Energia limpa: América Latina se destaca na liderança global

Confira a matéria especial da Bloomberg sobre o crescimento da energia renovável na América Latina, em especial no Brasil. O conteúdo original (em inglês) está disponível aqui.

A Costa Rica, que tem cinco milhões de habitantes e nenhum exército, não é exatamente uma potência. Nos últimos tempos, no entanto, este país da América Central, que tem as dimensões da Dinamarca, tem atraído a atenção para uma virtude menos óbvia: tem a matriz elétrica mais limpa do hemisfério. Em 2016, mais de 98% da eletricidade do país veio da fonte  hídrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica (gerada a partir de vulcões). Foi o segundo ano consecutivo em que a maior parte da energia do país veio de fontes renováveis.

Costa Rica não é exceção. Desde os ventos que varrem o deserto Atacama até o escaldante Nordeste do Brasil, a energia limpa está na agenda. Apesar do progresso lento das reformas do mercado de energia no México, a crise de crédito no Brasil e os gargalos de infraestrutura no Chile, outros países foram afetados pela falta de investimentos, que no ano passado diminuíram 30% se comparado a 2015, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Países da América Latina e do Caribe tornaram-se pioneiros da energia de baixa emissão de carbono. Mais de um quarto da energia primária na região agora vem de fontes renováveis, mais que o dobro da média global.

O aumento do uso de energias renováveis pode representar uma dupla vitória para a América Latina, trazendo um sistema elétrico mais limpo e inteligente. A energia de baixo carbono, que os governantes negligenciaram durante muito tempo em nome dos poços de petróleo e a construção de grandes hidrelétricas (que é uma fonte renovável, mas não “verde”), recebeu poucos incentivos além de possuir uma estrutura regulatória muitas vezes incompleta. Consequentemente, a energia limpa teve de competir para sobreviver a um modelo de negócio difícil, que também é uma vantagem em uma região onde o nacionalismo de recursos tornou-se vítima de nepotismo, desperdício e falta de transparência.

Basta olhar para a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira que se tornou grande vítima da corrupção generalizada. A energia limpa não é imune à corrupção: basta lembrar dos “senhores do vento” da Itália, que intervieram em licitações públicas para grandes contratos. Mas o mercado renovável na América Latina é muito aberto: não há Solarbras ou Vientomex que dificultem a concorrência. Entre 2010 e 2016, mais de 40% do investimento aberto em iniciativas locais de energia limpa vieram de fora.  O Brasil aderiu com apenas US $ 53.000 milhões em seu mercado. Isso faz com que a energia limpa na América Latina seja um dos mercados mais amigáveis do mundo para o capital internacional, segundo informou a BNEF em março.

Mas há muito para ser amigável. O sol brilha desde a Cordilheira Andes até as margens do Atlântico, enquanto a Patagônia é um parque eólico natural. Parte desse potencial já tem sido aproveitado. Desde o início dos anos 70, regimes políticos ambiciosos transformaram seus países em potências mundiais e ergueram grandes hidrelétricas que, juntos, fornecem dois terços da eletricidade na região. O Brasil foi um dos primeiros a adotar o biocombustível. Desde a década de 1970, o etanol de combustão limpa substituiu 2.400 milhões de barris de petróleo (cerca da produção anual do Brasil) e tem mantido a atmosfera livre de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono, disse o especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

Como em outras regiões, no entanto, o entusiasmo da América Latina para as energias renováveis diminuiu. Afinal, há décadas as plataformas de perfuração foram o monumento à soberania e o petróleo era o elixir de governos populistas que iam desde o mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940), que forçou seus compatriotas a penhorar jóias e gado para pagar a empresa de petróleo nacional, até o venezuelano Hugo Chávez, que transformou a empresa estatal de petróleo PDVSA  em uma caixa registradora do socialismo bolivariano. A descoberta do “pré-sal” brasileiro sob a plataforma continental – considerado um “bilhete de loteria premiado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – prolongou o reinado do petróleo.

O Brasil nunca desistiu de energia hidrelétrica, mas a dependência do petróleo, especialmente quando os preços caíram, manchou a rede elétrica do país. Em 2012, apenas 6% da eletricidade gerada era proveniente de usinas térmicas. Mas em 2014, o Brasil teve quase um quarto de sua eletricidade produzida a partir de usinas térmicas a gás, carvão ou diesel, que emitem carbono. “A rede elétrica no Brasil é carbonizada”, disse Goldemberg. Erros na política fiscal agravaram a situação. Ao limitar artificialmente os preços da gasolina no início desta década para conter a inflação, o governo brasileiro subestimou a competitividade do etanol combustível, forçando dezenas de destilarias a fechar suas portas.

Ultimamente, no entanto, os formuladores de políticas estão à procura de alternativas. A queda do petróleo fez com que países como Equador, Venezuela e México permanecessem sem exportações de produtos. Além disso, cresce o consenso de que a menos que se ponha freio às emissões de carbono que aquecem o planeta, a América Latina vai pagar caro.

A adversidade e a resistência política também ajudaram a incentivar a inovação e o investimento em energia limpa. Sob a pressão de protestos e reivindicações, os governos têm procurado reduzir a quantidade de energia gerada por hidrelétricas, cujas enormes barragens provocaram o deslocamento de populações e o aumento das emissões de carbono, advindo da decomposição de florestas inundadas. Em toda a região, outras formas de energia com baixa emissão de carbono estão ganhando força. Entre 2006 e 2015, a capacidade renovável não-hídrica mais que triplicou na América Latina, concluiu BNEF.

