Copel começa operação em teste de eólicas no RN

Complexo Cutia tem 180,6 MW e é composto por sete parques eólicos. Energia gerada será negociada no MCP

O complexo eólico Cutia (RN – 180,6 MW), de propriedade da Copel, começou a sua operação em teste. O complexo é formado pelos parques Cutia, Guajuru, Esperança do Nordeste, Jangada, Maria Helena, Paraíso dos Ventos do Nordeste e Potiguar. Em comunicado ao mercado na última quarta-feira, 20 de setembro, a empresa paranaense explicou que 50% dos aerogeradores estão operando em fase de testes, enquanto os outros vão entrar em operação em seguida de forma escalonada.

Ainda de acordo com o comunicado, na fase de testes a energia será comercializada no mercado de curto prazo e, após a obtenção da licença operacional, a produção será entregue conforme contratado. O Complexo Cutia compõe, em conjunto com o Complexo Bento Miguel, o Empreendimento Eólico Cutia, que é formado por 13 parques, totalizando 312,9 MW de capacidade instalada.

Fonte: Canal Energia

Petrobras e Equinor vão desenvolver negócios de energia eólica offshore

Estadão Conteúdo

A Petrobras assinou nesta quarta-feira, 26, com a empresa norueguesa Equinor ASA – Equinor (ex-Statoil) um memorando de entendimentos (MoU) visando ao desenvolvimento conjunto de negócios no segmento de energia eólica offshore no Brasil.

“No âmbito da parceria estratégica entre as duas empresas, a Petrobras e a Equinor vêm investigando outras áreas potenciais de cooperação, incluindo desenvolvimento de iniciativas em energias renováveis”, diz a estatal.

Segundo a empresa, a realização de estudos conjuntos com a Equinor faz parte da estratégia da Petrobras em desenvolver negócios de alto valor em energia renovável, em parceria com grandes players globais, visando à transição para uma matriz de baixo carbono.

O MoU não estabelece obrigações para as partes empreenderem quaisquer negócios, mas indica a intenção das empresas em trabalhar conjuntamente para desenvolver projetos no segmento de energia eólica offshore.

A Petrobras possui quatro parques eólicos onshore em parceria, no Estado do Rio Grande do Norte, totalizando 104 MW instalados. Esses parques foram negociados no Ambiente de Comercialização Regulado (ACR) no leilão de energia de reserva de 2009 e entraram em operação em 2011. A companhia também possui uma unidade de pesquisa e desenvolvimento em energia solar fotovoltaica de 1,1 MW no Rio Grande do Norte, onde estão sendo avaliadas as operações de quatro tipos de tecnologia.

EDP Renováveis estreia em energia solar no Brasil com contrato privado de 199 MW

A elétrica EDP Renováveis, do grupo português EDP Energias de Portugal, entrou no mercado brasileiro de energia solar, ao assegurar um contrato privado com duração de 15 anos para a venda da produção futura de um parque solar que terá capacidade instalada de 199 megawatts, segundo comunicado da empresa.

A companhia disse que o contrato entrará em vigor em 2022 e viabilizará a construção do chamado parque solar Pereira Barreto, no Estado de São Paulo. O negócio foi fechado pela subsidiária EDP Renováveis Brasil.

“Com este contrato a EDPR entra no mercado brasileiro de energia solar, reforçando e diversificando a sua presença num mercado com baixo perfil de risco, através do estabelecimento de contratos de longo-prazo, com recursos renováveis atrativos e fortes perspectivas para o sector a médio e longo-prazo”, afirmou a companhia no comunicado, divulgado na noite de quinta-feira.

A EDP Renováveis disse que, com o novo contrato, o grupo passa a somar atualmente um portfólio de 1 gigawatt em capacidade em projetos de energia renovável em construção e desenvolvimento que deverão iniciar operações até 2024. Segundo a empresa, todos esses empreendimentos têm a venda da energia assegurada em contratos de longo prazo.

Além dos investimentos da EDP Renováveis, a EDP também opera no Brasil por meio da EDP Energias do Brasil, que controla duas distribuidoras de eletricidade e possui ativos de geração e transmissão de energia no país.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Disparada do petróleo pode elevar gasolina em 25% até o fim do ano

Os preços da referência global do petróleo, do tipo Brent, saltaram mais de 3%, ficando acima dos 80 dólares por barril. É o maior valor em quatro anos

Fabiana Futema | Veja Online

Devido à política de preços empregada pela Petrobras – de repasses automáticos das oscilações da cotação do petróleo –, consumidores brasileiros podem sofrer com uma alta adicional de 25% no valor da gasolina ainda este ano. Segundo especialistas na commodity, o barril pode chegar a 100 dólares até o fim de 2018. Mantidos os repasses automáticos, isso poderia elevar o preço médio da gasolina para algo próximo de 5,80 reais o litro.

Os preços têm subido no mercado internacional devido à decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não aumentar a produção de seus associados. Os valores de referência global do petróleo, do tipo Brent, saltaram mais de 3% nesta segunda-feira, ficando acima de 80 dólares por barril. É o maior valor dos últimos quatro anos.

“Barril a 100 dólares é uma expectativa que há anos o mundo persegue”, afirma Rafael Weber, gerente de portfólio da corretora Austro. “O que pode impedir a Opep de alcançar esse patamar são outras fontes de energia substitutas o petróleo, mas que são mais caras. No momento, há uma busca por esse equilíbrio”, diz Weber.

Outro fator que está pressionando a commodity é o crescimento global, impulsionado por Estados Unidos e China. Isso tem reduzido os estoques e atingido a demanda. Sem o aumento da produção, a margem de operação, principalmente dos Estados Unidos, fica menor. Ou seja, demanda maior, preços mais altos.

Por que isso acontece?

Desde julho de 2017, após uma decisão do então presidente da Petrobras, Pedro Parente, a estatal começou a fazer reajustes diários nos preços dos combustíveis. Com a depreciação do real frente ao dólar e a recuperação do petróleo no mercado internacional, a gasolina e o diesel encareceram. A principal reação a isso foi a greve dos caminhoneiros, no fim de maio deste ano.

