Distribuidoras do NE lançam chamada pública para buscar supridor alternativo

Diante da perspectiva de redução gradual da participação da Petrobras na cadeia de gás natural, um grupo de sete distribuidoras de gás do Nordeste decidiu lançar, no próximo dia 14, de maneira coordenada uma chamada pública para recebimento de propostas para aquisição de gás natural, numa estratégia visando diversificar a compra de suprimento, hoje centrada na estatal brasileira de petróleo. A iniciativa reúne as distribuidoras dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe (Algás, Bahiagás, Cegás, Pbgás, Copergás, Potigás e Sergás, respectivamente), somando um volume potencial de aquisição de 9,4 milhões de metros cúbicos diários de gás. Apesar do “esforço coordenado”, a iniciativa não resultará em compra conjunta de gás natural. Cada companhia lançará seu próprio edital e realizará a aquisição de forma individual.

“A diversificação de supridores é fundamental para as distribuidoras saírem da dependência da Petrobras. Além da chamada pública, o Estado do Rio Grande do Norte também acredita na viabilidade da produção do Biogás utilizando matrizes provenientes das atividades locais, como criação de camarão em cativeiro, do setor sucroenergético e até mesmo da decomposição de matéria orgânica, para obtenção do combustível”, explicou Beto Santos, Diretor Presidente da Potigás.

O Rio Grande do Norte possui hoje 413 mil metros de gasodutos de distribuição para atender 22.112 clientes nos segmentos residencial, comercial, industrial e automotivo, com a distribuição de 313 mil metros cúbicos por dia de gás natural canalizado. Fora do eixo Rio-São Paulo, a região Nordeste tem o maior mercado do setor de distribuição de gás. As distribuidoras da região atendem juntas 215 mil clientes, em 98 cidades, e possuem 3.616 quilômetros de rede de distribuição, com mais de 12 milhões de metros cúbicos vendidos por dia, o que equivale a aproximadamente de 15% a 20% do consumo nacional. Individualmente, porém, algumas das distribuidoras poderiam não atrair a atenção de grandes players, o que o grupo espera que aconteça ao lançar a iniciativa conjunta.

Pelas regras da chamada pública, ficou estabelecido que será responsabilidade do ofertante, na negociação com as distribuidoras, garantir a entrega de gás no ponto de entrega de cada concessionária, o que exigirá negociações com potenciais terceiros para acesso a terminais de regaseificação e outras infraestruturas, condição que George Ventura, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), admite que pode ser um entrave para alguns interessados. Ainda assim, o grupo trabalha com um cronograma inicial de apresentação das propostas até novembro e potenciais assinaturas de contratos entre janeiro e fevereiro. O início de suprimento possivelmente será acertado a partir de janeiro de 2020. A data leva em consideração que grande parte dessas empresas tem contrato de suprimento com a Petrobras até dezembro de 2019.

*Com informações da Agência Estado

CERNE oferece capacitação em energia solar fotovoltaica

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até o dia 14 de setembro para o Curso de Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica – Tecnologia, Projetos e Aplicações. As aulas terão início no dia 15 de setembro, na UnP Unidade Nascimento de Castro.

O curso tem carga horária total de 20 horas acontecerá durante três sábados (15/09, 22/09 e 29/09). Os conteúdos vão abordar a introdução à energia solar, características da fonte, fundamentos e tecnologias, componentes dos sistemas fotovoltaicos, conexões à rede elétrica e eficiência energética, dentre outros temas.

As inscrições podem ser feitas pela plataforma e-Labora, clique aqui. Outras informações podem ser obtidas diretamente pelo telefone (84) 4009-1440 ou (84) 2010-0340.

Fonte: CERNE Press

Geração eólica sobe 16% no primeiro semestre de 2018

A geração de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional – SIN, ao final do primeiro semestre de 2018, cresceu 16% em relação ao mesmo período de 2017. A informação consta na última atualização do boletim InfoMercado mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

As usinas eólicas somaram 4.098 MW médios entregues entre janeiro e junho frente aos 3.534,5 MW médios gerados no ano passado. A representatividade da fonte em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do Sistema alcançou 6,5% neste ano. A fonte hidráulica, incluindo as PCHs, foi responsável por 76,5% do total e as térmicas responderam por 17%.

Ao final do primeiro semestre, a CCEE contabilizou 518 EOLs em operação comercial no país, somando 13.180,7 MW de capacidade instalada, incremento de 19,8% frente aos 11.001 MW de capacidade das 435 unidades geradoras existentes um ano antes.

A análise da Câmara de Comercialização indica que, por estado, o Rio Grande do Norte segue como maior produtor de energia eólica no país com 1.110,3 MW médios de energia entregues no primeiro semestre. Na sequência, aparecem a Bahia com 1.013,3 MW médios produzidos, o Rio Grande do Sul com 546,1 MW médios, o Piauí com 516,9 MW médios e o Ceará com 505,2 MW médios

Os dados consolidados da CCEE, em junho de 2018, confirmaram ainda o estado do Rio Grande do Norte com a maior capacidade instalada, somando 3.592,25 MW, Em seguida aparece a Bahia com 2.848,24 MW, o Ceará com 2.249 MW, o Rio Grande do Sul com 1.777,87 MW e o Piauí com 1.443,10 MW de capacidade.

Fonte: Canal Energia

‘Nova’ Aneel tenta tenta cortar subsídios a fontes eólica e solar

Daniel Rittner | Valor Econômico

O novo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone da Nóbrega, aponta um desafio para o mandato de quatro anos que assume hoje à frente do órgão regulador: conter a escalada de subsídios jogados nas costas dos consumidores e responsável, em boa parte, pelo aumento de tarifas nos últimos anos.

E o principal alvo na mira de Pepitone já foi escolhido: as subvenções dadas para geradores e consumidores de fontes incentivadas de energia (basicamente eólica e solar). Esses incentivos já representam praticamente metade de todas as despesas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o “superfundo” que banca subsídios do setor, cujo orçamento para este ano foi revisado na semana passada e chega a estratosféricos R$ 19,7 bilhões.

