Por que fontes de energias ‘limpas’, mesmo mais caras, compensam

Por Rafael Iandoli | Nexo Jornal

O dinheiro economizado com saúde pública e políticas paliativas de meio ambiente compensa o custo mais caro de produção de energia por meios não poluentes. A conclusão é de um estudo de oito anos da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, que mediu o impacto da redução na emissão de gases poluentes em outras áreas.

A análise durou de 2007 a 2015 e mediu a quantidade de quatro poluentes — dióxido sulfúrico (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), partículas poluentes (PM2.5) e gás carbônico (CO2) — que deixou de ser jogada na atmosfera graças à substituição pela produção solar e eólica.

US$ 87 bilhõesfoi o valor economizado pelo governo no período, segundo as estimativas do estudo

O cálculo do real custo da poluição para a sociedade é um desafio para a ciência há anos. Os pesquisadores de Berkeley, por sua vez, calcularam a diminuição do número de mortes prematuras causadas pela poluição atmosférica, que girou em torno de 7.000 no período. Além disso, incluiu os custos com políticas ambientais e outros gastos com saúde pública.

O valor de US$ 87 bilhões é próximo do total gasto no mesmo período em subsídios à indústria de produção de energia limpa. Entre 2010 e 2013, por exemplo, os incentivos do governo americano variaram de US$ 8,6 a US$ 13,2 bilhões por ano.

Custo é argumento recorrente contra energias renováveis

Em alguns países do mundo, a criação de infraestrutura para a produção e distribuição de energia solar e eólica a longo prazo já faz com que esse modelo seja mais barato que a energia produzida pela queima de combustíveis fósseis.

Em outras realidades, no entanto, como nos EUA, a produção de energias consideradas “limpas”, como é o caso da eólica ou a solar, é mais cara que a queima de combustíveis fósseis.

Esse foi um dos principais motivos alegados por Donald Trump no início de junho para retirar os EUA do Acordo de Paris — tratado internacional de larga adesão que visa a redução na emissão de gases poluentes. Segundo Trump, a economia do país seria prejudicada por pagar mais caro por energia.

Ao fazer os empresários do país pagarem mais para produzir energia limpa, a política contra o aquecimento global estaria levando indústrias para outros países, menos preocupados com a emissão de gases estufa, segundo Trump.

A produção de energia eólica e solar são as que recebem mais dinheiro do governo americano. Embora o dinheiro gasto por quilowatt produzido venha caindo ao longo do tempo, as duas ainda dominam a folha de gastos com energia dos EUA.

O estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, contudo, indica que esses gastos geram externalidades positivas que, além de melhorar a qualidade de vida da população, também compensam financeiramente.

Os pesquisadores fazem a ressalva de que esses benefícios para a saúde e o meio ambiente podem variar de acordo com a região e ao longo do tempo, e portanto a mudança na matriz energética não é a única resposta possível para qualquer região do planeta.

Os custos da poluição no Brasil

Segundo dados de 2015 do Ministério de Minas e Energia do governo federal, 65,5% da oferta interna de energia no Brasil é proveniente de fontes poluentes: petróleo, gás, carvão mineral, coque, lenha e carvão vegetal. A produção de energia nacional apresenta dados semelhantes: 65,9% vem de fontes poluentes.

30% do consumo final de energia no Brasil acontece no transporte rodoviário

A poluição atmosférica é um problema recorrente nas metrópoles do país. Em dias de sol e após longos períodos sem chuva, é fácil observar uma camada cinza sobre as cidades.

Um estudo de 2014 de pesquisadores da Unifesp e da USP apontou que mais de 20 mil pessoas morreram em 29 regiões metropolitanas brasileiras exclusivamente por causa de problemas decorrentes da alta concentração de material particulado na atmosfera — ou seja, poluição.

Simone Georges El Khouri Miraglia e Nelson Gouveia calcularam que a poluição gera gastos anuais ao governo de US$ 1,7 bilhão por meio de mortes prematuras.

Já um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP, específico na cidade paulista de Cubatão, onde a poluição atmosférica vem principalmente da queima de combustíveis fósseis por indústrias, identificou que entre 2000 e 2009, doenças nos aparelhos circulatórios e respiratórios custaram R$ 22,1 milhões ao SUS.

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Segunda Edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar está disponível para download

O Brasil tem grande potencial de geração de energia solar não explorado no chamado Cinturão Solar, área que vai do Nordeste ao Pantanal, incluindo o norte de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte e o nordeste de São Paulo. É o que indica a segunda edição do Atlas Brasileiro de Energia Solar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A nova edição utilizou informações levantadas durante 17 anos. Os dados informam a quantidade e a disponibilidade da radiação solar, e a variação de potência dos raios, como os fatores climáticos – notadamente a presença de nuvens – que influenciam a disponibilidade e a influência da topografia para a incidência dos feixes de luz solar.

A primeira versão do Atlas, produzida pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em 2006, com dados compilados ao longo de dez anos, já apontava esse potencial de expansão. Agora, a quantidade de material obtido por meio de satélites permitiu uma análise mais profunda sobre a real capacidade do País.

Segundo o coordenador dos estudos, Enio Pereira, o Atlas contribuirá para a tomada de decisões estratégicas nas políticas públicas do setor de energia elétrica, além de investimentos privados e outros estudos. “Para você usar qualquer forma de energia, tem de conhecer a disponibilidade dela”, explica o físico, que atua no Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe.

Atualmente, a participação da fonte solar na matriz energética brasileira representa apenas 0,02% do total produzido no País. ”O potencial para gerar energia solar no Brasil é gigantesco, especialmente no Cinturão Solar. Toda essa área tem um potencial enorme de geração, porque tem incidência de muita luz solar e durante um longo período, especialmente entre maio e setembro, que é uma época de seca na maior parte desse território”, afirma o físico.

