidade em 2019 e reforça que ainda há tempo de garantir uma ampliação a partir de 2020. “O que estamos investindo hoje é resultado dos leilões de 2012 e 2014. No ano passado, não houve leilão porque não havia demanda, pela crise econômica”, diz. “Há uma forte sinalização, por parte do governo, de que seja anunciado até setembro um novo leilão, que ocorreria em dezembro”, complementa ela.

Dados da ABEEólica apontam que, entre 2008 e 2017, a capacidade instalada cresceu mais de 38 vezes, saltando de 341,4 megawatts (MW) para 13.272,7 MW. A expectativa da associação é de que esse montante atinja 15.153 MW em 2018 e cresça apenas 4,5% em 2019, para 15.837 MW. Já em 2020, a estimativa inicial – sem considerar um possível leilão este ano – é de que a capacidade chegue a 17.986,7 MW. “Esse número pode ficar em 19, 20 ou 21 mil megawatts, dependendo do quanto seja contratado”, comenta Elbia.

Para poder ampliar a capacidade, novos investimentos precisam ser contratados por meio de leilões com três ou cinco anos de antecedência.

Nordeste

O maior beneficiado pela energia eólica vem sendo o Nordeste. Segundo o executivo do Cerne, com a seca que vem assolando a região, cerca de dois terços da energia consumida na área estão vindo de fontes renováveis, contra uma média, em geral na região, de um terço. “Isso foi resultado do incentivo à produção lá atrás, caso contrário poderíamos estar vivendo um apagão no Nordeste”, observa Prates.

Segundo dados do boletim mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Rio Grande do Norte segue como maior produtor de energia eólica do país com 1.076 MW médios em 2017, aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece o estado da Bahia com 704 MW médios produzidos (+25,6%), o Rio Grande do Sul, que alcançou 547,6 MW médios (+13%) e o Ceará, com 460,6 MW médios (+8,1%).

Os dados consolidados de maio de 2017 destacam que o Rio Grande do Norte tinha a maior capacidade instalada do País, com 3.209 MW, alta de 18,3% ante maio de 2016. Na sequência estão o Ceará, com 1.965 MW (+21,6%); a Bahia, que manteve os mesmos 1.750 MW; e o Rio Grande do Sul, com 1.715 MW (+13%).

Em 2016, foram instaladas 81 novas usinas eólicas, que acrescentaram 2.013 MW. No total, o parque eólico contava com 430 usinas, com um total de 10,75 GW de potência instalada. Como comparação, considerando todas as fontes de geração de energia elétrica, o sistema brasileiro registrou uma ampliação, em 2016, de 9,43 GW de potência – puxado pelas fontes hidrelétrica e eólica, que representaram 60,15% e 21,35%, respectivamente.

Mesmo com a desaceleração prevista da expansão da capacidade instalada em 2019, porém, a executiva da ABEEólica descarta riscos maiores de abastecimento. Ela ressalta que as demais fontes – h i d re l é trica e térmica – podem complementar a oferta. “A matriz energética dos países precisa ser bem variada, para não ficarmos sujeitos a riscos de apagão”, ressalta Elbia.

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