Os recursos da CDE para dar mais competitividade à energia eólica e solar deram um salto em pouco tempo. Eram R$ 4 bilhões em 2013 e vão atingir R$ 8,7 bilhões neste ano. Sem nenhuma perspectiva de controle e com tudo indo parar nas contas de luz.

Grosso modo, cada bilhão adicional de despesa da CDE se reflete em aumento perto de um ponto percentual para os consumidores finais, numa dinâmica perversa que fez as tarifas subirem.

O novo chefe da Aneel, que toma posse hoje à tarde em cerimônia no Ministério de Minas e Energia (MME), adverte: a lei não estabelece prazo final para a concessão dos incentivos e o valor deve aumentar ainda mais com a tendência de ampliação do mercado livre. “Se não fizermos nada, [os subsídios] vão continuar crescendo”, disse Pepitone ao Valor.

Engenheiro civil de 44 anos, formado pela Universidade de Brasília (UnB), funcionário de carreira da Aneel e diretor por dois mandatos consecutivos, ele agora substitui Romeu Rufino no comando da agência e se torna o rosto mais visível de um novo grupo de reguladores. “O maior desafio para a nova composição da diretoria colegiada são as tarifas cobradas dos consumidores.”

Dois diretores assumiram no fim de maio. Outros dois, incluindo Pepitone, iniciam seus mandatos hoje. Fica faltando uma troca na cúpula da agência – o que deve ocorrer neste ano.

Para ele, a questão dos subsídios é fundamental. “Estamos em um momento de fazer essa reflexão com a sociedade. O desconto [para fontes incentivadas] é uma política pública assegurada em lei. Será que não é o momento de discutir com o Congresso Nacional se esse subsídio ainda se faz necessário?”, questionou, na véspera de sua posse.

“Temos que pensar na justeza do subsídio. Em um momento inicial, ele pode se mostrar realmente necessário, mas será o caso para fontes que já estão consagradas na matriz?”, acrescenta o novo diretor-geral. Em sua análise, propostas de solução como repassar a conta para o Tesouro Nacional são falsas, porque no fim “sai tudo do mesmo bolso”.

Parece redundância, mas trata-se de uma alusão à MP 579, a polêmica medida provisória assinada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 11 de setembro de 2012 – dia que é chamado ironicamente de “11 de setembro do setor elétrico” pelos investidores devido à extensão dos desajustes causados. O ônus de pagar os subsídios saiu das tarifas e foi direto para o colo dos contribuintes. Outro ponto que ele diz não aceitar é rever os incentivos pactuados para contratos do passado. “Um pilar básico para a gente é a estabilidade regulatória e a segurança jurídica.”

Pepitone acha urgente, no entanto, uma discussão em torno do futuro dos subsídios. Até porque o mercado livre – aquele no qual grandes consumidores, como indústrias e shopping centers, podem buscar fornecimento em qualquer gerador e não ficam atados à distribuidora local de energia – tem crescido fortemente. O novo marco regulatório do setor elétrico, desenhado pelo MME e atualmente em tramitação como substitutivo na Câmara dos Deputados, prevê a ampliação gradual do mercado e sua abertura completa até 2026.

As subvenções para fontes incentivadas já alcançam valor 64% acima dos gastos de R$ 5,3 bilhões em 2018 com a compra de combustíveis para os sistemas isolados, na rubrica conhecida como CCC pelo setor elétrico, que vinham ocupando até agora o posto de vilão na conta dos subsídios.

Apesar da preocupação com as tarifas, Pepitone sugere um olhar mais prolongado. Segundo ele, de 2001 a 2017, as contas de luz tiveram alta de 190%. O IGP-M, a inflação do aluguel, subiu 215%.

Nos últimos anos, além da explosão no orçamento da CDE, o diretor menciona a hidrologia desfavorável e a desvalorização do real como fatores que pressionam as tarifas. A energia da usina binacional de Itaipu é cotada em dólar e tem reflexo no “mix” de energia comprada pelas distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já a escassez de chuvas e a queda no volume dos reservatórios fizeram o acionamento das térmicas, mais caras, ficar acima do normal. “Há uma conjunção de questões desfavoráveis.”

Pepitone não isenta, porém, a responsabilidade do poder público. A transferência do risco hidrológico para os consumidores, no caso das usinas que tiveram suas concessões renovadas em 2012 e hoje operam pelo regime de cotas, encareceu as tarifas em uma frente. Em outra, o atraso na venda de distribuidoras administradas pela Eletrobras onerou os consumidores em mais R$ 670 milhões apenas com o adiamento da privatização do primeiro para o segundo semestre do ano.

Ele defende o leilão. “Historicamente as empresas estatais têm demonstrado dificuldade em entregar o dinamismo exigido pelo segmento de distribuição”, opina, com a convicção de que o controle das empresas pela iniciativa privada permitiria melhorar índices de qualidade do serviço e até queda nas tarifas.

Como fator de pressão positivo nas contas de luz, a partir do próximo ano, Pepitone lembra que finalmente estará amortizado um empréstimo de R$ 14 bilhões (em valores corrigidos) tomado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para resolver os problemas financeiros das distribuidoras em 2013. Os consumidores pagavam R$ 3,7 bilhões por ano nas suas tarifas para quitar a dívida. Sem isso, os reajustes de cada empresa poderão ser atenuados.

Vento, pastor da curva do mar

No oceano, a força para a sustentabilidade do planeta

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é um plano de ação colaborativo para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, tendo como alicerce o fortalecimento da paz universal. Levando em consideração o esgotamento dos recursos naturais e a degradação ambiental, exemplificados pela desertificação, secas, escassez de água doce e perda de biodiversidade, além da mudança climática e o aumento na temperatura global, que arriscam a sobrevivência de sociedade e de sistemas biológicos, foi criado o sétimo ODS relativo à energia limpa e acessível, a fim de “assegurar acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos e todas”.

Entre as intenções do objetivo, estão aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global, fomentar a cooperação internacional e a infraestrutura para a produção de pesquisas e tecnologias de energias limpas – fontes naturalmente reabastecidas e que não lançam poluentes na atmosfera. Atualmente, as principais formas de produção energética limpa são a energia eólica, solar, maremotriz, geotérmica, hidráulica e nuclear, as quais ainda causam impactos ambientais; porém, não interferem na poluição em nível global.  Dessas matrizes energéticas citadas, a Energia Eólica consiste em uma torre com hélices presas, que captam a energia mecânica produzida pelo vento e, em seguida, há a transformação em energia elétrica. Hoje, essa estrutura é instalada em terra, conhecida como “onshore”, e no mar, chamada de “offshore”.

