Sinais do governo animam petroleiras

Mesmo com os baixos preços internacionais do petróleo e a crise econômica do Brasil, a indústria petrolífera mudou o humor com relação ao país. O fim da incerteza política com a consolidação do processo do impeachment, o avanço no Congresso do projeto de lei que retira a exclusividade na operação do pré-sal e os sinais de flexibilização nas exigências de conteúdo local, entre outros fatores, estão animando as petroleiras com relação ao mercado brasileiro.

O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) estima que os investimentos anuais em exploração e produção no país podem dobrar para US$ 50 bilhões, caso as reformas pretendidas sejam implementadas.

“Temos sinais, declarações, do governo, desde o início, muito alinhadas com a pauta da indústria. Isso traz para nós otimismo de que essa pauta, da competitividade, foi assimilada”, diz o presidente do IBP, Jorge Camargo.

A avaliação no setor é que o Brasil tem excelentes recursos petrolíferos e necessita apenas de um empurrão regulatório para retomar a trajetória de crescimento dos investimentos.

“O Brasil tem essa condição, quase única, de combinar reservas muito atrativas de petróleo em um país institucionalmente estável e que se rege por uma dinâmica de mercado relativamente menos arriscada para os investidores”, afirma José Sá, especialista em óleo e gás e sócio da consultoria Bain & Company. “O discurso que o novo governo está pregando se alinha mais às condições que permitem aos investidores estarem mais presentes no país. Há expectativa que se avance nessa direção”, conclui, lembrando, porém, que a agenda regulatória do setor de óleo e gás brasileiro é extensa e complexa.

O potencial do mercado petrolífero do país pode ser visto por dois grandes movimentos recentes. O primeiro foi a aquisição, pela anglo-holandesa Shell, da britânica BG. O negócio, avaliado em US$ 50 bilhões, foi impulsionado pelos ativos da BG no pré-sal brasileiro. O segundo movimento foi a compra, pela norueguesa Statoil, da fatia de 66% da Petrobras no bloco BM-S-8, na Bacia de Santos, onde está a promissora descoberta de Carcará, também no pré-sal. A transação envolveu US$ 2,5 bilhões.

Entre os principais itens da agenda otimista do setor, o primeiro que deve se realizar é a aprovação pela Câmara do projeto de lei que retira a exclusividade da Petrobras na operação do pré-sal, desonerando a estatal e abrindo espaço para outras petroleiras investirem como operadora nessas áreas. A expectativa do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, é que a medida seja aprovada pelos deputados logo após as eleições.

O ministro trabalha para que o projeto de lei seja aprovado antes da “Rio Oil & Gas”, principal evento da indústria petrolífera brasileira e que funciona como espécie de termômetro do setor no país. O evento ocorre entre os dias 24 e 27 de outubro. Na última edição, em 2014, o encontro teve 47 mil visitantes, 3,8 mil conferencistas e 1,1 mil expositores, de 31 países.

“O Brasil representa uma das oportunidades mais promissoras e atraentes em águas profundas para a Shell. Como a maior empresa privada do setor no Brasil, estamos cientes dos desafios à frente, e vemos excelentes perspectivas de desenvolvimento do setor de óleo e gás. Neste sentido, a Rio Oil & Gas é um grande fórum para discutir as questões mais pertinentes e urgentes do nosso mercado”, diz o presidente da Shell no Brasil, André Araujo.

O ministro Coelho Filho também trabalha para que o Ministério da Fazenda aprove até o fim do ano extensão do regime aduaneiro especial Repetro. Segundo especialistas do setor, o regime, cujo prazo termina em 2019, deve ser estendido para até 2040. Também até o fim de 2016, o ministério pretende concluir as regras de unitização – quando uma jazida petrolífera ultrapassa os limites de um determinado bloco. As regras são fundamentais para a viabilização do próximo leilão do pré-sal, previsto para o segundo semestre de 2017.

“No passado, tínhamos um preço de óleo bom e infelizmente os efeitos regulatórios não permitiram [a realização dos] investimentos que se esperavam. Isso aconteceu na Rodada 11, mas sobretudo na Rodada 13 [leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis]. Essas amarras regulatórias impediam de alguma maneira um maior sucesso, uma maior presença das companhias”, diz o presidente da Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), Lincoln Guardado.

“O Brasil continua sendo prioridade, dado à pujança dos recursos [petrolíferos], mas todos os grandes investidores ainda estão relutantes em realmente aportar grandes quantidades de capital [no país] porque querem ter uma clareza maior no ambiente de negócios e nas mudanças que estão sendo introduzidas”, acrescenta Renato Bertani, diretor-executivo da Barra Energia, sócia da QGEP e da Statoil no prospecto de Carcará.

Na avaliação de Pat Eitrheim, presidente da Statoil no Brasil, a medida mais importante no curtíssimo prazo é a extensão do Repetro. “Mas não quero falar o que o governo tem de fazer. Pelo menos parecem estar olhando para as coisas certas”, afirma ele. Segundo o executivo, os mercados brasileiro e dos Estados Unidos são os dois com maior atratividade para a norueguesa hoje. Em suas operações no Brasil, a Statoil considera o campo de Peregrino, o bloco BM-C-33, na Bacia de Campos e o prospecto de Carcará como ativos de altíssimo nível.

Para o presidente da Petrobras, Pedro Parente, o setor petrolífero, pelo seu porte, pode dar uma rápida resposta para o reaquecimento da economia brasileira, desde que as soluções regulatórias sejam implementadas. “Achamos que se tem algum setor onde a resposta de investimento seria muito rápida, mais rápida do que outros setores, seria o de óleo e gás, desde que tivesse um quadro regulatório adequado para isso. E o governo está trabalhando nesse quadro. [Para] Esse conjunto de medidas, em discussão, no âmbito do governo federal, que inclui novas rodadas, a resposta que o setor vai dar será muito rápida”.

