Rio Grande do Norte comemora 4GW de eólicas

Conquista mantém o Estado como líder em capacidade eólica instalada no Brasil.

O estado do Rio Grande do Norte atingiu, nesta quinta-feira (14), um novo recorde energético: 4 GW em potência instalada a partir de parques eólicos. A expressiva marca foi alcançada com a entrada em operação comercial dos parques eólicos São Miguel I e São Miguel III, cada um com 21 MW em potência instalada. Os dois parques são de propriedade da COPEL (Companhia Paranaense de Energia) e estão localizados no município de São Bento do Norte, no litoral potiguar.

Com a entrada em operação dos novos empreendimentos, o RN passa a ter exatos 4.019 GW, a partir de 151 parques eólicos.

A geração de energia por fonte eólica já representa 86% de toda a potência instalada do estado potiguar. A matriz, formada também por termelétricas e fontes fotovoltaicas soma, atualmente, 4,65GW.

Segundo o Diretor Setorial de Energia Eólica do CERNE, Darlan Santos, esse marco é motivo de comemoração não apenas pelo feito, mas também pela reafirmação do estado e da sua vocação para geração de energia eólica. “O Rio Grande do Norte tem aumentado sua capacidade instalada de maneira quase ininterrupta, sendo acompanhado por investimentos importantes nesse período”, explica.

A nova conquista mantêm o estado como líder absoluto em três quesitos: maior capacidade eólica instalada no Brasil, maior geração de energia por fonte eólica do país e a maior matriz eólica nacional.

Fonte: Daniel Turíbio | CERNE Press

Eólicas offshore: Comissão do CERNE estuda marco regulatório brasileiro em 2019

Comissão multi-institucional, coordenada pelo CERNE, reúne empresas e centros de pesquisa de todo o Brasil.

A Comissão Executiva para a Promoção e a Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro, iniciativa coordenada pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), realizou na sexta-feira (01), uma reunião para discutir a elaboração de um estudo que visa a criação de um marco regulatório para a exploração de eólicas offshore no Brasil.

A discussão é de caráter multi-institucional, e reúne empresas e centros de pesquisa de todo o Brasil. Segundo o Diretor de eólicas do CERNE e presidente em exercício da entidade, Darlan Santos, a comissão possibilita equalizar as informações para todo o setor. “Queremos aliar as melhores práticas aplicadas na regulação e implantação de projetos offshore no mundo, além de, com base em características locais, sugerir um modelo regulatório para o setor no Brasil”, explica.

Fonte: CERNE/Petrobras

As usinas eólicas instaladas em alto mar já são realidade em países da Europa e Ásia. No Brasil, a fonte esbarra nos custos e na falta de regulação específica. Entretanto, a grande e rasa plataforma continental do país, que se estende até 40 km de distância ao longo dos 9.000 km de costa com profundidades de 8 a 12 metros, tem atraído os olhares para o potencial desenvolvimento do setor.

Segundo o Gerente de Negócios em Energias Renováveis da Petrobras, Clóvis Neto, o potencial offshore é muito expressivo e a companhia se beneficia de sua experiência em exploração e produção de petróleo offshore para participar desse processo. “Os litorais do Rio Grande do Norte e do Ceará contam com uma vasta área com profundidades inferiores a 50 metros. Essa condição permite a utilização de subestruturas mais simples para a geração eólica offshore”, explica.

Estudos técnicos já estão sendo realizados para medir a viabilidade e o potencial energético offshore no Brasil. De acordo com o professor e pesquisador do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN), Sylvester Stallone, com base em possíveis cenários, pode-se estimar cerca de 3,4 TW de capacidade instalada. “Nesse cenário, atribui-se um peso maior ao vento, sendo a variável determinante, enquanto a profundidade e a distância da costa fossem pesos menores. Isso aumenta a área de viabilidade”, explica o pesquisador.

Fonte: IFRN

Apesar dos atuais custos elevados, os últimos resultados de leilões offshore na Europa atingiram valores de R$ 180,20 por MW/h. A análise desse cenário indicaria a possibilidade de que no Brasil se atingiria valores próximos a R$ 195,00 por MW/h em 2027, sendo esse valor equiparado a outras fontes de energia no Brasil.

O coordenador de Energias Renováveis da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo do RN, Hugo Fonseca, frisou durante a reunião que o processo de medição dos futuros projetos de eólica offshore deve acontecer junto com o processo de zoneamento. Esse mecanismo oferece maior segurança jurídica, ambiental e regulatória. “Além disso, os estados precisam ter participação ativa nesse processo, por que isso envolve questões socioambientais e turísticas locais”, destaca.

A previsão é que o documento, a ser preparado pela comissão do CERNE, seja publicado até o fim do primeiro semestre de 2019. A partir desse estudo, deve ser criado um Projeto de Lei contendo modelos de comercialização, processo de licenciamento ambiental, conexão das usinas e concessões de áreas marítima.

Participaram da reunião representantes da ABEEólica, UFRN, USP, Instituto Senai de Inovação, Iberdrola, Ecocil, Equinor Brasil, Ambipetro, Madronalaw Advocacia, Acadis, Usina Asa Branca, Bio Energia.

Fonte: Daniel Turíbio/CERNE Press

Voltalia investirá mais de R$ 1 bi em parques eólicos

Tribuna do Norte

A empresa de energia renovável Voltalia, que operacionaliza parques eólicos no Rio Grande do Norte, confirmou à TRIBUNA DO NORTE, com exclusividade, que investirá aproximadamente R$ 1 bilhão na aquisição de 36 aerogeradores para a usina eólica Ventos da Serra do Mel 2, no Alto Oeste do Estado. Os equipamentos serão divididos entre os complexos VSM I e II e já tiveram a construção iniciada conforme detalhado pela Voltalia.

A assinatura do contrato com a Siemens Gamesa, empresa fabricante dos aerogeradores, vai viabilizar a implementação do segundo maior projeto eólico da Voltalia no país. Com os equipamentos que estão em fase de instalação em Serra do Mel, a empresa ampliará a produção de energia elétrica a partir da força dos ventos em 128 MW. As novas turbinas que serão instaladas em VSM 2 (128 MW) são do modelo SG 3.4-132, com potência nominal de 3,55 MW cada. Rotores com um diâmetro de 132 metros se elevarão em 120 metros acima do solo.

“Depois de garantir vários contratos de venda de energia de longo prazo no Brasil desde o final de 2017, atualmente estamos construindo 291 MW de usinas de energia com uma antecipação significativa para comissioná-las no decorrer de 2020. Ao todo, instalaremos um número adicional de 83 turbinas eólicas em nosso cluster de Serra Branca, localizado em uma das áreas mais ventosas do Brasil. O projeto VSM 2 eleva nossa capacidade total em operação e construção para 911 MW”, comenta Sébastien Clerc, CEO da Voltalia.

Para Robert Klein, CEO da Voltalia no Brasil, esta expansão é estratégica para a empresa. “O projeto Ventos da Serra do Mel (1 e 2) é mais um importante investimento da Voltalia no país onde já operamos mais de 300 MW. Esta expansão faz parte da nossa estratégia de concentrar projetos numa mesma região, ganhando, assim, em escala e na facilidade de operação. Após a construção deste novo parque, teremos ainda mais de 1,5 GW de possíveis expansões, o que poderá fazer Ventos da Serra do Mel um dos maiores sites de energia eólica da América Latina”.

Os contratos de venda de energia de longo prazo foram garantidos para o VSM 2 com previsão para o início de 2021 (64 MW) e 2024 (64 MW). Os MW/hora produzidos entre o comissionamento da usina a partir dessas datas serão vendidos a preços atrativos no mercado.

Voltalia no Brasil

A equipe da Voltalia no Brasil foi criada em 2006 e desenvolveu um portfólio de projetos de grande porte. Atualmente, 724 MW estão em construção ou em operação, localizados no cluster da Serra Branca (eólica), em São Miguel do Gostoso (vento) e no Oiapoque (híbrido térmico / solar). Outros  2,7 GW de projetos estão em desenvolvimento, localizados principalmente nos estados do Rio Grande do Norte e Bahia, contando principalmente com energia solar e eólica.

Piauí deve se tornar 3º maior produtor de energia eólica do país em 2019

Em 2018, o Piauí estava na quarta colocação com 651 MW médios na geração de energia eólica.

Fonte: Meio Norte | Wanderlúcio Barbosa

A produção eólica do Piauí cresceu muito nos últimos anos, transformando o estado no quarto maior produtor desse tipo de energia renovável no Brasil. O levantamento realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostrou que o Piauí fechou o ano de 2018 como o 4º maior estado em capacidade de geração de energia eólica no Brasil e deve encerrar 2019 como o terceiro maior.