O mercado brasileiro está crescendo em termos de energia eólica onshore, mas a offshore ainda não foi desenvolvida no país. Levando em consideração que a implantação de usinas em terra pode causar alteração na paisagem, poluição sonora, interferência em transmissões de rádio e televisão, nasceu a necessidade de investir na modalidade de eólica no mar, fato que levou países como a Dinamarca, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e Holanda a desenvolver o formato marítimo.

Diante desse novo cenário, a Petrobras criou o Projeto Piloto para a Implantação de Usina Eólica Offshore no Brasil e convidou o grupo de pesquisa “Criatividade e Inovação de Produtos e Processos de Energia Renovável” (Criação) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para participar da iniciativa. Com a função de oferecer informações sobre a viabilidade técnico-econômica e detalhes de infraestrutura e logística, o projeto é coordenado pelo professor do Departamento de Engenharia de Produção (DEP), Mario Orestes Aguirre Gonzalez. O docente conta que o convite surgiu devido à expertise da base de pesquisa, que hoje tem quase 20 dissertações relacionadas às matrizes energéticas eólica e solar, com apresentações em eventos internacionais, como no Japão, Suécia, Inglaterra e Alemanha.

Além da UFRN, a iniciativa envolve outras instituições de ensino brasileiras, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável por informações sobre a distribuição de eletricidade, e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que ficou com a análise do recurso vento, além do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGás-ER) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo o diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean Paul Prates, o Rio Grande do Norte é o maior gerador de energia eólica do país, com a maior capacidade instalada e número de parques, sendo líder e referência nacional. “O debate da eólica offshore estava um pouco adormecido aqui porque diziam que temos muito potencial onshore a ser explorado e que a tecnologia do mar é mais cara. Na nossa visão, realmente ainda há um potencial em terra a ser desenvolvido, mas, isso não pode ser empecilho para abrir uma nova fronteira, que é completamente diferente do ponto de vista tecnológico”. Ele complementa apontando cuidados a serem tomados na modalidade de eólica no mar, como a criação de um marco regulatório, para concessão de uso e de licenciamento ambiental, por exemplo.

Mario Orestes Aguirre Gonzalez relata que as análises vão durar o período de três anos, com previsão de término em 2020, e atualmente a equipe está verificando qual a infraestrutura do Brasil que pode favorecer a implantação da indústria eólica offshore. O trabalho começou com o mapeamento das tecnologias utilizadas no mundo, depois analisou a estrutura e a cadeia de valor – atividades desempenhadas até a fase da distribuição final do produto. Após isso, uma pesquisa de campo entre os estados do RN e do CE, onde foram feitas fotografias para fundamentar o relatório. Além do mais, a pesquisa requer conhecer como ocorreu o desenvolvimento da tecnologia em outros países, com os precursores da área, que são Dinamarca, Reino Unido e Alemanha. Na opinião de Gonzalez, além das questões ambientais, há vantagens econômicas na eólica marítima. “Em 2014, o preço do quilowatt por hora estava saindo a cerca de 800 reais e, em setembro de 2017, baixou 75%. A tendência é que caia mais e torne-se a energia mais competitiva”, analisa, sobre a redução de custo da energia eólica.

Energia Eólica

A energia eólica é obtida por meio da velocidade do vento e sua constância, ou seja, da energia cinética, que vira energia mecânica, com o movimento das pás da torre, e depois é transformada energia elétrica. Na parte de tecnologia, a Dinamarca é o berço dos componentes da estrutura, mas, na parte de implementar e gerar a eletricidade, o Reino Unido se destaca. Os Estados Unidos implantaram o primeiro parque eólico offshore ano passado, Japão faz uso da matriz há seis anos e seguem na corrida tecnológica países como a Coreia do Sul, China, Holanda.

Conforme a ABEEólica, em 2017, foram registradas 508 usinas eólicas instaladas no Brasil, com capacidade de 12,77 GW, o que levou à redução de 20,97 milhões de toneladas de dióxido de carbono, equivalente à poluição produzida por cerca de 16 milhões de automóveis, ou seja, mais que duas vezes a frota de veículos de passeio da cidade de São Paulo. No ano passado, os estados com maior capacidade instalada foram Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará. Já em termos de geração por estado, o RN se destacou na liderança ao longo de 2017.

Criação

“Criatividade e Inovação de Produtos e Processos de Energia Renovável” (Criação) foi idealizado em 2010 e iniciou suas atividades de ensino, pesquisa e extensão em 2011. Ligado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PEP), conta com a participação de 42 alunos, sendo 16 entre mestrandos e doutorandos, além de estudantes das graduações em Engenharia Mecânica, Meteorologia, Engenharia Elétrica, Design, Engenharia de Materiais e Psicologia. O grupo tem o objetivo de desenvolver novos produtos, processos e energias renováveis, com foco nas necessidades da sociedade.

Fonte: Williane Silva | Ascom/Reitoria UFRN

Com queda de preço da energia solar, estados buscam atrair investimentos

A energia solar ainda representa uma parcela mínima da geração elétrica do Brasil, mas, com a queda nos preços, ganha a atenção de governos estaduais em busca de investidores.

Hoje, a fonte responde por apenas 0,8% da potência instalada de todo o país.

Desse total, 80,8% se concentra em três estados: Bahia, Piauí e Minas Gerais, segundo a Absolar (associação da indústria solar fotovoltaica).

Nos próximos anos, com a entrega de usinas que estão em construção, essa concentração deverá cair para 68%.

Ainda assim, muitas regiões com forte irradiação e alto potencial de geração seguem pouco exploradas, e seus gestores têm buscado se estruturar para atrair grandes projetos de companhias da área.

Tocantins, por exemplo, acaba de lançar um mapeamento indicando as áreas com maior potencial de geração no estado.