Entraves

Um dos desafios encontrados pelo setor é conseguir manter a produção diante das variabilidades das condições atmosféricas, como em dias chuvosos ou com alta nebulosidade. Esse é considerado um entrave-chave para a expansão da produção solar, especialmente na comparação com a fonte hidrelétrica.

“A hidrelétrica, tendo água, você consegue programar de forma constante a sua produção. Na solar, você não tem controle de quanto vai gerar porque tem uma nuvem passando. É uma energia que varia muito com o tempo. Essa é uma questão que deve ser resolvida”, diz Enio Pereira.

A alternativa apontada pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar para resolver esse problema é distribuir a produção. Assim, é possível manter o volume de geração, mesmo que determinada área não tenha condições de gerar energia. Ele alerta, porém, que ainda há um longo caminho a ser trilhado para garantir uma técnica eficiente de produção.

Para produzir o Atlas Brasileiro de Energia Solar, o Inpe contou com a participação de pesquisadores de várias instituições brasileiras, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Serão produzidas 1.500 cópias do estudo, que serão distribuídas para instituições do setor.

Para fazer download do atlas de energia solar acesse aqui

Fonte: MCTIC

CERNE participa de feira de oportunidades

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) representado pelos diretores setoriais Milton Pinto (Infraestrutura e Energia Elétrica), Olavo Oliveira (Pesquisa, Tecnologia e Inovação) e Hugo Fonseca (Meio Ambiente e Sustentabilidade), esteve presente nesta quinta-feira (17) na feira de oportunidades que integra a programação do III Encontro Mais Estágio do UNI-RN.

Durante a manhã e à noite, diversas empresas atuantes no mercado potiguar expuseram suas oportunidades de estágio e mostraram aos estudantes um panorama do mercado de trabalho em diversas áreas.

Fonte: CERNE Press

Geração eólica cresce 25% no primeiro semestre de 2017

A geração efetiva de energia por fonte eólica em operação comercial no Brasil totalizou 21.351 megawatts médios entre os meses de janeiro e julho de 2017.  O resultado representa um crescimento de 24,26% quando comparado com o mesmo período registrado no ano passado, quando a produção de energia eólica registrou 17.182 megawatts médios.

As informações são resultado de um levantamento realizado pelo colaborador do CERNE e professor da UFRN, João Agra, com dados consolidados no último relatório da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgado em agosto.

Fonte: CERNE Press

Comitiva do Consulado dos EUA visita o CERNE

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu, nesta quinta-feira (17), a visita oficial do novo Cônsul Geral dos Estados Unidos, John Barrett e de sua equipe, formada por diplomatas de diversos setores do Consulado Americano em Recife. O encontro teve como objetivo apresentar o trabalho desenvolvido pelo CERNE no Nordeste Setentrional e mostrar potencialidades do Rio Grande do Norte na área de energias renováveis.

Natal é a primeira cidade, fora do estado de Pernambuco, a receber oficialmente a comitiva do novo Cônsul. A agenda de compromissos do chefe do consulado está voltada para o conhecimento de aspectos econômicos do RN no segmento das energias renováveis, além de estreitar as relações de negócios entre os mercados americano e potiguar.

John Barrett, novo Cônsul Geral dos Estados Unidos no Recife. (Foto: Divulgação)

John Barrett, novo Cônsul Geral dos Estados Unidos no Recife. (Foto: Divulgação)

John Barret assumiu em julho o cargo de Cônsul Geral, antes ocupado por Richard Reiter, e será responsável pela gestão do Consulado por três anos, desempenhando neste período relacionamento com órgãos públicos, instituições e empresas de vários estados do Nordeste.

Estiveram presentes na reunião a Coordenadora de Relações Institucionais do CERNE, Neli Terra, o Diretor Setorial de Tecnologia, Pesquisa e Inovação, Olavo Oliveira, e o Diretor Setorial de Infraestrutura e Energia Elétrica, Milton Pinto. O Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, participou do encontro por meio de videoconferência diretamente do Rio de Janeiro e deu as boas vindas à comitiva.

Também participaram da visita o Cônsul de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Daniel Stuart, e a Diplomata do Departamento Consular Americano, Edith Lee.

Fonte: CERNE Press

Geração eólica bate recorde no Nordeste

A geração de energia eólica no Nordeste bateu recorde no sábado, 29, quando foram produzidos 5.746 MW médios dessa fonte, atendendo 63% da carga da região. Às 10h57 daquele dia, a produção desses parques eólicos foi ainda mais intensa e chegou a responder por 69% da carga. A produção de energia a partir dos ventos vem garantindo o abastecimento no Nordeste, que enfrenta uma longa seca, com reflexos na redução da geração hidrelétrica.

Fonte: Estadão | Luciana Collet

Aneel autoriza operação comercial de parques eólicos na Bahia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu nesta terça-feira, 15 de agosto, em 30 dias o prazo para que as eólicas Primavera, São Judas, Cristal, Maniçoba e Esperança, todas de propriedade da Enel Green Power, entrem em operação comercial.

As eólicas ficam localizadas na Bahia. A ordem veio devido ao início da operação integrada ao Sistema Interligado Nacional da SE Morro do Chapéu 2, na Bahia.

Fonte: CERNE Press

Eólica amplia participação na matriz energética brasileira

A geração de energia pela fonte eólica vem batendo recorde ano após ano no Brasil. Em 2010, a geração energia eólica girava em torno de 1.376 megawatts (MW) médios e ocupava 0,23% da matriz elétrica nacional. Em 2016 a geração de energia pela força dos ventos saltou para 44.353 MW médios, aumentando para 6% a sua fatia de participação na matriz energética brasileira.