Durante o ano de 2018 – janeiro a novembro – o Piauí aparece na quarta colocação com 651 MW médios na geração de energia eólica. O maior gerador de energia eólica foi o Rio Grande do Norte com 1.513 MW médios, sendo seguido pela Bahia (1.271 MW médios) e Ceará (775 MW médios).

André Quixadá, secretário estadual de Minas, Petróleo, Gás e Energias Renováveis, afirmou que o estado do Piauí já se consagra como uma grande potência nacional no segmento de energias renováveis, principalmente no setor eólico e fotovoltaico. O secretário estima que ainda não foi explorado nem 30% do potencial eólico no estado.

“No setor eólico, o estado do Piauí está em pleno desenvolvimento. Estima-se que não chegamos nem a 30% de nosso potencial a ser explorado, hoje o estado já possuí 1.7 GW instalado e mais 470 MW em fase de instalação. Muito possivelmente terminemos o ano de 2019 como o 3º maior produtor de energia eólica do Brasil”, destacou.

Entre as usinas eólicas destaca-se a produção da Delta do Parnaíba I e Delta do Parnaíba II da empresa Omega Energia, Caldeira I e Caldeirão II do grupo Queiroz Galvão, Ventos de São Vicente da Votorantim, Aura Lagoa do Barro da Atlantic/Acciona, Ventos do Araripe I e Ventos do Araripe II da empresa Casa dos Ventos e a Chapada do Piauí da empresa Contour Global.

Fonte: Meio Norte

26 novas usinas vão se instalar no Piauí

O Piauí já é considerado a nova fronteira para o mercado de energia eólica no Brasil, devido ao alto potencial eólico, e a expectativa é de que a produção cresça ainda mais já que de acordo com o levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o estado ganhará mais 26 usinas de energia eólica entre 2019 e 2023, acrescentando 735 MW na capacidade de geração de energia eólica.

O estudo revela que o Piauí conta com 75 usinas ativas, sendo 58 eólicas, 9 solares fotovoltaicas, 5 térmicas a óleo, 2 hidroelétricas e 1 térmica a biomassa. Até o final de 2018, o Piauí tinha capacidade instalada de 1.584 MW em usinas eólicas. “Já estão leiloados para início de operação entre 2019 e 2023, mais 26 usinas de energia eólica, que acrescentarão 735 MW na capacidade de geração de energia eólica”, aponta o relatório da CCEE.

“Já temos 58 parques instalados e já temos previsto R$ 4,5 bilhões em investimentos para os próximos anos”, declarou André Quixadá. O estado tem conseguido aproveitar as condições favoráveis da região com a geração de energia eólica, para a construção de riquezas, de geração de empregos e as condições de melhoria de renda graças a essa produção. (W.B.)

Potencial para produzir energia limpa no RN atrai investidores franceses

Diretores da empresa Total Eren querem mudar a matriz energética da produção de petróleo para os segmentos de eólica e solar, a partir do Rio Grande do Norte

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, receberá na próxima segunda-feira, 19, diretores da multinacional francesa Total Eren, que atua no campo energético petrolífero e que pretendem investir em energia limpa por meio da criação de joint-venture em parceria com a Petrobrás nos segmentos eólico e solar.

A notícia foi dada pelo senador Jean Paul Prates durante entrevista ao programa Jornal Agora, da rádio Agora FM (97,9), apresentado pelo jornalista Alex Viana. De acordo com o senador, a Total Eren não sairá do ramo de energia, mas trocará a energia não renovável – com ênfase no petróleo – pela energia limpa abundante no Rio Grande do Norte, que tem sol e vento em abundância.

Na avaliação do senador, a energia limpa é um caminho para tirar o Estado da crise, porque gera arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ao invés de royalties da produção mineral, como no caso do petróleo, em que há uma divisão com a União e municípios. “Vamos receber este grande grupo francês, que quer investir no Estado e vai gerar empregos. Sem dúvida, será necessário a união da classe política”, conclama Prates.

Ao longo deste ano, a governadora deve receber muitos grupos empresariais que querem investir no Estado. Além dos recursos, a governadora Fátima Bezerra – segundo Jean Paul Prates – está pensando na geração de empregos em regiões onde a crise tem sido maior. “Nosso plano de desenvolvimento econômico prima pelo aproveitamento das vocações de nosso Estado”, destacou o senador.

Fonte: Agora RN

Enel vende usinas de energia renovável no Brasil à chinesa CGN Energy por R$2,9 bi

Fonte: Reuters | Luciano Costa

A elétrica italiana Enel assinou por meio da subsidiária Enel Green Power contrato para a venda de 540 megawatts em usinas eólicas e solares no Brasil à chinesa CGN Energy International Holdings em uma transação avaliada num total de 2,9 bilhões de reais, ou 700 milhões de euros.

O negócio envolve 100 por cento dos ativos, que já estão operacionais, com pagamento no momento do fechamento.

“Com a venda desses ativos, nós estamos capturando valor para um crescimento maior no Brasil, onde estamos implementando um grande ‘pipeline’ de projetos renováveis. Nós seguimos focados nas oportunidades oferecidas pelo mercado renovável brasileiro e vamos continuar a investir no país”, disse o chefe da Enel Green Power, Antonio Cammisecra, em nota.

Segundo a Enel, o negócio está em linha com o plano estratégico do grupo para o período 2019-2021, que prevê maximizar a acelerar a criação de valor por meio da venda de ativos para liberar recursos a serem investidos em novos projetos.

O modelo de negócios é conhecido como “construir, vender e operar” (BSO, na sigla em inglês).

O fechamento da transação é esperado para o terceiro trimestre de 2019, e ela está sujeita a condições precedentes incluindo a aprovação de autoridades antitruste, segundo a Enel.

A CGN Energy International é um braço de investimentos em ativos não nucleares no exterior da China General Nuclear Power Corporation (CGN), fundada em 1994, que é a maior operadora de ativos nucleares da China, segundo informações do site do grupo.

Royalties do pré-sal devem aumentar se houver mudança do modelo de produção, diz senador Jean-Paul Prates

Por Felipe Maciel | E&P BR

A transformação dos contratos de partilha da produção em concessão pode gerar royalties em torno de 25% a 30% nos novos contratos para compensar o fluxo de caixa do petróleo que seria vendido pela Pré-Sal Petróleo (PPSA). A avaliação é do senador Jean-Paul Prates (PT/RN), que tomou posse na última semana assumindo o mandato da ex-senadora Fátima Bezerra (PT-RN), agora governadora do Rio Grande do Norte.

“É uma discussão que teremos que fazer profundamente. Colocando as cartas na mesa. Não adianta dizer: vamos mudar e os royalties ficam iguais. O estado brasileiro vai dizer: ué, você está me enganando. É uma discussão muito mais profunda do que parece e envolve a retomada do processo do conteúdo local. Isso não está errado e é importante”, diz o senador petista.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

Queda de preços das renováveis – por que o consumidor ainda não enxerga essa redução?

Uma análise do que vem sendo pago por meio das “contas de luz” e reflexões sobre as discussões que estão em pauta e que podem mudar essa realidade

Que o preço das energias renováveis caiu significativamente no Brasil e no mundo na última década, isso não é novidade para ninguém.

A preocupação com o desenvolvimento e a priorização de tecnologias de baixas emissões, em especial na Europa, e uma pressão competitiva vinda da China, uma economia capaz de fornecer equipamentos em grandes quantidades a preços decrescentes, respondem por grande parte desse fenômeno no mundo. No Brasil, a consolidação de um sistema de aquisição competitiva da energia gerada por essas fontes, que são os nossos leilões de energia, foi decisiva para a crescente fixação da indústria no país e para a queda de preços.

Ocorre que o que nem todo mundo entende é por que o consumidor, a tão avocada “Dona Maria”, não sente no bolso essa queda.

Então aí vão algumas respostas.

Primeiramente, o consumidor não paga só pela energia gerada, ou seja, os elétrons que chegam em sua casa, mas, e não teria nem como ser diferente, por todo o serviço prestado (e o investimento associado) pelas transmissoras de energia (que levam a energia do gerador até a distribuidora em redes de alta tensão) e pelas distribuidoras de energia (que, em redes de menor tensão, fazem os elétrons chegarem nas casas, comércios, indústrias, postes etc.).

Além disso, os consumidores pagam tributos (impostos) e encargos setoriais por meio de sua conta de luz.

Com relação aos tributos, trata-se de questão que independe das regras do setor elétrico. Basicamente, como vivenciamos em diversas outras esferas das nossas vidas, notamos grande irracionalidade na política e legislação tributárias vigentes e sabemos que a solução passa por uma reforma tributária ampla.