O desenvolvimento tecnológico também fez com que o uso do vento, das ondas e do sol deixassem de ser um sonho exorbitante e passassem a se tornar uma opção viável e competitiva. Em um momento em que caem os preços para produzir eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos, quatro países latino-americanos estavam entre os oito primeiros no índice de emissão de baixo carbono “Climate Scope” da Bloomberg, composto por 58 países.

Não que a energia renovável é livre de obstáculos. Para começar, há a inconstância inerente do vento e do sol, que tornam a fonte de energia instável e a maior preocupação dos investidores em relação ao risco. Outro grande obstáculo é a falta de linhas de transmissão, que não acompanharam o fornecimento de projetos eólicos e solares, deixando algumas novas plantas ociosas, informou a Bloomberg News. Não é um beco sem saída, mas são as dores do crescimento no que uma autoridade líder energia verde chamou de “alguns dos mercados de energia renovável mais dinâmicos do mundo.”

Entre os players vencedores figura o bilionário Mario Araripe, que construiu sua fortuna com a energia eólica. E, no entanto, enquanto investidores e alguns visionários se destacaram, os governantes estão abrindo caminho. Há uma década, nenhuma eletricidade vinda dos fortes ventos que sopram no nordeste do país alimentava o Rio Grande do Norte, um pequeno estado brasileiro do tamanho da República Dominicana. Graças a uma política inovadora, novas tecnologias, e os empréstimos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), 85% da rede elétrica do estado é agora alimentado por cerca de 1.000 turbinas eólicas, muitos deles fabricados no Brasil, disse o ex-secretário de energia do estado, Jean-Paul Prates.

Prates, que preside o CERNE – think-tank de energia renovável – disse que atualmente a energia eólica brasileira compete em leilões públicos de energia juntamente com a eletricidade gerada por carvão, nuclear, gás natural e até mesmo energia hidrelétrica em pequena escala.

Os historiadores nos dizem que o Brasil foi descoberto graças aos navegantes portugueses que fugiram da inércia das marés da África, que dirigiram para o oeste e então apanharam as correntes marítimas das Américas e encontraram essa parte do Novo Mundo “, disse Prates. Meio milênio depois, uma redescoberta nascida no vento acaba de começar.

Fonte: Bloomberg View | Mac Margolis

Indústria eólica nacional quer expandir atuação e se tornar hub exportador

A indústria nacional dedicada à energia eólica está em busca de uma nova forma de atuação, a de colocar a capacidade instalada local como um polo exportador, principalmente para a América do Sul e Caribe. Um dos motivadores para esse movimento é a dificuldade em se ter os 2 GW anuais de demanda para a manutenção da indústria local e a busca por manter-se atualizado tecnologicamente ante os equipamentos que são encontrados em outros países, resultado dos investimentos de fabricantes que investem em seu desenvolvimento.

Segundo a avaliação da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum, o Brasil apresentou um plano de nacionalização ambicioso e implementou-o com competência para cumprir as metas no tempo em que foram estabelecidos esses marcos. Mas, a questão agora que enfrenta é a volatilidade de demanda. Por isso que o setor precisa minimizar as variações e buscar novos mercados quando se pensa no fornecedor de aerogeradores.

“Do lado de quem compra essas máquinas é importante que as empresas estejam prontas para fornecer a tecnologia mais recente e uma política de nacionalização como a nossa tende a ter um bloqueio de desenvolvimento por fechar o mercado nacional”, comentou a executiva em um workshop que a Casa dos Ventos promoveu em São Paulo. A entidade, comentou, formou um grupo de trabalho no sentido de buscar alternativas para o produto nacional ganhar competitividade e nesse caminho a adoção do PPA em dólar poderia trazer benefícios importantes para a cadeia.

Hoje, continuou a representante do segmento, os fabricantes não veem mais como uma barreira a questão cambial desde que haja um processo de transição para que se adaptem. Com o PPA em dólar abre-se uma janela de oportunidade de importação de alguns componentes para serem montados localmente e com vistas a uma política de apoio à exportação. Dessa forma, continuou, poderia ser alcançada maior competitividade e o país tornar-se o hub de exportação em função de toda a cadeia que existe por aqui com as seis fabricantes que somam 4 GW de capacidade de produção anual.

Élbia lembrou que a política dolarizar passou ao largo do setor por conta desse processo de nacionalização da indústria eólica. Contudo, o BNDES não tem mais os recursos que teve no passado e que a atuação dos últimos 14 anos em termos de incentivar os investimentos não deverá se repetir. Por isso, os investidores tem que buscar no exterior esses recursos e aí vem a importância dessa ideia de ter o PPA em dólar. E ainda, da parte dos produtores, a maior competitividade vem da redução do custo Brasil. E que esse conceito de ficar fechado para a tecnologia não traz evolução nem escala para o mercado.

Esse posicionamento de abertura parcial encontra ressonância na Casa dos Ventos, que já defendeu essa alteração. Recentemente a empresa vendeu seus dois últimos projetos operacionais à britânica Actis para buscar fôlego financeiro e assim não depender do BNDES para implantar novos projetos. À época, o diretor de Negócios Lucas Araripe, afirmou que capitalizada a empresa consegue recorrer a linhas de financiamento mais baratas que a oferecido pelo banco de fomento federal uma vez que essas se encontram no exterior. E, ao mesmo tempo, trazer máquinas mais eficientes e a um valor menor que o encontrado localmente.

