ANP abre processo de cancelamento de 24 usinas de etanol

As usinas brasileiras tiveram cinco anos para se adequarem às normas da Resolução ANP nº 26/2012, que regulamenta a atividade de produção de etanol, incluindo construção de usinas e ampliação de capacidade produtiva. Contudo, a maior parte das companhias deixou o envio da documentação para a última hora – e algumas acabaram perdendo o prazo.

Atualmente, segundo números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atualizados em 24 de outubro, há 384 usinas de etanol com operação ratificada. Dessas, 139 já tiveram seus documentos analisados e possuem autorização para operar, sendo que outras 221 estão na fila para a análise da papelada. Somando esses dois números, temos 360 usinas.

anp evolucao 251017

Com relação às 24 unidades restantes, a ANP já deu entrada ao processo de cancelamento. O novaCana apresenta a seguir o nome, grupo, cidade, estado e capacidade dessas 24 usinas que podem oficialmente ser fechadas pela ANP.

Entretanto, é preciso considerar que a maior parte dessas unidades não está mais em funcionamento. Algumas fazem partes de grupos que já tiveram a falência decretada e a maior parte, contudo, está em recuperação judicial.

Fonte: Nova Cana

Empreendimentos em transmissão crescem e atrasos diminuem

O Brasil tem hoje 399 empreendimentos de transmissão em construção, sendo que, do total, 196 estão atrasados, o que representa 49%. Em agosto, de acordo com o último levantamento realizado pela Brasil Energia, 57% de um total de 366 empreendimentos em construção, ou 210 projetos, se encontravam em atraso.

A quantidade de obras em dia aumentou quando comparado a agosto. Ao todo, 30% dos empreendimentos estão em dia contra 27% do período citado. Os projetos adiantados permaneceram na mesma proporção de 11%. O restante, 10%, não informou o andamento das obras. Em agosto, o percentual de projetos não informados era de 5%.

O prazo legal de execução das obras, segundo a Aneel, subiu em relação a agosto. Hoje o prazo é de, aproximadamente, 1.500 dias me média contra 1.300 dias do outro período analisado. Já o tempo médio de licenciamento ambiental, fator que gera alguns casos de atraso em obras, permaneceu em pouco mais de 400 dias.

Fonte: Brasil Energia | Marco Sadenberg

Em meio à seca, vento move mais de 50% da energia no Nordeste

No dia 18 de outubro, até as 18h, a energia hidráulica respondia por 62,5% da geração do Brasil, as térmicas, por 24%, e eólicas, 9,6%, segundo dados do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. O acumulado à mesma hora, no Nordeste, revelava uma surpresa: eram as eólicas as responsáveis por mais da metade da geração (51%) na região, seguidas pelas térmicas (32%) enquanto a energia hídrica aparecia com modestos 14%. Este perfil energético único no país, provocado pela forte seca que deprime os reservatórios pelo quinto ano consecutivo e pela forte entrada de projetos eólicos na região, chamou a atenção da direção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que observa que o Nordeste tornou-se um laboratório de introdução de energias renováveis na matriz brasileira.

“O Nordeste tornou-se um espelho do futuro do Brasil”, disse Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, durante o workshop “O Futuro do Setor Elétrico – segurança e flexibilidade nos contextos de Brasil e Alemanha”, no Rio.

O desenvolvimento clássico do setor, baseado em projetos de envergadura, como os 11 mil MW da usina de Belomonte, “deixam o sistema pouco robusto a atrasos”. Projetos de energias renováveis por seu lado, com algumas centenas de MW, comprometem menos o sistema e são mais acessíveis a investidores. “O futuro é renovável e temos que permitir que a regulamentação não seja obstáculo para que isso ocorra. É um salto grande de onde estamos para onde queremos chegar”, prosseguiu Barroso.

Nos últimos anos, a escassez hídrica contribuiu para modelar o perfil energético do Nordeste. “Um sistema como o nosso está adequado aos desafios do futuro?”, questionou Marcelo Prais, assessor da diretoria geral do ONS. Há grande potencial solar nas proximidades da usina de Sobradinho, na bacia do rio São Francisco, por exemplo. Da produção eólica no Nordeste, 70% está na costa, com ventos constantes, e 30% ao sul, com ventos em rajadas.

É por isso que, no Nordeste, adiantou Barroso ao Valor, estão em curso estudos sobre os impactos da mudança climática e da vazão dos rios, em cooperação com o ONS, a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Um esforço também é aprender com a experiência de países que estão na dianteira da descarbonização, como Alemanha, Espanha, Itália e Dinamarca. “Temos ainda muitos desafios na Alemanha. Podemos estar um passo adiante em algumas questões, mas ainda não temos todas as respostas”, disse Markus Steigenberger, vice-presidente da Agora Energiewende, “think tank” alemão que atua na transição energética do país.

“Se se olhar o mapa da irradiação solar na Alemanha, dá vontade de chorar. Em novembro não há Sol nem venta muito”, seguiu Steigenberger, para quem a concepção de que energia solar e eólica são intermitentes e instáveis é conceito antigo. “Acontece uma mudança de mentalidade, mesmo na Alemanha. Se antes o operador tinha que interferir no sistema apenas uma vez ao dia, hoje tem que interferir três. Mas não há problema. Aprendeu-se como fazer isso.”

Um dos pontos em debate agora na Alemanha é o fato de o país continuar dependente de carvão. O país da “Energiewende” eliminará o nuclear e impulsiona as renováveis, mas não conseguirá cumprir a meta climática de reduzir emissões em 40% até 2020, em relação a 1990. O sistema alemão é baseado no preço das diferentes fontes de energia. Por isso, o carvão, mais barato e poluente, tem prioridade sobre o gás

O mercado europeu de crédito de carbono está com preços muitos baixos (EUR 5 por tonelada de CO2) e falha na regulação, diz o especialista. O Reino Unido estabeleceu preço mínimo para o carbono (cerca de EUR 30 a tonelada de CO2) e consegue reverter a tendência. A França propõe algo similar. Mas na Alemanha, o lobby da indústria e dos sindicatos de trabalhadores do setor de carvão resiste a mudanças.

No Brasil, a mudança climática tem outros agravantes. Um deles é a quantidade de água para resfriar termelétricas em instalação, disse André Ferreira, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). Uma usina pode consumir tanta água quanto uma cidade de 100 mil habitantes. “O futuro é de baixo carbono e a questão é como vamos chegar lá”, disse Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Fonte: Daniela Chiaretti | Valor Econômico

Petrobras rebaixa refinaria potiguar a ativo industrial

A Petrobras anunciou, aos trabalhadores da Unidade de Negócios do Rio Grande do Norte e Ceará (UN-RNCE) o rebaixamento da Refinaria Potiguar Clara Camarão da categoria na qual estava inserida para “Ativo Industrial de Guamaré”. A medida faz parte da reestruturação aprovada na noite da quarta-feira, 25, pelo Conselho de Administração da Petrobras. O projeto inclui áreas operacionais de exploração e produção e de refino e gás natural, o que resultará em uma economia anual estimada em R$ 35 milhões. A estatal não anunciou quais outros empreendimentos passarão por mudanças, tampouco o que será feito com a estrutura da unidade de Guamaré.

“A Refinaria Clara Camarão, do alto de suas sucessivas conquistas de aumento de capacidade, aprimoramentos técnicos, investimentos em expansão e gestão técnica e comercial especializada, deixará de ser considerada uma refinaria. Portanto, ficará totalmente excluída do Plano Estratégico e das discussões da Diretoria de Refino e Gás Natural”, declarou o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN), Jean Paul Prates. Ele denuncia que a medida foi tomada pela estatal sem nenhum comunicado oficial ou diálogo com líderes políticos e empresarias do estado.

No mês passado, conforme publicizado pela própria Petrobras, a Refinaria Potiguar Clara Camarão bateu recorde de produção de querosene de aviação, o QAV.  Em agosto, foram produzidos 19.841 metros cúbicos do combustível. O volume é 8% superior ao recorde anterior, obtido em janeiro passado. Na ocasião, a estatal informou que a marca foi possível principalmente em função do aperfeiçoamento de processos promovido pelo Programa de Produção de Médios (diesel e QAV) e Gasolina, o Promega.

Para Jean Paul Prates, o recorde comprova a viabilidade técnica e financeira da Refinaria, a única produtora de querosene de aviação na região Nordeste.

“A Refinaria Potiguar Clara Camarão recebeu recentemente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP) a autorização para passar a processar 45 mil barris por dia de petróleo com possibilidade de expansão em curto prazo para 66 mil barris por dia de capacidade. Passou assim à frente da Refinaria de Manaus quando à capacidade de processamento. Uma conquista importante para o RN e que deveria ser comemorada como consolidação de uma jornada que pode levar à revitalização do setor de petróleo no estado, se devidamente trabalhada”, defendeu o presidente do SEERN.

Para Jean Paul Prates, o rebaixamento de categoria da Clara Camarão pode sinalizar o risco de fechamento da refinaria. “A exclusão dessa unidade dos planos regulares quanto ao parque de refino nacional implicará, cedo ou tarde, no fechamento dessa refinaria, que, acompanhado da redução e minimização da participação na Petrobras nos campos produtores ao longo do tempo, resultará na finalização gradual da presença da estatal brasileira no nosso estado”, disse. O presidente do SEERN fez um apelo para que a decisão da Petrobras seja revertida imediatamente e que seja mantido o status de refinaria.

