Energia solar se torna mais barata que combustíveis fósseis

As energias renováveis atingiram um importante marco em 2016. De acordo com relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), em 30 países, incluindo o Brasil, as energias solar e eólica já podem ser produzidas gastando-se menos do que com algumas oriundas de combustíveis fósseis, caso do carvão e do gás.

Carvão e gás são responsáveis atualmente por 62% da geração total de energia do mundo, segundo dados do Banco Mundial.

Enquanto o custo da energia, o chamado LCOE (Custo Nivelado de Energia), do carvão gira em torno de US$ 100 o megawatt/hora, o preço da energia solar caiu de US$ 600, como era há uma década, para US$ 300 há cinco anos e atualmente já está próximo ou abaixo de US$ 100. O LCOE da energia eólica já chegou em alguns lugares próximo a US$ 50. A análise do WEF não leva em conta o custo da energia gerada pelo petróleo.

Foto: Época Negócios/Reprodução

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Os 30 países analisados, segundo o WEF, atingiram “um ponto de inflexão”, onde a energia solar custa o mesmo ou até menos do que a energia produzida pelas fontes tradicionais e mais poluentes. Chile, México, Brasil  e Austrália são alguns dos países citados que alcançaram o “ponto de inflexão”. O WEF projeta que dois terços dos países do mundo vão chegar neste nível em alguns anos. Em 2020, a energia solar fotovoltaica terá um custo menor que o carvão e gás em todo o mundo. “As energias renóveis atingiram esse ponto”, disse Michael Drexler, que lidera a área de investimentos de infraestrutura e desenvolvimento do WEF, ao Quartz. “Não tornaram-se apenas uma opção viável comercialmente, mas bem como uma opção atrativa, pensando no longo prazo, estabilidade e considerando a inflação futura”.

Um ponto importante é avaliar que a redução de preço ocorreu sem necessariamente incremento de subsídios. “Segundo a International Energy Agency (IEA) , os combustíveis fósseis receberam US$ 493 bilhões em subsídios em 2014, quatro vezes mais do que os subsídios endereçados às energias renováveis”, analisa o relatório.

O levantamento também cita uma análise recente da International Energy Agency mostrando que a capacidade instalada de energia limpa cresceu 153 gigawatts, superando a estrutura instalada para carvão por exemplo. Na prática, isso significa que cerca de 500 mil paineis solares são instalados no mundo todos os dias.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, um dos maiores desafios para investidores nos próximos anos será lidar com um cenário de poucas oportunidades – e a necessidade crescente de alocar um maior capital considerando um maior número de passivos. Isso porque um dos maiores desafios do mundo é lidar com o aquecimento global e seus impactos econômicos e negativos para a humanidade.

Nesse sentido, segundo o fórum, as infraestruturas “renováveis” já atingiram um nível de maturidade que constituem um sólido investimento e aumentam as chances de reverter os impactos causados pelo aquecimento.  Entre as barreiras para esse tipo de investimento estão incertezas regulatórias, contratos não padronizados e falta de ativos específicos dentro das instituições financeiras.

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