Os dados são resultado de um levantamento realizado pelo professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN e colaborador do CERNE, João Agra, com base no último relatório da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgado em no início de agosto.

“Desde a inserção da fonte na matriz elétrica nacional, no ano de 2009, e sua evolução quanto ao número de parques construídos e capacidade instalada em operação comercial, as eólicas estão se tornando uma fonte cada vez mais relevante nos indicadores de geração de energia”, destacou Agra.

Fonte: CERNE Press

 

Brasil aposta na recuperação demanda por energia a partir 2018

Por Vanessa Dezem e Mario Sergio Lima.

O Brasil prevê que a demanda por energia começará a se recuperar no ano que vem acompanhando a melhora da situação econômica do país.

Após cancelar o único leilão de energia voltado a fontes eólicas e solares de 2016, o Ministério de Minas e Energia traça planos para realizar duas licitações em dezembro e outras duas em 2018.

“Vemos sinais de recuperação econômica para 2018 em diante”, disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, em entrevista, em Brasília. “Abriu o espaço para expansão da geração agora, e ele será preenchido por projetos de energia renovável e de gás natural.”

A decisão de cancelar o leilão do ano passado foi tomada em meio à crescente sobrecontratação de eletricidade pelas distribuidoras em um momento em que o Brasil enfrentava sua pior recessão em um século. Neste mês está sendo realizado um leilão de descontratação, no qual empresas que não estão conseguindo construir seus projetos podem devolver seus contratos. Ainda assim, a perspectiva de recuperação econômica está estimulando a pasta a planejar os próximos anos.

“O governo está mais otimista em relação ao crescimento econômico do Brasil, enquanto o mercado está mais conservador”, disse Ricardo Savoia, diretor da consultoria Thymos Energia. “Mas há sinais da crescente necessidade de nova capacidade a partir de 2022, se houver retomada de crescimento.”

O consumo de energia na maior economia da América Latina recuou 0,9 por cento no ano passado, em grande parte devido à demanda industrial fraca, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com a expectativa de sobrecontratação de 9 gigawatts até 2020, aquele não era o momento certo para ampliar a capacidade, afirmou o governo ao cancelar o leilão de 2016.

O aumento das taxas de juros, as flutuações da taxa de câmbio e a restrição maior aos empréstimos bancários afetaram a capacidade das empresas de concretizar os projetos com os quais haviam se comprometido. Há cerca de 1,5 gigawatt em projetos paralisados na fase de implementação, segundo a Thymos Energia.

“Vamos enxugar a oferta, que era fictícia ”, disse Pedrosa. “Agora temos novos leilões para novos projetos.”

O governo anunciou na segunda-feira que realizará seus primeiros leilões de energia nova do ano em dezembro — as usinas vencedoras terão que entrar em operação em 2021 e 2023. Apenas fontes renováveis poderão apresentar oferta na primeira licitação, enquanto a segunda aceitará oferta de várias fontes de energia. As companhias têm até 6 de setembro para registrar interesse, segundo publicação no Diário Oficial da União.

Há mais dois leilões programados para 2018, um deles esperado para o início do ano e o segundo, para o fim do ano, segundo Pedrosa.

Os grandes projetos hidrelétricos — tradicionais nos planos de expansão elétrica anteriores do Brasil — não estão na agenda desta vez, segundo Pedrosa, porque o financiamento barato do BNDES foi reduzido.

“A usina de Tapajós não está no horizonte”, disse ele, em referência à hidrelétrica de 8.040 megawatts em São Luiz do Tapajós. O projeto na Amazônia era planejado há anos e o Ministério do Meio Ambiente o rejeitou no ano passado devido ao dano potencial ao meio ambiente e à população indígena.

EPE disponibiliza documento que analisa perfil dos novos projetos solares fotovoltaicos no Brasil

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) disponibilizou uma Nota Técnica, em português e inglês, que retrata o perfil dos novos projetos solares fotovoltaicos no Brasil, a partir dos dados consolidados do 2º Leilão de Energia de Reserva de 2016, que acabou não tendo contratações.

O trabalho faz parte de um esforço de acompanhamento das evoluções e tendências relacionadas aos empreendimentos fotovoltaicos no Brasil, no sentido de ampliar a visibilidade da fonte no país e fornecer informações úteis para os interessados em estudar e desenvolver novos projetos.

No documento, são abordados aspectos como a caracterização das condições de irradiação solar, fator de capacidade, opções tecnológicas de módulos, inversores, estruturas de rastreamento solar, além de custos e cronogramas. O documento traz também mapas que mostram a distribuição geográfica dos projetos e das estações solarimétricas associadas.

Para acessar o Retrato dos Novos Projetos Solares Fotovoltaicos no Brasil, clique aqui.

Fonte: Ambiente Energia

Eletrobras prevê levantar mais de R$ 5 bi com venda de participações

A Eletrobras pretende acelerar seu programa de privatizações e venda de participações em diversos ativos de geração eólica, transmissão e distribuição de energia. O presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior, informou que pretende vender, até o fim do ano, as participações acionárias da empresa em 79 companhias, as chamadas Sociedades de Propósito Específico (SPEs).

De acordo com o executivo, ainda neste mês, o BTG Pactual deverá apresentar a modelagem de venda e o preço dessas participações acionárias. O valor contábil das participações da Eletrobras nessas SPEs, segundo Ferreira Júnior, é da ordem de R$ 5 bilhões.

Os recursos poderão ajudar o governo a fechar suas contas, num momento em que a equipe econômica discute ampliar a meta fiscal deste ano, atualmente fixada em R$ 139 bilhões. Segundo o presidente da Eletrobras, a previsão é arrecadar bem mais do que os R$ 5 bilhões estimados.