“Permito-me sugerir ao governador do Estado e a seu secretariado que convoquem a bancada de parlamentares do Estado e encaminhem imediatamente à Presidência e à Diretoria da Petrobras pedido formal de esclarecimentos sobre os reais planos de investimento e estrutura de gestão da empresa no Rio Grande do Norte, em especial quanto à Refinaria Potiguar Clara Camarão”, declarou. O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, disse que foi informado da decisão da Petrobras e enviou comunicado ao governador Robinson Faria. “É um absurdo. A Petrobras explora nosso solo há anos e agora faz isso sem nenhum comunicado, sem abrir um canal de negociação. Iremos cobrar explicações”, disse.

Reestruturação
Segundo nota divulgada pela Petrobras com a reestruturação haverá redução aproximada de 11% no número de funções gerenciais e a continuidade do processo de reestruturação iniciado em junho de 2016, quando foram reduzidos aproximadamente 40% dos cargos gerenciais em áreas administrativas.

No processo de reestruturação na área de exploração e produção, a companhia redistribuiu, entre as unidades operacionais, os campos por tipo de reservatório, a fim de equilibrar a produção entre elas e potencializar projetos de desenvolvimento da produção.

Na Diretoria de Refino e Gás Natural, as principais alterações são a melhoria das estruturas das refinarias e fábricas de fertilizantes, preservando a segurança, a disponibilidade operacional e a eficiência. Além disso, haverá a criação de estruturas de segurança, meio ambiente e saúde e eficiência operacional no gás natural, com a melhoria das estruturas de suporte.

Fonte: Ricardo Araújo | Tribuna do Norte

Leilão do pré-sal arrecada R$ 6,15 bilhões

A arrecadação com os oito blocos ofertados na 2ª e 3ª Rodadas do leilão do pré-sal ficou abaixo do que era esperado. Caso todas as áreas tivessem sido arrematadas, o governo brasileiro conseguiria R$ 7,75 bilhões em bônus de assinatura. Como não houve oferta por dois blocos, o total arrecadado ficou em R$ 6,15 bilhões.

De outro lado, a receita assegurada à União quando os blocos entrarem em operação ficou muito acima do previsto. Em um dos blocos, o consórcio liderado pela Petrobras ofereceu 80% de óleo-lucro (parcela compartilhada com a União após descontos de gastos, produção e investimentos).

Após o final do leilão, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, reiterou que o certame foi um “sucesso estrondoso”.

– Empresas que não estavam no Brasil voltaram e fizeram apostas aqui. Isso mostra a confiança que eles têm em nós.

Alem disso, Coelho Filho afirmou que o índice de óleo lucro veio muito acima do esperado, o que compensou o fato de que duas áreas não terem sido arrematas.

– De acordo com dados da ANP, a gente já esperava que o da Tartaruga não sairia. Mesmo assim os percentuais vieram muito acima do que a gente imaginava.

A disputa começou com mais de duas horas de atraso por causa de uma liminar de um juiz da 3ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Amazonas que suspendia a realização do evento. A liminar, no entanto, foi derrubada por decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargador Hilton Queiroz, após recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) em nome da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

CONFIRA QUEM ARREMATOU

SUDOESTE DE TARTARUGA VERDE

O leilão do pré-sal começou com a 2ª Rodada, de áreas unitizáveis (adjacentes a campos de petróleo que já estão em exploração). O primeiro campo a ser ofertado foi o de Sudoeste de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, que teve bônus fixo de R$100 milhões e óleo lucro mínimo de 12,98%. Não houve ofertas. O bloco foi reapresentado novamente ao fim da 2ª Rodada, mas não apareceram interessados.

SUL DE GATO DO MATO

O segundo campo a ser ofertado foi o de Sul de gato do Mato, na Bacia de Santos, que teve bônus fixo de R$100 milhões e óleo lucro mínimo de 11,53%. Teve apenas uma oferta. Shell ( com 80%) e a francesa Total (com 20%) apresentaram proposta em conjunto. As duas empresas já são as concessionárias do Campo Sul de Gato do Mato. O consórcio levou a área com o óleo lucro mínimo.

ENTORNO DE SAPINHOÁ

Em segundo lugar, quem apresentou oferta foi a Ouro Preto, de Rodolfo Landim. A empresa teria 70% da área. E a Petrobras ficaria com 30%. Nesse caso, o óleo lucro oferecido 21,17%.

NORTE DE CARCARÁ

O quarto campo a ser ofertado foi o de Norte de Carcará, na Bacia de Santos, que teve bônus fixo de R$ 3 bilhões e óleo lucro mínimo de 22,08%. Foram feitas duas ofertas. Quem ganhou a área foi o consórcio entre Statoil (40%), Petrogral (20%) e Exxon (40%). Ofereceram óleo lucro de 67,12%, o que significa ágio de 203,99%. A Statoil já opera o campo de Carcará em parceria com outras empresas.

O segundo envelope foi entregue pela Shell, que fez oferta sozinha. A Shell fez oferta com óleo lucro mínimo de 50,46%.

Ao fim da apresentação dos quatro lotes da 2ª Rodada, o secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse que o resultado surpreendeu:

— Não esperava um ágio tão elevado, de 80%. Isso mostra que a competição vale a pena. As empresas quiseram manter suas operações nos campos onde atuam.

PAU BRASIL

A 3ª Rodada começou com a oferta da área de Pau Brasil, com bônus fixo de R$1,5 bilhão e óleo lucro mínimo de 14,4%. Não houve ofertas.

PEROBA

A segunda área a ser ofertada é a de Peroba, na Bacia de Santos, com bônus fixo de R$ 2 bilhões e óleo lucro mínimo de 13,89%. A Petrobras mostrou interesse na área, que recebeu três ofertas e por isso foi até agora o mais disputado.

A vencedora foi o consórcio montado por Petrobras (40%) CNODC (20%) e BP (40%). O óleo lucro foi de 76,96%.

Outro consórcio foi Statoil (20%) com Exxon (50%). Como a Petrobras havia exercido o direito de preferência sobre a área, ela figura em todas as propostas com uma fatia de 30%. O percentual do óleo lucro ofertado pela Statoil foi de 61,07%.

O terceiro grupo foi formado pela chinesa CNOOC (20%), QPI (20%) e Shell (30%), somadas aos 30% da Petrobras. Nesse caso, o óleo lucro ofertado foi de 65,64%.

ALTO DE CABO FRIO OESTE

A terceira área a ser ofertada é a de Alto de Cabo Frio Oeste, com bônus fixo de R$ 350 milhões e óleo lucro mínimo de 22,87%. A área recebeu uma oferta. Quem levou a área foi o consórcio entre Shell (55%), QPI (25%) e CNOOC (20%). O óleo lucro oferecido foi o mínimo.

ALTO DE CABO FRIO CENTRAL

A quarta área a ser ofertada é a de Alto de Cabo Frio Central, com bônus fixo de R$ 500 milhões e óleo lucro mínimo de 21,38%. A Petrobras solicitou direito de preferência. Foram feitas duas ofertas. Quem levou a área foi o consórcio formado entre Petrobras(50%) e BP (50%). O óleo lucro oferecido foi de 75,86%. Com isso, o ágio foi de 254,8%.

A Shell (30%), QPI (20%) e CNOOC(20%) também fizeram oferta. Com isso, a Petrobras entrou automaticamente com 30%. O óleo lucro foi de 46,41%.

Fonte: O Globo

Refinaria Potiguar Clara Camarão deixa de ser refinaria e mudará de nome: o que significa isso, afinal?

Chega-me a triste confirmação de que foi oficializada internamente a devolução da Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC)  para a Diretoria de Exploração & Produção que passará a se chamar “Ativo Industrial de Guamaré“. A medida vinha sendo internamente planejada e discutida, com alto grau de discordâncias, e foi objeto de nossa nota do dia 16 de junho de 2016, alertando para as consequências disso para o RN e para o Nordeste.

O que pode parecer apenas uma decisão interna sem maiores consequências, não é.

Esta decisão significa, em poucas palavras, que a Refinaria Potiguar Clara Camarão, do alto de suas sucessivas conquistas de aumento de capacidade, aprimoramentos técnicos, investimentos em expansão e gestão técnica e comercial especializada, deixará de ser considerada uma REFINARIA. Portanto, ficará totalmente excluída do Plano Estratégico e das discussões da Diretoria de Refino e Gás Natural (anteriormente denominada Refino e Abastecimento).

Isso é decretar a morte da nossa refinaria, assim como se decretou recentemente a suspensão das atividades de perfuração terrestre em todo o País e o fechamento da planta de biodiesel de Guamaré – sem que houvesse qualquer entendimento ou conversa com os líderes políticos e empresariais do nosso Estado, que, durante décadas, promoveu, com prioridade, incentivos fiscais, licenças e parcerias sócio-ambientais com a empresa para ajudar a viabilização de seus projetos.

A reboque desta decisão intempestiva, não há como deixar de trazer à pauta estadual a denúncia de que poderão nos tirar a refinaria simplesmente para alegar uma redução de custos que, na verdade, significará mais um retrocesso do investimento da Petrobras no Estado – o maior de todos.

Ao contrário do que se está planejando internamente, o que deveria ser feito é justamente o contrário: a incorporação de todo o Pólo Guamaré à nova Diretoria de Refino e Gás Natural, incluindo as UPGNs e os terminais de despacho e recebimento de produtos. Isso sim, seria medida de eficientização das estruturas logísticas e da gestão dos ativos da empresa no RN. E também indicaria, claramente, um caminho de avanço – e não de retrocesso – dos investimentos e da presença da Petrobras na nossa região.