Um exemplo recente, no setor de energia (não elétrica), foi o esforço fiscal realizado pelo Governo Federal para reduzir o PIS e a Cofins sobre o diesel, em resposta à greve dos caminhoneiros, e que foi abocanhado por alguns Estados (não chegando, pois, ao caminhoneiro nesses Estados) quando elevaram o preço de referência para o cálculo do ICMS sobre o combustível.

No setor elétrico, chamam atenção as crescentes judicializações em decorrência da iniciativa recente de alguns Estados de cobrarem ICMS sobre a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) e a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD).

Certo é que a energia elétrica é base segura de arrecadação e que, com a crise fiscal vivenciada pela União e Estados, não se vislumbra grande espaço para a redução da carga tributária no setor, exceto na hipótese de um pacto mais amplo sob a forma de uma reforma tributária.

Já no que diz respeito aos encargos setoriais (que geralmente respondem pelas siglas CDE – Conta de Desenvolvimento Energético, CCC – Conta de Consumo de Combustíveis e RGR – Reserva Global de Reversão, contando com legislação específica), trata-se, de maneira resumida, de um grande fundo para o qual contribuem todos os consumidores do Brasil com recursos arrecadados por meio de suas contas de luz, e que tem como objetivo realizar políticas afetas ao setor elétrico.

É dele que saíram os recursos que permitiram conectar mais de 3.300.000 unidades consumidoras às redes de distribuição num dos internacionalmente mais bem sucedidos e aclamados programas de universalização de acesso, que é o Programa Luz para Todos. É desse fundo que saem os recursos para subsidiar a tarifa social – tarifas mais módicas para pessoas com menor capacidade de pagamento. Mas também é desse fundo que saem os recursos para subsidiar tarifas de classes de consumo específicas, como os irrigantes; e também para incentivar a migração de consumidores para o mercado livre quando adquirirem energias renováveis. Todos nós pagamos por isso.

Assim, não afastando a relevância dos encargos setoriais para o desenvolvimento energético, mas também o seu peso no bolso do consumidor, o que a sociedade cobra é algo que entrou na agenda do Governo, qual seja: dotar os encargos setoriais de focalização, eficiência e transparência, cujas diretrizes constam em alteração promovida na Lei nº 10.438, de 2002, com regulamentação dada pelo Decreto nº 9.022, de 2017. Em decorrência dessas alterações, vivenciamos hoje um debate que transcende o setor elétrico, que busca a justificativa, por parte dos setores beneficiados pelos subsídios cruzados, da relevância desses recursos para suas políticas e/ou seu desenvolvimento.

Outra iniciativa, desta vez encabeçada pela ANEEL, no sentido de otimização da utilização dos recursos dos encargos setoriais, são os leilões para descontratação de energia no Norte, a começar por Roraima, com o objetivo de redução da CCC. A CCC (Conta de Consumo de Combustíveis) é o encargo setorial associado ao consumo de combustíveis fósseis em regiões do país que ainda não são ou que até pouco tempo atrás não eram interligadas ao Sistema Interligado Nacional, ou seja, regiões em que o custo da energia fornecida aos consumidores é bem mais alto do que no resto do país.

Entrou na pauta ainda, mais recentemente, a discussão sobre a pertinência dos subsídios para a migração de consumidores para o mercado especial (migração de consumidores do mercado regulado das distribuidoras para o mercado livre quando contratam energias renováveis).

Embora no mérito bastante louvável uma política que estimule a geração e o consumo de energias renováveis, o que se observa é que essa política em especial vem introduzindo uma distorção muito grande nos encargos setoriais, já que quem migra recebe desconto na TUSD bancado pelos encargos. Basta acompanhar o crescimento dessa rubrica no orçamento da CDE para se adquirir uma noção do que está em jogo.

Neste ponto, voltemos à provocação deste artigo. Se as energias renováveis já são competitivas, talvez tenhamos chegado ao momento de reanalisar a pertinência desses subsídios para essa migração, e que tanto pesam no bolso do consumidor.

Além de reanalisar esses subsídios, talvez tenhamos que também olhar para os incentivos fiscais.

Os leilões de energia no Brasil, que serviram de inspiração para diversos países do mundo, como recentemente reiterado pelo Renewables Market Report de 2018, da Agência Internacional de Energia, são desenhados para considerarem as características das fontes, daí os preços por produtos, permitindo a precificação realista das fontes. Assim, se queremos dar sinais de preço adequados ao consumidor sobre quanto de fato custa a energia que ele está contratando, talvez tenha chegado o momento de rediscutirmos os incentivos fiscais concedidos para energias renováveis, que inicialmente eram defendidos para dotar essas fontes de competitividade.

As discussões deveriam observar o tratamento isonômico entre as fontes, se queremos dar sinais de preço adequados para os consumidores. Por outro lado, isso só será possível se os agentes pararem de recorrer ao Congresso Nacional para buscar tratamento diferenciado.

Outra questão que é preciso ter em mente quando se olha a conta de luz e não se percebe a queda de preços das fontes renováveis é que essas fontes são contratadas marginalmente, ou seja, projetos novos de energias renováveis são contratados em leilão de energia nova, para atender à expansão da carga, o crescimento da demanda.

A nossa conta de luz conta uma história. Nela pagamos decisões políticas do passado que permitiram a conformação do setor elétrico que hoje conhecemos, com essa matriz extremamente renovável, mas cada vez mais diversificada, que tantos países invejam.

Na nossa conta de luz pagamos pela energia de Itaipu (projeto binacional mundialmente pioneiro e que responde por 17% do consumo de energia elétrica no Brasil), pela energia de Angra 1 e 2 (as primeiras usinas nucleares brasileiras, de tecnologias americana e alemã, respectivamente), pelo PROINFA (o primeiro programa brasileiro de incentivo a fontes renováveis, que não as grandes hidrelétricas, e que precedeu os leilões que hoje as contratam).

Na nossa conta de luz pagamos pelo baixo custo da energia das hidrelétricas prorrogadas em 2013 mas também pelo elevado custo do risco hidrológico associado à essa geração.

Na nossa conta de luz pagamos por contratos de longo prazo, às vezes de até 35 anos, dos novos projetos contratados por meio dos leilões de energia nova, haja vista que os contratos de longo prazo são avaliados como relevantes para viabilizar esses novos projetos por garantir sua financiabilidade.

Não obstante, há discussões em aberto, que requerem aprofundamento, mas que permitiriam melhorar a carteira de contratos das distribuidoras.

A separação de lastro de energia (que poderia, então, ser contratada mais a curto prazo) e lastro de potência (que têm interesse sistêmico e, por isso, pode ser alocada a um universo de pagantes distinto) é uma. Trata-se de uma discussão que visa dotar de maior transparência e simplicidade a alocação de custos, se consideramos que o setor às vezes contrata energia mais cara para agregar segurança (potência) ao sistema.

Por fim, falando naquilo que o consumidor paga e enxerga na conta de luz, acho que vale tecer alguns comentários sobre o serviço de distribuição de energia elétrica.

Chegamos à época em que o mundo todo defende o protagonismo do consumidor. O consumidor vê na energia elétrica uma fonte de conforto que ele quer poder adquirir ao menor custo possível.

Trata-se de um mundo em que o consumidor está cada vez mais consciente sobre meio ambiente; um mundo em que big data e smart grid estão virando realidade

Um mundo em que a geração distribuída pode representar desafios de recuperação de investimentos para as distribuidoras.

Um mundo em que as distribuidoras têm que poder passar de operadoras de redes de distribuição para prestadoras de serviços inteligentes.

Para tornar isso uma realidade existe, então, uma discussão que ainda precisa ser iniciada, tanto no âmbito das políticas públicas quanto no da regulação.

Se o futuro da distribuição passa também pela viabilização da geração distribuída e pelo empoderamento do consumidor, o que requererá que essas empresas agreguem valor ao serviço prestado, precisamos criar os incentivos adequados.

No que tange à concessão de serviço público de distribuição, os contratos de concessão ainda não incorporam essa dimensão que ainda precisa ser discutida. Na regulação, as receitas que as distribuidoras possam aferir de outros serviços, que não a pura entrega da energia, são majoritariamente capturadas para a modicidade tarifaria. O compartilhamento de infraestrutura – com setores menos regulados como telecomunicações – também necessário para a prestação desses serviços inteligentes, ainda carece de harmonização de regulação.

Não obstante todo esse caminho que ainda precisamos trilhar, para concluir e voltando para o presente, e para a desigual realidade brasileira, não seria justo desenhar um futuro moderno para o setor de distribuição sem antes, no curto prazo, dotar de condições mínimas de desenvolvimento o serviço público de distribuição nos Estados, cujas distribuidoras foram federalizadas na década de 90, agora em processo de privatização.