Há dois anos, quando começaram a se intensificar as visitas de empresários do setor ao estado, para analisar potenciais empreendimentos na região, o governo não tinha dados, afirma Rubens Brito, subsecretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

O objetivo do estudo é facilitar a atração desses investidores. A meta é que, até 2030, 25% da energia consumida no estado seja de fonte solar.

“O Tocantins é um estado novo, no passado as prioridades eram outras. Temos uma usina em construção e queremos ampliar esse número”, diz o secretário Leonardo Cintra.

Um dos principais gargalos é a disponibilidade de linhas de transmissão para levar a energia aos centros consumidores, afirma Antonio Celso de Abreu Jr., subsecretário de energias renováveis do estado de São Paulo —que representa 9,4% da potência atual.

“O fato de estados terem forte insolação não significa que há escoamento”, diz.

Na Paraíba, cujas primeiras usinas de grande porte ainda estão em construção, o problema deverá ser resolvido em 2021, quando linhas de transmissão contratadas em 2017 deverão ficar prontas, segundo Robson Barbosa, secretário-executivo de energia do estado.

Segundo ele, as usinas solares demoraram a avançar devido a seu alto custo, que só começou a cair recentemente.

“A fonte solar vive hoje o que viveu a eólica no passado: um barateamento e uma maior maturação. É uma alternativa que vai disparar, e o estado está pronto para receber esses empreendimentos”, diz.

No leilão de energia de 2015, o preço médio da energia solar negociada foi de R$ 297 por MWh (megawatt-hora). Neste ano, os valores ficaram entre R$ 117 e R$ 118 por MWh.

Além da construção de grandes usinas, que depende da realização de leilões pelo governo, outro propulsor da fonte solar tem sido a chamada de geração distribuída —em que consumidores geram a energia em casa, com painéis fotovoltaicos em seus telhados.

Esses geradores domésticos somavam 270,9 MW (megawatts) de potência instalada em maio deste ano, contra 13,8 MW no fim de 2015, segundo a Absolar.

Nesse segmento, os fatores que impulsionam o mercado são distintos: mais até do que a irradiação, pesa a economia que o gerador doméstico consegue, já que a energia gerada dá descontos na conta de luz.

Mina Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul concentram 50,3% da potência total desse tipo de geração.

“Quanto maior a tarifa da distribuidora, maior o incentivo para buscar formas de baratear a conta”, diz Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar.

Outro fator é a renda da população, que influencia na capacidade de fazer o investimento inicial dos painéis, diz Barbosa. “Não é uma questão estadual, e sim de classe.”

Fonte; Thais Hirata | Folha de São Paulo

Eólicas devem ultrapassar térmicas em geração no Ceará

As usinas eólicas já são a segunda maior fonte geradora de energia no Ceará, com previsão de ultrapassar a produção das termoelétricas em breve. Hoje as eólicas correspondem a 47,54% do total gerado no Estado, com 1,9 mil MW de potência instalada. Já as térmicas representam 52,3%, com 2,1 mil MW de potência. No País, os ventos ainda sopram para se transformarem na segunda maior fonte geradora de energia a partir do próximo ano, somente atrás da eletricidade das hidrelétricas.

As usinas eólicas, que até meados de 2010 eram vistas como “experimentos” do setor elétrico, entraram de vez para a base de sustentação de abastecimento do País, e menos de uma década depois respondem por 8,5% da potência instalada em território nacional.

Nestes meses de agosto e setembro, período que já passou a ser conhecido como a “safra dos ventos”, as usinas eólicas têm batido recordes. É quando a ventania ganha ainda mais força nas Regiões Nordeste e Sul do País, onde hoje giram 6,6 mil cataventos espalhados por 534 parques eólicos. “Com a expansão de projetos já contratada, as eólicas devem ultrapassar a geração térmica e a biomassa em 2019 ou, no máximo em 2020”, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Consumo

Hoje, 64% do potencial elétrico nacional vem de turbinas de hidrelétricas. As usinas a biomassa representam fatia de 9,2%, mas as eólicas já são 8,5% da matriz e crescem a um ritmo superior a 20% ao ano, muito acima das demais fontes.

No dia a dia do consumo, porém, a presença dos ventos tem sido superior. É justamente no período seco – de abril a novembro, quando a maior parte dos reservatórios precisa ser preservada – que a ventania ganha mais força. Nas últimas semanas, uma média de 14% da energia que abastece todo o País tem sido retirada de torres eólicas. Uma semana atrás, os cataventos suportaram 72% da energia consumida por todo Nordeste.

Para o governo, que há quatro anos não consegue licitar mais nenhuma grande hidrelétrica por causa do forte impacto ambiental, as fontes eólicas passaram a aliviar a pressão sobre o abastecimento e tornaram a geração menos dependente dos barramentos de rios.

Fonte: Diário do Nordeste

Uso de fonte eólica garantirá nível maior de reservatórios no Nordeste, diz ONS

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, informou que uma mudança na operação do sistema, poupando as hidrelétricas e utilizando mais a fonte eólica, fará com que os reservatórios do Nordeste encerrem 2018 com melhor nível do que no ano passado, quando chegaram a cair para 5,5%.

Segundo Barata, na região Nordeste os reservatórios devem encerrar 2018 em torno dos 30%, enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste, que formam o subsistema com maior volume de energia hidrelétrica do País, vão repetir a performance de 2017 e registrar, no final de novembro, nível em torno dos 18% a 20%.

“Uma melhor gestão hídrica do Rio São Francisco possibilitou reter água na hidrelétrica de Sobradinho”, explicou Barata, após participar de debate na Brazil Windpower 2018.

Sobradinho foi um dos reservatórios mais atingidos pela estiagem do ano passado. Em agosto 2017, o nível da hidrelétrica chegou a 10%, o pior registro na história do empreendimento para um mês de agosto.

Térmicas no Nordeste

Barata descartou ainda qualquer problema de abastecimento de energia elétrica no País e afirmou que ainda estão sendo feitos estudos para um possível leilão exclusivo de termelétricas na região Nordeste, para substituir térmicas a óleo diesel e combustível por gás natural, uma fonte menos poluente.

“Temos que estudar. Fazer qualquer coisa agora significa que vai ter impacto daqui a quatro anos. A tese é olhar com profundidade a questão, não é uma decisão de curto prazo”, disse o executivo.