Portanto, é hora de nos prepararmos para um amplo debate quanto ao planos reais da Petrobras quanto ao Rio Grande do Norte. E nisso, juntarmo-nos aos nossos vizinhos – Ceará e Paraíba – que também possuem ativos de produção e processamento de petróleo que serão afetados por estas decisões – tanto campos considerados maduros quanto unidades industriais/logísticas e novas fronteiras a ser exploradas.

É urgente agir enquanto tais discussões se encontram em estágio de planejamento e discussão – e, em especial, REQUERER da Petrobras informações claras e efetivas sobre o seus planos reais para esta região, em especial para o Rio Grande do Norte, sua casa e área de operações que sempre a tratou com todo o carinho e merecida atenção.

Vale lembrar que a RPCC passou recentemente por uma ampliação que duplicou a sua capacidade de produção de QAV. Para isto, contou com a contribuição importante do Governo do Estado, que lhe concedeu o diferimento fiscal para o combustível possibilitando atrair novos empreendimentos conexos, incluindo mas não se limitando à possibilidade de acolher centro(s) de conexões de vôos no Aeroporto Internacional Aluisio Alves, em São Gonçalo do Amarante).

A Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) recebeu recentemente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a autorização para passar a processar 45 mil barris por dia de petróleo com possibilidade de expansão em curto prazo para 66 mil barris por dia de capacidade. Passou assim à frente da Refinaria de Manaus (REMAN) quanto a capacidade de processamento. Uma conquista importante para o RN e que deveria ser comemorada como consolidação de uma jornada que pode levar à revitalização do setor de petróleo no Estado, se devidamente trabalhada. A nova capacidade representa a possibilidade de refinar quase 80% da produção de petróleo atual de toda a Bacia Potiguar (que inclui campos no Rio Grande do Norte e no Ceará), podendo rapidamente se atingir a auto-suficiência em refino no Estado.

Por fim, sabemos que a RPCC é uma unidade lucrativa e que conta com um histórico de gestores e operadores técnicos competentes e bem sucedidos nas suas respectivas missões.  Foi uma conquista histórica para o Estado, e um sinalizador de novos empreendimentos e investimentos no futuro.

Como Secretário de Estado de Energia à época, fui testemunha e partícipe direto da ampla discussão da sociedade civil organizada do RN, do Governo do Estado e de toda a bancada parlamentar federal e estadual em uníssono, com a Petrobras e o Governo Federal. Não houve qualquer interesse escuso, negociata ou picaretagem envolvida nesta decisão e implementação. A principal meta estabelecida foi conseguir processar todo o petróleo produzido no Estado – historicamente um dos mais importantes para a produção nacional e ainda o maior produtor nacional de petróleo terrestre, à época em vias de começar operações em águas profundas também com perspectivas de incrementar a produção local de cru.

Temos a certeza de que esta medida irá, inevitavelmente, criar insegurança quanto à futura capacidade de fornecimento para o mercado local, anulando a conquista concreta de uma operação lucrativa e com potencial de ocupar nichos do mercado regional altamente promissores, para os quais certamente não faltariam atrativos ao financiamento próprio ou externo à companhia. A exclusão desta unidade dos planos regulares quanto ao parque de refino nacional implicará, cedo ou tarde, no FECHAMENTO desta refinaria, que, acompanhado da redução e minimização da participação da Petrobras nos campos produtores ao longo do tempo, resultará na finalização gradual da presença da estatal brasileira no nosso Estado.

Sem a Refinaria de Guamaré, como refinaria, não há como se pensar no futuro do setor de petróleo no Rio Grande do Norte. Seremos relegados a um província decadente e insignificante, e gradualmente a atividade se reduzirá a números meramente simbólicos, tanto de produção quanto de empregos e resultados sociais e econômicos. Não precisa ser assim. Não pode ser assim.

Desta forma, e com alto grau de urgência, gostaria de deixar aqui um apelo firme para que seja revertida imediatamente tal decisão e nos seja confirmada a manutenção do status da refinaria, na sua atual configuração organizacional, subordinada ao REFINO, de forma a assegurar a continuidade do seu planejamento e operação dentro desta área especializada da empresa.

Como cidadão e como líder empresarial do setor energético, em nome dos dois sindicatos empresariais dos quais participo, permito-me sugerir ao Governador do Estado e a seu secretariado que convoquem a bancada de parlamentares do Estado e encaminhem imediatamente à Presidência e à Diretoria da Petrobras pedido formal de esclarecimentos sobre os reais planos de investimento e estrutura de gestão da empresa no Rio Grande do Norte, em especial quanto à Refinaria Potiguar Clara Camarão. E que também se articulem com os nossos estados vizinhos, capitaneados pelos Governadores Camilo Santana (Ceará) e Ricardo Coutinho (Paraíba) para que sejam reforçadas a importância das Bacias Sedimentares do Nordeste Setentrional (Barreirinhas, Parnaíba, Ceará, Potiguar, Paraíba-Pernambuco e Araripe) e dos investimentos e operações nelas desenvolvidas para a geração de emprego e renda nestas região.

Jean-Paul Prates

Presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte (SEERN)

Membro do Conselho Fiscal do Sindicato das Empresas do Setor de Petróleo Gás e Combustíveis do Estado do RN (SIPETRO/RN)

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Os números atuais da REFINARIA POTIGUAR CLARA CAMARÃO (RPCC) justificam plenamente a inclusão da unidade no Plano Nacional de Refino.
A RPCC tem licença da ANP para processar 7.100 m3/dia de Petróleo, podendo chegar a 11.000m3/d em curto prazo. Por questões de mercado, atualmente, ela processa 5.500m3/dia; tem capacidade imediata para processar: 6.600 m3/dia;
Após refino e processamento deste ÓLEO, são produzidos (atualmente) os seguintes derivados: QAV: 580m3/dia, para os mercados de RN, PB, CE e PI. Diesel – S-500: 1.600m3/dia, para RN, CE, PI. Gasolina A: 1.500m3/dia; (mesclada à nafta craqueada de alta octanagem, que vem da Bahia, para os mercados RN/CE/PI) – a melhor gasolina do Brasil.
120 empregados próprios e 280 contratados;
Nas bases já instaladas operam 9 distribuidoras; sendo 3 proprietárias e 6 em regimes diversos tais como comodato, aluguel acordo de operação, re-compra, etc. Isso mostra a importância e potencial da unidade com REFINARIA, não como UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural).
1 base (instalada) da BR;
1 base (instalada) da ALE: aí funcionam: Ale e Ipiranga;
1 base (instalada) da NELOG: aí funcionam: Nelog, FAN, Dislub e SETTA;
1 base (em construção) da RAIZEM (Shel – Raizem);
1 base (já com licença): SP Opera ainda uma planta de tratamento de água produzida (reutilização) com capacidade para 60 m3/dia.
Mais a respeito:
Refinaria Clara Camarão bate recorde de produção de querosene de aviação (06/01/2017)
Refinaria do RN corre o risco de perder “status” de refinaria (16/06/2016)
RN pode perder refinaria Clara Camarão (16/06/2016)
RN deverá perder refinaria Clara Camarão (16/06/2016)
Refinaria de Guamaré ultrapassa a de Manaus e produz a melhor gasolina do Brasil (30/04/2016)
Petróleo, gás, biodiesel e eólicas destacam Guamaré como pólo energético (10/10/2013)
Gerente da Petrobras apresenta projeto para a Refinaria Potiguar Clara Camarão (18/11/2009)
Refinaria Clara Camarão coloca o RN no mapa nacional do refino de petróleo (06/01/2009)

Governo derruba liminar e leilão do pré-sal é realizado

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília, derrubou uma decisão da Justiça do Amazonas e manteve a 2ª e a 3ª rodadas dos leilões do pré-sal marcadas para esta sexta (27), de acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU).

Na noite de quinta (26), o juiz Ricardo Augusto de Sales, da 3ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Amazonas, concedeu liminar (decisão provisória) para suspender os leilões. A AGU recorreu na manhã desta sexta.

A liminar foi concedida no Amazonas, pelo juiz Ricardo Sales, da 3ª Vara Cível da Justiça Federal de Manaus. Ele argumentou que os valores cobrados pelas áreas são baixos e que a lei que pôs fim à exclusividade da Petrobras no pré-sal apresenta “vício constitucional”.

“Aponto que esse aparente vício constitucional macula o processo legislativo da lei de 2016 quepromoveu drásticas alterações na Lei nº 12.351, de 2010, no que concerne ao regime de partilha de produção em áreas do pré-sal e às competências dos órgãos e entidades públicos envolvidos”, afirmou. Para o juiz, o projeto teria que ser de autoria do Executivo, e não do senador José Serra (PSDB-SP).

Nos leilões, a ANP vai oferecer oito áreas do pré-sal por R$ 7,75 bilhões. É o primeiro leilão do pré-sal desde 2013, quando o governo ofereceu a área de Libra.

A ANP qualificou 17 empresas, entre elas algumas das maiores petroleiras mundiais, como Exxon, Shell e Total.

Analistas e governo projetam boa disputa 

A retomada ocorre após mudanças na legislação, que puseram fim à exclusividade da Petrobras e amenizaram os compromissos de compras de bens e serviços no Brasil.