Essa transição, que visa permitir um salto de patamar no atendimento às populações locais, representará despesa adicional para todos nós, consumidores de energia do país, por meio dos encargos setoriais, mas num horizonte já delimitado. Trata-se, assim, de solução estrutural para o atendimento àquelas regiões – para que a realidade hoje vivenciada no resto do país possa chegar por lá: a prestação de um serviço público com qualidade e eficiência e com capacidade de investimento, até para possibilitar que essas populações, assim como nós, tenham direito às maravilhas que poderão nos proporcionar as “distribuidoras do futuro”, sobre as quais discorremos anteriormente.

Senado aprova criação de usinas eólicas e solares no mar

O Plenário aprovou nesta terça-feira (18) Projeto de Lei do Senado (PLS 484/2017) que autoriza a implantação de usinas marítimas para a geração de energia elétrica a partir de fontes eólica e solar. As plataformas podem ser instaladas no mar territorial (até 22 quilômetros da costa) e na zona econômica exclusiva (até 370 quilômetros). A matéria segue para a Câmara dos Deputados.

O relator do PLS 484/2017 é o senador Walter Pinheiro (sem partido-BA). Ele apresentou parecer favorável ao projeto do senador Fernando Collor (PTC-AL), mas sugeriu algumas mudanças. O texto original previa apenas a presença de parques eólicos no mar. Além do aproveitamento da fonte solar, o substitutivo admite a implantação dos equipamentos nas chamadas águas interiores — como mares fechados, lagos e rios.

Outra mudança diz respeito aos repasses feitos pelas empresas que utilizam áreas da União para explorar o serviço. O texto original liberava 45% dos recursos tanto para estados quanto para municípios confrontantes. A União ficava com os 10% restantes. Walter Pinheiro manteve os repasses de 45% para estados e municípios. Mas não apenas os confrontantes.

O rateio vai seguir as regras usadas para os fundos de participação dos estados e do Distrito Federal (FPE) e dos municípios (FPM). De acordo com o substitutivo, o dinheiro só poderá ser aplicado nas áreas de saúde e educação. No âmbito da União, os pagamentos vão beneficiar o Ministério do Meio Ambiente (3%); o Ministério de Minas e Energia (3%); e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (4%). O valor do repasse será definido por Resolução do Conselho Nacional de Política Energética.

— O projeto é engenhoso e inovador. O caminho natural da energia eólica leva para o mar, onde os ventos são de melhor qualidade e ocorrem muito menos interferências com outras atividades produtivas do que em terra. Essa tendência está consolidada na Alemanha, Dinamarca e Reino Unido — argumenta Walter Pinheiro.

Licitação

O PLS 484/2017 altera as normas para a concessão ou a autorização de serviços públicos. O texto autoriza a implantação de parques eólicos com potência superior a 5.000 kW em águas interiores, no mar territorial e na zona econômica exclusiva. As usinas solares com potência superior a 1.000 kW podem ser implantadas ainda em terras ou corpos d’água sob domínio da União. Essas regras não valem para empreendimentos em terras particulares.

O edital de licitação deve trazer uma minuta básica do contrato, além de informações sobre os prismas eólicos e fotovoltaicos. Definidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), os prismas são as regiões marinhas destinadas à exploração energética. O órgão também precisa apontar as áreas territoriais e os corpos d´água da União objetos de concessão.

A licitação realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve ser precedida de estudos de impacto ambiental. O senador Walter Pinheiro defende que “todas as cautelas sejam adotadas” para garantir a proteção da natureza. A empresa fica civilmente responsável por qualquer dano decorrente das atividades de geração e transmissão de energia elétrica.

— Assim como nos demais empreendimentos de geração de energia elétrica, deve ser realizado estudo de impacto ambiental que dimensione os diferentes efeitos. Por exemplo: no caso da energia solar em empreendimentos de grande porte, os impactos sobre a fauna estão relacionados à alteração do sucesso reprodutor das espécies, à perda de habitat e alimentação e à alteração dos padrões de movimentação — explica Pinheiro.

De acordo com o PLS 484/2017, o contrato de concessão deve garantir ao particular o direito de instalar estruturas no leito marinho. O documento também precisa definir o espaço subaquático destinado à passagem de dutos e cabos. Cabe ao concessionário comunicar imediatamente à Agência Nacional do Petróleo (ANP) a descoberta de qualquer jazida de petróleo, gás natural ou outros hidrocarbonetos.

Outra preocupação do relator é “evitar conflitos e situações de risco” entre produtores de energia elétrica e exploradores de jazidas de petróleo e gás natural. O texto proíbe a concessão prismas eólicos ou fotovoltaicos em áreas coincidentes com blocos licitados nos regimes de concessão, partilha e cessão onerosa. Mas admite uma exceção: centrais eólicas ou solares podem ser instaladas para o consumo das plataformas petrolíferas.

O projeto também permite a autorização para a geração eólica e solar em usinas com potências inferiores a 5.000 e 1.000 kW. Nesse caso, os interessados devem pedir autorização à Aneel, que tem 30 dias para identificar a existência de outros pretendentes. Se houver mais de uma proposta e não for possível implantá-las simultaneamente, a agência deve promover um processo seletivo. Vence quem oferecer o maior valor para a taxa de ocupação.

Fonte: Dante Accioly | Agência Senado

Leilões para eólica offshore podem ser votados no Senado

Em um movimento surpreendente, o senador Fernando Collor (PTC/AL) conseguiu o apoio dos lideres e a aprovação do regime de urgência para o PLS 484/17, que cria leilões de energia eólica offshore no país, realizados pela Aneel com apoio da ANP. Com urgência aprovada nesta quinta-feira no Plenário da Casa, o projeto vai automaticamente para Ordem do Dia da próxima sessão, prevista para terça-feira (18/12). O projeto estava há um ano parado no Senado.

Autoprodutor e produtor independente
O projeto prevê que a implantação de usinas eólicas localizadas em mar territorial ou zona econômica exclusiva de potência superior a 5.000 kW (cinco mil quilowatts) destinadas a uso exclusivo do autoprodutor e a produção independente de energia.

CNPE
O CNPE deverá estabelecer limites da atuação da atividade de transmissão e geração de energia elétrica a partir de fonte eólica de modo a evitar conflitos com a atividade de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural.

Partilha ou concessão
Caso o CNPE defina blocos a serem objeto de concessão ou partilha de produção em áreas coincidentes com prismas eólicos licitados no regime de concessão, o CNPE deverá, no mesmo ato, estabelecer limites da atuação da atividade de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural de modo a evitar conflitos com a atividade de transmissão e geração de energia elétrica a partir de fonte eólica.

MME
Cabe ao Ministério de Minas e Energia prover o CNPE com informações necessárias à concatenação de leilões de geração de energia elétrica no mar territorial e na zona econômica exclusiva a partir de fonte eólica com leilões de transmissão de energia elétrica

Defesa 
O Ministério da Defesa e o Ministério dos Transportes, ou aqueles que os sucederem, deverão ser consultados quando da definição de prismas eólicos a serem objeto de concessão. Os dois ministérios deverão se manifestar junto ao CNPE sobre potenciais conflitos no uso de área a ser definida como prisma eólico

ANP
Vai regular as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural de blocos licitados em regime de concessão ou partilha de produção em áreas coincidentes com prismas eólicos licitados no regime de concessão, observando os limites de atuação estabelecidos pelo CNPE, articulando-se obrigatoriamente com a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para a consecução dessa atribuição.”

EPE
Os estudos e pesquisas desenvolvidos pela EPE subsidiarão a formulação, o planejamento e a implementação de ações do Ministério de Minas e Energia, no âmbito da política energética nacional.

INPE
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE transferirá, de forma gratuita, à EPE e ao Ministério de Minas e Energia informações e dados de que dispuser, quando for solicitado, sobre recursos energéticos do mar territorial, da zona econômica exclusiva e da plataforma continental brasileiras, com o objetivo de realizar estudos e planejamento setorial, mantido o sigilo a que estejam submetidos, quando for o caso.”

E já tem parecer e emenda
O senador Walter Pinheiro (PT/BA) apresentou parecer favorável ao projeto, mas com três emendas. Uma delas para prevê o rearranjo da distribuição das rendas entre estados, municípios e União que ficaria:

. 50% para estados confrontantes

. 50% para municípios confrontantes

Fotovoltaica
O senador petista também fez uma emenda no projeto para que seja possível a União realizar leilões de energia fotovoltaica offshore. A partir do mesmo modelo projetado para as eólicas offshore.