De acordo com Marcos Castro, advogado especialista em petróleo e gás do escritório Stocche Forbes, a melhoria do ambiente regulatório é fundamental para dar mais competitividade ao setor petrolífero brasileiro. Segundo ele, as gigantes petroleiras olham o Brasil dentro de um “tabuleiro global”, onde elas colocarão recursos financeiros nos locais onde os projetos forem mais competitivos, principalmente em um cenário de baixo preço do petróleo.

Fonte: Valor Econômico

Projetos de geração de energia podem ter receita atrelada ao dólar

O governo federal está avaliando a possibilidade de oferecer contratos de geração de energia elétrica no país com receita atrelada à variação do dólar, com a possibilidade de se obter recursos a custos mais baixos e atrair mais investidores estrangeiros, que não correriam o risco cambial.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, apresentou a proposta em evento em Brasília nesta quinta-feira (29). Ele citou o Chile, que chegou a contratar energia solar com o menor valor do mundo neste ano, como exemplo de benefício desse tipo de contratação. Segundo Barroso, os contratos em dólar permitiram empréstimos com custo de 1,5% ao ano, o que “faz toda a diferença”.

“Estou propondo pensar fora da caixa, a gente quer discutir. Ninguém quer indexar a economia, mas queremos fazer a análise, se o custo disso é maior do que o benefício”, disse Barroso, em encontro promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).

O secretário do Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Eduardo Azevedo, confirmou que o tema está em análise no governo federal.

“Todos os dias avaliamos quais são as possibilidades que existem para tornar o ambiente mais favorável à atração de investimentos. Então essa foi uma possibilidade”, disse Azevedo, quando questionado sobre a proposta.

Investidores estrangeiros têm feito esse pleito junto ao governo, que busca uma maior participação de fundos internacionais na expansão da infraestrutura nacional. Barroso lembrou que o custo de geração da energia térmica a gás já tem correlações com o preço do câmbio, uma vez que o gás natural é negociado com parâmetros internacionais.

Fonte: Full Energy

CERNE e faculdade Ari de Sá firmam parceria para cursos de capacitação no Ceará

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e a Faculdade Ari de Sá assinaram convênio de cooperação entre as duas instituições para a implantação de cursos de capacitação profissional na área de energia. A parceria foi celebrada em evento realizado nesta quinta-feira, 29 de setembro, na sede da instituição de ensino em Fortaleza, no Ceará.

Diretor Setorial de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CERNE e coordenador dos cursos RN/CE, Hugo Fonseca. (Foto: CERNE Press)

Diretor Setorial de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CERNE e coordenador dos cursos RN/CE, Hugo Fonseca. (Foto: CERNE Press)

Com o novo convênio, o CERNE amplia a oferta de cursos de capacitação profissional para além das fronteiras do Rio Grande do Norte, buscando atender a demanda do mercado de trabalho e abrindo novas oportunidades de qualificação para quem deseja ingressar no setor energético.

Participaram da solenidade o Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, o Diretor Setorial de Meio Ambiente e Sustentabilidade e coordenador dos cursos RN/CE, Hugo Fonseca, e representantes da Faculdade Ari de Sá.

Fonte: CERNE Press

 

 

Ministério cria grupo de trabalho para monitorar serviço de distribuição de energia

O Ministério de Minas e Energia criou um Grupo de Trabalho para monitorar a prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica nas áreas cuja concessão não tenha sido renovada. O grupo será composto por técnicos do MME, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Eletrobras. A medida foi publicada nesta segunda-feira (26/9) no Diário Oficial da União.

No dia 22 de julho, em assembleia geral, os acionistas da Eletrobrás decidiram não renovar as concessões das seis distribuidoras de energia elétrica. Diante dessa medida, o MME estabeleceu os termos e condições para que órgãos ou entidades da Administração Pública Federal possam prestar o serviço de distribuição de energia elétrica nas áreas onde a concessão não tenha sido renovada, permitindo a manutenção do serviço para os consumidores.

De acordo com a portaria, o GT terá vigência até 31 de dezembro de 2017, podendo ser prorrogada caso haja necessidade. As funções dos representantes e convidados do GT serão consideradas prestação de serviço público relevante, não remunerada. Eventuais despesas dos integrantes do GT serão pagas pelos seus respectivos órgãos.

Fonte: MME

Complexo eólico de 172MW tem obras iniciadas na Bahia

Teve início nesta terça-feira, 27, as obras de construção do complexo eólico Morro do Chapéu Sul, localizado nos municípios de Morro do Chapéu e Cafarnaum, no estado da Bahia, a 400 quilômetros de Salvador. O novo empreendimento terá capacidade instalada total de 172 MW e será composta por seis parques: Ventos de Santa Esperança (28 MW), Ventos de Santa Dulce (28 MW), Ventos de São Mário (30 MW), Ventos de São Paulo (28 MW), Ventos de São Abraão (28 MW) e Boa Vista (30 MW).

O complexo é de propriedade de quatro sociedades de propósito específico (SPEs) mantidas pela Enel S.p.A. (“Enel”), por meio da sua subsidiária de energia renovável Enel Green Power Brasil Participações Ltda. (“EGPB”), e é esperado que entre em operação no primeiro semestre de 2018.

Quando concluído, Morro do Chapéu Sul será capaz de gerar mais de 830 GWh por ano, o suficiente para atender à necessidade anual de consumo de energia de mais de 320.000 lares brasileiros, evitando a emissão de cerca de 225.000 toneladas de CO2 na atmosfera por ano.

Fonte: CERNE Press com informações da Agência Canal Energia e Valor Econômico

Petrobras inicia processo de abertura do setor de gás natural no Brasil

A Petrobras reafirmou nesta segunda-feira, 26 de setembro, seu compromisso com a desverticalização o negócio de distribuição de gás natural no Brasil. Hoje o segmento é monopolizado pela petroleira. A companhia, porém, sinalizou que não pretende deixar o mercado de gás natural, que na sua visão, será o combustível de transição para uma matriz energética mais limpa.

