Brasil registra aumento de 40% na microgeração de energia em 2016

A instalação de pequenos geradores de energia realizada por consumidores, conhecida por micro ou mini geração, está em forte expansão no País, que já registra mais de 2,7 mil microgeradoresindividuais instalados até meados deste ano. Isso corresponde a um aumento de 40% na comparação os cerca de 1,9 mil de dezembro de 2015. A estimativa é da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), que também calcula que a capacidade instalada some atualmente 27 megawatts (MW).

“Esse segmento vai explodir”, disse ao Broadcast o presidente da Cogen, Newton Duarte, estimando que o número de microgeradoresinstalados no território nacional poderia chegar a 3 mil até o fim do ano. A projeção otimista para este ano está relacionada à recente liberação para que os consumidores utilizem recursos do FGTS para instalar os geradores. “Essa disponibilidade do FGTS pode servir como estímulo maior”, disse Duarte.

Para ele, a expansão já observada neste momento está relacionada ao forte aumento da tarifa de energia nos últimos anos, em meio a um cenário de retração econômica, que motivou os consumidores a buscarem alternativas de corte de custo. “Em muitos mercados, a tarifa de energia para o consumidor atendido em baixa tensão está em R$ 600/MWh, R$ 700/MWh, até R$ 900/Mwh. Com isso, o retorno do investimento em uma microgeração se dá em 5 a 6 anos”, disse. Um projeto de microgeração custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por quilowatt instalado.

O presidente da Cogen acrescentou, porém, que outros fatores também contribuem para o crescimento do mercado, como a permissão dada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do Ministério da Fazenda, para que os Estados concedam a isenção de ICMS nas operações com energia produzida por micro ou mini geração. “Estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Ceará, Tocantins, além de Minas Gerais, incorporaram essa sugestão e não estão cobrando”, disse o dirigente.

Outras ações para o fomento da microgeração também estão sendo buscadas, como o desconto no IPTU das residências e pontos comerciais que venham a instalar sistemas de cogeração. Além disso, Duarte defendeu novos avanços na regulação, permitindo, por exemplo, a possibilidade de venda do excedente produzido pelos microgeradores. “Pedimos esse aprimoramento recentemente, mas a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) entendeu que setor não estava preparado para absorver esse conceito, e isso ficou para o futuro”, disse.

A regulamentação para a microgeração é de 2012 e passou por um aprimoramento em 2015. Atualmente, os microgeradores são aqueles com potência instalada menor ou igual a 75 quilowatts (kW), e osminigeradores, aqueles cujas centrais geradoras possuam de 75 kW a 3 MW, no caso da fonte hídrica, e até 5 MW para as demais fontes. Eventuais sobras de energia não consumidas geram créditos que podem ser utilizados pelo prazo de cinco anos.

“Temos um potencial muito grande em migrogeração pela frente”, disse Duarte, salientando que com o número de sistemas e a potência instalada atuais, temos 0,1 Watt por habitante, ante 490 watts/habitante na Alemanha, 360 watts/habitante na Itália e 58 watts na China. “Na Alemanha, esse mercado se desenvolveu rápido, algo entre 10 a 15 anos. Podemos ter um quadro semelhante no País, na medida em que a energia se torna mais cara.”

O dirigente lembrou que a Empresa de Planejamento Energético (EPE) projeta que o País chegará a 2024 com 700 mil consumidores-geradoresde energia solar e uma capacidade instalada que deve alcançar 10 mil MW, somando a microgeração e os grandes parques solares.

Fonte: Luciana Collet – O Estado de S.Paulo

Governo adia leilão de reserva, que não tem mais data para ser realizado

O Ministério de Minas e Energia deverá publicar na próxima semana uma portaria informando que o primeiro leilão de energia de reserva, marcado para 29 de julho, será adiado. O certame seria o primeiro do tipo com participação de fonte hidrelétrica desde 2010, permitindo a venda de energia de empreendimentos hidrelétricos com potência instalada entre 1 MW e 30 MW. O leilão também é importante para os investidores da cadeia solar que buscam uma sinalização de demanda para se firmarem no país.

Para que o leilão acontecesse na data marcada, o edital precisaria ser aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica e publicado no Diário Oficial da União com 30 dias de antecedência da realização do certame. No entanto, o tema não consta na pauta da reunião de diretoria da Aneel da próxima terça-feira, 28 de junho. O diretor da Aneel José Jurhosa Junior confirmou à Agência CanalEnergia que o certame será postergado. Ele também disse que não há uma nova data definida para o leilão acontecer e que o MME deve soltar uma portaria na segunda-feira, 27, com mais informações.

Segundo o diretor, o governo achou oportuno reavaliar a realização do certame por conta das muitas alterações políticas e regulatórias ocorridas nos últimos meses. Além disso, pesou na decisão a questão da sobrecontratação das distribuidoras, que por conta da baixa demanda estão com sobras de energia de 16,5%. O governo ainda tem dúvida se realizará um ou dois leilões de reserva, como atualmente está previsto. O segundo LER está marcado para 28 de outubro para contratação de fonte solar e eólica, com início de suprimento em 1º de julho de 2019. O LER de agosto tinha como início de suprimento julho de 2018 (solar) e março de 2020 (hídricas).

Em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia, o secretário executivo do MME, Paulo Pedrosa, já havia dado pistas que o LER seria repensado, principalmente após a indicação do novo presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Luiz Barroso. Representantes de associações do setor, por outro lado, veem no LER a última chance de salvar o ano e garantir uma contração futura.

“Se de um lado fazendo leilões para determinadas fonte eu dou conforto à cadeia produtiva daquela fonte, num momento de sobreoferta, se aquela energia entra como reserva, aquilo vai ser pago por consumidores na outra ponta”, explicou Pedrosa. “O leilão de reserva é uma forma muito positiva para quem vende a energia, mas independentemente desse leilão que está caminhando, existe um encadeamento e isso tem que ser considerado, tem que ser feita uma reflexão sobre o próprio modelo de reserva”, completou.

Em nota, o MME disse que está tomando as providências para a postergação do leilão de energia de reserva, para que os novos integrantes da equipe do Ministério e de órgãos vinculados possam participar do processo, notadamente com a participação da nova equipe da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) “A prorrogação da data de realização do leilão não prejudica o processo já efetuado de apresentação de documentos relativos à regularização fundiária, licenciamento ambiental, uso da água e acesso à rede, sem necessidade de reabertura de cadastro”, escreveu o MME.

A EPE havia credenciado 428 projetos para o LER, segundo nota informativa publicada pela entidade em 4 de maio. Ao todo, esses projetos representam oferta de 10.195 megawatts de potência instalada. Empreendimentos de energia solar fotovoltaica se destacaram no credenciamento, totalizando 9.210 MW da energia ofertada, em 295 projetos. Também se credenciaram 73 PCHs, com 889 MW; e 60 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), com 96 MW.

Associações demonstram compreensão com adiamento do LER, mas temem cancelamento

Segundo Paulo Arbex, presidente da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, já havia sinalizado que pretendia adiar o LER para o final de agosto. “O secretário explicou que tinha ressalvas ao modelo de contratação de reserva de usinas com intermitência diária e preocupações com relação à sobrecontratação das distribuidoras e que este tempo adicional era necessário para finalizar algumas avaliações e estudos”, contou Arbex.

Para ele, o indesejável é uma mudança brusca no planejamento do governo, pois isso poderia trazer “efeitos danosos” aos agentes. “A Abrapch lutou quase 3 anos para finalmente conseguir incluir as PCHs e CGHs no 1º LER. Compartilhamos a visão do ministério de que não faz sentido incluir fontes com intermitência diária nos leilões de reserva, mas este não é o caso das PCHs nem das CGHs. Estamos preparados para assumir nosso risco hidrológico como sempre fizemos, vide o GSF. Só não podemos prescindir de um leilão até o final de agosto para vender nossa energia”, disse o executivo.

Assim como Arbex, o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Lopes Sauaia, disse que é compreensível que nesse momento de reestruturação de equipes o governo reavalie as datas de execução dos leilões. “A nova equipe precisa olhar com calma, ver se as decisões que estavam tomadas pela equipe anterior teriam como avançar.”

Contudo, argumentou Sauaia, é fundamental para o desenvolvimento da fonte que o governo mantenha a sinalização de contração dos projetos. Ele disse que um possível cancelamento do certame poderia causa frustração nos investidores, que trabalhavam com o planejamento apresentado pelo governo anterior. “A lógica do governo ao realizar as licitações de energia solar é de que o sinal de contratação se mantivesse em volumes estáveis ao longo dos anos, porque isso dá previsibilidade e ajuda ao setor a se programar na fabricação de equipamentos, na entrega das usinas e no fornecimento dos serviços necessários para o desenvolvimento da fonte no país.”

Fonte: Canal Energia

 

CERNE participa do 27º Seminário Motores do Desenvolvimento

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação, Olavo Oliveira, participou nesta segunda-feira (27) do 27º Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, realizado no auditório da Casa da Indústria (Fiern), em Natal. O tema do seminário é “UFRN e os parques tecnológicos, inovação para o desenvolvimento”.

Na abertura do seminário estiveram presentes a reitora da UFRN, Ângela Paiva, o prefeito Carlos Eduardo, o governador Robinson Faria, e o presidente do Sistema FIERN, Amaro Sales.

O evento contou com a participação do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, que abriu a programação com a palestra “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento tecnológico do Rio Grande do Norte e do Nordeste”.

Além do ministro, participaram do seminário o diretor-presidente do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTEC), Ronaldo Tadêu Pena, e o engenheiro Cláudio Marinho da consultoria Porto Marinho, localizada no parque tecnológico de Recife, o Porto Digital. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, destacou os Parques Tecnológicos do RN.

Fonte: CERNE Press

Eólicas do Nordeste registram novo recorde

Média dos parques ultrapassou 70% da capacidade total de produção de energia eólica.

O Operador Nacional do Sistema informou que o final de semana foi de números excelentes para o setor eólico do nordeste. No sábado (25/06/2016) a energia eólica registrou um fator de capacidade de 71% e chegou a representar 53% da carga do Subsistema Nordeste, com 4.748 MW às 9h43.

O recorde anterior era de 4.594 MW (18/04/2016), representando 43% da carga deste Subsistema, com um fator de capacidade de 74%.

Na noite do domingo (26/06/2016), por volta das 23h43, verificou-se mais um recorde de geração eólica do Subsistema Nordeste.  A produção chegou a 4.818 MW.  O valor representa 55% da carga total do subsistema e índice efetivo de produção de energia de 72% sobre a capacidade total instalada.

Fonte: CERNE Press

Geração de energia eólica cresce 461% em quatro anos

A geração eólica cresceu aproximadamente 460,9%, de 2010 a 2014, saltando de 2.177 gigawatts/hora (GWh) para 12.210 GWh anuais no período. Rio Grande do Norte, Ceará e Rio Grande do Sul, nessa ordem, são os Estados que dominam a geração de energia elétrica com a força do vento, segundo dados compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nesta quinta-feira, o IBGE divulgou o estudo “Logística de energia: redes e fluxos do território”, que compila dados de agências reguladoras e outros órgãos do governo ligados ao setor de energia.

Nos 14 Estados que possuem parques eólicos, o Rio Grande do Norte responde por 31,32% da “potência outorgada”, conforme dados de 2015. Em seguida vêm Ceará, com 23,38%, e Rio Grande do Sul (19,43%). A Bahia responde por 16,86%.

Apesar do avanço, a energia eólica ainda tem participação pequena na geração total de energia do País, com 2,1%. A fonte de energia predominante é a hidrelétrica, que respondia por 63,2% da geração total em 2014.

Fonte: Vinicius Neder – O Estado de S.Paulo

Aneel aprimora regulamento sobre qualidade do fornecimento de energia

A diretoria da Agência Nacional da Energia Elétrica aprovou em reunião na última terça-feira, 21 de junho, novas regras que tratam da qualidade do fornecimento de energia elétrica, o que levou a alteração do Módulo 8 dos Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (Prodist). Os novos parâmetros passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2017.
Segundo a Aneel, os principais problemas relacionados à qualidade da energia são causados por distorções harmônicas, desequilíbrio de tensão, flutuação de tensão e variações de tensão curta. As distribuidoras alegam que muitos dos distúrbios são causados pelos acessantes. Por sua vez, os acessantes alegam que problemas dessa natureza não são tratados pela distribuidora por não existir previsão regulamentar. Diante das reclamações, a Aneel identificou a necessidade de evoluir o regulamento que trata da qualidade da energia. Outro motivador é o crescimento da geração distribuída, principalmente com o advento da Resolução Normativa n° 482/2012.
O aprimoramento foi discutido na Audiência Pública nº 82/2015, que recebeu 175 contribuições de 17 empresas, no período 17 de dezembro de 2015 a 22 de fevereiro de 2016. Entre os aprimoramentos estão a padronização de protocolos e normas relacionadas às medições dos fenômenos, assim como a criação de indicadores a serem apurados quando das medições. “A resolução de tal lacuna é essencial para evolução do regulamento e também acompanha a tendência atual de crescimento da geração distribuída no Brasil, que é um potencial perturbador da qualidade do produto por empregar eletrônica de potência em seu funcionamento”, reconhecem os técnicos da Aneel.
Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Regulação e Política

Energia eólica abastece mais de 30% do Nordeste

O vento forte que não para de soprar fez da pequena Icaraí de Amontada, na costa oeste do Ceará, uma ilha de usinas eólicas. Elas geram energia elétrica usando a força dos ventos. Ali, para qualquer lado que se olhe, modernas e gigantescas torres de quase 150 metros de altura – do tamanho de um prédio de 42 andares – destoam do cenário rústico da antiga vila de pescadores, com suas dunas, praias e lagoas. Reduto de atletas estrangeiros praticantes de kitesurf e windsurf, a comunidade, de 2,4 mil habitantes, entrou para a lista dos melhores ventos do Brasil e ajudou a elevar a participação da energia eólica para mais de 30% do consumo do Nordeste.

Os parques instalados na região de Amontada estão entre os mais eficientes do planeta. Enquanto no mundo, as usinas eólicas produzem, em média, 25% da capacidade anual, no Complexo de Icaraí esse porcentual é mais que o dobro. As 31 torres que compõem o parque produzem 56% da capacidade anual. Para ter ideia do que isso significa, nos Estados Unidos, esse indicador é de 32,1%; e na Alemanha, uma das maiores potências eólicas do mundo, de18,5%. “O vento no Nordeste é muito diferenciado”, afirma Luciano Freire, diretor de engenharia da Queiroz Galvão Energia, dona do complexo eólico de Icaraí.

É por causa da qualidade desse vento – forte e constante – que o Nordeste despontou como uma das maiores fronteiras eólica do mundo. Hoje, os parques em operação na região são responsáveis pelo abastecimento de boa parte da população local de 56 milhões de pessoas. Em 17 de abril deste ano, por exemplo, quando os nordestinos iniciavam mais uma jornada de trabalho, às 9h06, as eólicas produziram 50% da energia consumida naquele momento. Por períodos mais longos, como um dia inteiro, os parques – que até bem pouco tempo eram incipientes no Brasil – chegaram a produzir 35% da carga média do Nordeste, recorde alcançado no dia 19 de maio.

Não é difícil entender a rápida expansão das eólicas no Brasil. Em 2008, com a crise internacional, o consumo mundial de energia despencou, paralisou uma série de projetos e deixou as fábricas ociosas. Em busca de demanda, elas desembarcaram no Brasil – onde o uso da energia crescia a taxas de dois dígitos – e derrubou o preço das eólicas, até então caras por aqui. A partir de 2009, com leilões dedicados à essa fonte de energia, os investimentos decolaram.

De lá pra cá, o setor recebeu R$ 67 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Esse montante colocou o País na 10ª posição entre as nações com maior capacidade instalada do mundo. Foi um grande avanço. Até 2008, a potência do parque eólico brasileiro era de 27 megawatts (MW). No mês passado, alcançou a marca de 9,7 mil MW, volume suficiente para abastecer mais de 45 milhões de habitantes. No total, são 5.141 turbinas instaladas Brasil afora. Cerca de 82% delas estão no Nordeste.

Complementar. Mas, ao contrário das hidrelétricas que entram na base do sistema elétrico, as eólicas devem ser usadas como complementos por serem intermitentes. Mesmo no Nordeste, onde o vento é mais constante, é preciso considerar as intempéries da natureza, ou seja, pode parar de ventar a qualquer momento. Em 2015, entretanto, não fossem por elas, o Nordeste poderia ter entrado num traumático racionamento por causa do baixo nível dos reservatórios, especialmente o da hidrelétrica de Sobradinho, responsável por 58% do armazenamento da Região.

Segundo Bernardo Bezerra, diretor da consultoria PSR, especializada em energia elétrica, entre 1993 e 2015, a vazão de Sobradinho ficou 25% abaixo da média histórica. “Houve uma mudança no padrão do Nordeste.” Até abril deste ano, o volume dos lagos da região estava 57% abaixo do verificado em 2012 – último ano em que as represas conseguiram ficar acima de 70%.

Com alguns raros projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) em desenvolvimento no Estado de Pernambuco e sem potencial para grandes hidrelétricas, a vocação do Nordeste tem se inclinado cada vez mais para a energia eólica. Segundo a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, até 2020, a participação da energia do vento na matriz elétrica brasileira vai saltar dos atuais 6% para 20% da capacidade instalada. No Nordeste, essa participação será ainda maior, de 30%. Em termos de consumo, a fonte será capaz de atender cerca de 70% da carga da região em alguns momentos do dia.

Emprego. Nos próximos três anos, diz Elbia, o volume de investimentos em novos parques será de R$ 40,8 bilhões. Ela destaca que cada megawatt de eólica instalado cria 15 postos de trabalho em toda cadeia produtiva, desde o canteiro de obras até a fabricação de pás, aerogeradores e torres. Em tempos de crise econômica, a notícia é muito bem-vinda. Seguindo o cálculo da Abeeólica e considerando que entre 2017 e 2019 estão previstos mais 6,8 mil MW de potência, o setor pode gerar 102 mil postos de trabalho.

Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará são os Estados com maior número de empreendimentos em construção ou com capacidade já contratada. Os novos investimentos podem amenizar um pouco a crise que se alastra pelo País. Quase sempre localizados em áreas pouco desenvolvidas, os empreendimentos trazem forte melhoria na renda da população local, que tem poucas opções de emprego.

Nos últimos anos, com a construção dos parques eólicos, muitas famílias passaram a contar, do dia para a noite, com uma renda generosa para os padrões da região – cada torre pode render até R$ 1 mil para as famílias. Segundo a Abeeólica, no Nordeste, a construção das usinas envolveu mais de 2 mil famílias. No Brasil inteiro, a construção dos parques gera R$ 10 milhões por mês de renda para as famílias que arrendaram suas terras.

Fonte: Estadão | Renée Pereira (Textos) | Nilton Fukuda (Fotos)

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Energias solar e eólica ganham competitividade

Em âmbito global, custos de painéis e turbinas caíram acentuadamente nos últimos anos. Segundo agência internacional, preços devem diminuir ainda mais devido ao progresso tecnológico e à evolução do mercado.

Ao longo dos últimos sete anos, os preços dos painéis solares fotovoltaicos baixaram cerca de 80%, e os das turbinas eólicas, entre 30% e 40%. E os valores deverão cair ainda mais em todo o mundo, aponta o relatório The Power to Change, divulgado pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês) nesta quarta-feira (15/06) em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos.

O custo médio da eletricidade gerada por usinas eólicas localizadas em terra (onshore) poderá se reduzir em 26%, até 2025, e a de painéis solares, em 59%. Isso significa que o preço da eletricidade cairá para 0,04 a 0,05 euro por quilowatt-hora (kWh), na média mundial. Desse modo, as fontes renováveis estarão muito mais em conta do que energia gerada a partir de reatores nucleares e de usinas termelétricas.

“Já tivemos uma redução de custos drástica nos últimos anos, e este relatório mostra que os preços deverão cair ainda mais, graças ao progresso tecnológico e à evolução do mercado”, analisa Adnan Z. Amin, diretor geral da agência. “A luz solar e o vento já são as fontes mais baratas em muitos mercados ao redor do mundo. Por razões econômicas, a nova redução de custos reforçará a tendência da passagem da energia gerada por combustíveis fósseis à das fontes renováveis.”

Energia eólica tem custos mais competitivos

A energia gerada por turbinas eólicas onshore já é muito barata. Segundo o relatório, na média global, a geração de eletricidade a partir de aerogeradores em terra mais modernos custa 0,07 dólar (0,057 euro) por kWh.

Os responsáveis pelo estudo calculam que esses custos poderão cair 26% até 2025, devido ao barateamento adicional da produção, construção e manutenção; ao contínuo desenvolvimento do know-how local; e às instalações mais eficientes, com maiores turbinas, torres e rotores. Na média global, um quilowatt-hora de fonte eólica ficaria em apenas cerca 0,04 euro – enquanto a eletricidade gerada pelas novas usinas termelétricas a carvão atualmente custa mais do que o dobro na Europa.

Segundo estimativa dos autores, haverá também uma grande redução de custos da energia gerada em parques eólicos localizados no mar (offshore). Os primeiros parques eólicos offshore estão em funcionamento sobretudo na Europa, mas a tecnologia ainda é relativamente recente, e sua participação na capacidade eólica global é de apenas 3%.

Em comparação, a produção no mar é ainda relativamente cara, custando mais do que o dobro da geração de energia eólica onshore. Contudo, também aqui, os custos deverão cair de forma substancial, devido ao tamanho maior das usinas e ao aperfeiçoamento contínuo da complexa tecnologia necessária à instalação e manutenção. Com isso, a eletricidade proveniente dos parques eólicos offshore deverá ficar 35% mais barata na média global, estimam os especialistas.

Energia fotovoltaica ainda mais em conta

A produção de eletricidade por meio da energia solar fotovoltaica vive uma dinâmica quase inacreditável. Em 2010, custava ainda entre 0,25 e 0,35 euro/kWh, porém cinco anos mais tarde já era dois terços mais barata: 0,107 euro por kWh, na média global.

Graças a uma produção e a módulos fotovoltaicos mais eficientes, a redução de custos continua em ritmo acelerado: segundo dados da Irena, os custos da energia solar poderão diminuir 59% na média global até 2025, chegando a menos que 0,05 euro/kWh.

Para demonstrar quão barata pode ser a eletricidade proveniente da luz solar, os autores mencionam um grande parque solar a ser construído nos Emirados Árabes Unidos. No segundo trimestre de 2016, a operadora de energia de Dubai recebeu uma oferta para produzir lá energia solar por 0,025 euro/kWh, um preço considerado recorde, em nível mundial.

As usinas termossolares, por sua vez, ainda não conseguiram acompanhar o boom da energia fotovoltaica. Em vez de converter a luz solar diretamente em eletricidade, elas aquecem água por meio de espelhos, e o vapor resultante aciona um gerador de eletricidade, como numa usina convencional.

As usinas termossolares se localizam principalmente em regiões desérticas. A grande vantagem é que também armazenam energia e podem produzir eletricidade durante a noite. Segundo o relatório da agência Irena, aqui os custos podem cair cerca de um terço.

Clima precisa da política

Analistas da Bloomberg New Energy Finance também apostam numa queda significativa nos preços da energia eólica e solar. Em seu estudo New Energy Outlook 2016, publicado dois dias antes do relatório da agência internacional, eles preveem uma redução de 41% dos custos de produção de energia eólica onshore, até 2040,e de cerca de 60% para a fotovoltaica.

Os especialistas acreditam que, até essa data, serão investidos nessas tecnologias renováveis 6,4 trilhões de euros, contra apenas 1,7 trilhão de euros na produção de energia em usinas de carvão e gás. Ao mesmo tempo os especialistas enfatizam que esses números não são suficientes para atingir os objetivos climáticos: para limitar o aquecimento global em 2ºC, os investimentos em energias renováveis deveriam ter um volume aproximadamente 70% maior.

Comparada às previsões da Bloomberg, na avaliação da Irena a redução de custos de produção da energia eólica e solar fotovoltaica poderia ser mais rápida. No entanto os especialistas da agência internacional enfatizam repetidamente em seu relatório o termo “poderá”, e a importância da política.

“Para continuar com a transição energética, devemos agora colocar o foco político em reduções de custos ainda maiores e, assim, aproveitar as enormes oportunidades econômicas”, aponta Amin, mostrando-se convencido de que a meta é viável. “Os vencedores desta transformação são os consumidores, o ambiente e as gerações futuras.”

Fonte: Terra | Deutsche Welle

Gamesa e Siemens anunciam fusão de negócios de energia eólica

A operação envolve a união da Gamesa com a área de energia eólica da Siemens; o acordo criará a maior fornecedora mundial de equipamentos eólicos

A Siemens e a Gamesa anunciaram nesta sexta-feira que fecharam um acordo vinculante para fusão de seus negócios de energia eólica e criação da maior fornecedora mundial de equipamentos eólicos, segundo as empresas.

“Desta fusão, nascerá um grupo eólico com 69 GW instalados em todo o mundo, uma carteira de pedidos avaliada em  ‎€ 20 bilhões, receitas de  ‎€ 9,3 bilhões de euros e um Ebit ajustado de  ‎€ 839 milhões, segundo dados pró forma dos últimos doze meses até março de 2016”, destacou a Gamesa, em comunicado.

A operação envolve a união da Gamesa com a área de energia eólica da Siemens, incluindo a unidade de serviços operacionais e de manutenção. A gigante alemã receberá ações de emissão da empresa resultante da operação que corresponderão a 59% do capital social, enquanto os acionistas atuais da Gamesa terão os 41% restantes. Ainda como parte do acordo, a Siemens pagará  ‎€ 3,75 por ação aos acionistas da Gamesa.

A nova empresa terá sede na Espanha, onde também estará o centro de operações onshore, enquanto o negócio offshore ficará em Hamburgo (Alemanha) e Vejle (Dinamarca).

Adicionalmente ao acordo, a Gamesa informou que também fechou um acordo com a Areva, para que a companhia francesa elimine as restrições que existiam no contrato de criação da Adwen, joint venture entre Areva e Gamesa para o negócio offshore, simplificando a operação entre Gamesa e Siemens. Como parte destes acordos, Gamesa – alinhada com a Siemens – outorga à Areva uma opção de venda (put) sobre sua participação de 50% na Adwen e uma opção de compra (call) sobre a participação de 50% de Gamesa. Ambas opções expiram em três meses. Durante esse mesmo prazo, a Areva pode buscar um investidor para a Adwen.

No comunicado, as empresas destacaram que as atividades da Siemens e da Gamesa são complementares tanto em presença geográfica como na carteira de produtos e em tecnologia. “A companhia resultante terá um alcance global nos principais mercados eólicos e presença industrial em todos os continentes: o negócio de energia eólica da Siemens conta com uma sólida posição na América do Norte e no norte da Europa e a Gamesa, nos mercados emergentes de rápido crescimento como Índia e América Latina, assim como no sul da Europa”, destacaram.

Fonte: O Estado de São Paulo

Curso do CERNE capacita para mercado fotovoltaico

Aulas serão ministradas por instrutores qualificados e com experiência internacional no segmento fotovoltaico. As inscrições estão abertas até o dia 01 de julho.

A energia solar é um dos setores energéticos que mais cresce no Brasil e tem grande potencial de empregabilidade. Entretanto, esse segmento ainda se mostra escasso de profissionais capacitados. Pensando em quem já atua ou quer ingressar profissionalmente nesse mercado, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até o dia 01 de julho para o Curso de Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica: Tecnologia, Projetos e Aplicações.

As aulas serão ministradas por profissionais de empresas parceiras do CERNE com expertise no mercado fotovoltaico e qualificados internacionalmente pela Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit  (GIZ), instituição alemã que desenvolve estratégias na área de energia e sustentabilidade. O curso terá uma carga horária total de 20 horas, dividido em sete módulos, com início previsto para o dia 2 de julho, na UnP Unidade Roberto Freire.

Os módulos abordarão temas como a introdução à energia solar, características da fonte, fundamentos e tecnologias, componentes dos sistemas fotovoltaicos, dentre outros assuntos. Ao final do curso, será realizada uma visita técnica, no dia 16 de julho, em que os alunos poderão conhecer de perto o funcionamento de uma usina solar fotovoltaica.

A capacitação é voltada para estudantes de graduação e profissionais interessados no setor. As inscrições podem ser feitas diretamente pelo endereço: sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe/site/elabora. A ementa com todos os detalhes está disponível na área de cursos do site do CERNE pelo link: www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 4009-1438.

Fonte: CERNE Press

Eólica deverá alcançar 10 GW nos próximos 20 dias

O dia mundial do vento terá um marco simbólico este ano. Ele é comemorado nesta quarta-feira, 15 de junho, mas antes do final do mês a fonte, que começou a se tornar realidade no pais há seis anos, alcançará 10 GW de potência instalada. E a perspectiva aponta que em metade desse tempo o Brasil verá a duplicação desse volume. Com o que já está contratado e mais o que deverá ser negociado nos leilões de reserva desse ano a fonte deverá chegar a 2019 com pouco mais de 20 GW de potência instalada. Atualmente o país está com 9,77 GW em capacidade instalada em 390 parques.

“Se pegarmos o que já temos contratados, chegaremos a 2019 com 18,7 GW em capacidade e se considerarmos que em 2016 teremos leilão de reserva com a mesma natureza de um A-3, chegaremos em 2019 com 20,7 GW. Minha expectativa é de que consigamos contratar os 2 GW anuais de que a indústria necessita”, afirmou a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum. “Levamos seis anos para alcançar os primeiros 10 GW e agora na metade desse tempo poderemos alcançar o mesmo volume”, destacou.

A presidente executiva da ABEEólica destaca ainda que há a necessidade de se contratar energia mesmo com a sobra das distribuidoras. Ela voltou a defender que há um entendimento superficial de que o resultado do último A-5, o menor em termos de volume contratados desde 2009, ocorreu por conta do excesso de contratos com as concessionárias de distribuição. Houve uma falta de visão de médio e de longo prazo além de desconhecimento do planejamento considerando a segurança energética. Até porque a sobra é contratual e não de garantia física o que poderia ser consumida caso vejamos outro cenário hidrológico ruim ou a esperada retomada da economia por mínima que seja.

A expansão do setor eólico é atribuída ao processo de consolidação da fonte e suas características de competitividade. O Brasil, segundo um levantamento da Associação Internacional de Energias Renováveis, divulgado nesta quarta-feira, 15 de junho, se destaca em termos de fator de capacidade médio que até 2014 era, de longe, o mais elevado entre os países avaliados. O Brasil aparecia com índice indicado como acima de 45% enquanto o mais próximo eram os estados Unidos com 35%.

Já o caminho para a terceira parcela de 10 GW na matriz elétrica nacional depende fundamentalmente da política energética a ser adotada. E no atual patamar da compreensão da fonte a tendência é de que se mantenha o crescimento da fonte uma vez que além de sua competitividade possui ainda a característica de ser renovável e limpa em um país cuja a capacidade de geração que era predominantemente hídrica tem se aproximado do esgotamento de seus aproveitamentos. “A eólica, pelo contrário, temos um potencial que é estimado hoje em 500 GW”, indicou a executiva. “Ainda há muito a crescer em termos de demanda uma vez que o consumo per capita no país é baixo e a despeito do cenário econômico de curto prazo no país, há bastante espaço para o consumo aumentar”, avaliou.

Dentre os números que a entidade registra com os quase 10 GW que estão em operação no Brasil estão investimentos de R$ 48 bilhões nos últimos seis anos sendo que R$ 20 bilhões somente em 2015 que levou a criação de 41 mil empregos. O Brasil, segundo o GWEC, foi o quarto país em crescimento da fonte no mundo no ano passado em relação ao volume de capacidade nova instalada com 4,3% de todo o mundo. Perde para a China, Estados Unidos e Alemanha, mas em percentual foi o que mais cresceu.

Hoje, apontou a ABEEólica, 80% da cadeia produtiva está nacionalizada. São mais de 50 geradores e sete fabricantes de aerogeradores já consolidados por aqui além de centenas de fabricantes de peças e componentes.

Fonte: Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Planejamento e Expansão

8 tendências que podem mudar o tabuleiro energético mundial

Dentro de 20 anos, as energias renováveis ultrapassarão fontes fósseis como o carvão e gás natural na geração global de energia, pavimentando o caminho para uma nova era de geração mais limpa e de menor impacto ambiental.

É o que indica a edição 2016 do estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). A pesquisa prevê um investimento vultoso de US$ 7,8 trilhões de dólares em fontes como eólica, solar e biomassa até 2040, superior aos investimentos nas energias fósseis.

Apesar da altas cifras, o estudo calcula que seria preciso investir muito mais em tecnologias verdes para reduzir as emissões de gases efeito estufa na atmosfera e evitar mudanças climáticas perigosas na Terra.

Ainda assim, muitas tedências prometem sacudir o tabuleiro energético mundial nos próximos anos. Veja abaixo as tendências principais mudanças previstas pelo estudo da BNEF.

1. Custos de energia eólica e solar despencam

Os custos nivelados — que representam o atual valor líquido de todos os custos, capital e operacional, de uma unidade geradora de eletricidade por todo seu ciclo de vida, dividido pelo número de MWh de eletricidade prevista que ela irá fornecer — para a energia eólica onshore vão sofrer queda de 41% até 2040, e para energia solar fotovoltaica, em 60%, fazendo com que essas duas tecnologias sejam as mais baratas para produção de eletricidade em muitos países durante a década de 2020 e na maior parte do mundo na década de 2030.

Foto: ThinkStock

2. Renováveis vão atrair mais investimento que fontes fósseis

A BNEF reduziu suas previsões de longo prazo para os preços do carvão e do gás em 33% e 30%, respectivamente, refletindo um excesso de oferta projetado para ambas as commodities, associado especialmente à exploração do xisto nos EUA. Mas o investimento na geração a carvão e gás continuará, predominantemente, nas economias emergentes. Cerca de US$ 1,2 trilhão serão colocados em nova capacidade de queima de carvão e US$ 892 bilhões para novas usinas a gás.

Apesar disso, o mundo viverá uma rápida transição para energia limpa ao longo dos próximos 25 anos, segundo a pesquisa.

Cerca de US$7,8 trilhões serão investidos em energia renovável, com eólica onshore e offshore atraindo US$ 3,1 trilhões, energia solar de grande escala (gerações de 10 MW ou mais), de telhado (rooftop) ou em pequena escala atrairão US$ 3,4 trilhões e US$ 911 bilhões serão destinados para hidroelétrica.

3. Investimento ainda não é suficiente para atingir meta climática de 2⁰C

Além dos US$ 7,8 trilhões, o mundo precisaria investir mais US$ 5,3 trilhões em energia com zero emissão de carbono até 2040 para reduzir as emissões de CO2 e evitar um aumento superior aos 2ºC (em relação aos níveis pré-industriais) na temperatura global, limite considerado “seguro” pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

4. Boom dos carros elétricos vai aumentar demanda por eletricidade

Os veículos elétricos vão adicionar 2,701 terawatt-hora (TWh), ou 8%, à demanda global por eletricidade em 2040. A estimativa reflete a previsão da BNEF de que, em 25 anos, os elétricos vão representar 35% das vendas de veículos novos leves em todo o mundo, o equivalente a 41 milhões de carros, cerca de 90 vezes o total de 2015.

Fonte: Sean Gallup/Getty Images

Fonte: Sean Gallup/Getty Images

5. Armazenamento de bateria em pequena escala, um mercado de US$ 250 bilhões

Ainda segundo a pesquisa, os veículos elétricos vão reduzir o custo de baterias de íon de lítio, aumentando cada vez mais a sua implantação em sistemas solares residenciais e comerciais. O total de armazenamento irá aumentar dramaticamente dos atuais 400MWh para quase 760GWh em 2040.

6. Geração a carvão na China vai reduzir o passo

As mudanças na economia chinesa e um maior direcionamento para energias renováveis afetarão a geração a carvão na China, que, em 10 anos, será de 1000TWh, ou 21% abaixo do número previsto pela BNEF, no relatório do ano passado.

7. Isso aumenta a importância da Índia na tendência das emissões globais

Exploração de carvão na Índia: matriz do país é dominada por fontes fósseis. (Foto: Getty Imagens)

Exploração de carvão na Índia: matriz do país é dominada por fontes fósseis. (Foto: Getty Imagens)

A demanda indiana por eletricidade deverá crescer 3,8 vezes entre 2016 e 2040. Apesar do investimento de US$ 611 bilhões em energias renováveis nos próximos 24 anos, e US$ 115 bilhões em energia nuclear, a Índia continuará a depender fortemente das centrais elétricas a carvão para atender à crescente demanda. A previsão é que isso triplique as emissões anuais pelo setor de energia do país até 2040.

8. Energias renováveis vão dominar na Europa e vão ultrapassar gás nos EUA

Eólica, solar, hídrica e outras energias renováveis vão gerar 70% da energia da Europa em 2040, um aumento em relação aos 32% em 2015. Nos EUA, sua participação vai saltar de 14% em 2015 para 44% em 2040, ao passo que o gás deverá cair de 33% para 31%.

Fonte: Vanessa Barbosa | Exame.com

Geração alternativa de eletricidade passa longe da crise e recebe fortes investimentos

Setor abrirá 828 mil vagas até 2020. Os segmentos eólico e solar puxam a expansão

Bons ventos sopram na indústria energética brasileira e tudo indica que, mais do que apenas luz no fim do túnel, há força suficiente para impulsionar a retomada do crescimento do país. A geração de energia elétrica alternativa nem parece estar em um país com 11,4 milhões de desempregados e mergulhado na pior recessão da história. Os segmentos eólico e solar crescem a taxas de dois dígitos por ano e, com o potencial de expansão de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), devem criar 828 mil empregos até 2020, com investimentos bilionários.

Com o melhor fator de produtividade do planeta no aproveitamento dos ventos, o Brasil teve o maior crescimento global em geração de energia eólica em 2015. E, apesar de ser razoavelmente jovem, impulsionado a partir de 2009, o setor colocou o país na 10ª colocação em um ranking mundial de capacidade instalada, caminhando a passos largos para a nona posição. Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) mostram que, em 2015, o salto foi de 46,1%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 3,8%. Foram R$ 20 bilhões em investimentos e 41 mil empregos gerados.

Presidente da Abeeólica, Elbia Silva Gannoum explica que, desde que o aparato regulatório incluiu a geração eólica nos leilões de energia, em 2009, a fonte se tornou a segunda mais competitiva, perdendo apenas para a hidrelétrica, na matriz energética brasileira. “Assumimos essa posição por dois motivos: progresso tecnológico e condições climáticas. O fator de produtividade mundial é de 28% a 30%. No Brasil, está entre 50% e 65%”, compara.

Dos leilões de energia realizados nos últimos sete anos, o setor foi responsável por mais de 50% das contratações, atrás apenas das grandes hidrelétricas. Em 2015, dos 7 gigawatts de energia nova (GW), 39% foram de eólica. “Conseguimos implantar uma cadeia produtiva na indústria. Hoje, os projetos têm de 70% a 80% de nacionalização. Trouxemos fábricas para cá. A cada aerogerador, são 1 mil fornecedores”, diz.

GARGALOS Com investimentos em torno de R$ 20 bilhões por ano, inserindo no sistema interligado nacional 2 GW de energia por ano, o setor eólico já tem contratados quase 18,5 mil megawatts (MW) de potência até 2019. Como para cada 1 MW são criados 15 empregos, serão mais 277 mil postos de trabalho até lá, além dos 41 mil abertos no ano passado, e, pelo menos, R$ 80 bilhões em investimentos.

Para Marco Afonso, diretor da CGI, consultoria em infraestrutura, dos três segmentos de geração alternativa de energia, o de eólica é o mais bem estruturado. “A cadeia de produtos está instalada no Brasil. Algumas empresas, inclusive, já exportam. Outras ainda têm interesse de vir para cá. Mas o país precisa resolver gargalos que atrapalham o setor”, alerta. O principal deles é o descasamento das obras de geração com as de transmissão. “Na hora de produzir, faltam linhas de transmissão, que enfrentam entraves no licenciamento ambiental”, pondera. Outro problema é o crédito restrito.

Um exemplo de como os parques eólicos se multiplicam no país é a inauguração, em 29 de junho, de mais um deles, na Serra do Mel, no Rio Grande do Norte. O Complexo Eólico Vamcruz, da empresa Voltalia, em parceria com Chesf e Encalso, produzirá aproximadamente 450 gigawatts por hora (GWh) ao ano, energia suficiente para abastecer mais de 200 mil famílias. O parque criou 485 empregos durante as obras, além de 30 diretos para operação.

O diretor-geral da Voltalia Energia do Brasil, Robert Klein, explica que o setor eólico foi pouco atingido pela crise. Mas houve dificuldades burocráticas. “A demora na obtenção de financiamentos e o aumento do custo foram complicadores. Além disso, devido às turbulências políticas, algumas licenças e autorizações demoraram a sair mais do que de costume”, lamenta. Porém, o executivo ressalta que o Vamcruz é o terceiro complexo construído pela empresa e a credibilidade e a experiência no mercado ajudaram a superar os entraves.

A empresa está construindo outros parques. O próximo complexo a entrar em operação ainda neste ano na Serra Pará terá 99 MW de capacidade instalada. Na sequência, será construído o Parque Vila Acre I, com 27 MW, também em Serra do Mel, como resultado do último leilão que a Voltalia participou, em novembro de 2015.

PCHs em alta

Paulo Sivieri Arbex, presidente da Associação Brasileira de Fomento às PCHs (ABRAPCH) conta que há, hoje, 17 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) outorgadas e 159 aptas à outorga aguardando licença ambiental. “Somadas, as 176 PCHs devem agregar ao sistema uma potência instalada de 2.064 MW, com investimentos previstos de R$ 16,5 bilhões e 400 mil empregos diretos e indiretos”, afirma. As CGHs (usinas de até 3 MW), também têm um potencial enorme. “São mais de 80 usinas a construir, com potência instalada superior a 160MW, investimentos de R$ 1,4 bilhão e mais de 50 mil vagas”, estima.

Fonte: Estado de Minas

Comissão do Senado aprova plano para avaliar política de energia renovável

Nesta quarta-feira, 8 de junho, foi aprovado pela Comissão de Serviços de Infraestrutura o plano de trabalho para a análise das políticas públicas de energia alternativa e renovável ao longo de 2016.

O senador Hélio José (PMDB-DF), escolhido para preparar o relatório sobre o assunto, propôs a divisão da análise em quatro subtemas: o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), o Programa de Desenvolvimento Energético dos Estados e Municípios (Prodeem), os leilões de energia de reserva e a geração distribuída ou descentralizada.

A CI deverá realizar quatro audiências públicas, uma sobre cada subtema, e promover um debate sobre o programa Luz para Todos até a conclusão dos trabalhos, prevista para novembro.

Fonte: Agência Senado