Governo e mercado esperam disputa pelas áreas, ao contrário do que ocorreu no último leilão do tipo, em 2013, quando consórcio liderado pela Petrobras apresentou a única oferta pela área de Libra.

Se vender todas as oito áreas ofertadas, o governo arrecadará R$ 7,75 bilhões –nos leilões do pré-sal, o bônus é fixo e vence a empresa que oferecer a maior parcela do petróleo produzido à União.

A perspectiva de sucesso é vista pelo governo como um reforço da agenda positiva após a votação na Câmara dos Deputados que impediu investigações contra o presidente Michel Temer na última quarta-feira (25).

“Vencemos a última sombra que pairava sobre a economia brasileira”, disse em discurso na feira OTC (Offshore Technology Conference) o ministro de Minas e |Energia, Fernando Coelho Filho, que reassumiu o cargo nesta quinta (26) depois de reforçar a base do governo durante a votação na Câmara.

Ao falar em “sinergia quase perfeita” entre governo e empresas, ele disse esperar que os leilões desta sexta sejam “um sucesso”, mesmo posicionamento do diretor-geral da ANP, Décio Oddone, que aposta em disputas acirradas por algumas áreas.

Para analistas, a grande presença de executivos de alto escalão de petroleiras estrangeiras durante a OTC, esta semana, é um indicativo do interesse do setor pelo pré-sal.

Na plenária em que o ministro falou, havia um presidente, três vice-presidentes e dois executivos-chefes de exploração de seis das 17 empresas qualificadas para participar da disputa.

“Esses leilões são uma janela de oportunidade única, porque não há muitas oportunidades iguais no mundo e ninguém sabe o que vai acontecer depois das eleições no Brasil”, disse Ricardo Bedregal, da consultoria especializada IHS Markit.

Entre os inscritos, estão empresas que já têm fatias em áreas do pré-sal, como a britânica Shell, a francesa Total e a norueguesa Statoil, além de estreantes como a gigante norte-americana Exxon e da Petronas, de Cingapura.

Executivos do setor apostam em participação agressiva da Exxon, que demonstrou grande apetite em leilão do pós-sal realizado em setembro, quando participou de consórcios responsáveis por ofertas de R$ 3,76 bilhões, o equivalente a 98% do valor total arrecadado.

Para a segunda rodada, que será realizada primeira, a expectativa é que a maior disputa se dê sobre a área de Carcará, na Bacia de Santos. Trata-se de um pedaço de jazida já descoberta em área hoje sob concessão da norueguesa Statoil, da brasileira Barra Energia e da portuguesa Galp.

Já na terceira rodada, as atenções estão voltadas para Peroba, também em Santos. Ao lado de Norte de Sapinhoá e Alto de Cabo Frio Central, ela integra a lista de áreas em que a Petrobras decidiu exercer o direito de preferência.

Isso é, a estatal poderá ter uma participação de 30% no consórcio mesmo se perder a disputa.

Para essa rodada, o mercado aposta em repetição dos consórcios formados para o último leilão, juntando Exxon e Petrobras, Shell e a espanhola Repsol e Total com a britânica BP.

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Fontes:

Folha de São Paulo | Nicola Pamplona

Valor Econômico

Portal G1

 

 

Agência Nacional do Petróleo quer implantar calendário permanente de leilões no país

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddoni, manifestou nesta terça-feira, 24, otimismo com a realização da 3ª e 4ª Rodadas do pré-sal, que acontece na sexta-feira (27). “Todas as áreas do pré-sal terão interessados, porque é uma área de alta produtividade. Tem poços produzindo 40 mil barris por dia, o que acontece em pouco países. É um volume de produtividade muito grande”, disse.

A avaliação da ANP é de que haverá uma disputa acirrada entre as 16 petrolíferas que estão habilitadas para as duas rodadas com oferta de oito blocos, todos na região do pré-sal.

Oddoni anunciou que o governo pretende adotar um calendário fixo de leilões para os próximos cinco anos. “Nós vamos complementar com as áreas ofertadas para 2020 e 2021, cumprindo assim cinco anos de calendário. A ideia é ter um calendário fixo, uma oferta permanente. E isso será implementado a partir do ano que vem”, disse.

A intenção do governo, disse Oddoni, “é criar um banco de oferta que estará sempre a disposição das companhias, com condições mínimas, preços mínimos, programa exploratório mínimo. Se alguém se manifestar [interessado] vai haver o leilão”.

Oddoni disse que das oito áreas que serão leiloadas na próxima sexta-feira, em regime de partilha, o Estado deverá se apropriar de 75% de toda a renda gerada com a atividade de exploração e produção proveniente do pré-sal. Na avaliação do diretor da ANP, estão incluídos os recursos provenientes do bônus de assinatura, que pode chegar a R$ 7,75 bilhões; royalties, impostos e tributos decorrentes da atividade.

Fonte: Tribuna do Norte

Parque solar de Apodi terá capacidade de geração de 162 MW no Ceará

Com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O Banco do Nordeste aprovou ontem o projeto de financiamento do Complexo de Energia Solar de Apodi que está sendo construído em Quixeré, no Vale do Jaguaribe, a 218 quilômetros de Fortaleza (CE).

O contrato para liberação de R$ 477,4 milhões do foi assinado hoje (24.10.2017), na sede do banco, em Fortaleza. Esse montante representa aproximadamente 65% do custo total da planta. O restante será bancado pelos sócios na proporção da participação de cada um deles.Tem capacidade de geração de 162 MW, suficientes para para atender 160 mil residências. O projeto foi assegurado no processo de leilão licitado pela Aneel em novembro de 2015.

O projeto pertence e empresa Apodi Participações composta pela pernambucana Kroma Energia; pela paraibana Êxito Importadora e Exportadora S/A (do grupo Federal Petróleo); e pela goiana RP Participações, ligada ao grupo Total Energia. Juntas, as três empresas detêm 12,5% do negócio, enquanto as multinacionais as norueguesas Scatec Solar e Statoil respondem por 87,5%.

Rodrigo Mello, diretor da Apodi Participações, destaca a relevância do acordo com a Scatec Solar e com a Statoil. “São duas grandes corporações no mercado global de energia. O complexo, em Quixeré, é o primeiro negócio da Scatec no Brasil. Para nós, tê-los como sócios só mostra a solidez e a relevância do nosso projeto, além da possibilidade cada vez mais concreta de construirmos novas parcerias”, reforça.

Mello recorda que toda a concepção do complexo foi desenvolvida pela Kroma Energia, missão que foi delegada à empresa pelos demais sócios. “Vencemos o leilão licitado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2015”, recorda. “A partir daí, caímos em campo em busca de parceiros para desenvolver o negócio. Já tínhamos uma conversa bastante adiantada com a Êxito. Na sequência, a RP Participações se integrou ao grupo”, detalha.

– Primeiro negócio concreto da parceria firmada entre o consórcio Apodi Participações e as norueguesas Scatec Solar e Statoil, o Complexo de Energia Solar Apodi deverá abrir caminho para uma união de longo termo. Essa é a intenção dos sócios brasileiros, que já vislumbram, por exemplo, a ampliação da capacidade instalada da planta de Quixeré a partir de oportunidades num novo leilão de energia elétrica a ser realizado pelo governo brasileiro ainda este ano.

Concluída a fase de projeto, a estimativa de investimento total para deixar a Apodi operacional até novembro de 2018 – data limite estabelecida no leilão –, foi de R$ 700 milhões. “Naquele momento, entendemos que deveríamos procurar sócios no mercado”, observa. Vários players do setor, dentro e fora do Brasil, foram consultados, mas a conversa com os noruegueses se mostrou mais assertiva. Aconteceu em meados de 2016. No final daquele ano, um pré-acordo foi assinado. “Em maio último, batemos o martelo”, diz.

Em paralelo, Scatec Solar e Statoil também conversavam sobre uma possível parceria no Brasil. As duas empresas formalizaram, no começo de outubro, uma joint venture para atuar no mercado de energia solar no país, especificamente no Complexo de Apodi. A Statoil assinou um acordo para adquirir 40% da participação da Scatec Solar no negócio. A Statoil também terá 50% de participação na empresa de engenharia que irá executar o projeto, permitindo-a participar da elaboração e realização de novos projetos em energia solar no futuro.

A Scatec Solar, que investe em mercados emergentes, até então não operava no País. A empresa é um produtor independente de energia solar com sede em Oslo, na Noruega. Com usinas em operação produzindo 322 MW de energia, desenvolve, constrói, possui, opera e gerencia usinas. Já tem um histórico de instalação de cerca de 600 MW.

Atualmente produz 322 MW oriundos de usinas na República Tcheca, África do Sul, Ruanda, Honduras e Jordânia. Com uma presença global estabelecida, a empresa está crescendo rapidamente com uma carteira de projetos e um pipeline de mais de 1,8 GW em desenvolvimento nas Américas, África Ásia e Oriente Médio.

Já a Statoil tem uma forte presença na exploração de petróleo no litoral brasileiro.  É uma das principais produtoras, sendo operadora do campo de Peregrino e de blocos exploratórios na Bacia de Campos, na Bacia de Santos e na Bacia do Espírito Santo. Com capacidade de produção de 100 mil barris por dia, Peregrino é um dos maiores campos de óleo operado pela Statoil fora da Noruega. O complexo de Apodi é o primeiro projeto de energia solar da multinacional no mundo.