De acordo com o patriarca da família e fundador da Casa dos Ventos, Mário Araripe, hoje as máquinas nacionais estão em um degrau tecnológico mais abaixo do que o estado da arte que se encontra no exterior em função desse fechamento nacional, que associado à baixa demanda por equipamentos leva as fabricantes a postergarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

“Precisamos ver se vale a pena restringir o conteúdo nacional. A evolução tecnológica é grande e, cada vez mais rápido, os aerogeradores estão sendo aperfeiçoados. No Brasil as máquinas ofertadas estão em degrau tecnológico menor por não ter a escala que tínhamos alguns anos atrás. Assim, há uma janela de oportunidade de desenvolver a eólica a colocar o PPA em dólar como Chile e Argentina e ter acesso ao que está sendo produzido no mundo”, afirmou o executivo.  Araripe destacou que a companhia já analisou mais de 50 máquinas para uma mesma área e relatou que é possível obter ganhos de produtividade de até 10%, o que ajudaria a baratear a energia.

Élbia, da ABEEólica, disse que a avaliação de que adotar uma parcela do PPA atrelado ao dólar já não é mais um tema que preocupa economistas, inclusive alguns ligados ao Plano Real e que afastavam a indexação como forma de proteção da moeda nacional. Mas ainda assim, admite e necessário que se realize encontros com BNDES, Ministério da Fazenda e de Minas e Energia para mudar essa situação. Por isso, em um leilão de reserva que se espera para meados do segundo semestre não seria possível de implementar a novidade, mas que para um eventual A-5 em dezembro seria possível.

Fonte: Canal Energia

Ventos de Santo Estevão I é liberada para operação em teste em Pernambuco

Usina localizada no Pernambuco tem 16.1MW de capacidade total instalada

A EOL Ventos de Santo Estevão I recebeu autorização para operação em teste das unidades UG1 e UG3 a UG8, de 2,3 MW cada, totalizando 16,1 MW de capacidade instalada, a partir de 27 de maio de 2017, segundo despacho publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última segunda-feira, 26 de maio. A usina fica localizada no município de Araripina, Estado do Pernambuco.

Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo

O Brasil foi o segundo país que mais empregou em renováveis no mundo em 2016, com 876 mil empregos, ficando atrás apenas da China, com 3,6 milhões de empregos, de acordo com dados do relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês). Ainda de acordo com o documento, as energias renováveis empregavam, ao todo, mais de 9,8 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016. Tirando as grandes hidrelétricas, este número é de 8,3 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a maioria dos empregos em energia renovável é encontrada nos biocombustíveis líquidos. Apesar de a produção de etanol ter aumentado cerca de 8% em 2015, os empregos no setor diminuíram 10%.  Cerca de 30 mil empregos foram perdidos na colheita de cana-de-açúcar e 15 mil postos de trabalho foram  perdidos no processamento de etanol devido à mecanização, principalmente no estado de São Paulo, o maior produtor de etanol do Brasil.

Já a produção brasileira de biodiesel caiu, segundo o relatório, indo para 3,8 bilhões de litros em 2016. A expansão da indústria eólica do Brasil também diminuiu em 2016 em relação ao ano anterior, com o número de empregos indo de 41 mil em 2015 para 32,4 mil em 2016.

No mundo

A energia solar gerou a maior parte dos empregos no mundo no ano passado, com 3,1 milhões, um crescimento de 12% em relação a 2015. O crescimento veio principalmente da China, Estados Unidos e Índia, enquanto o emprego no setor diminuiu pela primeira vez no Japão e continuou a cair na União Européia. Novas instalações de energia eólica nos Estados Unidos, Alemanha, Índia e Brasil, entretanto, contribuíram para o aumento do emprego eólico global em 7%, para chegar a 1,2 milhões de empregos.

Os biocombustíveis líquidos, com 1,7 milhões de postos de trabalho, a biomassa, com 700 mil postos e biogás, com 300 mil empregos, também foram importantes empregadores, com postos de trabalho concentrados no fornecimento de matéria-prima. Brasil, China, Estados Unidos e Índia foram considerados mercados-chave de bioenergia.

As grandes hidrelétricas empregavam 1,5 milhões de pessoas, em empregos diretos, com cerca de 60% daqueles em operação e manutenção. Os principais mercados de trabalho foram observados na China, na Índia, no Brasil, Na Rússia e no Vietnã.

Fonte: Brasil Energia | Marco Sardenberg

Cerne recebe visita de diretoria do IFRN

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu na tarde desta terça-feira (30) a visita de três representantes do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus situado no município de João Câmara para discutir parcerias em projetos na área de energias renováveis.

Na ocasião, a Diretora-Geral do instituto Sonia Cristina Ferreira Maia​ e os professores Denner Albuquerque e Geneci Cavalcanti apresentaram o Curso Tecnológico em Energias Renováveis ofertado pelo Campus.

O CERNE demonstrou interesse em articular possíveis parcerias com a instituição, em especial no desenvolvimento de projetos voltados para capacitação e formação profissional.

Foto: CERNE Press

Foto: CERNE Press

Participaram da reunião o Diretor Setorial de Energia e Infraestrutura Elétrica, Milton Pinto, e de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Hugo Fonseca, o Coordenador de Gestão de Projetos e Eventos, Paulo Henrique Macedo.

João Câmara

A cidade de João Câmara, situada na região do Mato Grande, foi grandemente beneficiada com o surgimento da atividade eólica no Estado. Segundo dados do IBGE, a cidade obteve um crescimento de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2008 e 2012. Com cerca de 35 mil habitantes, o município detém o maior acervo de aerogeradores instalados no Brasil.