DISTRIBUIDORAS À VENDA

O executivo explicou que são ativos altamente rentáveis, como as linhas de transmissão.

— Eu imagino que elas possam valer seguramente mais, porque esses são valores após as baixas contábeis feitas. Hoje, se tem um interesse muito grande pelo setor elétrico, em particular alguns ativos que nós temos, como o de transmissão com elevadas taxas de retorno. Temos sido procurados por muitos interessados — destacou Ferreira Júnior.

Atualmente, a Eletrobras tem participações em 178 SPEs em geração, transmissão e serviços. Mas, para aumentar o valor de venda desses ativos, alguns deles foram aglutinados, como é o caso de 45 parques eólicos que se transformaram em dez SPEs .

Também até o fim deste ano, a Eletrobras pretende privatizar as seis distribuidoras federalizadas localizadas nas regiões Norte e Nordeste do país. O BNDES, segundo o executivo, está fazendo a modelagem e fixando o valor dessas distribuidoras — processo que deverá ser concluído ainda este mês, ou no máximo, em setembro.

— Vamos anunciar como será a privatização dessas empresas agora em setembro e vender as seis em dezembro — explicou Ferreira Júnior.

INCENTIVO À DEMISSÃO

As vendas de ativos, assim como outras medidas de redução de custos, como planos de incentivo ao desligamento de funcionários, têm o objetivo de recuperar as finanças da Eletrobras, que fechou o primeiro semestre do ano com uma dívida líquida de 23,4 bilhões.

Como parte da reestruturação interna do grupo e redução de custos, a Eletrobras vai lançar entre outubro e novembro seu Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV) .

Os detalhes do programa ainda estão sendo concluídos, mas o presidente estima que conseguirá uma adesão de 2.400 empregados. A expectativa é que, deste total, 50% vão aderir neste ano, e a outra metade, no primeiro semestre de 2018.

Com o plano de incentivo á aposentadoria, encerrado mês passado, a companhia conseguiu uma adesão de 2.097 empregados. Com os dois planos se prevê reduzir seu quadro de pessoal de 17.200 para cerca de 12.700, e obter uma redução de custos de 1,5 milhão por ano.

Fonte: O Globo

Atrasos em transmissão diminuem

Do total de 366 empreendimentos de transmissão em implantação no país, 210 estão atrasados, o que corresponde a 57%, segundo fiscalização da Aneel. O número, porém, é melhor do que o verificado em março deste ano, quando a proporção de obras atrasadas atingiu 67%.

A quantidade de obras em dia aumentou quando comparado a março. Ao todo, 27% dos empreendimentos estão em dia contra 21% do período citado. Os projetos adiantados também cresceram: 11% atualmente contra 8% em março. O restante, 5%, não informou o andamento das obras.

O prazo legal de execução das obras, segundo a Aneel, subiu em 2016 para cerca de 1.300 dias em média. Em 2012, o prazo era de cerca de 700 dias. Já o tempo médio de licenciamento ambiental, fator que gera alguns casos de atraso em obras, subiu em 2016 quando comparado a 2015. No ano passado, o tempo médio para obtenção do licenciamento era de pouco mais de 400 dias. Em 2015 o tempo médio era cerca de 50 dias a menos.

Fonte: Brasil Energia

Absolar e Governo Federal alinham implementação energia solar em casas populares

O estudo desenvolvido pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em parceria com Furnas e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), para implementação de energia solar fotovoltaica no Programa Minha Casa, Minha Vida deve se transformar em portaria.

O anúncio foi feito pelo Ministro das Cidades, Bruno Araújo, durante um encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, no dia 10 de agosto, com representantes da ABSOLAR, Furnas, FIESP e comitiva de entidades do setor da construção civil.

A iniciativa é fruto de análises de viabilidade e de modelos de negócio, desenvolvidas por meio de um protocolo de intenções, assinado em 2016 entre o Ministério das Cidades, Ministério do Trabalho e FIESP. Os estudos contaram com a coordenação da Fiesp e trabalhos técnicos da ABSOLAR, Furnas e demais instituições parceiras.

Foto: Absolar

Foto: Absolar

Em seu discurso, o Ministro das Cidades, Bruno Araújo, indicou que a medida entrará em vigor ainda em 2017. “Na próxima semana, realizaremos a assinatura de uma Portaria para incorporar, já a partir deste ano, a energia solar fotovoltaica no Programa Minha Casa Minha Vida”, esclareceu o Ministro.

O presidente da FIESP, Paulo Skaf, agradeceu o apoio das entidades parceiras no desenvolvimento dos trabalhos. “Esta iniciativa marca um passo rumo à renovação, à modernidade, com a incorporação de novas alternativas e geração de emprego, renda e riqueza para o nosso país”, ressaltou Skaf.

O presidente executivo da ABSOLAR, Dr. Rodrigo Sauaia, elogiou o anúncio do Ministro e destacou os benefícios da energia solar fotovoltaica ao país. “A energia solar fotovoltaica deixou de ser cara e está acessível a todas as faixas de renda, como comprovado hoje pela inserção desta tecnologia no Programa Minha Casa Minha Vida. Com um sistema de dois módulos fotovoltaicos e um microinversor será possível reduzir em até 70% os gastos com energia elétrica da população de baixa renda”, celebrou Sauaia.

Com informações da Absolar

Engie negocia aquisição de projeto eólico da Renova Energia

A elétrica Engie Brasil Energia está em negociações avançadas para a aquisição de um projeto de usinas eólicas da Renova Energia, na Bahia, de acordo com documento das empresas visto pela Reuters nesta terça-feira.

A negociação é pelo complexo Umburanas, que vendeu a produção em um leilão promovido pelo governo em 2014.