Foi firmado um Contrato de Reserva de Energia (CER) para 20 anos com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com preço de entrega da energia de R$ 302/MWh, corrigido pelo IPCA.

O investimento terá um impacto direto na economia de Quixeré, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes. Durante a fase de obra, o Complexo Apodi vai gerar 1,1 mil empregos diretos. A proposta dos investidores é de que pelo menos 40% dessa força de trabalho seja oriunda da cidade.

A escolha do município aconteceu como consequência da parceria comercial desenvolvida por anos entre a Kroma e a Cimento Apodi, empresa do Grupo M. Dias Branco. O grupo é dono do terreno de 800 hectares onde está sendo instalado o complexo.  Além da preocupação na contratação da mão de obra local, outro cuidado importante foi com a questão ambiental. O projeto obedeceu a todas as regulamentações ambientais.

Fonte: Jornal do Commercio | Fernando Castilho

Brasil alcança o 7º lugar no ranking mundial de geração eólica

O Brasil subiu mais uma posição e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Em termos de expansão de potência, o País mantém o quinto lugar, com 2,5 GW em 2016.  Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016” produzido pelo Ministério e Minas e Energia (MME).

A situação favorável da fonte eólica brasileira também é destaque no fator de capacidade (FC). De 2000 para 2016 o Brasil passou de um FC médio de 20% para 41,6%.  No mundo, esses indicadores foram de 22% e 24,7%, respectivamente. Observa-se que de um FC abaixo do mundial em 2000, o Brasil evoluiu para um indicador 68% superior.

Dentre os estados brasileiros, o Rio Grande do Norte apresentou a maior proporção na geração eólica em 2016, com 34,7%, seguido do Ceará com 18,8%. No fator de capacidade, o Piauí teve o maior indicador (48,4%).

Para  2026, a previsão do Plano Decenal de Energia é que a capacidade instalada eólica brasileira chegue a 25,8 GW (inclusive geração distribuída), respondendo por 12,5% do total. A Região Nordeste (NE) deverá ficar com 90% da capacidade eólica total.

Considerando a geração  total de cada país,, a Dinamarca apresenta a maior participação de geração eólica, de 42,5%, seguida de Portugal (22,1%), e Espanha (18%).

Fonte: CERNE Press co informações do Ministério de Minas e Energia

Grupo TWA representa o Rio Grande do Norte no All About Energy 2017

 

A equipe da Trade Winds Alliance (TWA), grupo de empresas de serviços especializados para o atendimento do setor de energias renováveis, foi a única do Rio Grande do Norte a representar o Estado potiguar durante a 10ª Edição da Feira e Congresso All About Energy 2017, realizada de 04 a 06 de outubro no Terminal Marítimo de Passageiros em Fortaleza, Ceará.

O evento é considerado o maior da América Latina e tem como proposta promover e debater o futuro das fontes de energia renováveis e seu consumo de forma sustentável. O grupo esteve presente com um estande montado na feira intersetorial do evento, que nesta edição contou com a participação de cerca de 3.000 visitantes e 400 congressistas circulando na área de exposições.

TWA

A Trade Winds Alliance (TWA) é uma aliança estratégica empresarial que integra os talentos, a estrutura e as tecnologias de seis empresas em uma única marca e metodologia de trabalho. Seus serviços são voltados em especial para os setores de energia eólicas e solar, abrangendo diversos segmentos desde a medição, coleta e armazenamento de dados anemométricos até serviços de análise econômica e financeira em projetos de energia.

Para  mais informações, visite o site www.tradewindsbrasil.com.br.

Fonte: TWA

Ceará se prepara para redes inteligentes de energia

Presente em países europeus e nos Estados Unidos, as redes inteligentes de energia, também chamadas de “smart grids”, deverão se tornar, em breve, uma realidade no Ceará. Diferente do modelo convencional, que conecta usinas geradoras às unidades consumidoras de forma unidirecional, a rede inteligente integra todos os usuários, possibilitando que unidades consumidoras forneçam energia ao sistema público de distribuição conforme a demanda, que é monitorada em tempo real.

Em 2014, a Enel Distribuição Ceará iniciou estudos sobre esses sistemas e, no ano passado, instalou um projeto piloto de smart grid em um condomínio residencial no Eusébio que, até o final deste ano, deverá abrigar a primeira microrrede inteligente em escala real a entrar em operação no Brasil. Na primeira fase, o projeto irá incluir dez unidades residenciais, além de áreas comuns do empreendimento.

“Esse projeto é uma antecipação do que será o futuro das distribuidoras de energia e o futuro dos seus clientes”, diz José Nunes, diretor de relações institucionais da Enel. “No campo da inovação, nunca sabemos o que irá vingar e o que não vai. Mas nesse caso, nós temos certeza de que essa inovação vai ocorrer. Na Europa, em geral, isso já está bem avançado”. Com esse sistema, cria-se uma figura chamada de “prosumidor”, em referência àquele que consome, produz e fornece energia à rede pública.

Em linhas gerais, as redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração (fotovoltaicos ou eólicos) à rede pública, como nos sistemas de geração distribuída. A diferença é que os sistemas inteligentes são monitorados em tempo real por consumidores e distribuidores por meio de medidores digitais. Desse modo, as informações sobre o consumo contribuem, por exemplo, para redução de desperdícios ou roubo de energia, fazendo com que a distribuidora regule a oferta de energia conforme a demanda.

Funcionamento

“As redes inteligentes de energia são uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, mais segura, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados”, resume o consultor em energia João Mamede Filho, diretor presidente da CPE – Estudos e Projetos Elétricos.

“Os medidores de energia inteligentes são os primeiros elementos de uma rede de distribuição que devem ser implantados num sistema smart grid”. O medidor digital permitem, além da aferição remota do consumo, a programação remota de acionamentos e desligamentos de aparelhos eletrodomésticos, aumentando a eficiência do consumo de energia nas residências.

Quando está ligada à distribuidora, a microrrede armazena, em baterias, a energia gerada nos sistemas fotovoltaicos, por exemplo, para que possa ser consumida em caso de interrupção do fornecimento ou mesmo para, eventualmente, diminuir a demanda sobre o sistema que abastece a cidade.

No caso de uma queda de energia pela rede da concessionária, a microrrede funciona no modo autônomo sendo capaz, por exemplo, de manter o fornecimento de energia para cargas prioritárias (geladeiras, equipamentos de segurança, iluminação etc) durante pelo menos uma hora.

Vantagens

Segundo Mamede, entre as principais vantagens das redes inteligentes está identificação instantânea de queda no fornecimento, o conhecimento mais profundo do comportamento do cliente, melhorando o planejamento e ajustes da oferta, e a possibilidade de estabelecer um controle mais apurado de fraudes comerciais ou de perdas operacionais de energia, que podem ser identificadas mediante mudanças no comportamento do consumo.

“As empresas poderão fazer uma melhor avaliação do consumo dos seus clientes e conhecer melhor a qualidade do serviço prestado, podendo antecipar-se nos investimentos em determinadas áreas”, ele diz.

Conforme os sistemas inteligentes forem se popularizando, proporcionando maior eficiência energética, a expectativa é de que diminua a necessidade de construção de grandes empreendimentos para produção de energia mesmo com o aumento da demanda.

“As redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração fotovoltaicos e eólicos em consumidores de baixa tensão, sejam eles residenciais e comerciais, além de possibilitar um perfeito funcionamento desses sistemas em sintonia com todo a rede elétrica”, diz Mamede. “Dessa forma, será possível expandir a geração de energia de forma descentralizada, sem a necessidade de construção de grandes centrais de geração”, acrescenta.

Em âmbito internacional, as microrredes já podem ser encontradas em estágio de pesquisa e desenvolvimento experimental. Segundo a Enel, as primeiras aplicações pré-comerciais estão ocorrendo principalmente no Japão, Estados Unidos, Alemanha, Itália e outros países da Europa.

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

No Rio Grande do Norte, sistema de dessalinização é referência mundial

Especialistas internacionais se encantam com projeto piloto do programa no RN, no qual o sistema de dessalinização é alimentado por energia solar.

MARCELA SAAD

Enviada especial ao Assentamento Maria da Paz (RN)

Após debaterem as tecnologias de dessalinização e reuso da água no Congresso Mundial de Dessalinização, que aconteceu em São Paulo (SP), uma comitiva internacional de especialistas desembarcou no Rio Grande do Norte, na última sexta-feira (20/10), para conhecer de perto o Programa Água Doce (PAD).

Os técnicos foram até a comunidade rural Maria da Paz, em João Câmara, acompanhados do secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Jair Tannús Júnior, e da equipe do Água Doce nacional e estadual, para visitar o projeto piloto do programa: um sistema de dessanilização alimentado por energia solar.

A visita reuniu nomes importantes do cenário mundial nos campos de energia solar e dessalinização e destaca o PAD como referência mundial. “Viajo o mundo todo e não acreditei que vocês conseguiram fazer o que nenhum lugar do mundo faz. Não há nada parecido com o Água Doce. O programa funciona muito bem porque a comunidade é quem opera e ama fazer essa gestão”, disse o presidente da Associação Internacional de Dessalinização, Emilio Gabbrielli.

