Renováveis irão compor 85% da matriz energética global até 2050, aponta Irena

Relatório internacional afirmou que será preciso aumentar em pelo menos seis vezes a agilidade na adoção das fontes limpas para reduzir emissões e evitar a escalada de ativos ociosos. Crescimento será de 60%, com destaque para geração solar e eólica

Em sua fala durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, nesta terça-feira, 17 de abril, a Agência Internacional de Energia Renovável – Irena, apresentou o estudo Transformação Energética Global: Um Roteiro para 2050, no qual aborda possíveis rumos de evolução do mercado energético global para os próximos 32 anos. Nele são avaliadas algumas soluções para o setor com vistas à diminuição das emissões de carbono previstas pelo Acordo de Paris, que devem limitar o aumento da temperatura global em dois graus.

De acordo com o relatório, será necessário aumentar a velocidade de adoção das energias renováveis em escala mundial em pelo menos seis vezes, através da eletrificação dos transportes e dos sistemas de aquecimento, além da utilização mais direto das fontes limpas. Estes dois fatores são os principais impulsionadores descritos no levantamento, podendo atuar em mais de 90% das reduções necessárias de emissão de CO2 relacionadas à energia.

Assim, a análise da Irena delineia um cenário no qual as renováveis ​​respondam por dois terços do consumo final total de energia, com um crescimento de participação deste tipo de energia no setor – de 25%, em 2017, para 85%, até 2050, principalmente através do maior desenvolvimento da geração de energia solar e eólica.

“A energia renovável e a eficiência energética formam a base da solução mundial para as emissões de CO2 relacionadas à energia e podem fornecer mais de 90% das reduções de emissão de CO2 relacionadas à energia necessária para manter o aumento da temperatura global em dois graus”, destacou o Diretor Geral da Irena, Adnan Z. Amin, que ainda acrescentou: “Se quisermos descarbonizar a energia global com rapidez suficiente para evitar os impactos mais severos da mudança climática, as energias renováveis ​​devem representar pelo menos dois terços da energia total até 2050. A transformação não apenas apoiará objetivos climáticos, como também resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tirando milhões da pobreza energética, aumentando a independência energética e estimulando o crescimento sustentável do emprego”.

O estudo também concluiu que 30% a mais de investimentos em energia limpa e eficiência energética até 2050 podem criar mais de 19 milhões de empregos na área, número que superaria as perdas no segmento de combustíveis fósseis, que teriam 7,4 milhões de vagas suprimidas com a transformação. Assim, haveria um saldo positivo de 11,6 milhões de novos empregos em energia renovável, eficiência energética e melhoria da rede e flexibilidade energética.

A ação imediata também reduzirá a escala e o valor dos ativos ociosos relacionados à energia no futuro. O relatório prevê até US$ 11 trilhões de ativos de energia ociosos até 2050 – um valor que pode dobrar se a ação sofrer mais atrasos.

“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar ainda na nossa geração o paradigma de desenvolvimento global – passando de escassez, desigualdade e competição para a prosperidade compartilhada. Essa é uma oportunidade que devemos aproveitar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”, avaliou o Diretor.

O fato é que os planos atuais dos governos ficam muito aquém das necessidades de redução das emissões. Segundo a pesquisa, na atual conjuntura o mundo exauriria seu “orçamento de carbono” relacionado à energia para 2ºC em menos de 20 anos, apesar do contínuo e forte crescimento nas adições de capacidade renovável. No final do ano passado, por exemplo, a capacidade de geração renovável mundial aumentou em 167 GW e atingiu 2.179 GW em todo o mundo – um crescimento anual de 8,3%. No entanto, sem um aumento significativo de escala, os combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão continuarão a dominar a matriz energética global até 2050.

O alento é que essas transformações, pertinentes ao compromisso ambiental e sustentável, são técnica e economicamente viáveis, pois dependem de tecnologias seguras, confiáveis, acessíveis e amplamente disponíveis.  Ou seja, alternativas não faltam. Para mais informações, basta acessar o relatório no site da IRENA.

Fonte: Agência Canal Energia

Vestas assume manutenção de parques eólicos da Queiroz Galvão

Empresa fechou contrato de serviços para operação e manutenção por 10 anos dos projetos com turbinas Suzlon

A fabricante dinamarquesa de equipamentos eólicos Vestas fechou um contrato para fornecer serviços de operação e manutenção a parques da Queiroz Galvão Energia no Brasil, disse nesta terça-feira o presidente da fornecedora no país, Rogério Zampronha.

O negócio vem após a saída do país da produtora indiana de máquinas Suzlon, que havia fornecido os equipamentos utilizados nas usinas eólicas da Queiroz Galvão. A empresa encerrou as atividades no Brasil em meados do ano passado.

“A Vestas fechou um contrato de serviços ‘full scope’ de 10 anos de duração para operação e manutenção dos projetos com turbinas Suzlon, da Queiroz Galvão Energia”, escreveu Zampronha em sua página no Linkedin.

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Ceará é o primeiro estado a ter biogás injetado nos gasodutos da distribuidora estadual

Com a instalação da primeira estação de Gás Natural Renovável (GNR) em Fortaleza, o Ceará vai ampliar em 20% a oferta do produto pela Companhia de Gás do Ceará (Cegás) no Estado. A meta é expandir a capacidade da planta em 50%, em até dois anos, que hoje é de 100 mil m³/dia. O objetivo é que a produção diária chegue a 150 mil m³, tornando-se a maior estação do tipo no País. A usina GNR Fortaleza foi inaugurada ontem no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc).

O empreendimento é o primeiro do gênero no Norte Nordeste e é fruto de uma parceria entre o governo do Ceará, prefeitura de Fortaleza, Cegás e a GNR Fortaleza. A Cegás será a primeira distribuidora brasileira a injetar gás natural renovável na rede de gasodutos que fornece o produto para clientes industriais, comerciais, residenciais e veiculares.

A Cegás investiu R$ 22 milhões na construção de uma estação de transferência e de um gasoduto de 23 km que transporta o gás natural produzido no ASMOC (Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia), que diariamente recebe cerca de 3 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares. O projeto se adequa à Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada e sancionada em 2010.

O biogás é purificado e convertido em gás natural renovável pela GNR Fortaleza. Serão produzidos aproximadamente 84 mil m³ de biometano por dia, e, futuramente, a planta será ampliada para produzir até 150 mil m³ de gás diariamente, tornando-se, assim, a maior do país, até o momento, em volume de GNR especificado segundo as regras da Agencia Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP).

O gasoduto funciona desde dezembro passado e alimenta prioritariamente a Cerbrás, que foi homenageada na solenidade pela Cegás por ser a primeira indústria brasileira a usar gás natural renovável canalizado em seu processo produtivo. “Estamos muito orgulhosos dessa parceria e de usar um combustível limpo e eficaz”, disse Ana Mota, presidente da Cerbrás.

O governador Camilo Santana destacou o aspecto inovador da iniciativa. “Nós já somos, a partir de agora, a primeira unidade distribuidora. Esta é a única do Brasil que está entregando gás. A Cegás investiu mais de R$ 22 milhões para fazer o gás chegar até as empresas. Essa é a parceria, a ousadia e a inovação entre poder público e iniciativa privada. Ganha o meio ambiente, ganha a população e ganha também o setor produtivo”, afirmou.

O presidente da Cegás, Hugo Figueirêdo, ressaltou o impacto econômico do empreendimento. “É mais competitividade para o Ceará, mais benefício para as indústrias e uma grande redução de danos ao meio ambiente, seja através da redução das emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta, como também pelo estímulo ao uso de aterros de resíduos sólidos controlados, onde você evita a contaminação dos mananciais hídricos do Estado”, disse Hugo Figueirêdo.

Fonte: Divulgação/Governo do Ceará

Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

Além disso, o desenvolvimento do mercado de baterias de armazenamento tem aumentado a capacidade das fontes renováveis responderem às solicitações de rede para aumentar ou diminuir a geração de eletricidade a qualquer hora do dia, flexibilidade outrora garantida por usinas de carvão e gás.

Segundo a BNEF, as baterias independentes estão cada vez mais rentáveis ​​e começando a competir em preço com outras tecnologias. Desde 2010, os custos das baterias de íons de lítio para armazenamento caíram 79% desde 2010. Dados da consultoria indicam uma queda no preço de US$ 1.000 por kWh em 2010 para US$ 209 por kWh em 2017.