Ele confirmou que a substituição de térmicas poluentes do Nordeste significa a geração de cerca de 3 gigawatts, como antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

Governo não quer renovar térmicas a óleo e diesel

Contratos das usinas no Nordeste têm contratos chegando ao fim, principalmente entre 2022 e 2024, e estudo apontará o que deverá ser feito com esses ativos

As discussões acerca da contratação de usinas térmicas na região Nordeste está sob estudo do governo. Uma decisão sobre o tema não foi tomada mas a indicação é de que aquelas usinas mais antigas cujo vencimento de contratos ocorrem entre 2022 a 2024, principalmente, não deverá ser renovado, o que pode abrir espaço para novas centrais que custam menos como as movidas a gás natural, uma vez que essas antigas têm como combustível o diesel e óleo combustível, mais caras e poluentes.

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, afirmou após sua participação no Brazil Windpower 2018 que esse burburinho da contratação de mais térmicas foi apenas citado na reunião do CMSE que indicou a necessidade de estudo desse assunto ao avaliar cenários futuros.

“Existe um possível problema de qualidade e de segurança na operação do submercado Nordeste e que precisa ser endereçado. O que vamos fazer é avaliar cenários para verificar a necessidade de termos mais térmicas na operação daquela região ou se já contratamos o necessário para trazer essa segurança que a região necessita”, comentou ele.

Essas térmicas estão com vencimento a partir de 2022, concentrado até 2024. Na avaliação de Azevedo, somadas essas centrais, que possuem esse atributo de trazer segurança no abastecimento da demanda no Nordeste, formam um bloco mais relevante de capacidade instalada. Mas que, individualmente são de menor porte. Por isso, relatou ele, as usinas estão no alvo de estudos que o governo está desenvolvendo para checar o que fazer no futuro. As térmicas que serão contratadas possivelmente no A-6 deste ano não visam atender a esses encerramentos de contratos.

A resposta que o governo procura, disse o representante do governo, é verificar qual a saída para essa capacidade que será descontratada. “A melhor solução é termos mais térmicas, armazenamento ou resposta da demanda? Eu não sei a resposta, mas nossa intenção é de não renovar essas usinas, vamos pensar no que fazer e propor ao novo governo, no limite, se não tivermos a solução até lá, é possível que se possa recontratá-las, mas isso dois anos antes apenas”, destacou.

Ele finalizou ao indicar que o governo quer deixar claro um critério e metodologia de forma clara a refletir a decisão técnica e não política sobre este tema e sobre as perspectivas de leilões futuros.

 

Fonte: Mauricio Godói | Canal Energia

Energia eólica pode liderar a transição energética do Brasil

Durante a semana do Brazil Windpower 2018, a principal publicação internacional do setor reuniu lideranças setoriais no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. 

(Tradução livre da matéria original de Alexandre Spatuzza e Gareth Chetwynd publicada na Recharge News de 08 de agosto de 2018)

A mesa-redonda Recharge Thought Leaders Roundtable debateu como a energia eólica pode enfrentar os desafios do setor de energia em mudança se a indústria e  governo tiverem suas estratégias certas.

“A energia eólica está preparada para liderar a transição energética no Brasil – contanto que a indústria invista em inovação e o governo mude os regulamentos para enfrentar os desafios que o crescimento das energias renováveis ​​criou para o setor de energia do país.

Essas foram as principais conclusões da Mesa Redonda Recharge Thought Leaders Roundtable, organizada pela Recharge no Rio de Janeiro em parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica ABEEólica e com a participação de líderes do setor.

“As necessidades do mercado são a claras: precisamos fornecer energia mais acessível e confiável para todas as categorias de consumidores”, disse Xuan Liang, gerente geral da fabricante chinesa Goldwind para a América Latina.

Na opinião de Liang, os desafios enfrentados pela energia eólica e outras tecnologias renováveis ​​refletem uma crescente tendência no setor energético de migrar de uma geração grande e centralizada com um planejamento e gerenciamento de redes para um sistema de redes de menor escala, com usinas localizadas mais perto dos consumidores finais, assim como a integração com outras tecnologias de geração.

Esta 4a Edição da BWP Thought Leaders Roundtable realizada pela Recharge no Rio, com patrocínio da Goldwind e da UL, ocorre num momento em que energia eólica se tornará a segunda principal fonte de energia do país – com pouco menos de 14GW instalados, ou 8,5% do total – superando o gás natural e perdendo apenas para a hidrelétrica.

“Eólicas irão liderar o processo? Sim, especialmente no Brasil ”, concluiu Liang. Segundo o executivo da Goldwind, isso se deve principalmente aos bons recursos eólicos que o país possui.

O economista Luciano Coutinho, outro membro do painel da Thought Leaders Roundtable, líder da consultoria LCA e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse que esses recursos são um bom ponto de partida e acredita que a energia eólica pode dobrar de tamanho, e alcançar facilmente os 30GW em 2025”.

Mas ele acrescentou que haverá uma corrida para a indústria melhorar a produtividade, à medida que o setor industrial cresce e se move para uma era de big data e digitalização.

“O futuro das usinas eólicas será, até certo ponto, customizado para maximizar a eficiência com a aplicação de modelos computacionais de alto desempenho baseados em big data e poderosos algoritmos matemáticos”, disse ele.

Coutinho ressaltou que duas questões não devem ser negligenciadas: financiamento e regulação.

Os financiamentos, ele disse, precisam ser mais baratos e mais diversificados para reduzir custos, enquanto as regulamentações devem ser aplicadas para garantir que a energia eólica continue competitiva.

Talita Porto, conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), destacou a ideia de que os regulamentos devem mudar em paralelo com a tecnologia para incorporar as mudanças que estão sendo exigidas pelos consumidores finais.

Ela lembrou que o Brasil já está estudando mudanças na legislação para introduzir o comércio de energia em blocos por hora até 2020. Mas ela afirmou que a energia eólica ganhou grande competitividade desde que foi admitida nos leilões federais em 2008 – já que os preços caíram de US$ 95/MWh para cerca de 20/MWh no último leilão – e está bem posicionada para liderar a transição.

“O desafio hoje é como expandir o setor de forma sustentável e, corretamente, a eólica parece estar em condições de liderar a transição energética no Brasil”, disse Porto.