O governo, para abafar a greve, mudou a política para o diesel, criou a tabela de frete e adicionou gatilhos que podem fazer ajustes na tabela toda vez que o principal combustível dos caminhões subir mais do que 10%. Mas, para a gasolina, pouca coisa mudou. A Petrobras continuou a repassar as variações da commodity para as refinarias.

“Desde Getúlio, o Brasil faz um esforço colossal para ser autossuficiente em petróleo. E por que foi feita essa política de Estado? Justamente porque você pode amenizar os efeitos da oscilação dos preços do petróleo no mercado internacional”, afirma o consultor Jean-Paul Prates, do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). “Não sou a favor do controle de preços, como era feito no passado. Essas oscilações são contornáveis pelo país”, conclui.

E o etanol?

Uma das formas de controlar o preço da gasolina é adicionar etanol em sua composição. Atualmente, a gasolina tipo C, que é a vendida nos postos regulares, já leva 27% de álcool.

“O aumento da taxa de etanol na gasolina atende a dois interesses: um é em razão da disponibilidade do álcool. O segundo é para segurar o preço da gasolina. Mas há uma limitação técnica”, afirma André Crisafulli, presidente da consultoria Andrade & Canellas.

A última vez que ampliou-se o porcentual de etanol na gasolina foi em junho de 2015, quando Dilma Rousseff ainda era presidente. À época, o governo aumentou de 25% para 27% o limite de etanol na mistura.

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 24, pela Agência Nacional do Petróleo, o preço médio do etanol representa cerca de 61% do valor da gasolina nos postos de combustíveis.

Geração de energia eólica cresceu 17,8% em 2018

Representatividade da fonte chega a 7% do total gerado no Sistema Interligado Nacional. Rio Grande do Norte segue liderando produção e capacidade instalada.

A geração de energia eólica em operação comercial no país cresceu 17,8% nos sete primeiros meses de 2018. A informação consta na última atualização do boletim InfoMercado mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e indica também que as usinas eólicas somaram 4.470 MW médios entregues entre janeiro e julho, frente aos 3.793,9 MW médios gerados em 2017.

A representatividade eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do Sistema alcançou 7% em 2018. A fonte hidráulica (incluindo as Pequenas Centrais Hidrelétricas) foi responsável por 74,5% do total e as usinas térmicas responderam por 18,1%.

A CCEE contabilizou 520 usinas eólicas em operação comercial no país, ao final de julho, somando 13.2 GW de capacidade instalada, incremento de 17% frente aos 11.3GW de capacidade das 446 unidades geradoras existentes em julho de 2017.

Análise por estado

Quanto a análise focada na geração por estado, o Rio Grande do Norte se mantém como maior produtor de energia eólica no Brasil, com 1.244,8 MW médios de energia entregues nos primeiros sete meses de 2018. Na sequência aparecem a Bahia com 1.094,8 MW médios produzidos, o Piauí com 576,9 MW médios, o Rio Grande do Sul com 569,9 MW médios e o Ceará, com 553,4 MW médios.

Dados levantados pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) confirmam ainda o estado do Rio Grande do Norte com a maior capacidade instalada, somando 3.592,25 MW. Em seguida aparecem Bahia, com 2.907,64 MW, Ceará com 2.249,06 MW, Rio Grande do Sul com 1.777,87 MW e Piauí, com 1.443,10 MW de capacidade.

“Estamos no período que o setor chama de ‘safra dos ventos’, que vai de junho a novembro, onde a produtividade é ainda maior. No Nordeste brasileiro a produtividade é cerca do dobro da média mundial, por isso podemos afirmar que temos os melhores ventos do mundo para a produção de energia eólica”, destacou o Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates.

Fonte: CERNE Press com informações da CCEE

Geração de energia solar e dos ventos bate recorde no Nordeste

Energia eólica atingiu 8.665 MW no pico de geração no último dia 13

Ao mesmo tempo em que a forte estiagem vem reduzindo cada vez mais a água armazenada nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país, o forte sol e os ventos estão batendo recorde de geração de energia. De acordo com o Operador Nacional do sistema Elétrico (ONS), no último dia 13 de setembro,foi registrado recorde de geração instantânea (no pico) das duas fontes no Nordeste. . A geração de energia eólica chegou a 8.665 Megawatts (MW) às 8 horas e 24 minutos, atendendo 83% da carga do Nordeste. O fator de capacidade chegou a 86% (quanto que a usina consegue gerar de sua capacidade máxima). Segundo o ONS, o recorde anterior tinha acontecido um dia antes, em 12 de setembro, quando foram produzidos 8.330 MW às 8 horas e 31 minutos.

Já a geração solar instantânea no pico chegou a 722 MW às 10 horas e 52 minutos, com fator de capacidade de 86%. O último recorde tinha acontecido no dia 11 de setembro, quando foram produzidos 710 MW às 9h57min.

A geração eólica média diária no Nordeste também bateu recorde no dia 13 de setembro ao serem produzidos 7.716 MW médios, com um fator de capacidade de 76%. Segundo o ONS, esse volume de energia foi suficiente para atender 74% da carga do Nordeste no dia. O recorde anterior foi registrado no dia 12 de setembro, quando foram gerados 7.319 MW médios.

Considerando a produção total de energia eólica no páis, incluindo outras regiões, no último dia 13 atingiu 8.718 MW médios, representando 13,6% da geração total do país de 64.285 MW. Já a energia solar contribuiu com 0,5% da geração total de energia do país com um total de 372 MW médios.

Fonte: Ramona Ordones | O Globo

EDP Renováveis reforça produção de energia eólica no Brasil

A EDP Renováveis Brasil, subsidiária da eléctrica de energia limpas portuguesa, fechou contratos de Aquisição de Energia (CAE) a 20 anos para a venda de electricidade no mercado regulado brasileiro.

A energia necessária a este abastecimento vai ser gerada em dois parques eólicos, os quais serão ainda instalados no estado de Rio Grande do Norte. Um, em Jerusalém, terá a capacidade registada de 176 MW e um segundo, em Monte Verde, de 253 MW.