Segundo os analistas da BNEF, algumas usinas a carvão e gás existentes ainda exercerão um papel importante por muitos anos na matriz energética mundial, mas o “argumento econômico” para a construção de novas capacidades de carvão e gás está, claramente, perdendo espaço.

Fonte: Exame

Chamando o vento: Bahia é destaque em leilão para instalação de parques eólicos

Total de investimento é R$ 629 milhões; 16 cidades concentram 100 usinas em operação

Segunda colocada em capacidade de geração eólica no Brasil, que tem o Rio Grande do Norte na dianteira, com 3,7 gigawatts, a Bahia surge no cenário nacional com grande potencial para liderar o setor nos próximos anos.

Isso porque o estado, hoje com 100 parques em 16 cidades e 2,59 gigawatts de capacidade instalada, obteve bons resultados em leilões que definiram a instalação de mais 2 gigawatts para os próximos quatro anos.

O último deles, na semana passada, foi o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. A Bahia, no leilão, foi o único estado que recebeu projetos do setor.

No leilão foram quatro projetos contratados pela empresa francesa EDF, com capacidade para gerar 114,4 megawatts, o equivalente ao consumo anual elétrico de 290 mil lares. O total de investimento será de R$ 629 milhões na Bahia.

Prevista para 2021, a usina ficará em Campo Formoso, Norte do estado. A região é considerada por governo e empresas do setor como a melhor para geração de energia eólica no Brasil.

Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), “o sucesso da Bahia no cenário nacional neste leilão confirma o trabalho que vem sendo realizado em parceria com o setor eólico, visando consolidar o Estado como o mais competitivo para esta fonte.”

“Políticas de atração de investimento, regularização fundiária e o relacionamento com órgãos que concedem autorizações para estes empreendimentos são a chave do sucesso da Bahia”, avalia a SDE em nota.

A construção da usina da EDF, segundo a Aneel, deve começar já em 2019 – o número de empregos diretos e indiretos a serem gerados não está definido, mas estima-se em pouco mais de mil durante esta fase.

Considerando o que já foi comercializado em leilões, incluindo-se os realizados em dezembro de 2017, serão mais 213 parques eólicos até 2023, num total de mais 4,8 gigawatts que estão em construção ou contratados.

Em expansão
Com novos leilões de 2018, este valor deve aumentar, alterando a curva de previsão para os próximos anos, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), segundo a qual a capacidade eólica total instalada hoje no Brasil é de 13 gigawatts.

No país são mais de 6.600 aerogeradores instalados em 518 parques eólicos em 12 estados – as regiões Nordeste e Sul se destacam pelas características mais favoráveis dos ventos.

Em 2017, foram gerados 40,46 terawatts/hora de energia eólica ao longo do ano, um crescimento de 26,2% em relação a 2016. Essa geração representou 7,4% de toda a geração injetada no Sistema Interligado Nacional em 2017, segundo a CCEE.

A energia gerada ano passado dá para abastecer mais de 22 milhões de residências por mês, o equivalente a cerca de 67 milhões de habitantes, maior que o Nordeste (57 milhões de pessoas).

Ao todo, está prevista até 2026 a expansão de 18.500 MW de energia eólica, sendo 84% no Nordeste e 14% no Sul. Mas o Brasil só aproveita 40% de todo o potencial esperado para os próximos oito anos, informa a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Em janeiro, de acordo com a CCEE, a geração das eólicas, que depende da incidência de ventos e da eficácia dos equipamentos, foi de 4.387 megawatts médios, sendo que a Bahia gerou 899 megawatts médios (20%).

“Além da Bahia, os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí também se destacam no Nordeste. Paraíba, Pernambuco e Sergipe também apresentam alguns projetos, mas em menor quantidade”, completa.

Mas entre os estados do Nordeste, é a Bahia que vem na dianteira da atração dos investimentos no setor, com 674,9 megawatss já contratados, e outros 1.750,85 megawatts em construção.

Enquanto isso, o Rio Grande do Norte, em terceiro na fila da atração dos investimentos, está com 467,93 megawatts contratados e 381,7 megawatts em construção. O segundo colocado é o Piauí: são 705 megawatts contratados e 207,9 megawatts em fase de construção.

Economia local
Atualmente, na Bahia, há parques em operação em Bonito, Brotas de Macaúbas, Brumado, Dom Basílio, Caetité, Cafarnaum, Campo Formoso, Casa Nova, Gentio do Ouro, Guanambi, Igaporã, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Pindaí, Sento Sé e Sobradinho.

Os parques em teste, construção ou contratados estão em Caetité, Gentio do Ouro, Igaporã, Itaguaçu da Bahia, Licínio de Almeida, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Ourolândia, Pindaí, Riacho de Santana, Sento Sé, Sobradinho, Urandi, Várzea Nova e Xique-Xique.

A cidade baiana de Sento Sé, no norte, é a que mais tem atraído investimentos no estado. Ao todo, há 45 projetos para futuros investimentos já aprovados. O município conta com um parque eólico pronto, da empresa Brennand Energia, com potência instalada de 247,45 megawatts.

Outros dois empreendimentos, ambos da Engie Brasil Energia, estão entre Sento Sé e Umburanas, cidade vizinha. O Complexo Campo Largo, com 326,7 MW de capacidade instalada em 121 aerogeradores, deve ficar pronto este ano.

Já o Complexo Eólico Umburanas, localizado no município de Umburanas e cujo projeto foi comprado no final do ano passado pela Engie Brasil Energia por R$ 15 milhões junto a Renova Energia S.A, terá capacidade instalada de 605 megawatts.

Os empreendimentos têm aumentado o caixa das prefeituras. Em Sento Sé, por exemplo, somente com Imposto Sobre Serviços (ISS) a arrecadação tem variado de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão desde maio do ano passado.

Geração de energia eólica bate recorde no Nordeste
No Nordeste, segundo a ABEEólica, a geração de energia do setor tem quebrado recordes, atendendo mais de 60% da carga em alguns dias. O último recorde de geração foi no dia 14 de setembro de 2017, com uma geração de 6.413 megawhats médio, o que representa 64% da carga do Nordeste foi atendida por geração eólica naquele dia.

“Os recordes são registrados na época que chamamos de ‘safra dos ventos’, que vai mais ou menos de julho a novembro”, diz a ABEEólica. “Outro exemplo de recorde, esse nacional, é que, no dia 16/07/2017, 12,6% da energia consumida no Brasil veio das eólicas, com fator de capacidade de 63%”, completa.

No que se refere ao consumo do Brasil todo, a associação destaca que em agosto de 2017 as eólicas atingiram pela primeira vez os dois dígitos na matriz daquele mês, abastecendo 10% do país na média do mês todo. Em setembro, esse valor foi de 11%.

Em 2016, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho, dado que se repetiu em 2017. O setor contabiliza de 1998 até hoje cerca de 195 mil postos de trabalho. O ano de 2017 encerrou com R$ 11,5 bilhões investidos no setor eólico, representando 58% dos investimentos realizados em renováveis (solar, eólica, biocombustíveis, biomassa e resíduos, PCHs e outros).

Considerando o período de 2010 a 2017, o investimento é de cerca de US$ 32 bilhões, segundo a Bloomberg New Energy Finance BNEF. Em fevereiro de 2018, o Brasil subiu mais uma posição no Ranking de Capacidade Instalada de energia eólica elaborado pelo Global World Energy Council e agora ocupa o oitavo lugar.

“A despeito de o Brasil ser o 8º colocado em capacidade instalada, o país é o 7º em termos de geração. Isso porque temos um dos melhores ventos do mundo, o que permite um aproveitamento melhor do nosso parque gerador eólico”, frisa a ABEEólica.

UF

Potência (MW)

Nº de Parques

RN

3.722,45

137

BA

2.594,54

100

CE

1.950,46

75

RS

1.831,87

80

PI

1.443,10

52

PE

781,99

34

SC

238,50

14

MA

220,80

8

PB

157,20

15

SE

34,50

1

RJ

28,05

1

PR

2,50

1

Total

13.005,95

518

Fonte: ABEEólica

Brasil, China e Índia fazem mais da metade dos investimentos em energia limpa

Países em desenvolvimento estão investindo mais em energias renováveis do que as nações mais ricas

Há alguns motivos para celebrar o novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre energia. Em 2017, os investimentos globais em fontes renováveis aumentaram 2%, para US$ 280 bilhões. Além disso, a capacidade de energia renovável aumentou mais do que a capacidade de energia fóssil. Mas os grandes responsáveis por esse incremento foram os países em desenvolvimento – mais notadamente ChinaÍndia e Brasil, que juntos foram responsáveis por mais da metade dos investimentos em energias renováveis em 2017.