Para Jean-Paul Prates, presidente do Cerne, a região nordeste do Brasil já está provando o que a energia renovável pode fazer em termos de mudança social e econômica, pois proporciona novos empregos e energia abundante para a região. Mas, mesmo que novas tecnologias disruptivas precisem ser assimiladas, o setor de energia eólica no Brasil começará a mudar à medida em que amadurece.

Novos jogadores entrarão no mercado, como as empresas de petróleo, disse Prates, referindo-se à francesa Total, a brasileira Petrobras e a anglo-holandesa Shell, que já estão comprando ativos ou se preparando para participar dos leilões de energia governamentais.

“O que elas querem? Eles estão buscando produzir energia mais barata para oferecê-la como a melhor opção para a sociedade”, disse ele.

Mas Prates também apontou que o mercado eólico do Brasil agora está maduro o suficiente para começar a pensar em repontenciar e modernizar os mais antigos dos 6.600 aerogeradores atualmente em operação. Finalmente, ele disse, o Brasil precisa começar a preparar os regulamentos para a energia eólica offshore.

“Tenho certeza de que nos próximos 10 anos os litorais dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte serão os mais competitivos do mundo para a energia eólica offshore”, disse ele.

Prates concluiu sua apresentação alertando que o setor de energia eólica do Brasil também precisa olhar para as desvantagens da mudança disruptiva, como o custo para o emprego, um dos mais importantes benefícios sociais que a indústria eólica trouxe para o Brasil. Na década passada, o setor criou mais de 100.000 postos de trabalho para construir sua capacidade de mais de 13GW no Brasil. Mas mesmo os trabalhadores altamente qualificados precisam estar preparados para a mudança, pois as novas tecnologias exigem novas habilidades. “A principal preocupação é como superar esse efeito, já que as tecnologias disruptivas normalmente realocam e dispensam mão de obra. Isso é algo que as empresas, investidores e governos precisam trabalhar juntos para evitar. Caso contrário, o desenvolvimento da indústria eólica pode causar um problema social ”, disse ele.

Jornal Nacional – Vento pode ser segunda principal fonte de energia elétrica do país em 2019

Há dez anos, energia eólica abastecia apenas dois milhões de pessoas. Em 2018, número chega a 77 milhões. Investimentos vêm até de empresas de petróleo.

Por André Trigueiro | Jornal Nacional

O vento deve se tornar a segunda principal fonte de energia elétrica do Brasil em 2019. Os investimentos em energia eólica estão partindo até de empresas de petróleo.

Em poucos países do mundo a energia do vento cresceu tão rapidamente quanto no Brasil. Há dez anos, os cataventos gigantes abasteciam apenas dois milhões de pessoas. Hoje, esse número chega a 67 milhões. Em 2022, a energia eólica deverá alcançar cem milhões de brasileiros.

“Nós estamos desenvolvendo torres mais altas e mais potentes. Essas torres captam melhor os ventos e produzem mais energia e, inclusive, nós descobrimos potenciais eólicos não só no Nordeste, como no Sul do país, mas em outras regiões. Até onde se sabe, os fabricantes dizem que o Brasil tem o melhor vento do planeta para a produção de energia eólica”, afirmou Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica.

Ventos fortes e regulares, quase sempre na mesma direção, tornaram o Brasil um dos principais destinos dos investimentos em energia eólica no mundo inteiro. Em plena crise econômica, apenas em 2017, o setor movimentou mais de R$ 11 bilhões. A expectativa é de que já em 2019 o vento seja a segunda maior fonte de energia do país.

Hoje, 60% da energia elétrica produzida no Brasil vêm das hidrelétricas; 9%, das usinas de biomassa, principalmente da queima de bagaço de cana; e a energia eólica representa 8,5% da geração, seguida pelo gás natural, 8%.

“Nós temos cada vez mais tecnologia e custos operacionais de acesso, de fornecedores, inclusive fornecedores brasileiros, competitivos. O Brasil é um dos poucos ambientes do mundo em que se tem muito potencial para crescer em terra e no mar, ao mesmo tempo”, disse Jean-Paul Prates, diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais.

Até quem fez do petróleo seu principal negócio, resolveu investir em vento. A Petrobras anunciou o primeiro projeto de energia eólica em alto mar, no Brasil.

O aerogerador será instalado a 20 quilômetros da Costa de Guamaré, no Rio Grande do Norte, a um quilômetro da plataforma de petróleo.

Cabos submarinos de energia vão conectar o gerador à plataforma e a plataforma ao continente.

A capacidade de geração será de aproximadamente que seis megawatts, o suficiente para abastecer 16.500 casas.

É um projeto piloto, que poderá abrir caminhos para novos investimentos.

“O Brasil tem naquela região do Ceará e Rio Grande do Norte uma capacidade, que nós mesmos medimos, de 140 gigawatts de potência. Isso é igual à capacidade total do país hoje. Portanto, a gente vê isso como uma área de negócios absolutamente possível, sim, sempre que economicamente viável”, explica o diretor de Estratégia da Petrobras, Nelson Silva.

Tecnologias disruptivas são tendência para transição energética no Brasil

Assunto foi tema de mesa redonda com especialistas, players e financiadores nacionais e globais

Por Daniel Turíbio | Assessoria de imprensa CERNE

O Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, participou nesta terça-feira (07), da Thought Leaders Roundtable 2018, evento promovido pela revista internacional Recharge News e que integra a programação do Brazil Wind Power, que acontece de 07 a 09 de agosto no Rio de Janeiro.

O encontro reuniu os principais players, representantes do governo e financiadores para discutir como a indústria eólica poderá conduzir o Brasil para uma transição energética. Na mesa estiveram presentes o economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o gerente geral para a América do Sul da fabricante de aerogeradores chinesa Goldwind, Liang Xuan, e a conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Talita Porto.

Foto: CERNE Press

Com mais de 13GW instalados, o vento é a segunda tecnologia de geração de energia mais competitiva do Brasil e possui um histórico inquestionável. Entretanto, a indústria está enfrentando um cenário de rápida mudança.

