CERNE discute ações para implantação de cidades inteligentes

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu nesta sexta-feira (13) a visita da diretora da Secretaria Municipal de Planejamento de Natal (SEMPLA), Irani Santos, e do professor da Universidade Aalto Helsinki (Finlândia), Álvaro de Oliveira.  A visita teve como objetivo apresentar os atuais projetos em andamento para implantação de cidades inteligentes e humanas, como já ocorre em Natal, através de uma parceria entre a Prefeitura e o Instituto Metrópole Digital (UFRN).

A reunião também teve como objetivo delinear ações conjuntas entre o CERNE, UFRN e Prefeitura de Natal para implantação desse modelo de plataforma sustentável em cidades no Rio Grande do Norte.

Irani dos Santos propôs ao CERNE a realização de um workshop voltado para o setor de energia dentro da Campus Party Natal, que será realizado em 2018.

Fonte: CERNE press

Painéis solares iluminam a Amazônia, última fronteira do Brasil sem energia

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Fonte: Estado de Minas

Biomassa supera usina Itaipu em capacidade instalada de energia

Energia gerada pelo bagaço da cana de açúcar representa quase 90% da produção de bioeletricidade do país

A contratação de fontes renováveis de energia complementares à geração hídrica e que contribuam para a manutenção de uma matriz elétrica limpa é cada vez mais estratégica para o futuro energético no Brasil.

Dentre estas fontes, destaca-se a eletricidade gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar, restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outros materiais derivados.

Mas além de atender as necessidades de energia das usinas, desde a década de 1980 o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia elétrica que são fornecidos para o sistema elétrico brasileiro. Em 2017, o setor sucroenergético está fazendo 30 anos de exportação de bioeletricidade para a rede elétrica nacional.

“A capacidade instalada atualmente pela biomassa é de 14.302 megawatts (MW) superando a capacidade da usina Itaipu. Em geral, a biomassa ocupa a segunda posição em capacidade instalada, perdendo apenas para as hidrelétricas”, afirmou o  Gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA), Zilmar de Souza, durante a plenária sobre cenários do setores energéticos no All About Energy 2017, em Fortaleza, Ceará.

As regiões com maiores índices de geração estão localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná que concentram mais de 90% da bioeletricidade gerada para a rede. “O Nordeste tem grande potencial de desenvolvimento graças ao parque sucroenergético secular instalado na região”, completa Souza, que apresentou o panorama dos biocombustíveis e bioeletricidade no Brasil.

“Estamos em um momento propício para elaborarmos uma política setorial de longo prazo em especial para a bioeletricidade e biogás advindo do setor sucroenergético. O All About Energy será um espaço importante para discutirmos e delinearmos esta política setorial”, salienta.

Fonte: CERNE/All About Energy

Mais de 870 mil paraibanos terão “energia dos ventos” em 2018

A capacidade de geração de energia eólica na Paraíba vai chegar a 157,2 megawatts (MW) até o próximo ano, podendo gerar uma energia limpa suficiente para abastecer mais de 290 mil residências, o que equivale a aproximadamente 870 mil habitantes.

A média corresponde à população total de João Pessoa mais um pouco da metade de Bayeux juntas, de acordo com estimativa deste ano divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo considera uma média de três moradores por domicílio e é utilizado por órgãos do setor elétrico, a exemplo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa populacional deste ano em João Pessoa é de 811.598 habitantes e a de Bayeux é de 97.010 habitantes, conforme documento publicado no Diário Oficial da União e produzido pelo IBGE.

De acordo com a Abeeólica, a Paraíba possui atualmente 62,7 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica em 12 usinas que operam comercialmente, todas concentradas no município de Mataraca, Zona da Mata paraibana. Mais três usinas (Lagoa I e II e Canoas) estão em construção na região do Seridó do estado, que vão acrescer 94,5 MW de potência de geração.

Os três parques eólicos estão sendo construídos pela Força Eólica do Brasil (FEB). São 45 aerogeradores (os postes que se assemelham a grandes ventiladores) instalados nas cidades de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó e que vão formar o Complexo Santa Luzia.

A previsão do início da operação comercial do complexo era para este mês, de acordo com material divulgado pela FEB. No entanto, documento publicado em setembro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que fiscaliza os serviços de geração em todo o país – incluindo as centrais geradoras eólicas – informa que somente parte de uma das três usinas já vai poder começar a operar comercialmente a partir deste mês.

Estudos realizados pelo grupo Iberdrola, que compõe a Força Eólica Brasileira (FEB), apontam que o potencial de geração de energia eólica na Paraíba pode chegar a 2 gigawatts (GW).

Cidades como Patos e Picuí, por exemplo, seriam verdadeiras “minas de ouro” em geração de vento. O que falta? Explorar o potencial. Apuração da reportagem verificou que já existe a intenção de investidores em explorar a produção de energia eólica em Picuí. Além disso, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) analisou novas formas de escoamento da produção de energia alternativa – solar e eólica – na região do seridó paraibano e do Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, de acordo com a EPE, os municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Patos, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Teixeira foram identificados como localidades com potenciais eólico e fotovoltaico. Por sua vez, o mapeamento da Iberdrola, de acordo com divulgação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

“A velocidade média do vento fica acima dos 5 metros por segundo, o que gera uma constante boa para a produção de energia”, explicou o professor Giovanni Maciel.

Para Múcio Flávio, analista da Sudema, é comum crer que o potencial de geração eólica da Paraíba esteja no litoral. “Mas os estudos apontam a Borborema e o Seridó como maiores potenciais. Trata-se de região ondulada e escassa de chuvas. Como é pouco habitada por causa da dificuldade de plantio e criação de gado, a energia eólica traria benefícios para os moradores da região, porque as terras são arrendadas para a instalação de aerogeradores e os proprietários recebem entre 1% e 1,5% do faturamento da empresa, dependendo do contrato”, afirmou.

O analista também citou Araruna e São João do Tigre como cidades com potencial eólico no estado. O professor Márcio Souza, da UFPB, afirmou que a Paraíba ainda tem bastante potencial eólico a ser desenvolvido.

Fonte: Celina Modesto | Jornal Correio da Paraíba

Ceará debate o futuro das energias renováveis e consumo sustentável

Nesta quarta-feira (04) teve início a 10ª Edição da Feira e Congresso All About Energy 2017 no Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza. Até a sexta-feira (06) a capital do Ceará será palco de grandes debates com especialistas, políticos, empresários, pesquisadores e sociedade sobre o futuro das energias renováveis e o consumo responsável.

Na cerimônia de abertura, Jean-Paul Prates, diretor presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), entidade que realiza o evento, ressaltou que o All About Energy abre um leque de oportunidades. “A integração dos setores num mesmo local, com a presença do governo, de empresas e de entidades é muito importante para os nossos estados”. Prates também destacou as potencialidades do Ceará na produção de energia eólica: “É um estado pioneiro em eólicas, com turbinas instaladas desde a década de 90”, afirmou.

Já o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Ceará (SEMA), Arthur Bruno, enfatizou que o governo cearense quer que o estado retome a liderança na produção energética. “Estamos entre os cinco maiores estados produtores de energia eólica do Brasil. Queremos ampliar ainda mais os investimentos nesse tipo de empreendimento começando com a modernização do processo de licenciamento ambiental”, explica o secretário.