Historicamente, os países em desenvolvimento investem mais nesses tipos de energia. Este ano, contudo, a ONU aponta que esses países aumentaram a liderança. Excluindo grandes projetos de energia hidroelétrica, as economias emergentes atraíram US$ 177,1 bilhões em investimentos no ano passado, 20% mais do que em 2016. Considerando apenas o grupo “big three”, que são China, Índia e Brasil, os investimentos alcançaram o recorde de US$ 143,6 bilhões, 24% a mais do que em 2016. Dentro desse grupo, a China foi ainda mais dominante do que nos anos anteriores.

Enquanto isso, os investimentos em países desenvolvidos caíram 18%, para US$ 102,8 bilhões, o menor nível desde 2006. A ONU lembra que esses números brutos escondem importantes reduções de custo da energia nos últimos anos.

No ano passado, o Brasil investiu US$ 6 bilhões em energias renováveis, sendo US$ 2,1 bilhões em energia solar, US$ 3,6 bilhões em energia eólica, US$ 2 milhões em biocombustíveis, e US$ 1 milhão em pequenas hidrelétricas. Isso representa um aumento de 8% na comparação com o ano anterior, mas ainda uma redução importante considerando o recorde de US$ 11,5 bilhões em 2008, quando os aportes no desenvolvimento de biocombustíveis tiveram um pico.

A China, enquanto isso, investiu US$ 126,6 bilhões, sendo que US$ 86,5 bilhões em energia solar. Os investimentos da Índia em 2017 foram de US$ 10,9 bilhões.

Fonte: Época Negócios

 

8ª Ecoenergy discute desafios e oportunidades da geração de energia renovável

De 22 a 24 de maio o setor irá discutir em São Paulo a diversificação da matriz energética brasileira. Evento contará com a participação do CERNE em painel sobre marco regulatório do setor elétrico.

A questão ambiental, tanto global quanto local, e os recentes avanços tecnológicos transformaram as energias renováveis na escolha prioritária para a expansão de capacidade de geração elétrica.  Segundo a Irena (Agência Internacional para as Energias Renováveis na sigla em inglês), desde de 2012 a instalação de capacidade de renováveis ultrapassou as não renováveis de forma crescente no mundo.

No Brasil, a importância histórica das usinas hidráulicas na matriz elétrica nacional o coloca muito acima dessa realidade mundial. Mas ainda caminhamos no esforço de ampliar as fontes alternativas de geração renovável de energia. Nos últimos anos, a matriz energética obteve sucessivas melhoras na oferta de energia eólica, fotovoltaica e de biomassa.

Para manter o debate sobre essa evolução da oferta de energia de fontes renováveis alternativas acontece, de 22 a 24 de maio, em são Paulo, a 8ª Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia.

O objetivo é analisar a atual situação da geração de energia renovável no país e os empecilhos para o avanço no uso das fontes renováveis alternativas. Para Jean Paul Prates, diretor presidente do Cerne (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia) a entrada da energia eólica e, em sua sequência, da energia solar em grande escala, foram conquistas recentes a partir da admissão delas nos leilões federais de compra de energia, que são os principais instrumentos de consolidação do setor energético nacional. A posição do Brasil de ter levado mais tempo para admitir essas fontes deu-se pelo fato de que também precisávamos nos preocupar com a chamada “modicidade tarifária”, ou seja, não repassar para o consumidor final o peso de eventuais subsídios e incentivos mais pesados para desenvolvimento dessas tecnologias.

Prates participará do painel “Marco regulatório e reformas do setor elétrico: oportunidades, desafios e impactos na geração de energia solar” que acontecerá no dia 22 de maio. Clique aqui , para ver a programação completa do evento.

Descontos Especiais até o dia 30/04/2018. Faça seu credenciamento online.

 

Atlas Eólico da Paraíba está disponível para download

O Atlas Eólico da Paraíba, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia (Seirhmact), apresenta detalhadamente os regimes de vento e os respectivos potenciais na geração de energia. Além disso, é um instrumento para a definição de políticas públicas e insere definitivamente a Paraíba na rota mundial de investimentos nacionais e internacionais em energia eólica, contribuindo para incentivar e alavancar o setor e a gerar mais empregos.

O Atlas foi desenvolvido por meio de convênio e de ações integradas entre o Ministério de Minas e Energia, a Eletrobrás, a Chesf, o Cepel, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Associação Técnico-Científica Ernesto Luiz de Oliveira Júnior (Atecel) e o Governo do Estado da Paraíba. O Atlas está disponibilizado no portal do Governo do Estado, clique aqui para baixar o arquivo.

Fonte: Governo da Paraíba

Presidente da estatal de planejamento em energia EPE deixa o cargo

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, apresentou um pedido de renúncia ao comando da estatal, que é ligada ao Ministério de Minas e Energia e responsável pelo planejamento energético, informou a instituição nesta segunda-feira.

A saída de Barroso, antecipada mais cedo pela Reuters com base em fonte com conhecimento do assunto, acontece após o secretário-executivo da pasta de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, também deixar o cargo na sexta-feira.

A decisão dos dois técnicos de deixar o governo vem em meio ao anúncio de que o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (MDB-RJ), será o novo ministro de Minas e Energia.

Ele substituirá na pasta o deputado federal Fernando Coelho Filho, que foi exonerado na sexta-feira para concorrer às eleições. []

“(Barroso) já saiu, renunciou há pouco, a carta de renúncia foi aceita”, disse a fonte, que atribuiu o pedido a “motivos pessoais”.

Para o lugar de Barroso, um ex-diretor da consultoria especializada em energia PSR, o Conselho de Administração da EPE indicou interinamente o nome de José Mauro Ferreira Coelho, diretor de estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da estatal.

A nomeação de Ferreira Coelho como interino também havia sido antecipada pela Reuters.

Procurado, ele disse que a agenda da EPE e do setor de energia em geral não será paralisada pelas mudanças na estatal e no Ministério de Minas e Energia.

“Não há motivo de apavoramento e achar que tudo acabou… as reformas importantes para o país, vamos continuar tocando… a agenda não vai parar e não haverá descontinuidade”, garantiu.

Ele citou como temas prioritários a negociação com a Petrobras sobre a cessão onerosa, a privatização da Eletrobras, o programa de incentivo aos biocombustíveis RenovaBio e o programa Gás Para Crescer, dedicado ao gás natural.

“BOM NOME”

Apesar da saída de técnicos do Ministério de Minas e Energia, a definição de Moreira Franco como novo titular da pasta foi elogiada pelo presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., que vê a escolha como favorável aos planos do governo de privatizar a companhia.

Na Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco é responsável pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, que gerencia programas de concessões e privatizações, incluindo a da Eletrobras.

“Ele é comprometido com o projeto (de privatização da Eletrobras). Acho ele bom… o Moreira tem importância política e poder para mover a privatização”, afirmou Ferreira, ao ser questionado sobre a escolha do político para a pasta.

Analistas de mercado apostavam na nomeação de Pedrosa para assumir o ministério, o que levou as ações preferenciais da Eletrobras a fecharem em queda de 8,17 por cento na sexta-feira, quando o secretário-executivo entregou o cargo.

Nesta segunda-feira, com a confirmação do nome de Moreira Franco para a pasta, as ações da Eletrobras operavam em baixa de mais de 5 por cento por volta das 13h50.

O presidente da Eletrobras também afirmou à Reuters que segue no cargo apesar das mudanças na área de energia do governo.

“Tenho muito trabalho em curso… aposto que vamos ter condições de seguir com o projeto maior que é o da democratização de capital da Eletrobras (privatização). Estou comprometido com tudo”, disse Ferreira.

Segundo ele, o cronograma do governo federal de concluir o processo de privatização da Eletrobras em 2018, no Congresso Nacional, ainda é viável, embora a emissão de novas ações da estatal que diluiria a União para uma participação minoritária na companhia possa ficar para o ano que vem.

“Dá muito tempo, e o ideal é que seja feita até o fim de dezembro de 2018. Mas poderá ser feita no começo de 19 também”, disse.

O governo federal espera levantar cerca de 12 bilhões de reais com a operação de desestatização da Eletrobras.

FORO PRIVILEGIADO

A nomeação de Moreira Franco para a pasta de Minas e Energia também garante proteção ao político próximo ao presidente Michel Temer.

Anteriormente, uma medida provisória (MP 782) havia sido editada para garantir ao cargo de Moreira na Secretaria-Geral da Presidência o status de ministério, dando-lhe foro privilegiado em um momento em que ele é alvo de investigações na Operação Lava Jato.