Fonte: CERNE Press

Regiões Nordeste e Sul se destacam na geração de energia gerada pelos ventos

Quando o assunto é energia eólica logo vem a imagem do Nordeste brasileiro. Mas a energia proveniente dos ventos pode ser gerada de qualquer parte do país. O Brasil possui ventos de ótima qualidade, acima da média. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), enquanto o fator de capacidade mundial está de 20 a 30%, o brasileiro passa dos 50%.

A capacidade instalada em fevereiro deste ano de energia eólica foi de 10,88 GW, o que representa em torno de 7% da matriz nacional. Atualmente o Brasil tem 419 parques eólicos em operação, destes mais de 340 estão localizados no Nordeste. Apenas no Rio Grande do Norte, um dos menores estados brasileiros com 52.811 km², tem 125 parques e gera 3,3 mil GW de energia a partir do vento.

Mas a Região Sul também se sobressai com 87 parques. O Rio Grande do Sul se destaca devido a boa qualidade dos ventos. São 73 parques distribuídos pelo Estado com a produção de 1.671,4 MW e em testes têm mais 42 MW. O estado está na quarta posição no ranking de geração. (Confira no gráfico)

Assim, segundo a ABEEólica o maior gerador de energia eólica no Brasil é o Rio Grande do Norte, seguido pela Bahia , Ceará , Rio Grande do Sul, Piauí, Pernambuco, Santa Catarina, Paraíba, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Áreas de geração

Os principais polos de geração de energia são o Nordeste e Sul, sendo o primeiro responsável por mais de 70% da energia gerada por essa fonte. A energia eólica tem sido extremamente representativa para o País. Também é importante destacar a presença maciça no Nordeste de fabricantes de componentes eólicos e aerogeradores.

Em diversos momentos da história, toda a produção eólica foi responsável por suportar 10% de toda a carga do sistema interligado nacional. Para o Nordeste esse valor é ainda mais expressivo, sendo cerca 40% do subsistema é suprido por energia dos ventos.

Para a ABEEólica nos últimos seis anos, o investimento feito pelas empresas da cadeia produtiva de energia eólica 80% já é nacionalizada, foi de R$ 48 bilhões. Se contarmos de 1998 até hoje, já foram aplicados cerca de R$ 60 bilhões. Os investimentos são calculados em relação aos MW instalados.

Ainda muitos projetos estão em estudo de viabilidade nessas duas regiões e até em outras. A Associação destaca que novos projetos dependem de novos leilões do Governo Federal que ainda não tem novas datas.

Segundo o Coordenador de Gestão de Dados e Estatísticas Setoriais do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), João Agra, nos últimos leilões de energia os estados cresceram em número de novas contratações, isto é, de parques eólicos que serão instalados,  foram o Piauí e Pernambuco. “Estes estados possuem grande potencial para o desenvolvimento da energia eólica, ficando atrás apenas dos líderes Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul”, pontua.

De 2017 a 2020, por exemplo, a ABEEólica estima um investimento total de aproximadamente de R$ 50 bilhões, considerando o que está previsto para ser instalado com os contratos atuais –  que somam 7 GW.

Fonte: Jornal da Bioenergia | Cejane Pupulin

Painéis solares substituem diesel e levam eletricidade a indígenas

Posto de saúde, escolas e casas agora têm energia 24 horas por dia

Os indígenas da comunidade Darora já não dependem mais do óleo diesel para ter garantido o seu suprimento de energia elétrica.

Localizada a cerca de 80 km ao norte do centro de Boa Vista, na porção sul da reserva indígena São Marcos, a comunidade foi escolhida para ser o projeto-piloto de um programa que vai levar energia limpa e sustentável a várias áreas remotas da região.

Os quatro enormes painéis foram instalados em meados do ano passado e começaram a funcionar parcialmente em setembro. Em março deste ano, já operando com força total, foram inaugurados oficialmente.

Com eles, o posto de saúde, as duas escolas (uma estadual e uma municipal) e várias casas têm energia 24 horas por dia. Antes, a eletricidade vinha de um gerador, que funcionava apenas algumas horas por dia e consumia 1.500 litros de diesel por mês.

AUMENTO DA DEMANDA
O projeto-piloto foi tão bem-sucedido que precisará ser ampliado em breve para responder ao aumento da demanda. Com a garantia de energia constante, os indígenas passaram a utilizar mais eletrodomésticos.

“O dimensionamento das placas solares foi feito para atender à demanda de energia que havia àquela época na comunidade. Mas, com o sucesso do projeto, a demanda energética foi crescendo, porque a comunidade viu que estava funcionando. Agora precisaremos instalar mais painéis para aumentar a oferta de energia”, explica Marlon Buss, secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas de Boa Vista.

A primeira tuxaua (líder local) de Darora, Beni, se mostra entusiasmada com o projeto implantado pela Prefeitura de Boa Vista em sua comunidade.

“Está dando muito certo. Agora temos energia a qualquer hora. Os alunos podem, por exemplo, usar os computadores das escolas o dia todo”, afirma.

Nas duas escolas da reserva indígena, além das aulas tradicionais, as crianças também aprendem o macuxi, língua falada por seus ancestrais.

Em Darora, nome de uma árvore da região, vivem 276 pessoas, divididas em 47 famílias.

