Em 4 anos, produção de energia solar fotovoltaica cresceu 4000% no Rio Grande do Norte

Se todos os telhados e lajes do Brasil tivessem sistemas de energia solar fotovoltaica instalados neles, essa matriz teria produção potencial de 164 gigawatts de energia. Parece pouco? Isso é 7% superior à necessidade energética nacional, que é de 152,2 GW, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – Absolar. Os dados são baseados em uma pesquisa do próprio setor.

Apesar do potencial energético, o setor fotovoltaico representa menos de 1% da matriz nacional e enfrentas desafios tributários e de interesse governamental para crescer.

O primeiro leilão federal de energia solar fotovoltaica ocorreu em 2014. Até o final deste ano, 1 GW oriundos das usinas de geração concentrada entrarão no sistema nacional de energia, graças aos resultados desta primeira compra. Por outro lado, não existe qualquer perspectiva de novos investimentos a partir de 2018. Os leilões agendados para o ano passado foram cancelados pelo governo federal.

“Com o cancelamento dos leilões, R$ 9 bilhões deixaram de ser investidos no Brasil”, declarou o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia. “Isso causa incerteza para a indústria. Porque o empreendedor vai se instalar num país, sem saber se haverá mercado no ano seguinte. O governo falou que não precisa de mais energia por causa da recessão, que reduziu o consumo, mas estamos com vários anos de seca, sem água para as hidrelétricas, e pagando muito caro com produção das termelétricas, a R$ 1,1 mil o mewawatt. A energia fotovoltaica seria uma solução muito mais barata em um momento como este”, apontou.

Em contraponto às incertezas, a indústria tenta tornar a matriz mais conhecida ao redor do país. Se o setor de energia solar fotovoltaica concentrada (usinas de grande porte e com energia comprada pelo governo) passa por incertezas, o setor de mini e microgeração, ou de energia distribuída (residenciais, comerciais e industriais) continua crescendo.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, o estado assinou o convênio ICMS 16/2015 (a exemplo de outros 23 unidades federativas). O acordo isenta a energia gerada pelas unidades geradoras do ICMS. O estado também conta com linhas especiais de crédito como a FNESOL, do Banco do Nordeste, com financiamento para instalação dos sistemas, que o a Absolar quer expandir para outras regiões do país com a ajuda de bancos nacionais públicos.

Como resultado da divulgação, o estado ampliou sua potencia instalada em energia solar fotovoltaica de 56 kilowatts em 2013 para 2.219 kw em 2017. Passou de quatro unidades consumidoras naquele mesmo período para atuais 168. O crescimento de unidades ultrapassa os 4000%, enquanto a produção chega a quase isso: 3862,5%.

O tema foi debatido ontem no campus central do IFRN (que tem sistema de energia solar instalados em 11 campis ao redor do estado), em Natal. A discussão faz parte do ciclo de debates do Conselho Técnico-Científico do Cerne – o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia. De acordo com o presidente, Jean Paul Prates, o ciclo de palestras visa integrar academia e empresários para fomentar o setor energético. O tema da energia solar foi o centro do segundo debate do ano. O primeiro, realizado em março, tratou da água. “Teremos cinco debates ao longo do ano, com o objetivo de ampliar conhecimento, debater soluções e melhorar a atividade”, concluiu.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

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