Energia renovável representa mais de 42% da matriz energética brasileira

Fonte: Portal Brasil

O Ministério de Minas e Energias (MME) prevê que até o fim de 2015 as energias renováveis correspondam a 42,5% de toda a matriz energética brasileira em 2015. O destaque fica para o crescimento da participação das energias renováveis alternativas à geração hidrelétrica, como a eólica, a solar e a biomassa.

Em dez anos, esse tipo de energia renovável cresceu 30%, passando de 2,8% de toda a oferta de energia interna em 2004 para 4,1% em 2014. A matriz energética do País é composta por diversas fontes, que também incluem, por exemplo, o petróleo e seus derivados, como a gasolina, e o gás de cozinha.

O secretário de Planejamento Energético do MME, Altino Ventura, explica que esse cenário faz parte da política do Ministério de diversificação da matriz energética brasileira, que considera uma forma mais eficiente do uso de recursos naturais do planeta.

“Essa composição de diferentes fontes faz com que o País tenha uma matriz mais limpa, porque ela tem uma participação pequena de emissões do chamados gases de efeito estufa, que contribuem para as mudanças climáticas no planeta”, disse.

Quando se considera apenas a geração de energia elétrica, a participação das energias renováveis é ainda maior. Até o final de 2015, espera-se que mais de 84% da energia elétrica gerada no País seja de fontes renováveis. As hidrelétricas ainda fazem parte de mais da metade da geração, mas outras fontes vão representar cerca de 16% de toda energia elétrica brasileira.

Segundo Ventura, a incorporação efetiva de outras formas de produzir energia, como a solar e a eólica, tem também uma necessidade de suprir o consumo de eletricidade de acordo com o cenário mundial de energia limpa.

“A partir dos anos 1970 até o 2000, o Brasil priorizou muito a hidreletricidade. Já temos uma indicação nos próximos 30 anos de que esgotaremos esse potencial. Então é importante que o Brasil desenvolva novas fontes para a produção de energia elétrica dentro da política de diversificar a matriz, o que temos feito nos últimos 15 anos”, explica.

O incentivo às energias renováveis pode ser considerado uma meta coletiva, não só do Ministério de Minas e Energia. O governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), investiu mais de R$ 97 bilhões em forma de financiamento para 285 inciativas de energias renováveis no período de 2003 a 2015. Somente na energia eólica, foram mais de R$ 19 bilhões em financiamento.

Energia dos ventos

Um dos maiores destaques das formas alternativas de geração de energia é a eólica. Neste ano, o País se tornou o 10º maior gerador de energia eólica no mundo, superando países como Portugal e Suécia, segundo Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia. Até o final de 2015, o setor terá expansão de 62% em relação ao ano passado e irá representar 8,3% da oferta de energia elétrica no país.

A região Nordeste é a principal geradora de energia eólica no País. Segundo o secretário, o principal motivo para esse destaque, além do investimento, é a situação privilegiada do Brasil em recursos naturais.

“Nós temos vento de janeiro a dezembro. Isso faz com que a nossa usina eólica se torne mais competitiva, porque o custo da energia é menor. A mesma instalação no Brasil produz mais energia do que os países europeus, por exemplo”.

Ele ainda destaca que não só o Brasil está se tornando gerador de energia como fabrica a maior parte dos equipamentos utilizados. Segundo a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, o setor foi responsável pela criação de mais de 40 mil postos de trabalho em suas 270 instalações.

Outras fontes

Ainda em crescimento, a energia solar também vem conquistando seu espaço na matriz energética. Em agosto deste ano, o País fez o primeiro Leilão de Energia de Reserva com projetos solares fotovoltaicos, contratando 1.043,7 MWp (megawatts-pico) de potência de 30 projetos diferentes.

A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que até 2050, 13% de todo o abastecimento das residências no País seja feita pelas placas fotovoltaicas que aproveitam a energia solar.

No campo, Ventura destaca o pioneirismo do Brasil no uso da cana-de-açúcar como geração de energia. Os derivados da planta, como o etanol e a queima do bagaço, são hoje a segunda maior fonte energética brasileira, perdendo apenas para o petróleo. No período de 2004 a 2014, o País aumentou em 75% a produção de energia elétrica pelo bagaço de cana.

“O aproveitamento da cana-de-açúcar dessa forma só existe no Brasil, é tecnologia nacional. Podemos plantar essa energia no campo e produzir alimentos, sem competir um com o outro, e preservando nossos ecossistemas”, pontua.