O governador do Piauí, Wellington Dias, proferiu palestra sobre o potencial eólico do Piauí e os planos para o desenvolvimento do país por meio das energias renováveis. Ele destacou a importância do All About Energy como ferramenta para atração de novos investimentos. “O encontro é importante para divulgar o potencial do Piauí, na véspera de um leilão que acontecerá em dezembro. O Piauí tem investidores do mundo todo e este é um momento de se aproveitar todas essas oportunidades”, destacou Wellington.

Dentre as novidades desta edição do All About Energy estão a exposição de veículos elétricos, construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores. Participaram do evento as principais lideranças das indústrias eólica, solar, bioenergética e ambiental para debater e experimentar, em conjunto, o futuro de seus setores e da humanidade ante os recursos naturais do planeta.

Fonte: Imprensa All About Energy

 

All About Energy chega à 10ª edição com intensa programação

Fortaleza sedia de 4 a 6 de outubro, no Terminal Marítimo de Passageiros, a décima edição da Feira Intersetorial e do Congresso Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade – All About Energy. É um evento focado no futuro das fontes energéticas renováveis e no seu uso e consumo sustentável. Reúne num mesmo ambiente, interativo e dinâmico, um congresso e uma exposição industrial que congregam as mais importantes marcas, tecnologias, pesquisas, atrações e novidades sobre energia renovável e sustentabilidade.

Neste ano, o All About Energy vem com uma concepção inovadora, que induz à interação entre as cadeias produtivas relacionadas com a geração elétrica a partir de fontes renováveis e o consumo responsável de energia. Participam do evento as principais lideranças das indústrias eólica, solar, bioenergética e ambiental para debater e experimentar, em conjunto, o futuro de seus setores e da humanidade ante os recursos naturais do planeta.

O evento é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e a All About Eventos. Conta com o apoio da FIEC e o patrocínio do Sindienergia, entre outros.

Mais informações AQUI

Jean-Paul Prates, diretor presidente do Centro de Energias em Recursos Naturais e Energia, convida para o evento:

Governo arrecada R$ 12,13 bilhões com leilão de 4 usinas hidrelétricas

Todas as usinas foram vendidas e o ágio foi de 9,73%; grupo chinês levou usina de São Simão, o maior negócio, por R$ 7,18 bilhões.

O governo federal arrecadou R$ 12,13 bilhões com o leilão de quatro usinas hidrelétricas realizado nesta quarta-feira (27), em São Paulo. Todas as usinas foram vendidas e o valor arrecadado foi 9,73% acima do valor esperado pelo governo, de R$ 11 bilhões.

Foram vendidas quatro usinas hidrelétricas que hoje são operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), mas que estão com as concessões vencidas: Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande. Juntas, elas têm capacidade de gerar 2.922 MegaWatts (MW) de energia.

O dinheiro pago pelas empresas vai ajudar o governo federal a bater a meta fiscal, que prevê um déficit de R$ 159 bilhões em 2017. O valor da outorga entra como uma receita extraordinária para o governo. Outorga é um montante pago pela empresa ao governo pelo direito de explorar um bem público.

Resultado

O maior negócio ficou com investidores chineses, que levaram a concessão da usina de São Simão, por R$ 7,18 bilhões, um ágio de 6,51% sobre o lance inicial. O grupo foi o único a fazer proposta pela usina.

A Engie, que é a antiga GDF Suez, arrematou a usina de Jaguara por R$ 2,171 bilhões, um ágio de 13,59%, e a de Miranda por R$ 1,36 bilhão, ágio de 22,42%.

Já a Enel ficou com a usina de Volta Grande, por R$ 1,42 bilhão, ágio de 9,84%.

Para o secretário de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, o ágio do leilão “permite comemorar o sucesso do processo”. “Se o ágio for muito alto significa que erramos na mão ao definir um preço muito baixo”.

Até a noite de terça-feira (27), a empresa mineira tentou evitar que suas usinas fossem relicitadas. As quatro usinas vendidas pertence atualmente à Cemig, mas as concessões estão vencidas.

Segurança jurídica

Para o diretor-geral da Aneel, Romeo Rufino, o leilão tem segurança jurídica, apesar da possibilidade de a Cemig ainda recorrer das decisões judiciais que negaram o cancelamento do leilão.

Pedrosa, do ministério de Energia, disse que o ágio em todos os processos demonstra que a percepção de risco jurídico do leilão “não é significativa”.

“A resposta está dada pela presença dos investidores que fizeram propostas de valores significativos”, afirmou Pedrosa.

O diretor de negócios do grupo Engie, Gustavo Labanca, disse acreditar que o resultado do leilão foi um “sucesso” e “irreversível”.

No Twitter, o presidente Michel Temer disse que o Brasil resgatou a confiança do mundo. “Nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$ 12,13 bi, acima da expectativa”, disse.

Impacto nas tarifas

Segundo Rufino, da Aneel, haverá um impacto tarifário no custo da energia com o leilão, mas ele não será “muito significativo”. Ele estima que o efeito tarifário não passará de 1% na energia final, porque será diluído para todo o mercado nacional.

Impasse sobre leilão até a véspera

O processo para o leilão das usinas de Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande foi marcado por impasses e liminares judiciais. A Cemig, que opera essas usinas essas usinas atualmente, vinha tentando manter o controle sobre elas, inclusive com ações na Justiça.

Uma liminar do final de agosto havia atendido a um pedido da empresa e suspendido o leilão das quatro hidrelétricas, mas o governo conseguiu reverter a decisão.

As quatro usinas envolvem contratos de concessão que venceram entre agosto de 2013 e fevereiro de 2017. As usinas respondem por aproximadamente 37% de toda a geração de energia da Cemig.

 Por Taís Laporta e Luísa Melo | Portal G1

“Casa inteligente” será realidade cada vez mais comum no Brasil nos próximos anos

Governo federal planeja construir política nacional para o desenvolvimento de tecnologias para a chamada Internet das Coisas no Brasil até 2022.

Objetos utilizados no dia a dia conectados em rede e controlados à​ distância por computadores​ ou smartphones. O que parece cenário de filme futurista já é realidade e, em pouco tempo, deve passar a fazer parte da rotina de milhões de pessoas, ávidas por uma vida mais prática e dinâmica. No Brasil, a Internet das Coisas (IoT, em inglês) ainda aparece timidamente e é pouco conhecida, mas ​vem ganhando cada vez mais ​espaço junto à revolução tecnológica.​ ​

As smartTVs são, atualmente, um exemplo mais próximo de como funciona essa tecnologia. Com acesso à internet, elas podem ser diretamente conectadas a serviços que fornecem música ou filmes. Mas a​ Internet das Coisas pode se estender de forma adaptada a outros objetos, eletrônicos ou não: tênis com conexão GPS para auxiliar em trilhas, geladeiras que mudam a potência em horários programados ou fogões que funcionam sozinhos por ativação remota, além dos já conhecidos sistemas de iluminação automatizada.

Em uma escala mais ampla, já começam a surgir no Brasil iniciativas públicas para o desenvolvimento d​a internet das coisas. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o ​Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) preparam um estudo técnico para subsidiar o Plano Nacional de Internet das Coisas, que deve ser estabelecido até 2022. As aplicações são diversas e incluem desde monitoramento de saúde, controle de automação industrial e uso de dispositivos pessoais conectados. Terão também prioridade no plano os segmentos de petróleo, gás e mineração, dentro das indústrias de base; e têxtil e automotivo, na indústria manufatureira.

O avanço dessa nova era tecnológica será um dos destaques do Congresso e Feira All About Energy 2017. O evento acontece de 4 a 6 de outubro no Terminal Marítimo de Passageiros em Fortaleza/CE e vai tratar do futuro da energia no Brasil e no mundo.