“Temos uma estratégia específica para a área de gás”, disse diretor executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, durante apresentação do Plano Estratégico de Negócios e Gestão 2017-2021 da companhia, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

“A Petrobras tem uma elevada concentração no negócio de gás. É o único supridor de gás, detém a infraestrutura logística e todo cliente de gás é suprido pela Petrobras. Nosso movimento é claramente de desverticalizar essa operação, trazendo novos parceiros… Já começamos a fazer. Na última semana anunciamos um negócio com um novo sócio na malha Sudeste.”

Celestino se refere à venda de 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a Brookfield Infraestructure Partners (BIP), em uma operação de US$ 5,19 bilhões. A primeira parcela, correspondente a 84% do valor (US$ 4,34 bilhões), será paga no fechamento da operação e o restante (US$ 850 milhões), em cinco anos.

“Vamos verticalizar. Estamos tratando com o Governo a forma de fazer isso. Temos o desafio regulatório, fiscal e tributário para fazer isso, mas é algo que a gente está fazendo. Obviamente seremos um player relevante nesse segmento de mercado, por entendermos que esse é um combustível de transição”, completou o executivo.

Sem dar muitos detalhes, Celestino também disse que a Petrobras vai “reestruturar o negócio de energia”, colocando todos os ativos debaixo de uma mesma empresa e “buscando maximizar o valor desse negócio”. Hoje a petroleira é o sexto maior produtor de energia elétrica do Brasil, com capacidade instalada de 6.239 MW, atrás de Itaipu (7.000 MW, lado Brasil), Engie (7.323 MW), Eletronorte (9.922 MW), Furnas (9.411 MW) e Chesf (10.613 MW). “Reestruturação do negócio de energia é algo que a gente vai fazer. Colocando todos os ativos de energia debaixo de uma mesma empresa e buscando maximizar o valor desse negócio.”

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas

Capacitação em Energia Eólica do CERNE está com inscrições abertas

Após o sucesso da primeira turma, curso inicia inscrições para 2016. Disciplinas vão abordar as tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parque, dentre outras.

O Rio Grande do Norte atualmente protagonizou mais um salto no cenário da energia eólica.  O Estado ultrapassou em setembro a marca dos 3GW de potência eólica instalada. Este feito histórico reflete positivamente na geração de emprego e de novas oportunidades para capacitação profissional.

Repetindo o sucesso alcançado na primeira turma de 2015, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), abre inscrições até sexta-feira, 6/10​, para a turma de 2016 do c​urso de Capacitação em Gestão da Energia Eólica. As aulas terão início no sábado, dia 07/10,  na UnP da avenida Engenheiro Roberto Freire.

O conteúdo das disciplinas compreenderá as tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parques, além de temas voltados à administração dos empreendimentos, estudos de viabilidade econômica, obtenção de financiamentos, aspectos jurídicos e tributação relativa à atividade. Ao final do curso, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto a estrutura e operação de um parque eólico.

As aulas serão ministradas por diretores setoriais do CERNE nas áreas de tecnologia, infraestrutura e meio ambiente e por profissionais de empresas parceiras com vasta experiência no mercado eólico.

Com carga horária de 64 horas dividida em oito módulos, a capacitação é destinada a quem já atua ou deseja ingressar profissionalmente no mercado de energia eólica.  Podem se inscrever alunos de graduação e profissionais interessados no setor.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço da plataforma e-Labora: https://sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe/site/elabora. A ementa com as informações completas do curso está disponível pelo link: www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 4009-1440 ou ​pelo email cursos@cerne.org.br.

Fonte: CERNE Press

Microgeração de energia solar dispara 156% em sete meses

Em julho de 2016, Brasil chegou a 4.432 pontos de micro e minigeração, tendo encerrado o ano de 2015 com apenas 1.729, segundo a Aneel. Apesar do crescimento expressivo, especialistas alertam que número ainda é ‘gota no oceano’ e pedem mais financiamento.

O exemplo pode vir por acaso, do seu vizinho, como foi o caso do defensor público Anderson Marinovic. ‘Meu vizinho de parede estava fazendo obra e instalou o sistema de energia solar. Aí eu perguntei, Cadu, que negócio é esse? E ele respondeu: vou produzir energia na minha casa’, diz.

Com um investimento de R$ 27 mil, ele instalou, no início do ano, oito placas de captação de luz no telhado da cobertura dele, no Rio. O equipamento gera, em média, 200kWh por mês, representando uma economia em torno de R$ 150 mensais.

Pensando no aumento de consumo durante o verão, por causa do ar-condicionado, ele deve instalar mais duas placas e afirma que tem ‘orgulho dessas placas, dessa ideia de estar produzindo energia limpa. Confesso, chegou um amigo meu aqui em casa uma vez, tinha visitas, eu mostrei ‘olha só, dá uma olhada ali..’

O defensor público foi uma das 2.703 pessoas que começaram a gerar a própria energia por placas solares entre janeiro e julho deste ano. Antes disso, até dezembro de 2015, o número total de microgeradores de energia solar fotovoltaica no Brasil era de 1.729, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Ou seja, um crescimento de 156,3% em sete meses. A alta foi grande, mas especialistas alertam que ainda é uma ‘gota d’água no oceano’, já que a energia solar representa apenas 0,01% da matriz energética brasileira.

Número de microgeradores de energia solar dispara 156% em apenas sete meses. (Crédito: CBN)

Número de microgeradores de energia solar dispara 156% em apenas sete meses. (Crédito: CBN)

MAIORIA DOS ESTADOS TEM ISENÇÃO DE ICMS

O custo de instalação é considerado alto. Os sistemas podem custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para abastecer uma família de quatro pessoas, por causa das peças importadas.

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, o preço vem caindo na última década, mas ainda faltam mecanismos para democratizar o acesso aos consumidores residenciais.

‘Neste ano, tivemos o anúncio de uma nova linha de financiamento, chamada FNE Sol, do Banco do Nordeste, para pessoas jurídicas, só que limitado à região de atuação do banco. O Banco do Brasil e a Caixa podem ter papéis importantes, já que têm grande capilaridade ao redor do país. É possível que eles acessem regiões que outros bancos privados ou regionais não consigam chegar. Com isso, vamos ter uma democratização’, defende Rodrigo Sauaia.