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Instituições se unem em defesa da mini e microgeração

Fonte: CERNE Press com informações da Frente Parlamentar da Energia Renovável
Representantes da Frente Parlamentar da Energia Renovável se reuniram com o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, André Pepitone, nesta quinta-feira (19), para tratar das alterações na Resolução Normativa(REN) n° 482/2012, que serão votadas na próxima semana.  Durante o encontro, o deputado federal Beto Rosado  solicitou à ANEEL que o inciso VII do artigo 7º da resolução fosse revisto, pois pode trazer retrocesso ao setor.
A opinião do parlamentar foi baseada em alerta emitido pela Associação Brasileira de Energia Solar – ABSOLAR, de que a redação proposta inviabiliza a instalação de projetos de  micro e mini geração em imóveis que não possuam condições de gerar energia no próprio local e dependeriam das modalidades de autoconsumo remoto ou de geração compartilhada. Além disso, a cobrança pelo transporte da energia (TUSD), também prevista pelo novo texto, encarece o valor final dos projetos.
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Ao final da reunião, os representantes da Frente Parlamentar receberam da ANEEL a garantia de que, por um prazo de seis anos, a TUSD não será aplicada quando origem / destino estiverem dentro da área de atuação da mesma distribuidora.  Mas, para os parlamentares, essa medida ainda é negativa para o setor. “Para ser atrativo à implantação das fábricas dos micro geradores e seus componentes, é preciso ao menos 20 anos de amortização dos investimentos. Após esse prazo, as instalações dos geradores de energia pelos consumidores teriam a isenção da TUSD pelo período de 8 anos, tempo necessário para amortizar o investimento do consumidor de energia”, explicou o Deputado Beto Rosado, reforçando que as negociações com a ANEEL devem prosseguir.
O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) se posicionou em apoio à proposta apresentada pela Frente Parlamentar, ecoando a proposição da ABSOLAR. Segundo o diretor-presidente, Jean-Paul Prates, as sugestões da Frente Parlamentar refletem as preocupações dos desenvolvedores e consumidores que desejam expandir a capacidade instalada de mini e micro geração, e não significam perda de receita significativa para o sistema elétrico: “o que o setor está solicitando não onera o sistema. Ao contrário, ao incentivar a geração distribuída, teremos um alívio físico progressivo do mesmo, daí não ser justo pedagiar as compensações inter-unidades dentro da mesma zona de distribuição”, ressalta Prates.
Fonte: CERNE Press com informações da Frente Parlamentar da Energia Renovável

Fontes renováveis serão protagonistas no futuro da energia no Brasil

Até 2050, a demanda por energia elétrica no Brasil deve triplicar, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia. Atendê-la com um sistema confiável, sustentável e acessível aos consumidores é um desafio. E ao mesmo tempo, apresenta uma série de boas oportunidades não só de negócio, mas de desenvolvimento da indústria nacional, de formação de mão de obra qualificada e de inclusão social.

“Estamos no meio de uma revolução na área de energia”, disse Wilson Ferreira, da CPFL, no começo do debate. “E o consumidor está no centro dessa revolução”. Os especialistas trataram dos grandes temas que pautam a discussão sobre o futuro da energia no Brasil: fontes renováveis e diversificação da matriz energética, geração distribuída e confiabilidade da rede, smart grids, inovação e eficiência.

Fontes renováveis e diversificação da matriz

Com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território cortado por rios caudalosos, mais de sete mil quilômetros de litoral, bem como condições climáticas favoráveis, não surpreende que o Brasil já tenha quase 90% de sua matriz energética elétrica renovável.

O problema é que mais da metade dela está concentrada em energia hidrelétrica, o que ficou evidente com a seca que assolou o País em 2015, e acabou por contribuir para a elevação do preço da energia nacionalmente. “Mas toda crise tem seu lado positivo”, diz Marcos Costa, da GE. “Percebemos que não podemos ser tão dependente da geração hidrelétrica, precisamos diversificar”.

Fontes alternativas não faltam. Segundo Ferreira, da CPFL, se explorássemos todo potencial de geração de energia eólica e solar do país, por exemplo, que soma 440 mil MW, já teríamos três vezes mais energia que toda nossa capacidade instalada atualmente, que é de 140 mil MW. Hoje, porém, a capacidade instalada de geração eólica, a mais desenvolvida das duas, é de pouco mais de 6 mil MW, ou 4,8% do total, segundo dados do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, de setembro de 2015, do Ministério de Minas e Energia.