“O preço atribuído aos contratos de longo prazo foi de R$94/MWh e R$87/MWh respectivamente, sendo que ambas as tarifas estão indexadas à inflação brasileira”, informa ainda a empresa no comunicado publicado na Comissão de Mercado e Valores Mobiliários (CMVM).

Estas novas operações só deverão ter início em 2024. Contudo, considerando estes contratos, a EDP Renováveis já tem contratualizados projectos de longo prazo que somam 0,8 GW de energia. Alguns têm o início das operações marcado já para este ano, e os restantes a partir de 2023.

Somando aos projectos já em actividade, a EDP Renováveis conta agora com 1,1 GW de energia a ser produzida em território brasileiro.

Fonte: Jornal de Negócios Portugal | Ana Batalha Oliveira

Aneel libera 88 MW eólicos para operação comercial na Bahia

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou a operação comercial de três usinas de geração eólica denominadas Ventos da Bahia III, IX e XVIII, segundo despacho publicado nesta quarta-feira, 12 de setembro, no Diário Oficial da União. Cada EOL teve 13 unidades geradoras de 2,2 MW liberadas, a não ser pela primeira usina, que teve 14 turbinas contempladas pela decisão, somando ao todo 88 MW de potência liberada no município de Mulungu do Morro, na Bahia.

Outro empreendimento a contar com o provimento do órgão regulador foi a eólica Aura Lagoa do Barro 01, que poderá testar nove aerogeradores de 3 MW cada, totalizando 27 MW de capacidade instalada em Barro do Piauí, no Piauí.

Fonte: Canal Energia

Acordo entre Voltalia e Echoenergia é de até 500 MW

Venda de 197 MW em parques eólicos da francesa é o primeiro passo de um acordo que ainda tem 303 MW que poderão ser assumidos pela geradora ligada ao fundo britânico Actis

A Voltalia vendeu 197 MW em parques eólicos que estão desenvolvidos e faltam ser implementados à Echoenergia como parte de um acordo que pode chegar a 500 MW em capacidade instalada em projetos futuros, todos localizados no cluster de Serra Branca (RN). O valor do negócio não foi revelado e em comunicado a companhia informa que essa região possui um potencial de 2 GW, dos quais apenas 309 MW estão em operação, 223 MW estão para ficar prontos em 2020 e um grande volume para ser desenvolvido e colocado em  futuros leilões ou por meio de projetos destinados ao mercado livre.

O acordo assinado com a Echoenergia, empresa do fundo britânico Actis, tem 500 MW como volume máximo a ser assumido por esta no mesmo cluster, já incluindo os 197 MW anunciados. Ou seja, sobram 303 MW adicionais que poderão, no futuro, ficar com a geradora no escopo acertado entre as duas partes.

Os ativos recém-adquiridos estão em um estágio avançado de desenvolvimento quanto à locação de terras, medição de vento, permissão e conexão à rede. Cabe agora à Echoenergia garantir contratos de venda de energia a longo prazo e investir para financiar sua construção. Em seu comunicado, a Voltalia aponta que a Echoenergia já garantiu 197 MW em contratos para a venda de energia no mercado livre e que deverá buscar outros novos PPAs até o máximo de 500 MW. A geradora já possui cerca de 700 MW em capacidade instalada por diversos estados no Nordeste.

Fonte: Canal Energia

Petroleiras querem explorar vento e sol no Brasil além de óleo

As grandes petroleiras europeias estão em busca de algo mais que os poços de petróleo em águas profundas do Brasil. Planejam lucrar também com o que ventos e o sol abundantes do país.

A Royal Dutch Shell, a Total e a Equinor prometeram nas últimas semanas investir em energias renováveis no Brasil. O esforço pode mais que dobrar a participação das energias eólica e solar na matriz energética do Brasil até 2026, para 18 por cento, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Brasil.

A diversificação para a energia limpa se dá em um momento em que os investidores europeus manifestam medo de encolhimento das empresas de petróleo pelo fato de o mundo estar se distanciando dos combustíveis fósseis para combater as mudanças climáticas. A geologia única do Brasil já o transformou em exportador de petróleo e também no maior produtor de energia eólica da região. E apesar de o sol fornecer apenas uma pequena fração da eletricidade do país no momento, o Brasil tem em média 4,25 a 6,5 horas de sol por dia, um dos níveis mais altos do mundo.

Os produtores precisam começar a se preparar para a transição para uma economia de baixo carbono, mesmo que gradual, disse Bassam Fattouh, diretor do Oxford Institute for Energy Studies, em entrevista, em 3 de setembro.

“Em um ambiente de incertezas como este, é preciso começar a ajustar o portfólio para se proteger”, disse.

“A transição para uma era de baixo carbono começou”, disse Décio Oddone, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “O Brasil precisa explorar seus recursos de petróleo e gás agora, ou vamos deixar petróleo debaixo da terra.”

A Petrobras já é parceira da Total, que tem sede em Paris, em alguns dos maiores campos offshore do país. As empresas assinaram um memorando de entendimento em julho para explorar projetos eólicos e solares. A unidade brasileira da Total anunciou recentemente o início da operação de sua primeira unidade solar brasileira no estado da Bahia, com capacidade para 25 megawatts oferecida por quase 78.000 painéis.

A empresa lançou também outros dois projetos solares com o objetivo de produzir 140 megawatts.

Noruega

A Petrobras também negocia com a Equinor para replicar as unidades de energia eólica que possui nas águas ao largo da costa da Noruega. Em entrevista coletiva, em agosto, executivos da empresa disseram que as melhores perspectivas que já tiveram para o petróleo são os cinco projetos brasileiros que a empresa está preparando para perfuração nos próximos dois anos. Eles também mencionaram interesse em energias renováveis no Brasil.

“Nosso objetivo é crescer ainda mais, também em nosso negócio de energia solar”, disse Anders Opedal, vice-presidente-executivo da empresa no Brasil, na ONS Conference, em Stavanger, Noruega. “Além do nosso negócio de energia solar, estamos mirando oportunidades para a energia eólica offshore.”