Fonte: Folha de São Paulo

Aneel autoriza operação comercial de eólicas no Piauí

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou a entrada em operação comercial do parque eólico Ventos de Santa Bárbara, com 29,9 MW de capacidade instalada. Esse é o segundo dos sete parques que compõem o Complexo Eólico Caldeirão Grande I, localizado na Chapada do Araripe, interior do Piauí, cuja capacidade total será de 190 MW. A autorização para o início da geração foi concedida no dia 26 de maio.

Com isso, o Estado é o quinto a ultrapassar a marca de um gigawatt em potência instalada no Brasil, com 1,1GW em operação. Os dados são do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Fonte: CERNE Press

Condições para recarga de veículos elétricos entram em audiência pública

A Agência Nacional de Energia Elétrica vai abrir audiência pública para discutir proposta de resolução que estabelece os procedimentos e as condições para a realização de atividades de recarga de veículos elétricos em unidades consumidoras conectadas ao serviço  distribuição. As contribuições serão recebidas pela agência de 25 de maio a 31 de julho.

Em abril do ano passado, a Aneel submeteu o assunto a consulta pública, com a intenção de avaliar previamente a necessidade de regulamentação dos aspectos relacionados ao fornecimento de energia para esse tipo de veículo. Um grupo de 26 instituições de diferentes segmentos participou do processo, dentre as quais dez concessionárias de distribuição.

O tratamento a ser dado pela agência no regulamento busca “reduzir eventuais barreiras regulatórias para empreendedores e usuários interessados na mobilidade elétrica, mas preservando a integridade das redes de distribuição e seus consumidores, independentemente destes serem ou não usuários de veículos elétricos.”

A regra permite a recarga de veículos de terceiros pelo titular da unidade consumidora de energia elétrica, inclusive para fins de exploração comercial e a preços livremente negociados. A instalação de estação de recarga deverá ser comunicada previamente às distribuidoras. Equipamentos operados por terceiros que não sejam exclusivos para uso privado deverão seguir protocolos abertos de comunicação e de supervisão e controle remotos de domínio público.

A própria distribuidora poderá instalar estações de recarga pública de veículos na área em que atua como permissionária ou concessionária, atividade que exercerá por sua conta e risco e de forma separada do serviço de distribuição. Os preços também serão livremente negociados com os clientes, e o serviço tratado como atividade acessória, não vinculada ao fornecimento de energia elétrica. Os ativos que compõem a infraestrutura das estações de recarga não entrarão na base de ativos da empresa para fins de remuneração na revisão e/ou no reajuste tarifário.

As distribuidoras terão de repassar à Aneel informações das unidades consumidoras com estações de recarga e enviar a cada semestre dados consolidados para registro na agencia. A partir de 1º de julho de 2018 as empresas deverão implantar um sistema eletrônico para que o consumidor possa enviar os dados necessários sobre estações de recarga.

Os interessados em participar da audiência poderão enviar contribuições para o e-mail ap029_2017@aneel.gov.br ou para o endereço da Aneel – SGAN Quadra 603 – Módulo I Térreo/Protocolo Geral, CEP 70.830-110, Brasília–DF

Foto: S

Renováveis geraram quase 10 milhões de empregos no mundo

Mais de 9,8 milhões de pessoas no mundo estavam empregadas no setor de energias renováveis em 2016. O número é de relatório elaborado pela Agência Internacional de Energias Renováveis e foi apresentado na última reunião do conselho. De acordo com o diretor geral da Irena, Adnan Z. Amin, a queda nos custos e as políticas de capacitação tem elevado os investimentos em renováveis no mundo. No primeiro levantamento feito pela agência em 2012, pouco mais de sete milhões trabalhavam no setor. Ainda segundo Amim, o número de vagas para energia solar e eólicas somadas mais que dobraram  nos últimos quatro anos.

O relatório deste ano incluiu os empregos gerados por grandes hidrelétricas, dando maior amplitude ao quadro. O relatório mostra que o número de empregos em energia renovável, excluindo as grandes hidrelétricas, chegaram a 8,3 milhões em 2016. Quando elas são adicionadas, o quantitativo chega a 9,8 milhões. Países como China, Brasil, Estados Unidos, Índia, Japão e Alemanha contribuíram com a maioria dos empregos em renováveis. Na China, o número de empregados alcança 3,4 milhões, crescendo 3,4%.

O levantamento da Irena mostra que a fonte solar fotovoltaica foi a maior empregadora em 2016, com 3,1 milhões de vagas e subindo 12% na comparação com 2015. Estados Unidos, China e Índia lideraram nas contratações. No país da América do Norte, o número de empregos na área solar cresceu 17 vezes mais rápido que a economia mundial, aumentando 24,5% na comparação com o ano anterior, com mais de 260 mil vagas. Novas plantas eólicas também fizeram com que a fonte tivesse um aumento de 7% no número de contratações, chegando a 1,2 milhão. Brasil, China, Estados Unidos e Índia mostraram ser mercados-chave para a bioenergia, com os biocombustíveis atingindo 1,7 milhão de empregos, a biomassa, 700 mil e o biogás gerando trabalho para 300 mil pessoas.

Cerca de 62% dos empregos globais estão concentrados no continente asiático. Vagas na instalação e na fabricação turbinam a região, de modo particular a Malásia e a Tailândia, que se tornaram centros mundiais de fabricação de placas fotovoltaicas. Na África, a escala de crescimento das renováveis fez com que África do Sul e o Norte do continente tivessem 62 mil vagas. A expectativa é que com o correto desenvolvimento das fontes, a quantidade de contratações só tende a aumentar.