Pode parecer pouco, mas não é. Afinal, o primeiro leilão para esse tipo de geração de energia foi em 2009, como lembra Elbia Silva Gannoum, da ABEEólica. “Começamos há pouco mais de cinco anos e já somos a 10ª economia do mundo em geração de energia eólica, e o 4º País do mundo que mais aumentou a capacidade instalada em 2014”, diz. “Geramos 40 mil postos de trabalho, investimos R$ 18 bilhões no ano passado, e vamos gerar mais de 50 mil postos de trabalho em 2015, com outros R$ 22 bilhões investidos”. As perspectivas e o ritmo de crescimento são tão bons que a estimativa é de que, até 2025, 25% da matriz de energia brasileira poderão ser de energia eólica. E ainda há a solar, de biomassa e outras variações de energia térmica.

Geração distribuída e confiabilidade da rede

Outra tendência no mercado de energia que rivaliza com a explosão das energias renováveis, com destaque para a eólica, é a geração distribuída. Segundo números da GE, até 2020, projetos de produção descentralizada de energia – em unidades menores, mais ágeis e próximas de quem vai usar a força produzida – receberão investimentos da ordem de US$ 200 bilhões em todo o mundo. No mesmo período, a taxa de crescimento desse tipo de produção será quase 40% superior à taxa de crescimento da demanda mundial por energia. “No caso das máquinas aeroderivadas, que chegam à potência nominal em apenas 10 minutos, podemos gerar entre 18 MW e 100 MW”, afirma Marcos Costa, da GE.

Segundo o executivo, trata-se de uma boa opção no Brasil para complementar a oferta de energia em horários de pico em indústrias, por exemplo, ou durante intermitências. O sistema, guardadas as devidas proporções, é o mesmo que funciona nas termelétricas espalhadas pelo país e que, em 2015, foram fundamentais para garantir a estabilidade e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro durante a crise hídrica. “São sistemas que não só são confiáveis, mas também eficientes e limpos, principalmente quando funcionam com gás natural, que produz metade das emissões de sistemas que funcionam com diesel e carvão”, afirma Costa.

Há até a opção de usar lixo orgânico e o biogás que ele produz para rodar as turbinas, como já se faz em uma fazenda de porcos nas Filipinas, ou ainda uma fazenda leiteira na Índia. Nesses casos, o benefício pode ser triplo: não se emite o metano do biogás, gera-se energia e, se houver cogeração, aproveita-se o calor dos motores, o que faz a eficiência da máquina superar os 60%.

Smart grids, inovação e eficiência

Com a diversificação das fontes de geração de energia, a tendência é que o sistema elétrico se torne cada vez mais complexo. E isso é bom. Mas para aproveitar ao máximo as distintas fontes de energia em diferentes locais, a transmissão e distribuição terão que ser cada vez mais inteligente. É aí que entram as smart grids, ou redes inteligentes de distribuição de energia.

Funcionando em um sistema interligado nacionalmente e monitorado por uma infinidade de sensores, as smart grids poderão alocar energia de forma autônoma e eficiente para diferentes regiões em horários específicos, e identificar problemas na rede antes que eles interrompam o fornecimento. Elas também reduzem emissões e perdas, um problema no Brasil, onde 16,5% da energia gerada é perdida – 32% a mais que a média, estimada em 12,5%, pelo Banco Mundial. “A palavra de ordem é eficiência”, diz Wilson Ferreira, da CPFL, cuja aposta é a de que haverá cada vez mais demanda por gente especializada em smart grids.
A busca por eficiência, fundamental para garantir o futuro da energia no país, passa, invariavelmente, pelas inovações tecnológicas. Um exemplo recente da dependência saudável do setor por inovações é a lâmpada LED. Durante o racionamento do ano 2000, 99% das lâmpadas residenciais eram incandescentes e gastavam 94% de energia gerando calor, e apenas 6% gerando luz.

Hoje, as proporções de geração de luz e calor em uma lâmpada de LED são o inverso – e as lâmpadas duram 10 vezes mais. “A área de energia vai ser muito demandada por inovação e tecnologia”, diz José Carlos Miranda, presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). “Mas falta gente, somos carentes de pessoal capacitado”, afirma.

Elbia, da ABEEólica, faz coro. “Recentemente foram abertos dois cursos de mestrado e dois de graduação em energia eólica no País”, diz. “Mas ainda não estamos na velocidade do mercado”. Investir na formação e capacitação para este setor não é só garantir o futuro da energia no Brasil, mas também abrir um novo flanco de inteligência industrial que, em última instância, pode culminar na geração de tecnologia brasileira de ponta com grande potencial de exportação. “Somos o país da energia renovável”, diz Wilson, da CPFL. “São muitas as oportunidades por aqui”.