​Totalmente reconcebido, o All About Energy traz a proposta de ser um ambiente propício para novos debates que contribuam para o avanço tecnológico do setor energético. A novidade desta edição é a divisão em quatro quadrantes temáticos.  Em consumo sustentável, destaque para a exposição de veículos elétricos, projetos de construções inteligentes e​ aplicações tecnológicas para eficiência energética.

Além disso, o All About Energy vai tratar de energia renovável em outras três vertentes: energia eólica, energia solar e bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás). Estão previstas conferências com investidores globais e a presença de autoridades do setor energético.

All About Energy 2017 te​m como realizadores o CERNE e a empresa All About Eventos e já ​conta com o patrocínio da Eletrobras, Wobben WindPower, Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Banco do Nordeste, Toyota,  Sindienergia e Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

O evento também conta com o apoio confirmado da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (ABRACEEL), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (ABRACE), Associação Brasileiras de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), União das Indústrias da Cana de Açúcar (Única), dentre outros.

As inscrições e o programa completo do evento estão disponíveis no site do All About Energy: www.allaboutenergy.com.br

CERNE debate cidades inteligentes

As capitais brasileiras estão aderindo ao movimento global de desenvolvimento sustentável que oferece um caminho para o surgimento de cidades mais democráticas, participativas e sustentáveis, através do investimento em tecnologia. Tema será discutido dia 27 em Natal.

A questão do desenvolvimento urbano é um desafio global.  Nesse cenário, cresce a necessidade de aplicação de inovações para melhor gestão das cidades, bem como os serviços públicos e bens coletivos com o objetivo de favorecer os moradores locais e visitantes.

É nesse ambiente que surge o conceito de Human Smart Cities ou Cidades Inteligentes e Humanas.  Nessa plataforma de desenvolvimento sustentável, todos os atores sociais e a população trabalham em conjunto no processo de co-design e co-criação de soluções que favoreçam a implantação de serviços inteligentes para mobilidade urbana,  saúde, educação, energia e até mesmo casas inteligentes. Todos esses setores estão essencialmente integrados com a tecnologia.

Natal vem criando um ambiente propício ao estudo e a pesquisa para tornar-se, no futuro, um modelo de smart city. A cidade já integra a Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, numa parceria entre a Prefeitura Municipal e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Com a adesão, a capital potiguar agora engloba o grupo de cidades que podem tentar captar recursos para projetos  investimento na área de tecnologia e inovação.

Com intuito de debater os pilares desse conceito e apresentar a iniciativa de Natal como cidade inteligente e humana, o Conselho Técnico-Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CTC-CERNE) realiza a quarta rodada do Ciclo de Debates no dia 27 de setembro, às 14 horas, no auditório principal do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Central.

O Ciclo de Debates tem como proposta debater questões que envolvem do setor de recursos naturais e energia em suas diversas vertentes. “Nossa proposta é analisar e encontrar soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor, além de identificar potenciais parcerias entre as instituições participantes do evento”, afirmou o coordenador do CTC e Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira.

Participam do debate o coordenador de mobilidade urbana do Greenpeace, Davi Martins, a diretora da Secretaria Municipal de Planejamento de Natal (SEMPLA), Irani Santos, o coordenador do Smart Metropolis (UFRN), professor Frederico Lopes e representando o IFRN, o professor Plácido Neto. Os assuntos em pauta envolvem mobilidade urbana, construções sustentáveis e redes elétricas inteligentes, também conhecidas como smart grids.

O Ciclo é uma realização do CERNE e conta com apoio do IFRN, FIERN e SEBRAE. A inscrição é gratuita sendo necessário faze-la previamente pelo link: https://goo.gl/iUTiKH. A programação completa está disponível no site www.cerne.org.br. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340.

Foto: CERNE Press

Ceará revela potencial para eólica offshore

Os parques eólicos off-shore, com torres instaladas no leito do mar, serão, pela primeira vez, debatidos no All About Energy – Congress & Expo 2017, maior evento multissetorial de energia e sustentabilidade da América Latina, que acontece de 4 a 8 de outubro, em Fortaleza.

“Isso pode trazer um tremendo incremento para o potencial do Ceará e do Rio Grande do Norte, que têm condições geográficas favoráveis. O que nos falta é a regulação e experiência operacional”, afirma Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), um dos realizadores do evento, em parceria com a empresa All About Eventos.

All About Energy

Para esta edição, o evento, que ocorre no Terminal Marítimo do Porto do Mucuripe, terá como tema principal, o futuro da energia renovável nos cenários mundial, nacional e regional. Também serão abordados temas como o consumo sustentável, o papel da inovação e startups tecnológicas, além de simpósios com investidores globais voltados a projetos sustentáveis.

Jean-Paul Prates destaca que o grande diferencial desta edição é que o evento será voltado para o futuro e para novas tecnologias que deverão aumentar a demanda por energia elétrica. “Vamos abordar o consumo eficiente de energia, tratando de cidades inteligentes, carros elétricos, construções ecológicas, internet das coisas”, diz.

Durante o All About Energy 2017, haverá exposição de veículos elétricos, apresentação de construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores.

Nas sessões plenárias, serão realizados debates sobre energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e consumo sustentável de energia.

Ceará

Quarto maior produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará conta hoje com 61 parques eólicos em operação, com potência instalada de 1,65 gigawatt (GW). O valor, neste momento, representa 43,6% da capacidade de geração do Estado.

E, para os próximos anos, deverão ser adicionados à matriz eólica cearense mais 950,9 megawatts (MW), provenientes de 22 parques em construção (467,5 MW) e outros 22 empreendimentos já aprovados com construção não iniciada (483,4 MW), de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com o avanço na geração eólica, o estado do Ceará deve chegar a atingir a marca de 2,6 GW de capacidade instalada nos próximos quatro anos, passando da quarta para a terceira posição entre os maiores estados produtores do Brasil.

O incremento de 0,9 GW da matriz eólica cearense até 2021 representa um crescimento de 62% do potencial do Estado, segundo projeção do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne).

Com relação à geração solar, o Ceará conta hoje com apenas um parque em operação, com 5 MW de potência instalada.

Mas a capacidade de geração fotovoltaica deverá se multiplicar por 36 vezes nos próximos anos, com a operação de seis parques já aprovados com construção não iniciada que deverão adicionar 180,0 MW de potência para esse tipo de geração, segundo a Aneel.

Para Jean-Paul Prates, o potencial eólico a ser explorado no Estado é 10 vezes maior do que é utilizado atualmente, enquanto o potencial solar ainda nem começou a se desenvolver.

Privatização

A proposta feita pelo Governo Federal de desestatização da Eletrobrás poderá aumentar a complexidade jurídica e regulatória para os diferentes segmentos do setor energético do País, como de geração e distribuição. Para Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne, uma eventual privatização da Eletrobrás poderia impactar negativamente as empresas privadas que atuam no setor.

“Entendo que alguns itens podem ser colocados para o setor privado, mas como foi colocado recentemente, a privatização do sistema Eletrobrás, acho que é muito grave”, diz o diretor-presidente do Cerne.

Prates diz ser “muito temerário” passar para a iniciativa privada o controle de um agente tão dominante no sistema elétrico Nacional, podendo inclusive prejudicar a segurança hídrica no País.

Complexidade

O diretor-presidente do Cerne, em momento de seca, por exemplo, o consumo animal pode ser preterido em favor da geração elétrica, “principalmente se você privatizar uma Chesf, Furnas ou uma Eletronorte, que controlam enormes reservatórios do País. Então é muito grave”.