Fonte: Felipe Maciel | E&PBR

Aneel libera 225,6 MW eólicos para operação comercial na Bahia

Agência também aprovou EOLs no Piauí, Maranhão e UFVs em Minas Gerais

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a operação comercial de oito centrais de geração eólica de titularidade do Complexo Serra da Babilônia, segundo despacho publicado nessa quarta-feira, 12 de dezembro, no Diário Oficial da União. Cada usina teve 12 aerogeradores de 2,35 MW de potência contemplados pela deliberação, totalizando 225,6 MW de capacidade instalada no município de Morro do Chapéu (BA).

A agência também aprovou nove unidades geradoras da eólica Aura Lagoa do Barro 04, somando 27 MW de capacidade em Lagoa do Barro do Piauí (PI), além de quatro turbinas da EOL Delta 6 I, num total de 10,8 MW em Paulino Neves (MA).

Outro provimento do órgão regulador foi para as usinas de geração fotovoltaicas denominadas Guimarânia 1 e 2, cada uma com 31 unidades de 1 MW na cidade de Guimarânia (MG). A UFV Juazeiro Solar I também foi autorizada a operar comercialmente 14 painéis de 1 MW em Juazeiro (BA).

Fonte: Canal Energia

Furnas inaugura túnel de vento para pesquisas de geração eólica

A Furnas Centrais Elétricas inaugurou hoje (11) o primeiro túnel de vento nacional voltado a estudos e pesquisas sobre geração de energia eólica. O túnel tem 27 metros de comprimento e está localizado dentro de um laboratório de aerodinâmica, no Centro Tecnológico de Engenharia Civil da subsidiária da Eletrobras, no município de Aparecida de Goiânia (GO). O projeto recebeu investimentos de R$ 5 milhões.

O túnel de vento demorou um ano para ser construído, após um período de quase dez anos de concepção, especificações técnicas e pesquisas. “Esse túnel é o primeiro do grupo Eletrobras e estará dedicado a fazer pesquisas e modelagens da parte de engenharia civil para os parques eólicos. Prioritariamente, ele fará estudos da parte de estrutura civil da torre, as solicitações, as cargas que os ventos colocam nessas estruturas de torre e de aerogerador, e estudos do suporte dessas estruturas”, explicou o chefe da Divisão de Tecnologia e Engenharia de Furnas, Alexandre de Castro.

O túnel abre possibilidade de se fazer também estudos aerodinâmicos, ou seja, estudos do perfil das pás, para melhorar suas características. Alexandre de Castro disse que o laboratório pode ainda avaliar a questão aerodinâmica para torres de linhas de transmissão. O foco das investigações, entretanto, serão as estruturas civis e fundações desses empreendimentos.

Energia renovável

Segundo Castro, Furnas está caminhando para ampliar o parque gerador com outras fontes de energia renovável. Com forte histórico no setor hidrelétrico de mais de 60 anos, Furnas começou recentemente a mirar outras fontes de energia, com destaque para a eólica e a fotovoltaica, esta última dependendo ainda de prospecção.

Furnas tem projeto para construção, ainda este ano, de um complexo eólico em Fortim (CE). Por meio de parcerias com outros empreendedores, a empresa participa de três parques eólicos. “A gente está diversificando o parque gerador da empresa”, destacou Castro. Para ele, o túnel é uma ferramenta desse processo. Os estudos de laboratório darão a Furnas as principais respostas, amparados por um trabalho de computação e análise de modelos físicos e computacionais.

Dentro do projeto do túnel de vento, há expectativa de fazer modelos reduzidos de torre eólica que permitirão monitorar o comportamento da torre, e ainda de real grandeza, ou seja, de um protótipo em um parque de Furnas para fazer toda instrumentação. “Vou juntar a parte do túnel de vento, que é experimento de laboratório, à parte de modelagem computacional e programas de computador, e à parte de campo, em que é feito o monitoramento de uma estrutura para eu identificar quais são as cargas, os esforços que o vento causa nessas estruturas e o comportamento da fundação. Isso tudo objetiva melhorar a qualidade e a capacidade de carga dessa estrutura”, ressaltou Castro.

Pesquisa e Desenvolvimento

A carteira de Furnas soma investimentos da ordem de R$ 300 milhões nos próximos cinco anos, em 55 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Desde o início da década de 2000, a empresa executou mais de 200 projetos de pesquisa e desenvolvimento, dentro do Fundo Setorial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No âmbito do Centro Tecnológico de Engenharia Civil, Castro disse que já foram desenvolvidos projetos voltados para as áreas de materiais e hidrelétrica. De acordo com o chefe da Divisão de Tecnologia e Engenharia de Furnas, o túnel de vento já está 100% operacional.

BNDES libera R$674 mi para empreendimentos da Copel

A elétrica paranaense Copel informou na última quarta-feira que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou 674 milhões de reais em financiamentos acertados com a instituição de fomento para projetos da companhia.

Segundo a Copel, na primeira liberação de recursos dos financiamentos, foram autorizados 513 milhões de reais para a implantação do empreendimento Eólico Cutia e 161 milhões de reais para a Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu.

O Eólico Cutia, cujo contrato é de 619,4 milhões de reais, é formado por 13 parques eólicos, localizados no Rio Grande do Norte, que totalizam 312,9 MW de capacidade instalada.

A Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, construído pelo consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, com 30 por cento de participação da Copel, teve um total de financiamentos contratados de 194 milhões de reais.

O Baixo Iguaçu tem potência instalada de 350,2 MW e está localizado no Rio Iguaçu, entre os municípios de Capanema e de Capitão Leônidas Marques, e entre a UHE Governador José Richa e o Parque Nacional do Iguaçu, no Estado do Paraná.

Ambos contratos de financiamento preveem amortização em 192 parcelas (vencimento em 16 anos) e carência de seis meses.

Fonte: Reuters

Energia solar: custo de equipamentos pode cair à metade em dez anos

Essa é a fonte energética que mais tende a crescer no país. Eólica deslancha e deve assumir o 2º lugar na matriz

Um crescimento explosivo é esperado para os próximos anos na geração de energia eólica e solar, que respondem, respectivamente, por 8,12% e 0,95% da matriz elétrica brasileira. São 568 parques eólicos e mais de sete mil aerogeradores em 12 estados. A solar ainda tem presença incipiente, mas é na qual se espera o maior avanço. O consultor Antonio Bolognesi, da Opperman Engenharia e Consultoria, estima que, com o aumento da demanda por essa fonte, o custo dos equipamentos deve cair à metade em dez anos, impulsionando o crescimento da geração distribuída (feita pelo próprio consumidor).

“Em 2012, havia apenas uma instalação de energia fotovoltaica ligada no sistema. Agora, temos de 40 mil a 50 mil ligações. Nos próximos cinco a dez anos, chegaremos a um milhão” — diz Bolognesi.

A superintendente de Energia do BNDES, Carla Primavera, confirma o potencial de crescimento e diz que o mercado de renováveis tem despertado grande interesse de investidores internacionais. O BNDES foi o primeiro banco brasileiro a emitir Green Bonds, títulos lastreados em projetos de energia eólica e solar. Levantou US$ 1 bilhão — o equivalente a R$ 3,8 bilhões — com a emissão, mas a demanda foi cinco vezes maior.

O avanço dessas duas fontes de energia levanta discussões sobre a necessidade de manutenção dos subsídios. Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), diz que, em breve, a eólica ocupará o segundo lugar na matriz elétrica, superando a energia gerada com biomassa.

Para ela, nenhuma fonte de energia precisa mais de subsídio hoje porque, desde 2013, o Brasil faz leilões de energia por fonte, o que permite que as características de cada uma sejam levadas em conta na precificação. Mas Elbia aponta ser necessária uma reforma estrutural no setor elétrico, para incorporar as inovações tecnológicas recentes.

Já Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSolar) cobra a criação de uma política para essa fonte de energia, por exemplo nos programas de habitação popular e prédios governamentais. Além disso, diz ser preciso desenvolver uma política industrial para fabricar módulos fotovoltaicos no país. Hoje, a carga tributária para a indústria chega a 50%, o que inviabiliza a competição com o produto importado.

Fonte: O Globo | Lucila Soares

CERNE lança portal para dar visibilidade a empresas e fornecedores do setor energético

Ferramenta integra, em um único local, oportunidades de negócios entre compradores e supridores da cadeia produtiva de energia em todo o Nordeste.

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) agora disponibiliza para as empresas uma ferramenta que une demandas e ofertas de bens e serviços no setor energético. A REDE RENOVÁVEIS é um portal integrado de gestão de demandas e ofertas de bens e serviços dos segmentos eólico e solar, que articula oportunidades de negócios entre compradores e supridores da cadeia produtiva no Nordeste.