Quando o empresário Antônio Jales, que tem um fábrica de sorvetes no Rio Grande do Norte, instalou o sistema, por exemplo, não havia financiamento disponível e a negociação foi feita diretamente com uma empresa. Depois da crise hídrica, com o aumento da conta de luz após a aplicação da bandeira tarifárica vermelha, ele gastou R$ 2,2 milhões em 1.726 placas solares, com potencial de geração de 475kWh por mês.

Por falta de espaço no telhado da empresa, ele resolveu usar as próprias placas solares como cobertura no estacionamento. Com a economia de cerca de R$ 40 mil por mês, o empresário espera ter o retorno em até cinco anos.

‘Já terminei de pagar e estou negociando de novo com outras empresas para colocar 1mWh. Agora, vou colocar uma parte em cima dos telhados. Nós tivemos essa crise de energia, saímos da bandeira vermelha um dia desses. É uma energia renovável, a gente vê os exemplos no mundo todo sobre a mudança no clima. Não temos que esperar as desgraças acontecerem. Não tem como você não aproveitar uma coisa como o sol’, diz o empresário.

Desde 2015, o governo federal isenta de PIS e Cofins a energia gerada por placas solares que é injetada na rede. Outra política pública de incentivo comum no país é a isenção do ICMS, adotada por 20 estados (Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e o Distrito Federal. Apenas Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina não oferecem isenção de ICMS.

Quem decide instalar o sistema pode ter baterias para armazenamento próprio ou interligar os geradores com a rede pública. Essa nova opção só é possível desde 2012, após uma resolução da Aneel. Somente três anos depois, uma nova resolução permitiu a geração comunitária em prédios e condomínios, o autoconsumo remoto e a geração compartilhada.

Na prática, um condomínio pode ter um sistema conjunto entre os moradores, as pessoas podem gerar a energia em um ponto e consumir em outro ou ainda formar uma cooperativa para financiar o equipamento e repartir a carga gerada.

No entanto, segundo o empresário Bias Augusto Daré, que tem uma fábrica de inversores de energia gerada por placas solares, em São Paulo, o mercado consumidor ainda é restrito às classes A e B.

Ele alerta que ‘o que pesa hoje no país é a falta de um sistema de financiamento, como você tem em outros países. Com isso, você dilui o custo no tempo. Quem está colocando hoje no Sudeste? Quem é de classe mais alta, por uma questão de poder pegar o dinheiro sem financiamento e usar’.

Até julho deste ano, o Brasil tinha 4.432 pontos de microgeração de energia solar fotovoltaica, segundo a Aneel. Levando em conta a geração por estado, Minas Gerais lidera o ranking, com 973 pontos de microgeração. Em seguida, aparecem São Paulo, com 611, Rio Grande do Sul, com 477, e Rio de Janeiro, com 435. Na contramão, Amazonas e Mato Grosso têm apenas dois pontos de microgeração.

A liderança mineira foi motivada pelo fato de o estado ter sido pioneiro na isenção do ICMS, além de também ter estabelecido uma política estadual de incentivo, ainda em 2013. O estado também tem índices de incidência solar parecidos com os estados do Nordeste.

Segundo o membro do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp Ennio Peres da Silva, a consciência ambiental está entre os principais motivos que levam à instalação de placas solares. No entanto, a economia na conta de luz e o medo de ficar sem energia elétrica em caso de apagão ainda são pontos fortes para os consumidores.

O especialista lembra que ‘aquela ameaça de faltar energia levou as pessoas a buscar alternativas. Então, houve um pânico. O que a gente já observou em outras crises é que as pessoas agem mais por medo da falta do que por medo do aumento (da conta de luz)’.

Segundo a Aneel, Acre e Roraima são os únicos estados que não têm nenhum ponto de microgeração de energia solar.

OS CINCO ESTADOS QUE MAIS TÊM MICROGERADORES (Fonte: Aneel)

1º – Minas Gerais (973)

2º – São Paulo (611)

3º – Rio Grande do Sul (477)

4º – Rio de Janeiro (435)

5º – Paraná (370)

 

Fonte: CBN |Pedro Henriques

RN é o segundo colocado em número de projetos eólicos

O Rio Grande do Norte é o segundo estado do Brasil com maior número de projetos para leilão eólico e fotovoltaico no Brasil registrados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dos 1.260 projetos que somam 35.147 MW de potência habilitável entre 14 estados, o RN tem 281 projetos que vão gerar 7.195 MW, atrás da Bahia com 350 projetos e geração de 9.535 MW de potência de energia.

Segundo informações divulgadas na última sexta-feira (23) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vão a leilão 223 projetos eólicos no RN que devem gerar 5.555 MW de potência e 58 voltaicos com 1.640 MW. A Bahia, primeiro em número de projetos, apresentou  249 projetos eólicos (6.380 MW) e 101 fotovoltaicos (3.155 MW).

A Aneel aprovou na sexta (23) a abertura de audiência pública por intercâmbio documental para receber contribuições ao edital do 2º Leilão de Energia de Reserva – 2º LER de 2016, destinado à contratação de energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração, a partir das fontes solar fotovoltaica e eólica, com início de suprimento de energia elétrica dia 1º de julho de 2019.

O documento da Aneel segue as diretrizes da Portaria104/2016, do Ministério de Minas e Energia – MME. O leilão está previsto para o dia 16 de dezembro deste ano, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo e serão negociados Contratos de Energia de Reserva (CER) na modalidade por quantidade de energia, com prazo de suprimento de vinte anos por fonte.

Recorde

No dia 10 de setembro passado, o Rio Grande do Norte bateu a marca recorde dos 3GW de potência eólica instalada. Isso aconteceu depois que o parque eólico Vila Pará I, localizado no município de Serra do Mel, entrou em operação. O estado foi o primeiro no país de organizar seu setor eólico.