Fonte: Época Negócios

Veja matéria na íntegra aqui.

Leilão de energia de reserva contrata 1,47 GW em usinas eólicas e solares

O leilão de energia de reserva promovido pelo governo federal nesta sexta-feira (13)  contratou 1.477,5 megawatts em usinas eólicas e solares.  Do total, foram 548,20 MW pela fonte eólica e 929,34 MW pela fonte solar fotovoltaica.

A fonte eólica concentrou a maior parte da negociação com 548,2 MW de potência contratados a um preço médio de R$ 203,46 por MWh e deságio de 4,48% em relação ao teto de R$ 213. Os projetos eólicos estão localizados em três estados com destaque para Bahia, com 18 empreendimentos.

Para o Diretor Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, apesar de denotar estagnação,  o resultado não demonstra falta de interesse das empresas no RN. ” O que acontece é que a sobra de pouco mais de 800MW de conexão que o Estado tem foi reservada pelo MME para o mercado livre, o que deixou o RN diante de um cenário de capacidade de conexão zerada. Diante disso, o posicionamento estratégico das empresas com prospecção no RN foi retirar os projetos para aguardar o próximo leilão (A-5)”, explicou Prates, que está a caminho da França para participar do EWEA 2015, a convite da APEX. O EWEA acontece em Paris, de 17 a 20 de novembro e é considerado um dos maiores e mais importantes eventos do setor na Europa.

O Diretor setorial de Energia Eólica do CERNE, Luiz Galdino, esclareceu que o bom resultado da Bahia no leilão A-3 se deu devido ao Estado estar em situação inversa à do RN. “A Bahia entrou com capacidade de conexão nova, recém ativada. É natural que as empresas priorizem os projetos de lá, que serão entregues em espaço de tempo mais curto para começar a produzir”, ressalta.

O preço da energia eólica que começou a R$ 213,00/MW, fechou a R$ 203,46/MW, chegou a um deságio de 4,48% em relação ao valor inicial.

O preço da energia solar fotovoltaica que começou a R$ 381,00/MW, fechou a R$ 297,75/MW, chegou a um deságio de 21,85% em relação ao valor inicial.

Na fonte Eólica o destaque vai para o estado da Bahia com 18 empreendimentos contratados (493 MW), seguidos por Maranhão com 1 empreendimento (30 MW) e RN também com 1 empreendimento (25,2 MW). O resultado realça o crescimento do Estado da Bahia e a estagnação do RN quando observado os resultados dos últimos leilões (Contratação).

Na fonte solar fotovoltaica, o destaque vai para o estado de Minas Gerais com 9 empreendimentos contratados (270 MW), seguido pelo estado da Bahia com 6 empreendimentos (169,34 MW), e o RN com 5 empreendimentos (140 MW).

Durante o leilão, foram negociados Contratos de Energia de Reserva – CER na modalidade por quantidade, com prazo de suprimento de 20 anos.

O leilão A-5 / 2016 está previsto para acontecer no dia 5 de fevereiro do próximo ano e deverá registrar número recorde de projetos inscritos.

 

Vestas prepara inauguração de fábrica de naceles e hubs no Brasil

A dinamarquesa Vestas se prepara para inaugurar sua primeira fábrica de equipamentos eólicos no Brasil. A planta já está em fase pré-operacional, informou Rogério Zampronha, presidente da companhia, em entrevista à Agência CanalEnergia. A empresa espera realizar a inauguração em dezembro, momento em que também pretende anunciar o comprimento das exigências de conteúdo local do BNDES. Com isso, os clientes da Vestas poderão ter acesso aos financiamentos competitivos oferecidos pelo banco de fomento brasileiro.

“O processo com o BNDES está fluindo bem, só finalizando a documentação”, garantiu o executivo. Até o momento, apenas os fabricantes eólicos WEG e Acciona anunciaram que cumpriram com as regras de nacionalização do BNDES. A expectativa é que o setor eólico brasileiro possa contar com sete fabricantes em 2016.

A fábrica da Vestas está sendo construída no município de Aquiraz, próximo a capital Fortaleza, no Ceará. Irá produzir naceles e hubs de 2 MW e 2.2 MW. A capacidade inicial de produção será de 400 MW, podendo ser ampliada para 800MW conforme a demanda e a capacidade de atendimento da cadeia de suprimentos. A empresa investiu R$ 100 milhões na unidade. As pás eólicas serão fornecidas pela Aeris, que construiu uma unidade só para atender a Vestas.

