‘Estudamos oportunidades de aquisição no Brasil’, diz presidente da Iberdrola

José Ignacio Galán afirma que está de olho na privatização da Eletrobras, mesmo com incerteza eleitoral

Controladora da Neoenergia, maior distribuidora de energia do Brasil (abastecendo 40 milhões de pessoas), a Iberdrola estuda oportunidades de negócios no país, como as que podem surgir no processo de privatização da Eletrobras, mesmo com o cenário incerto das eleições. É o que diz o presidente mundial do grupo espanhol, José Ignacio Galán, que pretende investir R$ 24 bilhões até 2022 no Brasil. A Neonergia é a maior empresa do setor no Brasil em número de clientes, são 13,6 milhões – abastecendo 40 milhões de pessoas. A empresa vai investir € 6 bilhões (R$ 24 bilhões) até 2022 no país. É uma parcela significativa dos € 32 bilhões que a empresa tem para o seu plano de investimentos global até 2022. Na sexta-feira, a empresa reuniu em Bilbao, ao Norte da Espanha, cerca de 1 mil pessoas em sua assembleia geral de acionistas.

Está em discussão no Brasil uma reforma do setor elétrico. Na sua opinião, o que deveria mudar?

Falar agora, a cinco meses das eleições… Vamos esperar o novo presidente. A reguladora (a Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica) tem regras claras, e as respeitamos. As revisões tarifárias são feitas num clima de diálogo. De forma transparente. A prioridade do Brasil agora não é mudar o modelo. Há outras coisas mais importantes no Brasil.

O resultado das eleições pode mudar planos de investimentos no Brasil?

Reitero que nosso compromisso é com os brasileiros, não com o governo. Quem elege o presidente são vocês. Nosso compromisso é manter as pessoas conectadas. O Brasil passou pela maior crise de sua história. Mas, nesta manhã (quinta-feira), reunido com meu Conselho, fiquei muito contente porque as agências ratificaram o rating do Brasil (nesta semana, uma das agências melhorou a perspectiva da nota). Apesar do ano eleitoral, as agências de rating acreditam no Brasil. Nós negociaremos com qualquer governo que for eleito. Nosso compromisso com o país está intacto.

Nosso ministro de Minas e Energia acabou de mudar (Moreira Franco assumiu a pasta)…

Do Brasil, conheci sete, oito ministros de Minas e Energia e diferentes presidentes (da República). Dilma (Rousseff) esteve na Espanha quando ministra de Minas antes de ser presidente. Tenho uma boa relacão com ela. O ex- presidente Lula esteve aqui, tive uma boa relação com Cardoso (Fernando Henrique). Faz parte do nosso mundo. Cremos e respeitamos em quem os cidadãos elegem.

Há intenção de fazer novas aquisições no país?

Estudaremos as oportunidades e sempre estamos abertos. Em 2017, houve leilões para linhas de transmissão e renováveis, e ganhamos vários projetos. Seguiremos nessa linha. Vai haver uma série de oportunidades com a privatização da Eletrobras, e, por certo, as estudaremos. Não somos especuladores financeiros. Estamos há 120 anos nos dedicando a produzir, distribuir e vender energia. Sabemos que passamos momentos bons e e ruins, que mudam os governos e as políticas, passamos por guerras civis (em outros países), mundiais, ditaduras e revoluções e nosso compromisso é seguir mantendo as pessoas conectadas.

O risco de um crescimento global menor pode prejudicar o plano de investimento global de € 32 bilhões até 2022?

Ano passado o PIB global teve crescimento na ordem dos 3%. A economia de 180 países cresceu. As previsões apontam para crescimento nos próximos anos em todas as regiões geográficas. Europa, EUA e Espanha têm crescimentos importantes, a América Latina segue crescendo. O México e o Brasil crescem. O horizonte é esse. Todos os aspectos relacionados ao meio ambiente estão causando uma maior eletrificacão da economia. Isso significa, de acordo com as cifras da Agência Internacional de Energia, 60% de incremento de demanda por energia elétrica nos próximos 20 anos por essa maior eletrificacação. O que vai demandar investimentos na ordem de US$ 20 trilhões em todo o mundo em redes, geração e transfomarção da geração atual por nova geração, sustentável. Um horizonte brilhante de demanda mundial de energia elétrica que demanda uma transformacão das fontes de geração em fontes sustentáveis, e mais linhas de transmissão de energia para poder chegar a todos os usuários. Milhões ainda não têm acesso à energia. Estamos num bom setor e num bom momento de demanda de energia no mundo.

Quanto desse investimento será no Brasil?

No Brasil ficarão 18% desse montante. Algo como € 6 bilhões. Fundamentalmente em distribuição, linhas novas de distribuição e de transmissão e algo pequeno de renovável, alguns novos parques eólicos que já estão em andamento. Também vamos colocar energia renovável no mercado livre. No Brasil temos 17 parques eólicos, sete centrais hidrelétricas e 580 mil quilômetros de linhas elétricas.

Investimento em energia solar, fotovoltaica, está muito longe no Brasil?

Não estamos por essa ou aquela tecnologia. Mas por aquela que é mais eficiente naquele momento. No México, por exemplo, há regiões com ventos constantes (boas para a eólica) e outras magníficas de sol (para a solar). O Brasil tem mais vento do que sol. Para energia solar, o Brasil é muito plano e chuvoso.

Foto: Daiane Costa | O Globo

 

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