A Shell, que comprou a sétima maior fornecedora de energia do Reino Unido no ano passado, montou uma equipe de 10 pessoas para avaliar os projetos brasileiros de energia limpa, afirmou André Araújo, principal executivo da Shell no Brasil, a jornalistas, no mês passado. A empresa estuda projetos eólicos colocados à venda pela estatal Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), disse.

“O ritmo da transição dependerá da rapidez com que esses projetos se tornarem lucrativos”, disse Araújo.

Fonte: Bloomberg | Sabrina Valle

Ibama prepara agenda regulatória para eólica offshore

Técnicos do órgão ambiental vão visitar projetos em Portugal, Itália, Holanda e Bélgica em 2019

O Ibama está criando uma agenda regulatória para o licenciamento de projetos de eólica offshore no país. A ideia, conta o coordenador-geral de Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Fluviais e Pontuais Terrestre da Diretoria de Licenciamento Ambiental Federal, Amado Pereira de Cerqueira Netto, é fazer frente a percepção de aumento de demanda por projetos do tipo que já é sentida pelo órgão ambiental.

A agenda regulatória prevista pelo Ibama é divida em etapas. A primeira é a capacitação dos servidores. O órgão ambiental, que ainda não tem expertise nesse tipo de licenciamento, pretende qualificar seus funcionários para fazer frente ao aumento da demanda por licenciamento no país.

Em março do próximo ano, funcionários do Ibama devem fazer um tour pela União Europeia para visitar países que já possuem experiência no licenciamento de projetos do tipo. Serão conhecidos projetos em Portugal, Itália, Holanda e Bélgica, em busca de conhecimento que possa ser compartilhado.

A ideia, antecipa Netto, é conhecer a fundo os impactos dos projetos para que no próximo seja estudada uma instrução normativa para licenciamento de eólicas offshore, que depois de audiência e consulta pública deve ser publicada em 2020. “A gente enxerga com muito bons olhos este tipo de projeto de geração de energia”, comenta.

Por aqui, o Ibama licencia – em fase inicial – três projetos de eólica offshore. O projeto da Petrobras para o campo de Ubarana, em águas rasas da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, deve ser um modelo para outros projetos do tipo, com o aumento de investimentos de petroleiras em energia renovável para compensar suas emissões de carbono e estar alinhadas com o Acordo de Paris.

Em alguns países produtores de petróleo a produção eólica offshore atrelada a produção offshore de petróleo tem reduzido custos e trazido bons resultados. É o caso da Noruega, onde a Equinor tem investidos em projetos deste tipo.

Recentemente, a empresa anunciou que está estudando investimento da ordem de US$ 600 milhões para interligar os campos de Gullfaks e Snorre a um parque eólico offshore que seria responsável por 35% da demanda de energia de cinco plataformas instaladas nas duas áreas. O projeto tem como meta a redução de mais de 200 mil toneladas/ano, o equivalente a emissão de 100 mil carros.

Por aqui, Equinor também está avaliando a instalação de eólicas offshore e novos projetos de energia solar no Brasil, contou o presidente da empresa no Brasil, Anders Opedal. A empresa tem meta global de redução de emissões de CO2 fixada em 8 kg por barril de óleo equivalente produzido. Os projetos fazem parte de uma carteira de investimentos que contém US$ 15 bilhões até 2030.

Fonte: Felipe Maciel | E&P Brasil

Licenciamento ambiental para projetos de energia solar tem novo marco regulatório

Os processos de licenciamento e autorização ambiental para empreendimentos de energia solar vão ficar mais ágeis no Ceará. O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) modernizou e estabeleceu novos critérios e parâmetros para esses processos, a exemplo do que já havia feito em julho com o licenciamento de projetos de energia eólica. A resolução que estabelece o marco regulatório para o setor foi aprovada na última quinta-feira (6/9) e deverá desencadear mais oportunidades em energias renováveis no Ceará, atraindo novos investimentos.

Para o coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Joaquim Rolim, as novas regras para o licenciamento ambiental da geração eólica e solar irão propiciar melhores condições para o desenvolvimento e ampliação da quantidade de projetos em energias renováveis, aumentando as possibilidades de os empreendimentos cearenses serem contratados em leilões. “O Ceará agora passa a ter uma regulamentação para licenciamento ambiental, tanto na geração distribuída (até 5MW) quanto na geração centralizada (acima de 5MW), mais moderna e bem definida”, opina.

De acordo com ele, isso foi possível após um minucioso trabalho de benchmarking conduzido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), com recomendações importantes da FIEC, através dos Núcleos de Energia e Meio Ambiente, Sindienergia e Câmara Setorial de Energias Renováveis

“Essa nova regulamentação de licenciamento de projetos de energias renováveis aprovado pelo Coema atende aos anseios do setor. A Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará identificou essa necessidade e foi atendida pelo secretário Artur Bruno, que mobilizou a Sema e a Semace com esse propósito”, avalia Jurandir Picanço, consultor de energia da FIEC e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará.

O secretário estadual do Meio Ambiente, Artur Bruno, que também preside o Coema, ressalta que a nova regulamentação para o licenciamento de empreendimentos de energia solar veio após muita discussão em grupos de trabalho e câmaras técnicas, tendo sido inclusive modificado com emendas que foram propostas no âmbito desses grupos de trabalho. “Essa resolução é importante para o desenvolvimento econômico e social do estado. O Ceará e as políticas de meio ambiente ganham muito com isso”, destacou.

Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Ceará

Aneel autoriza mais de 50 MW eólicos para testes no Rio Grande do Norte

Usinas Dreen Cutia e Esperança do Nordeste foram contempladas pela liberação

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a operação em teste da usina de geração eólica denominada Dreen Cutia, de acordo com despacho publicado na terça-feira, 4 de setembro, no Diário Oficial da União. A usina eólica teve 11 unidades geradoras de 2,1 megawatts (MW) contempladas pelo parecer da agência, somando 23,1 MW de potência liberada no município de Pedra Grande, no Rio Grande do Norte.

A Aneel também liberou os testes em 13 aerogeradores de 2,1 MW cada da usina Esperança do Nordeste, somando 27,3 MW de potência instalada em São Bento do Norte, no Estado.