A construção do parque ainda não começou. Mas o complexo poderia estar em funcionamento em 2019, propuseram as empresas, caso o negócio receba aprovação da agência reguladora Aneel.

Segundo o documento, que não cita valores, já há um processo de due dilligence em andamento.

A Renova, controlada pela mineira Cemig, tem vendido ativos e buscado um novo sócio em meio a uma crise financeira que a deixou sem capacidade para tocar um ambicioso plano de investimentos.

Já a elétrica do grupo francês Engie avalia oportunidades de crescimento no país.

No final de julho, executivos da Engie disseram que a empresa anunciaria em breve uma aquisição no setor de renováveis.

Procuradas nesta terça-feira, Renova e Engie disseram que não vão comentar o assunto.

As elétricas também pedem à Aneel que o complexo Umburanas seja redimensionado de forma “amigável” para 360 megawatts em capacidade, que seriam implementados imediatamente pela Engie.

Outros 95 megawatts do empreendimento passariam a compor o portfólio de projetos da companhia francesa para o Brasil, visando implementação futura.

Se aprovada a proposta de Renova e Engie à Aneel, a Engie prevê ficar responsável por construir 18 usinas do complexo Umburanas –cinco que direcionarão a produção às distribuidoras de energia, no mercado regulado (102,5 megawatts), atendendo compromissos do leilão de 2014, e 13 que destinarão a energia ao mercado livre de eletricidade (257,5 megawatts).

Caso haja aval do regulador, as elétricas preveem assinar contrato ainda em agosto. Já as obras das usinas eólicas iniciariam em abril de 2018.

Fonte : Reuters

 

Governo planeja dois leilões de energia nova para dezembro e divulga diretrizes

O governo federal prevê realizar em dezembro dois leilões de energia nova, com início da oferta previsto para janeiro de 2021 (A-4) e 2023 (A-6), segundo portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) da segunda-feira (7).

O agendamento dos leilões atende a reivindicações da indústria de equipamentos, que pedia ao governo sinalização para novos pedidos, apesar da demanda mais fraca por eletricidade diante da crise econômica.

“A (indústria) estava pressionando muito o ministério (de Minas e Energia) para fazer leilão por causa da cadeia produtiva”, disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro.

“Essa é uma maneira eficiente de melhorar o planejamento e dar um sinal de expansão de investimento de toda a cadeia produtiva de uma maneira positiva e construtiva”, acrescentou ele.

Os novos empreendimentos previstos na portaria ganharam maior prazo para serem construídos, uma vez que os leilões no passado, chamados A-3 e A-5, não davam de fato três e cinco anos completos para a entrega dos projetos.

Isso porque além de necessitar de alguns meses para começar as obras, devido a licenciamentos e demais trâmites, o início da geração nunca era definido para o fim do prazo de três ou cinco anos.

No documento, que trouxe as diretrizes para ambos os leilões, o Ministério de Minas e Energia declarou que a realização das concorrências está sujeita à efetiva declaração de necessidade de compra pelos agentes de distribuição.

Os empreendedores interessados têm até 6 de setembro para requerer o cadastramento e a habilitação técnica dos projetos junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O ministério explicou, entretanto, que os empreendedores cujos projetos tenham sido habilitados tecnicamente pela EPE para participação no segundo leilão de energia de reserva de 2016 poderão requerer o cadastramento dos respectivos empreendimentos, dispensados da reapresentação de documentos.

De acordo com a portaria, não serão habilitados empreendimentos de geração a partir de fonte não termelétrica cujo Custo Variável Unitário (CVU) seja superior a zero e que tenham capacidade instalada inferior a 5 megawatts, por exemplo.

Além disso, também não serão habilitados empreendimentos termelétricos com CVU superior a 280 reais por megawatt-hora.

Além disso, o edital deverá prever que não poderão participar dos leilões de Energia Nova, de 2017, as usinas que entrarem em operação comercial até a data de sua publicação.

Fonte: Valor Econômico

 

Eólicas offshore: tão longe, tão perto

Já uma realidade em países da Europa e Ásia, fonte no Brasil esbarra em altos custos, na falta de regulação e no grande potencial em terra para se desenvolver

Por Pedro Aurélio Teixeira, da Agência Canal Energia

Consolidada no mercado brasileiro e se superando a cada divulgação de dados – o boletim de dados de julho da Associação Brasileira de Energia Eólica mostrava que a fonte chegava a 11,38 GW em 457 usinas, alcançando uma fatia de 7,4% da matriz elétrica brasileira – a fonte eólica no país continua seguindo uma trajetória ascendente. Mesmo com o cenário de sobrecontratação das distribuidoras e ainda sem um leilão de energia confirmado para 2017, as apostas para quando os certames voltarem são de que a fonte vai continuar a fazer bonito.

Mas os mais de 140 GW de potencial eólicos espalhados nas regiões Nordeste e Sul, tanto nas áreas próximas ao litoral quanto em localidades no interior como a chapada do Araripe, nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, fazem com que por enquanto fique adormecido por aqui uma outra categoria de fonte eólica: a offshore. Já uma realidade em alguns países da Europa, Ásia e até nos Estados Unidos, as usinas eólicas em alto mar vão seguindo uma rota de maturidade e entrada gradual em novos mercados. Na Europa, o uso massivo veio quando se esgotaram áreas no solo para instalação de novos empreendimentos, aliados a uma conjuntura do sistema e ao ímpeto da indústria offshore. De acordo com Odilon Camargo, da Camargo Schubert, como no Brasil a questão do espaço ainda não está saturada e o onshore vem se mostrando exitoso em todos os aspectos ao longo dos anos, explorar o potencial eólico do mar acaba não sendo uma prioridade. “Vejo sob a ótica do custo. O Brasil tem grandes extensões de terras desabitadas, tem ventos de muita constância, não tem salinidade. A onshore tem um custo de geração muito mais baixo que a offshore”, explica.