Fonte: Irena | Bloomberg

Linha de crédito vai financiar energia solar “no campo”

Agricultores familiares atendidos pelo Banco do Nordeste dispõem de nova linha de crédito voltada para implantação de sistemas de micro e minigeração de energia solar. Os recursos serão liberados por meio do programa de crédito Agroamigo Sol, lançado ontem no Rio Grande do Norte e em outros nove estados. Com a metodologia do microcrédito orientado, os financiamentos beneficiarão principalmente pequenas propriedades rurais, com operações de até R$ 15 mil, com direito a bônus de adimplência e vantagens especiais para empreendimentos localizados em regiões do Semiárido. A taxa de juros varia de 1% a 2% ao ano.

Detalhes da linha de crédito foram apresentados ontem em videoconferência no Banco do Nordeste. (Foto: Tribuna do Norte)

Detalhes da linha de crédito foram apresentados ontem em videoconferência no Banco do Nordeste. (Foto: Tribuna do Norte)

O superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, Fabrizzio Leite Feitosa, elencou vantagens financeiras e social para os produtores que adquirirem o crédito. “Do ponto de vista financeiro é não elevar o endividamento, é trocar uma dívida. O produtor deixa de pagar pela energia elétrica tradicional e paga a prestação do banco, com um diferencial que o equipamento adquirido terá uma vida útil de até 40 anos e o financiamento bancário vai se encerrar com o término do contrato. Em 10 anos ele quita a dívida com o banco, e ainda tem um equipamento que dura mais 30 anos”, disse.

A geração de energia limpa foi a principal vantagem social destacada por ele. “Estamos com uma dedicação especial ao setor de infraestrutura, especialmente energia limpa. Hoje (ontem) teremos a assinatura de um contrato em que a pessoa pagava a energia e agora ele vai fazer uma mini usina para gerar a energia solar, será o primeiro cliente desse programa especificamente”, disse Feitosa.

O gerente de micro finanças do Banco do Nordeste no estado, Evandro Sousa explicou que a taxa de juros é variável, e vai até 2% ao ano. “A taxa varia de acordo com a atividade e é possível colocar uma carência. O prazo para financiamento vai até 10 anos, mas a gente faz uma análise    para cada cliente e vê qual a necessidade dele”, disse.

As exigências ao cliente que quiser adquirir o crédito são baseadas na necessidade e viabilidade. “Um agricultor que usa pouca energia não necessita (do crédito). Mas se ele for um trabalhador familiar e trabalhar na zona rural e necessitar, é trazer a documentação, bem como a declaração de aptidão ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que é o documento que comprova que ele é agricultor familiar”, disse Sousa.

Os recursos podem ser aplicados em obras de melhorias nas propriedades, como sistemas de bombeamento, irrigação e dessalinização de água, além de eletrificação de cercas, por exemplo. Além de beneficiar as propriedades rurais, a micro e minigeração de energia limpa também beneficia a economia das cidades do Interior do Nordeste, segundo o BNB, porque reduz os gastos de comerciantes com energia.

Microcrédito
O Agroamigo Sol encaixa-se na família de produtos do programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste, o Agroamigo, lançado em 2005. O programa já beneficiou 1,7 milhão de produtores em todo a região Nordeste e norte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. No Rio Grande do Norte, atende cerca de 65 mil pessoas.

Foram mais de 3,7 milhões de operações contratadas desde a criação do programa, que totalizam R$ 10,3 bilhões em crédito concedido. Atualmente, o Agroamigo dispõe de 1,1 milhão de clientes ativos e carteira ativa de R$ 3,7 bilhões com taxa de adimplência de 94,7%. A maioria das operações (69%) beneficia produtores rurais localizados em áreas de Semiárido.

Fonte: Tribuna do Norte | Aura Mazda

Desperdício de energia atinge R$ 61,7 bi em três anos

A desatualização de maquinário industrial, de lâmpadas e de eletrodomésticos é o principal motivo para que o País deixasse de economizar em energia elétrica, nos últimos três anos, o equivalente a 1,4 vezes a produção da Itaipu Binacional do ano passado. De acordo com relatório divulgado no início deste mês pela Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), o País deixou escapar pela tomada R$ 61,7 bilhões no período, o que poderia ser resolvido com incentivos governamentais à modernização industrial e à fabricação de produtos de consumo mais eficiente.

Sem tal desperdício, seria possível reduzir o uso de termelétricas em momentos de baixa nos reservatórios de usinas hidrelétricas e uma menor necessidade de investimentos na ampliação da rede, o que baratearia a tarifa. A quantidade de eletricidade que deixou de ser economizada é equivalente a 143,6 milhões de gigawatt-hora (Gwh), o que poderia abastecer por um mês uma cidade de 533 mil habitantes durante um mês, de acordo com a Abesco. O número é quase a população de Londrina, que fechou 2016 com 553 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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É consenso entre especialistas que o País investiu muito nos últimos anos na geração de fontes renováveis. Dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) apontam o crescimento neste ano de 38% na geração nacional de energia eólica. Entretanto, há poucos incentivos, por exemplo, para que usuários industriais ou mesmo residenciais invistam na própria geração, por meio da instalação de um sistema de aproveitamento de energia solar.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO
O presidente da Abesco, Alexandre Moana, cita que a economia de eletricidade poderia ser ainda menor, caso o Brasil não tivesse passado por processos de crise econômica e desindustrialização. “O crescimento do consumo residencial nos últimos três anos foi de 82% no setor comercial, de 72% no residencial e de somente 5% no industrial”, afirma. “Fortalecer as políticas que auxiliam a renovação do parque produtivo seria uma solução muito melhor do que só estabelecer metas de eficiência. Uma linha do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) poderia ter um bom resultado.”