Fonte: Agência Canal Energia

Rio Grande do Norte lidera leilão de energia e arremata R$ 3,5 bi em projetos eólicos

Por Daniel Turíbio | Comunicação CERNE

Do total de 48 novos projetos eólicos inscritos no certame, 27 foram arrematados no estado. Serão adicionados mais 743 MW de capacidade instalada com usinas em operação até 2024.

O Rio Grande do Norte liderou a contratação de projetos para produção de energia eólica, no 28º Leilão de Energia Nova A-6 de 2018 realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última sexta-feira, 31 de agosto. Do total de 48 novos projetos inscritos no certame, 27 foram arrematados no estado. Eles totalizam mais 743 MW de capacidade instalada e deverão começar a operar em 2024.

Os projetos vendidos irão assegurar cerca de R$ 3,5 bilhões em investimentos no estado nos próximos 6 anos. “Desse montante, cerca de R$1,5 bilhão deverá ser injetado diretamente nas regiões produtoras”, disse o Presidente do Centro de Estratégias em recursos Naturais e Energia CERNE, Jean-Paul Prates.

A maior parte dos projetos estão na região do Mato Grande, onde se encontram a maior parte das usinas instaladas no estado e com melhores infraestruturas. O projeto com maior fator de capacidade (67,5%) será instalado no município de Riachuelo. A usina Ventos de Santa Martina, desenvolvido pela empresa Casa dos Ventos, terá turbinas da fabricante global Vestas.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Rio Grande do Norte (27 usinas), a Bahia (21 usinas), o Paraná (5 usinas), São Paulo (2 usinas), Minas Gerais (2 usinas), além de Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Maranhão com uma usina em cada estado.

O certame negociou Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado na modalidade por quantidade (hidrelétricas – suprimento de 30 anos e eólicas – suprimento de 20 anos) e por disponibilidade (biomassa, carvão e gás natural – suprimento de 25 anos).
O leilão movimentou, ao todo, R$ 23,6 bilhões em contratos. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 140,87 por MWh, com deságio de 46,89% em relação aos preços-tetos estabelecidos, representando uma economia de R$ 20,9 bilhões para os consumidores de energia.

Ao final das negociações, foram contratados 62 empreendimentos de geração, sendo 11 hidrelétricas, 48 usinas eólicas, 2 usinas térmicas movidas a biomassa e uma térmica a gás natural , o que soma 835 MW médios de energia contratada.

Leilões de energia: como funciona

Os leilões são a principal forma de contratação de energia no Brasil. Por meio desse mecanismo, concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) garantem o atendimento à totalidade de seu mercado no Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Quem realiza os leilões de energia elétrica é a CCEE, por delegação da Aneel.

O critério de menor tarifa é utilizado para definir os vencedores do certame, visando a eficiência na contratação de energia.

O leilão de energia nova, realizado na semana passada, tem como finalidade atender ao aumento de carga das distribuidoras. Neste caso são vendidas e contratadas energia de usinas que ainda serão construídas.

Eólicas no RN (atualizado com os resultados do Leilão de A-6 de 31/08/2018)

– 138 parques eólicos em operação comercial, somando 3,72 GW em potência instalada.
– 15 parques eólicos em construção, somando 366,10 MW em potência instalada.
– 45 parques eólicos contratados, somando 1,187 GW em potência instalada.

Ranking dos maiores produtores eólicos:

1° Rio Grande do Norte (3,7GW)
2° Bahia (2,5GW)
3° Ceará (1,9GW)
4 ° Rio Grande do Sul (1,8GW)

 

Voltalia prevê antecipar em mais de 3 anos usinas eólicas negociadas em leilão

A empresa de energia renovável francesa Voltalia espera antecipar em mais de três anos a conclusão de parques eólicos que vai construir no Rio Grande do Norte, após obter contratos para a venda da produção futura das usinas em leilão do governo brasileiro na semana passada, disse à Reuters o principal executivo da companhia no Brasil.

A Voltalia negociou 60 megawatts médios em energia na licitação, realizada na sexta-feira, o equivalente a usinas com 115 megawatts em capacidade instalada que precisariam por contrato iniciar as operações em janeiro de 2024.

Mas os projetos ficarão na mesma região de outros viabilizados pela empresa em um leilão em dezembro, que já têm trabalhos em andamento e providenciarão uma infraestrutura que poderá acelerar o projeto e reduzir custos nas novas unidades, como canteiros de obras e a linha de transmissão que ligará os parques à rede, explicou o chefe da Voltalia no Brasil, Robert Klein.

“Isso nos permitiu justamente contar com uma antecipação de mais de três anos a contar da data inicial do contrato regulado, em janeiro de 2024. Isso, evidentemente, nos faz ganhar competitividade”, afirmou o executivo.

Além disso, a Voltalia disse que a conclusão acelerada dos projetos permitirá que a energia produzida entre o segundo semestre de 2020 e o início de 2024 seja vendida pelas usinas no mercado livre de eletricidade para grandes clientes, como indústrias, a preços mais de 60 por cento superiores aos obtidos na licitação do governo.

A estratégia de antecipação do cronograma e das vendas foi importante para que a Voltalia tivesse sucesso no leilão, onde os parques eólicos vitoriosos apresentaram ofertas com tarifas em média 60 por cento abaixo do teto estabelecido pelo governo.

Os empreendimentos da empresa obtiveram preços finais de 93 reais por megawatt-hora, contra 227 reais da tarifa-teto para as eólicas.

A expectativa da Voltalia é que com esses novos projetos seja possível ultrapassar em 2020 a meta do grupo de alcançar 1 gigawatt em projetos de geração de energia em operação pelo mundo.

Segundo a empresa, a marca deve ser alcançada com quase 70 por cento da capacidade no Brasil, enquanto projetos na Europa devem responder por quase 20 por cento e na África por 12 por cento.

EXPANSÃO BRASILEIRA

A Voltalia possui atualmente cerca de 433 megawatts em operação no Brasil, além de cerca de 170 megawatts em construção, sendo quase toda a capacidade em empreendimentos eólicos.