Capacidade acumulada em eólicas offshore cresceu de 12.167 MW em 2015 para 14.384 MW em 2016

Relatório do Global Wind Energy Council mostra que em 2016, 14 países já tinham usinas eólicas em alto mar. Somente no ano passado, foram instalados 2.219 MW em usinas offshore no mundo, que somaram um total de 14.384 MW de capacidade. O Reino Unido é o país com mais capacidade instalada, com 5.156 MW, cerca de 36% do total. A Alemanha vem em seguida, com 4.108 MW ou 29%, deixando a China na terceira posição, com 1.627 MW, representando 11%. Segundo o GWEC, em 2016, os Estados Unidos inauguraram seu primeiro parque eólico offshore, de 30 MW. 88% dos empreendimentos offshore no mundo estão concentrados em dez países da Europa. O Mar do Norte, região do Oceano Atlântico entre a Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Bélgica e França, concentra 72% da energia eólica offshore da Europa.

Outro dado do relatório que merece atenção é que em 2016 houve uma forte queda no preço. O movimento inicial veio na Holanda, em que os parques Borssele 1 e 2 foram viabilizados com preço de €72/MWh. Em novembro, o lance vencedor na eólica Krieger’s Flag, na Dinamarca, ficou em € 49,90/MWh. No fim do ano, em dezembro foi a vez de Borssele 3 e 4 terem lance vencedor de € 54,5/ MWh. “Agora temos a estranha situação em que, pelo menos por enquanto, em algumas circunstâncias, offshore é mais barato do que onshore!”, diz o relatório. Para o GWEC, o amadurecimento da indústria, da tecnologia e a confiança que os investidores vêm demonstrando nos projetos aliada a uma nova geração de aerogeradores causaram a queda brusca nos preços. Este ano, a Alemanha realizou um leilão de energia offshore sem subsídios.

Os últimos anos mostraram que entraram em operação no mundo mais de 10 GW no modo offshore. Em 2011, eram 4,1 GW. Para o GWEC, o futuro do offshore é promissor. A aposta está direcionada para o mercado asiático. Japão, Taiwan e Coréia do Sul, além da gigante China, devem fazer a diversificação global da fonte, começando a sair da Europa. No Japão, há um pipeline de 2.486 MW em diferentes estágios de desenvolvimento. No ano que vem, a eólica Yasuoka, de 60 MW, começa a ser construída.

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No Brasil, embora ainda não existam usinas offshore, não quer dizer que não esteja no radar dos agentes. Em 2011, Gustavo Ortiz e Milton Kampel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, produziram o estudo ‘Potencial de energia eólica offshore na margem do Brasil’. Ele parte de dados obtidos pelo satélite QuikSCAT entre agosto de 1999 e dezembro de 2009. Segundo o estudo, o potencial energético na Zona Econômica Exclusiva brasileira é cerca de 12 vezes maior que na área continental do país, chegando a 606 GW. O valor seria capaz de alavancar o desenvolvimento sustentável do Brasil em longo prazo. Considerado pelos próprios autores como um trabalho preliminar, ele aponta que três regiões se destacaram: as margens de Sergipe e Alagoas, do Rio Grande do Norte e Ceará e a do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Por lá, potencial de energia gerada em cada pixel variou entre 4,7 MW e 21,2 MW.

Para Odilon Camargo, o custo da medição offshore é considerado alto na comparação com a eólica tradicional. Ele requer cuidados com a maresia e necessita de mais manutenção que as torres de medição convencionais. Mesmo assim, o engenheiro reforça a necessidade de se fazer as medições. “Faz sentido dentro da ótica de olhar estrategicamente um futuro mais remoto, pensando em 10, 20 ou 30 anos”, revela Camargo, que também coloca a transmissão de energia como mais um desafio para as offshore.

Custo no onshore ainda é muito mais baixo que no offshore, avisa Odilon Camargo, da Camargo ShubertQuem também parece estar interessado nas eólicas offshore é a Petrobras. A estatal petrolífera brasileira, que já tem na cidade de Guamaré (RN) o complexo eólico Mangue Seco (104 MW), participa de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento no estado sobre o tema. Medições em alto mar também estariam sendo feitas nas suas plataformas para avaliação de potencial. O tema seria tratado com certo sigilo estratégico pela empresa. Procurada pela Agência CanalEnergia, até o fechamento da reportagem, a Petrobras não havia revelado mais detalhes sobre o projeto nem sobre as possíveis medições. A expertise na operação offshore para o petróleo e gás natural parece ser o elemento motivador da Petrobras nesse caso, o que poderia deixá-la em uma situação especial no mercado.

Essa ida das petroleiras para o mercado eólico offshore já começou na Europa. Players globais de óleo e gás como Statoil e Shell vem desenvolvendo parques eólicos offshore nos últimos anos. A anglo-holandesa Shell faz parte do consórcio que viabilizou Borssele, na Holanda, com o segundo preço mais baixo na história. Já a Norueguesa Statoil já atua na Noruega, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Em seu site, a italiana Eni diz que está analisando as eólicas offshore para tentar obter vantagens pela sinergia com a exploração de petróleo. Ela estuda projetos no Egito, Reino Unido e Cazaquistão.

A entrada no mercado eólico de players do óleo e gás, pelo volume de investimentos, não deve ser passageira e também pode ser vista com uma diversificação em direção às renováveis em detrimento do fóssil. Para Paulo Cunha, da FGV Energia, embora essa associação possa ser natural, a atratividade econômica ainda predomina. “Não é somente pela questão ambiental, mas pela opção de negócio”, aponta. Cunha considera como natural que empresas que exploram petróleo em alto mar queiram explorar também o vento. Ele é mais um a citar os custos da operação da offshore para inibir o seu crescimento, mas vê tendência de queda futura.