Mesmo assim, Moana também sugere a criação de um certificado de eficiência energética para o setor de serviços, para que o consumidor possa fazer uma escolha consciente na hora da contratação. O modelo poderia ser semelhante ao do Selo Procel de Economia de Energia, usado em equipamentos e eletrodomésticos.

O diretor de engenharia de infraestrutura elétrica do Cerne (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia), Milton Pinto, afirma que é preciso racionalizar também a geração, que hoje tem origem em grandes hidrelétricas que estão distantes das maiores regiões consumidoras. Apesar do desperdício inerente à transmissão não ser o principal fator de perda, ele lembra que é possível evoluir. “A resolução 482 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que estabelece as condições para a microgeração de energia em residências, no comércio, é somente de 2012 e ainda foi pouco divulgada”, diz.

Pinto é outro que vê como necessário o uso de incentivos governamentais a investimentos na troca de equipamentos. “O próprio segmento eólico se desenvolveu assim, é preciso oferecer os mesmos benefícios em outras frentes”, diz. “É preciso vencer também o ceticismo do empresariado, porque existe um custo inicial, mas, se for diluído ao longo do tempo, vale a pena”, completa o diretor do Cerne.

País é vice-lanterna em ranking mundial
O Brasil é o vice-lanterna entre os 23 países responsáveis por 75% do consumo de energia e 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, à frente apenas da Arábia Saudita, conforme o estudo do ACEEE (Conselho Americano para Eficiência Energética e Economia, na sigla em inglês). Nesse levantamento, o órgão leva em consideração ainda a eficiência em edificações, indústria, transporte e esforços nacionais para se desenvolver, o que inclui outros tipos de fontes, como combustíveis.

Quando considerados os outros países emergentes do BRICS, também fica atrás de China (6º), Índia (14º), Rússia (17º) e África do Sul (21º). “Houve um pouco de relaxo, porque o País investiu muito em energia renovável e pouco na renovação do parque industrial, o que exige mais energia para fazer o mesmo trabalho”, diz o presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), Alexandre Moana.

TAREFA DE CASA
Trocar a geladeira antiga por uma mais eficiente, usar lâmpadas de LED e fazer o uso racional de carregadores de telefone celulares, chuveiros e aparelhos de ar-condicionado são algumas das alternativas para economizar. No entanto, nada disso é novidade para os consumidores residenciais. “A eficiência passa por uma educação ambiental que todos os países precisam ter e que ainda começa a ser feita no Brasil”, diz o diretor de engenharia de infraestrutura elétrica do Cerne (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia), Milton Pinto. (F.G.)

Fonte: Folha de Londrina | Fábio Galiotto

Ministério publica regras para leilão de descontratação de energia

O Ministério de Minas e Energia publicou na edição do Diário Oficial  da União desta segunda-feira, 22 de maio, a Portaria no. 200 com as diretrizes sistemáticas do leilão de descontratação de energia de reserva para as fontes eólica, solar e hídrica por meio de CGHs e PCHs. O certame será composto por duas fases, a inicial e a contínua. Os valores de prêmios iniciais por produto ainda não foram divulgados pelo governo. O valor de prêmio de cada empreendimento deverá ser pago em uma única parcela pelo participante e corresponderá ao lance de prêmio multiplicado pelo montante de energia contratada a ser descontratada e por 8.760 horas.Na primeira etapa, cada interessado em descontratar seu projeto poderá ofertar um lance único, desde que este seja superior ou igual ao prêmio inicial do produto para classificação por ordem decrescente do índice de classificação do prêmio (ICP) do respectivo empreendimento.

Já na segunda etapa participarão os classificados na etapa inicial, que poderão inserir novos lances para os produtos em negociação. Nessa etapa o lance de prêmio mínimo será o maior valor entre o resultado do ICP Corrente adicionado do incremento mínimo subtraído do preço de venda de contratação. O ICP Corrente é o valor atualizado a cada lance ofertado igual ao ICP do empreendimento marginal que complete a quantidade demandada do produto em R$/MWh.

Em caso de empate de ICP na etapa contínua, o maior preço contratual será o critério utilizado para o desempate, seguido pela maior energia contratada e caso persista essa situação se dará por seleção randômica. A segunda etapa do leilão não terá tempo máximo para ocorrer só será finalizada caso haja decurso do tempo para inserção de lance sem o registro de lance válido.

De acordo com a portaria, a Aneel deverá publicar, como adendo ao edital do leilão de descontratação, o detalhamento da sistemática, que deverá prever, entre outros pontos, a aceitação de propostas para os produtos eólica, hidro e solar.