Essa MP tem sido questionada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

 

Fonte: Reuters | Rodrigo Viga Gaier com reportagem adicional de Luciano Costa; edição de Roberto Samora

 

Governo agenda leilão de energia A-6 para 31 de agosto

O Ministério de Minas e Energia publicou na edição desta sexta-feira, 6 de abril, a Portaria  no. 121 de 2018 com as diretrizes para o Leilão de Energia Nova A-6 deste ano, que deverá ocorrer em 31 de agosto. O prazo para a entrega dos documentos por parte dos empreendedores interessados em participar do certame que visa contratar novos projetos para 2024 deverá ocorrer até o dia 8 de maio.

Na portaria veio a confirmação da notícia dada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, de que a partir desse certame a fonte eólica disputaria CCEARs por quantidade e não mais por disponibilidade, como vinha sendo até o último A-4.

A portaria exclui do certame empreendimentos de geração a partir de fonte não termelétrica cujo CVU seja superior a zero, hidrelétricas com capacidade instalada inferior a 1 MW, geração não hidrelétrica com potência menor do que 5 MW, da fonte eólica que não atenda ao disposto no art. 5º, § 3º, da Portaria MME nº 102, de 2016, de geração a partir de fonte termelétrica cujo CVU, calculado nos termos do art. 5º da Portaria MME nº 46, de 9 de março de 2007, seja superior a R$ 280,00/MWh, termelétrica com CVU diferente de zero, cuja inflexibilidade de geração anual seja superior a 50% e qualquer empreendimento de geração para o qual o empreendedor não apresente estudos de conexão quando solicitados pela EPE. Além disso, o Edital a ser publicado pela Aneel deverá prever que não poderão participar do A-6 os empreendimentos que entrarem em operação comercial até a data de sua publicação.

Como este leilão contará com a participação de térmicas a gás natural, os empreendedores têm até o dia 21 de maio para entregar os dados necessários para análise da viabilidade do fornecimento de gás natural ao empreendimento, conforme a Portaria MME nº 102, de 2016, deverão ser protocolados na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Já os empreendedores cujos projetos tenham sido cadastrados junto à EPE para participação no A-4 realizado na última quarta-feira, 4 de abril, poderão requerer novamente o cadastramento com a dispensa da reapresentação de documentos. A obrigação é de que sejam mantidos inalterados os parâmetros, as características técnicas e demais informações dos projetos, sendo obrigatório o registro desta opção no Sistema AEGE no momento da inscrição do empreendimento. O ponto de conexão pode ser alterado ante o cadastrado no A-4.

Nessa oportunidade, continua a portaria, os investidores deverão declarar a validade de toda e qualquer documentação apresentada para fins de cadastramento no A-6. Fica vedada ainda a apresentação de quaisquer documentos em substituição aos protocolados na EPE por ocasião do cadastramento no último A-4, à exceção do Despacho de Requerimento de Outorga emitido pela Aneel, Licença Ambiental cujo prazo de validade tenha expirado, Parecer de Acesso ou documento equivalente definidos no art. 4º, § 3º, incisos V e VI, da Portaria MME nº 102, de 2016 e quaisquer outros documentos quando solicitados pela EPE.

 

Fonte: Canal Energia

 

Especialistas e gestores debatem crise hídrica no RN

As condições dos níveis de reservatórios e a atual situação das bacias hídricas e açudes do Rio Grande do Norte foi o tema da primeira edição do Ciclo de Debates do Conselho Técnico-Científico do CERNE de 2018. O auditório da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN ficou lotado de especialistas, pesquisadores, gestores e estudantes que debateram a crise hídrica no estado.

O Diretor do Instituto de Gestão de Águas do RN, Josivan Cardoso, apresentou números sobre a capacidade dos reservatórios hídricos monitorados pelo Governo do Estado. “A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do estado, nunca esteve com volume hídrico tão baixo em toda a história”, afirmou o diretor.

Atualmente, a barragem comporta cerca de 287 milhões de metros cúbicos de água. Em 2017 esse número chegou a 343 milhões de metros cúbicos. “Nessas condições, precisamos garantir a segurança hídrica para abastecimento das cidades. O cuidado deve ser redobrado”, disse.

Cardoso também enfatizou a importância da consciência quanto ao consumo sustentável da água diante da atual situação crítica dos níveis dos reservatórios. Dos 47 reservatórios com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos no Estado, 19 continuam em volume morto e 11 estão secos.

A situação das reservas hídricas subterrâneas foi o tema apresentado pelo Técnico da SEMARH e ex-diretor da Agência Nacional de Águas, Paulo Varela. “Estudar as águas superficiais, seu potencial e fluxo é fazer gestão. As águas subterrâneas afetam diretamente a qualidade dos rios”, pontuou.

A Diretora de Empreendimentos da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN), Geny Formiga, apresentou um panorama sobre o abastecimento urbano e rural no estado e a perspectiva da CAERN para os próximos anos. “Estamos passando por uma crise hídrica que afeta grande parte do estado. São 15 municípios em colapso de abastecimento e outros 84 com o sistema de rodízio”, afirmou. Neste contexto a região oeste é a mais atingida.

O Rio Grande do Norte tem como fazer um planejamento para garantir segurança hídrica para a região do Seridó até 2070. O estudo sobre o balanço hídrico da região foi apresentado pelo Consultor e ex-Secretário da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), Rômulo Macedo. “Os reservatórios do Seridó, segundo a nossa pesquisa, têm capacidade de ofertar água para o consumo humano até 2070. Em breve vamos apresentar um estudo de alternativas de engenharia hídrica para resolver o problema hídrico da região, em seguida, vamos escolher as melhores e definir as questões de viabilidade econômica. Depois desses procedimentos, o estudo será entregue para a SEMARH, que vai em buscar de recursos para viabilizar os recursos para a construção das adutoras”, explicou.

Para o Gerente Regional do SEBRAE- Assu e integrante do Comitê de Águas do Centro SEBRAE de Sustentabilidade Regional, Fernando Leitão, é necessário que a sociedade possa ter maior acesso as leis que regulam o uso da água. Ele também ressaltou que esse recurso natural é insumo para empresas de todos os portes, setores e segmentos. Em alguns casos, é a própria matéria-prima. “As empresas precisam se adequar rapidamente as novas exigências para o consumo sustentável e racional da água”, afirmou.

O Ciclo de Debates terá outras edições ao longo do ano abordando temas relativos a recursos naturais e energia. Mais informações no site do CERNE em www.cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

Leilão A-4 movimenta R$ 6,7 bi. Preços reforçam tendência de queda de custos

O leilão de energia promovido pelo governo nesta quarta-feira (04) mostrou mais uma vez o apetite dos investidores neste setor no Brasil. O montante movimentado no certame atingiu aproximadamente R$ 6,7 bilhões.

O 27º Leilão de Energia Nova A-4 – que negociará o insumo a ser fornecido daqui a quatro anos – foi operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), por meio de sistema eletrônico.

O certame fechou a contratação de 1 gigawatt em novas usinas de geração, após cerca de duas horas e meia de acirrada disputa entre investidores, o que levou o preço médio final de compra da produção futura dos empreendimentos a um patamar 59% inferior aos valores máximos propostos para o certame.

Os projetos, que precisarão entrar em operação até janeiro de 2022, deverão receber investimentos de cerca de R$ 5,3 bilhões, segundo a CCEE.

As distribuidoras de energia contrataram ontem pouco mais de 1 gigawatt (GW) de potência de projetos de fontes renováveis a preços consideravelmente baixos, graças a grande oferta e aos projetos que ficaram represados entre 2015 e 2017. Enquanto o preço médio da fonte eólica, de R$ 67,70 por megawatt-hora (MWh), não deve ser considerado uma nova referência para o setor, especialistas e investidores ouvidos pelo Valor apontam que o preço médio da energia solar, de R$ 118,07/MWh, indica um novo patamar para os projetos desta fonte, podendo causar preocupações no futuro.

O leilão A-4, com entrega dos projetos em 2022, contratou 356,19 megawatts (MW) médios de garantia física – que é a energia assegurada realmente vendida -, ou 1,024 GW de potência. A fonte solar foi o grande destaque do certame, ao vender 806 MW de potência. O preço médio de R$ 118,07/MWh representou desconto de 62,16% ante o máximo de R$ 312/MWh estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“O patamar de preços obtido contribuirá de forma determinante para segurar a alta das tarifas e trazê-las novamente ao patamar razoável”, disse Luiz Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ao Valor. “Compramos [energia] eólica e solar a preços nunca antes visto neste país e dentre os melhores preços obtidos no mundo”, completou.

