Energia eólica atrai recursos para o RN

O setor de energia eólica será o principal motor dos investimentos que o Rio Grande do Norte deverá receber até 2020, segundo levantamento realizado pelo Itaú Unibanco. Até lá, estima Paula Mayumi, economista do banco, espera-se alguma coisa em torno de R$ 1,3 bilhão, dos quais 88%, ou R$ 1,14 bilhão, deverão ser investidos em geração eólica, envolvendo ampliação de capacidade e novos parques. O setor de turismo e hotelaria vai receber em torno de R$ 123 milhões e outros R$ 20 milhões para o segmento de gás natural.

Mas não será um percurso tranquilo. Diante da crise instalada na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado tende a registrar seus piores momentos neste ano e em 2016, com retração de 2,2% e de 1,1% respectivamente, ligeiramente inferior à queda de 3,3% e de 1,5% projetada para o país. Segundo ela, a economia potiguar deverá registrar um avanço anual médio de apenas 0,1% entre 2015 e 2020, em linha como esperado para o restante do Brasil. A concentração do PIB regional nos setores de serviços e de comércio, que somados respondem por 43% do valor adicionado, e a desaceleração nos gastos do Bolsa Família, sugere Paula, ajudam a entender o baixo dinamismo.

As perspectivas parecem mais animadoras na área da indústria eólica, que responde por 25% a 30% da energia consumida no Nordeste, diz Paula. A holding Complexo Eólico VamCruz, formada pela Centrais Hidroelétricas do São Francisco (Chesf), que tem participação de 49% na sociedade, pelo francês Grupo Voltalia, com 25,6%, e pela cearense Encalso Construções, com 25,4%, investe R$ 474,4 milhões na implantação de quatro parques em Serra do Mel, com potência total 93 megawatts (MW). O início de operação dos empreendimentos está previsto para novembro, no caso das usinas de Junco I e II, e para as duas primeiras semanas de dezembro, nas plantas de Caiçara I e II, segundo a Chesf.

Em dez anos, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (Seern), o Estado passou de importador para exportador de energia, graças aos investimentos em geração eólica. O parque potiguar, com potência para quase 2,3 gigawatts (GW), responde por 34,3% da capacidade instalada no país para a produção de energia eólica vento.

A instalação das usinas atraiu investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões nos últimos cinco anos, diz Prates, recorrendo a dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (CERNE). Mas a movimentação gerada pelos projetos, considerando-se apenas gastos diretos com equipamentos, materiais, serviços e mão de obra, segundo ele, pode ter superado R$ 10 bilhões.

Na área de infraestrutura e turismo, podem surgir novos investimentos, especialmente se o Estado conquistar o hub (terminal de conexão) que o Grupo Latam, controlador da TAM e da chilena LAN, pretende instalar no Nordeste. A Inframerica, empresa que administra o Aeroporto de Natal, está otimista, segundo seu presidente, José Luis Menghini. “Estamos preparados para fazer as adequações necessárias, no tempo exigido, para atender às necessidades da TAM”, afirma.

O aeroporto, que recebeu em torno de 2,6 milhões de passageiros em seu primeiro ano de operação, iniciada em junho de 2014, espera um crescimento entre 9% e 11% em 2016. Ainda em fase de avaliação, Menghini antecipa a perspectiva de investir de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões na ampliação do terminal de cargas do aeroporto, que atualmente ocupa 4 mil metros quadrados de área construída.

Imagens: Valor Econônico / www.robsonpiresxerife.com / Blog SustenHabilidade

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