O lançamento oficial do portal aconteceu durante o III Fórum Onshore Potiguar, em Mossoró, Rio Grande do Norte. “Fomos bastante elogiamos pelos fornecedores em relação à iniciativa”, comemorou o Diretor Setorial de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CERNE e coordenador do Rede Renováveis, Hugo Fonseca.

Foto: CERNE

Encontrar fornecedores confiáveis e conseguir boas referências deles são as principais dificuldades das empresas do setor de energia. Em contrapartida, os empreendedores que prestam serviço às geradoras não conseguem se vender de forma adequada. Segundo Hugo Fonseca, a Rede Renováveis será um canal de geração de negócios no segmentos eólico e solar, induzindo uma melhoria na eficiência das empresas e tornando-as mais competitivas.

“Nesse processo, também espera-se que empresas oriundas de outros segmentos de energia, como petróleo e gás, façam o uso do portal como ferramenta de inserção para novos nichos de mercado, adaptando-se as mudanças na matriz energética e agregando valor à cadeia”, enfatiza o coordenador.

Mesmo com o recente lançamento, a ferramenta já está recebendo acessos de fora do país. “Temos registros de acessos ao portal de oito empresas dos Estados Unidos, três da Inglaterra, um da Espanha, além de 14 empresas brasileiras”, afirma Hugo. No evento, a equipe do portal realizou um trabalho de atendimento individual às empresas, realizando o cadastramento.

Foto: CERNE

Nesta terça-feira, 04 de dezembro, os integrantes da REDE RENOVÁVEIS estarão apresentando o portal e realizando o cadastramento de empresas durante o Workshop para Integradoras e Circuito RN Solar, promovido pelo SEBRAE em parceria com o Banco do Nordeste. O evento acontece das 14 as 19 horas no SEBRAE-RN, Sala 04.

A Rede Renováveis está disponível para cadastro e consultas pelo endereço www.rederenovaveis.com.br

A segunda revolução renovável da América Latina

As energias eólica e solar substituem a hidráulica na matriz elétrica regional

Com a energia hidráulica totalmente incorporada há décadas às matrizes elétricas de algumas das principais potências latino-americanas, com o Brasil à frente, o vento e o sol começam a substituí-la. Moinhos de vento e painéis fotovoltaicos deixaram de ser, em poucos anos, uma raridade nas paisagens da região a ponto de não mais chamarem a atenção, à medida que, gradualmente, ganhavam peso no mix. As cifras ainda são modestas, mas não param de crescer: na última década a capacidade instalada cresceu 8%, acima da média mundial, e o investimento chegou a 54 bilhões de dólares (205 bilhões de reais) nos últimos três anos. E, o que é mais importante, com um potencial ilimitado, mais do que suficiente para tornar a região a nova meca da energia renovável em escala mundial. Para ser claro: ninguém duvida que a transição global passa pela América Latina.

A mudança vem de trás. A América Latina tem há décadas uma matriz energética mais verde do que o restante do mundo, mas, até agora, tinha sido assim exclusivamente pelo aumento de usinas hidrelétricas, especialmente no Brasil, onde 70% da energia elétrica consumida vem de cachoeiras. A má notícia hoje é que a hidrelétrica, que propiciou essa primeira revolução renovável, não atravessa seus melhores dias: seu impacto ambiental e episódios de seca severa — que só devem aumentar sua cadência e potência com o aquecimento global — puseram em xeque sua capacidade de crescimento. A recente decisão da Costa Rica — bem como o Uruguai, um dos seis únicos países do mundo cuja eletricidade consumida é 100% renovável — de cancelar o maior projeto hidrelétrico da América Central é um símbolo da mudança de concepção.

A boa notícia, porém, é que as quedas d’água e os altamente poluentes combustíveis fósseis têm um substituto confiável nas chamadas energias renováveis não convencionais: eólica e solar. “Para chegar aonde queremos, precisamos fazer muito mais, mas há sinais claros de que a transição já está aqui”, diz Juan Roberto Paredes, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Entre as principais economias regionais, o progresso é especialmente relevante no Chile, onde energias renováveis cobrirão 90% da demanda em 2050, e no México, onde, se nada mudar, em 2020 um projeto de energia eólica vai gerar a eletricidade mais barata do mundo e o país chegará a 50% de fontes verdes em 2050. O México conta com uma vantagem adicional sobre os seus vizinhos: tem “acesso preferencial” — nas palavras de Luis Aguirre Torres, diretor-executivo da GreenMomentum — a uma das moléculas de gás mais baratas do mundo, essencial para o desenvolvimento de opções de apoio que cubram a demanda quando as renováveis, por definição intermitentes, não forem suficientes.

Potencial de energia solar em América Latina.
Potencial de energia solar em América Latina.

Chile e México são as histórias de sucesso mais notáveis graças à abertura regulatória, segundo Jorge Barrigh, presidente do Conselho Latino-americano e Caribenho de Energias Renováveis. Mas não os únicos: o Brasil investiu, somente em 2015, mais de 7 bilhões de dólares (27 bilhões de reais) em renováveis não convencionais. Na América Central, Honduras surgiu como uma potência emergente no campo da energia solar e, até o início de sua brutal crise política, a Nicarágua seguia o caminho da vizinha Costa Rica. A Argentina também viu em seus vizinhos Chile e Uruguai o espelho perfeito para projetar sua tardia aposta na energia renovável. E a Colômbia não quer ficar para trás em um nicho fundamental para garantir a soberania energética em um futuro que está, mais do que nunca, bem na esquina. Se os grandes — Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile, responsáveis por quase 80% do consumo de energia de toda a América Latina — avançarem, um bom trecho da estrada terá sido percorrido.

“A região está seguindo um caminho muito interessante”, diz Alfonso Blanco, secretário-executivo da Organização Latino-Americana de Energia (Olade). “Não só na energia eólica e solar, mas também na energia geotérmica, que quase nunca entra na agenda da mídia, mas tem um grande potencial em todos os países do Cinturão de Fogo: do Chile a El Salvador.” A contribuição deste recurso é, por ora, apenas residual, “mas seu potencial é inegável”, completa o chefe da Unidade de Energia e Recursos Naturais da CEPAL na sede sub-regional mexicana, Victor Hugo Ventura, outro otimista — mais um — sobre o futuro verde da região. “A margem de crescimento é tão grande como difícil de calcular.”

Não é por acaso que a América Latina se tornou o novo El Dorado das energias renováveis. Às suas únicas condições naturais — “não há melhores áreas para a eólica do que a Patagônia, a Guajira colombiana e o sul do México, nem melhores regiões para a energia solar do que o norte do Chile e do México e o sul do Peru”, afirma Barrigh — se somam o sentido de urgência: depois de um 2017 marcado por inundações e furacões, a região está na vanguarda das alterações climáticas, e a necessidade de avançar para outro modelo é imperativa. A maioria começa a dar-se conta dos perigos. Se as emissões globais não forem reduzidas drasticamente e o aquecimento global aumentar, 17 milhões de latino-americanos serão forçados a migrar até 2050 por causa da elevação do nível do mar, de furacões e do declínio nas colheitas, de acordo com o Banco Mundial.

Potencial da energia eólica em América Latina.
Potencial da energia eólica em América Latina.

Em meados dos anos 90 — anteontem, por assim dizer, em termos históricos — praticamente ninguém queria trabalhar no setor das energias renováveis na América Latina, enfatiza o diretor de um fundo de investimentos que tem redobrado sua aposta verde na região. Não era atraente: realmente lucrativo era aproveitar as privatizações, especialmente no campo dos hidrocarbonetos. Hoje, o curso mudou. “As energias renováveis agora podem competir com as tradicionais”, diz Marie Vandendriessche, pesquisadora da EsadeGeo. A perda de peso do petróleo a longo prazo é inexorável. E a eólica, a solar e a geotérmica são chamadas a ocupar o seu lugar também nas carteiras dos investidores internacionais: seguindo a maré desta segunda revolução renovável, dezenas de empresas da indústria em todo o mundo se instalaram na região. “Países e empresas se especializam em uma tecnologia ou outra, dependendo de sua localização geográfica”, diz Fernando Branger, especialista em energia do CAF-Banco de Desenvolvimento da América Latina. “Mas todos estão, de uma forma ou de outra, procurando incorporar energia limpa em sua matriz.”