A francesa EDF Energies Nouvelles (EDF EN) foi a única vencedora da fonte eólica, ao contratar 114,4 MW por meio de um projeto na Bahia, desenvolvido pela Casa dos Ventos. O preço recorde da energia, de R$ 67,70, teve deságio de 73,49% em relação ao máximo de R$ 255/MWh.

Segundo Lucas Araripe, desenvolvedor de novos negócios da Casa dos Ventos, a companhia chegou a cadastrar outros projetos com outros parceiros, mas não obteve sucesso no certame.

Para viabilizar o projeto nesse patamar de preços, a EDF pretende investir R$ 500 milhões, abaixo dos R$ 630 milhões estimados pela Aneel. Ao Valor, o diretor-geral da companhia no Brasil, Paulo Abranches, explicou que o preço ofertado foi resultado de uma combinação de fatores, entre eles a possibilidade de negociar energia do empreendimento no mercado livre e a oportunidade de contratar turbinas eólicas por um preço mais atrativo.

No mercado, a informação era de que o fornecedor das turbinas dos quatro parques é a Vestas. Nenhuma das duas companhias confirmam a informação.

A EDF vendeu 33,4 MW médios da garantia física de 57,7 MW médios do projeto. Isso significa que o restante poderá ser vendido no mercado livre de energia, a um preço mais atrativo.

A Aneel vai acompanhar de perto a construção dos projetos licitados para garantir que não haja atrasos.

Com o resultado de ontem, o portfólio da empresa no país cresce para cerca de 700 megawatts (MW) instalados, dos quais 400 MW de energia solar e 300 MW de eólicas. “O Brasil é um país estratégico para a EDF EN. Temos muito interesse no Brasil, em particular em energia renováveis, tanto eólica quanto solar”, afirmou o executivo.

“É importante que esse preço não vire uma referência para os próximos leilões, foi um caso específico”, disse Thais Prandini, diretora executiva da consultora Thymos Energia. Segundo ela, o caso da energia solar é outro. “A tendência é de queda mesmo, no mundo todo e no Brasil”, disse.

A maior vencedora nesse segmento foi a Canadian Solar, que vendeu 289 MW em projetos localizados em Minas Gerais e no Ceará. A Steelcons, pouco conhecida no setor, contratou 270 MW de potência. A empresa prevê investir R$ 900 milhões no projeto, localizado no Ceará, total inferior ao estimado pela Aneel, de R$ 1,2 bilhão. A comercializadora Kroma vendeu 66,9 MW em projetos em Pernambuco. A espanhola Elecnor vendeu outros 185 MW em projetos no Piauí.

Em entrevista coletiva concedida depois do certame, integrantes do governo demonstraram otimismo com o resultado. Segundo o diretor da Aneel Tiago Correia, o sucesso do leilão, apesar de toda a turbulência política enfrentada no país nesta semana, demonstra um “grande voto de confiança” no modelo do setor elétrico. Segundo ele, o certame não foi afetado pela agitação em torno da votação do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal (STF). “O leilão, curiosamente, mostrou que há uma resiliência grande no setor elétrico”, afirmou.

Segundo Correia, a Aneel vai acompanhar de perto o desenvolvimento dos projetos licitados, a fim de garantir que sejam implementados sem atrasos.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, Nivalde de Castro, defendeu os preços praticados e o modelo dos leilões. “Diferentemente do passado, quando havia a crítica das tarifas patrióticas [aceitas pelas estatais], hoje são empreendedores privados que sabem fazer contas e que não têm nenhuma motivação política para colocar seus recursos nos leilões”, disse.

“O interessante é que nenhum dos ganhadores é operador de unidades solares de longo prazo, todos desenvolvem e vendem os projetos”, disse Camila Ramos, diretora e fundadora da Clean Energy Latin America (Cela).

A Canadian Solar, que é sediada no Canadá mas comandada por executivos chineses, ainda não decidiu se vai manter os projetos ou vendê-los. A decisão deve ser tomada nos próximos quatro anos, quando os parques solares poderão ter as obras antecipadas, dependendo do desempenho dos preços de energia no mercado à vista.

Ao Valor, o diretor-geral da Canadian Solar na América do Sul, Hugo Albuquerque, apontou outro motivo de preocupação: o preço do silício, que compõe as placas solares, no mercado internacional. “Ninguém sabe como o mercado vai se comportar daqui quatro anos. Se houver outra alta de preços do silício como no ano passado, o leilão ficará comprometido.”

De acordo com Albuquerque, a Canadian Solar é a única empresa de grande porte que até hoje participou e saiu vencedora em todos os leilões de energia solar no país. “Não podíamos ficar de fora”, disse, lembrando que o compromisso da companhia com o Brasil é de longo prazo.

Fontes: Valor Econômico | Camila Maia e Rodrigo Polito

DCI

Leilão A-4 negocia 298,7 MW médios ao preço médio de R$ 124,75

Deságio médio do leilão ficou em 59,07% sendo que a eólica apresentou redução de 73,5% para quatro empreendimentos

Após uma disputa de pouco mais de duas horas, chegou ao fim o Leilão de Energia Nova A-4 que negociou um total de 298,7 MW médios de energia que viabilizou a adição de pouco mais de 1 GW em capacidade instalada. O preço médio de venda ficou em R$ 124,75 por MWh. Esse valor corresponde a um deságio médio de 59,07%. Os preços para as fontes eólica e solar foram os mais baixos registrados no país desde a entrada das fontes nos leilões, com R$ 67,60 e R$ 118,07, respectivamente.

O certame realizado na sede da CCEE, em São Paulo, foi marcado pela rápida queda dos preços dos produtos negociados logo em seu início. O maior desconto ficou com a fonte eólica que passou de R$ 255 para R$ 67,60, redução de 73,5%, depois veio a solar que passou de R$ 312 pra R$ 118,07, queda de 62,16%, em terceiro a biomassa de R$ 329 para R$ 198,94, redução de 39,53% e o menor deságio entre os quatro produtos ficou com a fonte hídrica com desconto de 31,92% sobre o preço teto de R$ 291.

Aliás, a fonte hídrica teve 4 novas usinas com 41,7 MW em capacidade instalada em 19,7 MW médios. A fonte a biomassa adicionou duas novas usinas com 61,8 MW de capacidade e 17,1 MW médios. A fonte eólica teve quatro parques com 114,4 MW de capacidade nova e 33,4 MW médios. A maior vendedora, a solar, viabilizou 29 usinas com 806,66 MW em nova capacidade e 228,5 MW médios.

O volume de energia negociado corresponde a um giro financeiro de R$ 6,748 bilhões. A garantia física contratada ficou em 356,19 MW médios.

No total, 17 distribuidoras compraram energia. Dessas, as maiores compradoras foram a Coelba (BA) com 8,8 milhões de MWh, a Enel Distribuição Goiás com 5,8 milhões de MWh e a Elektro (SP/MS) com 5,7 milhões de MWh.

“Estamos satisfeitos com o resultado”, disse o diretor da agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Tiago de Barros Correia, durante coletiva de imprensa para comentar os resultados do certame, destacando o fato de que foi possível fechar a contratação de toda a demanda indicada pelas distribuidoras com um “desconto expressivo”. A declaração foi ratificada pelo secretário Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo.  Eles salientaram que os preços acertados são competitivos e expressivos no mercado internacional, considerando valores da ordem de US$ 20/MWh a US$ 35/MWh.

Os executivos minimizaram um potencial impacto do cenário político tenso no certame, lembrando que o processo preparatório dos empreendedores para o leilão inicia-se com cinco a seis meses de antecedência, a partir de quando também são feitas as contas projetando os lances possíveis, enquanto a energia comercializada deve ser entregue daqui a quatro anos. Portanto, o cenário precisa considerar mudanças de governo e no cenário macroeconômico.

Ainda assim, para ele, a realização bem sucedida do leilão, no dia em que todos os olhos estão voltados para uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a possível prisão do ex-presidente Lula, “mostra uma resiliência grande do setor elétrico”. “O setor aprendeu a confiar em instituições perenes”, disse, citando as entidades ligadas ao Ministério de Minas e Energia, incluindo a própria Aneel, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a CCEE, interfaces relacionadas à realização do leilão e posterior acompanhamento dos projetos.