“É um momento muito especial para Vestas”, disse o executivo, explicando que a inauguração dependerá da agenda das autoridades e do Governador do Ceará, Camilo Santana. “A princípio será no início de dezembro, mas podemos adiar para janeiro.” A fábrica vai gerar 500 empregos diretos.

A empresa tem 286 MW de pedidos firmes que vão começar a ser entregues a partir de janeiro de 2016, já com o atendimento das regras do BNDES. “Temos mais 320 MW com compromissos em negociação final e vamos participar com algumas empresas no leilão de amanhã”, disse Zampronha, se referindo ao leilão de energia de energia de reserva, que será realizado na próxima sexta-feira, 13 de novembro, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, em São Paulo.

Sobre o leilão, o executivo disse que a expectativa já foi melhor em termos de volume a ser contratado. “Nossa expectativa caiu um pouco, os investidores têm tido algumas dificuldades adicionais que envolvem aumento nas condições de financiamento, disponibilidade de empréstimos ponte, questões regulatórias e fundiárias que atrapalham um pouco o processo deles. Mas independente dessas dificuldades, a gente vai ter uma demanda contratada maior que o A-3 de agosto. Acredito que vai ser acima de 1.000 MW”, concluiu.

Foto: en.wind-turbine-models.com

CERNE é convidado a participar de evento na França

O diretor-presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, é um dos convidados de honra para participar da conferência anual organizada pela European Wind Energy Association (EWEA 2015).  O evento tem como objetivo promover a geração de energia eólica no mundo e reúne representantes de diversos países em Paris, de 17 a 20 de novembro.  O EWEA 2015 é considerado um dos maiores e mais importantes eventos do setor eólico na Europa.

Convidado pela APEX, o presidente do CERNE participará do “Invest Brasil – Wind Power”, evento realizado paralelamente à programação da EWEA 2015. Na ocasião, Prates vai tratar dos principais motivos que tornam o Brasil um país atraente para as empresas do segmento energético. O Invest Brasil deve reunir os principais líderes do setor para discutir as oportunidades e desafios de se investir e fazer negócios no setor de energia renovável no Brasil.

Jean-Paul Prates vai mediar um debate com o tema “Where Is The Real Innovation In Wind Energy? Brazil can play this role?”, abordando a inovação no setor eólico brasileiro. Ele também apresentará o trabalho do CERNE frente ao desenvolvimento das eólicas na região nordeste e falará sobre as políticas para estimular a inovação eólica visando atrair investimentos para o país.

O Invest Brasil é organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Investimentos (Apex-Brasil) em parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica. Todas as despesas associadas à participação do Presidente do CERNE foram custeadas pelos organizadores do evento.

RN debate incentivos para o uso da energia solar

Os benefícios do uso da energia solar para o Rio Grande do Norte foram tema de debate na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte,  na quarta-feira (11).   A audiência pública, proposta pelo deputado estadual Hermano Morais (PMDB), teve como pano de fundo a instituição de  uma Política Estadual de Incentivo ao Uso de Energia Solar.

Convidado a participar, o Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), Jean-Paul Prates, falou sobre as vantagens de se investir em energia solar.  Reafirmou que nos últimos 11 anos os investimentos mundiais voltados ao  desenvolvimento de energias renováveis cresceram 10 vezes, saltando de US$ 27 bilhões, em 2003 para US$ 270 bilhões, em 2014. Somente em energia solar, os investimentos foram de US$ 150 bilhões, sendo US$ 7,5 bilhões investidos no Brasil. “É, com certeza, a matriz energética que mais cresce no mundo e hoje há uma paridade tarifária, apesar da energia solar ainda ser um pouco mais cara. É preciso que se crie soluções e incentivos para que as edificações possam gerar esse tipo de energia”, explicou Prates.

Durante o encontro, que contou também com a presença dos deputados  George Soares (PR) e Fernando Mineiro (PT), o propositor explicou os detalhes da proposta da nova política de incentivos.  Segundo Hermano Morais, o projeto, que tramita pela Assembleia, determina que o Governo do Estado instale a política de incentivo ao uso de energia solar, aumentando a participação na matriz energética do Rio Grande do Norte. Além disso, o executivo estadual deverá conceder incentivos,  promover parcerias e fomentar estudos na área, que estimulem o uso desse tipo de energia no comércio, nas indústrias, em residências, além das atividades agrícolas a custos menores que os atuais.

As discussões sobre o tema devem prosseguir no próximo dia 14 de dezembro, durante o FEERN – Fórum Estadual de Energia, realizado pelo CERNE em parceria com as Comissões de Energia e de Meio Ambiente da AL-RN.

