Energias eólica e solar atingem patamar mais baixo de preços no país

Os leilões de geração de energia realizados nesta semana chamaram a atenção pela forte concorrência e altos deságios.

No leilão desta quarta-feira (20), em que predominaram usinas termelétricas a gás e eólicas, o desconto médio foi de 38,7%; no certame de segunda (18), havia sido de 54,6%.

Com isso, tanto as usinas de energia eólica como solar chegaram a patamares recordes de preço nos leilões.

No caso das usinas solares, que predominaram no leilão de segunda, o preço ficou em uma média de R$ 145 por megawatt-hora –uma queda bastante representativa em comparação aos de R$ 297 por megawatt-hora registrados em 2015, data do último leilão em que a fonte participara.

A fonte eólica também chegou a seu menor valor por megawatt-hora nesta quarta: a média foi de R$ 98,62, e o lance mais barato chegou a R$ 97.

Ainda é cedo para falar em um novo patamar de preços, segundo Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeolica, associação que representa a indústria.

“Foi o primeiro leilão em dois anos. Precisaremos de mais tempo para entender melhor esse deságio, que reflete diversos fatores, como queda de juros, menor custo de capital, negociação com fabricantes. Cada empreendedor tem sua estratégia. O mais importante é a retomada dos investimentos.”

No caso da fonte solar, os preços do leilão desta semana de fato refletem uma redução forte dos custos, que deverá ser incorporada pelo governo em seus planejamentos futuros, afirma Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar (associação do segmento).

“Os próximos planos decenais [revisados anualmente pelo governo] devem contemplar essa nova faixa de preço”, disse.

Perguntado sobre a possibilidade de os baixos valores acelerarem a expansão das fontes renováveis na matriz energética do país, o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Luiz Barroso, afirmou que o resultado dos leilões serão considerados nos estudos e no planejamento do governo.

FISCALIZAÇÃO

O valor baixo dos projetos deverá ser motivo de atenção redobrada para a Aneel (agência reguladora do setor), segundo o diretor Reive Barros dos Santos.

“O desafio agora é assegurar que as empresas entreguem no prazo estabelecido e na qualidade desejada. Esses preços mais competitivos vão ensejar a necessidade de um acompanhamento mais de perto para evitar uma situação, como a que se vê hoje, de empreendimentos revogados porque não conseguiram entregar.”

O diretor ressaltou, porém, que as empresas vencedoras têm histórico positivo de empreendimentos anteriores.

Os preços mais competitivos foram conquistados porque as empresas fizeram um “dever de casa financeiro” e buscaram formas alternativas de financiamento, sem uma dependência do BNDES, afirmou o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Luiz Barroso.

“Houve uma criatividade maior das empresas, que fizeram debêntures, ECAs [Export Credit Agencies, financiamento internacional a taxas competitivas e com proteção cambial].”

Segundo Igor Walter, diretor do Ministério de Minas e Energia, o próprio leilão trouxe mecanismos para garantir a execução dos projetos, com mais exigências. “O edital foi aprimorado para que passe a ser mais exigente e evitar problemas do passado.”

Fonte: Thais Hirata | Folha de São Paulo

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