 

Fontes: Canal Energia | Estadão

Leilão A-4 deve ter baixa demanda e grande deságio, dizem especialistas

O governo realiza amanhã um leilão de energia do tipo A-4, que contratará projetos novos de geração com início do fornecimento em 2022. Enquanto há mais de 47 gigawatts (GW) em projetos cadastrados para a disputa, a demanda das distribuidoras deve ser novamente baixa, achatando os preços, como aconteceu no certame realizado em dezembro.

Segundo especialistas ouvidos pelo Valor, os preços máximos determinados para as fontes estão adequados, mas deve haver um deságio significativo devido à oferta desproporcionalmente grande em relação à demanda.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 48.713 megawatts (MW) de potência para o leilão. A fonte eólica lidera com 26,2 mil MWs e 931 projetos, seguida pela fonte solar fotovoltaica, que teve 20 mil MW cadastrados por 620 empreendimentos.

O número é parecido com o resumo dos cadastrados para o A-4 de dezembro do ano passado, que contou com 47,9 mil MW. O certame, no entanto, contratou apenas 228,7 megawatts (MW) médios e 674,5 MW de potência, muito aquém do desejado pelas indústrias de geração das fontes renováveis. A competição intensa achatou os preços, e os projetos saíram com deságios de mais de 50% em relação aos preços máximos determinados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“A tendência novamente é que os preços fiquem baixos pelo fato de termos uma oferta muito alta. O problema é que começam a aparecer preços que se descolam da realidade, não refletem a realidade da indústria”, disse uma fonte do setor de energia eólica, que prevê contratação de 300 MW médios no leilão.

Para a diretora executiva da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, o leilão deve contratar de 500 MW médios a 700 MW médios. “Nossa expectativa é que tenhamos contratação importante de solar, e, talvez um pouco menor da fonte eólica”, disse.

“O setor fotovoltaico deverá ser bastante agressivo na apresentação de preços”, disse Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Além da competição, ele citou que as fontes devem disputar a margem de escoamento da energia gerada, devido às limitações de transmissão no Nordeste. “Quando as fontes competem entre si, o preço é um fator de desempate”, explicou.

Embora as perspectivas para o leilão apontem uma contratação baixa, a disputa ainda é vista como boa oportunidade para liberar parte dos projetos de fontes renováveis no Nordeste que estão “represados” devido ao baixo volume de contratação dos últimos anos.

“Isso tem começado a impactar a economia local [do Nordeste]. Até um ano atrás não estávamos sentido esse impacto. Mas agora já começa a acontecer. Se tivermos contratações fracas no A-4 e no A-6, começaremos a ter um risco de desaceleração nessas regiões, com desmobilização de pessoal, etc. Mas Acho que esses leilões devem contratar bem. Estou com um otimismo morno”, afirmou o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates.

A EPE também cadastrou projetos de termelétricas a biomassa para o leilão, além de hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs). Segundo Thais, da Thymos, essas fontes devem ter uma participação secundária no leilão.

Segundo o presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), o leilão A-6 acaba sendo uma opção melhor para as fontes hídricas que o A-4, porque dá ao investidor um tempo maior para construir a usina.

Fonte: Camila Maia e Rodrigo Polito | Valor Econômico

Leilão da 15ª rodada marca retorno da Bacia de Campos, diz ANP

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comemorou o resultado da 15ª Rodada de Licitação de blocos para exploração e produção de petróleo em bacias sedimentares brasileiras. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone,  disse que a rodada foi espetacular, pela diversidade geográfica dos blocos arrematados e pelo interesse do mercado na Bacia de Campos.

“Foi espetacular e mostra o potencial que temos no Brasil para atrair investimento e gerar arrecadação e riqueza quando fazemos as coisas certas”, afirmou Oddone. “A grande notícia do ponto de vista de interesse das companhias é a diversidade de operadores e o interesse pela Bacia de Campos”.

De acordo com o Oddone, a retomada dos investimentos na Bacia de Campos começou na 14ª Rodada e é uma “notícia extraordinária” para o estado do Rio de Janeiro.

Ele defendeu a possibilidade de ofertar permanentemente blocos que estejam localizados no polígono do pré-sal e já tenham sido ofertados em leilão.

Atualmente, esses blocos não podem ser disponibilizados em oferta permanente, e a mudança necessitaria de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética. Para Oddone, essa possibilidade aceleraria a retomada na Bacia de Campos, que era considerada uma área em declínio.”Uma das grandes conclusões desse leilão é o interesse das principais companhias do mundo para a exploração da Bacia de Campos e traz para o Rio de Janeiro um protagonismo que o estado já teve e que esperamos que recupere.”

O leilão dos blocos marítimos rendeu R$ 8,014 bilhões em bônus de assinatura e teve 47% dos blocos arrematados. As empresas estrangeiras tiveram forte presença na 15ª Rodada, que atraiu algumas gigantes como a ExxonMobil, a Shell, a Repsol e a Statoil.

Os 21 blocos terrestres ofertados, no entanto, não receberam propostas. Segundo Oddone, a falta de ofertas foi influenciada pela política de desinvestimentos da Petrobras, que abriu oportunidades para que empresas do setor comprem unidades já em produção. “As empresas estão divididas entre os riscos exploratórios e os desinvestimentos da Petrobras.” Oddone disse acreditar que, cada vez mais, os blocos em terra sejam ofertados de forma permanente, em vez de ocuparem leilões como este.

Para o Diretor-Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, os resultados da 15ª Rodada mostram claramente que as concessões de áreas convencionais brasileiras são muito atrativas. “Os 47 blocos marítimos oferecidos ficam fora do Polígono do Pré-sal, nas bacias sedimentares marítimas do Ceará, Potiguar, Sergipe-Alagoas, Campos e Santos”, explica Prates.

O Rio Grande do Norte e Ceará tiveram blocos exploratórios arrematados na rodada de licitação. O Presidente do CERNE destaca o retorno da empresa Wintershall, empresa do Grupo BASF (alemã), normalmente muito seletiva e criteriosa. Potencial da Bacia Potiguar e Cearense também atraiu a Shell e a Petrobras.

Fonte: CERNE Press com informações da Agência Brasil

 

Nordex Acciona começa a operar fábrica de torres eólicas de até R$30 mi no Piauí

A fornecedora de equipamentos de energia eólica Nordex Acciona iniciará em maio operações de uma nova fábrica de componentes no Brasil, uma unidade de produção de torres no Piauí com investimento entre 20 milhões e 30 milhões de reais, disse à Reuters um executivo da companhia nesta quinta-feira.

Com a nova fábrica, a empresa fruto de uma fusão entre a alemã Nordex e a espanhola Acciona prevê ganhos logísticos e de custos para suas operações no país, onde já possui 1 gigawatt em turbinas instaladas e mais quase 200 megawatts em contratos assinados para entrega futura.

Os negócios foram fechados a partir da chegada da empresa ao país, em 2012, junto a investidores que conquistaram contratos em leilões promovidos pelo governo para a construção de usinas de geração.

“Se você olhar o ‘market share’ dos últimos leilões, nos últimos dois ou três anos, a gente está mantendo de 15 a 20 por cento de participação, e nosso objetivo é manter essa fatia”, disse o diretor da empresa para o Brasil, Daniel Berridi.

Além da unidade no Piauí, que será inaugurada em cerimônia oficial na próxima sexta-feira e terá capacidade de suportar 250 megawatts em turbinas por ano, a empresa possui uma fábrica de montagem de nacelles na Bahia, com capacidade de 500 megawatts a 600 megawatts anuais.

Neste momento, a empresa negocia com investidores que participaram de leilões em dezembro passado para tentar fechar mais contratos.

 As tratativas acontecem em um momento de forte competição na indústria eólica do país, uma vez que houve dois anos sem licitações antes das realizadas em dezembro, que contrataram 1,45 gigawatt em novas usinas eólicas que precisarão entrar em operação entre 2021 e 2023.

“A competição aumentou muito. Todos os fornecedores estavam, com dois anos sem leilões, com fábricas com perspectiva de ficarem paradas… tem uma briga enorme para levar os contratos”, afirmou Berridi.

Ele disse, no entanto, que a Nordex Acciona tem certeza de que continuará sua aposta no Brasil e já está em contato também com investidores que disputarão um novo leilão de energia do governo, o chamado “A-4”, em 4 de abril, para usinas que precisarão ser concluídas em 2022.

“Estamos otimistas… as perspectivas das renováveis, e especificamente da eólica no Brasil são muito boas… achamos que o Brasil vai ter um crescimento muito interessante para a companhia e por isso estamos nos preparando para esse período”, afirmou.