Sem contar esses empreendimentos e os negociados no último leilão, a companhia tem projetos em carteira suficientes para chegar próxima de 2 gigawatts no país, o que significa que ela deverá seguir atenta às próximas licitações para novos projetos.

Segundo Klein, a empresa pretende expandir agora sua atuação em energia solar no Brasil, uma vez que possui hoje apenas um pequeno projeto de 4 megawatts no Amapá.

“Acreditamos que esses 2 gigawatts serão alcançados com um misto entre eólica e solar”, apontou.

Segundo ele, a companhia está avaliando empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Banco do Nordeste Brasileiro (BNB) como alternativas de financiamento de suas usinas, além de possíveis operações no mercado de capitais.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Nordeste bate recorde de geração eólica e solar

Região tem exportado energia para o Sudeste/Centro-Oeste, principalmente devido ao bom desempenho das eólicas

Abrigando a maior parte das usinas eólicas e fotovoltaicas do país, o subsistema Nordeste bateu recorde de geração de energia das duas fontes na última quarta-feira, 29 de agosto. A energia solar registrou recorde de geração instantânea ao atingir um pico de 675 MW às 12h11. O fator de capacidade chegou a 86% naquele momento.
Já a energia eólica bateu recorde de geração média diária ao produzir 7.137 MW médios, com um fator de capacidade de 71%. O volume de energia foi responsável por atender 71% da carga do subsistema Nordeste no dia. O recorde anterior de geração média havia ocorrido em 23 de julho de 2018, quando foi registrada uma geração de 7.062 MW médios.
Devido ao bom desempenho, principalmente da energia eólica, o Nordeste tem sido exportador de energia para o Sudeste/Centro-Oeste. No dia 29 de agosto, a exportação de energia atingiu 2.055 MW médios.

Leilão da Aneel contrata 62 projetos de geração de energia

Foi fechada a contratação de 11 projetos hidrelétricos, 48 usinas eólicas, duas térmicas a biomassa e uma usina a gás natural, que devem demandar investimentos de R$ 7,68 bilhões.

O leilão de energia A-6 realizado pelo governo federal nesta sexta-feira (31) fechou a contratação de 62 empreendimentos de geração. Ao todo, os projetos que foram negociados totalizam 1.228,6 MW médios de garantia física e as usinas deverão iniciar o fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2024.

O certame contratou 11 projetos hidrelétricos, 48 usinas eólicas, duas térmicas a biomassa e uma usina a gás natural, que devem demandar investimentos de R$ 7,68 bilhões.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, o leilão movimentou ao todo R$ 23,6 bilhões em contratos. O preço médio ao final das negociações foi de R$ 140,87 por MWh, com deságio de 46,89% em relação aos preços-tetos estabelecidos, representando uma economia de R$ 20,9 bilhões para os consumidores de energia.

O leilão chegou a ser suspenso, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou no final da tarde de sexta-feira decisão liminar (provisória) e autorizou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a fazer o certame.

Entre os vencedores do certame, que negociou usinas para entrada em operação em 2024, aparecem elétricas como a CPFL Renováveis, com uma pequena hidrelétrica de 28 megawatts, a EDP Renováveis, com 11 usinas eólicas que somam 429 megawatts, e a Eneva, com uma termelétrica de 363 megawatts, destaca a agência Reuters.

No total, sagraram-se vencedores na licitação projetos eólicos com capacidade de 1,25 gigawatt, enquanto as hidrelétricas somaram 457,8 megawatts e as usinas à biomassa representaram 28,5 megawatts.

Entre térmicas a gás, apenas o empreendimento da Eneva venceu, e não houve contratação de plantas a carvão.

As eólicas deverão receber investimento de R$ 5,8 bilhões, seguidas pela térmica a gás da Eneva, com aporte estimado de R$ 1,09 bilhão, e as hidrelétricas, com R$ 712,5 milhões. Os projetos à biomassa deverão receber cerca de R$ 48 milhões, segundo a Reuters.

As usinas mais baratas do leilão foram as eólicas, que chegaram a negociar energia a R$ 79 por megawatt-hora, um deságio de 65,2% ante o preço-teto definido para a fonte no certame, de R$ 227,

O valor ficou abaixo do registrado no último leilão A-6, em dezembro passado, que chegou a R$ 97 reais, e se aproximou do recorde histórico das licitações, de R$ 67,60, no leilão A-4 de abril.

Participaram do certame, como compradoras da energia, 19 concessionárias de distribuição com destaque para a Ceron (21,4% do total negociado), Cemig (16,48% do total) e Celpe (10,1% do total negociado).

Os contratos são de 30 anos para as usinas hidrelétricas e de 20 anos para as usinas eólicas, ambos na modalidade por quantidade. Já por disponibilidade, os contratos são de 25 anos para os projetos térmicos.

Fonte: Portal G1

Comportamento do consumidor ditará políticas sustentáveis para o país

Para especialistas, modelo em que governo determina e sociedade segue precisa ser mudado

Bianka Vieira | Folha de São Paulo
Será a mudança de hábitos do consumidor que pautará uma agenda em prol da economia de baixo carbono, de uma nova matriz energética para o Brasil e de políticas e tributações que priorizem iniciativas sustentáveis.

“Em termos de produção, o Brasil é um país muito rico em recursos renováveis, há quase uma infinidade deles. Mas, do ponto de vista do consumo, nós precisamos exigir mais”, afirmou Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica.

O tema foi debatido pelos participantes do 3º fórum Economia Limpa, nesta segunda-feira (27). O evento, realizado pela Folha na Unibes Cultural, em São Paulo, contou com patrocínio da Novelis e correalização da Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio).

Para os debatedores, cabe à sociedade ditar o rumo a ser seguido pelo governo. “Alguns iluminados de Brasília decidem o que fazer e nós pagamos a conta. Essa ordem do governo fazer e a sociedade seguir precisa ser invertida”, afirmou Jorge Pinheiro Machado, diretor para a América Latina do R20, organização criada pelo ator Arnold Schwarzenegger, que apoia governos no desenvolvimento de projetos de infraestrutura verde.