A sustentabilidade é uma das bandeiras defendidas pelo programa. O sistema da comunidade Maria da Paz é o primeiro alimentado por energia solar e vem sendo monitorado desde 2016 para que o mesmo modelo seja replicado em outras localidades atendidas pelo Programa. Com a utilização dos painéis fotovoltaicos para alimentar o sistema de dessalinização, as famílias não precisam mais se preocupar com a conta de luz: a energia, vinda diretamente do sol, é limpa, farta e gratuita.

A comunidade é atendida por meio do convênio firmado entre o MMA e a Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte e funciona desde 2015. “O convênio firmado com o Governo do Rio Grande do Norte investirá cerca de R$ 20 milhões até o final de 2018 e beneficiará cerca de 40 mil pessoas das comunidades mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima no que diz respeito ao acesso à água”, afirmou Jair Tannús Júnior.

Para o professor da comunidade Manuel Gentil Filho, o Programa Água Doce chegou para mudar completamente a vida dos moradores. “Antes a gente tinha muitos problemas de saúde por causa da água que era ruim. As crianças passavam mal, tinham problema de pele. Com a chegada do Água Doce, tudo melhorou. Elas estão mais alegres e têm mais ânimo para estudar e brincar”, disse.

Além do presidente da IDA, estiveram presentes na visita o governador em exercício do Rio Grande do Norte, Fábio Veras Dantas, o vice-presidente do Conselho Solar Global, Gianni Chianetta; o pesquisador do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Jaichander Swaminathan; a secretária-geral da Associação Internacional de Dessalinização, Shannon McCarthy, e o especialista em água e saneamento do Banco Mundial, Zael Sanz Uriarte.

Visita técnica à unidade do PAD no Assentamento Maria da Paz (Foto: Marcela Saad)

O PROGRAMA

O Programa Água Doce (PAD), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil, estabelece uma política pública permanente de acesso à água de boa qualidade para o consumo humano. O Programa contribui com o fornecimento de água potável a comunidades rurais de baixa renda do semiárido brasileiro, promovendo e disciplinando a implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e socialmente sustentáveis.

O sucesso do Água Doce, que envolve parcerias com diversas instituições, está fincado na participação da comunidade e na gestão compartilhada dos sistemas de dessalinização. Pessoas escolhidas pelas comunidades são capacitadas pelo Programa para operar os equipamentos e realizar pequenos reparos.

PASSO A PASSO DA DESSALINIZAÇÃO

A água subterrânea encontrada em boa parte do semiárido é salgada em função das características geológicas e climáticas da região. Essas características dificultam o acúmulo do líquido no subsolo e contribuem com a salinização da água, por isso, são impróprias para o consumo humano sem que haja algum tipo de tratamento. Para resolver o problema, o programa instala nas comunidades equipamentos de dessalinização que transformam a água imprópria em água potável de excelente qualidade.

O sistema funciona da seguinte forma: a água subterrânea é captada por meio de poços tubulares e armazenada em um reservatório. Em seguida passa pelo dessanilizador, que funciona como um filtro de alta potência, retirando da água a quantidade e os tipos de sais desejados. O equipamento separa a potável daquela concentrada em sais. A parte dessanilizada é armazenada em reservatório de água potável para distribuição à comunidade. Já o concentrado, armazenado em reservatório para ser encaminhado aos tanques de evaporação.

Fonte: Marcela Saad | Ministério do Meio Ambiente

Voltalia e Copel inauguram novo complexo eólico no Rio Grande do Norte

A Voltalia, grupo internacional produtor de energia a partir de fontes renováveis, em parceria com a Copel – Companhia Paranaense de Energia – inaugurou nesta quinta-feira, 19, o Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso/ RN e a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN) dos quatro parques que o compõem. Ao todo, são 36 aerogeradores de 3 MW cada, totalizando 108 MW de capacidade instalada e que já se encontra em operação comercial.

O Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso tem potencial para produzir em torno de 520 GWh por ano, energia capaz de abastecer aproximadamente 270 mil famílias, além de preservar o meio ambiente à medida que reduz a emissão de gás carbônico em até 205.042 toneladas por ano.

São Miguel do Gostoso está apto a operar desde junho de 2015, época em que a construção do complexo foi finalizada. Deste então, o complexo recebe a receita total de remuneração, conforme previsto pelo leilão público, realizado em 2011. Agora, com a linha de conexão disponibilizada e o complexo ligado ao Sistema Interligado Nacional, a Voltalia atinge a marca de 429,30 MW em operação comercial no Brasil.

“A inauguração do Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso/RN representa um grande estímulo aos nossos negócios e contribui não somente com geração de energia limpa, mas também com o abastecimento de uma região que vive constante deficit de geração de energia elétrica. Atingir a marca de 429,30 MW em operação no país reforça ainda mais a nossa ambição em ser um grupo com atuação significativa no pais na produção de energia apartir de fontes renováveis e que enxerga no Nordeste do país, em especial o estado do Rio Grande do Norte, uma região com um potencial enorme de desenvolvimento”, declarou Robert Klein, Diretor Geral da Voltalia Energia do Brasil.

“Para a Copel, é motivo de grande orgulho fazer parte deste projeto. Este complexo representa mais um passo decisivo para consolidar a geração de energia com fontes renováveis de forma eficiente. A Copel está alinhada à demanda de toda a população por fontes mais sustentáveis e baratas. Por isso, participamos de projetos como do Complexo de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, onde os ventos sopram com mais abundância, para diversificar a matriz energética e garantir retorno para os paranaenses”, disse o presidente da Copel, Antonio Guetter.

Números
520 GWh 
é a capacidade de geração de energia anual pelo novo parque eólico de São Miguel do Gostoso

O RN pode perder atratividade

Principal destino brasileiro dos investimentos da multinacional Voltalia, o Rio Grande do Norte ganhou, na semana passada, mais um complexo eólico administrado pela empresa. Os 36 aerogeradores instalados com capacidade de geração de energia em torno de 520 GWh por ano, estão fincados no entorno do município de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte. Juntos, eles poderão  abastecer, aproximadamente, 270 mil famílias com energia elétrica.

A geração da energia está garantida. O escoamento, porém, poderá sofrer reveses caso o Governo Federal não amplie as linhas de transmissão existentes. Novos empreendimentos deverão chegar nos próximos anos, além dos que estão em construção, pois novos leilões ocorrerão ainda este ano. A expectativa, com o certame de energia renovável que será realizado em dezembro deste ano, é que a Voltalia amplie os investimentos no estado e passe a produzir energia fotovoltaica, a que aproveita o potencial da luz solar.

O country manager da companhia no Brasil, contudo, alerta para o risco do estado do Rio Grande do Norte perder atratividade em decorrência da limitação das linhas de transmissão de energia.

O que representa, para a Voltalia, a inauguração deste novo parque eólico?
A inauguração do Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso, no norte do Rio Grande do Norte, representa um grande estímulo aos nossos negócios e contribui não somente com geração de energia limpa, mas também com o abastecimento de uma região que vive constante déficits de geração de energia elétrica. Atingir a marca de 429,30 MW em operação no país reforça ainda mais a nossa ambição em ser um grupo com atuação significativa no pais na produção de energia a partir de fontes renováveis e que enxerga no Nordeste do país, em especial o estado do Rio Grande do Norte, uma região com um potencial enorme de desenvolvimento.

Como a Voltalia atua na geração de energia no mundo?
A Voltalia é uma companhia internacional produtora de energia elétrica a partir de fontes renováveis (eólica, solar, hidroelétrica e biomassa) e que presta serviços a clientes terceirizados. A empresa está presente em 15 países espalhados pelos 4 continentes e é cotada na bolsa de valores Euronext Paris desde julho de 2014 (VLTSA).

Como se deu o processo de escolha do RN pela Voltalia? Quanto tempo essa prospecção demorou e quanto a empresa já investiu no estado?
O Brasil representa o maior mercado para a Voltalia em termos de investimentos e capacidade instalada. O Rio Grande do Norte é uma das melhores regiões para construir e operar um complexo eólico, devido à sua topografia e, claro, ao seu regime de vento extremamente favorável. Nossos investimentos no Brasil chegam à casa de R$ 2,5 bilhões e o Rio Grande do Norte é o principal destino desses investimentos, pois aqui estão localizados todos os nossos cinco complexos eólicos. Identificamos o potencial desta região já em 2007, quando ainda o setor eólico era incipiente no Brasil. Prospectamos áreas, firmamos contratos de arrendamento, medimos o vento. Desenvolvemos muitos projetos, sempre torcendo para que o governo desse a chance para esta fonte de energia limpa. Foi o que aconteceu com o primeiro leilão em 2009.

Quais foram as dificuldades (jurídicas, estruturais, ambientais) para instalação dos parques?
No geral, posso afirmar que a implementação do projeto foi um grande sucesso. Porém, tem que admitir que não faltaram dificuldades que apareceram ao longo do nosso caminho. Mas, com um trabalho sério, paciência, profissionalismo, perseverança e um pouco de sorte, conseguimos superá-las e chegar ao resultado que conhecemos.

A Voltalia pretende ampliar a participação na geração de energia via RN? De que forma? Quanto pretende investir no leilão programado para dezembro?
Sem dúvida. Trabalhamos e investimos há muitos anos para ampliar a nossa participação no RN, assim como em outros estados. Temos uma carteira importante de projetos que só espera ganhar um leilão para serem construídos. Temos diversos projetos eólicos e solares cadastrados no próximo leilão de dezembro, e como são extensões dos nossos parques já em operação, esperamos que sejam competitivos.