China muda de rota. E o Brasil com isso?

A China é o principal parceiro comercial brasileiro hoje em dia, e está convidando o mundo inteiro a participar dos debates sobre o seu 13o Plano Quinquenal: 十三五 (Xi-Sán-Wu), que servirá de norte para seu desenvolvimento econômico no período 2015-2020 e envolverá também questões sociais, ambientais e científicas/tecnológicas.
Em linhas gerais, o plano quinquenal que está sendo debatido neste momento (e deverá ter sua implementação iniciada no ano que vem) indica metas de crescimento econômico menos espetaculares que no período anterior e um câmbio radical das bases energia-intensivas e carbono-dependentes. Ou seja, a China quer menos poluição, menos voracidade energética e mais consumo e conforto para sua gigantesca população.
Quais as consequências deste plano para o Brasil, que assinou 35 acordos bilaterais com a China em maio deste ano?
Apesar de se esperar que o 十三五 (Xi-Sán-Wu) direcione ações para desacelerar os incentivos às indústrias metalo-siderúrgicas, por exemplo, isso absolutamente não significa que as que existem vão acabar de uma hora para a outra. Ao contrário, terão que ser muito mais eficientes e portanto seletivas nos seus parceiros. E talvez até tenham que instalar, adquirir ou aprimorar unidades suas no exterior. Um dos acordos assinados com o Brasil prevê justamente a instalação de novos complexos metalúrgicos aqui com capital chinês. Evidentemente que temos que ter atenção para aprovar projetos modernos e ambientalmente conscientes, mas esta é uma oportunidade para começarmos a sair gradualmente daquela condição, tão criticada, de meros exportadores de minérios em estado bruto.
A desaceleração em alguns setores implica na aceleração de outros: o consumo, os serviços individuais e a alimentação, por exemplo. Nossos acordos bilaterais assinados em maio também envolvem processos de levantamento das barreiras fito-sanitárias para exportações brasileiras de produtos da nossa agricultura, pecuária, aquicultura e pesca. Investimentos na limpeza, processamento e industrialização destes produtos deverão ser realizados em unidades localizadas no Brasil, facilitando o controle de qualidade e a logística comercial na China.
Nossos produtos naturais e tecnologias relacionadas de saúde, cosmética, tratamentos estéticos, química fina para uso pessoal e nossa indústria de bens de consumo caseiros também poderão ser beneficiados pelo novo direcionamento em prol do conforto individual que o governo chinês promoverá. São mais de 1.3 bilhão de pessoas, muitas regiões desiguais e muito aprimoramento social a realizar por lá.
O Brasil também é visto pelos chineses como um paradigma seguro (não radical, não teórico, mas efetivo, realizador) quanto à “Economia Verde”, com sua matriz energética altamente renovável e suas posturas bem sucedidas quanto a desmatamento, controles ambientais e práticas sustentáveis. Eles têm o Brasil como um país que tem conseguido realizar seu desenvolvimento usando recursos naturais mas tomando precauções necessárias quanto à excessiva carbonização de sua economia. É bem diferente de ouvir países considerados mais avançados pontificarem sobre ecologia para os emergentes após haver dizimado suas reservas naturais para chegar onde chegaram. Por isso, a China simpatiza com o Brasil quanto a este tema. E o Brasil tem que saber se aproveitar disso para financiar soluções para a base de sua agro-indústria: água e energia limpas.
Finalmente, do ponto de vista dos intercâmbios tecnológicos (em curso e planejados), o 十三五 (Xi-Sán-Wu) só nos favorece, pois seu direcionamento tem muito mais pontos de coincidência do que de divergência. Portanto, hora das nossas universidades, centros de excelência, pólos tecnológicos e demais entidades similares consolidarem as pontes com a China num alinhamento desejável entre duas fortes economias emergentes de cada metade do globo para assegurarem soluções adaptadas às suas intempéries e demandas sociais.
Enfim, somente nos acordos já assinados com a China, o Brasil tem cerca de 200 bilhões de reais praticamente assegurados para projetos localizados em seu território, nas áreas de infra-estrutura, transporte, agricultura, mineração, energia, ciência e tecnologia, aeronáutica, construção naval e planejamento setorial. Como se vê, a China não faz nada sem ter planejado antes. E os acordos com o Brasil são certamente uma boa alavancagem e um convite direto para participarmos grandiosamente do seu futuro.

Jean-Paul Prates é diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e membro das consultorias Expetro (Rio) e CRN-Bio (Natal).