Segundo Pinheiro Machado, falta no Brasil maturidade para a adesão de um modelo de consumo de energia que priorize aspectos como descentralização, descarbonização e digitalização —a chamada eletricidade 3D. “Estamos ainda muito focados no modelo soviético, responsável por esse atual modelo energético.”

Entre as propostas da mesa para um novo cenário, foram mencionadas união das tecnologias limpas nos processos de produção, administração responsável dos recursos, previsibilidade de consumo de biocombustíveis e alíquota zero para áreas ligadas à geração de energia sustentável e saneamento.

Não há espaço para mais tributação, temos de concordar, mas é preciso discutir outros mecanismos de incentivos”, disse Gannoum.

Donizete Tokarski, diretor-superintendente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel), defendeu que a economia limpa não seja concentrada em poucos produtos, como acontece hoje com a atividade agrícola.

“A sociedade tem de discutir qual combustível quer usar, e não aceitar que temos somente a alternativa estabelecida. Diante dessa diversidade, temos de introduzir outras fontes de matéria-prima para os biocombustíveis”, explicou.

A indústria petroleira, na opinião de Tokarski, domina o mercado de combustíveis e estabelece, de forma pragmática, políticas no país.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição atmosférica mata 50 mil brasileiros por ano. O dado foi mencionado por Ricardo Guggisberg, presidente-executivo da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), ao defender a integração entre eletricidade e biocombustíveis no transporte urbano.

“Temos de eliminar o diesel das frotas que circulam nas grandes cidades. Em São Paulo, foi criada uma lei que determina o corte de 50% do carbono emitido pelos ônibus. Na prática, ela só será possível com a substituição por veículos híbridos”, disse Guggisberg.

Outro ponto levantado pela mesa foi o de que sustentabilidade requer pensar na questão econômica associando-a ao social e ao ambiental.

Nesse sentido, a presidente-executiva da Abeeólica conta que a produção eólica no Brasil, concentrada em regiões de terras pouco produtivas, hoje gera arrendamento de terras para 4.000 famílias. “Isso faz circular a economia local com o aumento de renda nessas regiões.”

Incentivo tributário causa ineficiências no setor elétrico

Um incentivo tributário tem gerado ineficiências do setor elétrico e elevado os custos do sistema no Brasil. No centro do debate está o casal de tributos conhecidos pelas siglas PIS/Cofins, impostos de origem social que incidem sobre a receita e/ou investimento das empresas. A consultoria internacional PSR mostrou que a regra de taxação desse tributo permite que alguns grupos econômicos capturem uma vantagem competitiva sobre outros agentes. A constatação está em um estudo sobre os reais custos e benefícios das formas de produção de energia elétrica do país. O estudo está perto de ser concluído e foi encomendado pelo Instituto Escolhas.

“O estudo, porém, permitiu comparar esse benefício com outros incentivos que existem no setor elétrico e se constatou que esse é o maior benefício”, disse o diretor da PSR Bernardo Bezerra.

Entender essa estratégia de “otimização tributária” utilizada pelos empresários ajuda a explicar porque todos os projetos de energia no Brasil continuam sendo planejados para ter até 30 MW, mesmo após o Governo editar uma lei (nº 13.299/2016) garantindo o desconto de 50% nas tarifas de distribuição e transmissão (TUSD/TUST) para usinas renováveis com configuração até 300 MW.

Não é de hoje que esse tema é debatido nos bastidores do setor e da Fazenda. Para explicar esse tema é preciso contar uma breve história. Os empreendimentos de GTD podem fazer uso de incentivo conhecido como Reidi – Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura. O leitor do Portal CanalEnergia já deve ter visto que frequentemente publicamos uma nota informando que um projeto conseguiu o enquadramento nesse regime. Isso significa que o grupo empresarial terá isenção de imposto de importação, PIS e Cofins no investimento feito para construir a usina ou a linha de transmissão, por exemplo.

No caso dos geradores, o PIS/Cofins será cobrado novamente na venda de energia. A alíquota que incidirá, contudo, dependerá do regime tributário que a empresa está enquadrada. No caso de Lucro Real, a alíquota será de 9,25%. No caso de Lucro Presumido, 3,75%. Entretanto, para participar do lucro presumido o empreendimento obrigatoriamente precisa ter uma receita anual de até R$ 78 milhões. É importante frisar que todas as empresas podem fazer uso dessa estratégia tributária. Trata-se de uma prática totalmente legal.

Um dos problemas é que nem todos os projetos de geração de energia têm flexibilidade para serem configurados de forma fragmentada para capturar os dois benefícios. Toda via, é comum vermos projetos de PCH, biomassa, biogás, solar e eólica serem planejados para terem até 30 MW de capacidade ou menos. A razão é justamente para capturar esses incentivos tributários. Isso explica porque a lei nº 13.299/2016 não atingiu o objetivo esperado, que era ter usinas solares e eólicas com dimensões maiores.

Portanto, para a PSR, existe um subsídio no implícito, explicou Bernardo. “Mesmo com o governo aumentando o limite dos projetos para terem desconto no fio, o gerador tem o incentivo para ser ineficiente na hora de vender essa energia. Ao invés de construir um parque de 300 MW, faz dez de 30 MW. Cada parque precisa ter uma medição, uma linha de uso exclusivo. Isso aumenta os custos do sistema, aumenta o número de SPEs, aumenta a burocracia. ”

A mordida da receita

O tema é espinhoso porque envolver uma disputa delicada entre a empresa contribuinte e a Receita Federal. A reportagem apurou que nenhum gerador poderia assumir abertamente que fragmentou um projeto apenas para estar no lucro presumido, sob o risco de sofrer algum tipo de penalização por parte do órgão fazendário.

O entendimento que prevalece é que as usinas são pensadas na sua origem para ter um determinado tamanho e são devidamente autorizadas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa situação deixa a Receita Federal numa posição fragilizada para questionar tal prática. No entanto, o que se verifica são projetos fragmentados, que depois são chamados de Complexos.