A ascensão de renováveis não convencionais, no entanto, está longe de ser maciça ou uniforme. Apesar do recente furor, a expansão está longe de ser equitativa. O subcontinente se move em várias velocidades e vários desafios — e freios — despontam no horizonte. Financiamentos e interconexões são queixas comuns na boca de especialistas. Mas tem mais. “Continua a haver um problema de mentalidade: em muitos cidadãos e Governos ainda existe uma visão extrativista, de curto prazo. E a cooperação entre os países é muito escassa”, acrescenta Bárbara Valenzuela, professora da Faculdade de Engenharia e Tecnologia da Universidade San Sebastián, do Chile. A corrupção também influencia: “A qualidade institucional é fundamental para o desenvolvimento desses projetos”, conclui. A recente vitória do ultradireitista Jair Bolsonaro no Brasil completa o quadro de riscos: se a maior economia da América Latina afrouxar em sua aposta verde, a revolução renovável de toda a região estará em risco.

Fonte: El Pais | Ignacio Fariza

Capital da 3R Petroleum é 300 vezes menor que valor da cessão

A empresa 3R Petroleum e Participações Ltda., selecionada pela Petrobras para operacionalizar 34 campos maduros de produção de petróleo no Riacho da Forquilha, no Oeste potiguar, tem capital social 303,24 vezes menor que o valor da transação que envolve a cessão dos campos. Conforme dados extraídos da Receita Federal, a 3R Petroleum é enquadrada no porte de ME (microempresa), formada por dois sócios (Ricardo Rodrigues Savini, sócio-administrador; e Daniel Annucaro Lassance Soares, sócio). O capital social informado é de R$ 5.935.838,00. O valor da transação com a Petrobras, que depende de repasse de 7,5% no ato da assinatura do contrato marcado para o próximo dia 7, foi de R$ 1,8 bilhão. O caso chamou atenção de especialistas ligados ao setor.

“Eu não tenho detalhes sobre os sócios, sobre a empresa em si. É uma empresa sem histórico na área de produção de petróleo e não é associada à ABPIP”, declarou o secretário executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Anabal Santos. Questionado sobre o processo que deu origem à escolha da 3R Petroleum como a beneficiada com a cessão dos campos, Santos destacou que a Petrobras cometeu falhas. “Foi um processo mal conduzido. Nós alertamos a Petrobras diversas vezes. Não nos parece razoável que uma empresa faça uma oferta 300 vezes maior que seu patrimônio. É um valor muito elevado”, frisou.

Ainda conforme disposto nas informações da empresa junto à Receita Federal, consta uma alteração cadastral datada de 14 de novembro deste ano. Das 14 atividades econômicas descritas no Cadastro Nacional da Pessoas Jurídica (CNPJ), consta a de que a 3R Petroleum atua nas “atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural”. Adiante, consta que também atua com “reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos”. Uma fonte da TRIBUNA DO NORTE ligada à Petrobras informou que a 3R Petroleum e Participações Ltda. foi constituída há pouco tempo e com o objetivo específico de participar do processo de cessão dos campos terrestres maduros.

No site da empresa (https://3rpetroleum.com/) com versões em inglês e português, consta a informação de que é “uma empresa de Petróleo e Gás recentemente criada com sede no Rio de Janeiro, Brasil, especializada na explotação de campos terrestres, com experiência em implantação de projetos de otimização da produção, estudos de reservatórios e aplicação das melhores práticas da indústria para o gerenciamento de cada campo”. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não consta nenhum número telefônico disponível no referido endereço eletrônico.

Repercussão

No Rio Grande do Norte,  o anúncio da empresa gerou repercussão entre especialistas e economistas. O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean Paul Prates, usou as redes sociais para criticar a Petrobras. “O ciclo de petróleo no RN está fraquejando há tempos, em virtude de teimosias e experiências quanto à formação de empresas locais para suceder a @petrobras. Não temos mais tempo para erros. Fornecedores, trabalhadores e o Estado não podem estar inseguros quanto ao futuro do setor”, escreveu. Noutra postagem, ele destacou que a Agência Nacional de Petróleo deve investigar o caso sob pena de “prevaricação”.

O economista José Aldemir Freire também recorreu às redes sociais para questionar a cessão dos poços. “Eles fizeram uma modificação no último dia 14/11. Eventualmente podem ter entrado novos sócios. Ou eles tem uma engenharia financeira com algum grupo grande. O volume de recursos para recuperar esses campos não é pequeno. Além do R$ 1,8 bilhões na aquisição, terão que investir um valor considerável para aumentar o nível de recuperação do petróleo. Não justifica uma empresa com zero histórico fazer essa aquisição. É um risco”, argumentou.

A Petrobras foi procurada para comentar o processo de seleção, mas não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. “O mercado não conhece o edital. Não sabemos quais são as consequências se a empresa não honrar o contrato. Poderia ter sido um processo melhor”, disse Anabal Santos.

Questionamentos
A TRIBUNA DO NORTE enviou questionamentos à Petrobras, que não os respondeu. Veja abaixo perguntas enviadas relativas à cessão dos poços do Riacho da Forquilha. Sobre o anúncio feito pela Petrobras no início desta semana a respeito da empresa 3R Petroleum, solicito os seguintes esclarecimentos:1. Como se deu o processo de seleção, quais critérios foram analisados e com quantas outras empresas a vencedora concorreu?

2. A empresa vencedora da licitação para exploração dos 34 campos maduros do Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, possui capital social de R$ 5,9 milhões conforme informações da Receita Federal. Como a Petrobras avalia o lastro financeiro das concorrentes a esse tipo de operação para escolher a ideal?

3. A empresa escolhida possui expertise na exploração de poços de petróleo maduros? De que forma ela confirmou isso à Petrobras?

Fonte: Ricardo Araújo | Tribuna do Norte

Presidente do CERNE fala sobre venda de 34 campos terrestres no RN pela Petrobras

O Presidente do Cento de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e futuro Senador da República pelo Rio Grande do Norte (PT/RN), Jean-Paul Prates, comentou a respeito da decisão aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras e anunciada ontem, 27, sobre a cessão da participação total da estatal em 34 campos de produção terrestres, localizados na Bacia Potiguar, para a empresa 3R Petroleum.

O valor da transação é de US$ 453,1 milhões, sendo 7,5% desse valor (US$ 34 milhões) a ser pago na assinatura, prevista para o próximo dia 7 de dezembro, e o restante no fechamento da transação, considerando os ajustes devidos. Em um ano, a exploração dos campos em referência poderá movimentar 151,2 milhões de dólares no Estado.

Segundo Prates, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deverá analisar detalhadamente esta cessão sob pena de prevaricação. “O Senado Federal deverá solicitar esclarecimentos em breve sobre os critérios de escolha usados pela Petrobras para a cessão de 100% de 32 campos e 50% de outros dois, do Polo Riacho da Forquilha, no RN. A microempresa 3R Petroleum ofereceu US$ 453,1 milhões e nunca operou um campo”, afirma.

Para o Presidente do CERNE, o ciclo do petróleo no Rio Grande do Norte está passando por dificuldades há tempos, em virtude de, segundo ele, teimosias e experiências quanto à formação de empresas locais para suceder a Petrobras: “Não temos mais tempo para erros. Fornecedores, trabalhadores e o Estado não podem estar inseguros quanto ao futuro do setor”, ressalta Prates.

A Petrobrás explica que a 3R Petroleum detém “os requisitos necessários para ser uma Operadora C no Brasil de acordo aos critérios da ANP”. Já o texto divulgado no Fato Relevante, afirma que “essa será a primeira operação da 3R Petroleum”. Prates conclui que tais afirmações “deixam insegurança”.

3R Petroleum – informações iniciais sobre a operação

Os planos iniciais da 3R Petroleum – o nome da empresa vem de redesenvolver, revitalizar e repensar – é investir na recuperação de poços inativos e, no curto prazo, elevar a produção de 6 mil barris/dia para 8 mil barris/dia. Em seguida, investir no aumento do fator de recuperação da reservas.

Parte da estratégia foi fechar um acordo de exclusividade com uma empresa de serviços, ainda mantida em sigilo, para oferecer condições comerciais mais favoráveis. A produção, inicialmente apenas de óleo, será vendida para a Petrobras, mas o plano é exportar no futuro e, para isso, há outro acordo de exclusividade com uma comercializadora.

Essas empresas participam da estruturação financeira do negócio. Além da empresa de serviço e da comercializadora, há uma operadora independente.

De acordo com um dos sócios da 3R Petroleum, que falou em condição de anonimato para o Portal especializado em política energética E&P BR, técnicos e executivos envolvidos no projeto têm experiência com redesenvolvimento de campos maduros e atuaram na Pérez Compac, empresa argentina comprada pela Petrobras em 2002, que também tinha ativos em outros países, como Bolívia, Peru, Equador e Venezuela.