Marcelo Mello é sócio e fundador do escritório MMA Mello & Travassos Advogados.

Eólicas no RN recebem aval da Aneel para operação em teste de turbinas

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na última sexta-feira, 6 de novembro, o início da operação em fase de testes de nove unidades geradoras (UG1 a UG9) da EOL Caiçara I, que somam 27 MW de capacidade instalada.

A Aneel também autorizou o funcionamento em teste de seis turbinas (UG1 a UG6) da EOL Caiçara II, com potência instalada total de 18 MW. A Agência liberou ainda a operação em teste de dezesseis unidades nas eólicas Junco I e II. As oito turbinas de cada usina alcançam 24 MW de capacidade instalada. Todas as eólicas ficam localizadas no estado do Rio Grande do Norte.

Foto: gazetadooeste.com.br

Energia eólica atrai recursos para o RN

O setor de energia eólica será o principal motor dos investimentos que o Rio Grande do Norte deverá receber até 2020, segundo levantamento realizado pelo Itaú Unibanco. Até lá, estima Paula Mayumi, economista do banco, espera-se alguma coisa em torno de R$ 1,3 bilhão, dos quais 88%, ou R$ 1,14 bilhão, deverão ser investidos em geração eólica, envolvendo ampliação de capacidade e novos parques. O setor de turismo e hotelaria vai receber em torno de R$ 123 milhões e outros R$ 20 milhões para o segmento de gás natural.

Mas não será um percurso tranquilo. Diante da crise instalada na economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado tende a registrar seus piores momentos neste ano e em 2016, com retração de 2,2% e de 1,1% respectivamente, ligeiramente inferior à queda de 3,3% e de 1,5% projetada para o país. Segundo ela, a economia potiguar deverá registrar um avanço anual médio de apenas 0,1% entre 2015 e 2020, em linha como esperado para o restante do Brasil. A concentração do PIB regional nos setores de serviços e de comércio, que somados respondem por 43% do valor adicionado, e a desaceleração nos gastos do Bolsa Família, sugere Paula, ajudam a entender o baixo dinamismo.

As perspectivas parecem mais animadoras na área da indústria eólica, que responde por 25% a 30% da energia consumida no Nordeste, diz Paula. A holding Complexo Eólico VamCruz, formada pela Centrais Hidroelétricas do São Francisco (Chesf), que tem participação de 49% na sociedade, pelo francês Grupo Voltalia, com 25,6%, e pela cearense Encalso Construções, com 25,4%, investe R$ 474,4 milhões na implantação de quatro parques em Serra do Mel, com potência total 93 megawatts (MW). O início de operação dos empreendimentos está previsto para novembro, no caso das usinas de Junco I e II, e para as duas primeiras semanas de dezembro, nas plantas de Caiçara I e II, segundo a Chesf.

Em dez anos, segundo Jean-Paul Prates, presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (Seern), o Estado passou de importador para exportador de energia, graças aos investimentos em geração eólica. O parque potiguar, com potência para quase 2,3 gigawatts (GW), responde por 34,3% da capacidade instalada no país para a produção de energia eólica vento.

A instalação das usinas atraiu investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões nos últimos cinco anos, diz Prates, recorrendo a dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (CERNE). Mas a movimentação gerada pelos projetos, considerando-se apenas gastos diretos com equipamentos, materiais, serviços e mão de obra, segundo ele, pode ter superado R$ 10 bilhões.

Na área de infraestrutura e turismo, podem surgir novos investimentos, especialmente se o Estado conquistar o hub (terminal de conexão) que o Grupo Latam, controlador da TAM e da chilena LAN, pretende instalar no Nordeste. A Inframerica, empresa que administra o Aeroporto de Natal, está otimista, segundo seu presidente, José Luis Menghini. “Estamos preparados para fazer as adequações necessárias, no tempo exigido, para atender às necessidades da TAM”, afirma.

O aeroporto, que recebeu em torno de 2,6 milhões de passageiros em seu primeiro ano de operação, iniciada em junho de 2014, espera um crescimento entre 9% e 11% em 2016. Ainda em fase de avaliação, Menghini antecipa a perspectiva de investir de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões na ampliação do terminal de cargas do aeroporto, que atualmente ocupa 4 mil metros quadrados de área construída.