Tecnologias disruptivas

As tendências disruptivas podem ser vistas nos novos players de mercado, incluindo empresas de petróleo e fundos de investimento, que estão influenciando a forma como o setor é planejado, bem como na transformação da infra-estrutura do setor, que vem tomando novas formas pelo surgimento de projetos híbridos e a eletrificação mais ampla da sociedade.

Nesse cenário, Prates salientou que a tendência disruptiva no setor energético pode levar de 3 até 30 anos, dependendo da tecnologia, para fechar o seu ciclo, que compreende desde a sua viabilidade inicial até quando ela atinge amplamente o mercado, anteriormente ocupado por outra tecnologia. “Com a energia eólica essa tendência é notória no Nordeste brasileiro, pela força e rápida evolução do setor na região nos últimos dez anos, chegando a atingir recordes de geração. Recentemente 72% da energia gerada no Nordeste veio das eólicas e a região detém mais de 85% das usinas em operação no país”, explicou o especialista.

A indústria eólica vem atraindo novos players, dentre eles instituições financeiras, empresas de tecnologia, fundos de investimento e, especialmente, as grandes companhias de petróleo que nos últimos anos estão adotando uma nova política de transição energética, apostando em geração renovável.

“O desafio é chegar ao consumidor com a energia mais barata possível. Por outro lado, o consumidor ganhou maior poder de barganha para escolher que tipo de energia ele quer comprar e de qual fonte, visando seu melhor conforto”, analisa Jean-Paul. Ele também destacou o papel das distribuidoras de energia nesse novo cenário. “A empresa que antes era um mero ‘repassador’ de energia, a partir de agora, vai desempenhar um papel muito mais importante. Será como um ‘super mercado’, oferecendo vários pacotes de vendas de energia, cada um destinado a um tipo de consumidor, atendendo suas necessidades específicas”.

Para o Presidente do CERNE, o novo mercado de energia será orientado pelo consumidor. “Essa transição ainda demora, mas estamos indo em direção a comoditização da energia”, salientou Prates.

Desafios para a geração

As novidades para desse segmento ficam por conta da repotenciação de turbinas eólicas e modernização tecnológica de parques eólicos antigos, a hibridização da geração de energia e o avanço do mercado offshore eólico também são pontos chaves no futuro da indústria dos ventos.

Depois de introduzir este tema na pauta nacional em 2017, o Cerne voltou a discutir a evolução das instalações de geração eólica offshore e os desafios regulatórios, operacionais e econômicos da atividade no país. O assunto foi decisivo para a formação de uma Comissão Executiva, no âmbito do Cerne e empresas associadas para conduzir o Programa de Promoção e  Regulamentação do Offshore Eólico Brasileiro (PROEB).

“A costa marítima do Rio Grande do Norte e Ceará possuem o ambiente operacional mais competitivo para investimento em offshore eólico no Brasil e no mundo para os próximos 10 anos”, destacou Prates.

Leilões

Durante a abertura do Brazil Windpower, o presidente do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Steve Sawyer, elogiou e destacou a importância da realização dos leilões federais para a consolidação do setor ao longo de uma década, no Brasil.

“Vocês [o Brasil] criaram um padrão que revolucionou a forma como as fontes renováveis são compradas no mundo”, afirmou o executivo.

Hoje, o Brasil já ocupa a oitava posição no ranking global de países, quanto à geração de energia eólica, e o Nordeste concentra mais de 84% das instalações e turbinas. A indústria representa atualmente 13,4 gigawatts de capacidade instalada em 534 parques operando em 12 estados.

Eólicas serão segunda fonte de energia do País a partir de 2019

Os ventos sopram forte para se transformarem na segunda maior fonte geradora de energia do Brasil já a partir do próximo ano, somente atrás da eletricidade que é retirada das turbinas de hidrelétricas. As usinas eólicas, que até meados de 2010 eram vistas como “experimentos” do setor elétrico, entraram de vez para a base de sustentação de abastecimento do País, e menos de uma década depois respondem por 8,5% da potência instalada em território nacional.

Nestes meses de agosto e setembro, período que já passou a ser conhecido como a “safra dos ventos”, as usinas eólicas têm batido recordes. É quando a ventania ganha ainda mais força nas Regiões Nordeste e Sul do País, onde hoje giram 6,6 mil cataventos espalhados por 534 parques eólicos.

“Com a expansão de projetos já contratada, as eólicas devem ultrapassar a geração térmica e a biomassa em 2019 ou, no máximo, em 2020”, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Hoje, 64% do potencial elétrico nacional vem de turbinas de hidrelétricas. As usinas a biomassa representam fatia de 9,2%, mas as eólicas já são 8,5% da matriz e crescem a um ritmo superior a 20% ao ano, muito acima das demais fontes.

No dia a dia do consumo, porém, a presença dos ventos tem sido superior. É justamente no período seco – de abril a novembro, quando a maior parte dos reservatórios precisa ser preservada – que a ventania ganha mais força. Nas últimas semanas, uma média de 14% da energia que abastece todo o País tem sido retirada de torres eólicas. Uma semana atrás, os cataventos suportaram nada menos que 72% da energia consumida por toda a Região Nordeste.

Pressão. Para o governo, que há quatro anos não consegue licitar mais nenhuma grande hidrelétrica por causa do forte impacto ambiental desses empreendimentos – principalmente aqueles previstos para serem erguidos na Região Amazônica –, as fontes eólicas passaram a aliviar a pressão sobre o abastecimento e tornaram a geração menos dependente dos barramentos de rios.

“É importante entender, porém, que as fontes de energia não competem entre si, elas são complementares. As eólicas estão aí para provar isso. É uma oportunidade da qual o País não pode abrir mão”, diz Eduardo Azevedo, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME).

A energia gerada pela força dos ventos faz parte da matriz energética desde 1992, com o início da operação da primeira turbina eólica, em Fernando de Noronha (PE).

O crescimento da fonte eólica, no entanto, pode enfrentar alguns problemas, alerta Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace e conselheiro da organização Uma Gota no Oceano. “Já há pressão no governo para que as fontes de geração eólica e solar tenham reduzidos seus incentivos ligados ao custo de transmissão de energia”, comenta Baitelo. “Se isso ocorrer, pode comprometer o desempenho dessas fontes.”