Além da Nordex Acciona, possuem unidades no Brasil a dinamarquesa Vestas, a norte-americana GE, a Siemens-Gamesa, associação entre o conglomerado industrial alemão e uma fabricante espanhola, a alemã Enercon e a WEG, que é catarinense.

 Mais recentemente, a chinesa Goldwind também fechou o primeiro contrato no Brasil, mas para importação de seus equipamentos.

 

Fonte: Luciano Costa | Reuters

Revista Recharge: O nascimento do setor eólico offshore no Brasil

A próxima geração da indústria eólica vai “surpreender o mundo pelo custo” devido aos ventos fortes, águas rasas e 600 GW de potencial, escreve Alexandre Spatuzza em São Paulo.

Em meados de 2021, a estatal petrolífera brasileira Petrobras deverá instalar a primeira turbina eólica offshore – um modelo de 5MW – em algum lugar na costa nordeste do Brasil.

Mas o projeto ainda está tão envolto em sigilo que até o órgão de licenciamento ambiental federal do país – Ibama – que recebeu o esboço do projeto em 16 de fevereiro, sabe muito pouco sobre isto.

“Vamos ter uma primeira reunião sobre isso com a Petrobras nos próximos dez dias”, disse a Recharge o porta-voz do Ibama no início de março. O que se sabe é que, em 2016, a Petrobras apresentou uma proposta a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, para construir um projeto de R$ 63 milhões (US $20 milhões), que incluía planos para ventos offshore e para estudar potenciais cadeias de suprimentos e infra-estrutura portuária.

Esse documento, posteriormente aprovado pela Aneel, veio no verso de um estudo inicial de cinco anos mapeando a velocidade do vento nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte – cujos resultados permaneceram secretos, mas que parecem ter incentivado os planos da Petrobras no setor eólico offshore.

Uma nova campanha de medição offshore ao longo da costa do Brasil, em especial o Nordeste e o Sudeste, agora está sendo conduzido graças a tecnologia Lidar e mastros meteorológicos com 93 metros de altura.

Oscar Chamberlain, Gerente Geral de P&D da Petrobras em Refino e Gás Natural, disse à Recharge que enquanto o Brasil já tem alguns dos ventos mais fortes e confiáveis ​​do mundo, particularmente nas regiões menos povoadas do interior do Nordeste, ele espera que os ventos em alto-mar sejam “mais fortes e tenham menos variabilidade do que em terra”.

O setor eólico offshore brasileiro também se beneficiaria da grande e rasa plataforma continental do país, que se estende até 40 km de distância ao longo dos 9.000 km de costa e que podem atingir profundidades de 8 a 12 metros.

E há também o fato de que 27% dos 210 milhões de brasileiros vivem em cidades litorâneas e costeiras “significa que poderíamos gerar energia perto de lugares onde há mais demanda”, diz Darlan Santos, Diretor de Energia Eólica do Cerne e pesquisador de energias renováveis ​​do RN.

Com os preços do vento offshore caindo rapidamente na Europa, discussões e estudos sobre o possibilidades do setor no Brasil estão ganhando força.

“Acho que o Brasil surpreenderá o mundo em termos de custos e preços no exterior em alguns anos”, disse à Recharge o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates. “A energia eólica offshore no Brasil é inevitável e eventualmente a questão é se seremos pegos de surpresa ou se vamos nos preparar para isso.”

As primeiras estimativas do potencial eólico offshore do Brasil são de 600 GW, até uma profundidade de 100 metros, em comparação com 350GW onshore.

Mas ainda há dúvidas sobre se o Brasil precisa ou não de vento no mar. “Há ainda muita terra barata e boa, varrida pelo vento, disponível para o desenvolvimento onshore [eólico]”, disse Élbia Silva Gannoum, Presidente Executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O Presidente da Agência Nacional de Planejamento Energético (EPE), Luiz Barroso, disse recentemente que a atividade comercial eólica offshore ainda está a muitos anos de distância. Mas isso não significa que o governo brasileiro não esteja dando apoio ao setor.

Em 2015, o Ministério de Minas e Energia reuniu um grupo para discutir como o Brasil deveria desenvolver o setor eólico offshore. Nenhum resultado foi anunciado, mas em outubro do ano passado, foi realizada uma reunião de alto nível sobre a energia eólica no escritório de planejamento estratégico da presidência – com a presença da Petrobras e empresas como GE, Siemens, Gamesa além de grupos comerciais da indústria eólica.

Prates – em seu papel de auxiliar da Senadora Federal do RN, Fatima Bezerra – reuniu uma equipe de especialistas para escrever um Projeto de Lei para regular o desenvolvimento eólico offshore, que poderá ser aprovado pelo Congresso já em 2019. Ele está propondo um esquema semelhante ao que foi visto recentemente em estados dos EUA – o governo iria realizar licitações para concessões offshore em blocos, com os licitantes vencedores tendo então até cinco anos para desenvolver um projeto e preparar-se para uma segunda licitação para contratos de compra de energia.

“Seria o que o regulador nacional de petróleo e gás (ANP) do Brasil já faz para os blocos de exploração de petróleo: investir em estudos sísmicos básicos, licenciamento ambiental preliminar; o projeto dará à ANP outra responsabilidade para que também tenha que mapear ventos e transportar estudos básicos do fundo do oceano ”, diz ele à Recharge.

É altamente improvável que a Petrobras, sendo 54% detida (e controlada) pelo governo, estaria perseguindo sua estratégia de energia eólica offshore sem suporte de políticas de alto nível.

“A Petrobras tem como uma de suas estratégias, o objetivo de se preparar para um futuro baseado em uma economia de baixo carbono”, disse Chamberlain a Recharge. “Entre as iniciativas estão o desenvolvimento de alto valor agregado à empresas em energias renováveis ​​… a ideia de construir uma planta offshore piloto moverá esses objetivos estratégicos para frente, aproveitando o conhecimento da empresa para o desenvolvimento de projetos sobre transporte marítimo.”

A estatal é uma das maiores especialistas do mundo em petróleo e gás offshore – com cerca de 100 plataformas marítimas em operação no Brasil.

CTGAS-ER, um centro de pesquisa de gás e energias renováveis ​​situado no Rio Grande do Norte, mantido em conjunto pela Petrobras e pela organização de treinamento industrial Senai, desenvolverá uma campanha nacional de medição de vento; enquanto um estudo da cadeia logística já foi contratado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A Petrobras tem um histórico e experiência de trabalho offshore, então acredito que, como vimos na indústria eólica onshore, vamos perceber que o Brasil tem o know-how técnico para offshore”, disse Mario González, professor da UFRN que está liderando a projeto.

“No final do estudo, teremos informações sobre sua viabilidade econômica”.

Fonte: Recharge Brazil | Alexandre Spatuzza

Fundos vão financiar uso de energia solar com R$ 3,2 bilhões

Às vésperas do prazo de desincompatilização dos ministros e do início da campanha eleitoral, o governo lançará na próxima semana a iniciativa mais abrangente até hoje para difundir a microgeração de energia solar no país.

Quase R$ 3,2 bilhões estarão disponíveis para financiar a instalação de placas fotovoltaicas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os recursos proveem dos fundos constitucionais, têm juros muito abaixo das taxas de mercado e prazos mais longos de pagamento. A ideia é incentivar a geração própria em residências e estabelecimentos comerciais. Uma reunião dos conselhos deliberativos das agências regionais de financiamento – Sudam, Sudene e Sudeco – está agendada para o dia 4 de abril a fim de aprovar essa nova fonte de crédito. O anúncio deve ser feito pelo presidente Michel Temer.

As linhas serão oferecidas pelas instituições públicas que atuam como operadores financeiros dos fundos constitucionais. O Banco do Nordeste terá as condições mais atrativas, com juros anuais de 6,24% e 12 anos para o pagamento do empréstimo, incluindo quatro de carência.

O Banco da Amazônia (Basa), que atende à região Norte, trabalhará com a mesma taxa, mas 36 meses de prazo para a quitação do financiamento (e dois meses de carência). No caso do Banco do Brasil, agente financeiro do Centro-Oeste, a taxa será de 7,33% ao ano – com 24 meses de prazo e seis meses de carência.

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, vê um esforço de popularizar o uso de placas fotovoltaicas. Até agora, o crescimento da energia solar tem sido impulsionado por usinas cuja produção é vendida nos leilões de suprimento organizados pelo governo. “Agora queremos levar ao cidadão uma iniciativa com impacto econômico e social gigantesco.”