O parque eólico Vila Pará I é de propriedade da empresa francesa Voltalia. Os dados são do Departamento de Pesquisas do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Com a marca, o estado chega a uma capacidade efetiva de 3.008,76 MW, o que representa 31,86% de toda a capacidade eólica instalada no Brasil, segundo o Cerne.  No total, o RN tem 1.562 aerogeradores em funcionamento, distribuídos em 110 usinas instaladas por todo o Estado.

Os municípios de João Câmara e Parazinho são os que mais concentram atividade eólica e, juntos, geram mais de 1000MW em 46 parques eólicos.Ao todo, a energia eólica representa entre 10 e 12 bilhões de dólares em investimentos somente no Estado. Aproximadamente 1/3 desse valor é formado por investimentos locais.

Leilão será sinal de alerta, diz Jean-Paul Prates

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jeal-Paul Prates, disse que a marcação do leilão para dezembro e o fato de a Bahia estar na frente do Rio Grande do Norte em número de projetos não é motivo de preocupações maiores. “Esta é mais uma oportunidade de colocar a energia eólica em posição importante na matriz energética brasileira”, comemorou.

A Bahia estar na frente faz parte de uma preparação deles para atrair mais projetos, ressaltou Jean-Paul Prates, e espera-se que mais à frente, a concorrência entre os estados aumente, o que é uma situação normal de mercado, explicou. O Ceará e o Piauí também começam a se organizar para apresentar mais projetos. “São as novas fronteiras para o setor”, complementou. No caso da Bahia, segundo ele, os projetos são localizados mais para o interior do estado e, geralmente, são mais baratos que os que se concentram no litoral como no RN, comparou.

Agora, o Rio Grande do Norte tem que começar a enfrentar desafios dentro do próprio estado para garantir competitividade e atrair mais projetos, disse o diretor-presidente do Cerne. Segundo ele, o estado tem que acompanhar os projetos já implantados, desburocratizar problemas como a cobrança de taxas cartoriais que por aqui ainda são díspares e as empresas terminam arrendamento as áreas para instalação a preços mais elevados que os estados vizinhos, principalmente, nesta fase de prospecção dos projetos.

A EPE exige que todo projeto para ir a leilão tenha a área definida e, por causa das tarifas cartoriais, as empresas acabam arrendando áreas menores para averbação.  Não existe no RN parâmetros definidos para as medidas e isso leva empresas a procurarem os estados onde os preços são definidos.

Termômetro

Um dos termômetros sobre a competitividade serão os leilões em dezembro. Dependendo do número de projetos comercializados. Caso o volume do RN seja baixo, aí sim, é hora de ligar o sinal de alerta e ver o que está acontecendo, apontou Jean-Paul Prates. Segundo ele, além das questões cartoriais, é preciso acompanhar e manter a vigilância sobre o cumprimento de prazos para instalação das linhas de transmissão e atuar ativamente no planejamento de novas linhas. “Isso é fundamental para o estado não ser descartado”, avaliou.

A Energia de Reserva é a demanda destinada a aumentar a segurança no fornecimento de energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional – SIN. Esta energia adicional é contratada por meio de Leilões de Energia de Reserva – LER e busca restaurar o equilíbrio entre as garantias físicas atribuídas às usinas geradoras e a garantia física total do sistema, sem que haja impacto nos contratos existentes e nos direitos das usinas geradoras. A contratação desta energia tem por objetivo, ainda, reduzir os riscos de desequilíbrio entre a oferta e demanda de energia elétrica. Tais riscos decorrem, principalmente, de atrasos imprevisíveis de obras, ocorrência de hidrologias muito críticas e indisponibilidade de usinas geradoras.

Fonte: Novo Jornal

Leilão de Energia de Reserva contrata 30 novas hidrelétricas

O primeiro leilão para contratação de novas usinas de energia promovido sob o governo do presidente Michel Temer deverá viabilizar cerca de R$ 1,07 bilhão em investimentos para a construção de 30 pequenas hidrelétricas em diversos Estados do país, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ao final do certame nesta sexta-feira (23).

A licitação contratou 180,3 megawatts em potência instalada, em usinas que precisarão entrar em operação em março de 2020 e que fecharam a venda da produção por 30 anos a um preço médio de R$ 227,02 por megawatt-hora, com um deságio de cerca de 8,5% cento ante o teto estabelecido pelo governo.

O resultado ficou dentro das expectativas de especialistas, que haviam afirmado à Reuters que o certame não deveria envolver grandes volumes de eletricidade e nem grandes descontos, diante do cenário econômico ainda desafiador do país, que tem reduzido tanto a disponibilidade de financiamento para projetos de energia quanto a própria demanda por eletricidade.

Os contratos negociados no leilão representarão um giro financeiro de R$ 5,7 bilhões ao longo do período de fornecimento, segundo a CCEE, que operacionalizou a licitação.

Os preços de venda da energia variaram por usina, de um mínimo de R$ 205 por megawatt-hora até um máximo de R$ 235.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, habilitou para o leilão 64 projetos. Ao todo foi habilitada uma oferta de 641 Megawatts (MW).

Fonte: Reuters

Cresce o consumo de energia no mercado livre em setembro

O consumo do mercado livre em setembro cresceu 12,4% em setembro quando comparado com igual período de 2015. A grande onda de migração de empresas para o mercado livre impactou no aumento de 9% no consumo de energia entre os consumidores livres e de 62,9% entre os consumidores especiais. Os dados são preliminares e foram coletados entre os dias 1º e 20 deste mês, ponderou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Sem a contabilização destas novas unidades consumidoras, há um crescimento de 2,4% no consumo entre os clientes livres e redução de 3,2% entre os clientes especiais. No geral, o consumo nacional de energia no período somou 59.108 MW médios com queda de 3,8% no mercado cativo.

A análise dos ramos da indústria monitorados pela CCEE, incluindo autoprodutores, consumidores livres e especiais, aponta índices positivos de consumo nos setores de comércio (+59%), serviços (+45,1%) e telecomunicações (+31,3%) por conta da migração. Apenas o setor de extração de minerais metálicos (-19,5%) apresentou queda no consumo em setembro.

