Para preservar hidrelétricas, térmicas vão continuar em funcionamento neste mês

O Ministério de Minas e Energia informou que vai manter as usinas térmicas mais caras em funcionamento no início de novembro, mesmo após o custo da geração de energia no país ter sofrido “acentuada redução” devido ao início do período chuvoso.

A decisão foi tomada para preservar a água nas barragens das hidrelétricas. O ministério informou que a volta das chuvas não refletiu em aumento nos níveis dos reservatórios das usinas, que operam com os menores índices dos últimos anos.

A manutenção de mais térmicas em funcionamento encarece as contas de luz no país. O custo para gerar eletricidade sobe conforme aumenta a necessidade de despachar com o parque térmico.

A maior parte do custo extra é cobrado por meio das bandeiras tarifárias. Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu aumentar a taxa extra cobrada na bandeira vermelha 2 de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 kilowatt-hora consumidos.

Quando a bandeira não consegue compensar a geração mais cara, o custo extra é colocado nos reajustes anuais das distribuidoras de energia. O próximo reajuste da Light e da Enel (ex-Ampla), por exemplo, está previsto para março de 2018.

Os reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste (região que concentra as maiores hidrelétricas) operam com 17,76% da capacidade. No Nordeste, as barragens estão com apenas 5,78% do armazenamento disponível.

As barragens fecharam o mês de outubro na pior situação desde 2000, início da série histórica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A situação está pior, inclusive, que os números registrados durante o racionamento de 2001. Desta vez, no entanto, o governo garante que não há risco de faltar energia.

A decisão desta sexta-feira foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O órgão, que reúne as principais autoridades do governo no setor, vem se reunindo semanalmente para avaliar a situação de abastecimento de energia no país. O encontro de hoje foi extraordinário e não estava previsto na agenda.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que ficou decidido manter em operação usinas térmicas com custo de até R$ 702,50 por megawatt-hora. O ministério não informou o quanto caiu o custo de geração, mas disse que o início do período das chuvas não refletiu “em ganhos significativos nos níveis de energia armazenada dos reservatórios em todos os subsistemas brasileiros até o momento”.

“O CMSE mantém-se acompanhando permanentemente o comportamento do Sistema Elétrico Brasileiro, principalmente no que se refere ao nível dos reservatórios”, concluiu o texto.

A decisão do governo reconhece, no jargão do setor elétrico, o despacho de térmicas fora da ordem de mérito. Ou seja, serão acionadas as usinas com custo acima do preço da energia no mercado à vista. Até agora, o ONS vinha ligando as térmicas baseando-se a energia gerada pelo menor custo.

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