Barbalho, que deixa o cargo no dia 7 de abril e disputará as eleições para governador do Pará pelo MDB, prevê uma boa procura por recursos onde as tarifas são mais altas. “O custo da energia é brutal”, diz o ministro, lembrando que ele mesmo vem de um Estado com grande superávit hidrelétrico, onde estão Tucuruí e Belo Monte. “E paga-se três vezes o valor da tarifa de outras capitais.”

O Brasil tem hoje 24.565 sistemas de mini ou microgeração distribuída, segundo dados compilados pela Absolar, entidade que reúne a cadeia produtiva do setor. Mais de 99% dos sistemas são baseados em placas fotovoltaicas. “Quando analisamos o perfil dos consumidores, porém, os gargalos ficam evidentes”, pondera o presidente-executivo da associação, Rodrigo Sauaia.

Cerca de 70% dos microgeradores estão no segmento de comércio, prestação de serviços ou residências de renda média e alta. “As pessoas jurídicas estão encontrando caminhos para se financiar”, avalia Sauaia. Segundo ele, o investimento em placas para a autoprodução de energia se paga em até cinco anos e os sistemas têm vida útil de pelo menos 25 anos. “É melhor do que qualquer outro investimento, como poupança ou fundos. A pessoa física, que poderia ter os maiores ganhos do ponto de vista do custo-benefício, não é contemplada.”

Quem gera energia própria e joga o excedente no sistema interligado, via distribuidora, deixa de pagar conta de luz e acumula créditos para usar no futuro.

Paralelamente, o ministério e a Absolar estão firmando um convênio para estudar juntos a possibilidade de troca do fornecimento de energia ao projeto de transposição do rio São Francisco. As nove bombas de elevação das águas – nos eixos leste (inaugurado em 2017) e norte (com entrega prevista para o segundo semestre) – vão consumir 746 mil megawatts-hora por ano e arcar com um gasto anual de energia em torno de R$ 300 milhões.

A ideia do governo – e a Absolar concluirá um estudo sobre o assunto daqui a 60 dias – é instalar placas fotovoltaicas nas margens dos canais. A faixa de 100 metros em cada margem já foi desapropriada e existe espaço suficiente para a instalação das placas, bem como 270 de linhas de transmissão de energia em alta tensão já construídas junto com o projeto de transposição.

Em uma terceira iniciativa do “pacote” de fomento à energia solar, o ministério vai propor a instalação das placas fotovoltaicas no perímetro de Itaparica (entre a Bahia e Pernambuco), que tem dez complexos de agricultura irrigada. Com cerca de 40 mil famílias, o complexo tem alto consumo de eletricidade e abastecimento subsidiado pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). A conta paga pela estatal é de cerca de R$ 42 milhões anuais.

Se esse projeto der certo e o fornecimento de energia for mais barato, pode-se pensar no fim dos subsídios, diz Gustavo Canuto, presidente do conselho de administração da Codevasf. “O objetivo é que os agricultores possam se emancipar”, afirma.

Fonte: Daniel Rittner e Andréa Jubé | Valor Econômico

Obras de transmissão em estudo exigirão R$ 40 bilhões em investimentos

EPE divulgou atualização do plano de expansão da rede elétrica nacional

As obras de expansão da transmissão, em estudo pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), demandarão aproximadamente R$ 40 bilhões em novos investimentos, sendo R$ 33 bilhões referentes às novas instalações (linhas e subestações) e R$ 7 bilhões referentes às ampliações ou reforços em instalações existentes. No total, estão em estudo 19.582 km de linhas de transmissão e 52 subestações.

Esses números constam no “Programa de Expansão da Transmissão (PET) / Plano de Expansão de Longo Prazo (PELP), Ciclo 2018 – 1º semestre”. O documento, divulgado nesta sexta-feira, 23 de março, contempla todas as obras de expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN) dentro do horizonte de planejamento da EPE em fevereiro de 2018.

O PET contempla as obras determinativas, previstas para serem instaladas até 2024. São 8.406 km de linhas e 37 subestações, com investimentos estimados em R$ 13,4 bilhões. O PELP reúne as obras indicativas, para além de 2025. São 11.176 km de linhas e 15 subestações, com investimentos estimados em R$ 19,3 bilhões. Existe ainda a previsão de mais R$ 7 bilhões de investimentos em caráter autorizativo, para serem investidos em ampliações de subestações existentes.

O PET e PELP são atualizados semestralmente e são referências fundamentais para o mercado de energia elétrica e para que os agentes que desejam participar dos leilões de transmissão. Para ajudar na compreensão do documento, a EPE disponibilizou um vídeo, que pode ser assistido pela internet no canal da entidade no Youtube. Clique aqui para acessar a íntegra do documento.

Fonte: Wagner Freire | Agência Canal Energia SP

Energia eólica é a de maior eficiência para o Nordeste

Especialistas classificam apagão desta semana como incidente pontual e com poucos riscos

O apagão ocorrido em estados do Norte e Nordeste na quarta-feira (21) foi um incidente pontual e com poucos riscos, natural em um sistema complexo como o de transmissão de energia da região, de acordo com especialistas que debateram o tema de energias renováveis no Nordeste nesta quinta-feira (22), em Fortaleza.

Segundo eles, a energia foi restabelecida com rapidez e as causas da pane ainda deverão ser avaliadas pelas autoridades competentes.

Embora não vejam uma condição excepcional no ocorrido, os debatedores, porém, não enxergam mais nas hidrelétricas o futuro da produção energética do Nordeste – a instalação que falhou é parte do sistema de transmissão da energia gerada pela usina hidrelétrica de Belo Monte.

Alguns dos problemas enfrentados hoje, segundo eles, são a dificuldade para suprir a demanda crescente e também a gradual redução da vazão de rios do Nordeste, como o São Francisco.

A fonte de energia mais promissora para a região é a eólica, de acordo com o presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Jurandir Picanço. Isso porque, segundo ele, a tecnologia é barata, e a região é a mais privilegiada em ventos no Brasil.

Ele afirmou que, embora também haja grande potencial para outros modelos de geração, como a energia solar, a vantagem em relação a outras áreas do país em outros casos não é tão grande.

Picanço participou de debate durante o seminário Futuro do Nordeste, que aconteceu em Fortaleza (CE) nesta quinta-feira (22), com organização da Folha e patrocínio do Banco do Nordeste, Governo do Ceará e Prefeitura de Fortaleza.

“A energia eólica começou com valores elevadíssimos. Agora é a de menor custo no Brasil. As hidrelétricas com grandes reservatórios hoje são praticamente inviáveis, devido a problemas como o impacto para o ambiente e a destruição de reservas indígenas”, afirmou o especialista.

Produtores de energia

Para a diretora-presidente adjunta da Neoenergia, empresa privada de produção de energia elétrica, Solange Ribeiro, o desenvolvimento de novas hidrelétricas no Nordeste não é mais sequer uma opção, devido à falta de espaço e recursos naturais.

Ribeiro destacou também a velocidade do crescimento do uso de energia eólica no país, que classificou como um dos principais projetos para o futuro do Brasil. Mas lembrou que também há barreiras.

“Apesar de o Brasil já ser o oitavo país do mundo em energia eólica, é um recurso que nem sempre está disponível e precisa de complementos”, explicou. “Por isso, hoje, ela é complementada com outros modelos, como energia térmica, hidroelétrica.”

Ribeiro enfatizou também a importância de os consumidores passarem a se tornar produtores de energia, por meio da instalação de painéis fotovoltaicos, de captação de energia solar, em suas residências.

Conta de luz

O diretor de engenharia e construção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Roberto Pordeus, citou um projeto da companhia, o programa Conta Zero, que vem testando formas de zerar a conta de luz a partir da produção de energia em quantidade igual à que é consumida.

Hoje há isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em alguns estados brasileiros para pessoas que produzem energia elétrica em casa, mas a conta de luz ainda não é zerada para aqueles que geram a mesma quantidade de energia que consomem.

Pordeus também falou sobre a criação de um novo centro de tecnologia, desenvolvido pela Chesf, e que deverá ser instalado próximo a Petrolina (PE) ainda neste ano. O objetivo é testar diferentes tecnologias de origem eólica e fotovoltaica.

“Parte da planta produzirá energia com as tecnologias existentes, e outra, menor, com tecnologias que ainda estão em período de pesquisa. A ideia é poder comparar o grau de eficiência e desenvolver modelos ainda melhores do que os que já são utilizados”, afirmou.

Fonte: Folha de São Paulo