No mesmo período, os dados indicam aumento de 68,9% na produção de usinas eólicas, com entrega de 5.239 MW médios frente aos 3.101 MW médios gerados no ano anterior. A geração de usinas hidráulicas, incluindo as PCHs, somou 41.741 MW médios, montante 2,9% superior ao registrado no mesmo período de 2015. A representatividade da fonte foi de 68,3% do total gerado no Sistema Interligado Nacional, índice 1,9 ponto percentual superior ao registrado no ano passado.

Já as usinas térmicas do sistema tiveram queda de 18,9% no desempenho. A retração ocorre devido à menor produção das usinas a óleo (-71,2%), a gás (-31,6%) e bicombustível (-20,2%). Ao todo, a geração se manteve estável em relação a setembro de 2015, registrando um aumento mínimo de 0,02%.

A CCEE estima que as hidrelétricas integrantes do Mecanismo de Realocação de Energia devem gerar, até a quarta semana operativa de setembro, o equivalente a 86,4% de suas garantias físicas, ou 43.984 MW médios em energia elétrica. Para fins de repactuação do risco hidrológico, este percentual foi de 84,3%.
Fonte: Da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção

Petrobras vai buscar sócio para refinaria em Suape

Estatal afirma que precisa de um parceiro para concluir a obra da Refinaria Abreu e Lima (Rnest)

Sem capacidade de investimentos, a Petrobras precisará de um só­cio para concluir a obra da Re­finaria Abreu e Lima (Rnest), em Suape. A empresa comunicou que está em busca de parceria para viabilizar a construção da segunda etapa do projeto, chamada de Trem 2. A companhia também adiou, mais uma vez, a data para a conclusão do empreendimento, desta vez para depois de 2021. O anúncio foi feito ontem, durante apresentação do Plano de Negócios 2017/2021, no qual a companhia apresentou uma previsão de investimentos mais comedida para os próximos anos.

De acordo com o presidente da companhia, Pedro Parente, até 2018 será concluída a obra da Unidade de Abatimento de Emissões (Snox), ainda na primeira linha de produção (Trem 1). Até então, o prazo de partida determinado pelo licenciamento operacional era outubro de 2017. “Estamos avaliando as propostas da licitação”, disse o presidente da companhia, Pedro Parente. O processo de licitação precisa ser concluído até o próximo dia 5 de outubro, também por determinação da licença, caso contrário a Petrobras poderá pagar multa.

A Petrobras não deu detalhes sobre como espera atrair um investidor, porém o consultor na área de petróleo e sócio fundador da Expetro, Jean Paul Prates, acredita que a procura pelo parceiro está em sintonia com o enxugamento de negócios da petrolífera. “Ficou claro que houve uma revisão do interesse da empresa em investir em projetos de refino”, pontuou. Apesar disso, ele continuou dizendo que a Rnest não deve sofrer riscos de ser descontinuada “por ser um projeto no qual já foram feitos muitos investimentos (superior a US$ 20 bilhões).”

Para o consultor, o refino se tornou pouco rentável para a Petrobras por uma série de fatores. Primeiro porque o preço internacional do petróleo, diferentemente do que era no começo dos anos 2000 – quando a Abreu e Lima começou a ser construída – está desfavorável. Outra questão é a desaceleração do próprio mercado interno de combustíveis, por reflexos da crise econômica, sem contar com a concorrência de combustíveis renováveis, entre eles o etanol e o biodiesel, além da própria situação difícil da estatal.

O professor especialista em petróleo e gás Wellington Santos avalia que a entrada do capital privado pode ajudar a tirar o projeto do papel. “Ter tudo dependente do investimento estatal não se mostrou uma escolha acertada nos últimos anos. A Petrobras precisa dos recursos gerados pelos negócios do grupo para se reerguer. A refinaria já era para estar pronta”, analisou.

Fonte: Mariama Correia | Folha de Pernambuco

Plano de negócios prevê liberdade de preços dos combustíveis, diz Petrobras

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, reforçou, na manhã desta terça-feira (20), que a empresa é livre para reajustar o preço da gasolina quando julgar necessário e que o plano de negócios para o período entre 2017 e 2021 prevê “preços competitivos”.

Em entrevista para detalhar o plano, que prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões, Parente disse que a Petrobras busca a chamada paridade de preços com o mercado internacional, com base na flutuação do barril de petróleo e nas necessidades de caixa da companhia.

O discurso, contudo, se assemelha ao que gestões passadas da estatal, indicadas pelo governo do PT, costumavam fazer. Questionado sobre esse ponto, Parente discordou.

“A diferença [para o discurso anterior] é que se quisermos mudar hoje, nós mudamos. Se quisermos mudar amanhã, mudamos. Chegamos à conclusão recente de que não precisamos fazer mudança de preços já. Mas também não precisamos perguntar a ninguém se decidirmos que temos que mudar”, disse, reforçando a ideia de independência da gestão da empresa com relação ao controlador.

Outro sinal que a Petrobras tentou passar de independência foi a própria elaboração do atual plano de negócios, que corta em 25% a previsão de investimentos para os próximos cinco anos.

Segundo Parente, o plano não passou pelo crivo do governo federal ou até do Ministério de Minas e Energia. De acordo com o executivo, a elaboração do plano não teve ingerência do planalto, mas haverá uma apresentação dos diretores ao executivo nos próximos dias.

“Ele não foi apresentado antes [ao governo]”, respondeu. “Mas o rumo das coisas que estamos fazendo aqui está absolutamente alinhado com o trabalho do governo.”

Uma política independente de preços de combustíveis é considerada fundamental para que a empresa atraia sócios para suas refinarias, uma das principais novidades no plano apresentado nesta terça, que prevê venda de US$ 19,1 bilhões em ativos ou participações até 2018.

Segundo o diretor de Refino e Gás, Jorge Celestino ainda não há um modelo definido, mas a empresa pretende ou vender fatias de refinarias ou trazer sócios para finalizar negócios cujos desenvolvimento estão parados, como o Comperj, no Rio, e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A Petrobras decidiu que tocará o restante das obras caso não consiga um parceiro no negócio.

A estatal pode agrupar participações em refinarias para tentar melhorar a atratividade dos ativos.

RENTABILIDADE

Na entrevista, o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou que o novo plano se pauta pela rentabilidade dos projetos. “Vamos fazer a escolha correta para cada real que vamos investir, mirando o retorno adequado para os seus acionistas”, disse, reforçando que “o principal acionista é a sociedade brasileira”.

Do lado financeiro, o principal objetivo do plano, disse Monteiro, é recuperar a classificação de risco de grau de investimento, perdida em 2015. Para isso a empresa antecipou, para 2018, a meta de redução da relação entre dívida e geração de caixa para 2,5 vezes —no segundo trimestre de 2016, estava em 4,49 vezes, nível considerado pelo executivo “absolutamente fora da realidade”.

Como resultado disso, a Petrobras vem experimentando grande elevação no custo de captação: em 2016, pagou uma taxa média de 8,6%, quase o triplo dos 3,15 verificados em 2013.

O esforço para cumprir a meta conta com a arrecadação de US$ 19,1 bilhões em venda de ativos, além de US$ 158 bilhões em geração de caixa. De acordo com Monteiro, não há previsão de captação líquida de recursos (tomada de empréstimos em valor superior à amortização da dívida).

Nesse sentido, há também um esforço para a redução de custos em até 18%, considerando o valor necessário dos investimentos para chegar à meta de produção de 2,77 milhões de barris por dia em 2021.

Monteiro ressaltou, porém, que há uma série de riscos que podem dificultar o cumprimento das metas, entre eles: mudanças relevantes nas condições do mercado, venda de ativos abaixo do previsto, prejuízos com ações judiciais (como as movidas por investidores nos Estados Unidos) e atraso na construção de plataformas.

MERITOCRACIA

O plano propõe uma mudança no modelo de promoção de empregados, que hoje privilegia o tempo de casa, para critérios como cumprimento de metas e desempenho. “Todos terão um conjunto de metas a cumprir, de acordo com o detalhamento do plano para cada área”, afirmou o diretor de Recursos Humanos, SMS e Serviços, Hugo Repsold.

Ele reforçou que a empresa ainda estuda novos planos de demissão voluntária para subsidiárias que serão vendidas ou terão sócios. Desde 2014, 9.270 empregados da estatal já se desligaram da empresa em PDVs, sendo que 2.470 são da última versão, lançada em 2016 e que teve a inscrição de 11,7 mil empregados. Até 2017, a expectativa é que o número de desligamentos chegue a 9.670.

Fonte: LUCAS VETTORAZZO  | NICOLA PAMPLONA | FOLHA DE SÃO PAULO

CERNE discute veículos elétricos com representantes em SP

O Diretor Setorial de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Olavo Oliveira, conversou com representantes de empresas e entidades da área de mobilidade elétrica em São Paulo. O objetivo foi estreitar e firmar novas parcerias para o desenvolvimento de projetos voltados para a implantação de veículos elétricos no RN e Nordeste Setentrional.

Diretor setorial de PD&I do CERNE, Olavo Oliveira e o Presidente Executivo da ABVE, Ricardo Guggisberg. (Foto: CERNE)

Diretor setorial de PD&I do CERNE, Olavo Oliveira e o Presidente Executivo da ABVE, Ricardo Guggisberg. (Foto: CERNE)

Olavo se reuniu com presidente da Associação Brasileira do Veiculo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg, para discutir estratégias que promovam a utilização de veículos elétricos e autônomos na região nordeste setentrional. A ABVE e o CERNE assinaram convênio de cooperação técnica e institucional em fevereiro deste ano.

Foto: CERNE Press

Olavo Oliveira (CERNE) e Adalberto Maluf (BYD) (Foto: CERNE Press)

O diretor do CERNE também visitou a sede da empresa chinesa BYD, especializada na produção de carros e ônibus elétricos. Na ocasião, ele conversou com o Diretor de Marketing da empresa, Adalberto Maluf, e conheceu as instalações da fábrica.

Fonte: CERNE Press

Programa de incentivo a startups receberá R$ 10 milhões

O Programa Nacional Conexão Startup-Indústria foi apresentado, nesta quinta-feira (15), pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). O programa busca aproximar as indústrias e startups do País e, neste ano, contará com investimentos de R$ 10 milhões. A iniciativa, elaborada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), deverá ser lançada nos próximos meses.

“O futuro do Brasil passa pela inovação. Todos os países desenvolvidos já avançaram nesse tema e estão na nossa frente. Este é o pontapé inicial de um grande projeto para o País”, destacou Marcos Pereira, ministro da pasta.

Segundo Marcos Pereira, o governo do presidente Michel Temer está empenhado com o conjunto de mudanças estruturais necessárias para o País voltar a crescer economicamente. “O Custo Brasil é elevadíssimo. Precisamos modernizar as leis trabalhistas e aprovar o teto de gastos públicos”, disse.

Para o presidente da ABDI, Guto Ferreira, o Programa Nacional Conexão Startup-Indústria tem o mérito de reconhecer a importância dos empreendedores nacionais. “O Brasil não pode perder mais cérebros. Esperamos que, com as ações deste programa, o País aumente sua competitividade e a indústria passe a contar com soluções tecnológicas desenvolvidas dentro de casa, e não mais no exterior”, afirmou.

Em 2016, a ABDI investirá R$ 10 milhões de seu orçamento no Programa Conexão Startup-Indústria. Como apontou Guto Ferreira, a expectativa é que novos parceiros apoiem a iniciativa. “Nós teremos conversas neste sentido com a presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento [BNDES], Maria Silvia Bastos, e com o novo presidente da Finep, Marcos Cintra”, disse.

Para a gerente de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Elisa Carlos Pereira, a apresentação do programa é o “primeiro passo de uma longa caminhada” que será moldada com a participação da indústria e dos empreendedores nos próximos meses. “Hoje, nós lançamos a pedra fundamental do programa. A ABDI escolheu uma metodologia ágil e responsiva, que inclui a opinião dos players dos mercados envolvidos”, disse.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

CERNE inicia capacitação em Gestão Ambiental para o Setor Elétrico

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) iniciou no sábado, 17 de setembro, a primeira aula do Curso de Capacitação em Gestão Ambiental para o Setor Elétrico. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o CERNE e a Universidade Potiguar (UnP).

Durante a aula, ministrada pelo Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CERNE, Hugo Fonseca, foi aplicado o primeiro módulo que abordou o sistema elétrico brasileiro e o mapeamento organizacional das instituições do setor. O segundo módulo do curso tratou a respeito dos tipos de licenciamento, as políticas e planos que envolvem a gestão ambiental no Brasil.

Os alunos também tiveram a oportunidade de participar de uma dinâmica pedagógica com o objetivo de compreender os processos do sistema de licenciamento ambiental.

Ao final do curso, previsto para o dia 01 de outubro, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto o monitoramento e controle ambiental realizado ​durante a operação de um parque eólico.

Fonte: CERNE Press

Brasil tem quinta maior reserva de urânio

O Brasil ocupa a 5º posição no ranking mundial de reserva de urânio com as 309 mil toneladas, representado 5,3% do total. Entre os cinco países com maior reserva estão Austrália (28,7%), Cazaquistão (11,2), Canadá e Rússia (8,3% cada). Os dados são do Boletim de Energia Nuclear Brasil e Mundo 2016, do Ministério de Minas e Energia.

Entre os países com reatores nucleares, o Brasil ocupa a 21º posição, com duas plantas que totalizam 1.990 MW de capacidade instalada. Até o final de 2015 o mundo contabilizava 441 reatores nucleares operando em 31 países, que somavam 402.852 MW de capacidade instalada, equivalentes a 6,5% da  potência mundial de geração elétrica.

Na geração mundial de energia elétrica, a proporção nuclear passou de 2% a 15,2%, de 1971 para 1985, evoluindo mais lentamente até 1996, quando atingiu 17,2% (recorde). A partir dali, a proporção seguiu uma trajetória descendente, chegando aos atuais 10,6% em 2015.

Entre as nações com maiores parques geradores, destacam-se os Estados Unidos, com 99 reatores, França com 58, e Japão com 43. Em 2015 foram iniciadas as obras de sete novas usinas e dez reatores foram conectados às suas redes, sendo oito na China, um na Rússia e um na Coreia do Sul. Ainda no mesmo período, foram desativadas sete usinas, sendo cinco no Japão, uma na Alemanha e uma no Reino Unido.

Dos reatores em operação no mundo, 88 estão com idade média no intervalo de 0-20 anos, outros 136 estão com idade média de 21 a 30 anos, e outros 217 com idade média de 31 a 45 anos.

Energia Nuclear Brasileira

O Brasil possui atualmente duas usinas nucleares em operação (Angra 1 e Angra 2) cuja produção de eletricidade, da ordem de 15 TWh, responde por cerca de 2,5% da matriz de oferta de energia elétrica.

Confira o Boletim de Energia Nuclear Brasil e Mundo 2016 AQUI

Fonte: Ministério das Minas e Energia

Nordeste recebe duas novas fábricas de painéis solares

O Nordeste terá pelo menos duas novas fábricas de painéis solares, atraindo investimentos de R$ 325 milhões. Já credenciada pelo BNDES para fornecer os equipamentos com conteúdo nacional de sua unidade produtiva em Valinhos (SP, com capacidade de 180 MW/ano), a Globo Brasil levará uma linha para Camaçari, na Bahia, com investimentos de R$ 245 milhões. A companhia assinou na última quarta-feira (14/9) protocolo de intenções com o governo do estado.

A empresa pretende iniciar a operação da nova fábrica em 15 meses. O entendimento é de que instalar uma unidade na Bahia, que concentra a maior parte dos projetos solares contratados em leilões, pode ser estratégico.

Já Pernambuco, estado onde nasceu o mercado brasileiro de energia solar centralizada, receberá uma fábrica da S4 Solar, empresa que inicialmente tinha planos de levar uma fábrica de painéis para Goiás. O investimento da S4 é de R$ 80 milhões, para colocar em operação uma linha de 200 MW ao ano, a partir de fevereiro. A intenção é que, em julho, essa capacidade seja aumentada.

A linha de produção será instalada em um galpão de propriedade da Cone S.A., uma das empresas que vendeu usinas solares no leilão estadual de Pernambuco, o primeiro a contratar grandes projetos fotovoltaicos no país. A ideia da companhia era, desde a realização do leilão, em 2013, a de atrair um fornecedor de painéis para seu projeto, de 23 MWp. Isto porque, apesar de ter entrado no negócio da geração solar, a companhia tinha como core business o aluguel de espaços no complexo industrial de Suape.

Em boa hora

Os anúncios das novas fábricas chegam em um momento em que as regras de nacionalização do BNDES estão sendo discutidas. Além disso, para empresas que venderam energia solar nos leilões de reserva de 2014 e primeiro de 2015, que precisam entregar seus projetos no ano que vem, o aumento da oferta de painéis financiáveis pelo banco é positivo. Ainda são aguardadas no Brasil as unidades produtivas da Canadian Solar, que terá capacidade produtiva de 350 MW ao ano e da BYD, de 200 MW ao ano. Ambas iniciam operação a pleno vapor em 2017.

Atualmente, estão credenciadas para fornecer painéis com financiamento do BNDES, a própria Globo Brasil, e as empresas Tecnometal DYA (Campinas, SP); Minas Sol (Araguari, MG); e Sunew (Belo Horizonte, MG), embora as última tenham capacidades menores e foquem no fornecimento para projetos de geração distribuída.

Fonte: Brasil Energia