Entretanto, diante da “complexidade” da medida e de suas consequências, Prates não acredita que a proposta do governo, da forma como foi posta, irá prosperar. “Vejo isso como um factóide. Acho que o próprio governo não acredita que seja capaz de fazer uma privatização dessa em um setor que influencia o controle das águas do País”, diz.

 

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

CERNE debate privatização da Eletrobrás em audiência no Senado

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, foi Brasília a convite do Senado Federal para participar de debate na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) sobre a privatização do Sistema Eletrobrás e suas consequências para o desenvolvimento regional.

Também participaram o conselheiro de Administração da Cemig, ex-Presidente da ANEEL, Nelson Hubner, a Secretária de Energia da Confederação Nacional dos Urbanitários, Fabíola Latino Antezana, e o Dr. Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobras.

Todos os representantes do setor elétrico nacional se declararam contrários à decisão do governo federal de privatizar o Sistema Eletrobrás, especialmente da forma e no momento propostos.

Prates destacou que a holding elétrica estatal tem papel estratégico nos rumos da eletricidade do país e salientou a importância da empresa e de suas subsidiárias (Eletronorte, CHESF, Furnas, Eletrosul, entre outras) para a gestão energética, segurança nacional e para o desenvolvimento regional: “é totalmente fora de propósito propor um processo tão complexo e demorado como este agora”, afirmou.

Segundo Prates, a privatização aventada pelo Ministério de Minas e Energia encontrará muitos entraves, não sem razão.
“Não estamos falando de uma geradora qualquer, mas de um complexo de geradoras que também administra os principais corpos de água doce de cada região brasileira. E também não estamos falando de uma rede de linhas de transmissão pura e simples, mas de quase a metade do gigantesco e sensível sistema de transmissão nacional. Em outras palavras, estamos falando do principal operador, implantador e mantenedor do sistema elétrico brasileiro que, além disso, tem em seu estatuto outras funções essenciais à gestão governamental da política energética nacional”, explicou.

A audiência pública da CDR do Senado Federal foi presidida pela Senadora Fatima Bezerra e pelo Senador Hélio José. Haverá continuidade de debates sobre este assunto em outras comissões do Senado e da Câmara.

Fonte: CERNE Brasil

Para especialistas, privatização da Eletrobrás vai causar crise hídrica e afetar tarifa

Especialistas do setor elétrico que participaram de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) afirmaram, nesta terça-feira (19), que a privatização da Eletrobrás deve aumentar a conta de luz dos brasileiros e colocar em risco a segurança hídrica de grande parte da população.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) explicou que, com a privatização, o governo vai revogar a Lei 12.783/2013. A lei permitiu uma redução no valor da energia cobrado pelas geradoras, que passaram a vender a preço de custo. Esses valores foram repassados para as distribuidoras do país inteiro na forma de cotas. Por causa dessa lei, segundo Fátima Bezerra, 15% do total de energia elétrica do país é vendida, atualmente,  com um preço ¼ mais baixo do que o preço de mercado.

– Os governadores do Nordeste alertaram que a proposta de descotização da energia deverá elevar os preços aos consumidores. Os governadores acreditam que esse aumento ficaria entre 7% e 17% – disse.

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, ressaltou que é impossível que não haja o aumento da tarifa. Segundo ele, o investidor que vai colocar dinheiro comprando as empresas vai querer recuperar o capital e isso vai impactar na tarifa.

Segurança hídrica

A questão da segurança hídrica também foi destacada no debate. De acordo com os participantes, se o capital privado, provavelmente estrangeiro, passar a controlar a Eletrobrás, a gestão das águas também ficará em suas mãos.

– Isso inclui questões como abastecimento humano, navegação e irrigação. A privatização vai colocar em risco a segurança hídrica de grande parte da população e vai desestimular estudos e projetos para o uso múltiplo da água, o que pode comprometer o futuro de gerações – explicou Fátima Bezerra.

Na mesma linha, Nelson José Moreira, membro do Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), considerou inapropriado o governo se desfazer de uma estatal brasileira e deixar todos os parques hídricos do país na mão de uma estrangeira.

Contas públicas

O professor da UFRJ, Luiz Pinguelli, explicou que a privatização no setor elétrico não resolverá o problema do déficit nas contas públicas. Segundo ele, o que se espera apurar na venda da Eletrobrás é algo em torno de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões enquanto o rombo das contas públicas já chega a R$ 150 bilhões.

– Não tampa o buraco; o buraco continua aberto e vamos perder um instrumento de política energética – disse.

Luiz Pinguelli citou exemplos mundiais de empresas estatais eficientes e fez um apelo ao governo para que não faça a privatização às pressas. O ex-presidente da Eletrobrás pediu para o governo abrir uma discussão, inclusive técnica, sobre o assunto e dar um tempo para que se possa chegar a uma conclusão mais firme sobre privatizar ou não o setor elétrico.

– Nós não devemos ser avessos nem ao capital estatal e nem ao capital privado, mas não vejo razões convincentes para uma operação dessa magnitude.  Se a Eletrobrás é ineficiente é possível mudá-la. O governo indica a diretoria – disse.

Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne) destacou a importância da Eletrobrás para o desenvolvimento do país e ressaltou a complexidade estatutária, jurídica e regulatória da estatal que dificultariam a privatização.

Fonte: Agência Senado 

Comissão do Senado debate privatização do setor elétrico

A privatização do setor elétrico e as consequências para o desenvolvimento regional serão debatidas em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) na terça-feira (19), com início às 14h na sala 13 da ala Alexandre Costa.

Foram convidados para a audiência o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), Jean Paul Prates; o integrante do Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Nelson José Hubner Moreira; e os professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Pinguelli Rosa e Nivalde José de Castro.

A audiência foi solicitada  pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Em seu requerimento, ele observa que a “pretensão de privatização do setor arrisca todo o protagonismo público brasileiro no desenvolvimento do modelo elétrico, colocando em um tabuleiro mercantil os recursos naturais pátrios, aviltando o Brasil enquanto nação, e ignorando, solenemente a questão da segurança nacional e dos recursos hídricos”.

Veja a pauta completa da CDR

Fonte: Senado Notícia

Usinas eólicas entram em fase de teste no Piauí e Pernambuco

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou nesta quinta-feira, 14 de setembro, o início da operação em teste de usinas eólicas em Pernambuco e no Piauí.

Na usina Serra das Vacas V, em Paranatama (PE), o aval foi para as unidades UG7 e UG8, que somam 4,6 MW de capacidade.

Já o empreendimento eólico Ventos de São Casemiro, localizado em Curral Novo do Piauí (PI), foram autorizadas para testes as unidades UG13 e UG14, de 2,1 MW cada.

Fonte: CERNE Press com informações do Canal Energia

Energia eólica abastece 71% do Nordeste em setembro

No último domingo, 10 de setembro, a energia eólica bateu novos recordes de geração. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou que 71% da energia consumida no Nordeste veio das eólicas. E houve ainda um recorde horário: às 9h13, o consumo de energia proveniente da fonte atingiu o pico de 84%, que corresponde a 6.852 MW.

Ainda de acordo com o ONS, a geração eólica média diária chegou a 6.194 MW, correspondendo a 71% da demanda média.