Fonte: Estadão Conteúdo

Petrobras descobre maior coluna de óleo do pré-sal da Bacia de Santos

Rodrigo Polito e André Ramalho | Valor Econômico

A Petrobras concluiu em julho a perfuração de um poço no campo de Sururu, e descobriu a maior coluna de óleo já encontrada no pré-sal da Bacia de Santos. Segundo a diretora de exploração e produção da companhia, Solange Guedes, durante a perfuração foi identificada uma coluna de óleo de 530 metros. Para efeitos de comparação, a média dos cinco poços do pré-sal com maiores colunas de óleo é de 436 metros.

Sobre o cronograma de novos projetos no pré-sal, o diretor de desenvolvimento da produção e tecnologia da Petrobras, Hugo Repsold Junior, disse que três plataformas – P-67 (Lula Norte), P-75 (Búzios) e P-69 (Lula Extremo Sul) – devem iniciar a produção ainda no terceiro trimestre. A P-76, por sua vez, deve sair do estaleiro no quarto trimestre, rumo ao campo de Búzios.

De acordo com Solange, a produção de petróleo da Petrobras em campos nacionais segue em linha com a meta estabelecida para 2018, de 2,1 milhões de barris diários.

A produção total de óleo e gás da companhia, no Brasil e no exterior, no primeiro semestre somou 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com queda de 4% ante o observado em igual período do ano passado. Segundo ela, o recuo reflete, por exemplo, os efeitos dos desinvestimentos nos campos de Lapa, no pré-sal da Bacia de Santos, e Roncador, na Bacia de Campos, “mas dentro do planejado para o ano” afirmou.

A estatal prevê um crescimento forte da produção de petróleo e gás natural no quarto trimestre deste ano. “Temos expectativa de acréscimo de produção relevante no segundo semestre. A expectativa é que tenhamos um crescimento da produção forte notadamente no quarto trimestre”, disse Solange.

A executiva reafirmou que estão mantidas as metas de produção total de óleo e gás da empresa, de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia, e de produção de petróleo em campos nacionais, de 2,1 milhões de barris diários, para este ano. Sobre a estimativa para 2019, a companhia informou que os números estão sendo fechados nos ajustes do plano de negócios 2019-2023.

Cessão onerosa

Segundo o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, não há, no momento, qualquer decisão da companhia com relação à venda de 70% de sua participação na cessão onerosa. Segundo ele, esta é uma opção, mas não há nenhuma decisão sobre o tema. Essa possibilidade depende de aprovação de projeto de lei sobre o assunto no Senado. “Temos que aguardar o resultado final”, afirmou.

Em julho, a Câmara dos Deputados concluiu votação do projeto que permite à Petrobras transferir, para outras empresas, até 70% dos direitos de exploração de cinco bilhões de barris de petróleo, por meio do chamado acordo de cessão onerosa. .

O acordo de cessão onerosa foi fechado pela Petrobras com a União em 2010 e permitiu à estatal explorar cinco bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal na Bacia de Santos (SP), sem licitação. Em troca, a empresa pagou R$ 74,8 bilhões.

Entretanto, nos anos seguintes, a cotação do barril de petróleo caiu muito, devido à tensões geopolíticas, e cautela quanto ao desempenho da economia. Por isso, a Petrobras alega que pagou à União um valor muito alto no acordo de 2010, e agora reivindica ter direito de ser ressarcida.

Leilão de energia A-6 é agendado para 31 de agosto. Aneel reduz preço para eólicas

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou em reunião nesta terça-feira as regras e preços para o leilão de energia A-6, agendado para 31 de agosto, que contratará novos projetos de geração para atender à demanda das distribuidoras a partir de 2024.

O certame, com participação aberta para investidores interessados em construir usinas hidrelétricas, parques eólicos e termelétricas à biomassa, carvão ou gás natural, acontece sob grande expectativa, após resultados recordes nas últimas licitações para novas usinas de energia no país.

Os vencedores da concorrência assinarão contratos para a venda da produção futura às distribuidoras por 30 anos no caso das usinas hídricas, 20 anos para as eólicas e 25 anos para as térmicas.

O preço-teto para a venda da energia dos novos projetos hidrelétricos será de 290 reais por megawatt-hora, maior que o estabelecido para certame semelhante em 2017, enquanto para as eólicas serão 227 reais, mais baixos que os vistos no ano passado, em momento que o setor se mostra bastante competitivo frente a outras fontes. Para as termelétricas, o valor fixado foi de 308 reais, também inferior ao teto do ano passado.

No leilão A-6 do ano passado, que contratou empreendimentos para operação a partir de 2023, os preços foram de 281 reais para as hidrelétricas, 276 reais para as eólicas e entre 319 e 329 reais para as térmicas.

O certame do final do ano passado assinou contratos com projetos de geração que devem demandar 13,9 bilhões de reais em investimentos. Os preços finais de venda da energia caíram em média 38,7 por cento frente ao teto, em meio à disputa entre os investidores.

Um outro leilão, em abril deste ano, que prevê entrega dos projetos em 2022, também teve resultados positivos, com os menores preços já registrados para a venda da produção futura de parques eólicos e usinas solares. Esse certame, o chamado “A-4”, contratou 1 gigawatt em usinas, que devem exigir aportes de 5,3 bilhões de reais.

Para o leilão A-6 de agosto, a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu o cadastramento de mais de mil projetos de geração, que somariam uma capacidade de 59 gigawatts.

A expectativa de especialistas, no entanto, é que a contratação não se afaste muito do volume movimentado no leilão do ano passado, em meio a uma economia brasileira ainda em recuperação de uma enorme crise financeira.

PROJETOS COM OUTORGA

O leilão A-6 de agosto também abrirá espaço para que usinas já contratadas em leilões anteriores busquem fechar contratos para a venda de energia, desde que elas não tenham entrado em operação antes da publicação do edital aprovado nesta terça-feira.

Os preços a serem praticados por esses empreendimentos, no entanto, terão um teto menor que os definidos para novos projetos.

A Aneel estabeleceu o teto para hidrelétricas com outorga e com contrato em 151,68 reais por megawatt-hora, enquanto para as eólicas o valor limite será de 171,82 reais por megawatt-hora.

Fonte: Reuters