Imagens: Valor Econônico / www.robsonpiresxerife.com / Blog SustenHabilidade

Errata: Parque eólico no RN atinge recorde de produção em agosto

(03/11/2015) Nota da Agência Canal Energia: Ao contrário do noticiado anteriormente (22 de outubro de 2015), baseado em informações repassadas pela empresa, o estudo não foi realizado pela Universidade Federal do Ceará, mas por um estudante da Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte, e analisou a produção de todos os parques eólicos do Brasil. Veja a seguir a matéria corrigida.

O Parque Eólico Eurus II da Atlantic Energias Renováveis, localizado no município de João Câmara (RN), atingiu a maior média mensal de fator de capacidade do setor eólico no país em agosto passado, chegando a 78,11%. Os dados são de um estudo realizado pelo estudante de engenharia da  Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte, Felipe de Freitas.

A pesquisa analisou vinte parques dos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Pernambuco durante o mês agosto deste ano. O Renascença V, outro parque eólico da Atlantic no Estado potiguar, ficou em nono lugar na lista, com uma média de 75,17% de fator de capacidade.

Dados os fortes padrões de vento nesta época do ano, os parques devem alcançar índices semelhantes até dezembro. O acompanhamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostra um fator de capacidade bastante alto dos projetos da Atlantic quando comparados com parques vizinhos na região de João Câmara.

Segundo dados levantados pelo CERNE, a Eurus II tem 30 MW de capacidade instalada. São 15 turbinas de 2 MW cada, modelo V100 da fabricante dinamarquesa Vestas.

O parque é conectado à subestação João Câmara III e foi negociado pelo Leilão de Energia de Reserva em 2010. Em dezembro de 2014, o empreendimento entrou em fase de testes e em janeiro deste ano a Aneel autorizou a operação comercial da Eurus II.

CERNE recebe professor de Universidade da Finlândia

O Professor Doutor Álvaro de Oliveira, da Universidade Aalto Helsinki (Finlândia), foi recebido nesta terça-feira (03) no CERNE, pelo diretor-presidente Jean-Paul Prates, para uma visita técnica. O docente coordena a Rede de Human Smart Cities (Cidades inteligentes e Humanas), é Presidente Emérito da Rede Europeia de Living Labs (EnoLL) e consultor do Banco Mundial.

O professor Álvaro de Oliveira explicou o conceito de Cidades Inteligentes e Humanas, que atualmente congrega 102 cidades de todo o mundo. Nessa plataforma de desenvolvimento sustentável, todos os atores sociais e a população trabalham em conjunto no processo de co-design e co-criação de soluções que favoreçam a implantação de serviços inteligentes para mobilidade,  saúde, educação, energia e até mesmo de casas inteligentes, essencialmente integrados com a tecnologia.

O presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, falou sobre o trabalho do Centro e destacou os potenciais da região nordeste, em especial do Rio Grande do Norte, relacionados à energias renováveis. Prates confirmou o apoio da entidade para trabalhar no projeto.

Adesão

Em julho deste ano, Natal aderiu à Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas durante o evento da Campus Party, em Recife. A visita do professor está inserida em uma série de reuniões com diversos atores sociais, dentre eles o CERNE, com o objetivo de propor novas parcerias e o fomento do Ecossistema Local de Inovação. A identificação desses atores e a forma como estes atuam em todo o processo de inovação permitirá uma análise de Living Labs (Laboratórios Vivos). Esses espaços configuram-se como um campo de pesquisa aberto compartilhado por várias organizações públicas e privadas que desejam colaborar para inovar em conjunto. A partir dessa análise, será possível extrair recomendações para que a prática dos Living Labs seja implantada no município.

Álvaro de Oliveira

O professor Álvaro de Oliveira é português, Mestre em Engenharia Eletrônica pela Universidade Técnica de Lisboa e Ph.D em Telecomunicações pela Universidade de Londres. Trabalhou durante dez anos como Professor e Pesquisador nas Universidades de Londres, Lisboa e Maputo.

É Consultor Sênior do Banco Mundial na área de Inovação, Living Labs, TICs e Cidades Inteligentes e Humanas. Membro fundador da Rede Europeia de Living Labs, presidiu a entidade por dois mandatos e, hoje, é seu Presidente Emérito, sedo responsável pelo Living Labs fora da Europa. Integra o Conselho da Connected Smart Cities Network e é Presidente da Human Smart Cities Network.

Detém grande experiência na coordenação de projetos na Europa, América Latina, África e China; coordena várias parcerias e projetos para desenvolver e implementar as Cidades Inteligentes e Humanas em 27 cidades Europeias localizadas em 17 países; e está ativamente envolvido em estender a iniciativa das Cidades Inteligentes e Humanas no Brasil.

Foto: CERNE/Press