Fonte: CERNE Press com informações da Agência Canal Energia

Entrevista: Presidente do CERNE analisa proposta de privatização de linhões

ANÁLISE: Ressaltando a necessidade de analisar a viabilidade de privatização das linhas de transmissoras da energia elétrica produzida no Rio Grande do Norte pelas eólicas, especialista Jean-Paul Prates afirma que atitude pode ser perigosa

Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

Editor de Economia

O anúncio do pacote de privatização de 57 projetos e/ou obras do Governo Federal mês passado dividiu opiniões em todo o país. Com a necessidade emergencial de produzir caixa para mitigar o déficit projetado para os próximos dois anos, a União iniciará uma ampla abertura de concessões à iniciativa privada, incluindo as linhas de transmissão de energia eólica que cruzam ou cruzarão o Rio Grande do Norte carreando energia elétrica produzida a partir da força dos ventos para distribuidores diversos instalados em outros estados.

Mesmo sem data e até mesmo escopo definido para ser viabilizada, a proposta de venda dos “linhões” não é bem vista pelo diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean Paul Prates. Na entrevista a seguir ele esclarece os motivos e atualiza informações relacionadas à geração de energia eólica no estado, que detém hoje a maior capacidade instalada do país.

Faltam linhas de transmissão ao Rio Grande do Norte ou já temos um cenário mais favorável ao escoamento da produção das eólicas?
O status dessa questão de linhas de transmissão do Rio Grande do Norte melhorou bastante. Nós tínhamos uma sucessão de atrasos de obras no começo da instalação das empresas. Os leilões eram realizados antes, as linhas de transmissão, depois. Muito porque, o RN era um estado no qual não se acreditava e a gente teve que lutar muito para convencer o governo federal de que aqui tinha que ter linha de transmissão. Provamos com os leilões. Depois, vieram as linhas de transmissão. Isso foi um desafio. Hoje, os leilões não permitem a habilitação de projetos sem antes dizer como se conectar. Quando a nota técnica sai, já diz onde há ou não linha de transmissão e onde se pode entrar.

Há produção retida no estado?
Hoje, no RN existem poucos parques que estão segurando produção por conta de linha de transmissão. Temos que continuar alertas o tempo todo, olhando para onde estão indo os projetos, onde estão ocorrendo as medições, cadastrando, podendo prever. O papel do governo, através dos seus órgãos, recebe muitas informações. O Idema recebe muitos pedidos de licenciamento, área para fazer projetos. Ele sabe quem está entrando, para onde a indústria está entrando e o que deve pleitear para linhas de transmissão para nenhum problema acontecer depois.

Qual seu ponto de vista em relação à privatização dos linhões?
O que está sendo feito agora não é uma privatização normal de: vou conceder ao setor privado porque, nesse aspecto ou em outro, será mais eficiente do que estou fazendo. Não é isso. Não se trata disso. Esse argumento pode até estar na mesa, mas não é a verdade sobre o fundo dessa história.

Qual é a verdade “escondida”?
A verdade sobre o fundo dessa história é fazer caixa. Está se vendendo ativos para se fazer caixa pro governo federal. Isso vai ao encontro de uma certa ideologia, de um certo pensamento que domina hoje o grupo que está no governo. Se é necessário, e desta forma, é que eu tenho dúvidas. Se você fizer uma privatização de um grande grupo de linhas de transmissão ao mesmo tempo, num momento de desespero financeiro, não me parece algo muito saudável.

Por quais motivos?
Porque linhas de transmissão é o que se chama, em economia, de monopólio natural. É aquele no qual se é mais eficiente com um único operador do que com vários. Quando se privatiza ativos que já estão pagos, que já estão amortizados, e você está basicamente vendendo, está querendo se fazer caixa. Não está querendo ficar mais eficiente. A não ser que se obrigue a fazer investimentos adicionais. E aí é um detalhamento da privatização que a gente tem que ver. Eu acho que o momento e a forma como estão sendo feitos isso, é duvidoso. É perigoso.

Como está a produção eólica no RN? Superamos as expectativas?
O que é notável, no estado do RN, e isso é uma obra de todos os governos, não estou fazendo uma ode a nenhum deles, é que nós saímos de uma situação em 2006 e 2007 de zero megawatt de produção de energia. O RN era um estado, historicamente, importador de energia, de 100% da energia que precisava usar vinha, praticamente, toda do complexo de Paulo Afonso. Foi um grande marco histórico quando chegou a energia de Paulo Afonso no estado. O grande outro marco histórico que deveria ter sido comemorado, e esse mais ainda, foi o dia em que simbolicamente, volumetricamente, deixoamos de importar energia no final de 2010, quando nos tornamos por conta dos parques eólicos, por conta da TermoAçu e por conta da capacidade instalada emergencialmente em Macaíba, e mais a biomassa da CPFL com o Grupo Faria, somando isso tudo nós tínhamos capacidade para abastecer o nosso consumo e nos tornamos autossuficiente. Em 2012, outro marco importante, foi quando a gente superou, só em eólicas, o necessário para o consumo. A partir de 2016, entramos no meio a meio. Exportando tanto quando consumindo ou até mais. Chegando aí para exportações em torno dos 2/3 do que produzimos.

O que a autossuficiência traz de diferencial ao estado gerador de energia?
A autossuficiência para um estado, diferente do que para um país, tem uma importância de atração de investimentos. O RN ficou importante perante os outros estados. Pelo menos em alguma coisa, na região Nordeste, ele é provedor. O estado do Pernambuco, por exemplo, é deficitário. A outra coisa, e principal ao meu ver, é que se pode dizer a um investidor que é um estado com conta energética resolvida. Mesmo sendo tarifa nacional, por motivo de igualdade social, todo mundo paga mais ou menos o mesmo volume. Se houvesse diferenciação, o RN poderia sair mais rapidamente da bandeira vermelha do que outros estados. Antes, a gente mendigava energia. O terceiro aspecto importante disso é o ingresso de investimentos importantes. O estado recebe impostos dos serviços, das construções, da manutenção dos parques e mais até o próprio ingresso na economia de compra e venda, de aluguel de áreas para instalação dos serviços. Mais do que ficar no RN, esse dinheiro fica no interior, pois a atividade aqui é interiorizada e isso leva ao aprimoramento da vida, do dia a dia do interior.

Surgiram alguns boatos, ao longo da semana passada, de que o RN poderá ficar fora do leilão no fim deste ano. O que há de concreto nesse sentido?
Na verdade, isso ainda depende da questão da Nota Técnica da ANEEL. O que acontece é que a Nota Técnica do ano passado retirou o RN, Bahia, Rio Grande do Sul e parte do Ceará do leilão. Portanto, os quatro maiores estados em eólica foram retirados liminarmente de um leilão numa decisão inédita desse tipo. Nunca houve uma coisa de uma nota excluir um estado inteiro. Mas, no ano passado, teve isso. Depois, o leilão acabou sendo cancelado por outros motivos e acabou não fazendo efeito. Mas, se tivesse havido leilão ano passado, nós teríamos sido excluídos e por uma razão não realista. Porque nós tínhamos capacidade de conexão e a Nota Técnica só levou em conta projetos até uma certa data e um dia depois daquela data, a linha de transmissão da Bengoa tinha sido concedida para outro concessionário e já tinha resolvido o problema. Para esse ano, o boato é o mesmo.

O estado corre risco de ficar fora?
Por considerar que a situação dos linhões está equacionada e por considerar a capacidade que foi vaga, que foi disponibilizada a partir da descontratação, a gente se preparou para dizer, se sair uma nota técnica informando que não tem capacidade, a gente vai contraditar imediatamente. Provavelmente, não terá problema. Saindo do jeito que a gente está imaginando, saindo que a gente tem capacidade, se forem consideradas todas as capacidades, aí eu digo que teremos um cenário muito bom com a colocação de 800 megawatts de projetos vitoriosos, se não chegar a mais de um gigawatt de projeto contratado, o que seria um sucesso praticamente igual ao que a gente teve em 2010 quando demos um salto contratando 1,5 gigawatt num ano só. Nós pulamos na frente dos outros estados.

O investidor está mais confiante no Rio Grande do Norte? 
A gente tem aqui um ambiente de investimentos no Rio Grande do Norte e nos estados vizinhos do Ceará, Piauí e Paraíba, muito saudável para eólica. E a qualidade de ventos para a geração de energia eólica é inegável. Mas, além disso, que se soma em fator de atratividade, a gente tem uma boa configuração logística dessas áreas. Nós temos, no Rio Grande do Norte, por exemplo, a Serra de Santana, o Mato Grande e o litoral Norte, são as três áreas que se desenvolveram mais, inicialmente, e que são áreas facilmente acessíveis. Nós já temos uma boa formação de mão de obra local, apesar da gente ainda receber mão de obra de fora, quando tem um período mais intenso de obras.  Temos tido, até recentemente, um processo bom e saudável de apoio governamental. Isso se soma. Mais recentemente, a gente tem tido alguns questionamentos em relação aos licenciamentos, os preços que foram reajustados principalmente para a fase de operações. Nós estamos avaliando isso, aqui por parte do Sindicato de qual é o efeito disso na segurança jurídica dos investimentos, uma vez que, tarifas que tenham sido elevadas num percentual muito alto, podem atingir o fluxo de caixa projetado para participar dos leilões passados. A gente tem que estar atento nisso. Fora isso, a gente tem uma perspectiva muito boa.

Energia solar: ‘Não somos líderes, mas saímos da lanterninha’, diz associação

Até dezembro, o País terá o seu primeiro gigawatt (GW) vindo da energia solar

O ano de 2017 será um marco para a energia solar no Brasil. Até dezembro, o País terá o seu primeiro gigawatt (GW) vindo da energia solar. Isso significa quase uma hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, cuja represa está no menor nível da história. “Há hoje no mundo entre 25 e 30 países com essa capacidade instalada. Estamos longe da liderança, mas saímos da lanterninha”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia.

Para chegar a essa marca, foram investidos cerca de R$ 5 bilhões em toda a cadeia produtiva. Hoje, o País tem 282 MW instalados de energia solar – muito pouco para o potencial brasileiro, que é da ordem de 28.500 GW, diz Sauaia. Para se ter ideia do que isso significa, o potencial hídrico do Brasil é de 172 GW e o eólico, de 440 GW.

Efeito dos leilões realizados pelo governo nos últimos anos, o setor chegará a 2018 com 3,3 GW de potência instalada. “Se todos os projetos forem entregues na data prevista, teremos um salto importante.” Daí para a frente, no entanto, é preciso aguardar novos leilões. Em dezembro, o governo vai realizar uma disputa para contratar energia que será entregue em quatro anos, e a solar poderá participar.

Mas a crise econômica, que reduziu o consumo de eletricidade no País, atrasou a expansão da fonte, que vinha em ascensão. O dólar mais alto encareceu o preço dos equipamentos e tirou a viabilidade de alguns projetos, a ponto de serem devolvidos para o governo federal. “Mas essa foi uma decisão de poucos investidores. A maioria manteve seu plano de investimento”, diz Sauaia. No total, 250 MW (ou 0,25 GW) foram devolvidos. Nos primeiros leilões, o preço da energia solar ficou entre R$ 200 e R$ 300 o MWh.

Sauaia diz que, em alguns países, a solar já é mais barata que a eólica. Isso é resultado do avanço tecnológico, que dá mais eficiência e torna os equipamentos mais baratos. Só no ano passado, houve um incremento de 75 GW na matriz mundial, que conta com capacidade de 305 GW – o dobro de toda a matriz brasileira.

Desafio 

Por aqui, um dos principais desafios do setor é desenvolver a cadeia produtiva de forma a baratear o custo da energia, como ocorreu com a energia eólica. O presidente da Absolar diz que o cenário vem mudando e que já há cerca de 20 fabricantes no País. O difícil, no entanto, é competir com o preço dos chineses.

Apesar dos desafios, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, diz que o futuro elétrico está na energia renovável. “Daqui para a frente, não vamos ter uma expansão de geração por meio de hidrelétricas de grande porte, como ocorreu até agora.” Nesse vácuo, as novas fontes vão ganhar espaço, especialmente a eólica e a solar. “Todas tiveram um período de maturação das tecnologias que culminaram na redução de custos.”

De acordo com o Plano Decenal de Energia 2021-2026, a fonte solar deverá alcançar cerca de 7 GW no período. Barroso explica que, assim como a eólica, a solar é complementar às demais fontes, com o benefício de produzir mais no horário de pico. Mas, como são fontes intermitentes, que não produzem o tempo todo, haverá necessidade de elevar a participação das térmicas a gás na matriz elétrica para dar segurança ao sistema. “Teremos uma matriz bem mais diversificada e robusta.”

Fonte: Renée Pereira | O Estado de São Paulo

Setor eólico tem ânimo renovado com a retomada dos leilões

Fonte vê recuperação com agendamento de licitações, mas novas regras e financiamento trazem interrogações

A chave virou, e virou para melhor. Após quase dois anos de paralisia, sem novos projetos e com investimentos em queda, a sensação de retomada da agenda positiva para o setor eólico brasileiro permeou o “Brazil Windpower 2017”, realizado entre 29 e 31 de agosto no Rio de Janeiro. A mudança de clima veio apenas no início do mês passado, na forma de uma portaria ministerial da pasta de Minas e Energia definindo a realização dos Leilões de Energia Nova A-4 e A-6 para os dias 18 e 20 de dezembro. A confirmação de retomada das licitações de geração fez o setor arregaçar as mangas e refazer seus planos, o que se refletiu em um maior interesse dos vários segmentos da cadeia eólica em marcar presença no BWP deste ano. O evento manteve o nível de patrocínios e de expositores dos anos anteriores, e projetou uma edição ainda maior em 2018.

Co-promotora do “Brazil Windpower” ao lado do Grupo CanalEnergia, a Associação Brasileira de Energia Eólica enfatizou que a confirmação do retorno da agenda de licitações por parte do governo recuperou as expectativas de todos os agentes. A poucas semanas da oitava edição do encontro anual, a entidade traçava planos pouco otimistas em termos de mobilização, após ouvir relatos por parte de fabricantes, fornecedores de serviço, certificadores, entre outros atores do setor eólico, de que a indústria não suportaria mais um ano sem a realização de leilões para viabilização de novos projetos – no último pacote de contratação, datado de 2015, foi adquirido cerca de 1 GW, volume inferior à média dos anos anteriores que girava em 2 GW. Agora, a esperança no futuro é positiva.

“A verdade é que todos nós estávamos muito apreensivos com a edição desse ano do Brazil Windpower. Tivemos um 2016 péssimo para o segmento, em função principalmente do cancelamento do Leilão de Reserva do fim do ano. Mas a publicação da portaria dos próximos certames, no último dia 4 de agosto, trouxe um grande alívio e um ânimo para o setor. O movimento de negócios foi retomado, e a feira de expositores do evento mostrou isso claramente. Houve uma virada de chave”, avalia Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica. No primeiro dia de debates, a entidade celebrou a marca de 12 GW de capacidade instalada no país, patamar que, nas projeções do planejamento oficial, deverá saltar para cerca de 16 GW em 2021.

Secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa ressaltou na abertura que a expansão do setor nos próximos anos estará diretamente associada às fontes renováveis em conjunto com uma base de usinas térmicas, ao mesmo em que descartou o modelo ancorado em projetos estruturantes – especialmente nas grandes hidrelétricas na região Amazônica. Ao defender o que chamou de “limpeza”, descontratando projetos acima da demanda de mercado e revendo a garantia física de diversas usinas, Pedrosa defendeu as medidas como uma lição de casa feita pela atual equipe de governo, que em um primeiro momento se comprometeu com os agentes em “arrumar a casa”. Em outras palavras: eliminar sobrecontrações e sobras antes de partir para a aquisição de novos projetos.

A valorização da eólica não só como visão de futuro, mas em particular pelo papel que ela já desempenha hoje para o abastecimento, foi ratificado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Durante painel de debate, o diretor-geral do órgão, Luiz Eduardo Barata, mostrou em tempo real que a geração eólica atendia a 53% da carga na região Nordeste, exemplificando a importância da fonte. “A chegada da eólica no Nordeste foi a salvação para o abastecimento da região”, exaltou, citando que a forte crise hídrica dos últimos três anos na bacia do rio São Francisco pôs a fonte eólica no topo do fornecimento elétrico regional, chegando a atender até 60% da demanda nordestina. O quadro, disse ele, deverá permanecer nos próximos anos.

A relevância que a eólica adquiriu para o abastecimento do Nordeste passa pelas excepcionais características técnicas da região, cujo regime de ventos está acima dos melhores do mundo. Alessandra Maciel, engenheira do ONS, destacou que o fator de capacidade médio da geração eólica na região ao longo de 2016 chegou a 44%, acima das médias do SIN (41,6%) e do Brasil (38%) – esta já superior à média de 34% de mercados como Reino Unido, Dinamarca e Turquia. Por outro lado, um dos pontos críticos levantados pela especialista foi tema de debates de alta relevância ao longo do BWP deste ano: a dificuldade em prever as condições de operação em escala diária, dada a grande variabilidade dos ventos e a dependência das condições meteorológicas.

Um dos destaques dados no evento sobre este tema foi o modelo de previsão de geração eólica do ONS, lançado no início de agosto fruto de uma parceria da entidade com a Abeeólica. O sistema responde às necessidades de previsão de um dia para o outro com margem de acerto de 92%, índice considerado alto. O foco, agora, está voltado para o aumento da capacidade de previsão intraday – ou seja, em escala horária. A discussão em torno da previsibilidade operativa passa diretamente pelo tema da mitigação da intermitência na geração – ou melhor, na mitigação da variabilidade, como frisa a Elbia Gannoum. Ela explica que a redução da geração eólica em momentos de menor incidência de ventos não significa interrupção da produção.

A natureza de variabilidade e de não-despachabilidade da eólica pode ser resolvida de três formas, defende a presidente da Abeeólica. Uma delas é mitigando a variabilidade com mais variabilidade, a partir de uma distribuição regional. Como o Nordeste apresenta quatro quadrículas diferentes de vento, a ideia é que o espaçamento dos parques equilibre a geração de todo o subsistema. Segundo a executiva, outra forma de mitigar a variação natural é agregando usinas despacháveis por definição, como térmicas flexíveis ou hidrelétricas. A terceira forma seria promover um maior intercâmbio regional, algo que hoje ocorre inclusive com o Nordeste assumindo o papel de exportador. “Esses fatores podem melhorar a operação das eólicas”, completou Elbia.

Moderador do painel que discutiu justamente a questão da integração de fontes renováveis não-despacháveis no SIN, o diretor técnico da consultoria PSR, Bernardo Bezerra, aponta a existência dos reservatórios de acumulação como uma das grandes razões para o sucesso da energia eólica no Brasil, na medida em que eles permitem a absorção da variabilidade operativa dos parques brasileiros. A crise hídrica que vem afetando o Nordeste nos últimos anos, entretanto, está reduzindo de forma gradual o controle da capacidade de retenção de água nas barragens da região, fato que impacta diretamente no aumento expressivo do despacho termelétrico. “Há um custo associado a esse maior uso das térmicas”, observou Bezerra.

Debatedor do mesmo painel, o diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, Renato Volponi, vê a discussão em torno da variabilidade da eólica como um “bom problema”, reflexo da forte expansão que a fonte vem tendo no país ao longo desta década. Na avaliação do executivo, a variação da geração em razão da inconstância do regime de ventos representa um problema técnico, cuja solução passa pela complementariedade tanto com outras fontes renováveis, como a solar fotovoltaica e a hídrica, quanto com baterias – esta opção em mais longo prazo. Ele ressaltou ainda a importância na dissolução de gargalos na área de transmissão, como forma de ampliar a capacidade de interconexão entre os subsistemas, facilitando a condição de despacho do ONS.

Além das questões técnicas, o contexto político centralizou grande parte dos debates nos painéis do BWP 2017. O foco neste caso, como não poderia deixar de ser, foi o novo marco institucional do setor elétrico, recém-saído de processo de consulta pública no MME e ainda alvo de muitas dúvidas e pleitos de ajuste por parte dos agentes. O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, Reginaldo Medeiros, acredita que a reforma institucional do mercado de energia, na medida em que consiga eliminar incertezas regulatórias e financeiras, poderá promover a expansão da eólica no mercado livre, hoje ainda incipiente. Para o dirigente, a separação de lastro e energia vai estimular a entrada de renováveis no ACL.

Para o presidente da Votorantim Energia, Fabio Zanfelice, a perspectiva de as fontes renováveis suprirem o crescimento esperado para o mercado livre é real, embora entraves atuais como preço e subsídios necessitem de tratamento por parte das novas regras em debate no setor. Do ponto de vista da cadeia de abastecimento, os desafios apresentados no painel que reuniu alguns dos principais empreendedores do setor eólico passaram pela preservação da cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços, fortemente afetada pelos quase dois anos sem a realização de leilões públicos de expansão com novos projetos. Todos os participantes foram unânimes em apontar a carência de um calendário prévio de licitações como um fator prejudicial à indústria.

Entre investidores, supridores de materiais e dirigentes de entidades ligadas ao segmento eólico, o item financiamento foi sempre posto como preocupação para a concretização dos planos ambiciosos de crescimento da fonte na matriz elétrica brasileira. Em um foro de discussão dedicado especialmente ao assunto, representantes de bancos privados e instituições públicas abordaram a dificuldade de o país poder contar com fontes de crédito além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável por R$ 33 bilhões em operações aprovadas para a viabilização de aproximadamente 11 GW. Carla Primavera, superintendente de Energia do BNDES, foi taxativa: da parte do banco, não existem incertezas quanto a crédito de longo prazo.

Na visão dos agentes privados, o papel central do BNDES no desenvolvimento do mercado de renováveis será dividido com os bancos comerciais a partir da implementação da TLP, a nova taxa dos contratos de financiamento da instituição que sucederá à TJLP. Marcelo Girão, chefe da Divisão de Project Finance do Itaú BBA, acredita que o uso da TLP vai tirar competitividade do BNDES ao longo dos próximos anos, o que naturalmente abrirá espaços para os bancos comerciais. Ele ressaltou ainda que medidas do novo modelo, como a separação de lastro e energia, mudarão a maneira de como se financiam projetos no setor. “Quando houver a introdução do risco de preços, as análises serão naturalmente mais conservadoras”, avalia.