Além da energia eólica, a Voltalia tem planos de explorar energia solar no RN? A partir de quando e por qual município?
Sim, estamos construindo nosso primeiro parque solar no Brasil. Este parque integra o Projeto Híbrido que possuímos em Oiapoque (AP), onde ainda envolve geração de energia térmica e de uma PCH – Pequena Central Hidrelétrica -, cuja construção está prevista para se iniciar no segundo semestre de 2018. Um dos motivos de termos adquirido a Martifer Solar no ano passado foi diversificar nosso portfólio e sermos mais atuantes em energia solar no mercado brasileiro.

Em relação à transmissão da energia produzida localmente, como a Voltalia tem conseguido escoá-la? Qual o principal cliente da empresa?
Como apostamos em construção de parques de grandes portes (cluster), tivemos que construir uma linha de transmissão de grande capacidade capaz de escoar uma grande parte dos nossos parques. Quem compra a energia gerada por nossos parques são a maioria das distribuidoras do Brasil, de Norte a Sul, assim como preveem os leiloes de energia nova.

Qual o potencial do RN em relação aos demais estados brasileiros nos quais existem parques eólicos instalados? Esse potencial é pouco explorado? Por quais motivos, do ponto de vista da Voltalia?
Em termos de regime de vento e radiação solar, o Rio Grande do Norte é um dos estados com mais capacidade instalada hoje e potencial para o futuro. Porém, o estado pode perder muito rapidamente a sua atratividade devido às restrições de margem de escoamento, ou seja, a falta de investimento em linhas de transmissão que impede muitos projetos do Rio Grande do Norte participar de leilões. Os Estados do Rio Grande do Norte e Bahia são os mais afetados com essas restrições devidas, principalmente, ao atraso na construção de novas linhas.

Quais são os reflexos disso?
É uma pena, pois isto pode ajudar o estado a beneficiar-se de novos investimentos, sabendo quanto são importantes, na medida em que os projetos eólicos são acompanhados de projetos sociais que beneficiam as comunidades. A nossa contribuição neste aspecto foi muito grande ao longo dos últimos anos com o nosso envolvimento em numerosos projetos sociais, também com o apoio do BNDES.  Nossos empreendimentos não contribuem apenas com a geração de energia limpa, de empregos e melhora da economia, também implantamos projetos sociais que visam proporcionar melhores condições de vida aos habitantes da região.

Existem novos parques no portfólio da Voltalia para o RN? Onde serão instalados e quanto custarão?
Há bastante, mas o sucesso dos nossos empreendimentos depende diretamente da política nacional sobre as energias renováveis, assim como no reforço do sistema de transmissão no estado do Rio Grande do Norte, como falado anteriormente. Há praticamente dois anos não acontecem leilões de energias renováveis e o leilão de dezembro se torna ainda mais importante para quem continua apostando e investindo em projetos de energia limpa.

Faltam políticas públicas estaduais voltadas ao fomento do setor de energias renováveis? Como o tema é tratado entre empresários do setor e representantes do Estado?
A modernização do setor elétrico brasileiro precisa ser realizada de forma cautelosa pelo governo. A Voltalia procura sempre contribuir com a regulamentação para proporcionar segurança ao setor. Ao nosso ver, o papel da indústria de energia elétrica brasileira é contribuir com o desenvolvimento econômico da região do ponto de vista energético, mas também social e ambiental. O governo do Estado sempre ficou atento e proativo sobre a evolução do desenvolvimento do nosso setor no Rio Grande do Norte, e continuamos contando com o seu apoio.

Quem
Robert Klein é graduado em Matemática pela Aix-Marseille University, e em Engenharia pela Centrale Marseille. Possui MBA em Administração pela IAE FRANCE – Écoles Universitaires de Management. Iniciou sua carreira na exploração marítima de petróleo no Brasil, e participou da configuração e do desenvolvimento de companhias francesas, em particular nos Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia, ligadas, predominantemente, ao setor de energia.

Fonte: Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

CPFL Energia lança programa de inovação aberta para apoiar startups com soluções em energia

A CPFL Energia, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, acaba de lançar o programa CPFL Inova, uma iniciativa da área de inovação que pretende alavancar o crescimento de até 12 startups e scale-ups, que tenham colocado no mercado soluções com potencial de impulsionarem o setor elétrico. Desenvolvido em parceria com a Endeavor, ONG global de fomento ao empreendedorismo, a iniciativa é um mais passo do Grupo CPFL para acompanhar as tendências e as mudanças, em nível global, em curso na indústria de energia.

Lançado durante a Semana da Inovação da CPFL Energia, o projeto terá duração de sete meses. Ao longo deste período, os empreendedores selecionados passarão por um processo de mentoria conduzido pelos executivos do Grupo CPFL e mentores da rede Endeavor, composta por algumas das principais lideranças empresariais do País. A proposta é conduzir a troca de experiências com mentores e entre os próprios empreendedores participantes, com foco em desafios cruciais para o crescimento, identificados na primeira etapa do programa.

Com inscrições abertas a partir de 19 de outubro, por meio do site www.endeavor.org.br/scaleup/cpflinova, o CPFL Inova está em busca de empresas que estão se destacando pelo crescimento, com modelo de negócios escalável, diferenciais competitivos claros e lideradas por empreendedores com capacidade de execução e sonho grande. Na indústria da inovação, esse perfil de companhia é conhecido como “Scale Up”, que se difere da Startup por já estar em fase de dar tração ao negócio e, portanto, com desafios mais relacionados ao crescimento sustentável. “O alvo do CPFL Inova é atrair empreendedores ambiciosos com alto potencial de impacto, liderando os seus negócios com ética, gestão e profissionalismo”, afirma o diretor de Estratégia e Inovação da CPFL Energia, Rafael Lazzaretti.

Serão selecionadas para participar do projeto empresas que desenvolvam soluções nas áreas de: eficiência operacional, eficiência energética, geração distribuída, armazenamento de energia, Internet das Coisas, Big Data e análise de dados, cidades inteligentes e relacionamento com clientes. Essas áreas de negócio estão em linha com a estratégia de investimentos da CPFL Energia, que vem apostando na digitalização (smart grid e novos canais de atendimento) e na economia de baixo carbono (Envo – energia solar, CPFL Renováveis, CPFL Eficiência e CPFL Brasil).

Além do diagnóstico sobre os desafios cruciais do negócio e as mentorias, os empreendedores selecionados terão acesso a um fundo de R$ 10 milhões da CPFL Energia para o desenvolvimento de projetos de P&D, nos moldes do Programa de Pesquisa e desenvolvimento da ANEEL, cujos recursos serão investidos em capacitação técnica e especialização e no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Outro benefício da iniciativa é a possibilidade de firmar parcerias comerciais com as empresas do Grupo, inclusive durante o período de realização do programa.

“Impulsionado por mudanças nos hábitos dos consumidores e pelo surgimento de novas tecnologias, o setor elétrico está passando por uma revolução, equivalente à ocorrida no setor de telecom nos 1990. Com o CPFL Inova, queremos estimular o desenvolvimento de projetos que tem potencial para transformar a sociedade”, afirma o executivo. Atualmente, a CPFL Energia vem desenvolvendo uma série de iniciativas na área de inovação com enfoque nas mudanças estruturais do mercado de energia, tais como o projeto Emotive (mobilidade elétrica) e Telhados Solares (energia solar).

“A aproximação de uma empresa centenária, como a CPFL Energia, de scale-ups com pouco tempo de vida, porém com potencial para transformar o seu mercado, é um sinal claro da transformação que vivemos nos negócios. A inovação passou a ser tratada como uma plataforma aberta, na qual grandes e pequenas se juntam em busca de criação de valor de longo prazo. A Endeavor vem catalisando esse movimento com programas de aproximação que proporcionam oportunidades de conexão entre a grande empresa e o empreendedor, para que juntos cresçam mais e mais rápido”, diz Luis Felipe Franco, responsável pelas iniciativas de Corporate Venture na Endeavor.

CRONOGRAMA
O período de inscrições vai de 19/10 a 31 de janeiro de 2018 por meio do site http://www.endeavor.org.br/scaleup/cpflinova. Uma banca composta por executivos da CPFL Energia e mentores da rede Endeavor selecionarão as 12 empresas que participarão do programa no dia 22 de fevereiro de 2018, com o anúncio dos escolhidos no dia 23.

Entre março e agosto, as empresas selecionadas passarão pelo diagnóstico dos principais desafios de crescimento dos negócios, além de mentorias individuais, mentorias coletivas e interações com mentores da rede Endeavor e com os executivos da CPFL Energia. O programa será encerrado em setembro.

SEMANA DE INOVAÇÃO DA CPFL ENERGIA
O lançamento do projeto foi feito durante a 4ª Semana de Inovação, evento realizado anualmente pela CPFL Energia em Campinas com o objetivo de apresentar projetos de pesquisa e desenvolvimento realizados pela empresa e promover e disseminar a cultura da inovação para os colaboradores do Grupo. Este ano, a Semana de Inovação ocorre de 16 a 20 de outubro.

Ao longo desta semana, a Diretoria de Inovação e Estratégia da CPFL Energia realizou workshops e apresentações sobre temas como geração solar distribuída, mobilidade elétrica, inovação e empreendedorismo, armazenamento de energia e consumo de energia. Além dos colaboradores do Grupo, os eventos também contarão com representantes de autoridades do setor elétrico e representantes da academia.