A operação inclui os campos de Acauã, Asa Branca, Baixa do Algodão, Boa Esperança, Baixa do Juazeiro, Brejinho, Cachoeirinha, Cardeal, Colibri, Fazenda Curral, Fazenda Junco, Fazenda Malaquias, Jaçanã, Janduí, Juazeiro, Lorena, Leste de Poço Xavier, Livramento, Maçarico, Pardal, Patativa, Pajeú, Paturi, Poço Xavier, Riacho da Forquilha, Rio Mossoró, Sabiá, Sabiá Bico de Osso, Sabiá da Mata, Sibite, Três Marias, Trinca Ferro, Upanema e Varginha. São 100% Petrobras, com exceção de Cardeal e Colibri (Partex tem 50% e opera) e Sabiá da Mata e Sabiá Bico-de-Osso (Sonangol tem 30% e opera).

Surpreendeu
Empresas com foco em terra estiveram reunidas em Mossoró (RN), para o Fórum Onshore Potiguar, e muitos foram pegos de surpresa quando foi revelado que o negócio foi acertado com a 3R Petroleum, uma empresa pouco conhecida no setor  – já havia uma expectativa que algum fechamento relacionado ao projeto Topázio seria anunciado esta semana.

A conclusão desses negócios significará uma nova escala para o mercado de campos maduros no Brasil, tanto em terra quanto em águas rasas.

Fonte: CERNE Press com informações E&P Br

 

Novos perfis de consumo e oferta de energia são debatidos no Power Future Symposium

Atender consumidores de energia de modo eficiente e sustentável foram algumas das questões que nortearam o Power Future Symposium – Simpósio Brasileiro Sobre o Futuro da Energia, realizado nesta quarta-feira, 28 de novembro, no auditório do SENAI da Barra do Ceará, em Fortaleza.

O evento reuniu especialistas, profissionais e estudantes para discutir vários aspectos relativos à energia no Brasil e no mundo, abordando desafios e oportunidades diante das transformações tanto do ponto de vista da oferta quanto em relação ao consumo de energia. O simpósio é uma preparação para a próxima edição do All About Energy, que ocorrerá em 2019.

O diretor regional do SENAI Ceará, Paulo André Holanda, abriu o evento destacando que o SENAI Ceará oferece atualmente seis cursos ligados à área de energia e essa oferta será ampliada no ano que vem através de uma parceria com a Enel, com a disponibilização de mais de 15 cursos de excelência para a formação de mão-de-obra para a operação de novas tecnologias, especialmente transformadores e medidores inteligentes. Segundo ele, a formação de profissionais para a área é essencial para o desenvolvimento do setor.

Após a abertura, o Diretor Setorial de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE e um dos coordenadores do evento, Olavo Oliveira, deu início à programação de palestras do simpósio, falando sobre o papel e a importância do Nordeste no crescimento da participação das energias renováveis na matriz energética brasileira. Em seguida, o coordenador do Núcleo de Energia da FIEC, Joaquim Rolim, fez uma apresentação sobre o futuro da distribuição de energia elétrica e os recursos energéticos distribuídos. Também foram discutidos temas como micro redes, cidades inteligentes e veículos elétricos.

“Nesta edição procuramos abordar as tendências e oportunidades de negócios envolvendo setor energético, bem como novas ferramentas de mobilidade urbana e inovações tecnológicas que irão impactar no consumo e oferta de energia”, explicou Oliveira.

O encontro é realizado pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e a All About Eventos e conta com patrocínio do Banco do Nordeste, do Comitê de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Ceará – SENAI/CE.

Fonte: CERNE Press

 

 

Petrobras aprova venda de 34 campos terrestres no Rio Grande do Norte

As concessões são campos maduros em produção há mais de 40 anos, com ampla dispersão geográfica, localizados a cerca de 40 km ao sul de Mossoró. Os campos foram reunidos em um único pacote denominado Polo Riacho da Forquilha.

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na última terça-feira, 27, a venda de 34 concessões em campos de petróleo para a empresa 3R Petroleum. Segundo a companhia, o valor da transação é de US$ 453,1 milhões, sendo 7,5% desse valor (US$ 34 milhões) a ser pago na assinatura, prevista para o dia 07 de dezembro, e o restante no fechamento da transação, considerando os ajustes devidos.

As 34 concessões são campos maduros em produção há mais de 40 anos, com ampla dispersão geográfica, localizados a cerca de 40 km ao sul da cidade de Mossoró-RN. Os campos foram reunidos em um único pacote denominado Polo Riacho da Forquilha, cuja produção atual é de cerca de 6 mil barris de petróleo por dia. Segue abaixo a lista do pacote:

Acauã (AC), Asa Branca (ASB), Baixa do Algodão (BAL), Boa Esperança (BE), Baixa do Juazeiro (BJZ), Brejinho (BR), Cachoeirinha (CAC), Cardeal (CDL), Colibri (CLB), Fazenda Curral (FC), Fazenda Junco (FJ), Fazenda Malaquias (FMQ), Jaçanã (JAN), Janduí (JD), Juazeiro (JZ), Lorena (LOR), Leste de Poço Xavier (LPX), Livramento (LV), Maçarico (MRC), Pardal (PAR), Patativa (PAT), Pajeú (PJ), Paturi (PTR), Poço Xavier (PX), Riacho da Forquilha (RFQ), Rio Mossoró (RMO), Sabiá (SAB), Sabiá Bico de Osso (SBO), Sabiá da Mata (SDM), Sibite (SIB), Três Marias (TM), Trinca Ferro (TRF), Upanema (UPN) e Varginha (VRG).

Todas as concessões são 100% Petrobras à exceção dos campos de Cardeal e Colibri onde a Petrobras detém 50% de participação tendo a Partex como operadora com 50% de participação, e os campos de Sabiá da Mata e Sabiá Bico-de-Osso onde a Petrobras tem 70% de participação tendo a Sonangol como parceira e operadora com 30% de participação.

A 3R Petroleum passará a operar os ativos a partir do fechamento da transação, que está sujeita à assinatura dos contratos, ao cumprimento das condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, tais como a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e eventual direito de preferência.

Este projeto foi fruto de processo competitivo e faz parte do Programa de Parcerias e Desinvestimentos da Petrobras, estando alinhada ao Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, que prevê a contínua gestão de portfólio, com foco em investimentos em águas profundas no Brasil.

A presente divulgação ao mercado está em consonância com a Sistemática para Desinvestimentos da Petrobras e alinhada às disposições do procedimento especial de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, previsto no Decreto 9.355/2018.

Sobre a 3R Petroleum

A 3R Petroleum é uma empresa brasileira de óleo e gás com atuação focada na América Latina. Essa será a primeira operação da 3R Petroleum e a empresa preenche os requisitos necessários para ser uma Operadora C no Brasil de acordo aos critérios da ANP.

A 3R Petroleum conta, em seus quadros, com executivos com extensa experiência em operação de campos maduros e aumento de produção e reservas em países como Venezuela, Argentina, Brasil, Peru, Equador e Bolívia. Conta também, em sua estruturação financeira, com a parceria de grandes empresas globais, como uma companhia de trading de classe mundial, uma empresa internacional de serviços petrolíferos e uma operadora independente.

Petrobras no Rio Grande do Norte

A Petrobras desenvolve atividades diversas no Rio Grande do Norte, incluindo exploração e produção de óleo e gás em terra, em águas rasas e águas profundas, refino e comercialização de óleo, gás e derivados, além de produzir energia por meio de uma usina termelétrica.

Em leilão realizado em março desse ano, a companhia adquiriu três blocos exploratórios na Bacia Potiguar, destacada fronteira exploratória em águas profundas no Brasil. Os blocos estão próximos da descoberta de Pitu, onde a Petrobras já perfurou dois poços e os resultados estão sendo analisadas para melhor conhecimento da área. Entre os novos projetos que a companhia prevê desenvolver no Estado, está ainda o de uma planta-piloto para produção de energia eólica offshore, que será a primeira do Brasil.

A companhia também irá continuar a investir nas concessões que ficarão sob sua responsabilidade no Rio Grande do Norte, buscando aportar tecnologias e métodos que maximizem o fator de recuperação. Entre as iniciativas nesse sentido está a licitação para aporte tecnológico no polo de Canto do Amaro, atualmente em andamento. Trata-se de um contrato de prestação de serviço para a revitalização de campos terrestres. Pelo contrato, a empresa vencedora fará investimentos e aportará conhecimento e tecnologias com o objetivo de elevar o fator de recuperação dos campos e, assim, aumentar o retorno para a Petrobras. Essa é a primeira vez que a companhia utiliza esse modelo de negócio e, a partir dos resultados alcançados, avaliará a aplicação em outros projetos.

Fonte: Jornal De Fato com informações da Petrobras/G1