Durante a discussão, o chefe de Energia da Divisão de Project Finance do Banco Santander, Edson Ogawa, ressaltou que o mercado livre é financiável no Brasil, mas que fatores como a previsibilidade dos contratos são fundamentais para uma maior participação dos organismos privados nos negócios de energia e do segmento eólico em particular. “A precificação do mercado spot, com critérios de separação de lastro e energia, precisa ser muito bem trabalhada, e a previsibilidade terá de ser muito bem aprimorada”, sublinhou, destacando que operações de financiamento de longo prazo, além de não fazerem parte da natureza dos bancos privados, requerem a viabilização de um mercado secundário, como o existente no setor de seguros.

Apesar das ressalvas por parte dos financiadores, a perspectiva por parte do governo é otimista quanto ao crescimento da eólica para além dos leilões públicos de contratação. Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, falou em “reinvenção” da fonte, ao defender a busca do mercado livre como alternativa às licitações do governo. Assim como os representantes do mercado financeiro, Barroso também apontou a questão da falta de confiança dos agentes na precificação do mercado livre como justificativa para a manutenção da importância do ambiente regulado. Todos os 11 GW em novos projetos eólicos contidos no Plano Decenal de Energia 2026, recentemente lançado pela estatal de planejamento, estão vinculados a leilões governamentais.

Mas a edição deste ano do BWP foi muito além do congresso e dos debates técnicos. A feira de negócios atraiu a maior parte dos 2.679 visitantes que passaram pelo Centro de Convenções Sulamérica durante os três dias de evento. Foram 92 expositores, entre os quais seis fabricantes de aerogeradores instalados no Brasil, a gigante chinesa recém-chegada ao país Goldwind, fornecedores de equipamentos e serviços, grandes investidores, entidades de capacitação profissionais e empresas de diversas áreas ligadas direta e indiretamente ao segmento de geração eólica no Brasil e no exterior. Se a feira serviu como termômetro para o interesse em novos projetos e oportunidades de negócio, ficou a certeza de que o mercado está aquecido.

O ambiente visto nos stands era de confiança na retomada do fluxo de movimentação de negócios, diferentemente do cenário visto nos últimos dois anos, quando a retração na demanda energética causou apreensão entre os agentes geradores. Renato Volponi, diretor-presidente da EDP Renováveis Brasil, lembra que em 2016 o setor estava confiante na realização do leilão em dezembro daquele ano, em que pese houvesse também uma apreensão quanto ao nível de consumo. “As distribuidoras estavam sobrecontratadas, e o caminho do leilão de reserva, apesar de sinalizado naquele momento, era uma incógnita, até mesmo em função da mudança de governo. Era o início do processo de renovação que vemos agora no setor elétrico”, diz.

Os dias na feira foram de bastante trabalho e de muitas conversas para os expositores e visitantes, integrantes de uma cadeia que movimenta cerca de mil empresas. O grande fluxo de pessoas mostrava interesse em conhecer mais das soluções e das novas plataformas existentes ou que foram lançadas no evento, como a EP3 da Wobben/Enercon e a turbina de 4,2 MW da Vestas, além da solução Wise da GE. Esta última comemorou o volume acima de 5 GW em capacidade instalada em projetos eólicos no país. De acordo com a líder de Marketing e Produtos da GE Wind, Rosana Santos, outros 600 MW entrarão em operação até o final de setembro em mais três projetos. A projeção da GE é encerra 2017 com 2.700 turbinas em operação.

A impressão, para dos muitos participantes neste ano, era a de que o movimento entre as dezenas de expositores estava mais expressivo que nos anos anteriores. Empresas geradoras e potenciais empreendedores buscavam informações, e em alguns casos, iniciavam conversas para futuras parcerias visando a retomada dos leilões. O secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, afirmou ter a convicção de que haverá disputas nos certames agendados para 18 e 20 de dezembro, além de margem de escoamento por conta da cassação da outorga de uma parcela ainda indefinida de até 4 GW em projetos que foram licitados em leilões no passado, mas que não saíram do papel nem participaram da descontratação ocorrido no último mês de agosto.

As projeções destacando a importância da eólica no atendimento elétrico brasileiro reforçam os investimentos esperados para as próximas décadas. Cálculos da Bloomberg New Energy Finance estimam que, em 2040, a eólica terá uma fatia de 12% dos 338 GW projetados de capacidade de geração no país. “Estamos começando a ver o que é uma vida sem fóssil, algo que só irá se intensificar daqui para frente”, classificou Morten Dyrholm, presidente do conselho do GWEC. A forte presença de público e de empresas no Brazil Windpower 2017 deixaram como saldo a sensação de que os bons ventos que sopraram para a eólica no Brasil desde 2009, quando o primeiro leilão para a fonte foi realizado, foram retomados. A certeza virá em dezembro.

Fonte: Canal Energia | Oldon Machado

Colaboraram Mauricio Godoi e Pedro Aurélio Teixeira

Brasil tem superávit de energia pela primeira vez em 77 anos

Pela primeira vez em quase 80 anos, o Brasil deverá ter superávit de energia, segundo o Boletim Mensal de Energia, documento elaborado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), divulgado hoje (4). Esse é o melhor resultado desde 1940, ano inicial de disponibilidade de estatísticas globais de energia.

Segundo o boletim, a estimativa de Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) deste ano é de 631,7 terawatts-hora (TWh), o que corresponde uma elevação de 1,9% na comparação com 2016. Já a proporção de fontes renováveis deve permanecer acima de 80% este ano.

De acordo com o levantamento, o superávit é resultado das altas taxas de crescimento na produção de petróleo e de gás natural, associadas a uma baixa demanda global de energia. A produção de petróleo acumula alta de 10,9% até junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em junho, segundo o boletim, o aumento foi de 5%. Já a produção de gás natural cresceu 8,9% no ano e 7,4% até junho.

Conforme as previsões para este ano, a demanda total de energia deve crescer aproximadamente 1,5% e a demanda total de energia elétrica cerca de 2%. “As fontes renováveis na matriz energética ficam acima de 42% e as renováveis na matriz de oferta elétrica acima de 80%. A energia eólica sobe mais de 1 ponto percentual na matriz elétrica”, diz trecho do boletim.

Em junho, a produção de biodiesel cresceu 22,5%, com expansão de 3,1% no ano. “O resultado contribui para a possibilidade de superávit, além da contribuição para a manutenção de uma matriz energética com alta proporção de renováveis”, diz trecho do boletim.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o boletim tem como objetivo acompanhar um conjunto de variáveis energéticas e não energéticas para elaboração de estimativa do comportamento mensal acumulado da demanda total de energia do Brasil.

Fonte: MME

Leilões de Energia Nova A-4 e A-6 serão realizados em dezembro

O Ministério de Minas e Energia publicou nesta segunda-feira, 4 de setembro, a portaria 353/2017, definindo a realização do Leilão de Energia Nova A-4 no dia 18 de dezembro e o Leilão de Energia Nova A-6 no dia 20 de dezembro. De acordo com a publicação, agora os empreendedores que quiserem participar do A-4 deverão entregar os documentos necessários até o dia 27 de setembro.

Para os projetos termelétricos, a comprovação da disponibilidade do combustível deve ser entregue até o dia 22 de setembro.

A portaria também diz que projetos de novas UHEs com capacidade acima de 50 MW deverão ter o mínimo de 30% para o mercado regulado. Já as distribuidoras terão até o dia 10 de novembro para apresentar as suas declarações com as demandas de energia para o certame, que após entregues serão consideradas irrevogáveis.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira | Canal Energia