Especialistas e gestores debatem crise hídrica no RN

As condições dos níveis de reservatórios e a atual situação das bacias hídricas e açudes do Rio Grande do Norte foi o tema da primeira edição do Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do CERNE de 2018. O auditório da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN ficou lotado de especialistas, pesquisadores, gestores e estudantes que debateram a crise hídrica no estado.

O Diretor do Instituto de Gestão de Águas do RN, Josivan Cardoso, apresentou números sobre a capacidade dos reservatórios hídricos monitorados pelo Governo do Estado. “A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do estado, nunca esteve com volume hídrico tão baixo em toda a história”, afirmou o diretor.

Atualmente, a barragem comporta cerca de 287 milhões de metros cúbicos de água. Em 2017 esse número chegou a 343 milhões de metros cúbicos. “Nessas condições, precisamos garantir a segurança hídrica para abastecimento das cidades. O cuidado deve ser redobrado”, disse.

Cardoso também enfatizou a importância da consciência quanto ao consumo sustentável da água diante da atual situação crítica dos níveis dos reservatórios. Dos 47 reservatórios com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos no Estado, 19 continuam em volume morto e 11 estão secos.

A situação das reservas hídricas subterrâneas foi o tema apresentado pelo Técnico da SEMARH e ex-diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Varela. “Estudar as águas superficiais, seu potencial e fluxo é fazer gestão. As águas subterrâneas afetam diretamente a qualidade dos rios”, pontuou.

A Diretora de Empreendimentos da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN), Geny Formiga, apresentou um panorama sobre o abastecimento urbano e rural no estado e a perspectiva da CAERN para os próximos anos. “Estamos passando por uma crise hídrica que afeta grande parte do estado. São 15 municípios em colapso de abastecimento e outros 84 com o sistema de rodízio”, afirmou. Neste contexto a região oeste é a mais atingida.

O Rio Grande do Norte tem como fazer um planejamento para garantir segurança hídrica para a região do Seridó até 2070. O estudo sobre o balanço hídrico da região foi apresentado pelo Consultor e ex-Secretário da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), Rômulo Macedo. “Os reservatórios do Seridó, segundo a nossa pesquisa, têm capacidade de ofertar água para o consumo humano até 2070. Em breve vamos apresentar um estudo de alternativas de engenharia hídrica para resolver o problema hídrico da região, em seguida, vamos escolher as melhores e definir as questões de viabilidade econômica. Depois desses procedimentos, o estudo será entregue para a SEMARH, que vai em buscar de recursos para viabilizar os recursos para a construção das adutoras”, explicou.

Para o Gerente Regional do SEBRAE- Assu e integrante do Comitê de Águas do Centro SEBRAE de Sustentabilidade Regional, Fernando Leitão, é necessário que a sociedade possa ter maior acesso as leis que regulam o uso da água. Ele também ressaltou que esse recurso natural é insumo para empresas de todos os portes, setores e segmentos. Em alguns casos, é a própria matéria-prima. “As empresas precisam se adequar rapidamente as novas exigências para o consumo sustentável e racional da água”, afirmou.

O Ciclo de Debates terá outras edições ao longo do ano abordando temas relativos a recursos naturais e energia. Mais informações no site do CERNE em www.cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *