Angra dos Reis - RJ, 03/06/2011. SCAVE - Local do evento da Cerimônia de batismo da Plataforma P - 56. Foto: Ichiro Guerra/PR.

Petrobras vai vender seis campos no mar do Rio Grande do Norte

A Petrobras vai vender seis dos 10 campos marítimos que detém sozinha, ou com parceiro, em produção no Rio Grande do Norte – um processo confirmado na sexta-feira (28) e que, para o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, pode significar novos investimentos em tecnologia e revitalização de áreas já antigas e com produção em declínio.

A lista das que a estatal pretende repassar inclui o campo de Ubarana, o primeiro que descobriu  no estado e cuja produção também despencou nos últimos anos.

As informações foram  anunciadas ontem pela petroleira em Fato Relevante ao mercado, sob o título “Divulgação de Oportunidades de Desinvestimento – Teasers”. O processo de venda não está, porém, restrito às áreas do Rio Grande do Norte.

Histórico de Produção do Campo de Ubarana

No comunicado, a Petrobras  informa que “iniciou a etapa de divulgação das oportunidades de desinvestimento referentes à cessão da totalidade de seus direitos de exploração, desenvolvimento e produção em sete conjuntos de campos em águas rasas – totalizando 30 concessões – localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo.

O “pacote” relativo ao RN é composto pelos campos de Agulha, Cioba, Ubarana, Oeste de Ubarana, Pescada e Arabaiana.

A Petrobras é operadora de todas as concessões, com 100% de participação, exceto nas de  Pescada e Arabaiana, com uma fatia de 65%, em cada. Os outros 35% estão com a Ouro Preto Óleo e Gás, que tem à frente Rodolfo Landim, ex-presidente da OGX Petróleo e Gás, de Eike Batista.

Apesar de já aparecerem na relação de ativos que estão  “na prateleira”, a efetiva inclusão das concessões de Pescada e Arabaiana “na oportunidade de desinvestimento”, como descreve a Petrobras, está sujeita ao não exercício de direito de preferência por parte da Ouro Preto.

Desinvestimentos
O campos aparecem listados no programa de desinvestimentos por meio do qual a Petrobras tenta repassar a outras operadoras ativos considerados “não prioritários”.

Prates, do Cerne, lembra que no ano passado a estatal chegou a parar plataformas em operação em áreas marítimas, um preparativo, diz ele, para inserí-las nesse pacote de vendas. Possíveis ganhos esperados com a transação não foram divulgados.

Mas a estratégia de venda é também vantajosa sob outro aspecto. É considerada um meio mais viável de se desfazer de áreas que já não produzem a contento, uma vez que o simples “fechamento” delas e devolução representaria custos.

“Vale mais a pena tentar vender a alguém que aceite levar adiante a produção, investir um pouco mais, tentar revitalizar, do que fechar, gastar e devolver para a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sem ganhar um tostão”, diz Prates, ressaltando que  “fechar” geraria custos porque seria preciso deixar tudo como estava antes de a empresa entrar.

Para o analista, a possível entrada de novos investidores poderá representar a retomada do crescimento da produção, “pelo menos por alguns anos”, “algum investimento em tecnologia, alguma revitalização local em termos de empregos e investimentos diretos na região, mas não é de se esperar grandes descobertas que mudem o rumo desses campos, que já se veem em meio a uma história de decadência”. “São campos muito antigos”, diz e acrescenta. “A nota triste disso é que a Petrobras praticamente sai do RN em termos de águas rasas, o que nunca foi muito grandioso, mas de alguma forma representa uma produção de petróleo significativa do ponto de vista do setor águas rasas no Brasil”.

Campos à venda
Os que estão no pacote de desinvestimentos, no mar do RN:

Operados só pela Petrobras
Campos: Ubarana, Cioba, Oeste de Ubarana, Agulha
Participação da Petrobras: 100%
Produção no 1º semestre de 2017: 3.729 barris de óleo equivalente/dia

*Operados com parceiro
Campos: Pescada e Arabaiana
Participação da Petrobras: 65%
Participação de outros: Ouro Preto (35%)
Produção no 1º semestre: 1.567 barris de óleo equivalente/dia

*Venda sujeita ao não exercício de direito primeira oferta por parte do parceiro nas concessões (Ouro Preto Óleo e Gás).

Outros destaques
PERFIL: Os campos do RN que estão à venda estão localizados em águas rasas a uma distância de 30 km da costa, e com profundidade de reservatório entre 1.300 e 3.900m. A maioria começou a produzir nos anos 80. Atualmente produzem com 54 poços e 25 plataformas fixas (das quais quatro são habitadas), duas com facilidades de separação gás/líquido;

TRANSAÇÃO: Todas as plataformas, dutos de exportação e um duto de importação de água para injeção estão incluídos no perímetro da Potencial Transação

UBARANA: Um dos campos à venda, o de Ubarana, foi o primeiro campo que a Petrobras descobriu no Rio Grande do Norte. A descoberta ocorreu em 14 de novembro de 1973 e a produção foi iniciada em 30 de junho de 1976. Está em curso na área um projeto de injeção de água para melhorar o perfil de produção.