Atento a toda essa movimentação, Jean Paul Prates, presidente do Sindicato de Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte, quer antecipar uma discussão sobre as eólicas offshore no país. De acordo com ele, não faz sentido que o Brasil, por já ter a presença consolidada da indústria offshore, se abstenha de não pensar em eólicas offshore por ainda possuir elevadas reservas na terra. “Seria a mesma coisa que fazer isso com o petróleo, só começar a explorar no mar quando não tiver mais para produzir em terra” explica. Segundo ele, a desvantagem que a eólica offshore possui de ter uma operação & manutenção mais cara que a convencional, seria mitigada com a sinergia de atividades já exercidas pelo setor de óleo e gás.

Ele vai na linha dos pesquisadores do Inpe e coloca o mar do Rio Grande do Norte como local ideal para um projeto. Segundo Prates, a complexidade para a operação no mar europeu também seria maior que a da região potiguar, o que ocasionaria uma redução nos custos. A baixa profundidade do mar potiguar também seria outro fator que faria as usinas mais baratas. “Vamos nos surpreender muito com os custos do offshore brasileiro”, avisa Prates, que também é diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia.

Ele pede que já em 2018 seja discutido algum tipo de regulação para o tema, uma vez que atualmente não há regras estabelecidas. O mar é da União, a área precisa ser concedida. Para o presidente do Cerne, o modelo teria zoneamento marítimo e uma espécie de duas licitações, em que a primeira seria para arrematar a área onde ficaria o parque offshore e a outra seria um leilão de energia tradicional para viabilizar o projeto. Na primeira fase, seriam feitos os estudos, com a área pré-licenciada. O zoneamento marítimo impediria eventuais reclamações de municípios sobre impactos visuais das usinas.

Ainda que seja feita para agora ou somente quando houver interesse nesse tipo de geração de energia, a questão regulatória é vista como um dos desafios para que haja um ponto de partida mínimo. Milton Pinto, diretor de Engenharia e Infraestrutura Elétrica do Cerne, esclarece que esse arcabouço terá uma concepção complexa e grande importância. “[a regulação] Ela não é óbvia”, frisa. Para ele, aspectos de outras atividades podem ser absorvidos nesse código, com as normas devendo sempre buscar a simplicidade e a transparência, de maneira a obter a confiança dos investidores. Ele quer também que a legislação de outros países seja avaliada, para verificar os erros e acertos.

Outros aspectos estruturais podem facilitar a entrada das eólicas offshore no país. Para o engenheiro de planejamento da geração da Copel João Marcos Lima, dos melhores potenciais no solo estão começando a se esgotar e parques com fator de capacidade acima de 45% ficarão mais raros. Ele, qe também tem doutorado em previsão de energia eólica pela UFPR, também vê problemas no licenciamento e um esgotamento na transmissão, que acabaria por direcionar os olhares para o potencial no mar.

Lima e Sérgio Augusto Costa, Diretor Executivo da VILCO Energias Renováveis e da EMD Brasil, definem que devem ser criados mecanismos para viabilizar a fonte eólica offshore no país. Com isso, ela se encaixaria em uma visão estratégica de longo prazo dentro do planejamento energético. Eles sugerem que a Empresa de Pesquisa Energética mapeie potenciais fora do ambiente terrestre, como é feito com os inventários dos grandes rios para hidrelétricas.

E o custo, que é considerado um dos vilões nas eólicas em alto mar, mostra sinais de queda. A Statoil revelou de 2012 a 2017 ter conseguido uma redução 30% nos custos dos seus projetos. A estatal norueguesa também vem investindo em tecnologias. Ela promete para esse ano o Hywind Pilot Park, em Aberdeenshire, na Escócia, que vai ser o primeiro parque fluvial flutuante do mundo. A tecnologia Hywind, para vento offshore flutuante, faz ela avançar mais em águas profundas. A turbina é colocada em cima de um cilindro de aço e fixada ao fundo do mar por três linhas amarradas. Segundo a Statoil, testes feitos no mar do Norte durante oito anos mostraram a eficácia da tecnologia.

Desde a primeira unidade testada, houve queda nos custos entre 60% e 70%. A expetativa é que até 2030, a redução deve continuar em até 50%, ficando mais competitiva ainda. O parque na Escócia vai ter 30 MW de potência. Os outros projetos da Statoil no Reino Unido são Sheringham Shoal, em operação desde 2011 e localizado na costa de Norfolk, com potência de 316,8 MW e Dudgeon, com potência de 402 MW, com entrada em operação prevista para esse ano. Na Alemanha, o parque offshore é o Arkona, de 385 MW. Com investimentos de €1,2 bilhão, vai gerar energia para 400 mil residências. A Statoil tem ainda Dogger Bank Zone, no Reino Unido. A área recebeu autorização para capacidade de 4,8 GW e caso tenha todo o seu potencial desenvolvido, deverá ser o maior complexo eólica offshore do mundo.

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No mapa mundi de oportunidades em eólicas no mar da Statoil, a costa brasileira aparece como ‘projetos potenciais a longo prazo’. Ela está ao lado da costa australiana, da sul-africana e da indiana

A rejeição inicial ao offshore é considerada normal pela dupla Lima e Costa, uma vez que mesmo a fonte eólica enfrentou resistência por parte de agentes no início da sua consolidação. “É natural o receio do desconhecido, mas aos poucos o assunto está sendo incorporado nas discussões de congressos e seminários”, avisam. Para Milton Pinto, por todos os entraves e desafios atuais, não é possível prever em quanto tempo o onshore pode se viabilizar no país, mas ele espera que seja antes do esgotamento do potencial em terra. Jean Paul Prates vai na mesma linha e quer as duas categorias de eólicas se viabilizando ao mesmo tempo. Ele lembra que o petróleo da camada pré-sal está sendo extraído ao mesmo tempo que o offshore tradicional e que hoje já responde por parcela significativa da produção da Petrobras. “O Brasil não pode ficar se dando ao luxo de ficar esgotando uma fonte para partir para outra”, conclui.