Fontes: Canal Energia | O Povo

Aneel libera operação em teste de 108MW em eólicas no RN

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou desde a última sexta-feira, 20 de maio, a operação em fase de teste de quatro parques eólicos da empresa francesa Voltalia, no Rio Grande do Norte.
As usinas Carnaúbas, Reduto, Santo Cristo e São João, cada uma  com 27 MW em potência instalada devem entrar em operação comercial até o dia  30 de junho, de acordo com a Aneel. Os empreendimentos somam um total de 108 MW em potência instalada a partir de 9 aerogeradores de 3 MW cada.
Os parques estão localizados no município de São Miguel do Gostoso, exceto o parque de Santo Cristo, instalado no município de Touros.
Fonte: CERNE Press

Energia eólica e solar recebem duas vezes mais financiamento do que combustíveis fósseis

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

Recuperação da produção de petróleo em campos terrestres em debate no RN

O I Seminário Estratégico “Terras de Petróleo”, lotou o auditório da Fecomércio-RN na tarde desta sexta-feira, 19 de maio, e reuniu representantes do governo, lideranças sindicais e empresários do setor para discutir a atual situação da atividade na Bacia Potiguar. Na década de 90, a Bacia Potiguar, que engloba campos de produção de petróleo no RN e Ceará, chegou a produzir mais de 100 mil barris de petróleo por dia em sua parte terrestre. Hoje a produção oscila hoje entre 60 e 70 mil barris diários.

O durante a solenidade de abertura do evento, o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean Paul Prates, destacou que esta é a primeira vez que estão juntos na mesma mesa de discussão empresários e trabalhadores do setor de petróleo. Prates também destacou que “é importante esclarecer que a atividade não morreu, apenas precisa de uma revitalização”, afirmou.

Secretário de Estadual do Desenvolvimento Econômico do RN, Flávio Azevêdo. (Foto: Sipetro/RN)

Secretário de Estadual do Desenvolvimento Econômico do RN, Flávio Azevêdo: “Produção de petróleo movimenta economia no Estado”. (Foto: Sipetro/RN)

O secretário de Estadual do Desenvolvimento Econômico do RN, Flávio Azevedo, destacou que, apesar da atual situação, a exploração de petróleo é uma atividade que ainda movimenta uma grande parcela da economia do Estado. “É importante para o RN, para pequenos e grandes produtores. Toda discussão que possa resultar em benefícios e que promova a geração de emprego e renda é bem-vinda”.

Destacando a importância de retomar a atividade, a senadora Fátima Bezerra marcou presença na abertura do evento. “É um tema de grande relevância econômica e social. Como presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo no Senado, me coloco à disposição para levar esta discussão ao Congresso Nacional”, afirmou a senadora.

O senador Garibaldi Alves Filho prestigiou o evento e também se colocou à disposição para ajudar nas discussões sobre os rumos do setor no Estado. “Quero ouvir dos especialistas no assunto sobre o que nós, da classe política, podemos fazer para contribuir nesta retomada da atividade na Bacia Potiguar”.

O presidente do Sindicato das Empresas de Petróleo e Gás do Rio Grande do Norte (SIPETRO/RN), Fernando Lucena Soares, disse que Mossoró, situada na região Oeste Potiguar, já foi a quarta cidade que mais produziu petróleo no Brasil e, atualmente, vem sofrendo com a desativação gradual dos campos de petróleo. “Esse é o pontapé inicial para movimentar o setor novamente e não há duvidas que é fundamental a retomada da atividade de produção e extração de petróleo em terra para a economia do Estado”.

Senador Garibaldi Alves Filho. (Foto: Sipetro/RN)

Senador Garibaldi Alves Filho. (Foto: Sipetro/RN)

A cadeia produtiva foi um dos pontos abordados pelo representante da Redepetro/RN, Gutemberg Dias. “É preciso que as entidades governamentais olhem com mais atenção para o setor de petróleo e gás no Rio Grande do Norte, pois o estado continua com grande potencial, principalmente nos segmentos que abrangem fornecedores e distribuição”, ressaltou Dias.

O coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte, José Antônio de Araújo, fala agora no seminário que discute a recuperação da Atividade do petróleo em terra no Estado. “A indústria do petróleo responde por mais da metade do PIB do Estado.”

O representante dos trabalhadores também criticou o plano de desinvestimentos da Petrobrás e destacou a importância de iniciativas para se discutir a retomada da atividade e a revitalização dos campos de extração e produção de petróleo no RN.

De acordo com secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás Natural (ABPIP), Anabal dos Santos Júnior, o Brasil passou a seguir uma tendência mundial quando abriu os campos maduros para negociação com empresas privadas.  “Os processos vão ter operadores compatíveis com o porte daquele negócio. Nós estamos construindo esse modelo aqui. Empresas grandes exploram campos grandes e empresas menores, campos menores”, disse ele.

Também participaram do Seminário o coordenador-geral da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis do Ministério das Minas e Energia, Clayton de Souza Pontes; o coordenador de Áreas Terrestres da Agência Nacional de Petróleo, José Fernandes de Freitas; representantes da UFRN, IFRN e Sebrae, além de outras entidades e empresários interessados na atividade.

Foto: Sipetro/RN

Foto: Sipetro/RN

REATE

O REATE é uma iniciativa da Secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, que está mobilizando entes públicos, lideranças empresariais e de trabalhadores da indústria para discutir e implementar medidas que ajudem o processo de revitalização da atividade petrolífera em terra.

Bacia Potiguar

A Bacia Potiguar, que também inclui uma parte marítima, é uma bacia sedimentar brasileira localizada ao longo da costa do estado do Rio Grande do Norte e extremo-oeste do estado do Ceará. Possui uma área de 119.030 mil quilômetros quadrados, sendo 33.200 km2 emersa e 86.100 km² submersa.

O início da exploração petrolífera dessa bacia se deu em 1952 em terra (com a primeira descoberta no campo de Mossoró em 1979) e 1972 no mar (com a primeira descoberta no campo de Ubarana em 1973). Atualmente ainda existem mais de 3.800 mil poços produtores de petróleo e gás no Rio Grande do Norte e no Ceará.

Fonte: Sipetro/RN