OPERAÇÃO NO MAR
 são os campos marítimos que a Petrobras tem em desenvolvimento no RN.

10  é a quantidade que tem em produção. Seis, desse total, estão no programa de desinvestimentos.

 

Sindipetro critica venda 

O anúncio das vendas de 6 dos 10 campos marítimos detidos pela Petrobras no Rio Grande do Norte  não foi bem recebido pela categoria dos petroleiros. Ao passo em que o diretor-presidente do Centro de Estrategia em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, disse que a venda pode representar novos investimentos em áreas que tinham sua produção em declínio nos últimos anos, o coordenador geral do Sindipetro, José Araújo, afirmou que a venda faz parte de um plano de retirada da Petrobras dos territórios marítimos e terrestres não apenas do RN, mas de outros estados como Ceará e Bahia e que dificilmente trará retornos positivos para o Estado.

Os campos marítimos colocados à venda fazem parte do programa de “desinvestimento” da empresa, que tenta fazer com que os ativos considerados “não prioritários” pela Petrobras sejam repassados a outros investidores.  De acordo com um comunicado oficial da Pertrobras, “foi iniciada a etapa de divulgação das oportunidades de desinvestimentos referentes à cessão da totalidade de seus direitos de exploração, desenvolvimento e produção”. Ao todo, 30 concessões localizadas nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo constam na lista divulgada. A produção média de petróleo e gás natural desses campos, no primeiro semestre de 2017, foi cerca de 73 mil barris de óleo equivalente por dia.

No RN, estão a venda os campos de Agulha, Cioba, Ubarana, Oeste de Ubarana, Pescada e Arabaiana. No ano passado, a Petrobras anunciou a paralisação de 7 plataformas marítimas no Estado, um preparativo para a venda dos campos. Com a concretização das vendas, a empresa ficará praticamente ausente da exploração marítima no Estado. Até o momento, não se sabe quanto a companhia pretende  lucrar com a venda dos campos. De acordo com Jean-Paul Prates, a venda é considerada um dos meios mais viáveis da empresa se desfazer de áreas que estão com baixa produção. Para ele, o simples fechamento dos campos resultaria também em um custo.

José Araújo, no entanto, afirma que o Sindipetro, que representa petroleiros não apenas da Petrobras, mas de outras empresas privadas no país, por ser um sindicato nacional, já observou que a venda não necessariamente vai representar uma melhoria para a situação atual dos campos. “É preciso lembrar que o PIB industrial do Rio Grande do Norte é praticamente metade da Petrobras. Nós vemos como essa situação se dá em outros Estados e consideramos isso um crime para a economia do Rio Grande do Norte”, disse.

A tendência é que pequenas e médias empresas de exploração de petróleo independentes passem a atuar nos campos. O processo, rodeado de incertezas, tem como algumas de suas maiores dificuldades o emprego, por parte dessas empresas, do mesmo nível de excelência exercido pela Petrobras tanto em nível de investimentos como em qualidade nos postos de trabalho em um campo que, de acordo com Jean-Paul Prates, possui “muitas regras específicas, regimes de trabalho diferentes e de meio ambiente que devem ser respeitadas”. Para a Petrobras e os novos empresários que passam a investir no setor, no entanto, a expectativa é de uma “revitalização” no setor de exploração de petróleo e gás. Os impactos da venda e o possível arremate dos campos por empresas menores será debatido por petroleiros ligados ao Sindipetro em um encontro nacional que será realizado entre os próximos dias 3 e 6 de agosto, na Bahia.

Os especialistas ressaltam, no entanto, que os campos colocados à venda são bastante antigos, e que a produção marítima do Rio Grande do Norte não é tão significativa em relação a sua produção terrestre, o que poderia ser propício para pequenas empresas que podem encontrar vantagens na exploração para um mercado específico. A Petrobras detém exclusivamente os ativos de quase todos os campos à venda, com exceção de Pescada e Arabaiana, onde a empresa detém 65% de cada. As etapas subsequentes do processo de venda ainda serão divulgadas pela companhia.

Campos terrestres
No ano passado, como parte do programa de “desinvestimento” a Petrobras já havia anunciado a intenção de vender 38 dos 68 campos terrestres do Rio Grande do Norte. À época, a venda dos campos foi contestada na justiça pelo Sindipetro e, em maio deste ano, a Petrobras anunciou a suspensão das vendas. Ao todo, os ativos que se encontravam no “pacote” do projeto de desinvestimento representavam cerca de 23% de toda a produção potiguar em terra, equivalente a 15 mil barris por dia.

Fonte: Renata Moura | Tribuna do Norte

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