Maior usina de energia fotovoltaica da América Latina será instalada no Piauí

O Piauí vem se destacando nos últimos anos na atração de empreendimentos voltados à geração de energia renovável, a exemplo das eólicas. Agora, o estado dá mais um importante passo nesse sentido, com a instalação do Parque Solar Nova Olinda, da Enel Green Power Brasil Participações Ltda. A usina está localizada no município de Ribeira do Piauí, a 377 quilômetros de Teresina, na microrregião do Alto Médio Canindé.

Na sexta-feira, 28 de julho, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Piauí (SEMAR) fez a entrega das Licenças Ambientais de Operação para a usina fotovoltaica e da linha de transmissão de 500 KV da Nova Olinda – São João do Piauí/Ribeira do Piauí, para Alexandre Bittar, especialista ambiental da empresa.

“O Piauí tem o compromisso de buscar a cada dia, o desenvolvimento, com a geração de mais emprego e renda. A Semar fez um esforço para liberar em tempo recorde, em apenas três meses, as licenças de operação, tanto do parque como da linha de transmissão que interliga essa unidade de geração de energia à subestação de São João do Piauí. Entendemos que um empreendimento deste porte é de suma importância para alavancar o nosso desenvolvimento, além de nos colocar em posição de destaque entre os estados geradores de energia renovável. Este é o maior empreendimento de energia fotovoltaica da América latina”, afirma o superintendente de Meio Ambiente da Semar, Carlos Moura Fé.

A usina é composta pelos subparques 08, 09, 10, 11, 12, 13 e 14, que estão organizados em quatro Sociedades de Propósito Específicos (SPEs) para efeito de regulação: Enel Green Power Nova Olinda B Solar S.A; Enel Green Power Nova Olinda C Solar S.A; Enel Green Power Nova Olinda Sul Solar S.A e Enel Green Power Nova Olinda Norte Solar S.A. Cada SPE constituída é composta por um ou dois subparques do Complexo Solar Fotovoltaico Nova Olinda.

A instalação abrange uma área de 690 hectares, com capacidade instalada total de 292 MW e vai gerar aproximadamente 600 GWh por ano, o suficiente para atender às necessidades anuais de consumo de energia de cerca de 300 mil lares brasileiros, evitando a emissão de aproximadamente 350 mil toneladas de CO2 para a atmosfera.

A Enel ganhou o leilão da energia solar realizado em agosto de 2015. O investimento é da ordem de US$ 300 milhões. O Parque Solar Nova Olinda está em uma área com altos níveis de radiação solar e vai contribuir de forma significativa para atender a crescente demanda de energia do país.

Fonte: Governo do Piauí

Geração eólica bate recorde no Nordeste

A geração de energia eólica no Nordeste bateu recorde no sábado, 29, quando foram produzidos 5.746 MW médios dessa fonte, atendendo 63% da carga da região. Às 10h57 daquele dia, a produção desses parques eólicos foi ainda mais intensa e chegou a responder por 69% da carga. A produção de energia a partir dos ventos vem garantindo o abastecimento no Nordeste, que enfrenta uma longa seca, com reflexos na redução da geração hidrelétrica.

Fonte: Estadão | Luciana Collet

Décima edição do All About Energy é lançada oficialmente em Fortaleza

20431205_1645494102158397_7990026231526728949_nO auditório da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) ficou lotado durante o lançamento oficial da 10ª Edição da Feira e Congresso All About Energy 2017. A solenidade ocorreu nesta terça-feira, 01 de agosto, na sede da instituição em Fortaleza e marca a contagem regressiva para a realização do maior evento multisetorial de energia e sustentabilidade da América Latina. O lançamento foi anunciado no contexto da reunião de Diretoria Plena da FIEC.

 

“Nosso evento vem sendo realizado no Ceará porque, quando se fala em energias renováveis, o Estado está bem posicionado. Foi aqui que começou a energia eólica no Brasil, a energia solar. O Ceará é referência para o futuro da energia renovável no Brasil”, destaca Prates.

Comemorando a sua décima edição, a Feira e Congresso All About Energy 2017 foi totalmente reconcebida com o propósito de ser um ambiente aberto para novos debates que contribuam para o avanço do setor energético. A novidade fica por conta da divisão em quatro quadrantes temáticos, sendo três voltados para energias renováveis: energia eólica, energia solar, bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás) e um quarto quadrante tratando sobre consumo sustentável, veículos elétricos e eficiência energética.

Estão previstas conferências com investidores globais e a presença de autoridades internacionais do setor energético. O público poderá acompanhar as principais discussões sobre o cenário energético do Brasil e do mundo, bem como as novas tendências para sustentabilidade, além de poder conferir exposições de veículos elétricos, projetos de construções inteligentes como os  condomínios solares  e  aplicações  tecnológicas  para  eficiência  energética.

A 10º Feira e Congresso All About Energy 2017 será realizada de 04 a 06 de outubro no Terminal Marítimo  de Passageiros, em Fortaleza. O evento te​m como co-realizadores o CERNE e a empresa All About Eventos e ​conta com o apoio da FIEC e patrocínio da Eletrobras, Wobben WindPower, Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Banco do Nordeste, Toyota,  Sindienergia e Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

Fonte: CERNE Press