Echoenergia planeja investir R$ 1 bi em usina eólica no Rio Grande do Norte

A Echoenergia, braço de geração de energia renovável da gestora britânica Actis, vai investir cerca de R$ 1 bilhão na construção de um novo complexo eólico no Rio Grande do Norte. Com 206 megawatts (MW) de capacidade, o empreendimento, chamado de Serra do Mel 2, está previsto para entrar em operação em janeiro de 2022 e fornecerá energia para quatro consumidores livres com os quais a companhia assinou recentemente contratos de compra e venda de energia no longo prazo.

“Acabamos de assinar [os contratos] com quatro compradores diferentes. Com isso, construindo esse parque, chegaremos a 1.211 MW de capacidade instalada em 2022”, afirmou o presidente da Echoenergia, Edgard Corrochano, ao Valor.

Com os novos contratos assinados, subiu para 479 MW a capacidade de projetos em construção da Echoenergia. A empresa prevê concluir em meados de 2020 a construção do parque Serra do Mel, também no Rio Grande do Norte, que atenderá outros contratos do mercado livre.

A empresa possui também 732 MW de potência de parques eólicos em operação no Brasil.

Segundo Corrochano, a expectativa é atingir um faturamento de cerca de R$ 1 bilhão, em 2022. Neste ano, o faturamento deverá ser da ordem de R$ 600 milhões.

Outra meta da companhia é alcançar uma carteira de 1,5 mil MW, entre projetos em operação e construção. O presidente da Echoenergia prevê que esse número seja atingido já em 2020.

Com relação ao novo parque Serra do Mel 2, a Echoenergia está analisando as alternativas de financiamento para o projeto. A opção tradicional seria o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), porém a companhia já captou R$ 1,3 bilhão em 12 meses com a instituição e atingiu o teto de financiamento.

As alternativas em estudo para financiar o novo complexo são a emissão de debêntures de infraestrutura e o acesso a recursos de uma agência de crédito à exportação, considerando a hipótese de as turbinas serem importadas. Outra opção é a securitização dos contratos de fornecimento de longo prazo, ou seja, a antecipação dos recebíveis oriundos desses contratos.

“Estamos olhando várias alternativas. Vamos obviamente com a mais competitiva. Estamos fazendo a securitização de alguns desses PPAs [sigla em inglês para os contratos de energia de longo prazo], que é uma inovação no mercado de financiamento de energia”, completou Corrochano.

O executivo disse ainda estar acompanhando as discussões no Congresso em torno dos projetos de lei que tratam da reforma do setor elétrico, com perspectiva de abertura maior do mercado. “Vemos que, financeiramente, a migração [do consumidor cativo para o livre] vai continuar. E estamos em uma posição privilegiada de capturar ainda mais esse crescimento do mercado livre”, afirmou o executivo. Ele prevê que, no fim da próxima década, as participações do ambiente de contratação livre, hoje de 30% do mercado total de energia, e do regulado, de 70%, vão se inverter.

“A eólica vai se beneficiar da abertura do mercado, porque ela é muito competitiva”, completou.

Questionado sobre reportagem publicada no fim de outubro pelo Valor informando que a Actis teria colocado a Echoenergia à venda, o executivo disse que não comentaria o assunto.

Fonte: Rodrigo Polito | Valor Econômico

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