O advogado especialista em tributação da Souto Corrêa, Giácomo Paro, explicou que nem sempre estar no lucro presumido representa uma vantagem competitiva do ponto de vista de tributação. Essa conta será mais vantajosa se as margens de lucro forem altas.

O lucro presumido despreza a rentabilidade, presumindo que a empresa terá uma rentabilidade fixa. As alíquotas de imposto de renda e contribuição social (IR e CSLL) – que são iguais para lucro real ou presumido -, serão calculadas com base nessa margem. A alíquota de PIS e Cofins será de 3,65% sobre a receita bruta. No lucro real não tem essa margem de rentabilidade definida e a alíquota de PIS/Cofins é de 9,25%. Contudo, no lucro real a empresa pode tomar créditos de PIS/Cofins, por exemplo, em razão da depreciação de uma turbina geradora ou do consumo de energia da planta. Esses créditos depois podem ser abatidos na hora de recolher o imposto sobre a receita.

“Trata-se de uma análise complexa. Não necessariamente estar no lucro presumido vai ser benéfico. Tente a ser porque eu já tenho uma margem de lucro pré-defina para eu aplicar IR e CSLL e tenho uma alíquota de PIS/Cofins de 3,65% sobre a receita. Além disso, não preciso fazer cálculo de crédito tributário”, disse Paro.

Então o setor comemorou…

Quando a Lei nº 13.299/2016 foi publicada os setores de geração eólica e solar comemoraram a notícia. Afinal, a partir de agora seria possível contribuir projetos de até 300 MW e ainda assim contar com o subsídio da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) e da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD). Porém, essa vitória esbarrou na tributação.

“A extensão desse desconto teve como objetivo trazer mais eficiência econômica para esses projetos”, disse o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia. “No entanto, o tamanho dos projetos de qualquer fonte é definido de acordo com o porte ótimo. Fazer um projeto pequeno significa perder economia de escala. Portanto, abre-se mão de economia de escala para ganhar em versatilidade, cronograma de desenvolvimento do projeto, em acesso ao sistema de conexão”, completou.

Neste momento é importante lembrar que os encargos e tributos têm um peso importante na tarifa de energia elétrica. Segundo dados da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), cerca de 29,5% do valor final da tarifa é resultado de PIS/Cofins e ICMS – Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Outros 15,5% são encargos.

A economista e presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, explica que o bolso de quem paga cada conta é diferente. Os encargos setoriais são resultado de políticas públicas que visam subsidiar determinados segmentos. Por tanto, geram encargos bilionários a cada ano os descontos na TUSD e TUST, tarifa especial para consumidores rurais e de baixa renda, incentivos ao uso do carvão nacional e óleo diesel para o atendimento de regiões isoladas do Brasil, entre outros.

O custo desse subsídio é pago por todos os consumidores de energia. Essa conta só vem crescendo nos últimos seis anos e explica boa parte da explosão tarifária do país. Em 2018, os subsídios custaram R$ 19 bilhões.

Outro conceito é o da isenção tributária. No caso desta reportagem, a discussão gira entorno do PIS/Cofins. Tanto o Reidi como o lucro presumido permitem a isenção ou redução da alíquota desse tributo. Neste caso é o Tesouro (leia-se contribuinte) que abre mão de uma arrecadação fiscal, ou seja, de um recurso importante que poderia ser usado para investir em saneamento, educação e saúde, por exemplo. Mais uma vez, é importante frisar que essa isenção tributária não é um benefício exclusivo para o setor elétrico. Todo o setor produtivo pode fazer uso dessa regra.

“Hoje quando eu faço um projeto eólico para ter o luro presumido ele não pode ser superior a 80 MW de potência. Isso significa que não adianta muito eu ter a expansão do lado da TUST e da TUSD porque eu fico preso no lucro presumido”, disse Gannoum. Segundo a executiva, a solução para ajustar isso passaria por uma grande reforma tributária, tema de difícil enfrentamento em tempos de crise política e fiscal do Brasil.

O Ministério de Minas e Energia (MME) tem levantando a bandeira do fim dos subsídios, mas dificilmente se fala nos tributos. A ABEEólica tem se posicionado a favor do fim dos subsídios, principalmente da TUST e TUSD, desde que sejam retirados de forma simétrica para todas as fontes de geração. “Se você tira o desconto para uma única fonte, a contratação migra para outra fonte e você não resolve o problema”, disse Gannoum.

Já para Sauaia, é impreciso tratar um modelo de tributação que é oferecido para toda economia brasileira como um benefício exclusivo para um determinado segmento. “Ao meu ver é um tratamento equivocado e que de certa forma gera uma distorção na avaliação.” Ele lembra que nada impede de que projetos de PCH, biomassa, biogás, eólica e solar sejam de pequeno porte. “Atribuir a isso o selo de que é uma vantagem da fonte A ou B porque ela tem versatilidade é tornar uma qualidade da fonte em uma desvantagem, que ao meu ver é injusto”, completou.

Fonte: Canal Energia

Parque solar abastecerá campo de petróleo

A Ecopetrol pretende iniciar no primeiro semestre do próximo ano a construção de um parque solar na cidade de Castilla La Nueva para atender parte da demanda de energia do campo de Castilla, o segundo maior produtor da Colômbia. O parque terá capacidade instalada entre 10 MW e 15 MW e evitará a emissão de 14 mil toneladas de CO2 em um ano e de 210 mil toneladas em 15 anos.

A concorrência para contratação do projeto será lançada pela petroleira colombiana no último trimestre do ano. Este é o primeiro de uma série de projetos analisados pela empresa para instalação nas cidades de Norte de Santander, Huila, Meta y Antioquia, que somam capacidade instalada de 140 MW.

“A incursão em projetos de grande escala de energia solar é um marco na história da Ecopetrol, que se alia a outros investimentos para contar com uma matriz energética mais diversificada e limpa, que contribua com a proteção do meio ambiente e garanta a segurança energética da Colômbia”, diz o presidente da petroleira, Felipe Bayón.

O projeto faz parte da estratégia da Ecopetrol de fortalecer os investimentos em energias renováveis e diversificar o portfólio energético da empresa.

Fonte: EPBR