 Fonte: CPFL Energia

Brasil acelera para arrecadar com petróleo antes de “era renovável”, diz secretário

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não deverá ter ajuda do Brasil em seus esforços para reduzir a oferta da commodity, uma vez que o país pretende impulsionar a produção e a exploração nos próximos anos para monetizar suas reservas, disse à Reuters o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

Na véspera, o secretário-geral da Opep, Mohammed Barkindo, pediu ajuda até mesmo dos Estados Unidos para reduzir a oferta global da commodity e disse que os produtores norte-americanos de petróleo de xisto deveriam se preocupar também com um eventual impacto de uma queda nos preços.

O ministro do Petróleo da Venezuela, Eulogio del Pino, disse no início de outubro que foram feitos convites para que entre mais 10 e 12 países se juntem aos esforços da Opep para cortar A produção. Segundo ele, os convidados são da América do Sul e da África.

“Houve um momento em que havia uma preocupação, no sentido de que essa é uma riqueza que deve ser explorada com cuidado, para que as próximas gerações se aproveitem dela. E cada vez mais é o contrário, a gente tem que acelerar o aproveitamento dessa riqueza”, disse Pedrosa.

Ele disse não ter conhecimento de um contato da Opep para que o Brasil se junte aos esforços de corte de oferta. Ainda assim, segundo Pedrosa, atender um chamado desses não faria sentido para o país, nem com uma redução na produção da Petrobras e nem com a desaceleração da oferta de novas áreas para exploração.

“A Petrobras é uma empresa que hoje é conduzida pela lógica empresarial, não vejo interesse do país em decidir levar a Petrobras a uma decisão que não seja a que faz mais sentido para ela. E nem faz sentido a gente reduzir a oferta de áreas para exploração futura”, disse Pedrosa.

Ele defendeu que o Brasil tem de aproveitar suas reservas antes que o mundo entre em uma “era renovável”, em que outras tecnologias ganharão importância, como a energia solar e os carros elétricos, com impacto sobre a demanda por petróleo.

“A idade da pedra não acabou por falta de pedra, e a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo. Começou a haver uma corrida para aproveitar o recurso que se tem, porque lá na frente ele pode não ter valor”, adicionou o secretário.

A produção de petróleo do Brasil em agosto somou 2,576 milhões de barris por dia, com queda de 1,3% ante igual mês de 2016, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A título de comparação, a Rússia, líder global em produção, registrou a extração de 10,9 milhões de barris por dia em petróleo em agosto.

A Petrobras responde por 94% da produção brasileira, segundo a ANP, em um ranking com os maiores operadores do país, seguida pela norueguesa Statoil, com 3%, e a Shell, com 1,3%.

Do lado da oferta de áreas para exploração e produção, o Brasil já possui rodadas de licitação agendadas para 2017, 2018 e 2019, e há planos para outras.

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse nesta semana que o governo avalia sinalizar a realização de ao menos dois leilões de novas áreas por ano também para 2020 e 2021.

Além disso, está em avaliação a ideia de agendar leilões para vender os direitos da exploração dos excedentes da chamada Cessão Onerosa, em que a Petrobras fechou contrato para explorar 5 bilhões de barris de óleo equivalente sem licitação.

Segundo Félix, a área da cessão onerosa pode ter de 5 a 10 bilhões de barris além dos cedidos à Petrobras. O governo avalia vender essas reservas possivelmente em mais de um leilão, com o primeiro deles em 2018.

Fonte: Época Negócios

CERNE discute ações para implantação de cidades inteligentes

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu nesta sexta-feira (13) a visita da diretora da Secretaria Municipal de Planejamento de Natal (SEMPLA), Irani Santos, e do professor da Universidade Aalto Helsinki (Finlândia), Álvaro de Oliveira.  A visita teve como objetivo apresentar os atuais projetos em andamento para implantação de cidades inteligentes e humanas, como já ocorre em Natal, através de uma parceria entre a Prefeitura e o Instituto Metrópole Digital (UFRN).

A reunião também teve como objetivo delinear ações conjuntas entre o CERNE, UFRN e Prefeitura de Natal para implantação desse modelo de plataforma sustentável em cidades no Rio Grande do Norte.

Irani dos Santos propôs ao CERNE a realização de um workshop voltado para o setor de energia dentro da Campus Party Natal, que será realizado em 2018.

Fonte: CERNE press

Painéis solares iluminam a Amazônia, última fronteira do Brasil sem energia

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Fonte: Estado de Minas

Biomassa supera usina Itaipu em capacidade instalada de energia

Energia gerada pelo bagaço da cana de açúcar representa quase 90% da produção de bioeletricidade do país

A contratação de fontes renováveis de energia complementares à geração hídrica e que contribuam para a manutenção de uma matriz elétrica limpa é cada vez mais estratégica para o futuro energético no Brasil.

Dentre estas fontes, destaca-se a eletricidade gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar, restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outros materiais derivados.

Mas além de atender as necessidades de energia das usinas, desde a década de 1980 o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia elétrica que são fornecidos para o sistema elétrico brasileiro. Em 2017, o setor sucroenergético está fazendo 30 anos de exportação de bioeletricidade para a rede elétrica nacional.

“A capacidade instalada atualmente pela biomassa é de 14.302 megawatts (MW) superando a capacidade da usina Itaipu. Em geral, a biomassa ocupa a segunda posição em capacidade instalada, perdendo apenas para as hidrelétricas”, afirmou o  Gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA), Zilmar de Souza, durante a plenária sobre cenários do setores energéticos no All About Energy 2017, em Fortaleza, Ceará.

As regiões com maiores índices de geração estão localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná que concentram mais de 90% da bioeletricidade gerada para a rede. “O Nordeste tem grande potencial de desenvolvimento graças ao parque sucroenergético secular instalado na região”, completa Souza, que apresentou o panorama dos biocombustíveis e bioeletricidade no Brasil.

“Estamos em um momento propício para elaborarmos uma política setorial de longo prazo em especial para a bioeletricidade e biogás advindo do setor sucroenergético. O All About Energy será um espaço importante para discutirmos e delinearmos esta política setorial”, salienta.

Fonte: CERNE/All About Energy

Mais de 870 mil paraibanos terão “energia dos ventos” em 2018

A capacidade de geração de energia eólica na Paraíba vai chegar a 157,2 megawatts (MW) até o próximo ano, podendo gerar uma energia limpa suficiente para abastecer mais de 290 mil residências, o que equivale a aproximadamente 870 mil habitantes.

A média corresponde à população total de João Pessoa mais um pouco da metade de Bayeux juntas, de acordo com estimativa deste ano divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo considera uma média de três moradores por domicílio e é utilizado por órgãos do setor elétrico, a exemplo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa populacional deste ano em João Pessoa é de 811.598 habitantes e a de Bayeux é de 97.010 habitantes, conforme documento publicado no Diário Oficial da União e produzido pelo IBGE.

De acordo com a Abeeólica, a Paraíba possui atualmente 62,7 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica em 12 usinas que operam comercialmente, todas concentradas no município de Mataraca, Zona da Mata paraibana. Mais três usinas (Lagoa I e II e Canoas) estão em construção na região do Seridó do estado, que vão acrescer 94,5 MW de potência de geração.

Os três parques eólicos estão sendo construídos pela Força Eólica do Brasil (FEB). São 45 aerogeradores (os postes que se assemelham a grandes ventiladores) instalados nas cidades de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó e que vão formar o Complexo Santa Luzia.

A previsão do início da operação comercial do complexo era para este mês, de acordo com material divulgado pela FEB. No entanto, documento publicado em setembro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que fiscaliza os serviços de geração em todo o país – incluindo as centrais geradoras eólicas – informa que somente parte de uma das três usinas já vai poder começar a operar comercialmente a partir deste mês.

Estudos realizados pelo grupo Iberdrola, que compõe a Força Eólica Brasileira (FEB), apontam que o potencial de geração de energia eólica na Paraíba pode chegar a 2 gigawatts (GW).

Cidades como Patos e Picuí, por exemplo, seriam verdadeiras “minas de ouro” em geração de vento. O que falta? Explorar o potencial. Apuração da reportagem verificou que já existe a intenção de investidores em explorar a produção de energia eólica em Picuí. Além disso, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) analisou novas formas de escoamento da produção de energia alternativa – solar e eólica – na região do seridó paraibano e do Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, de acordo com a EPE, os municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Patos, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Teixeira foram identificados como localidades com potenciais eólico e fotovoltaico. Por sua vez, o mapeamento da Iberdrola, de acordo com divulgação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

“A velocidade média do vento fica acima dos 5 metros por segundo, o que gera uma constante boa para a produção de energia”, explicou o professor Giovanni Maciel.

Para Múcio Flávio, analista da Sudema, é comum crer que o potencial de geração eólica da Paraíba esteja no litoral. “Mas os estudos apontam a Borborema e o Seridó como maiores potenciais. Trata-se de região ondulada e escassa de chuvas. Como é pouco habitada por causa da dificuldade de plantio e criação de gado, a energia eólica traria benefícios para os moradores da região, porque as terras são arrendadas para a instalação de aerogeradores e os proprietários recebem entre 1% e 1,5% do faturamento da empresa, dependendo do contrato”, afirmou.

O analista também citou Araruna e São João do Tigre como cidades com potencial eólico no estado. O professor Márcio Souza, da UFPB, afirmou que a Paraíba ainda tem bastante potencial eólico a ser desenvolvido.

Fonte: Celina Modesto | Jornal Correio da Paraíba